A fêmea perfeita

Capítulo 3

REVISADO!

Kagome ainda tentava entender o que aquele homem enorme fazia grudado ao seu corpo. Estava sem reação, os braços pendendo ao lado do corpo; os olhos se arregalaram ainda mais quando sentiu o youkai apertá-la ainda mais dentro do abraço. Podia sentir o perfume forte que ele usava - e provavelmente bem caro, do tipo preço de um carro popular-, e seu coração bateu forte. Parecia que estava presa em um daqueles filmes românticos e o mundo girava e girava...espera aí, ele tinha chamado-a de quê?!

- Você é perfeita...- Inuyasha suspirou contra os cabelos dela,.sentindo como suas auras fundiam-se de maneira sincronizada. Deslizou uma mão por sua cabeça até a nuca, em um gesto um tanto impensado, completamente tomado pela sensação.

A garota sentiu-se ainda mais encabulada, as bochehas avermelhando-se ainda mais. Colocou as mãos nos lados dele, querendo afastá-lo, mas, droga! Aquilo estava tão bom! Sentia o poder masculino que emanava dele, tão viril, e, uow, fazia tempo que não era tocada assim por um homem. No estado em que se encontrava, era incapaz de reagir. Os dois não pareciam se importar com um Hojo e uma Ayumi sem chão e dois clientes dando risinhos discretos. Só havia os dois ali, naquela dança silenciosa e violenta; as duas almas encontrando-se tentando fundir-se em uma só.

- Minha vadia...- ele sussurrou, inocente, os olhos fechados agora, aproveitando o máximo do momento. O "elogio" fez com que o transe terminasse para ela.

- Ei, ei! Espera aí! - Kagome conseguiu afastá-lo. - Quem você pensa que é para me chamar de vadia? - ela estava realmente muito brava, ele não entendeu o porquê dela estar assim.

Fêmea? Louca?

- Mas eu não te chamei de vadia - Inuyasha mexeu as orelhinhas em confusão. "Mas que gracinha", ela pensou, mas balançou a cabeça para não cair em hipnose de novo. - Chamei de "minha vadia"...

- Ora, seu! - como se isso mudasse alguma coisa. Kagome estava tremendo de raiva e o meio-youkai não entendia porquê ela estava tão brava. Hojo via tudo de fora, já sabia o que viria em seguida: oh, deuses! Adiantou-se para evitar a tragédia:

- Higurashi, não! - o supervisor aproximou-se rapidamente. O que poderia acontecer se ela batesse no Senhor Taisho? E, ah, no estado em que ela estava a doce Kagome bateria nele!

Pareceu câmera lenta para o Inuyasha, suas orelhinhas como um radar: ele podia ver o garoto de cabelos claros tocando na sua Kagome e era um sentimento insuportável. Fêmea! Minha! Não quis saber se Kagome estava brava ou não.

- Não, não a toque! - Inuyasha segurou-a pelo punho e a trouxe para perto novamente, fora do alcance do outro macho. Kagome exclamou em susto, ele era forte demais! A respiração do meio-youkai ficou pesada agora e ele podia sentir as veias roxas tomando conta de sua face. Ele estava cortejando a fêmea e sabia que se descontrolaria se outro a tocasse. Ela era um objeto pessoal.

E a cena não poderia ser pior: um Hojo bem confuso, congelado no movimento por ordem do Inuyasha; uma Kagome ainda tremendo de raiva, arfante, mas também confusa, e um Inuyasha com cara de macho dominador, segurando Kagome pelo punho. Ayumi que até então não tinha se metido na história, aproximou-se em passos firmes.

- Eu não sei direito o que está acontecendo aqui - a garota de cabelos encaracolados olhou o "casal", desconfiada.- Mas que eu saiba, você é casado, senhor!

Kagome olhou para a colega do tipo "socorro!" e, ao ouvi-la, desviou para a mão que a segurava: um anel prateado reluzia - daqueles bem caros (tipo do preço de um casa de campo). Agora que ela não estava entendendo nada!

- Sou noivo - Inuyasha respondeu, como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo. Ainda segurava a menina pelo pulso, estilo macho alfa.

- Se eu fosse sua noiva mandaria internar você ! - Kagome aproveitou a deixa e conseguiu se soltar, o pulso dolorido, sob mais um "Higurashi" desesperado do Houjo. Ela o ignorou. Sério, ele estava a ponto de chorar. Se a familia Taisho reclamasse de alguma coisa, estavam perdidos. - Agora, com licença, que eu estou atrasada - Kagome afastou-se em pisadas violentas, e Inuyasha sentia que cada pisada era , na verdade, em seu coração. Seus batimentos tornaram-se frenéticos ao notar que sua fêmea estava cada vez mais longe. Tinha que fazer alguma coisa, não podia deixá-la ir! Fêmea! Minha! Kagome sumiu pela porta atrás do balcão, apenas para retornar vestida com seu casaco e bolsa e guarda-chuva em mãos.

- Eu...- tinha que pensar rápido. Seguiu-a até a porta. - Está chovendo, eu levo você! É...como um pedido de desculpas - viu que Ayumi batia o pé para ele, zangada. - Por tudo?

- Obrigada, mas não precisa! - Kagome queria ser gentil, como era com todos os clientes, mas tudo o que seu subconsciente dizia era para matar aquele homem.

- É claro que você vai aceitar o pedido de desculpas, não é, Higurashi? - Hojo segurou em seus ombros, tentando acalmar a fera, mas soltou ao ver a cara do meio-youkai "eu não te disse para não tocar nela, caralho? Não tem amor pela sua vida, não?"

Kagome abriu a boca para responder algo, Inuyasha esperando logo à sua frente, um Hojo, quase implorando - o sorriso frouxo, os lábios tremendo -, às suas costas. Kagome sabia o que o supervisor queria dizer, eram os Taisho, estavam ferrados! Ela franziu a sobrancelha, contrariada. Nunca tinha passado por uma situação dessas na vida! Era uma futura advogada, filha mais velha da senhora Higurashi, a garota que estava conseguindo segurar a barra de uma família sozinha, enquanto outras meninas de sua idade só sabiam beber e falar de homem. Era responsável para sua idade e bem madura, organizada, disciplinada. Cruzou os braços, olhando para longe.

- Que seja...

X

Ela nunca andara em um carro como aquele na vida. Poucas vezes andou de carro, quando seu pai ainda era vivo, tinham um carrinho popular de duas portas que usavam para fazer passeios. Depois passou a usar o metrô para distâncias mais longas e o resto das vezes caminhava entre as ruas cheias de gente. Mas aquele carro era impensavelmente espaçoso - de fora não dava para ter noção de que havia tanto espaço ali dentro. Kagome reconstou-se no assento e sentiu-se quase que em um avião. Viajara uma vez para o litoral de avião, durante as férias, e fora uma experiência marcante para uma criança de treze anos. Ela fechou os olhos e quase podia repassar tudo na memória, aquele friozinho na barriga quando se decola.

Inuyasha ajustou o ar-condicionado e colocou uma música baixa para tocar. Ia se perguntar o que estava fazendo com aquela mulher ali, sendo que seu casamento estava marcado para o final do ano (o casamento com a mulher que ele amava e escolhera passar a vida), mas o ar bateu levemente nos cabelos de Kagome, espalhando o cheiro doce pelo carro todo. Qualquer pensamento rebelde de Inuyasha cessou, ele apenas fechou os vidros fumê como precaução.

- Então, para onde vamos?

- Hospital San Pietro, seis quadras daqui.

- Você está doente?!

Inuyasha quase fez o carro morrer com o susto. Por que era sempre assim, cara? Os roteiristas não tinham coração? Eles sempre colocam um dos personagens com alguma doença e então essa pessoa vai morrer logo, ou seja, o amor entre os dois é impossível! Se bem que...quem estava falando de amor?! Ele só queria entender o que estava acontecendo entre os dois, porquê o cheiro dela deixava-o tão fascinado. Nada de amor.

- Não sou eu quem está doente - ela olhou-o como se ele fosse o cara mais burro do mundo. - É da minha família, ok? É pessoal!

Inuyasha fez um ah! de entendimento e mudou a música. Não comentou mais nada, ela não parecia querer aprofundar o assunto. Sentiu-se...aliviado com a resposta? Droga, ela fazia-o sentir coisas demais, isso era perigoso. Acelerou o carro.

- Espera ai, para onde você está indo? Está no caminho contrário! - Kagome descontrolou-se ao notar isso. Pronto, era o fim: apareceria como mais uma jovem degolada nas páginas de jornal. Por que foi dar ouvidos ao bundão do Hojo? E Souta, o que seria dele sem ela? E sua mãe?

- Eu estou pegando um caminho mais longo - ele viu que ela não se acalmava. - Quero ter mais tempo com você, tá bom? Só quero te conhecer...

Kagome viu que ele apertava com força o volante, seus dedos pálidos por causa da pressão. Podia ver as garras nas pontas deles também, e ficou ainda mais tensa. Acordara de manhã, achando que seria um dia comum, a rotina de sempre - até deixara um pouco de cereal na tigela -, e agora estava ali com o youkai psicopata. A vida era realmente muito complicada, ela pensou, deixando-se escorregar um pouco no banco. Ele olhou rapidamente para ela, sentindo um leve temor misturado ao cheiro que ele tanto adorava. Ela pensava porquê não tinha comido todo o cereal da tigela..

- Quantos anos você tem?

- Tenho 20 - ela respondeu sem muita vontade.

- Estuda?

- Sim.

- Tem filhos?

- O quê? Está fazendo uma entrevista de emprego?

- Apenas responda minha pergunta.

- Não...

- Onde você estuda?

O interrogatório não ia parar?

- Faculdade Brishingtton.

- Ei - Inuyasha pareceu surpreso agora. - Eu também estudo la..-ficou em silêncio alguns instantes, esperando o sinal abrir. - É uma faculdade bem cara para quem trabalha numa torteria - ele deu a seta para entrar no retorno. Kagome sentiu a alfinetada no comentário.

- Bolsa de estudos. Algumas pessoas conseguem as coisas por mérito próprio.

Inuyasha riu, sentindo a alfinetada. Não se considerava mimado, se era isso que ela queria dizer. Lembrou-se de quando ficara irritado quando as férias na praia foram canceladas por causa da chuva e seu pai fizera de tudo para alegrá-lo: "Papai te compra um carro!", senhor Taisho dizia e pequeno Inuyasha negava com a cabeça, irritado. " Um iate? Papai te compra outra casa de campo!". Não, nem de perto mimado.

- Nunca te vi por lá.

- Eu estudo à noite - será que demoraria muito para chegar?

- Não parece ser fácil - Inuyasha desviou o olhar da direção para a menina ao seu lado. Ela olhava as gotas de chuva que escorregavam pelo vidro, o rosto tão sério. Ele pensou em como ela era forte e seu coração se aqueceu. Era como se pudesse sentir a força dela dentro de si, a ligação que tinham prometia ser profunda.

Kagome ficou em silêncio. Não, não era nada fácil. Ela, às vezes, pensava em como seria melhor ser sustentada pelos pais e ter uma vida mais confortável; poder sair e se divertir sem o peso de uma família nas costas. Mas era grata pelo tinha. Mesmo brigando com o irmão mais novo, que muitas vezes era bem egoista, e sentindo falta da figura forte da mãe, que era a sua base antigamente, ela não os trocaria por nada nesse mundo.

- Você é bem bonita..- Inuyasha quebrou o silêncio, lembrando-se do jeito teimoso dela e de como seu quadril mexia-se quando ela andava. Provocante, como se ela estivesse sempre no cio. Decididamente, era um ótimo lugar para colocar seus filhotes.

A garota olhou-o , incrédula, pensando em como a conversa estava indo para esses rumos, mas sentiu vontade de dizer que ele era também. Olhando agora, ele era bem bonito: a pele perfeita, os olhos de um dourado profundo (nunca tinha visto olhos assim!) , e orelhinhas superfofas no topo da cabeça. Um tanto exótico, realmente, mas ele era um youkai, o que justificativa os apetrechos diferentes. A aliança no dedo masculino reluziu ainda mais forte, ofuscando qualquer simpatia que ela poderia ter para com ele.

- Ok, vamos ser sinceros...- Kagome já estava de saco cheio de tudo aquilo. - O que você quer comigo?

- Eu não sei...- ele pareceu sincero, o olhar um tanto triste, mas ela não desistiu:

- O-ora, você vai na minha loja...

- Não é sua loja.

- Não importa, a loja onde eu trabalho, como um doido, me empurra, me agarra - ele deu risinho agora, lembrando-se de como era gostoso ter o corpo dela no seu. - E agora vem me dizer que não sabe?! Ah?! - Kagome se aproximou dele e ele teria gostado se não fosse pelo tom alto que fez doer suas orelhinhas sensíveis.

- É um negócio youkai, ok? - Inuyasha pareceu irritado. - Você não ia entender..

- Você é bem desleal para um cachorro - a garota cruzou os braços, olhando para a aliança na mão que conduzia o veículo. Ela brilhava mais que o normal, parecia de propósito - para fazê-la se sentir ainda mais culpada por estar sozinha com um cara casado. Noivo. Que seja. Não era esse tipo de garota!

- Não sou um cachorro! Sou um youkai! Meio-youkai...- a última palavra foi quase sussurro.

- Como assim meio?

- Meu pai é youkai, minha mãe é humana..

Kagome fez um oh! de surpresa e pensou consigo mesma o que faria uma humana se casar com um youkai. Bom, se todos fossem como esse que ela tinha acabado de conhecer, eles eram bem estranhos e lunáticos. Kagome tentava imaginar como essa mulher corajosa seria e Inuyasha analisou a feição dela por um instante. Ela fazia caretas engraçadas enquanto pensava, sua imaginação deveria ser muito fértil. Um fio de cabelo rebelde caiu por sobre a testa de Kagome e ele sentiu vontade de retirá-lo dali, de beijá-lo, de mordê-lo. Esse negócio de morder de novo? Fêmea deliciosa!

- Acho que você é minha alma gêmea - ele a olhou profundamente e Kagome o olhou de volta, a feição de pânico. Do que ele estava falando?! Tipo, do nada? Ele estava brincando, né? Não é normal alguém te dizer isso do nada, sabe? Principalmente alguém que você nem conhece! Não sabia o que responder. Kagome sentiu as energias deixarem seu corpo, era um pesadelo, só pode. Estava cada vez mais parecido com aqueles filmes de romance, onde o mocinho surge do nada e conhece a mocinha e os dois passam por muita coisa, mas depois ficam juntos no final. Bom, não tão romântico: - Mas eu não te amo..

A voz dele era triste. Inuyasha desviou o olhar dela, olhando fixamente para o caminho a frente. Pensou em Kikyo e em como não queria deixá-la. Sentiu-se mal por ter aquela menina em seu carro, estar sozinho com ela enquanto sua noiva deveria estar aguardando por ele em algum lugar, acreditando nele. Sabia o que era amor, era o que ele e Kikyo partilhavam, então por que tinha que ter aquela necessidade por Kagome? Aquela vontade louca de mordê-la. Os deuses não eram justos.

- Você é louco - ela disse, finalmente, também fixando seu olhar em frente.

Inuyasha riu.

- É muito corajosa em chamar um youkai de louco.

- Louco e raptor.

- Não estou te raptando - o meio-youkai balançou a cabeça em negação.

- Estamos quase chegando, não vê? - ele apontou para frente.

Kagome não segurou um suspiro de alívio e ele fingiu não notar. Não podia ser que a presença dele a incomodava tanto. Os metros seguintes pareceram kilômetros e, ao invés de andar, o carro parecia rastejar até a entrada do hospital. Inuyasha parou na área de carros, o grande prédio branco imponente acima deles.

- Obrigada, Senhor Taisho - ela se adiantou, pegando suas coisas e a maçaneta do carro.

- Pode me chamar de Inuyasha - ele deu um sorriso sem graça, vendo-a se mover apressadamente. Não era fácil admitir, mas não queria que ela fosse. - Kagome...- pegou a mão dela em impulso e ela parou. Talvez não poderiam ficar juntos! Não deveriam! Mas não queria vê-la triste ou sozinha. Ela parecia passar por tanta coisa para uma menina tão nova. Era tão valente. Queria ser um amigo. - Qualquer coisa que precisar, eu estou aqui para você...- ele levou a mão dela perto de seu coração. Será que ela não sentia essa ligação forte entre eles?

Ela o encarou, a expressão vazia. E as mãos unidas. Já tinha passado do limite essa mania dele de tocá-la e o que ela sentia quando ele a tocava.

- Boa noite, Senhor Taisho - desvencilhou-se dele, sem remorso.

- Não vai nem se despedir? - a voz do Inuyasha era triste. Fêmea...fêmea...não vá...- Deixe, por favor, eu fazer isso..

E se inclinou para ela, o olhar fixo e profundo, os orbes dourados faíscaram. Uma única vez, para matar a vontade, uma única vez para saber como é que é (Kikyo, por favor,..ele não a estava traindo...). Kagome estremeceu. Ele ia beijá-la agora? Era isso? Depois de tudo, ela ainda teria coragem de beijá-la? (vishe, fazia quanto tempo que ela não beijava alguém?). Ela nem se deu conta de quando o empurrou e de quanta força usara. Estava feroz:

- Só porque você é rico e bonito - ela disse bonito? Droga, era para brigar com ele, não para elogiá-lo. -...não significa que pode ter tudo. E usar as pessoas. Essa mulher deve te amar muito para ter aceitado casar com você! E o que nós estamos fazendo aqui?! Você também a ama..

- Amo - Inuyasha a interrompeu e ela ficou sem palavras por alguns instantes, quase gaguejou. Ele não parecia ter dúvidas.

- Então o que eu estou fazendo aqui?!

As orelhinhas dele abaixaram-se de imediato, afetado pelo que ela dizia. Amava a Kikyo do fundo do coração e não pretendia traí-la ou magoá-la. Mas não era tão simples assim. Eles estavam ali e ele tinha conhecido a Kagome e aquele imã e ele não sabia o que fazer, era um turbilhão de coisas que se passava pela cabeça dele. Ele tinha tudo e nada ao mesmo tempo.

- Eu só quero te ver, Kagome...- ele não se imaginava sem poder vê-la mais.

A porta do carro bateu com força e Kagome se foi.

X

Inuyasha acordou com uma dor de cabeça incomum. Não quis se arrumar, ou sair da cama. Não queria nada naquele exato momento. Izayoi se preocupou ao não ver o filhinho na mesa na grande mesa de madeira esculpida a mão de café-da-manhã. Tinha tudo que ele gostava: bacon, torradas, omelete, espaguete. Subiu as escadas com o seu robe de seda rosa serpenteando junto aos movimentos.

- O que o meu filhinho tem? Quer que o Myoga traga o café na cama? - ela sentou-se ao lado dele no meio dos lençóis, acalentando o seu menino.

Inuyasha não queria nada. Estava dolorido por dentro. Orgulho ferido pela reação da Kagome e uma dor imensa por não saber se a veria novamente. Lembrou-se dos acontecimentos anteriores, de como ela parecia sempre tensa ao seu lado e se sentiu o pior dos homens por isso. Queria poder fazê-la se sentir bem, mas sabia ser impossível quando ele mesmo estava tão mal. Não a amava nem a conhecia, não a queria por perto, mas também não a queria longe. Era um beco sem saída.

Fêmea...fêmea. ...soava como uma triste canção.

Para evitar qualquer desentendimento, ele mandou uma mensagem para Kikyo dizendo que estava se sentindo enjoado e não iria para a a faculdade hoje. Ela, carinhosa como sempre, mandou uma mensagem quase na mesma hora, desejando melhoras e dizendo que qualquer coisa a chamasse. Até brincou se não seria o filhinho deles que iria nascer. Não desconfiava de nada, não brigava por nada; era a mulher perfeita. O que Inuyasha queria mais? Por que não tirava aquela menina da cabeça! Era de família pobre, problemática e geniosa. Também era linda, espirituosa, esforçada. E com aquele cheiro maravilhoso. Droga, odiava aquela maldita tradição youkai! Se ela era a fêmea perfeita, então era só transar com ela e aquele vontade passaria, certo? Fuder ela até saciar seus instintos de macho e depois jogá-la fora e poder viver em paz com quem ele realmente amava: Kikyo. Gozar no útero dela até o último pingo de sêmem sair de seu pênis. Claro, como se a orgulhosa da Kagome fosse abrir as pernas para ele só porque ele queria (não, precisava!) arrumar um jeito de não pensar nela, de acabar com o desejo de ter aquele corpo pequeno e chamativo para sempre colado ao seu.

Kagome amanhecera no hospital, sua mãe cada vez melhor. Senhora Higurashi deu um sorriso fraco e a filha correspondeu com amor. Engraçado que desde o dia em que conhecera o youkai as coisas andavam melhorando para ela e ela pensou ser uma piada dos deuses. Um youkai - ops, meio-youkai, como ele tinha explicado -, psicopata e cafajeste não traria sorte para ninguém. Esperava nunca mais ter que vê-lo na vida.

X

Ow, meninas, obrigada pelos reviews! Até hoje sou fascinada em fics de Inuyasha e fiquei feliz em achar pessoas que ainda são! E então o que estão achando ? Muito sofrível, né? Estão todos muito confusos...Inuyasha tem que ficar com quem ele ama? Kagome vai se recuperar do acidente da torta de nabo? Hojo vai deixar de ser demente (isso sabemos que não). Até a próxima, babies.