Dia 0
Centro de Treinamento
James
– Sejam bem vindos, ao treinamento! Nas próximas horas vocês vão aprender como se portar como um casal trouxa recém casado!
Alice Prewet era uma das garotas mais estranhas da escola. Juro.
Ela tinha uma paixonite totalmente platônica por Sirius. Corria atrás dele o tempo todo na escola. Mandava recadinhos, chocolates, presentes estranhos. Uma vez, tentou fazê-lo comer bombons recheados de poção do amor. Ela até azarou a nossa amiga Lenuxa, porque deduziu que Sirius estava gostando da pobre coitada.
Cara, Lenuxa é gente boa, mas é a Lenuxa! Ela é tipo um dos Marotos. Tirando, é claro, o fato de que ela é a melhor amiga de Lily e agora joga Quadribol profissionalmente nos Estados Unidos.
Ah Lenuxa, você faz falta. Nunca mais tive uma adversária descente no concurso de cuspe de sementes de melancia a distancia.
Só conseguimos nos livrar da maluca da Alice quando Aluado teve a brilhante idéia de jogá-la para cima do primeiro pobre coitado que aparecesse. Isso foi no sexto ano, já que a garota estava ficando mais e mais doida e a essa altura já beirava uma internação no Saint Mugus. Ela perseguia Lenuxa por todos os cantos, ameaçando-a de todas as formas possíveis. O cúmulo do cúmulo foi quando ela amarrou Almofadinhas e o prendeu em um armário de vassouras por vários dias.
Resumindo a história, o primeiro otário que surgiu foi Frank Longbotton, um nerd rechonchudo que dividia dormitório com a gente e sempre tentava se enturmar. Não sei como, mas Aluado conseguiu convencê-los a marcar um encontro e desde então eles estão juntos.
E sabe? O namoro melhorou a vida dos dois. Frank começou a malhar e deixou de ser tão retardado. Alice parou de ser maluca e virou a namorada ideal. Os dois formavam o casal maravilha do sétimo ano de Hogwarts e o casamento deles foi o maior acontecimento de todos os tempos. Aluado, obviamente, foi o padrinho.
Agora, eu gostaria mesmo de saber o que minha querida ex-colega de escola poderia nos ensinar em um treinamento para uma missão como a que vamos enfrentar...
- Lily! James! – Alice nos dá um daqueles famosos abraços esfarela costela dela – Quanto tempo, meus queridos!
Meus queridos...
Lily fica roxa de indignação ao ouvir Alice a chamando de querida. Elas não se davam nada bem. O motivo é óbvio: Alice vivia tentando matar a melhor amiga dela.
- E você tem notícia da Lenuxa? – Alice pergunta com ar inocente e Lily quase entra em combustão.
- Marlene está muito bem, obrigada – Ela responde trincando os dentes. – Ela recebeu um convite para jogar em um time Inglês. Acho que deve voltar para a próxima temporada.
Essa é uma boa novidade! Aposto que Lenuxa da um jeito no Almofadinhas, faz o cara sair de casa um pouco. Nem que ela o coloque em uma coleira e o leve para passear no parque junto com os outros cachorros.
As duas ficam piscando os olhos uma para a outra como se estivessem se analisando ou fazendo uma competição de quem está com a melhor maquiagem. Sei lá.
Mulheres são esquisitas.
Eu fico de boa na minha, não quero me meter no meio dessa coisa entre elas que eu sinceramente não sei descrever.
Então do nada Alice estala os dedos e sai andando pelo lugar que, agora notei, é tipo uma réplica de casa trouxa. Ou pelo menos eu acredito que seja.
- Vamos ao que interessa então, meus amores – (nesse momento ouço Lily bufar indignada do meu lado) – O treinamento de hoje é sobre: "Se portando como um casal trouxa recém casado"
Ai cara! Porque isso?
Eu sei como me portar como um marido. É só seguir o exemplo de papai: Ler jornal, ficar o dia todo fingindo concertar coisas, tomar café, reclamar dos vizinhos, elogiar a comida de mamãe e roncar super alto. O que mais um marido deve fazer além disso?
A senhora Longbotton nos faz sentar lado a lado em um sofá de almofadas fofas e vermelhas na sala da casa trouxa. Lily tenta se sentar um pouco distante, mas Alice praticamente a joga no meu colo. Sinto minhas entranhas se contorcendo dentro de mim e começo a suar frio.
Ah, o famoso efeito Lily Evans!
Evans está praticamente da cor do sofá.
- Isso – Alice coloca a mão de Evans na minha cocha e dessa vez até eu fico corado. - Assim está melhor! Vocês têm que demonstrar carinho um pelo outro. Casais fazem esse tipo de coisa. Me digam, como é que vocês costumam demonstrar carinho pelas pessoas que amam?
Bolas de feno passam pela sala enquanto Evans e eu permanecemos em silêncio.
Eu não demonstro carinho por ninguém, nunca tive uma namorada séria. Tenho meus amigos e costumo dar socos ou jogar bombas de bosta no quarto deles. É isso que ela quer saber?
- Vamos pessoal! – Alice nos encara com os olhos brilhando. – Como se demonstra carinho por alguém que você gosta?
- unm... abraços? – eu tento.
Alice bate palmas.
- É um bom começo, James, parabéns! Lily? Algo a dizer?
- Não sei, cafuné?
- É, cafuné também. Mas em público, como você demonstraria que ama seu marido em público?
- Podemos andar de mãos dadas.
- Mãos dadas soa como algo normal...
- Vocês não são bons nisso não é mesmo? Já namoraram alguém por mais de um mês?
- Não. – Me espanto ao perceber que Lily também nunca teve um namorado sério. Como pode isso?
- Isso vai ser mais difícil do que eu imaginei. Bom, vamos lá... Está nas pequenas coisas. Como, por exemplo, fazer a comida preferida dele, usar roupas na cor preferida dele, tirar os caroços das azeitonas para ficar mais fácil de comer, trazer flores, deixar a tampa da privada abaixada... Esse tipo de coisas. Agora em público... Está no olhar, nas mãos dadas, nos pequenos beijos delicados, em abrir a porta para a esposa passar primeiro... Nos apelidos fofos.
Faço uma careta na menção de apelidos fofos. Odeio apelidos fofos. Olho para o lado e noto que Evans está com a mesma expressão de desgosto que eu.
Ser um casal não é nada fácil. A única parte boa de ser casado é exatamente a que eu não vou poder fazer: dormir com minha esposa de mentirinha.
Essa missão vai ser muito mais difícil do que eu imaginava.
Lily
Eu gostaria de saber por que escolheram essa jararaca para nos dar o treinamento. Queria mesmo! Ela fica me olhando como se eu fosse uma idiota só porque eu não sei como me portar como uma esposa.
Desculpa, querida, mas pelo menos eu nunca tentei dar chocolates com poção do amor para um pobre coitado. Não preciso desse tipo de truque baixo para conquistar um homem.
"Seja uma profissional, Evans. Você é mais forte do que isso, Evans" – repito esse mantra várias vezes em minha mente enquanto escuto o discurso da senhora Eu-Tenho-Um-Marido-Perfeito-E-Você-É-Uma-Solteirona cada vez mais voltado para o lado "humilhe sua ex colega de escola porque você é casada e ela nunca teve um namoro de mais de um mês".
Minha mão está ficando suada em cima da cocha de Potter. Daqui a pouco ele vai achar que sou uma porca que sua pelas mãos, sua MUITO. Ele está bem perto de mim. Estou me sentindo muito intimidada com essa proximidade toda.
- Ok. Talvez a gente deva começar com a história do casal. – Alice olha para o nada sonhadora e começa a nos contar a história de como Frank a pediu em casamento. Claro, era bem isso que eu queria saber.
Potter respira profundamente e eu fico meio sem graça. Ele está com a cara praticamente grudada na minha cabeça então me dá a impressão de que ele está dando uma fungada no meu cabelo. Ainda bem que eu o lavei hoje de manhã.
Depois de narrar todo o pedido de casamento, aumentando umas 10 mil vezes a história para que eu me sinta humilhada e com baixa auto-estima (isso funcionaria se eu tivesse ligando a mínima para relacionamentos e amor. Odeio essa mentalidade ridícula dela de que uma mulher precisa de um homem para ser feliz. É muito século XIV), a chatolina decide mudar o foco do treinamento outra vez.
Como treinadora ela é uma ótima cozinheira. Só isso.
– Primeiro vocês precisam aprender a demonstrar carinho um pelo outro. – Alice sorri de uma forma assustadora juntando minhas mãos pequenas e delicadas com as mãos grandes e cheias de calos de Potter. – Vamos lá dêem as mãos como um casal apaixonado
Isso é muito constrangedor. Muito mesmo. Potter está parecendo um pimentão e eu imagino que também esteja.
Essa bruxa é mesmo uma mocréia maluca. Fica mudando de tática o tempo inteiro. Ela está fazendo de propósito para me deixar sem graça. Da próxima vez que eu encontrar Frank, vou dar em cima dele na frente dela como vingança.
- E os pequenos beijos delicados?
Ótimo, agora vou ter que beijar Potter! Daqui a pouco ela manda eu acorrentá-lo na cama. Isso seria uma brincadeira de péssimo gosto. Até para alguém do nível ela.
James me encara assustado.
- Ai, tudo bem! – O bom senso parece atingi-la de alguma forma. - Vamos fazer o treinamento começando pelo mais básico: Apelidos fofos. Como vocês vão chamar um ao outro em público?
Não vou chamar James de nome algum.
- Anm Lily e James? – Potter mais pergunta do que afirma.
Alice bufa e revira os olhos. Aposto que ela vai começar a dizer como ela a Frank se chamam na intimidade deles. Credo.
- NÃO!
- Ok. Querido e Querida?
- Parece muito tradicional! Vocês podem fazer melhor que isso!
Claro que podemos...
- Xuxu e Xuxula?
Jimmy acorrentado só pode estar brincando! Não vou de forma alguma chamá-lo assim na frente dos outros.
Nessa até Alice concordou comigo. É um apelido ridículo.
- Amor? – Digo logo esse para que Potter não me venha com mais nada pior que Xuxula.
- Estou vendo que vocês não vão mais longe do que isso. – Alice desiste – chamem-se de amor mesmo. É melhor do que Xuxu e Xuxula, pelo menos. Tentem se tratar dessa forma a partir de agora. Aliás, não os vi trocarem uma palavra um com o outro desde que começamos. Comunicação é a base de todo relacionamento. Vamos, conversem.
Conversar com James Potter? Sobre o que?
Sobre o tempo?
Potter está claramente pensando o mesmo que eu. Da para ver pelo modo como ele está arrepiando compulsivamente os cabelos.
- Sobre o que? - A diferença entre nós é que ele costuma falar qualquer coisa que se passa na cabeça dele. Acho que não existe um filtro no cérebro pouco desenvolvido desse homem.
- Vamos fazer umas perguntinhas básicas, para vocês saberem um pouco mais um sobre o outro. Que tal?
- Tá, pode ser. – Dou de ombros.
Melhor do que conversar sobre o tempo.
- Qual a cor preferida de vocês?
- Vermelho. – respondemos juntos.
- Praia ou Campo?
- Campo.
- Doce ou Salgado?
- Doce.
- Frio ou Calor?
- Calor.
Depois de uma série de perguntas bate e volta às quais (para meu total desespero) acabamos respondendo as mesmas coisas totalmente sem querer, Alice está quase tento um orgasmo, tamanha sua animação. Ela dá gritinhos alternados a cada resposta igual e bate palmas, animada.
- Animal preferido?
- Bambi! – Respondo sem pensar.
- Bambi? – Potter e Alice me encaram como se eu tivesse dito alguma coisa muito bizarra.
- É! O Bambi da Disney!
Consigo ouvir o barulho do restaurante lá em cima de tão quieto que ficou o centro de treinamento.
Pois bem Evans, como eles vão saber quem é Bambi? Os dois são bruxos puro sangue.
- Ah claro! Tinha me esquecido. Vocês são bruxos puro sangue. Bambi é um desenho animado sobre um cervo bebê que vive altas aventuras na floresta. A mãe dele morre na campina... É super triste essa parte. – Quase choro só de lembrar de uma das cenas mais tristes de todos os tempos. - Eu era viciada nesse desenho quando pequena. Tenho até um bichinho de pelúcia dele com o qual eu durmo todas as noites. Olha!
Tiro meu Bambi da mala. Ele está todo amassado de um lado só porque eu durmo em cima dele faz uns 10 anos. Alice me encara como se eu fosse uma maluca.
James Potter está estranhamento pálido, com um sorriso meio maníaco nos lábios e um olhar vidrado voltado para o meu Bambi.
- Gente! Ele não está tão feio assim!
- Claro que não. – responde Alice como quem diz "sim, querida" para uma criança birrenta.
Já mencionei o quanto eu odeio essa cretina?
- E o seu animal predileto, James?
Jimmy Acorrentado continua encarando meu Bambi como se ele fosse algo de outro mundo. Enfio meu dedo no olho dele.
- AI!
- Presta atenção, Jimmy Acorrentado!
- Não me chame assim! MEU OLHO!
- Ai que dó. Vai chorar? – Dou outro cutucão, dessa vez na orelha dele.
- EVANS!
James me dá um beliscão na cocha.
- AI POTTER!
Dou uma lambida no meu dedo e enfio na orelha dele.
-Toma essa!
-ECAAAA!
- Meninos, preciso lembrar vocês de que estamos em um treinamento para uma missão séria?
Acho que ouvi Alice dizendo alguma coisa. Não pude prestar atenção, pois Potter pegou meu Bambi, subiu no sofá e o ergueu aos céus.
- Potter! O Bambi não. – Fico em pé no sofá tentando alcançar meu bichinho, mas Potter deve ter uns 3 metros porque é simplesmente a pessoa mais alta de todo o universo.
Pulo em cima dele e me penduro em seu pescoço tentando escalá-lo.
- Evans! – Ouço a voz abafada de Potter debaixo da mão que estou apoiando na cara dele. -Pare com isso.
- Devolva meu Bambi!
- Saia de cima de mim! Eu vou cair...
-CHEGA! CHEGA! CHEGAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA AAAAAAAAAAAAA!
Alice está de pé no meio da sala, com as mãos na cintura, o rosto vermelho, espumando de raiva.
- Gente, um pouco mais de esforço, pode ser?
Nesse momento percebo que estava me comportando feito uma criança e me sinto bastante envergonhada.
O que eu fui fazer? Alice já não gosta de mim por causa da Marlene, agora então vai fazer o pior relatório de comportamento que eu receberei em toda a minha vida.
Isso é tudo culpa do Potter. Ele faz com que eu me comporte como uma idiota.
Sento-me no sofá, completamente constrangida. Potter se aconchega novamente ao meu lado, passando o braço por trás do meu ombro e colocando o Bambi no meu colo. Dou um beijo na bochecha dele, como um casal fofo e cheio de açúcar faria, sorrimos um para o outro de forma estúpida e depois voltamos nosso olhar para Alice como se nada tivesse acontecido.
Ela se da por satisfeita e se senta novamente em sua poltrona.
- E isso é o que eu chamo de demonstração de carinho em público – Ela ajeita uma mexa de cabelo rebelde – Viu só como vocês conseguem? É assim que devem se portar na frente dos outros. Tirando a briga ridícula por causa de um alce de pelúcia.
- Cervo. – Potter diz.
Alice finge que não percebeu ter sido corrigida, mas noto um tom fortemente avermelhado em suas bochechas. Eu bem sei como ela odeia que a corrijam.
Isso me deixa com um sério problema, pois preciso comemorar apenas internamente e não transparecer como eu estou feliz por vê-la nesse estado.
No fim das contas, a total falta de noção de Potter pode ser utilizada para algo bom.
Esse treinamento está sendo mais divertido do que eu esperava.
James
Ela ainda tem aquele bicho de pelúcia. E ainda não sabe que eu sou um animago cervo que ela encontrava na floresta e chamava de Senhor Cervo Nick.
Claro que eu não contém. Se ela souber disso...
Ela me mata.
Engulo seco e volto a me concentrar no treinamento.
Evans está adorando torturar a pobre Senhora Logbotton. Eu notei isso.
Essa ruiva é mesmo sensualmente cruel.
Não ligaria em nada se ela quisesse me torturar.
Isso é muito triste. Eu poderia estar nessa missão com Melissa Newstow, ela é completamente desagradável tanto de vista quanto de convivência. Eu conseguiria me concentrar muito melhor na minha missão sem a Evans para me lembrar todos os dias da minha paixão platônica por ela, que é mil vezes pior do que a de Alice por Sirius.
Ok. Tem algumas diferenças: Em primeiro lugar eu jamais daria bombons com poção de amor para Evans; em segundo lugar eu não tentaria matar qualquer cara que tente algo com ela; em terceiro lugar, e mais importante, não sou um louco como Alice.
Talvez eu tenha feito algo estúpido como usar minha forma animaga para descobrir grande parte dos segredos de Lily na época de hogwarts, me aproveitando totalmente da adoração que ela tem por cervos. Mas isso só fez mesmo é me distanciar mais dela. Eu simplesmente não podia tirar vantagens dos meus conhecimentos, porque ela iria ficar super desconfiada.
E, cara, se ela descobrir o que eu fiz, ela vai me capar.
Minha vida amorosa é mesmo ridícula. Estou preso a uma paixão platônica ridícula por uma mulher que não está nem aí para mim e não consigo me envolver com mais ninguém.
E claro, o lance do acorrentado também não tem me ajudado muito com a mulherada.
Bellatrix Black, obrigada por destruir minha carreira e minha vida amorosa ao mesmo tempo.
Lily me da um beliscão e eu volto a prestar atenção na faladeira de Alice.
Aliás, Eu queria mesmo saber por que Alice está me encarando como se eu fosse um idiota. Eu fiz alguma coisa para deixá-la brava?
Não sei. Eu nunca sei o que há quando se trata de mulheres.
Uma hora elas estão bem. Outra hora, estão malucas só porque você estava conversando com a irmã mais nova Narcisa. E depois estão muito nervosas porque você se "esqueceu" de ir a um chá de bebê chato porque queria ir ver o jogo de Quadribol com seus melhores amigos.
Vai entender.
- Ei! Ta tudo bem aí Alice? – Dou um soquinho no ombro direito dela para descontrair.
Eu tenho a impressão de que isso a deixou um pouco mais brava comigo.
Aliás, eu acho que agora ela quer muito me matar.
O que eu fiz de errado?
- Alice – Lily percebe o perigo e tenta me salvar da fúria do dragão. – Ouvi dizer que você e Frank compraram uma casa ENORME em Hogsmead. É verdade?
A tática de Evans surte o efeito previsto: distrair Alice. Ela fica um tempão falando sobre a tal casa que ela comprou.
Eu não sei por que as pessoas prezam esse lance de casas grandes. Faz sentido se você tem uma família gigantesca, mas se é só você e a esposa, qual é a graça?
Deve ser é sinistro. Imagino que os cômodos devem ter eco de tão vazios.
Eu estava prestes a fazer esse comentário quando foi decidido voltar ao treinamento.
– Todo o casal tem uma história de como se conheceu... – Alice segura nossas mãos com olhos sonhadores. – Qual é a de vocês?
Esse jeito dela sempre me deixou intimidado. Ela parece uma maluca, meio avoada, meio esquisita. Não sei nem o que responder com ela me encarando desse jeito
– ahnm... Nos conhecemos na escola?
Lily parece tão desconfortável quanto eu.
– unm... James era louco por mim e eu não dava a mínima para ele.
– EI! – Eu protesto. Não precisa jogar isso na minha cara, ok?
- Calado! – Alice me dá uma tapa bem ardida no braço. Ela ainda deve estar brava comigo, por algum motivo desconhecido pela humanidade. - Isso parece interessante... No último ano ele te salvou de um ex-namorado motoqueiro maluco e vocês começaram a sair.
- Ex-namorado motoqueiro?
- Isso.
- E então o amor de vocês venceu a distancia, pois foram para faculdades diferentes. E ele te pediu em casamento no dia da sua formatura. AI que lindo!
- ahnm... Ok então.
E assim o dia se passa comigo e Lily fazendo coisas ridículas de casal. Alice não se cansa de nos fazer ficar andando pela casa de mentirinha de mãos dadas.
Descobrimos no final de um dia cansativo que vamos ter que ficar nessa base de treinamento até Sábado de manhã quando finalmente seremos alocados a nossa nova casa. Lá para umas 18h00, Alice nos entrega um papel com o plano todo do treinamento:
Dia 1: Noções básicas de relacionamento.
Dia 2: Afazeres Domésticos
Dia 3: Vivendo como um trouxa, seus modos e curiosidades.
Dia 4: Sobre suas profissões.
Lily ergue as sobrancelhas quando ela lê o assunto do dia 4.
- Nós vamos trabalhar como trouxas?
- Sim. – Alice responde prontamente.
O que exatamente os trouxas fazem em seus trabalhos?
Eu cheguei a cursar uma matéria sobre o modo de vida deles, mas não me lembro de quase nada. Faz muito tempo que terminei Hogwarts.
Eu tinha ouvido falar que eles estudam mais uns quatro anos depois da escola para poder finalmente exercer alguma profissão. Não sei se um dia de treinamento vai ser equivalente a isso.
- Mas não faz sentido ALGUM! – Lily explode. - Porque temos que fazer isso?
-Não se preocupem, as profissões que escolhemos para vocês são fáceis. Vocês não sentirão nenhuma dificuldade em exercê-las!
-E quais seriam? – Pergunto.
- Arquiteto e Psicóloga.
Gostaria de saber o que um arquipetos faz. Se Alice diz que é fácil, então deve ser. Se bem que, ela não ia nada bem na matéria de trouxas em Hogwarts. Até desistiu depois do quinto ano.
-E me diz onde é fácil ser arquiteto, Potter não tem capacidade para isso!
Obrigada Evans por todo esse apoio. Falando assim, ela me lembra meu precioso papai. Acho que os dois se dariam super bem.
- Mas é só fazer desenhos de prédios!
Lily parece horrorizada com o que Alice falou. Pelo visto aquipélagos não fazem só desenhos de prédios. Espero que não seja Alice a pessoa que me dará esse treinamento...
- Lógico que não!
O dia dois é bastante movimentado. Passamos o tempo todo dentro da casa trouxa de mentira fazendo uma porção de coisas. Sou apresentado aos vários aparelhos que eles usam. São tantos, com tantas funcionalidades diferentes que é praticamente impossível decorar todos os nomes.
São muitos nomes.
Evans faz uma listinha com desenhos ilustrativos e diz para eu passar a noite em claro se necessário, mas que eu não a faça passar vergonha na frente dos vizinhos por dizer um nome errado. Ela não pode dizer muita coisa, ficou toda se achando a sabe tudo, porque é nascida trouxa, mas não conseguiu usar a coisa branca que lava roupas direito. Voou um monte de espuma de sabão na cara da Alice, porque ela colocou muito do pó azul na hora de jogar as roupas lá dentro. Além disso, ela encolheu o avental da nossa treinadora na hora de colocar na máquina que seca as roupas. Se bem que talvez ela tenha feito isso de propósito.
É bem possível que tenha sido de propósito.
O dia 3 é um dos mais confusos...
Nele eu sou apresentado ao mundo dos comfutadores, competaodes, não... Computadores. Eles são praticamente caixas que fazem várias coisas. Existe um negócio chamado internet que eu não sei nem explicar o que é, mas os trouxas usam para se comunicar.
Não é mais fácil usar uma coruja? Eu pergunto isso para Lily no que ela simplesmente faz um discurso enorme sobre fronteiras, globalização e outras coisas que eu não entendi.
Evans me mostra alguns esportes trouxas na outra caixa cheia de fotos que falam (acho que o nome era televisão, preciso olhar no papelzinho). Ela diz que eu preciso ter assunto com os homens da vizinhança e, pelo que eu entendi, homens trouxas gostam de falar sobre bebida, esportes e mulher.
Ok. Posso fazer isso facilmente.
O problema é que esses jogos trouxas são coisas muito bizarras. Por exemplo, porque os trouxas gostam de ficar pulando uns em cima dos outros para pegar uma bola? Eles quase se matam por causa disso. Tem que usar um protetor de dentes até, tamanha a violência. Tudo isso para poder levar a bola até o lugar certo.
Tem outro que seria legal se tivesse mais bolas e se os caras voassem ao invés de correrem por um campo verde gigantesco. Só tem um gol! Qual a graça disso?
Mas o pior de todos é aquele com uma bolinha minúscula e tacos estranhos no qual você tem que acertar a bolinha em um buraco no fim do mundo.
Eles só têm essa quantidade imensa de jogos porque não conhecem Quadribol. Estratégia, aventura, violência, risco de vida. Tudo em um lugar só. Quem precisa de tantos esportes quando existe essa perfeição em forma de jogo?
Lily ri quando eu digo isso a ela.
Toda vez que ela faz isso eu penso em como o mundo é injusto. De um lado temos Melissa Newstow que além de feia é tremendamente chata e aceitaria sair comigo numa boa. Do outro temos Lily Evans que é linda, tem um corpo feito para o pecado, um sorriso de derreter todo o Alasca e além de tudo é inteligente e divertida (quando ela quer). Não preciso nem dizer que Evans não só me deu um dos maiores foras da minha vida, como prefere sair com a Lula Gigante a sair comigo.
E é com essa Deusa Vênus do amor que eu vou morar nos próximos sabe-se-lá quantos dias, fingindo ser seu marido.
Que mundo injusto!
Pelo menos eu vou me aproveitar para tirar uma casquinha toda vez que for possível.
Como, por exemplo, dar vários beijos nela fingindo que tem alguém olhando sem necessariamente ter alguém olhando.
Isso vai ser bem legal.
A hora mais confusa de todas é quando pegamos o carro. Porque eu preciso usar esse negócio? É muito difícil! Tenho que pisar em vários lugares ao mesmo tempo para essa coisa andar e ainda por cima prestar atenção no que está acontecendo do lado de fora. Não acho que sou capaz de fazer isso.
Esse treinamento me fez admirar cada vez mais os trouxas. Isso é que eu chamo de gente de fibra.
A parte da profissão é bem tranqüila. Pelo que eu entendi só vou precisar fazer desenhos de prédios e miniaturas deles que se chamam maquetes. Isso eu sei fazer, sou muito bom desenhista. E Lily só precisa escutar as pessoas dizerem os problemas delas. Não sabia que existia uma profissão só para escutar os problemas das pessoas.
É só no ultimo dia que podemos estudar o caso todo e fazer planos de ação para a missão.
Na sexta feira a noite estou tão cansado desse negócio todo que me jogo na cama de qualquer jeito e pego no sono rapidinho.
Amanhã é o grande dia.
O dia em que o "até que a morte nos separe" começa de verdade.
Quero só ver.
Não perca!
No próximo capítulo...
"Potter imediatamente me agarra e me da um beijo cinematográfico. Fico inconformada.
- Um showzinho para a galera – ele ri no meu ouvido.
Não sei por que, mas acho que ele não fez isso por causa dos homens da mudança que estão nos espionando. Potter, vou te matar"
"Olho para o lado e vejo a senhora tarada que mora do outro lado da rua vindo em minha direção. As mãozinhas gordas dela estão se abrindo e fechando. Acho que ela quer apertar meu bumbum, de novo.
Lily, cadê você? Socorro!"
"-Você tá maluca? E se alguém encontra a gente aqui?
- Cala a boca! Vão nos escutar!"
NA: Obrigada Pelas Reviews. Nesse capítulo vocês tiveram uma dica do que aconteceu no famoso incidente das algemas. Hahahhaa.
Para quem quer saber mais sobre essa história de Bambi e Cervos... leiam uma short fic que eu escrevi: "Sobre Cervos e Domingos". Vou escrever outras sobre a paixão platônica maluca de Alice. (Isso se vocês quiserem)
Para quem acompanha Fruits Basket, eu juro que estou trabalhando no próximo capítulo. É que está meio difícil... A inspiração não chega!
