No número 32, da rua Dumbarton em Georgetown, Isabella quase tropeçou na calçada, tamanha era a ansiedade para chegar a seu quarto. Ela, Rosalie e o pai haviam saído tarde da festa. Portanto, o desconforto que sentia era extremo.

Despediu-se do pai e da irmã e recolheu-se à privacidade de seus
aposentos no terceiro andar da mansão. A escada nunca lhe pareceu tão sinuosa após uma noite de dança e conversas polidas.

A doce Sue, a governanta, havia deixado água quente na bacia de porcelana. Grata à boa mulher, Bella acrescentou sais à água, colocou a bacia no chão e, com um suspiro de alívio, tirou os sapatos. Tão logo inseriu o pé direito no líquido morno, fechou os olhos. As dores intensas que sentia incrementavam a solidão.

Distraída, fitou o par de botas ortopédicas que vinha usando desde a
infância. Quando criança, rezara para que o defeito desaparecesse. Agora, já crescida, deixou de clamar pelo impossível. Nascera daquele jeito e iria morrer assim. Continuaria a tropeçar em danças e passeios devido a seu segredo escondido sob a barra do vestido. Tinha de aceitar o fato.

Com certo pesar, fitou o pé mergulhado na água. Sua mãe morrera minutos após dar à luz Isabela, um bebê diminuto com o pé deformado. Que maldição terrível fora para Renné Swan, conhecida pela fortuna, pelo orgulho de esposar um jovem senador ambicioso e pela alegria de ter a filha Rosalie. Que sofrimento ela sentira ao segurar o bebê de pé torto enquanto sangrava até a morte.

Na mente de Isabella, a tragédia sempre estivera relacionada a sua
imperfeição. Era algo com o qual convivia a cada dia, uma sombra que a
acompanhava a cada passo.

Respirou fundo e levantou-se para se despir. Após vestir a camisola e o penhoar, saiu do quarto o mais silenciosamente possível. Os chinelos não a impediam de mancar, como as botas especiais, mas o trajeto que empreendia era curto. Abriu uma porta estreita do fim do corredor e subiu a escada que dava acesso ao telhado.

O santuário da noite a recebeu. Era o único lugar em que se sentia
verdadeira porque pertencia somente a ela. Desde a infância, Isabella havia desenvolvido uma forte fascinação pelas estrelas. Ao cinco anos de idade, sofrerá terríveis dificuldades para dormir. Então, para espantar o medo, sentava-se à janela e passava horas admirando o céu.

Ao longo do processo escolar, atormentara seus tutores com perguntas acerca do vasto universo. Por fim, seu pai contratara um estudante de matemática que lhe dera um mapa estelar e um livro ilustrado sobre estrelas e planetas.

Ela poupara sua mesada durante anos para construir seu santuário, a loucura de Isabella como o pai e a irmã chamavam. Sendo assim, Isabella Swan tornou-se a única mulher da capital a possuir um observatório particular.

Não era o ideal, pois as condições atmosféricas do mar interferiam em sua observação. Porém, ela insistia, à espera das raras noites claras e
límpidas.

A estrutura arredondada era uma réplica do observatório de Maria Mitchell, a mais eminente astrônoma do país, agora aposentada e vivendo de pensão. Mas Isabella possuía um dom ainda maior que o da professora. Podia enxergar melhor e mais longe a olho nu.

Sempre fora abençoada, ou amaldiçoada, com aquela visão tão acurada. Podia avistar um navio no horizonte ou identificar a migração de gansos no céu. A forte percepção das cores lhe permitia absorver o verde da primavera e o intenso dourado do outono. Tomada pela beleza ao redor, ela costumava sentir emoções que não compreendia.

Quando avistava constelações que outros não conseguiam ver através dos telescópios, as pessoas a acusavam de farsante. Contudo, uma série de testes na universidade e no Observatório Naval provaram a veracidade daquele dom. Talvez a natureza a tivesse recompensado devido ao pé defeituoso.

Por alguns instantes, ela se esqueceu das tristezas, sentou-se no banco e perdeu-se entre as estrelas. Embora a sensação não fosse comprovada cientificamente, tinha a nítida impressão de viajar para além da Terra, do mundo conhecido, em direção a algo infinito e misterioso.

– Olá, mamãe – sussurrou à mulher que
jamais conhecera. – Dancei hoje à noite. Com o tenente Jacob Blak. Foi tão maravilhoso. Você teria orgulho de mim.

De súbito, lembrou-se da iminente e desastrosa queda que fora impedida pelos braços do insolente Edward Cullem.
Espantou a lembrança e prosseguiu:

– Ele é filho do vice-presidente. Pode
imaginar, mãe? Claro que pode. Papai também era filho de um político. Talvez esteja em nosso sangue apaixonar-se por homens do governo. O sr. Cullem outro homem que conheci esta noite, alega que não é amor porque não tenho vontade de chorar e arrancar meus cabelos. Mas nada disso importa.

Jacob Blak nunca saberá o que sinto em meu coração Será mais um de meus segredos. Achei que você gostaria de saber tudo isso. Boa noite, mãe. Eu te amo

O sussurro de Bella perdeu-se no ar outonal. Subi ao observatório todas as noites para conversar com um, fantasma e observar as estrelas. E não o fazia só porque era bonito e vasto e misterioso. Ela procurava algo.

Procurava um cometa.

Quando contava sua busca às pessoas, elas a olhavam perplexas.

– Não seria mais fácil encontrar uma
agulha num palheiro? – costumavam dizer.

Isabella nunca imaginou que seria fácil. Tampouco pretendia desistir.
Rosalie explorava as jóias e os retratos da mãe, à procura de certezas. Mas Isabella sabia que, para encontrar a mãe, teria de percorrer as formações, estelares.

– Bom dia, papai querido! – entrando na
sala de jantar, Rosalie expressou seu jovial cumprimento, assustando Bella e o senador. – Bom dia, querida irmã. – Ela beijou a ambos. – Que bela manhã.

O pai sorriu, indulgente, e deixou de lado o Washington Post, que
estava lendo com total concentração. Tirando o pincenê, ele se levantou para segurar a cadeira onde sentava-se Rosalie.

– De fato, é uma bela manhã.

Isabella o suprira com a mesma informação minutos antes, mas o pai devia ter esquecido. Ela sorriu a Rosalie, não pôde evitar. Alguém tão atraente quanto a irmã era motivo de inveja. Mas o fato era que a aparência de Rosalie significava uma contingência, tal qual o pé de Isabella.

O senador ofereceu a Rosalie a cesta de biscoitos.

– Café? – ele sugeriu.

– Sim, por favor.

Uma criada aproximou-se para servi-la.

– Isabella? – o senador perguntou. – Aceita
mais café?

– Estou tomando chá, papai. Mas obrigada.
– Ela tornava chá no café da manhã todos os dias.

Isabella adorava as manhãs quando os três se reuniam a mesa. Charlie Swan não era um pai participativo. Logo, os minutos em sua companhia eram preciosos. As vezes, imaginava que Rosalie evitava falar sobre casamento porque não queria deixar o pai. Ele representava u única constância que ambas conheciam, o Sol à volta do qual orbitavam.

– Tem planos para hoje? – Charlie perguntou
a Rosalie.

– Marquei uma hora com a srta. Frinch
para provar um vestido. Ela é aprendiz de Madame Broussard. – Rosalie sorriu para o pai. – Eu adoraria obter um modelo de Madame Broussard, mas dizem que a lista de espera ó para mais de um ano.

– É mesmo? Verei o que posso fazer.

– Obrigada, papai. Tenho tanta sorte de
ser sua filha. O senador recolocou o pincenê no nariz e voltou ao jornal.

– A sorte é minha, garanto-lhe. E quanto
a você, Isabella? Podia encomendar um vestido novo, não acha?

– Meus planos para hoje são um pouco
diferentes. Vou a Foggy Bottom ajudar o sr. Hockett a calibrar o cronômetro de seu navio.

– Talvez Hockett seja o único a ter sorte
– ele murmurou, sem tirar os olhos do jornal.

Carismático e brilhante, Charlie Swan tinha orgulho da beleza de Rosalie e da inteligência de Isabella. No entanto, ele parecia esperar mais do que as filhas podiam dar.

Por alguns instantes, Isabella estudou os traços marcantes do pai. Uma onda de carinho a invadiu, Queria tocar-lhe a mão, perguntar-lhe em que pensava, mas não ousou. Era reservado demais. Tratava-se de um viúvo rico e bem-apessoado que jamais casara-se novamente.

Durante anos, várias damas desfilaram diante de Charlie Swan, mas ele nunca escolheu nenhuma delas. Por, isso, as filhas sentiam-se tão responsáveis pela felicidade do pai.

– O sr. Hockett quer muito minha ajuda –
Isabella explicou, embora ninguém houvesse perguntado. – Ele usou outro
calibrador da última vez e não deu certo.

– E mesmo? – O tom de voz indicava total
falta de interesse. Então, ele acenou e a criada serviu-lhe mais café.

Isabella sabia que o pai a amava, mas ele não a via. Imaginava
que, se fizesse o que era certo, descobrir o cometa, angariar apoio para ele na legislatura, casar-se com o homem adequado, o pai finalmente abriria o coração para ela.

– Se eu precisasse calibrar alguma coisa,
eu a chamaria – Rosalie declarou e virou-se para o pai. – Há algum artigo a respeito do casamento?

– Há, sim. – Ele escolheu uma seção do Post.
– Uma longa coluna escrita por Mike Newton. Leia o último trecho. Você foi
mencionada diversas vezes.

– Não consigo ler uma palavra antes de
terminar o desjejum, – Rosalie entregou o jornal a Isabella. – Leia as partes
mais importantes.

Essa era mais uma das razões pelas quais Isabella não se ressentia.
Rosalie precisava muito da irmã. De forma não tão óbvia, ela nascera tão
prejudicada quanto Isabella.

– "A srta. Rosalie Swan, resplandecente
num vestido de La Maison d'Or de Nova York, foi vista dançando duas vezes com o sr. Royce King, e uma vez com o tenente Jacob Blak". – A voz de Isabella falhou ao ler o artigo.

– Resplandecente – Rosalie repetiu. – Que
palavra adorável. Significa esplêndida e... – Ela refletiu por alguns segundos. – Redundante.

– Sua conduta de ontem á noite me deixou
muito contente, minha cara. Tanto King quanto Blak são extremamente adequados. – Charlie largou o café e ofereceu total atenção a Rosalie. – Como sabe, seu futuro é minha maior preocupação. O tenente Blak em particular seria um pretendente exemplar, Não me desagradaria, se você o encorajasse.

– Nesse caso, vou encorajá-lo – Rosalie
se empolgou. – Se o tenente Blok...

– Blak – ele corrigiu.

– Se o tenente Blak é de seu agrado,
papai, então, estou certa de que ele é adequado.

Dada a sua clínica atenção a detalhes, Isabella mediu a quantidade de açúcar para seu chá. Estimava que o peso do torrão era cerca de seis gramas. Contudo, o assunto da conversa a desconcentrou. Dentre tantos homens disponíveis para cortejar Rosalie, o pai escolhera o tenente Jacob Blak.

Por um instante fugidio, ela pensou em protestar. Mas, admitir os
sentimentos pelo tenente iria apenas confundir a simples questão: o coração de Blak pertencia a Rosalie. As expectativas do senador aumentavam em vista de uma união tão promissora. E ele sempre obtinha o que desejava.

– Você deve ter negócios com o
vice-presidente – ela comentou, com a voz neutra.

– Acredito que devemos aproveitar as
oportunidades – Charlie discursou. – Minha cara, eu já era senador antes de você e sua irmã nascerem. Amo meu país e dedico minha vida a fazer desta nação um território grandioso. Há um movimento para impedir a expansão da ferrovia aqui na Virgínia. Minha tarefa é conquistar o apoio do vice-presidente

Isabella perguntou-se que lei regia o coração de seu pai, a felicidade
de Rosalie ou a necessidade de uma aliança política.

– É possível obter tudo isso sem que
Rosalie tenha de se casar com um homem que mal conhece?

– Tudo é possível.

– Não quer que eu me case, Isabella?

– Quero que seja feliz,

– Agradar papai me faz feliz. – Rosalie
cobriu o biscoito com uma fatia de presunto e entregou-o ao pai.

– O jovem Blak está encantado – o senador
alegou, aceitando o biscoito. – Todos viram isso ontem à noite. Sua irmã
precisa de um marido. Por que não unir o útil ao agradável?

"Porque estou apaixonada pelo tenente Blak", Isabella respondeu em pensamento.

Resignada, leu o resto da coluna, notando que o insolente Edward Cullem mereceu algumas linhas, Ele se apresentara como um cavalheiro do campo, mas o jornal ressaltava a boa aparência, a educação européia e a fama com cavalos de raça. E, claro, sua tentadora condição de solteiro.

A reportagem fazia com que a posição de congressista fosse menos
importante que o charme enigmático. Perdida em pensamentos, Isabella começou a dobrar o jornal com extrema precisão.

Charlie levantou-se.

– Tenho de ir-me. Haverá várias reuniões
de comitê até a convenção do senado. – Ele beijou as filhas num gesto
automático e retirou-se.

– Bem – disse Isabella –, pelo jeito,
você entrará para a política.

– Ou a política entrará em mim. – Rosalie
reparou a expressão chocada da irmã e riu. – Sou indecente demais para você? Nunca sentiu desejo por homem algum?

– Francamente, Rosalie – ela resmungou.
Enquanto Rosalie falava da recepção da noite anterior,

Isabella sentiu o coração se apertar. Como seria maravilhoso ser como a irmã que era estimada e aceita por todos.

– ...então, disse a ele que viesse nos
visitar – Rosalie dizia.

– O tenente Blak? – Bella ficou alerta.

– Quem? Ele, não. Eu me referia ao sr,
Cullem. Se estivesse ouvindo, saberia de quem estou falando.

– Quer que o sr. Cullem a corteje também?

– Não viu aquele homem? Todas as damas da
festa o queriam.

– Eu não. – Isabella lembrou-se dos cabelos
revoltos e dos olhos verdes que podiam cortar uma pessoa em tiras com apenas um olhar.

Havia algo de perigoso e predatório naquele homem. Ele parecia zombar do mundo devido a algo muito sombrio que guardava na alma.

– Claro que não o convidei com o propósito
de me fazer a corte – Rosalie continuou. – Ele virá para conhecer o professor Halle. É perfeito. O pobre professor vive sozinho naquele casarão. Há muito espaço para abrigar outra pessoa.

Bella sentiu uma profunda afeição pela irmã. Rosalie sempre estava
disposta a ajudar os outros.

– E você avisou o professor de que ele
está prestes a hospedar um congressista?

– Pedi a Sue que fosse até lá para tomar
as providências necessárias – Rosalie informou. – O professor Halle ficará muito grato, não acha?

Provavelmente, não. Mas como todos no mundo, ele seria incapaz de negar qualquer coisa a Rosalie.

– Quanto ao tenente Blak – Bella
mencionou, casual. – Você pretende encorajá-lo só para agradar nosso pai? Ou deseja esposá-lo de verdade?

– Ele pediu permissão para me escrever de
Anápolis, e é claro que consenti. – Rosalie suspirou. – Ele me agrada também,

– Mas você o ama?

– Ainda não decidi. Acabei de conhecê-lo.

Isabella manteve as emoções muito bem guardadas dentro de si. Amava o tenente Blak com todo seu coração. Porém, a razão lhe advertia de que ele estava fora de alcance. Jamais contaria a Rosalie o que nutria por Jacob Blak. Sem dúvida, sua irmã se sentiria culpada.

Na noite anterior, ele confessara seu amor por romance e poesia, mas quem Jacob desejava era Rosalie. Como recriminá-lo? Era linda e charmosa.

– Preciso decidir hoje? – Rosalie
perguntou, sorridente.

– Lógico que não.

– Detesto tomar decisões. E você?
Isabella riu.

– Na verdade, gosto de decidir o que virá
a seguir e fazê-lo acontecer.

– Que enfadonho. – Rosalie torceu o
nariz. – Se eu nunca tiver de decidir, cada dia será uma surpresa.

Meneando a cabeça, Isabella terminou o chá. Queria ocupar-se o dia todo, mas o encontro com o sr. Hockett seria apenas à tarde. Três dias por semana, ela trabalhava com o professor James Stwart na universidade, computando estrelas e estudando astronomia.

Gostava do trabalho e preferia uma sala de aula a um salão de baile.
Para ela, uma festa de gala estava repleta de eventos letais: buquês voadores, seqüências de dança, objetos quebráveis no caminho de uma mulher desajeitada.
Na universidade, ninguém se importava com o fato de ela ser diferente. No
laboratório ou no observatório, era conhecida pela mente aguçada e olhos
precisos. Jamais fora criticada pela aparência descuidada ou maneira
argumentativa.

Enquanto ela e Rosalie preparavam-se para sair, Sue apareceu com um cartão sobre uma bandeja de prata.

– Um cavalheiro veio visitá-la,
senhorita. – A governanta colocou a bandeja diante de Rosalie.

– Meu Deus! – Rosalie exclamou, sem olhar
o cartão. – Ele não perdeu tempo. Por favor, leve-o à sala de visitas.

– Sim, senhorita.

– Oh! vai ser tão divertido, não,
Isabella?

Evidente que não seria divertido, Bella pensou. Rosalie adorava brincar com as pessoas como se estas fossem bonecas só pelo prazer de ver o que poderia acontecer.

Quando entraram na sala, o visitante encontrava-se diante da janela e de costas para elas. A postura imperiosa parecia ocupar o cômodo inteiro. Ele era exatamente cinco centímetros mais alto que o tenente Blak, Bella calculou.

– Bom dia, sr. Cullem. – Rosalie
aproximou-se. – Que bondade sua ter vindo.

Desconfiada, Isabella caminhou mais devagar.

– Pelo contrário – Edward Cullem
virou-se. – A bondade é sua por me receber. Ambas parecem recuperadas da festividade de ontem.

– Não devemos perder um minuto sequer –
Rosalie apressou-se. – Quero apresentá-lo ao professor agora.

– Seu pai não está em casa?

Isabella sorriu consigo. Aquela era uma atitude típica de um político,
sempre disposto a tirar vantagem.

– Se pretendia falar com nosso pai, devia
ter vindo mais cedo – ela disse.

– E me privar do charme de sua companhia?
– Edward a desafiou.

– Algo me diz que não precisa de mais
mulheres em sua vida – Isabella rebateu, referindo-se ao que testemunhara no jardim da Casa Branca.

– Minha querida, qualquer um poderá
confirmar, não existem mulheres em demasia na vida de um homem.

– Nunca discuta com minha irmã – Rosalie
o preveniu.

– Por que não?

– Porque vai perder. – Rosalie segurou a
mão de Isabella. – Ela é capaz de questionar qualquer argumento.

– Talvez ela tenha encontrado um concorrente
à altura. – Edward sorriu, malicioso.

Duvido. Não conhece Isabella, sr.
Cullem.

– Rosalie, por favor. – Talvez ela
estivesse certa, mas a capacidade racional de Isabella era uma defesa para proteger um interior delicado. – O sr. Cullem não atravessou a cidade para ouvir histórias a meu respeito.

– Ela é aluna da universidade – Rosalie
informou, ignorando Bella. – Minha irmã é a estudante mais destacada do
departamento de matemática, e uma de suas especialidades é lógica dedutiva. Os homens mais sábios desistiram de desafiá-la,

Edward assobiou e encarou Isabella com absoluta insolência.

– Ficarei atento. Mas saiba que nunca
fugi de uma boa briga,

– Tal atitude o manterá no Congresso –
Bella comentou, na tentativa de mudar de assunto.

Aquele homem a perturbava. As lembranças do interlúdio no jardim fluíam em sua mente. Se não se conhecesse bem, poderia confundir curiosidade com atração.

Não, pensou consigo. Atração era o que sentia por Jacob. O sr. Cullem inspirava outro tipo de fascinação. Ele transmitia perigo. Não em termos físicos, mas sim num sentido mais profundo. Ele a desafiava e provocava, e fora da academia, Bella não apreciava confrontos.

– Vamos. – Rosalie dirigiu-se à entrada da mansão.

Apressada, Bella recolheu a pilha de anotações e cálculos para mostrar ao professor. Quando saíram á rua, ela examinou o sr. Cullem. A brisa de outono sacudia os cabelos acobreados e o sol acentuava o brilho dos olhos. Como seria morar ao lado de um homem tão bonito e sedutor? O que o professor Halle acharia daquela idéia?