N/A.: Mais um capítulo. Poxa, eu tô realmente inspirada pra escrever essa fic! Desculpem se o Shaka tá meio OOC nessa fic, mas não foi minha intenção. Espero que aproveitem como eu aproveitei.
Gostaria de pedir que, na parte onde tem um 'asterisco = *' vocês escutem a música que eu escutei quando estava escrevendo essa parte. Ela se chama "Better", da banda coreana Shinee (a música está em japonês). A tradução combina perfeitamente com essa situação.

Ken = sim, em hebraico.
Kheda = desculpe-me, em hindi.


Tinta à óleo

Capítulo terceiro

Era domingo, e ele, como fazia desde o mês que se passara, estava na casa de Ikki. Havia, nesse tempo, conseguido controlar seus instintos de agarrar o moreno – apesar de quê abraçarem-se já era algo que faziam com frequência – e já não ficava dando "mancada", mesmo que o sentimento dentro de seu peito só aumentasse. Ele xingava Ikki todos os dias por ser tão perfeito, e xingava-se pelo fato de não conseguir expulsar esse sentimento de seu coração, permitindo apenas que ficasse cada vez mais intenso.

Ele estava observando um ser que estava na mesa que ficava ao lado da sala, enquanto esperava o filme que assistia com Ikki voltar do intervalo. Era uma menina, mais ou menos da idade de Shun, e estudava com o rapaz, pois também tentaria o vestibular para medicina – ambos faziam o mesmo cursinho.

O loiro viu quando o Amamiya mais velho desviou o olhar da TV para a menina e sorriu, quase que inconscientemente. Um sorriso puro, que ele nunca tinha direcionado à Shaka. O indiano mordeu os lábios, controlando o ciúme. Tinha que admitir: a mocinha era linda.

Shaka foi apresentado à ela na semana anterior. Seu nome era Estrela, e como seu nome já dizia, ela tinha um brilho próprio natural. Era meiga, carinhosa, dedicada. Era a melhor amiga de Shun, e o rapaz parecia extremamente feliz em sua presença. Ela tinha longos cabelos louros, ondulados. Seus olhos eram de um verde-musgo contagiante, o seu sorriso apagava tudo à sua volta, e sua voz era um dos mais potentes calmantes. Shaka só conseguia associá-la à imagem de um anjo, e não conseguia odiá-la... Mas isso não impedia que sentisse ciúmes.

Tentava, em vão, desviar a atenção da garota, enquanto ela lia algo com Shun.

- Achi...! – A mocinha chamou, e Ikki levantou-se do sofá, solícito. O indiano não desviou um só segundo os olhos das costas largas do moreno, enquanto ele se curvava ao lado de Estrela. – Não consigo entender sobre essa questão da perestroika e da glasnost...

- Foi o Gorbachev que a fez, não é? – Shun completou a pergunta da loira. Ikki, como o bom professor que era, começou a explicá-los, enquanto Shaka tentava não prestar atenção nos olhos admirados de Estrela para o irmão do amigo. Agora tinha certeza de que Ikki era hetero. O jeito que ele sorria para ela, e tão prontamente a ajudava... Seus pensamentos se perderam quando Ikki voltou para o sofá, o olhando com um sorriso.

- O que foi, loiro? – Ikki perguntou, sentando-se ao seu lado. – Sentindo saudades?

O mais velho soltou um muxoxo, fazendo a melhor cara blasé que podia.

- Como se alguém fosse sentir falta de um esquentadinho igual a você. – Rebareu o loiro, tentando não olhar para os olhos azuis de Ikki.

- Você diz isso, mas morre de saudades de mim, não é? – Ikki bateu na perna do indiano, não com força, mas foi o suficiente para que os cinco dedos ficassem marcados na pele alva, já que, pela posição que estava sentado, a bermuda amarrotada mostrava boa parte da coxa do loiro.

Shaka sentiu o corpo inteiro tremer. O autocontrole que ele havia cultivado por tanto tempo já estava indo pelas cucuias. Tudo o que ele pensava era que queria as marcas dos dedos do moreno em outro lugar...

Ikki apenas fizera uma brincadeira sem intenção, mas quando viu os olhos do pintor sobre si, sentiu algo quente percorrer seu corpo. Aquilo era um olhar de desejo? Ficaram uns trinta segundos se olhando, até que o mais novo virou os olhos para a TV, tentando controlar os próprios sentimentos. O que era aquele olhar de Shaka? Será que ele era...? Não! Ele podia parecer delicado, mas nunca lhe deu indícios nenhum disso. Precisava se controlar, antes que fizesse qualquer bobagem.

"Shunny, o achi é gay?", Shun leu o que a amiga escrevera no canto da folha em que estudavam.

"Por quê?", o rapaz de cabelos castanhos escreveu, notando o olhar da outra.

"Ele e o senhor Shaka... São tão próximos", a loira escreveu novamente, com um sorriso.

"Eu não sei, anjinha", Shun escreveu, retribuindo o sorriso. "mas acho que eles formam um casal bonitinho..."

"Vou ficar aqui torcendo por eles!" a menina riu, feliz, com as bochechas vermelhas.

"Fangirl..." Shun revirou os olhos, chamando-a para continuar o estudo.


Shaka soltava gemidos roucos alucinados. Sentia as mãos ásperas do moreno apertando sua cintura, enquanto a boca dele sugava e molhava seu falo endurecido. Os olhos de Ikki, de um azul escuro cortante, o penetravam até a alma, fazendo com que o loiro gemesse ainda mais. Ansiava para que se tornassem um. Pedia, entre gemidos sufocados, para que o mais novo o possuísse, e implorava com os olhos para que o outro o fizesse.

Ainda assim, algo o impedia de chegar ao ápice. Um barulho irritante e repetitivo, que fez com que Shaka se sentasse abruptamente.

Estava sozinho na cama.

E extremamente excitado.

Pegou o telefone, que tocava feito louco, sem nem ao menos verificar quem era.

- Quê? – Perguntou, mal-humorado. Seu sexo doía, e nem mesmo em sonho poderia chegar ao máximo com Ikki.

- É assim que fala com os amigos, Shaka Phalke*? – Uma voz zombeteira perguntou, com um falso rancor.

- Oi, Milo... Não acordei bem hoje. – Shaka respondeu, sentando-se na cama de lençol branco.

- Deu pra notar... Tá precisando de umas trepadas, hein? – O grego gargalhou e o outro teve que aceitar: realmente, precisava acabar com aquela tensão. – De qualquer forma, liguei pra te lembrar que SEMANA QUE VEM é o meu ANIVERSÁRIO, e que vamos comer pizza na minha casa, ok? – Milo falou, acentuando as palavras certas. – Esteja lá, Shakinha.

- Certo, certo... – Shaka apenas assentiu. – Até lá... – Então o indiano sorriu, girando os olhos. – Não esqueço, Milo... Também amo você.

Já que já tinha acordado, decidiu tomar um banho e terminar de acordar. Depois de seco e vestido apenas com uma calça folgada, Shaka seguiu para o ateliê. A pintura que fazia ainda estava lá, no meio do estúdio, mesmo que outras pinturas mais novas estivessem ao redor.

- O que está faltando...? – Shaka mordia os lábios. Já tinha feito de tudo para que a pintura ficasse boa, mas simplesmente parecia incompleta. Respirou fundo. Sabia que uma hora teria uma epifania, mas não seria agora.

Encostou numa das paredes do ateliê, alisando os abelos molhados. Achava que Ikki gostava dos seus cabelos, pois o moreno já ficara brincando com os fios enquanto eles conversavam... O que o lembrava que Estrela também era loira. Mordeu os lábios, aflito. Se Ikki fosse realmente hetero e decidisse namorar a anjinha, o que ele poderia fazer? Acusar o moreno de traição? E, se ele gostasse de homens, não ficaria com a Estrela...

- Por que você não nasceu hetero, Shaka? – Perguntou em voz alta, fechando os olhos. Decidiu sair do estúdio, voltando para o quarto. Não estava nem um pouco inspirado. Pegou o celular, notando uma mensagem recém-recebida.

"Bom dia, loiro! Vou apresentar minha monografia hoje. Me deseje sorte!"

Shaka sorriu, enviando um simples "Ganbare!", na língua do moreno. Esperava que Ikki entendesse a alegria que sentira ao ver a mensagem. Isso foi o suficiente para que ele sentisse que ficaria feliz o resto do dia.

Tomou o café, sorrindo bobamente. Não sabia o que estava acontecendo consigo, mas não queria evitar. Estava adorando essa sensação.

Pegou o caderno de esboços quando já era quase meio-dia, e rabiscava um corpo quando recebeu uma ligação.

"Shunny", leu no visor o mesmo apelido carinhoso que Ikki dera ao irmão.

- Oi, Amamiya número dois. – Falou, com um sorriso.

- Oi, Shaka. – Mesmo sem ver, sabia pela entonação que o rapaz também sorria. – Você tá ocupado?

- Não, pode falar. – O mais velho colocou o caderno no colo, cruzando as pernas em cima do sofá, numa das mais comuns posições do yoga.

- Na verdade, não sou eu que quero falar contigo... – Ele ouviu Shun falar e notou quando ele passou o telefone para outra pessoa.

- Olá, senhor Shaka! – Aquela vozinha meiga que tanto odiava/amava falou.

- Olá, Estrela. – Ele suspirou, sorrindo inconscientemente. Por que simplesmente não conseguia ter raiva dela?

- Escuta... É... – Ela parecia nervosa. – Sei que o senhor tem coisas muito mais importantes a fazer, mas... Será que o senhor não poderia me dar aulas de pintura?

Shaka não conteve o sorriso maior que se formou em seus lábios. Aquela menina devia ser um anjo.

- Primeiro: me chame de Shaka. Segundo: por que você quer ter aulas de pintura? – O mais velho perguntou, deitando-se no sofá.

- É que quero dar um presente especial para uma pessoa... E não acho que tenho capacidade para tanto... – A voz de Estrela parecia triste com algo, tanto que isso fez o coração de Shaka se apertar: Não sabia se com a melancolia da voz dela ou com a possibilidade dessa pessoa ser o Ikki.

Contra toda sua vontade, aceitou dar aulas à Estrela, sem ao menos saber o porquê.

- Obrigada, senhor Shaka! – A moça estava radiante, e nem ao menos atendeu à exigência que o loiro tinha feito. Mesmo assim, ele sorriu. Achava que se perdesse para Estrela, não se sentiria tão mal... Afinal, se ele gostasse de meninas, Estrela com certeza seria uma de suas pretendentes.

Marcaram as aulas na quarta-feira à tarde, que era quando a mocinha não tinha nenhum compromisso. O loiro respirou fundo. Estava abrindo as portas de sua casa para o inimigo e estava feliz ao fazê-lo. O que quer que aquela moça tivesse, não era desse mundo. Ao mesmo. Recomeçou o desenho que fazia, pensando em como tudo seria a partir dali.

O dia em que daria aula à estrela chegou rápido. Ele estava preparando alguns pincéis quando ouviu a campainha tocar e desceu, já sabendo que era a moça. Aparentemente, ela era realmente pontual.

- Olá, senhor Shaka! – Ela o cumprimentou, meiga, entrando na sala.

- Não me chame de "senhor"... Faz com que eu me sinta velho. – Shaka pediu. Ele era seis anos mais velho que a moça... Talvez ela achasse que ele fosse velho, mesmo.

- Oh, não! Não se sinta! – Ela arregalou os olhos, se sentindo culpada. – É que o... Ahm... Não sei como me referir à alguém importante sem chamar de "senhor"... Existe outra palavra nessa língua pra isso?

O loiro piscou os olhos, atônito. Pessoa importante? Nessa língua? Fazia apenas alguns anos que se mudara para a Grécia, e ainda achava incrível a quantidade de estrangeiros que moravam no local.

- Quer dizer que você não é daqui? – O homem perguntou, a chamando com a mão para o ateliê.

- Nasci em Jerusalém. Meus pais fugiram da guerra civil para cá quando eu tinha dez anos. – A moça sorriu, com sua beleza se acentuando ainda mais. Então ela arregalou os olhos, com um sorriso. – Já sei! Vou te chamar de... Ali!

- Ali? – Ele levantou uma sobrancelha, abrindo a porta do ateliê.

- Hm-rm. – Ela sorriu, entrando no estúdio atrás dele. – Significa "elevado". Você me parece ser uma pessoa bem elevada...

Shaka só podia observá-la. Será que ela sabia que era assim que os monges no chamavam no templo onde fora criado?

- Aliás... – A moça parecia um poço de sorrisos. – Meu verdadeiro nome é Mazal Ziva... Shun achou que era muito complicado e começou a me chamar apenas pela tradução, que é "Estrela da Manhã".

- Gosto do seu nome. – Shaka sorriu com ela. Era tão meiga, tão fofa, tão... Argh! Amava sua inimiga! – Mas, afinal, o que você quer aprender?

Estrela começou a explicar o que ela queria fazer. O homem a observou, e depois lhe sugeriu coisas que seriam bem uteis. Passaram a tarde pintando e conversando. Estar na companhia da loira era agradável e reconfortante, e ele entendia porque Shun prezava tanto a amizade dela. Era engraçado saber que partilhavam algumas coisas, como o fato de terem vindo de uma região com cultura profunda e cheia de religiosidade, de gostarem de arte, dos mesmos cantores, dos mesmos hábitos alimentares... A diferença era que, com a mesma facilidade que estrela tinha em ser sociável, Shaka tinha em ser chato. Estrela pintava muito bem, mas ele perdera as contas de quantas vezes, para evitar que ela fizesse algo errado, dera uma batidinha em sua mão. Eram batidinhas fracas, mas pela vermelhidão na pele clara da moça, via-se que ele tinha feito vezes demais. Mesmo assim, Estrela sorria, amorosa, e agradecia por ele estar perdendo tempo com ela.

Já eram umas sete horas quando decidiram sair do ateliê. Shaka estava tão à vontade com a moça que ficava xingando a si próprio, como sempre fazia quando estava nervoso com algo.

"Ela é uma víbora traiçoeira", tentava se convencer, enquanto a ensinava como limpar e guardar adequadamente os pincéis. Então, com sua voz meiga e acalentadora, Estrela agradecia, fazendo o loiro quase agarrá-la. "Como pode existir um ser humano tão puro e belo? COMO!"

- Está com fome, mestre Ali? – Ela perguntou, utilizando a denominação à qual o mais velho tinha se acostumado durante a tarde. – Posso cozinhar pra você. O achi sempre disse que eu cozinhava bem...

- Que quer dizer "achi"? Você se refere ao Ikki, não é? – Shaka perguntou, fingindo desinteresse e segurando o veneno do ciúme dentro da boca.

- Ken. – Ela assentiu. – Significa "irmão". Quer que eu cozinhe algo? Daí você pode me dizer o quanto tenho que pagar pela aula...

O indiano anuiu, enquanto levava a moça até a cozinha, mostrando-lhe o ambiente impecável.

Ela começou a preparar um tipo durinho de arroz, que serviria com frutos do mar. Conversava animadamente com o outro, e pareciam que eram grandes amigos. Estrela usou um tempero que ele nunca tinha visto, misturando alguns dos que já tinha. Apesar de não saber exatamente o que ela estava fazendo, o cheiro lhe dizia que era delicioso. Não se enganara: achava que teria um orgasmo quando mastigou a primeira garfada. Externou o pensamento, fazendo Estrela gargalhar, enquanto segurava a taça de vinho graciosamente.

- Sabe, Estrela Ziva... – Shaka começou. – Tenho que admitir que antes não gostava de ti... Mas agora vejo que me enganei.

- Não se preocupe. – Ela abriu seu característico sorriso. – Ele não gosta de mm assim.

- An? – Shaka não quis entender o que a moça falou, então fez cara de quem realmente não entendeu. Não teve tempo de dar qualquer resposta. A campainha tocou enlouquecida, e Shaka foi até a porta, pronto para esculachar quem quer que estivesse fazendo aquela algazarra. Olhou pelo olho-mágico, abrindo a porta de supetão e dando de cara com um Ikki enfurecido.

- Cadê ela? – Ele perguntou, entrando na casa sem pedir licença.

- Olá, Ikki! – Shaka falou, com sarcasmo, fechando a porta.

- Por que veio aqui! Você mal o conhece! – Ikki esbravejava, indo em direção à moça, que se levantava da mesa, sem expressão. – E se ele fosse um tarado, ou...

- Ikki Amamiya! – Shaka finalmente se fez ouvir, e o moreno virou-se para ele. – Entendo que esteja com ciúmes, mas esta é a minha casa e eu não admito ser xingado aqui.

- O que passou a tarde fazendo com ela...? – Ikki perguntou, contendo a raiva.

- Não fale como se eu não estivesse aqui, achi. – Estrela falou. Sua voz ainda estava meiga, mas seu olhar, bem longe disso. – Ele estava me ensinando técnicas de pintura, apenas... Aliás, que tipo de amigo pensa essas coisas do outro?

- Estrelinha... – Ikki começou, inseguro. Estava corado e com vergonha de olhar para Shaka. – Você sabe que desde aquele dia...

- Passou. – Ela falou, firme. – Peça desculpas ao meu mestre, agora.

- Seu mestre? – Ikki riu. – Sei que não deveria ter dito tais coisas, mas se não podemos confiar em nosso próprio pai, quem dirá em alguém que conhecemos há pouco mais de três meses?

- Ikki, me escute...! – Shaka tentou manter a voz calma, mesmo que a irritação tomasse conta de seu ser. – Foram pouco mais de três meses, mas eu confiei em você. Além disso, não existe qualquer possibilidade de eu tentar algo com ela...

- Por que não? Oras, Shaka! Ela é bonita, inteligente, solteira, novinha... Aliás, você também, não é?

- Ikki, não é por...

- Nem comece! – Ikki se enfureceu. – Só por ter carinha de anjo não quer dizer que seja um...

- Presta atenção... Não tem nada a ver...

- Quem é que você quer enganar? Acha que não sei como um homem age...

- IKKI! – Shaka gritou, fazendo o outro arregalar os olhos. – Eu sou gay! GAY! – O loiro respirou fundo, tentando se acalmar. – Eu jamais ficaria com ela porque ela não tem um pênis! Era essa a prova que você queria?

O moreno estava com uma cara de surpresa, misturada com confusão. Sempre pensou "coisas" sobre o loiro, mas nunca tinha realmente cogitado a ideia de que ele fosse... Até porque, mesmo sendo delicado e cheio de frescuras com comida e roupas, ele não tinha nenhuma afetação. Falava como um homem, andava e agia como um. Nunca teria imaginado que...

- Vai embora da minha casa, Ikki. – O indiano falou, por fim, indo até a porta e a abrindo, interrompendo o pensamento do moreno. – E... Me desculpe, Mazal... Mas queria ficar sozinho agora.

- Claro, mestre Ali. – Estrela andou até o loiro, dando-lhe um abraço terno antes de sair pela porta. Ikki foi logo atrás, envergonhado e sem falar nada para o outro, que fechou a porta assim que esse último passou.

Foi até a cozinha e guardou as sobras do que a moça tinha cozinhado. Era uma atitude de pobre, mas tinha ficado delicioso e ele achava que não mais ia ver a moça depois disso...

Como Ikki descobrira onde era a sua casa? Nunca o tinha levado lá... Será que Shun o dissera? Bem possível...

Foi para o banheiro. Precisava de um banho relaxante para livrá-lo daquele estresse todo. "Afinal, o que foram aquelas coisas que os dois conversaram?", Shaka se perguntava, enquanto enchia a banheira de água quente. "Será que eles namoram?", pensou, enquanto tirava a roupa. "Não, ele disse que ela era solteira...", enfiou os pés na água, sentando-se e prendendo os cabelos compridos num coque. "Que me importa? Nunca mais vou ver aquele leão irritado, de qualquer maneira...".

Isso foi como um choque para o loiro. O "nunca mais" reverberou pela sua mente...

"Nunca mais".

Nunca mais veria seus olhos azuis.

Nunca mais o abraçaria só por abraçar.

Nunca mais veria seu raro sorriso.

Nunca mais jogaria tacobol e ficaria feliz mesmo perdendo.

Nunca mais o veria falar, tão orgulhoso, de como seu irmão mais novo era perfeito.

Nunca mais passaria horas discutindo sobre um assunto qualquer...

Se você está triste, chore.

Apenas chore de verdade, como você é.

Era exagero, sabia, mas seu cérebro não lhe dava trégua. O que fizera? Por que gritara sua preferência tão alto? Não soube como começou, mas no momento em que abraçou os próprios joelhos, notou que estava chorando.

Chorou tanto que chegou a soluçar, mordendo os lábios, tentando lembrar-se que nunca tiveram nada. Por que deixava esse amor possuí-lo de maneira tão profunda? Terminou o banho, ainda fungando, e olhou-se no espelho. Os olhos vermelhos deixavam suas íris azuis ainda mais claras e chamativas.

- É, Shaka... – Ele ensaiou um sorriso, enquanto suas lágrimas insistiam em cair por cima de seus lábios. – Até chorando, você parece um príncipe...


"- Eu imagino como deve ser você chorando. – Ikki falou, brincando com uma madeixa loira de seus cabelos. – Deve parecer o pequeno príncipe com saudades da rosa... – E começou a rir quando Shaka lhe deu tapinhas no ombro.

- Não fale besteiras. Ninguém me cativou a esse ponto. – O loiro sorriu, ficando sério ao notar o olhar do outro sobre si.

- Posso ser sua raposa, algum dia? – O moreno perguntou, de repente, com um súbito olhar de pedido. – Para que, quando formos nos encontrar às quatro horas, desde as três eu já te esperar?

Shaka, movido por uma emoção que não esperava sentir, o abraçou, sendo abraçado de volta.

- Você já é minha raposa, Ikki...".


Começou a trocar de roupa, ainda chorando. Onde estava sua costumeira calma? Que ser desesperado era esse no qual havia se tornado?

Se você ainda sente dor depois daquilo e precisa de alguém,

Junte-se a mim.

Venha assim como você é.

Jogou-se na cama, de barriga para baixo, com preguiça de pentear os cabelos. A calça do pijama que usava era confortável, e ele tentou aproveitar a sensação que isso lhe dava.

Se a dor ainda toma conta de você, não importa onde você esteja,

Junte-se a mim.

Não soube quanto tempo ficou lá, parado até que seu celular deu três toques curtos, indicando que uma mensagem havia chegado. Seus olhos já estavam secos quando ele pegou o aparelho, e nem olhou de quem a mensagem era. A abriu e leu duas vezes, deixando um tímido sorriso ser desenhado em sua boca rosada.

"Não gosto de brigar com você, pequeno príncipe... Kheda".

Até o dia em que você possa rir novamente,

Eu estarei contigo, não importa como.

Não largue minhas mãos... Essas mãos.

Continua...


N/A.: Enfim, espero que tenham gostado! Foi muito bom fazer esse cap e o próximo já está em andamento; espero não demorar muito.

P.S.: O sobrenome do Shaka, Phalke, pertence à Sion. Eu gosto desse sobrenome nele e achei que seria maldade colocar outro. O Shaka pra mim vai ser sempre Shaka Phalke!
Annyeong!