Miro acordou apenas algumas horas depois de ter deitado no que parecia ser o único metro quadrado de chão livre da casa de Leão, o corredor que dava para o lavabo. Sentindo-se um trapo humano, parecia que havia levado uma surra, tamanhas eram as dores pelo corpo. O cheiro de banheiro, que tinha vômito para todos os lados, diga-se de passagem, associado à claridade excessiva, não permitiam que o escorpiano ficasse nem mais um segundo naquele ambiente. Os que haviam conseguido um lugar melhorzinho para se encostar ainda estavam babando, o que não parecia ter sido o caso de Afrodite, que também já estava prestes a sair em direção da sua casa quando viu Miro entrando pela sala com o característico mal-humor depois de uma noite mal-dormida.
– Bom dia, Miro!
– Só se for para você, pra mim está começando péssimo.
– Também dormiu mal?
– Quem consegue dormir direito sentindo o cheirinho de azedo daquele banheiro?
– Esse sofá também arrebentou as minhas costas.
O outro não respondeu, continuou como um sonâmbulo andando na direção da porta da Casa de Leão.
– O Camus não dormiu aqui não?
Aquele nome o fez lembrar de todos os acontecimentos da noite anterior.
– Me lembre de te envenenar quando eu estiver em condições de fazer isso.
– Por que, posso saber?
– Você nem imagina o problema que me arrumou com aquela sua brincadeirinha.
– Eu juro que achei que ele não faria... Mas vai dizer que não gostou?
– Mais do que deveria – disse em voz baixa para que Afrodite não ouvisse mesmo, senão ia querer saber de todos os detalhes e ele não estava com paciência para satisfazer a curiosidade do pisciano naquele momento. Foi saindo sem olhar pra trás.
Chegando em casa se sentiu obrigado a tomar um banho, senão, além de não conseguir dormir, os seus lençóis, e talvez até o colchão, teriam que ser jogados no lixo assim como as roupas que estava vestindo, o cheiro de banheiro parecia estar impregnado na sua pele. Tomou uma ducha mais demorada do que gostaria e, antes de deitar sob os lençóis macios se preocupou em fechar as cortinas e a porta do quarto, deixando o ambiente o mais escuro possível, logo em seguida foi vencido pelo sono.
Quando acordou já anoitecia, tanto as costas quanto o pescoço já doíam bem menos do que pela manhã, quando chegara a sua casa. Estava morrendo de fome, mas não tinha o menor ânimo de levantar. Assim que parou de pensar no estômago que roncava, a imagem do francês lhe veio à mente, precisava falar com Camus, e tinha que ser ainda aquele dia, afinal a sua frase fora categórica "amanhã conversamos sobre isso então".
Levantou-se da cama, ainda a contra-gosto, trocou-se e começou a subir em direção à Casa de Aquário, pensando no que diria para ao aquariano. A vontade que tinha era de não falar absolutamente nada, retomar o "assunto" deles exatamente de onde haviam parado, o aquariano lhe mordendo o pescoço. Mas sabia que assim não daria certo, desejava Camus de uma tal maneira que não conseguia comparar e nenhuma outra de suas paixões avassaladoras, assim como não podia querer conquistá-lo da mesma forma. Mas será que o final seria o mesmo?
Chegou em frente a 11a Casa e, como muito raramente acontecia, sentiu-se um pouco inseguro.
– Depois de marmanjo ta ficando cagão, Escorpião? – perguntou para si mesmo e, antes que pudesse formular uma resposta, bateu à porta. Esperou ansioso que o outro abrisse logo, mas não abriu. Bateu novamente, com um pouco mais de vontade, e novamente, e novamente, mas parecia não haver ninguém em casa.
– Que droga, Camus! – esbravejou dando um murro na porta.
Ficou ali parado, desolado, por alguns instantes. Mas logo voltou a subir as escadas em direção à Casa de Peixes.
– Preciso conversar com alguém.
Entrou em Peixes sem nem bater, não havia esse tipo de cerimônia entre os dois. Caçou Afrodite por toda a casa e só foi encontrá-lo na cozinha. Foi uma visão maravilhosa a de Afrodite cozinhando, já que Miro estava morrendo de fome.
– O que vamos jantar hoje, florzinha? – disse assustando Peixes que mexia uma panela.
– Veio cumprir a promessa que me fez hoje de manhã? – perguntou demonstrando alguma mágoa.
– Ah, Afrodite, me desculpa... Mas você vai me dar razão depois que eu te contar tudo o que aconteceu – disse se jogando em uma cadeira.
– Aconteceu alguma coisa que eu não saiba? – disse levantando uma das sobrancelhas, demonstrando interesse, parando de prestar atenção na panela que estava mexendo e voltando-se para Miro.
– Muito mais do que deveria ter acontecido antes daquele beijo e bem menos do que eu gostaria que tivesse acontecido depois.
– Não entendi nada. Que história é essa, Miro?
E, enquanto jantavam, Miro contou tudo o que aconteceu entre ele e Camus atrás da Casa de Leão.
– E você veio aqui em cima para falar com ele. Tudo bem, eu aceito ser a 2a opção quando a 1a é o Camus. E nem preciso dizer que eu já cantava essa bola desde o meio de campo...
– Eu sei Afrodite mas, você acha que ele ta fugindo de mim?
– Miro, durante a semana ele costuma sair todo dia mais ou menos no horário que saiu hoje.
– Preferia pensar que ele estava fugindo de mim do que apenas cumprindo uma rotina qualquer – deu um profundo suspiro – E você não sabe para onde ele costuma ir, não?
– Meu bem, você acha que aquele lá dá satisfações para mim? Acho que nem para Athena...
– É... ele é muito independente... – disse isso de uma forma melancólica demais, como se aquela fosse a pior característica do aquariano – Obrigado pelo jantar, Frô, estou indo para casa.
– Qualquer coisa, estou às ordens – e abraçou amorosamente o Escorpião.
Logo Miro estava descendo as escadarias distraidamente. Mas quando passava por Aquário, uma incrível coincidência fez com que Camus estivesse chegando em casa naquele exato momento. Estava simplesmente lindo naquela camisa pólo preta, de onde será que estava voltando?
– Achei que só conseguiria falar com você amanhã – se aproximou de Camus por trás enquanto o aquariano procurava a chave que abria a porta da sua casa.
Camus se virou na direção do outro, parecia um pouco pálido.
– Oi, Miro – disse voltando a procurar a chave.
– Onde você tava? – mais uma vez se arrependeu, que tipo de pergunta era aquela? Sabia que o outro jamais responderia, mesmo que não fosse nada de importante ou secreto, apenas por que não gostava de detalhar a sua vida para absolutamente ninguém.
– Resolvendo alguns problemas – disse enviando um discreto olhar de reprovação.
Uma resposta evasiva, era exatamente isso que esperava. Jamais ouviria dele um "não é da sua conta".
– Desculpe, não quis parecer intrometido...
– Tudo bem, Miro – disse isso abrindo, finalmente, a porta e entrando – Quer entrar?
Não respondeu, apenas se jogou para o interior da casa. Enquanto Camus trancava novamente a porta, Miro avistou um felino se aproximando um pouco desconfiado.
– Eu não sabia que você tinha um gato.
– É uma gata, Suindara.
– Estranho, eu nunca a tinha visto.
– É que ela é bem reservada, principalmente quando tem alguém além de mim aqui em casa.
Miro pensou se aquilo era uma forma educada de colocá-lo para fora mas optou por acreditar que não.
– Se importa de esperar um pouco? Quero tomar um banho...
– Fique à vontade, você está em casa – disse rindo da própria piada sem graça.
Aquário saiu em direção ao quarto e deixou Miro sozinho na sala com Suindara. A gata era visivelmente muito bem cuidada, o pelo era quase totalmente branco, apenas com algumas manchas amarelas e pretas na cabeça, dorso e cauda, os olhos amarelo âmbar se mantinham sobre Miro, muito curiosos.
Quando Camus voltou com os cabelos molhados encontrou Miro agachado movimentando os dedos e emitindo aquele "shiushiushiu" tentando se aproximar de Suindara, mas totalmente sem sucesso. Camus até riu da situação. E, sentando-se no sofá, mandou um beijo estalado para a gata e fez um breve movimento com a mão, chamando-a, no que ela, prontamente atendeu, deitando-se sobre o colo do aquariano e oferecendo o alto da cabeça para um carinho.
Miro se surpreendeu com a tamanha solicitude da gata, ela e o francês pareciam se entender perfeitamente.
– Acho que não tenho muito jeito... – disse rindo de si mesmo.
– Ela certamente ficou tentada a se aproximar de você, Miro. Assim como os homens, os bichos também gostam de carinho – Camus disse sem desviar os olhos da gata deitada sobre o seu colo.
Miro apenas observava a cena.
– Mas ela só vai ceder à vontade de receber um afago seu quando tiver certeza que você é confiável, que não vai machucá-la.
– Mas eu não queria machucá-la...
– Ela ainda não tem certeza disso – disse olhando finalmente nos olhos do Escorpião.
Será que ele estava ficando maluco ou aquilo era uma indireta que Camus estava mandando na sua direção? Ficou em silêncio.
– Sabia que os gatos são os únicos seres sobre a Terra capazes de reconhecer um Espectro de Hades?
O olhar do Cavaleiro de Aquário ficou parado em algum ponto distante. Miro continuou em silêncio, Camus dificilmente falava sobre esse assunto e se o escorpiano tecesse algum comentário, por mais bem-intencionado que fosse, acabaria por intimidar o outro, encerrando o assunto por ali mesmo.
– Quando cheguei novamente nessa casa, assim que Athena me trouxe do volta do Submundo, encontrei essa gata parada bem na porta. Talvez tenha sido apenas uma coincidência, mas para mim foi muito mais do que isso – desviou o olhar para Miro – Foi como um atestado definitivo de que eu não era mais um Espectro.
Miro não sabia o que dizer, o olhar do aquariano demonstrava o quanto ter sido um dos Espectros ainda o machucava. E aquela era uma situação rara, Camus demonstrando e falando abertamente sobre os seus sentimentos. Tentava, mas não conseguia entender o por que dele fazer tanta questão de manter uma boa parte, não só dos seus sentimentos, mas também da sua vida e até da sua personalidade longe do conhecimento dos "comuns mortais". Quantos segredos aquele homem ainda guardava? Quantas vezes ainda seria surpreendido pelo francês? Muitas ainda...
– Mas, afinal, foi graças à vocês...
– Graças à todos nós, Miro.
Os dois ficaram pensativos e foi Camus que quebrou novamente o silêncio, demonstrando que o momento de revelações a seu respeito havia acabado.
– Vou comer alguma coisa, me acompanha?
– Eu jantei ainda agora com Afrodite.
– De qualquer forma, vamos para cozinha – disse retirando delicadamente a gata de sobre o seu colo.
Na cozinha Camus andava da pia para o fogão, do fogão para a geladeira e da geladeira de volta para a pia, preparando qualquer coisa que lhe matasse a fome, sendo observado atentamente por Miro. O escorpiano procurava a forma certa de entrar no assunto para o qual tinha ido até lá. Até que resolveu parar de agir como o aquariano e ser direto.
– Camus, você não esqueceu o que aconteceu ontem, né?
O aquariano sabia que acabariam chegando nesse assunto, e já tinha tudo bem programado dentro da cabeça para demover Miro de qualquer intenção de estabelecer com ele algum tipo de relacionamento que não fosse amizade.
– Não, Miro.
– E você sabe que eu vim aqui para falar sobre isso, né?
– Sei, mas, apesar de ontem eu ter concordado com você sobre isso de conversarmos hoje, pensei um pouco mais e acho melhor esquecermos aquilo tudo que aconteceu – somente quando pronunciou a última palavra se permitiu olhar para o outro.
– Desculpa, Camus, mas eu não posso.
– Vai ser melhor assim, Miro, nós havíamos bebido...
– Repetiria tudo agora... se você permitisse. Já disse que eu não estava bêbado – disse se levantando do banco em que estava sentado – você estava?
Camus não respondeu, apenas voltou para a pia, lavando novamente meia dúzia de talheres que mal havia acabado de lavar. Era uma pergunta que merecia apenas sim ou não como resposta, como poderia deixar de dizer que não estava bêbado? Mentir nunca fora uma opção razoável.
– Hein, Camus? Você teria feito aquilo se não tivesse bebido? – disse virando o francês de frente para ele novamente.
– Não.
– Não!? – o coração de Miro quase parou, obviamente não esperava por essa resposta.
– Não, eu não estava bêbado – explicou-se, percebendo que Miro entendera aquele não como uma resposta à segunda pergunta, quando, na verdade, era para a primeira.
– Então, que mal há?
– Sabe, Miro, estou tentando ser prático – disse saindo novamente do alcance de Miro, dessa vez em direção ao fogão – Pra que destruirmos a nossa amizade por conta de uma atração repentina, por conta de um capricho?
– Nada disso, Camus, eu estou sendo prático. Estou afim de ficar com você e, em vez de ficar conjecturando a respeito de todas as conseqüências possíveis disso, estou querendo saber se você me corresponde, é bem mais simples do que você imagina.
– Maldita hora que eu fui tentar convencer o Shaka... – pensou em voz alta.
– Então vamos esquecer tudo o que aconteceu ontem, era isso que você queria, não?
– Eu acho melhor... – será que finalmente estava conseguindo convencer o escorpiano de que o melhor que tinham a fazer era voltar a se tratarem apenas como amigos?
– Tudo bem, está esquecido. Mas eu continuo afim de você.
– Miro... – claro que não seria tão fácil.
– Vamos tentar pelo método tradicional, eu pergunto o seu nome, peço o seu telefone e te chamo para sair, mas acho que podemos pular a parte do nome e do telefone.
Camus estava ficando cercado e o pior é que a idéia de sair com Miro não era nada mal, ficar com ele então...
– Quer sair comigo? – Miro perguntou sem pensar muito, aquela era a sua última cartada.
O aquariano estava assustado com a pergunta tão direta. Parece que Miro já pegara o jeito para lidar com ele, essas perguntas simples não permitiam que ele as contornasse sem responder.
– Até aceito um não, contanto que ele expresse a sua vontade e não o resultado do somatório dos prós e contras...
– Está certo, você venceu, Escorpião.
– Isso é um sim? – perguntou com um sorriso malicioso, voltando a apresentar a confiança habitual.
Camus apenas confirmou que sim com a cabeça. Os olhos de Miro brilharam como duas pedras preciosas frente a resposta afirmativa do aquariano.
– Passo aqui então dentro de 40 minutos.
– Não há necessidade, eu desço até a sua casa.
– Estarei te esperando.
E saiu como um furacão deixando Camus ainda um pouco desnorteado.
– Você sabe o que isso significa, não é, Aquário? – disse para si mesmo enquanto se mirava no espelho.
Enquanto isso, Miro descia radiante as escadarias até a sua casa, ainda não acreditando que conseguira dobrar o aquariano. Entrou voando e correu para o quarto, queria se produzir para impressionar Camus. Depois de revirar todo o guarda-roupa, acabou escolhendo uma calça jeans escura intencionalmente desbotada e rasgada em alguns lugares, uma camisa preta de botões e sapatos também pretos. Preocupou-se em passar menos perfume do que costumava já que sabia que Camus enjoava com cheiros fortes. Quantas vezes Aquário não teve que ser levado às pressas para a enfermaria do Santuário quando Afrodite resolvia fazer as suas infusões de rosas? Se até Mu reclamava do cheiro que ficava impregnado por dias, imagina ele, que era vizinho e, ainda por cima, alérgico? Riu ao lembrar que Camus sempre ficava irritado ao acordar na enfermaria. Como ele, o Cavaleiro de Aquário, podia ser vencido por um simples odor de rosas?
Estava tão distraído, divagando em suas lembranças que nem percebeu quando uma forte tempestade começou a cair. Só acordou quando ouviu a campainha tocando, a porta da Casa de Escorpião vivia destrancada mas Camus, apesar de saber disso, nunca entrava direto.
Correu para a porta, abrindo-a com um sorriso que ia de orelha a orelha, mas que imediatamente se desfez ao ver o francês molhado dos pés à cabeça parado em frente à ele.
– O que foi? – perguntou sem relacionar a chuva que ainda caía forte ao estado de Camus.
– É que eu tomei banho de roupa, Miro... – disse fazendo um muxoxo e entrando na casa do outro afim de escapar da chuva – será que você não percebeu que está chovendo?
Só então Miro percebeu o quanto chovia lá fora.
– Você conhece um objeto chamado guarda-chuva? Deve ser usado justamente nessas situações...
– A chuva me pegou quando eu já estava quase chegando aqui – tentou disfarçar mas acabou deixando transparecer que estava ligeiramente contrariado por não poderem mais sair devido à chuva. Mas Miro nem percebeu de tão chateado que estava por esse mesmo motivo.
– Poxa... e agora? – pensou em voz alta, fechando a porta – nosso programa furou...
– Miro, será que dá pra parar de reclamar que o seu encontro foi por água abaixo o me arranjar uma camisa seca? Se eu continuar com essa vou acabar resfriando.
Só então reparou em como Camus estava sexy, a camisa verde escura de linha que usava estava completamente grudada no corpo, assim como os cabelos molhados grudados no rosto.
– Se seco já é gostoso, assim então...! – pensou – Talvez não tenha sido uma má idéia essa chuva, Zeus...
Saiu da sala e logo voltou com uma toalha.
– Toma – entregou a toalha tentando não prestar atenção nos mamilos rijos marcando a camisa de Camus, apesar de conseguir controlar o zero absoluto, também sentia frio – vou buscar uma camisa seca.
– Hoje você não me escapa... – pensou consigo mesmo enquanto caminhava a passos rápidos até o quarto.
E quando voltou teve a visão mais linda da sua vida. O francês, de frente para uma grande janela, localizada bem em frente ao corredor que dava para os outros cômodos da casa, já sem a camisa molhada, enxugava displicentemente os cabelos fazendo com que os músculos das costas ficassem levemente contraídos. Miro o observava extasiado, como podia querer tanto colar o seu corpo no corpo dele?
Largou a camisa seca que trouxera para ele em cima do sofá, tinha certeza que não precisaria dela, e aproximou-se sorrateiramente do aquariano. Quando já estava bem perto retirou delicadamente a toalha das mãos de Camus e passou, ele mesmo, a secar os cabelos do outro, encarando-o com desejo.
Camus sentia novamente aquele olhar hipnotizando-o, não teria como fugir e ele também já nem queria. Colocando a mão sobre a face direita de Miro aproximou-se roçando os lábios e, em seguida, sussurrando ao ouvido dele.
– Eu também não me importo se pularmos essa parte em que você me convida para sair...
– Ótimo – disse abraçando o corpo parcialmente descoberto do francês, voltando a colar os seus lábios nos dele. E como era gostoso sentir novamente esse íntimo contato entre as línguas.
Miro logo abandonou a boca e, afastando os cabelos ainda úmidos de Camus, teve acesso a orelha. Deu uma boa mordida no lóbulo fazendo com que o aquariano soltasse um gemido contido, o som que Miro mais quisera ouvir desde a noite anterior.
Enquanto brincava assim foi descendo as mãos pelo peito e abdome de Camus, parando somente quando encontrou o sexo, completamente enrijecido, que apertou por cima da calça. Imediatamente o francês ficou ofegante, respirando ruidosamente.
– Eu quase não consegui dormir ontem por sua causa – disse enquanto se agarrava à Miro, ainda sentindo a mão dele sobre o seu sexo.
– No que depender de mim, hoje você não vai dormir mesmo – disse já começando a desafivelar o cinto do aquariano.
– Isso é uma promessa ou uma ameaça?
– Entenda como quiser... – dizendo isso, enfiou a mão por dentro da calça, já aberta, e da cueca, sentindo o calor do seu objeto de desejo. Parecia estar em brasa. Camus mordeu o lábio inferior sentindo o delicioso toque do amante.
Novamente começou a tentar abrir os botões da camisa do escorpiano mas, se na noite anterior já estava difícil, agora era impossível. Logo perdeu a paciência e puxou a camisa, arrebentando todos os botões e deixando Miro surpreso, o escorpiano logo terminou de retirá-la.
– Eu quero ver isso – e girou o escorpiano, colocando-o de costas para si. Afastou lentamente os cabelos cacheados e então encontrou o que procurava.
– Eu não sabia que você gostava, na época que eu fiz você quase me matou... – Miro disse com um certo deboche.
– Você sabe que é proibido... mas não deixa de ser linda por causa disso.
Camus passava os dedos de leve sobre a imensa tatuagem de escorpião nas costas de Miro. Os Cavaleiros eram terminantemente proibidos de marcar o corpo, por isso, quando Miro apareceu aos 16 anos de idade com aquela imensa tatuagem na frente de Camus, o aquariano quase infartou frente a possibilidade de Miro ser expulso do Santuário. O chamou de irresponsável para baixo, mas o fato é que a existência daquela tatuagem nunca chegou nos ouvidos, ou olhos, de alguém que pudesse puni-lo.
Depois de se cansar de admirar a tatuagem pôs-se a beija-la, e quando cansou de beijar, passou a morder, e o escorpiano se contorcia a cada investida. Foi interrompido por uma movimentação brusca de Miro, colocando-se novamente de frente para o amante.
– Chega de brincadeira – e empurrou Camus, que caiu sentado sobre o sofá.
Sem perder tempo Miro retirou, primeiro os sapatos do aquariano e, em seguida as calças e cueca, deixando-o completamente nu frente aos seus olhos, que foram imediatamente atraídos para o volume entre as pernas. Passou a língua sobre os lábios sensualmente e ajoelhou-se entre as pernas de Camus que apenas observava extasiado cada movimentação de Miro.
O escorpiano começou lambendo e mordiscando a parte interna das coxas torneadas do francês, que se agarrava no sofá tentando controlar os ímpetos de puxar a cabeça de Miro de forma a boca carnuda chegar ao seu destino final o mais rápido possível.
– Por favor, Miro – Camus observava, suplicando com os olhos.
E, num gesto rápido, Miro envolveu o sexo rijo com as mãos realizando os tão desejados movimentos de vai-e-vem. Camus jogou a cabeça para traz sentindo o relaxamento que começava a percorrer o seu corpo. Mas ele queria mais, queria a boca quente do escorpiano chupando-o e, como ele não se decidia por isso, passou a mão pela nuca, empurrando-o para o inevitável.
A língua macia de Miro o circundava em movimentos lentos e sensuais, acompanhados com atenção por Camus, que a cada linguada mais bruta estreitava ainda mais os olhos e emitia grunhidos ininteligíveis. Foi quando Miro abocanhou-o definitivamente, chupando com vigor, fazendo-o entrar e sair de dentro da boca úmida com vontade. Camus levantava os quadris como que se quisesse ir ainda mais fundo na garganta do outro, Miro chupava divinamente.
Permaneceram assim por uns bons minutos, Miro chupando e Camus gemendo.
– Chega, eu quero você – conseguiu dizer entre um gemido e outro.
Mas Miro parecia não ouvir, continuava chupando freneticamente, para desespero de Camus que, num gesto firme, segurou nos cabelos de Miro, impedindo que continuasse e, olhando profundamente nos olhos dele, repetiu.
– Eu quero você.
Miro sorriu com os olhos ao perceber que não estava delirando ao concluir que Camus o desejava tanto quanto ele desejava o aquariano. Logo sentiu-se ser levantado do lugar onde estava pelas mãos decididas do francês que, com gestos igualmente impulsivos começou a retirar as calças e sapatos de Miro, deixando-o nu em poucos segundos, o que, para Miro, foi um grande alívio, pois a ereção já estava começando a ficar dolorosa dentro das calças. Camus já ia conduzi-lo para a posição que queria quando Miro saiu quase correndo da sala em direção ao quarto, voltando rapidamente, com um vidro entre as mãos.
– Use isso, à seco eu não agüento – disse jogando o lubrificante para Camus.
– Miro, vai dizer que...
– Eu não costumo ficar por baixo não, bonitão. E, além disso, você – e desviou os olhos para o membro ereto de Camus – está um pouco acima da média.
– Achei que você fosse mais... resistente – disse malicioso.
– Eu juro que você ainda vai implorar por isso – disse apontando para o vidro de lubrificante nas mãos do outro e lançando um olhar furioso para Camus – E pode ter certeza que isso é uma ameaça.
Depois que completou a frase foi que se tocou que estava considerando que teriam outros momentos como aquele. Será que teriam? Resolveu não começar a pensar naquilo já. Até mesmo por que Camus não parecia ter se abalado com a frase, até riu quando a ouviu.
Puxou o francês novamente para junto de si, voltando a beijá-lo com ardor. Agora, com os dois completamente nus, podiam sentir plenamente os corpos, era uma sensação deliciosa. Mas Camus tinha urgência e logo apartou o beijo posicionando Miro com os joelhos sobre o sofá e o tronco debruçado sobre o encosto. A posição lhe dava uma visão plena do que o aguardava.
Cobriu os dedos com o lubrificante e começou a estimular Miro. Quando os 3 dedos já estavam bem acomodados dentro do amante, os retirou e imediatamente começou a tatear a entrada apertada com a ponta do seu sexo, pedindo passagem.
– Vai devagar, Camus.
O aquariano acatou, começou a penetrá-lo lentamente, saboreando cada centímetro como se fosse o único. Quando se deram conta Camus já estava todo dentro de Miro, que ainda não emitira um único som. O francês se irritou com isso e deu a primeira estocada com vigor afim de ouvir um gemido e, obviamente, ouviu, ele próprio também gemeu nesse momento. Em seguida ficou mais alguns segundos parado e depois começou a se movimentar lentamente dentro do outro. Enquanto seguia com os movimentos cadenciados apertava os músculos das costas de Miro, em uma massagem relaxante.
A respiração descompassada e os gemidos abafados que Miro soltava o estavam deixando ainda mais excitado, foi aumentando a velocidade das estocadas como se já não conseguisse e nem quisesse controlar o gozo iminente.
Miro, que também já sentia o seu sexo latejando, implorando por alívio, levou uma das mão à ele, afim de resolver o seu problema. Mas Camus, quando percebeu a movimentação do braço direito nesse sentido, o prendeu nas costas do escorpiano, provocando uma certa dificuldade em se equilibrar sobre o sofá.
– Nada disso.
– Faça você, então, por favor – a voz de Miro era de súplica.
– Se você souber esperar mais alguns minutos vai ganhar um presente – disse isso largando a mão presa nas costas e observando, contente, a decisão do escorpiano que nem pensou duas vezes e optou pelo presente, utilizando o braço apenas para ajudá-lo a se equilibrar sobre o sofá.
Camus acelerou ainda mais os movimento e logo estava derramando, entre gemidos intermitentes, o líquido viscoso dentro do corpo daquele que lhe proporcionara tanto prazer. Não esperou nem um minuto para entregar o presente do escorpiano.
Foi a vez de Miro sentar-se sobre o sofá e observar atentamente a movimentação de Camus entre as suas pernas. O francês tomou rapidamente o seu lugar e, sem maiores delongas, percebendo que o escorpiano já não estava mais agüentando de vontade de gozar, passou a língua por toda a extensão da ereção latente.
Que cena, Miro pensava, nem em seus sonhos eróticos mais despudorados chegou a ter Camus, o impassível Cavaleiro de Aquário, levando-o aos céus daquela maneira. Às vezes a realidade é mais impressionante do que qualquer fantasia.
Miro gemia cada vez mais alto, sentindo o clímax se aproximar.
– Eu vou gozar – imaginou que o francês se afastaria, mas esse apenas intensificou ainda mais as chupadas – Camus...
O escorpiano desfez-se em gozo dentro da boca do outro, que não perdeu uma gota sequer, engolindo tudo. E depois que deixou-o bem limpo, levantou-se debruçando sobre o grego, ainda desfalecido sobre o sofá, beijando-o.
000000
Oba!!! Eu consegui!
Gente, preciso de opiniões sobre o meu primeiro lemon, tendo gostado ou não, preciso saber. Mas só de conseguir ter feito já fico feliz! Como todos perceberam, nada de romance, apenas sexo. Mas não me matem, aos poucos isso vai se modificando.
A participação especial felina é da minha gata... rs, uma linda vira-latinha. Só que na vida real ela se chama Pandora, mas achei que não ia ficar bom colocar esse nome na gata do Camus.
Quanto à ameaça de Miro, quem sabe vira um dark-lemon? rs
Adorei escrever esse capítulo! Mas, a propósito, o capítulo anterior ficou ruim? Somente uma review, me senti jogada às traças. Mas tudo bem, eu perdôo aqueles que leram e não revisaram.
Bjinhos!
Lola Carilla Spixii
