Capítulo três:
Após o fatídico acontecimento com nossa personagem, passaram-se os dias, Sulis já havia entregado o trabalho de Snape e os eventuais trabalhos de outras matérias, e já havia se acalmado em relação ao ocorrido do dia 28 de setembro. Ora, demorou a esquecer, pois, dado que era uma pessoa reservada e sempre só, não tinha outros meios de entreter-se a não ser com seus próprios pensamentos. Sulis não odiava as pessoas ao seu redor, tinha pena. Pena em serem tão idiotas. Tudo era tão trivial para eles. E falava de bruxos. Até que ela tinha curiosidade em conhecer uma pessoa trouxa para saber se o mesmo ocorria com elas. Sim, provavelmente, eram idiotas apenas de um modo diferente. E devido a tais motivos é que Sulis nunca teve um relacionamento. Nunca se quer se apaixonara. Tinha outras coisas mais importantes pra pensar do que em um namoro. E explano que ela não suportaria alguém tentando controlá-la ou ficar o tempo inteiro no seu pé. Se ao menos conhecesse alguém que a entenderia e fosse igual. Ok, pelo menos entendesse seu real desespero de existência.
Era uma quinta-feira de manhã, e, obviamente, em uma aula de poções, que Snape resolvera entregar aquele primeiro trabalho do ano, com suas notas. E o pior aconteceu: entregou de todos os alunos, menos o dela. Ficou apreensiva e ansiosa, afinal, ele nem a mencionara. Lançou-lhe um olhar interrogativo, ao seu mestre, mas este, não os encontrou. Nem os dirigiu em sua direção à aula toda. Todos os alunos haviam terminado suas poções, e faltavam cinco minutos para o término da aula.
- Estão dispensados. Senhorita Scathach, peço que permaneça. – pronunciou com sua habitual voz fria.
Houve risadinhas e murmúrios pela sala "se ferrou" enquanto os alunos saíam. Sulis estava mais branca, mesmo que isso fosse quase impossível. Sentia o coração na boca do estômago. Nunca falara com o homem assim, a sós, e ainda por cima, ele convidando-a para sentar-se defronte a ele. Era fato que Snape, embora ela não se apercebesse disso, estava desconfortável com a situação: conversar a sós com uma aluna, sobre o pergaminho que lera, um assunto pessoal e macabro. Sim, ele conhecia bem as artes das trevas e igualmente a magia negra, e era o que parecia pelo que estava escrito na espécie de carta.
Sulis sentara-se, encontrou olhos negros, expressão séria. Ela estava crente que o assunto referente era em relação aos 30 pontos retirados por Minerva.
- Primeiramente, senhorita Scathach, gostaria de lhe advertir sobre os trinta pontos retirados, ainda mais por uma diretora de casa tão rival, que é a grifinória. Espero que não saia mais um ponto da sonserina da sua parte, ou terei que tomar medidas mais... drásticas. – desdenhou Snape. Sulis, de algum modo, estava mais tranqüila, mesmo com essas ameaças, encarou-o dignamente. – Agora, em relação ao seu trabalho... – Hesitou Snape, Sulis não deixou de notar, e agora voltou a disparar seu coração.
-Algum problema mestre?
-Chamei-a em conversa particular, pois gostaria de saber se a senhorita estava ciente que não me entregou o seu trabalho. – ergueu de leve uma sobrancelha.
Havia algo estranho. É lógico que ela entregara e por que ele estava se dirigindo a ela com tanta peculiaridade e hesitação?
-Desculpe-me, mas que eu me lembre, eu entreguei sim...
Pausa.
-Hum... imaginava que a senhorita iria me dizer que havia entregado o trabalho, entretanto a senhorita entregou... um outro pergaminho. – continuou sério.
Se uma pessoa pudesse congelar e morrer com uma frase, assim teria acontecido com Sulis. Entendeu. Na mesma hora pegou sua mochila e verificou: o trabalho estava ali, e o que nunca deveria ninguém ler, Snape leu.
-Mestre, eu... bom... hum... o senhor leu? – gaguejou. Precisava a confirmação, mas já sabia a resposta devido ao tom estranho de seu mestre, tom confidente, embora sério.
-Sim, senhorita Scathach. Eu li. Gostaria de falar-me algo?
-Não. – respondeu em tom seco e envergonhado.
-Mas eu sim. – revirou seus olhos, sinal de impaciência. –Preciso saber se o que está nesse pergaminho – Accio pergaminho – é um fato verídico.
- Mestre, eu realmente gostaria de não falar sobre isso.
Só pelo tom da aluna à sua frente, sabia que era verdade. Porém, pelo visto ela não tinha idéia do que lhe aconteceu naquele estranho dia.
-Infelizmente, pelo simples fato de eu ser seu mestre e diretor da sua casa, preciso saber mais. Ou deseja que eu mostre ao diretor Dumbledore e a seus pais?
Ela olhou atemorizada, com súplicas em seus olhos em direção ao mestre a sua frente, com uma expressão bem fechada. Já era ruim o suficiente alguém saber daqueles fatos.
-Mestre, prefiro que não comente com ninguém, por favor. Realmente aconteceu, a não ser que foi ilusão, alguém me enfeitiçou ou... Enfim, não sei o que foi aquilo, e foi por isso que cheguei atrasada e MacGongoall retirou os trintas pontos. – falou em um tom tão firme e sério que Snape demonstrou levar em consideração a situação.
-Obvio que depois de ler seu pergaminho, cheguei a essa conclusão referente à pontuação. Entretanto, a senhorita sabe o que realmente foi esse acontecimento?
-Pensei muito, mas não cheguei a nenhuma conclusão.
-Pois eu cheguei. Chama-se Magia Negra. – disse com seu tom manso e assustador.
A garota franziu o cenho. Magia negra? Ele só podia estar tentando amedrontá-la ou estar muito enganado. Entretanto, aquilo fora realmente muito estranho.
-Mas porque justamente comigo? O Lord das Trevas foi derrotado há dez anos, e sou de sangue puro. Não vejo motivos para...
-Esperava mais inteligência de sua parte – interrompeu-a com impaciência e desdém – Não é com Lord das Trevas que surgiu a magia negra, e independente dele, existem outras pessoas que se utilizam desse tipo de magia. Não somente pessoas como espíritos, como aconteceu no seu caso. Pelo que percebo, é uma dívida de sangue. Esse tipo de ritual que tentaram fazer com a senhorita, baseando-me no que a senhorita escreveu, seria uma espécie de cobrança hereditária, algum antepassado seu, pediu ajuda às trevas, fez algum acordo, e agora eles estão cobrando.
Sulis estava passada. Ela era uma pessoa tão cética e agora acontecera isso. Viu seu professor consultando o horário, provavelmente estava acabando o almoço quando ele anunciou:
-Acho melhor terminarmos essa conversa em outro horário. Venha ao meu escritório hoje depois do jantar. Aliás, não comente com ninguém, a não ser que deseja expor seu problema para outras pessoas. – finalizou em seu habitual tom de indiferença.
-Ok. Obrigada por não contar a ninguém.
Saiu em direção ao Salão Principal para tomar ao menos um suco de abóbora. Era aula de Adivinhação, e a professora Trelawney estava ensinando para a turma os principais símbolos que usaria para lerem as Folhas de Chá.
-... e o crânio significa que há um grande perigo em seu caminho, vejo que há... -Falava com sua voz forçosamente misteriosa. Entretanto Sulis há muito parara de prestar atenção na aula.
Seus pensamentos estavam no que ocorreu de manhã. Como pudera ser tão burra ao ponto de entregar errado o trabalho? Precisava falar com Snape para ver se ele considerava a situação e corrigisse seu trabalho. Magia negra? Como? Não poderia acreditar que isto estava acontecendo justamente com ela. Snape não poderia estar errado. Snape... Agora que Sulis notara como ele foi complacente para com ela naquela manhã. Nunca conversara com ele daquele jeito, tão perto. Até que ele era bem charmoso. Sim, ele era o homem mais charmoso que Sulis já tinha visto. E ai dela se comentasse isso com alguém, achariam que ela estava louca. Apesar de já acharem isso às vezes.
-E para a próxima aula, um pergaminho falando sobre o que descobriram sobre seus futuros em relação daqui a um mês. Dispensados.
Sua barriga começara a dar embrulhos. Daqui a pouco seria o jantar e depois... ora, depois Snape. Saiu da torre norte e encontrou, para seu azar, Pirraça jogando tinteiros em quem passasse. Infelizmente acertou-a.
-Maldito Fantasma... Faz isso por que é morto, e não tem mais o que fazer! – berrou Sulis. Todos a olharam, pois esse não era seu típico comportamento. Normalmente teria se calado.
Teve que ir para as masmorras antes do jantar para tirar seu uniforme de tinta, que depois o limparia com um feitiço, e também tomar banho. Às 18 horas rumou-se ao Salão Principal para jantar. Notou a figura negra favorita sentada conversando com Dumbledore.
-Perdeu a cabeça com o fantasma é? – perguntou John, colega de casa.
-Queira por gentileza calar-se. Estou comendo.
-Está irritada, isso sim! Posso sentar-me do seu lado? Hoje, você está particularmente bela, desejo explanar.
-Sente-se onde quiser, só fique calado.
-Porque está brava? Levou um safanão de Snape hoje? Que você fez para irritá-lo tanto? – perguntou num tom de provocação.
-Não o irritei, apenas nosso mestre veio tirar alguma dúvidas em relação ao meu trabalho. – E nesse momento notou o professor de poções se retirar da mesa. – Com licença Kates.
-Mal terminou seu jantar. – observou Martin, que estava defronte a Sulis e John, e ouvira toda conversa. – Termine ao menos, John ficará quieto, não é John?
-Ela pegou detenção com Snape, isso sim. Ele acaba de sair da mesa, e ela também. Por isso está com pressa.
-Aham, é isso mesmo John. Tchau Martin, até logo.
Saiu em direção às masmorras, torcendo para não encontrar mais uma vez pirraça. Ao chegar aos aposentos de Snape, Sulis mal batera na porta e ele já abrira. Fez sinal para entrar.
