O Síndico

Certas coisas na vida não mudam. Tipo: o chefe nojento, os colegas falsos, os vizinhos barulhentos e insuportáveis e etc. Logo, o que eu podia esperar do síndico do meu prédio? Uma velha rabugenta, fofoqueira, hipócrita e chata. Ninguém pode me culpar por pensar assim, inclusive o sr. eu-sou-lindo-e-maravilhoso-e-cheiroso-e-SÍNDICO

The Sweetest Marvelous End

Depois de tanta confusão e situações vergonhosas, Lily chegou a conclusão de que se mudar do prédio era tentar fazer cócegas num lobo para que ele não lhe atacasse. Ela teria que mudar de país para poder voltar a viver, normalmente.

Após o "click" discreto de sua porta sendo fechada, seus olhos verdes correram do elevador para as escadas, indecisos. Além de indecisos, se tornaram apáticos ao recordar o que a esperava ao sair dali.

Lidar com queda e subida de ações por mais um dia não figurava como paraíso e coisa ideal a ser feita hoje. Sexta-feira era o momento de agradecer a Deus por estar findando mais uma semana com saúde, com trabalho e etc. Contudo, ela não se sentia inclinada a agradecer…

Uma semana havia se passado desde o incidente com James, o segundo e último incidente. A ruiva se esforçava muito para permanecer pouco tempo em casa, retornando a rotina frenética de seu dia-a-dia, coisa muito bem recebida por seu chefe. E para não parecer mal educada, deixara bilhetes formais sobre quão grata ficara ao síndico.

Claro que era ínfimo perto do que ele fizera por ela, e microscópico perto do que ela sentia. Só que, era o mais seguro. Ela nem o conhecia direito! Como poderia alimentar esperanças quanto a alguém tão gentil, doce, responsável, lindo, educado, solícito, divertido e…

Ela apertou as pastas contra o peito, parando no penúltimo degrau e tirando coragem e decisão do recôndito do seu ser correu escada acima, alcançando o andar que James morava. Igualmente resoluta, tocou a campainha do apartamento que pertencia a ele.

Ela podia fazer isso. Podia! Ela havia chego até aqui e se ela repetisse para si que podia, então...

Oh, assim como repetiu para si as qualidades de um cara e foi transformada de desesperançada para mulher loucamente desesperada e perseguidora...

É, ela não podia fazer isso. Não podia!

Ela engoliu em seco e gotas de suor brotaram na sua nuca, incomodantemente escorrendo em trajetos tortuosos e de forma lenta (muito lenta) por sua espinha dorsal, e a cada centímetro que avançavam sobre a pele de Lily a convenciam de quão idiota (e desesperadora, além de humilhante, óbvio) era sua atitude. Ele deveria nem estar em casa! E se estivesse, a sua namorada super top model abriria a porta usando uma calcinha e sutiã da victoria's secret em cor escarlate.

- Idiota…! - sussurrando um xingamento para si própria, Lily rodou sobre o salto de seu pepe toe ao se prometer ser menos impulsiva e mais racional, racional.

- Lily? - até a voz dele congelar-lhe as juntas e paralisar-lhe de vez.

Ela se virou horrorizada, podendo prever que seus cabelos estavam em pé e sua cara roxa de vergonha, enquanto que James desfranzia o cenho e expunha o início de um sorriso genuinamente feliz.

- Que surpresa! - ele avançou na direção da estátua de filme de terror, que era Lily Evans, com uma das mãos bagunçando os cabelos - Me desculpe por não ter respondido os bilhetes, é que eles… - ele diminuiu a velocidade dos passos até estancar, percebendo que talvez estivesse assustando a mulher à sua frente, pelo menos era o que a expressão dela lhe dizia - … não pareciam ter vindo de você… - completou, o sorriso sumindo e a dúvida quanto a estar agindo inadequadamente infiltrando por suas orbes achocolatadas e derretendo o que de verde existia ali, como se também o estado emocional dele fosse medido pela clareza de seus olhos.

Lily não conseguiu desprender sua visão dele e não tinha razão para fazê-lo. Primeiro: ele não possuía aliança nenhuma! Segundo… Ela precisava de um segundo motivo? Fodam-se as regras de comportamento!

Largando sua pasta a esmo no chão, ela praticamente se jogou sobre James, enroscando suas mãos por aqueles fios ébanos e arrepiados, transpirando sua determinação e vontade para que ele não fugisse ou a rejeitasse, e colou sua boca a dele sem dar-lhe chance de perguntar o que estava acontecendo.

As sensações foram divinas, ela nunca havia imaginado que se atirar em cima de um cara fosse lhe oferecer prazer, em vez de vergonha. E antes que ela pudesse insinuar sua língua por entre os macios lábios dele, James a estreitou contra seu peito a preparando para o que era o seu avanço. Surpreendendo-lhe por milésimos de segundos, quando a língua dele pressionou a extensão de sua boca, se movendo unicamente para drenar-lhe toda a sanidade.

- J-James… - Evans murmurou por entre o beijo e sua percepção tátil lhe disse que ele sorrira.

Mais confiante, ele lhe desprendeu os cabelos e dolorosamente devagar, lhe mordiscou a extremidade da mandíbula até o queixo, parando no canto da boca.

Lily apertou as pálpebras, ansiosa pelo contato. Entretanto, ele realmente parara de vez e ela não teve mais esperanças de que ele continuasse quando ouviu o barulho de James tentando segurar o riso. Dividida entre ficar aborrecida e curiosa, ela descerrou um dos olhos, ainda parcialmente lânguida devido ao efeito do corpo dele junto ao seu.

- Você 'tá fazendo biquinho - ele explicou diante da olhada questionadora que recebera e espocou em risadas.

- Ahhh! - ela exclamou ofendida no seu âmago e o estapeando para soltá-la, coisa que ele não fazia de jeito nenhum - Seu estraga prazeres, insensível…! Isso é coisa que se diga?

James não tentava se desviar dos ataques dela, estava ainda muito ocupado em rir, ao passo que Lily se debatia para escapar ao mesmo tempo em que acertava-lhe o tórax com os punhos.

- Mas você estava mesmo fazendo biquinho! - ele enfim, reuniu concentração para dizer e segurou-lhe as mãos, penetrando-lhe com um olhar intenso e devorador, derretendo a raiva e a firmeza nas pernas de Lily - Não disse que não havia gostado… - ele continuou, o timbre totalmente mudado, assim como suas atitudes ao grudar suas cinturas de novo e inclinar-se em direção aos lábios dela.

- Realmente Prongs, quanta insensibilidade… Tsc, tsc, tsc… - até alguém interrompê-los.

Rapidamente Lily endureceu sob o aperto de James e torceu seu pescoço para o lado, a fim de visualizar quem falara.

Um rapaz aparentemente da mesma idade que James, os observava com um ar de malicioso orgulho no rosto preponderantemente belo, os cabelos negros caindo displicentemente sobre um dos olhos, estes cor de tempestade sobre um céu do entardecer, e os braços cruzados acima do abdômen.

Ele não se moveu debaixo do batente da porta do apartamento de James, aguardando que o casal pedisse desculpas, só poderia ser isso! Lily disse a si.

- Então, vai nos apresentar…? - ele andou com leveza e nuances de um predador na direção dos dois.

James prontamente colocou Lily às suas costas, a deixando confusa e temendo o que era exatamente esse cara - Nem vem Padfoot! Volta pra dentro e não me enche!

O tal de Padfoot colocou ambas as mãos na cintura e encarou, muito chateado, James - Heey! Eu sou da família, tenho direito de conhecer a… - ele esticou o pescoço antes que Potter pudesse impedi-lo e deu uma boa checada em Lily - Essa é a ruiva!

Lily se espantou com o berro dele e se encolheu atrás de James, enquanto que este retirou uma das mãos que serviam como barreira para que Padfoot não avançasse sobre ela e desceu um tapa na nuca do amigo.

- Chega Sirius! Comporte-se ou eu chamo o Remus - ameaçou e Sirius lhe lançou um olhar ofendido ao massagear o lugar atingido.

- Não precisa, eu faço isso por você - ele retrucou, com um sorriso traquinas e gritou, sem vacilar - Remus vem conhecer a ruiva do Prongs!

Não era preciso ser telepática para saber quem era Prongs.

E bem, se Lily não fosse a tal ruiva do Prongs, ela riria da situação. Mas ela era! Ainda mais embaraçada ela se comprimiu às costas de James, como se fosse possível, e aguardou que o prédio pegasse fogo e se visse livre da situação.

Antes que Potter pudesse dizer ou fazer algo (como por exemplo: encher Padfoot de porrada), outro rapaz surgiu na porta, os lábios sutilmente repuxados para a esquerda transparecendo a sua ausência de alegria por ter que atender ao chamado de…

- Sirius já te disse para parar de gritar pelas dependências do condomínio, ninguém é obrigado a aturar seus… - os cabelos castanhos claros arrumados cuidadosamente (ele precisava ensinar isso a James) e acompanhados por olhos de mesma tonalidade, estavam enquadrados por um rosto que emanava responsabilidade e um tanto de perseverança para lidar com os amigos.

Lily simpatizou imediatamente com ele.

- O que ele aprontou desta vez? - Remus não completou o que dizia ao bater o olhar sobre Sirius e em seguida o pousou sobre James, a quem direcionou sua pergunta como se fosse a mãe de ambos os marotos, pronta para mediar a briga e resolvê-la.

- Não seja estraga prazeres Remus - Sirius enganchou um dos braços pelo pescoço de Lupin e apontou para o casal a frente - A ruiva que nosso Jamesito não parava de babar sobre… - completou com um quê de malévolo.

Evans já não achava tão ruim Sirius ter aparecido.

- Black você ainda quer viver? - James rosnou por entre os dentes, apesar de estar às suas costas Lily notou o desconcerto do maroto de óculos.

- Elementar meu caro Potter - ele devolveu e sem mais delongas - Poderia convidar a milady a se juntar a nós? Que deselegância da sua parte, Potter - disse em reprovação.

E nisso Lily, sem saber como, estava de braços dados com Sirius e atravessando a porta do apartamento de James.

Coisas misteriosas acontecem…

Principalmente quando você se apaixona pelo síndico do seu prédio.


N/A: Eu tirei o Peter, quero dizer... Eu tirei tb a Lene da fic porque Cacto-sama a odeia. OMG! Eu tenho uma compulsão por agradar a Cacto-sama xD

Feliz dia dos namos minhas queridas e amadas leitoras! \\o/

V6 estão acompanhando os jogos da copa coladinhas c/ seus namos? Fla sério, eu n curto futebol, mas é a copa. S/ contar q vale a pena dá uma checada nos jogadores xDD

Well, fiz um extra, porque não se encaixava no tempo da fic e no fim que eu queria e também porque, convenhamos, esse capítulo 'tá uma vergonha de minúsculo, me desculpem!

E por último, mais uma vez Feliz dia dos Namos (se vc n tem um, agarre o Sirius ué *vendo labaredas arderem nos olhos de Cacto-sama* Ou n... e-e) e vamos torcer nessa copa! /o/

Bjin'


Extra

Lily estava deitada num dos grandes sofás da sala de estar, no apartamento de James. De James entre aspas, já que os amigos dele praticamente viviam ali, apesar de terem seus próprios lares.

A manta embaixo dela, tornava o local mais confortável, já que o imóvel era de couro. Escolha suspeita feita por Sirius, James sempre fazia questão de ressaltar. "Couro preto, isso lhe diz alguma coisa, huh?". Ele lhe dirigia aquele olhar significativo, por cima da armação de seus óculos.

E cabia a ela dizer que a escolha cafona e duvidosa era dele, que não adiantava ele pôr a culpa no pobre do Six, quando este não estava presente para se defender. O que lhe rendia muitos beijos da parte de James, para provar que era macho.

Claro que quem saia ganhando era ela, dut.

- Por que você se candidatou a síndico do prédio? - ela aproveitou que as mãos maravilhosas do seu namorado (sim, seu maravilhoso e delicioso namorado) estavam lhe acariciando as madeixas naquela tarde rara e especialmente morna num domingo de outono, para satisfazer sua curiosidade milenar.

Era óbvio que depois de meses namorando aquele maroto, Lily havia notado que tudo poderia combinar com ele, menos responsabilidade e deveres. Não que ele não fosse capaz de realizar um trabalho esplêndido como síndico, era somente que... Era impossível imaginá-lo se candidatando de boa e espontânea vontade para o cargo.

As mãos não vacilaram por entre os cachos ruivos e macios, muito menos os olhos dele se desgrudaram da tela do notebook ao seu lado.

- Por que o interesse? - suas palavras vieram aveludadas e sem deixar transparecer que haviam lhe incomodado, o que multiplicou a persistência de Evans em conseguir não somente uma resposta satisfatória, como a atenção total dele.

O que tinha de tão importante naquele note?

- Não sei... - ela rodou o corpo e se apoiou sobre os cotovelos, as orbes verdes agilmente se colando à tela do notebook - Só acho qu...

Plackt.

James havia fechado o eletrônico e a encarava entre desconfiado e mais uma emoção que ela não sabia definir qual era...

- ... Por que você fechou seu note? - ela prontamente sentou e escrutinou o namorado dos pés a cabeça, com mais suspeitas ainda.

- Para lhe dar total atenção - ele discretamente empurrou o aparelho para mais longe de ambos, para o fim do sofá e se esticou para beijar Lily.

Ela desviou e apontou, mortalmente ultrajada, o objeto - Você o afastou de mim de propósito!

James revirou os olhos - Claro que não. E o que aconteceu com a sua insaciável curiosidade sobre o fato de eu ter virado síndico? - ele lhe lançou aqueles sorrisos derretedores de corações e insistiu numa segunda aproximação com aqueles braços furtivamente quentinhos e másculos e...

Há! Mas se ele acreditava que com isso a desviaria de seus intentos detetivescos, estava redondamente enganado!, Lily engatinhou para a ponta oposta a tempo de escapar da investida maléfica (baixa, machista, do demônio!) com os olhos arregalados e a boca contorcida de desgosto, diante de tamanho desrespeito advindos do ser intitulado: seu namorado.

- O que foi? - uma ruga incerta surgiu acima do nariz de Potter enquanto seus braços (isso, isso!, agradeceu Lily) retornaram para seu lugar de origem (longe de mim, longe de mim!, ela completou em pensamentos de alívio).

Ela tinha metas muito mais sérias para cumprir.

Avaliando-o mais uma vez, ela lhe apontou um dedo indicador e trêmula (trêmula?, que vergonha Lily, ele não pode estar te traindo, não pode!, ela se repreendeu) a mão restante foi aos lábios, denotando descrença e certo espanto.

- Você 'tá me traindo! - sua voz saiu esganiçada e mais aguda do que pensara ser o normal.

James a fitou completamente confuso e começou a mover os braços (oh...) na direção dela.

Ele gaguejou o que seria o início de uma desculpa fajuta, ela tinha absoluta certeza.

Nãããão!

- Não! - desta vez ela não pode evitar se elogiar por seu timbre ter soado firme e forte - Eu sabia que esse dia chegaria, eu sabia! É por causa do vômito, não é? - ela lhe dirigiu o famigerado olhar cerrado e James, como que eletrocutado, ficou de pé.

Mais do ninguém ele sabia o que aquilo significava.

- Vômito? Lily! Isso foi há mais de meses! - ele exasperou-se, a gagueira banida da face da terra ou ele seria o exterminado.

- 'Tá vendo! Meses! Você sabe a data! Você sabe! - mais dedos apontados com veemência (oh... Veemência não!, James suplicou em pensamentos) para ele.

- Não, não foi isso que eu disse - ele massageou a região próxima da ponte do nariz, a ruga sumindo dali para dar lugar a um desespero que antevinha facilmente o que o esperava se ele não conseguisse demover aquela idéia MALUCA da cabeça de sua namorada.

- Foi isso sim! Eu ouvi com esses meus ouvidos! - ela esticou as próprias orelhas, tão beijáveis na opinião de James e agora machucadas em vão, e abriu os braços com exagero, como toda vez em que se irritava.

Exagero não... Ele pediu aos céus que intercedessem ao seu favor. Ele não era culpado, ele não dissera nada, não fizera nada!

- O que você ouviu?

Um Sirius curioso indagou da porta do apartamento, dando espaço para Remus também adentrasse o lar. Ambos com sacolas de supermercado nas mãos.

James agradeceu quando viu as feições de Lily suavizarem devido à interrupção.

- Você deve saber Sirius... Sim, você deve - os olhos verdes retomaram o brilho perigoso ao se focarem na figura do melhor amigo de Jay e este prometeu a si mesmo que faria tudo o que o Black lhe pedisse por um dia.

Hum... Isso já é demais. Por meia hora era mais do que o bastante. Nunca se poderia confiar cegamente, muito menos tendo miopia, em Sirius Black.

Sirius sinalizou para Remus seguir com as compras para a cozinha e com uma das mãos na cintura, aguardou que a ruiva completasse sua idéia enquanto que James gesticulava freneticamente para o amigo.

- Você acha que o Potter... - Potter!, James sentiu que sua cabeça estaria rolando pelo tapete da sala em menos de dois minutos depois dessa - ... seria capaz de traição?

Sirius gargalhou.

É, estou morto. James colou suas mãos na parede e bateu com a testa no concreto.

- Ele é um emasculado longe de você Lily - Sirius disse, a voz ainda animada e com resquícios da sua risada.

A mulher se virou intrigada para James e às suas costas Black ergueu ambos os polegares em positivo para James, plastificado no rosto charmoso um sorriso trinta e dois dentes.

Ainda tonto pela revira-volta, Potter passeou seu olhar receoso entre as duas pessoas que permaneciam no ambiente, não tendo determinado o que deveria fazer ou falar para qualquer uma delas.

Sua namorada indecisa entre continuar aborrecida, somente para manter intacto seu orgulho, e pedir desculpas. E Padfoot fazendo poses obscenas antes de levar um tapa na nuca de Remus e ser arrastado para a cozinha.

Com os olhos ora no chão, ora no rosto de James, Lily contorcia as mãos atrás das costas - James... - ele enfim a centralizou no seu campo visual e absorveu as mudanças no comportamento feminino.

É, ele havia escapado.

Desumano seria qualquer um no seu lugar obter sucesso em reprimir um sorriso.

- Então, acho que você quer saber porquê me tornei síndico, não?

~Fim~