Aquela foi mais uma noite de tortura e sonhos vívidos que não me deixavam dormir, eu estava seriamente preocupado em acordar molhado, o que os outros diriam se vissem algo como isso?

Eu estava precisando desanuviar a mente... Na verdade estava precisando desanuviar outra coisa que não me atrevia a dizer.

Me levantei da cama e vesti um robe por cima do pijama, peguei a capa da invisibilidade no malão e saí do dormitório. Tudo o que eu estava fazendo parecia um filme daquela outra noite, onde tudo aconteceu.

Após sair do Salão Comunal, já coberto pela capa, segui inconscientemente para as escadarias.

Bem... Só metade inconsciente, pois eu sabia muito bem que estava seguindo para o sétimo andar, mas não fazia nada para frear aquele impulso, eu queria ir, alguma coisa não me deixava parar.

Quando cheguei ao sétimo andar senti uma vontade de voltar, de fugir dali, como se estivesse com medo do que ia encontrar.

Continuei andando e deixei a capa da invisibilidade cair, o corredor estava vazio, não havia sinal de Malfoy ou de Douglas, senti uma frustração imediata, o que eu estava pensando? Que Malfoy estaria lá me esperando?

- Problemas para dormir? – perguntou uma voz bem atrás de mim.

Era incrível como ele gostava de me assustar, quando eu pensava que já não podia mais esperá-lo: Ele aparecia do nada.

O corredor estava bem escuro, a pouca iluminação dos archotes só mostrava metade do rosto pálido dele e aqueles olhos também estavam lá, me observando, me queimando por dentro.

- Claro que não, por que eu teria? – respondi tentando mostrar firmeza.

Draco riu debochadamente, eu não conseguia acreditar que ele sabia dos sonhos.

Talvez não soubesse, mas ele me olhava como se soubesse exatamente o porquê de eu estar acordado. Senti um pouco de vergonha por estar justamente naquele corredor.

Pensei que se ele estava lá era por que estava esperando por alguém, seria Douglas? Eles teriam voltado naquele meio tempo que passei distante?

- Estou saindo, não quero atrapalhar seus planos. – eu queria que essa frase não tivesse saído tão idiota...

- Mas já chegou. – ele falou e eu achei que aquela frase não tinha sentido nenhum.

- Chegou o que?

- Quem eu estava esperando.

Eu olhei-o totalmente confuso, não havia ninguém ali além de nós dois.

Ele estava me esperando?

E como ele sabia que...?

Eu parei de pensar apenas para ver a maneira como ele estava me olhando, era como nos meus sonhos, só que daquela vez era bem real.

- A curiosidade é o primeiro sinal da descoberta. – ele disse sem mais nem menos.

Quando as batidas do meu coração aumentaram de maneira preocupante eu descobri que estava com medo. Com muito medo.

Era assustador pensar que logo ele sabia o que estava acontecendo comigo e que logo ele tinha despertado tudo isso.

Eu o olhava e não conseguia entender o que estava acontecendo. Até o ano passado ele me odiava! Pelo menos era o que eu achava, mas o que estava acontecendo naquele momento? Por que ele estava me olhando daquele jeito? Era como se o passado não tivesse existido, como se aquela fosse a primeira vez que nos víamos.

Malfoy deu um passo em minha direção e eu tentei recuar, mas descobri que estava paralisado demais para fazer qualquer movimento, então ele continuou se aproximando e minha respiração começou a falhar.

- De que descoberta você está falando? – eu perguntei tomando coragem

- Você sabe mais do que eu. – ele disse – O que você descobriu te trouxe aqui.

- Por que você não vai logo ao ponto? – perguntei olhando-o severamente, estava cansado de tantos enigmas.

Dois segundos depois eu me arrependi do que disse, Draco tinha colocado suas mãos em meus ombros e me olhava de perto, ele estava mesmo decidido a me mostrar o "ponto".

Para mim aquilo ainda era muito novo: Ter Malfoy tão perto, segurando-me tão gentilmente e sentir-se extremamente vulnerável, sem ação.

Meu corpo implorava por mais proximidade, o cheiro dele estava me embebedando de uma forma tão voraz que estava difícil pensar em qualquer outra coisa.

- Potter, eu... – ele começou e parecia que ele estava fazendo um esforço inimaginável para sibilar aquelas palavras – Eu tentei, mas...

Em menos de um segundo ele tinha tomado meus lábios em um beijo, quando seus lábios quentes entrelaçaram-se aos meus senti como se o chão tivesse fugido dos meus pés, ele me segurou fortemente e colou seu corpo ao meu.

Nesse momento eu comecei a lembrar o que tinha visto...

Malfoy estava com Douglas naquele mesmo corredor e no outro dia tinha dispensado-o tão friamente...

Comecei a me mexer e sai do abraço dele.

- Então é assim que se diverte? Atraindo idiotas para cá para depois descartá-los? – gritei quando tudo se encaixou em minha mente

- Do que está falando? – ele perguntou

- Não precisa perder seu tempo com explicações. – eu disse me virando para sair dali

- O lance com o Cohen foi um erro, não era para você ter visto.

- Claro que não, não era para eu ter descoberto a sua diversão sórdida. – eu disse, estava totalmente descontrolado, a raiva pulsando em minhas veias.

- Na verdade eu... – ele começou, mas parou no meio da frase, como se tivesse desistido de continuar.

Eu continuei andando rapidamente, peguei a capa da invisibilidade no chão e me cobri, que idiota eu tinha sido! Tinha caído no joguinho dele, estava muito claro que Draco Malfoy nunca ia se interessar por mim, ele queria me humilhar, me usar, assim como fez com Douglas Cohen.

Quando cheguei ao dormitório me joguei na cama, meu corpo estava fumegando, eu lutava para não se lembrar do senti quando Malfoy me beijou, mas era impossível esquecer.

O gosto dele ainda estava em mim e eu estava sentindo uma vontade incontrolável de sentir o calor do corpo dele novamente, de sentir o gosto dele mais uma vez, nem que fosse por um segundo...

Me virei e fechei os olhos com força, precisava esquecer aquilo. Precisava esquecer tudo.

No dia seguinte acordei mais cedo que nos outros dias, eu tinha a primeira aula de Transfiguração.

Quando levantei da cama era como se tudo que aconteceu fosse um filme, passava distantemente em minha cabeça, eu estava meio anestesiado com as coisas ao redor e demorei para despertar totalmente.

O dia estava totalmente tedioso, sentei-me de costas para a mesa da Sonserina no café da manhã, Douglas não estava em meu raio de visão na mesa da Corvinal, então mantive meus olhos ocupados com a comida.

Na sala de aula eu tentei prestar atenção no que a professora falava, mas não conseguia focar minha mente.

Hermione pareceu perceber minha distração exagerada, mas ela já me conhecia bem o bastante para saber que perguntar não ia adiantar, ela preferiu me deixar sozinho.

Com o passar do tempo eu começava a fazer de tudo para não encontrar com Malfoy, em nenhum lugar que fosse.

Passei dois dias inteiros evitando-o de todas as maneiras possíveis, eu não queria vê-lo e ter que lembrar de tudo.

Mas foi numa tarde chuvosa que tudo mudou.

Eu estava no pátio sentado em um banco de pedra, olhando a chuva cair quando vi Douglas Cohen se aproximando. De imediato eu pensei que ele ia apenas passar por mim, mas fui obrigado a mudar de idéia quando ele se sentou no banco.

- Oi Harry – ele começou – Importa-se se eu te chamar assim?

- Não, claro que não. – eu respondi olhando-o

- Acho que já nos sentamos juntos em algumas aulas... Acho que já somos amigos! – ele disse sorrindo gentilmente, seus olhos cor de oliva estavam mais claros

- É, tem razão. – eu respondi tentando parecer legal

- Sabe Harry, eu queria conversar com você. – ele disse ficando sério de repente

Eu me ajeitei no banco e encarei-o.

Será que ele sabia de tudo? Será que ele queria compartilhar suas tristes experiências com Malfoy comigo?

- É sobre Draco Malfoy. – ele completou cuidadoso

- Ele mandou você vir aqui? – perguntei na defensiva

- Não. Se ele souber que estou falando com você eu terei sérios problemas. – ele disse – Poderíamos ir á um lugar mais reservado? O que tenho a dizer é muito importante.

Eu me levantei do banco sem dizer nada, meus movimentos eram mecânicos e eu segui Douglas até uma salinha vazia.

Ele parecia estar pensando muito no que ia dizer, parecia estar se preparando.

- Eu errei muito com ele. - Douglas começou – Eu sei o que você sabe, sei o que você viu... Você não entendeu muito bem.

- Eu vi o modo como ele terminou com você, não foi muito gentil. – eu disse

- Eu mereci tudo! Eu insisti muito para ficar com ele.

- Hã? – eu exclamei sem entender nada

- Draco sempre foi muito claro comigo, eu sempre soube que ele não poderia gostar de mais ninguém, por que já gostava de alguém. – ele disse e eu fiz uma cara desconfiada - Eu fiz essa mesma cara quando ele me contou, é bem estranho imaginar isso vindo de alguém como ele... Mesmo sabendo disso eu quis continuar...

- O que isso tem a ver comigo? – perguntei fingindo desinteresse

- Você não vê? Ele gosta de você, gosta desde sempre. – Douglas disse

- Impossível. – eu disse imediatamente, aquilo era o cúmulo do ridículo

- Eu não esperava que você entendesse, nem eu entendi como isso pôde acontecer. Mas é verdade e eu tive muitas confirmações.

- O Malfoy me odeia, e tudo mundo sabe disso. – eu repliquei teimosamente

- Era isso mesmo o que ele queria, que todo mundo pensasse que entre vocês dois só existia ódio, e acredite, ele teve que fazer muitas coisas horríveis para que até você acreditasse.

- Por que está me dizendo isso? – perguntei olhando-o nos olhos

- Por que sei de tudo que ele teve que fazer por sua causa, eu só entendi depois, mas sei que o que ele sente por você é muito sincero... Quando você nos viu juntos e descobriu o segredo dele ele soube que você descobriria o seu.

- O meu?

- Sim, o seu segredo e o dele são os mesmos. – ele disse – Vocês se gostaram desde a primeira vez que se viram e ele soube disso, então teve que agir para que você nunca descobrisse isso, a maneira que ele encontrou foi fazendo você odiá-lo.

- E por que ele fez isso? – eu perguntei incrédulo

- Bom, aí só com ele. – disse Douglas – Acho que já fiz o que estava ao meu alcance, espero que entenda o que ele fez.

- Douglas, você ainda gosta dele? – eu perguntei antes que ele saísse

- Gosto sim, mas ele não estava feliz comigo. – ele respondeu sorrindo simplesmente e saindo da sala depois de dizer "tchau".

Eu não consegui sair dali, não sei quanto tempo passou, pode ter sido minutos ou horas, eu simplesmente fiquei parado pensando em tudo que tinha ouvido... Como aquilo seria possível? Ainda era muito surreal para que eu pudesse acreditar, por que Malfoy tinha me feito odiá-lo? As coisas não teriam sido mais fáceis se ele simplesmente tivesse deixado acontecer?

Quando saí da sala a chuva estava mais forte, sabia que tinha perdido a aula de Poções, então resolvi ficar pelo pátio.

Eu começei a lembrar de todos os anos passados, em como Malfoy fazia de tudo para me importunar, em todos os momentos lá estava ele... Eu sempre tive certeza que ele me odiava...

Eu tinha que falar com ele, talvez ele não quisesse dizer, mas eu ia forçá-lo.

Ele ia contar tudo, de qualquer maneira.

Com você a vida é sempre tão estranha

Eu te apavoro, mas não posso te enfrentar

Por isso eu resolvi desfazer o nosso laço, o nosso laço

Pra não deixar o tempo destruir o nosso frasco lacrado

Entre você e eu ficou quase tudo intocado

Mesmo que a nossa casa caia de repente

Você vai continuar aqui intacto

Na minha vida

Na minha cabeça confusa

A sua vida imprevisível

Deixou a nossa validade invisível

E o meu amor imperecível.

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N/A: Desculpem a falta da minha nota no capítulo passado, na verdade eu estava muito apressada para postar e esqueci aquele detalhe...

Portanto responderei os reviews nesse cap.