Yo minna!
Aqui estou eu novamente, agora trazendo o terceiro capítulo de MIRAI E! Nesse capítulo o treinamento da Saky e do Shao vai começar realmente... Ui, iu, ui, muita coisa ainda está por vir!
Disclaimer: CCS não me pertence e sim ao CLAMP (como se vocês já não estivessem carecas de saber disso! ¬¬).
CAPÍTULO III
O sol ainda nem havia despontado no horizonte, a penumbra ainda cobria a terra, quando o velho mestre Yun e seu ajudante Shin, se aproximaram do quarto, onde estavam dormindo Sakura e Shaoran.
Cada um carregava um pequeno balde cheio de água gelada.
O mestre chinês abriu, bem devagar, a porta do quarto e os dois homens entraram, lentamente, no aposento.
Shin tropeçou sem querer num tênis, que estava no chão e quase caiu, Yun olhou para ele e levou o indicador aos lábios, advertindo que o outro fizesse silêncio.
O mestre olhou para as duas pessoas que dormiam tranqüilamente, como anjos.
Sorriu maquiavelicamente e se posicionou ao lado da cama onde estava Sakura, Shin fez o mesmo, só que ao lado do colchão em que Li dormia. Os dois homens levantaram seus baldes acima dos corpos dos jovens que estavam deitados e, ao mesmo tempo, ambos despejaram a água em cima de Sakura e Shaoran.
- MAS O QUE DIABOS...? – gritou Li se levantando assustado
- O NAVIO ESTÁ AFUNDANDO! ABANDONAR O NAVIO! – berrou Sakura, dando um salto da cama e caindo sentada no chão – Hã? Mas o que aconteceu? Cadê o navio? – perguntou, olhando de um lado para o outro, desorientada.
- Que bom que acordaram, belas adormecidas - O mestre Yun falou com um sorriso nos lábios.
Sakura e Li olharam para seus corpos molhados, trocaram um olhar e em seguida encararam os dois homens que estavam no quarto.
Estavam totalmente confusos.
- Mas o que aconteceu aqui? – perguntaram ao mesmo tempo.
- Creio que vocês foram apresentados ao meu método de acordar os jovens discípulos. - o velho mestre esclareceu – O que acharam?
- O senhor jogou água na gente, mestre? - perguntaram os jovens, de novo ao mesmo tempo.
- Na verdade creio que só joguei água na jovem Sakura, foi o Shin que molhou o jovem Li. – respondeu Yun.
Diante das expressões confusas dos adolescentes à sua frente, o velho mestre chinês resolveu explicar para eles o que tinha acontecido.
- Quero que saibam que, a partir de hoje, vocês terão que se levantar antes do alvorecer, para treinar, senão serão acordados dessa maneira pouco suave, mas muito eficaz.
- Então por que o senhor não nos avisou ontem? – retrucaram os jovens, de novo em uníssono.
- Ah, eu não avisei não, foi?
- Não – responderam os dois ao mesmo tempo.
- Acho que esqueci – falou ele num tom de fingido arrependimento – Mas agora vocês já sabem, então vamos deixar de papo furado! Vão logo se arrumar para treinar.
- Tá certo! – responderam, de novo, em uma só voz os dois discípulos.
- Pelo amor dos deuses, parem com isso, que já estão me assustando! Por acaso vocês combinaram de falar ao mesmo tempo, foi? – exclamou Yun.
Sakura e Li se encaram sem graça.
- Se apressem, porque se demorarem muito vão ficar sem tomar o café da manhã! – com essas palavras, o mestre saiu do quarto, seguido pelo silencioso Shin.
- Esses dois são malucos. – comentou Sakura, olhando para a porta que se fechara após a saída dos dois homens.
Shaoran balançou a cabeça concordando.
- Pelo visto, passarei esse ano cercado por pessoas totalmente loucas. – falou olhando cinicamente para Sakura.
- Oh céus, já começou! – suspirou Sakura, olhando para o teto, como se estivesse esperando por uma intervenção divina – Não vou dar a você o gostinho de me irritar logo cedo, seu chinês cara de pau! – disse a garota com os olhos semicerrados, apontando para ele o dedo indicador em riste, depois pegou a roupa que tinha separado na noite anterior e saiu do quarto indo em direção ao banheiro.
- Então isso significa que terei que me esforçar mais, não é? – falou Li para o quarto vazio.
Sakura escovou os dentes, fez um coque nos cabelos e tomou um banho rápido, depois de se vestir, ela penteou as madeixas num rabo de cavalo e foi tomar o desjejum.
Estava ansiosa para começar o treinamento.
Ao chegar na cozinha, notou que o mestre e Shaoran já estavam à mesa.
- Sente-se para comer, jovem Sakura - convidou, animadamente, Yun.
Comeram rapidamente e após terminarem de tomar o café da manhã caminharam até a sala de estar, de onde mestre Yun chamou seu ajudante e falou algo ao ouvido dele, que saiu apressadamente da sala.
- Jovem Li, peço-lhe que nos aguarde lá fora, pois tenho algo a tratar com Sakura. E aproveitando que estará lá sem fazer nada, vá empilhando a lenha, que está no quintal, viu? – disse Yun com um meio sorriso no rosto.
Li acenou que sim com a cabeça e saiu da sala lançando um olhar fulminante para Sakura.
Quando os dois ficaram sozinhos, mestre Yun olhou seriamente para Sakura.
- Talvez você não goste muito do que vai acontecer aqui, jovem Sakura, mas não terá outra escolha. – Mal terminou de falar, Shin voltou para a sala.
Sakura prendeu a respiração quando viu o que ele trazia nas mãos.
Uma tesoura.
"O que será que o mestre quer com a Kinomoto?" – se perguntou um irritado Li, enquanto empilhava a lenha. - "E por que me pediu para sair da sala? Droga! Será que ele acha que eu não sou se confiança?" – ficou ainda mais irritado quando pensou nessa possibilidade. - "O que diabos ele tem para falar com aquela japonesa, que eu não posso ouvir?" – continuou se irritando cada vez mais.
- Japonesa bobalhona! – falou e atirou com força uma lenha em cima das que já tinha empilhado fazendo com que o monte desabasse no chão.
- Droga!- gritou possesso e chutou uma acha de lenha que estava a seus pés, só que atrás dela tinha uma pedra de tamanho razoável.
O jovem estremeceu de dor e começou a saltar de um pé só, segurando o outro que estava doendo como o diabo.
- Mas que mer... – engoliu o resto da imprecação.
Ainda segurando o pé doído, olhou para a lenha toda espalhada.
– Agora vou ter que começar tudo de novo... Diabos! – voltou a empilhá-las.
Uns dez minutos se passaram e nada do mestre e da Sakura saírem da casa.
Shaoran terminou o trabalho e se sentou no chão para aguardar a volta dos dois.
"O que será que está acontecendo? Eles estão demorando demais!" – mal acabou de formular esse pensamento e a porta da casa se abriu, dando passagem ao mestre Yun e Sakura, que vinha logo atrás dele.
Só que ela estava um pouco diferente...
- Acho que já demoramos demais, me acompanhem, que o treinamento vai começar – falou o mestre, indo em direção aos fundos da casa.
- Não diga nada! – falou, por entre dentes, Sakura, ao passar por Shaoran.
Ele apenas levantou uma sobrancelha e se pôs a segui-los, achando tudo aquilo muito estranho e se perguntando o porquê do mestre ter feito isso com aquela garota.
Sakura, que seguia mais a frente, rezava para que o tal Li não fizesse nenhum comentário ridículo sobre a sua pequena mudança.
"Se ele fizer o menor comentário que seja, será a última coisa que dirá em vida!" – pensou decidida.
Flashback
- Talvez você não goste muito do que vai acontecer aqui, jovem Sakura, mas não terá outra escolha. – Mal terminou de falar, Shin voltou para sala.
Sakura prendeu a respiração quando viu o que ele trazia nas mãos.
Uma tesoura.
- Uma das exigências que faço aos meus discípulos, sejam eles homens ou mulheres, é que mantenham os cabelos curtos então... – explicou o mestre.
Sakura se manteve num mutismo absoluto, será que entendera bem, teria que cortar o seu cabelinho?
- Não precisa se preocupar, Sakura, Shin sabe cortar cabelo muito bem, não é Shin? - o ajudante do mestre acenou com a cabeça que sim.
A garota lançou um olhar para o ajudante de Yun, na verdade, para a careca dele.
"Como ele pode saber cortar cabelo se não tem nem um fio na cabeça?" – se perguntou.
- Tudo bem, Sakura? – questionou o mestre, pois ela não dava sinais de vida, apenas encarava fixamente a tesoura que Shin tinha nas mãos.
Sinceramente, ela não estava nem um pouco feliz com a possibilidade de ter seus longos cabelos cortados, mas depois de tudo o que passou para chegar até ali, não iria fraquejar diante do primeiro desafio.
- Sim – respondeu ela num fio de voz
Então, o mestre indicou que ela se sentasse numa cadeira.
Enquanto caminhava, até a tal cadeira, ela desfez o rabo de cavalo que prendia seu cabelo.
As madeixas, soltas, chegavam até quase o final das costas.
Sakura sentou respirando fundo e fechou os olhos quando sentiu Shin começar a cortar-lhe os fios cor de mel, que caíam no chão.
O único ruído que ela ouvia era o tilintar da tesoura.
Quanto tempo passou, se minutos ou horas, Sakura não sabia dizer, mas num certo momento Shin lhe tocou nos ombros, indicando que havia terminado... Só então a garota abriu os olhos.
- Você ficou ainda mais bonita, Sakura! – exclamou mestre Yun.
Com o coração batendo forte a japonesa passou a mão pelos cabelos e percebeu que agora chegavam até a metade de seu pescoço. Uma expressão de desalento tomou conta de seu rosto.
- Não fique assim jovem, você ficou belíssima, esse corte de cabelo realça seu lindo rosto. – Sakura ouviu dizerem e descobriu que quem tinha falado foi Shin, a garota se espantou, pois essa era a primeira vez que ouvia o homem falar.
O mestre havia dito que ele raramente falava e o fato dele ter feito isso para confortá-la, fez com que um sorriso viesse a seus lábios.
- Muito obrigada Shin – disse com um lindo sorriso iluminando-lhe o rosto, o homem sorriu em resposta.
- Bem, é melhor nós irmos logo, já está muito tarde, precisamos dar início ao treinamento. – disse o mestre com um meio sorriso.
Fim do flashback
Chegando aos fundos da casa o mestre entregou dois baldes para cada um dos jovens.
- Para começar o dia de treinamento vocês terão que encher aquilo ali com água. – disse, apontando para uma caixa d'água que deveria ter mais ou menos dois mil litros.
Sakura e Li não entenderam o pedido de Yun, mas resolveram não discutir com o ancião, então se puseram a caminhar até as margens do rio.
- Para onde vocês estão indo? – questionou o velho.
- Ué, buscar água! – respondeu Li
- E por acaso eu falei que era para vocês trazerem água do rio?
- Então de onde devemos trazer a água? – perguntou Sakura, confusa.
- Existe uma fonte que dá a água mais pura das redondezas...
- E onde ela fica? – perguntou Li
- Não muito longe daqui, fica aos pés dessa montanha.
- O senhor quer dizer que teremos de descer aquela escadaria? – perguntou Sakura, espantada.
- Sim.
- Mestre, ela é gigantesca, e precisaremos fazer muitas viagens para encher aquilo! – argumentou a garota, não acreditando em seus ouvidos.
- Eu não disse que seria uma tarefa fácil. E se eu fosse vocês me apressaria, porque o tempo está passando e o sol logo estará quentíssimo, mesmo estando numa montanha os dias aqui são quentes nessa época do ano. – comentou o mestre, caminhando em direção a casa.
– Ah, já ia me esquecendo! – exclamou se voltando para Sakura e Li - Nada de comida antes de encherem a caixa, ouviram? – avisou e retomou o caminho de casa.
Os dois jovens permaneceram estáticos, encarando as costas do ancião que se afastava lentamente.
- É melhor começarmos de uma vez – sugeriu Shaoran.
- Tem razão. Quanto mais cedo começarmos, mais cedo terminaremos.
Ao olhar para aquela imensidão de degraus Shaoran soltou um longo suspiro.
"Pelo visto, essa será uma longa manhã!" – pensou desanimado.
Os dois começam a descer a imensa escadaria que devia ter, pelo menos, quinhentos metros de extensão.
A manhã já estava quase acabando, Sakura e Shaoran tinham feito oito viagens e só tinham conseguido atingir um pouco mais que a metade da caixa d'água.
O sol estava a pino.
Nesse momento estavam descendo mais uma vez as escadas.
O estado de Sakura era péssimo.
Estava molhada de suor, suas pernas estavam bambas e ela sentia como se sua cabeça fosse um ovo cozido. Lançou um olhar para Li, que seguia descendo uns seis degraus a sua frente e notou que ele estava em melhores condições que ela, pois só percebeu uma leve camada de suor cobrindo a pele dele.
"Esse cara deve ser um monstro!"– pensou - "Não, na verdade, até um monstro, a essa altura, já deveria, pelo menos, demonstrar algum sinal de cansaço... Ele deve ser algum tipo de andróide! Ou quem sabe..." – Lançou um olhar para as costas desnudas dele (desde a terceira subida o chinês havia tirado a camisa) – "Um deus grego ou um semideus, como Hércules..." – completou com um sorriso, se lembrando do jogo de músculos que ele exibia.
- Até quando vai ficar parada aí, sonhando acordada, hein? Termina logo de descer e vem encher os baldes com água, sua tonta! – ela ouviu a voz de Li, que devia estar lá na fonte.
Sakura não percebera que tinha parado de descer.
"Retiro o que eu disse! Se esse cara fosse um deus grego deveria ser o intimidador e insensível Hades, deus do mundo inferior, que guarda os mortos."
- Já vou, já vou! – gritou em resposta e terminou de descer rapidamente as escadas.
A fonte que o mestre indicara era bem próxima da escadaria e sua água era límpida e fresca, mais até, do que a do pequeno rio que passava perto da casa de Yun.
Quando Sakura bebeu daquela água pela primeira vez percebeu o porquê de o mestre preferir consumi-la, era deliciosa.
Ao chegar lá, viu que Shaoran havia molhado os cabelos e agora estava bebendo um pouco de água. Resolveu imitá-lo e se refrescar um pouco.
Com as mãos em concha pegou um pouco de água e passou no rosto e, em seguida, pegou outro bocado de água e jogou nos cabelos, ainda não tinha se acostumado com o novo cumprimento deles, mas até que estava achando que não tinha sido tão má a idéia de cortá-los, pois se já estava sentindo um calor enorme com eles curtos, imagine se estivessem longos?
Com certeza já teria derretido!
Sem comentar que também era mais prático mantê-los curtos, na verdade usara-os nesse mesmo cumprimento durante boa parte da infância e só sentira tê-los cortado, porque já tinha se acostumado com eles compridos.
"Só queria saber o que a Tomoyo diria ao saber que eu permiti que um total desconhecido cortasse meus cabelos"- pensou divertida se lembrando de que, quando era criança, sua prima sempre os aparava e não permitia que ninguém mais o fizesse.
"Puxa vida, mais que calor!" – pensou jogando mais água nos cabelos.
Olhou de esguelha para Shaoran e o viu sem camisa, enchendo os baldes dele, depois mirou a sua camiseta molhada de suor. Estava louca para tirá-la, já que estava com um top por baixo, mas estava indecisa.
Nisso ela sentiu uma gota de suor escorrer por suas costas, acabando com a sua indecisão. Colocou as mãos na barra da camiseta e a tirou pelo pescoço.
Shaoran terminou de encher os seus baldes e já ia se pôr a caminho quando olhou para Sakura.
- Vamos logo, Kino... - parou de falar no meio da frase, pois perdeu a capacidade de organizar as palavras de modo coerente, diante da visão que teve.
"Oh, droga!"
A japonesa havia tirado a camiseta, que estivera usando, e agora exibia aos seus olhos espantados um top preto, deixando à mostra os ombros e a barriga.
E que barriga!
"Pelos deuses que corpo maravilhoso!" - pensou maravilhado.
Já tinha notado que a garota era bonita, com aquele rosto angelical que ela possuía, mas sem dúvida o corpo que ela estava exibindo agora era de uma diaba.
"Uma irresistível diaba" - pensou ainda em transe enquanto a observava levar as mãos em concha até os lábios para beber água.
Uma gota do líquido cristalino escorreu pelo corpo dela, fazendo com que Li corasse levemente.
- Algum problema Li? – perguntou a garota o encarando com um sorriso zombeteiro nos lábios.
- Nã-não é nada, vamos logo embora, Kinomoto. – conseguiu dizer e praticamente correu em direção as escadas.
"O que será que deu nele?" – se perguntou Sakura, enquanto pegava seus baldes e o seguia - "Garoto maluco!" - balançou negativamente a cabeça.
Ao chegarem ao topo da montanha, eles viram o mestre Yun próximo a caixa d'água.
- Ei mestre, é quase meio-dia, será que podemos fazer uma pausa para o almoço? – perguntou Sakura esperançosa.
- Nada de descanso até vocês terem terminado o serviço, se querem almoçar é melhor trabalharem mais rápido – após dizer isso ele se pôs a caminho da casa.
- Estou começando a achar que esse mestre Yun é um ditador sem alma nem coração. – comentou Sakura - Se querem almoçar é melhor trabalharem mais rápido! – falou imitando o timbre trêmulo do mestre – Hum... Sei! – resmungou.
Shaoran achou graça do comentário da japonesa, mas manteve o semblante sério.
- Ele está certo, você é que é preguiçosa – comentou enquanto despejava a água na caixa, mesmo concordando com cada palavra que a japonesa dissera.
- O que você disse? – se enfureceu Sakura.
- O que ouviu. - se colocou mais uma vez a caminho da escadaria
- Ora seu...! – Sakura soltou um suspiro ao perceber que ele a tinha deixado sozinha, pois já havia começado a descer as escadas. – Que cara chato, é até pior que o Touya! – resmungou indo em direção aos degraus.
Mais duas horas de subidas e descidas e eles conseguiram terminar o trabalho.
- Ah! Finalmente!- falou Sakura se jogando no chão, sob sombra de uma árvore.
Shaoran se manteve calado e se sentou na sombra da árvore também.
Soltou um suspiro cansado.
Sakura sentia que não podia mexer nem um músculo de seu corpo, mas de repente uma ótima idéia a ocorreu. Levantou-se depressa tirando os tênis e correu até o rio dando um mergulho, diante do olhar surpreso de Shaoran.
Ficou um minuto submersa até que retornou à superfície.
- Ah, que delícia! Ei Li, por que você não vem também? A água está uma ma-ra-vi-lha!– exclamou feliz
Shaoran se levantou.
Só entraria no rio porque estava derretendo e não porque aquela japonesa espevitada o convidara.
Correu e deu um mergulho sentindo a água fria acabando com o seu calor. Voltou à superfície ao lado de Sakura.
- Realmente essa água está agradável – falou o rapaz - "Não tanto quanto a visão que estou tendo" – completou em pensamento olhando Sakura, que nesse momento, de olhos fechados, passava a mão por entre os cabelos molhados, jogando-os para trás.
Sentiu-se como num sonho.
- Eu não te disse? – comentou a garota abrindo os olhos.
Ao encará-lo engoliu em seco.
"Ai minha nossa! Que cara bonitão!" – pensou admirando o peito largo e bem definido de Li e se aproximou um pouco dele. - "Será que os músculos dele são tão firmes quanto parecem?" - se perguntou admirando o peito largo, enquanto gotículas de água escorriam por ali.
Não percebeu que estava estendendo o braço na direção do rapaz, que não tirava os olhos dela.
De repente, se deu conta do que estava prestes a fazer e balançou a cabeça de um lado para o outro afastando da sua mente aqueles pensamentos estranhos.
- É melhor entrar, estou morta de fome – falou se pondo a nadar até a margem, deixando Li para trás.
Shaoran despertou do transe em que se encontrava e observou a garota sair do rio.
"Mas no que é que eu estou pensando? Essa garota é minha inimiga! Eu a detesto! Meu único interesse nela é em humilhá-la e tomar as cartas" – pensou vendo Sakura parar, pegar o tênis dela e caminhar em direção da casa – "Detesto essa garota!" - completou seu pensamento observando a calça que Sakura estava usando colar no corpo dela, revelando o contorno do quadril e das pernas.
Sentiu um arrepio.
- Eu a detesto – falou em voz alta, tentando afastar uma sensação incômoda que o invadiu.
Pôs-se a nadar até a margem.
Depois de se trocarem, os dois foram almoçar e comeram como dois refugiados, sob os olhares admirados do mestre Yun e de Shin.
Após vinte minutos devorando tudo o que estava à frente deles, se recostaram na cadeira e suspiraram satisfeitos.
- Hum-hum... (sim, sim! Entendam isso com se eu tivesse escrito que ele pigarreou) Muito bem, agora que terminaram de ruminar... Digo de comer eu lhes darei meia hora para que descansem um pouco, depois me encontrem no salão de treinos – falou Yun e apontou para uma porta que ficava nos fundos da casa, perto da cozinha.
Em seguida, o velho se levantou e saiu da casa pela porta dos fundos se perdendo por entre as árvores do quintal.
Shaoran se ergueu da mesa e encarou friamente Sakura, que terminava de tomar um copo de suco.
- Estou indo para o quarto, nem pense em ir para lá, ouviu? – disse ele e caminhou em direção ao aposento em questão.
De onde estava Sakura pôde ouvir a porta bater violentamente.
- Nossa, que cara mal-humorado! – falou Sakura para Shin, que manteve o semblante neutro, e já que o garoto se fechou lá no quarto, resolveu ir dar um passeio lá fora.
Saiu da casa e caminhou, sem destino, apreciando a bela paisagem.
"Minha nossa, estou tão quebrada quanto uma pessoa que pulou de um edifício de trinta andares e se espatifou no chão!" – pensou enquanto alongava os ombros e os braços, que estavam doendo bastante.
- Ai! Retiro o que eu disse, estou mais quebrada que isso – falou baixinho levando uma das mãos até as costas, onde tinha sentido uma pontada. – Caramba, estou toda doída! – completou massageando as costas.
Mesmo sentindo dores por todo o corpo ela continuou caminhando, até que se viu em frente daquela árvore que lhe transmitiu tanta paz, no dia anterior, pouco antes da disputa mágica com Li.
- Nos encontramos de novo, não é? – se deitou de costas sob a sombra dela, apoiando a cabeça com os braços.
Suspirou e fechou os olhos, começando a pensar nos familiares que tinha deixado no Japão.
Sentiu a saudade atingi-la.
Parecia que fazia anos que não os via e na verdade se despedira deles na manhã do dia anterior.
- "Puxa, como eles fazem falta!" – pensou e foi tomada por recordações de seu pai, Touya, Tomoyo, Yukito, Kero... E foi pensando neles, que ela começou a sentir o sono a envolver e, após alguns instantes, adormeceu.
Começou a ter um sonho muito estranho. Primeiro sentiu uma dor imensa no peito, sentiu também uma fraqueza enorme tomando conta de seu corpo e uma grande escuridão envolvê-la, depois teve visões distorcidas de uma batalha.
Luta.
Muito sangue.
Um medo horrível a dominou.
E por último ouviu um vulto negro gritando seu nome, pedindo algo que ela já não podia dar, sentiu o desespero invadi-la...
Sakura acordou sobressaltada e ofegante, levou a mão até o peito, que doía absurdamente, e inspirou profundamente tentando normalizar a respiração.
"Kami sama! Mas o que foi isso?" – pensou se sentando, ainda com a mão no peito.
- Ainda bem que foi só um sonho... – falou num sussurro. - Será que foi uma premonição? - Aflita passou uma das mãos pelos cabelos. – Tomara que não! – completou se lembrando da dor e do desespero que sentira no sonho.
Levantou-se com dificuldade e se apoiou no trono da árvore, com os olhos fechados, ainda tentando normalizar a respiração.
Estava assustada, nunca tivera um sonho tão forte quanto esse.
- Não adianta me preocupar com isso agora. – decidiu se desencostando da árvore – Por hora, é melhor eu ir me encontrar com o mestre, já deve ter passado meia hora - soltou um longo suspiro e caminhou, com passos vacilantes, até a residência do velho mestre.
Não sabia ela que fora observada por Yun todo o tempo em que esteve ali.
- É jovem Sakura, vejo que teve uma breve visão do que a espera! – sussurrou Yun com expressão preocupada – Mas sei que você conseguirá vencer todas essas dificuldades e no final tudo acabará bem... Disso eu tenho certeza – completou o mestre, que com essas palavras, se pôs a caminho de sua casa.
No quarto, Shaoran acordou do breve cochilo que tirou e, ainda se sentindo um pouco dolorido, se sentou na cama e massageou com a mão esquerda o ombro direito. Bocejou, se levantou da cama e saiu do quarto caminhando em direção da sala de treinamento.
Ao passar pela cozinha observou Shin preparando os ingredientes do jantar.
- Boa tarde, Shin – cumprimentou amavelmente e recebeu um aceno de cabeça e um meio sorriso em resposta.
Shin não falava muito, na verdade, Li nunca ouvira o homem pronunciar nenhuma palavra, mas sabia que esse era o jeito dele, então não deu muita importância ao fato. Ao olhar pela porta da cozinha viu Sakura caminhando lentamente em direção a casa, e resolveu entrar logo na sala de treinos.
Ao entrar percebeu que se tratava de um salão de tamanho razoável, onde se encontrava, a um canto, um armário de tamanho médio e, ao lado dele, diversos tipos de armas como, espadas, bastões e adagas.
Aproximou-se dos objetos e observou que eram de excelente qualidade.
Ao passar seu olhar por entre os armamentos, notou uma espécie de varinha de mais ou menos sessenta centímetros, estranhou ver aquele objeto ali, mas logo esqueceu o fato e se perguntou por que Sakura estaria demorando tanto, se pouco antes a tinha visto se aproximando da casa, pensando nisso ele pegou uma das espadas que estavam ali e ficou admirando o excelente fio que ela tinha.
Nesse momento, a porta se abriu dando passagem ao mestre Yun.
Sakura entrou na cozinha, ainda um pouco perturbada pelo sonho que teve, sentou-se numa cadeira e apoiou os cotovelos na mesa escondendo o rosto entre as mãos.
Sua cabeça doía um pouco.
Sentiu algo ser colocado na sua frente e, ao tirar as mãos do rosto, viu que Shin tinha lhe servido uma xícara de chá.
- Obrigada, Shin – agradeceu
O homem apenas lhe sorriu em resposta.
Nesse momento, mestre Yun entrou na casa e lançou um olhar à Sakura, esta tomou rapidamente um gole do chá e se pôs de pé para ir para sala de treinamento.
- Não se apresse jovem Sakura, pode tomar seu chá tranqüilamente, eu e o jovem Shaoran estaremos aguardando - após dizer isso ele caminhou até a sala de treinos, não sem antes lançar um olhar agradecido a Shin, que acenou em resposta.
Sakura não entendeu nada, mas não discutiu, num instante tomou o chá e correu para o salão de treinamentos, agradecendo mais uma vez a Shin.
Ao entrar na sala, Yun viu Shaoran analisando com interesse uma de suas espadas.
- Vejo que se interessa por espadas, jovem Li – disse o mestre assustando Shaoran, que estava muito entretido com o objeto.
O rapaz corou um pouco e colocou a espada no lugar em que estava antes.
- Boa tarde, mestre, me desculpe eu só estava...
- Não se preocupe garoto, como meu discípulo você pode utilizar qualquer um desses armamentos aqui.
– Obrigado! A Kinomoto ainda não chegou, o senhor quer que eu vá chamá-la? – perguntou, vendo o ancião pegar a varinha que tinha chamado a sua atenção antes.
- Não se preocupe, Li, ela teve alguns contratempos, mas já está chegando – respondeu o mestre.
- Que tipos de contra... – começou a perguntar o jovem chinês, mas foi interrompido pela entrada de Sakura. – Ainda bem que decidiu se juntar a nós, não é? - implicou Shaoran.
- Ora, vá cuidar da sua própria vida! – respondeu ela.
- Vamos deixar isso de lado – interrompeu o mestre, pois sabia que, se deixasse, aqueles dois passariam o resto da vida discutindo - Prestem bastante atenção ao que vou lhes dizer. – começou a caminhar pelo salão – Vocês têm um poder mágico surpreendente, mas notei que não sabem controlá-lo de maneira adequada, portanto nesta tarde começaremos a corrigir esse defeito. – comentou calmamente o ancião, se virando e encarando os discípulos.
- Desculpe mestre, mas o senhor acha mesmo que não sabemos controlar nossos poderes? – perguntou o rapaz – Bem, a Kinomoto talvez... Mas eu treino desde criança e domino bem a minha magia - disse Li e recebeu um olhar furioso de Sakura.
- Eu não falei que vocês não sabem controlar o poder de vocês, jovem Li, mas que não sabiam controlá-lo de maneira satisfatória.
- Como assim, mestre? – perguntou Sakura, que depois de tomar o chá oferecido por Shin estava se sentindo muito melhor e a cabeça já não doía mais.
- Quero que vocês, jovem Sakura, aprendam coisas essenciais como, atacar sem revelar sua presença mágica e sempre utilizando a quantidade certa de magia, habilidades como essas podem fazer a diferença numa batalha.
Os jovens se mantiveram calados, esperando que o mestre os dissesse de que modo poderiam controlar melhor sua magia.
- Vamos começar com um exercício básico de meditação – começou o mestre, batendo levemente na mão esquerda com a varinha que trazia na direita
– Se posicionem de maneira adequada.
Sakura e Shaoran fizeram como o mestre os ordenou e sentaram-se lado a lado no chão, em posição de lótus.
- Procurem sentir a sua aura, sintam o seu poder...
Passados alguns minutos de absoluto silêncio, Yun percebeu que seus discípulos não estavam conseguindo alcançar o objetivo da meditação. Então ele se aproximou lentamente dos dois.
- Será que vocês não conseguem nem realizar uma tarefa tão simples como essa? – bateu com a varinha na cabeça de Sakura, que se sobressaltou e soltou um gemido.
– Pelo amor dos deuses, até uma criança consegue fazer isso! – bateu na cabeça de Shaoran.
- Mas por que isso mestre? – questionaram os "agredidos" com as mãos na cabeça.
- Isso é para vocês pararem de tentar me enganar fingindo que estão meditando!
- Mas eu estava, mestre!
- É verdade Shaoran? Então por que eu não estou vendo resultado?
- Estamos tentando, mestre, mas é muito difícil! – argumentou Sakura.
- Então se esforcem mais! – gritou Yun – Vocês têm que sentir o poder dentro de vocês, por isso tentem de novo!
Os dois jovens se puseram a meditar de novo, ambos com a cabeça latejando no local onde o mestre tinha batido.
Uma hora se passou, seguida de batidas na cabeça, por parte do mestre e protestos, por parte dos discípulos.
Sakura tentava fazer o que o mestre pediu, mas não estava sentindo nada de diferente.
"Droga, desse jeito a minha cabeça vai estourar!" - pensou aflita, já se preparando para outra pancada, de repente uma idéia passou por sua cabeça e ela, então, resolveu tentar tirar de sua mente todos os pensamentos, deixando-a em branco.
Para sua total surpresa, após alguns minutos fazendo isso, começou a sentir dentro de si um calor anormal, como se algo estivesse queimando dentro de seu corpo.
Procurou se concentrar ainda mais e conseguiu ver uma luz rosa incandescente na sua frente, sentiu uma forte ligação com ela, como se a luz fosse ela própria.
Passou a analisar atentamente essa luz, percebeu que ela se movimentava de acordo com as suas vontades, ficando maior ou menor, rápida ou lenta. Sakura achava aquilo tudo muito interessante, mas de repente sentiu um poder estranho perto de si, uma luz verde tão intensa quanto a rosa.
A garota se assustou e abriu os olhos.
Ao olhar para o lado percebeu que Shaoran também tinha os olhos abertos e parecia tão espantado quanto ela.
O mestre se aproximou de ambos segurando a varinha.
Ao vê-lo Sakura e Li levaram rapidamente as mãos à cabeça e fecharam os olhos.
- Não se preocupem garotos, vocês finalmente atingiram o objetivo da meditação e não apenas sentiram o poder de vocês mesmos como também o do outro. – falou achando graça na reação dos dois. – É muito comum na primeira vez se assustarem ao sentirem a presença de outro poder mágico.
Aliviados os jovens reabriram os olhos e tiraram as mãos da cabeça.
- Então quer dizer que aquela luz verde que eu senti foi o presença mágica do Li, mestre? - perguntou Sakura
- Exatamente. E luz rosa que você sentiu, Shaoran, foi a presença mágica da Sakura.
- Quer dizer que o que acabamos de fazer foi sentir a presença do poder de quem possui magia? - perguntou Li e diante do aceno afirmativo de Yun formulou outra pergunta: - Então por que não sentimos a sua presença mestre?
- Porque eu estava escondendo a minha presença mágica. Logo vocês saberão como fazer isso e para tanto basta continuarem a praticar, com a meditação, o controle do poder mágico que têm. - respondeu o mestre.
Sakura e Shaoran acenaram que sim com a cabeça, estavam muito animados por terem aprendido algo novo.
- Bem, por hoje podemos encerrar o treinamento mágico – comentou o mestre se dirigindo até a janela do salão - E como ainda nem são cinco da tarde podemos voltar ao treinamento físico de vocês – completou analisando o céu.
A alegria que tinha tomado conta dos jovens discípulos desapareceu rapidamente quando ouviram o comentário de Yun.
Observaram o mestre caminhar até um armário que estava ao lado da janela. Suspiraram imaginando que tipo de sofrimento estaria por vir.
- Pela demora dos dois em realizar a tarefa de hoje de manhã, pude perceber que vocês estão muito fora de forma. Eu tenho que dar um jeito nisso imediatamente. – comentou ele procurando alguma coisa no armário.
- Fora de forma? – questionou Li espantado.
Desde criança que ele treinava e sabia que estava em ótima forma.
- Isso mesmo jovem Li, e para remediar isso vamos fazer um treino físico bem puxado, muito diferente do que tiveram pela manh... Achei! – exclamou de repente.
- Mais puxado! – se espantou Sakura. - "O que poderia ser mais puxado do que subir aquela maldita escadaria tantas vezes?" – se perguntou olhando, curiosamente, para o que Yun trazia nos braços.
- Peço-lhes que coloquem alguns acessórios que eu acho essenciais para o treinamento em artes marciais. – disse ele.
- Para quê precisaremos disto, mestre? – perguntou Li.
- Logo saberão... - respondeu o mestre entregando, a cada um deles, quatro objetos parecidos com largas pulseiras.
Ao pegarem os objetos, que o mestre oferecia, os dois discípulos foram jogados ao chão.
Eram muito pesados.
- Mestre quanto isso tudo pesa? – perguntou Sakura segurando os objetos e se levantando com dificuldade.
- Cada um desses acessórios pesa quinze quilos – respondeu simplesmente o mestre – Acho que isso é tudo o que vocês agüentariam.
Li olhou para aqueles "acessórios" e imaginou se teria mesmo que usar aquilo durante o treino.
- Mais o que diabos vocês estão esperando para colocá-los? Um convite? – resmungou o mestre.
Os dois jovens se apressaram e colocaram logo os pesados objetos, um em cada braço e perna.
- Agora eu quero que vocês demonstrem os golpes que sabem dar – disse Yun enquanto pegava a varinha que usava para bater neles.
Sakura e Li mal conseguiam se mover, mas se posicionam e começaram a dar uma demonstração do que sabiam fazer, contudo o peso extra que eles estavam carregando dificultava seus movimentos, tornando-os muito lentos.
- Minha nossa, será que eu estou treinando tartarugas... – gritou o mestre Yun ao mesmo tempo em que bateu na cabeça de Li com a varinha - Ao invés de gente? – completou acertando a varinha na cabeça de Sakura.
Os garotos levaram rapidamente uma das mãos até a cabeça.
- Ah, então vocês só são rápidos quando são expostos a dor, não é? - perguntou o mestre se preparando para bater mais uma vez neles.
- NÃO! – responderam rápido, os dois.
E fizeram um esforço maior para aplicarem os golpes com mais velocidade.
- Ainda não é a velocidade ideal mais ao menos é alguma coisa – comentou o mestre com um sorriso.– VAMOS! EU QUERO VER MAIS CHUTES! VOCÊS SÓ VÃO SAIR DAQUI QUANDO CONSEGUIREM APLICAR UM GOLPE DECENTEMENTE! – gritou.
E foi desse jeito que eles passaram as horas seguintes: dando chutes e socos no ar, carregando quinze quilos em cada braço e perna.
Já era noite, quando o mestre decidiu pôr um fim naquele torturante treino.
- Já chega! Espero que vocês consigam melhorar amanhã... Até a minha mãezinha seria capaz de derrotar vocês! – implicou ele.
Mas a essa altura do campeonato os dois jovens não seriam capazes de entender qualquer comentário zombeteiro do velho. Estavam "largados" no chão, o mestre nem precisou terminar de dizer que o treino havia acabado que eles se puseram a tirar aqueles "objetos de tortura".
Agora Shaoran estava sentado com os braços apoiados nos joelhos flexionados e Sakura estava estirada no chão, ambos suados e ofegantes.
- Vão tomar um banho para irem jantar! – ordenou o mestre, mas os dois discípulos permaneceram, ofegantes, onde estavam.
– Ah, já que os senhores relutam tanto em sair daqui eu não me importo nem um pouco em estender o treino por mais algumas horas! – após ouvirem isso Sakura e Li se levantaram abruptamente.
- Não é necessário, mestre! – gritou Sakura e correu em direção a porta por onde Shaoran já tinha saído em disparada
- Vocês só são velozes quando são ameaçados mesmo! – comentou divertido, o mestre, na sala vazia.
Após o jantar, Shaoran decidiu dar uma volta, mesmo estando muito cansado, pois sempre gostara de caminhar a noite.
Sakura, que estava se sentido como uma morta-viva decidiu se arrastar até o quarto antes que desmaiasse de sono ali mesmo na mesa, deu boa noite ao mestre e a Shin e se retirou.
Ao chegar no quarto colocou um pijama e se jogou na cama dormindo rapidamente. Ela tinha se esquecido completamente de que era a sua vez de dormir no colchão.
Após caminhar por entre as árvores durante alguns minutos, Shaoran se sentiu revigorado, sabia que isso iria acontecer, porque sempre que se sentia um lixo, depois de um dia de treinamento em Hong Kong, uma caminhada sempre o fazia se sentir maravilhosamente bem, mas mesmo assim resolveu ir dormir, pois tinha que acordar antes do sol nascer, senão seria acordado com um dilúvio matinal (ele estava se referindo ao método do mestre acordá-los).
Na verdade, Shaoran ainda estava um pouco surpreso com o método de treinamento do mestre Yun.
- Esse cara deve ter algum parafuso solto – comentou consigo mesmo, enquanto caminhava de volta à residência do velho chinês.
Shaoran ainda não se recuperara do comentário feito por Yun de que ele estava fora de forma, visto que treinava desde que era um garotinho.
- Ele só podia estar brincando... – mas aí se lembrou do dia de treinamento.
Sentira-se como uma pessoa que fora atropelada por um ônibus, depois de ter "sobrevivido" àquelas horas de martírio a que fora submetido.
"Talvez eu esteja fora de forma para o nível desse mestre, deve ter sido por isso que o meu treinamento em Hong Kong tenha se tornado mais árduo e se intensificado bastante nos últimos meses." - pensou com um suspiro.
- Pelo visto não se intensificaram o suficiente, o mestre é muito rigoroso – falou baixinho.
Começou a se lembrar de cenas de seu dia.
O sobe e desce de escadas, as batidas na cabeça, os pesos nos braços e nas pernas, as batidas na cabeça... E então veio a sua mente a idéia de que a garota japonesa tinha muita força de vontade, pois suportara tudo isso e permanecera firme, assim como ele.
De repente, surgiu nos pensamentos de Shaoran, a imagem de Sakura de top.
Sentiu um arrepio com a recordação.
E aí ele se lembrou dela toda molhada dentro do rio e de como sentira uma vontade louca de beijá-la, bastava apenas ter dado um passo para frente e... Corou, sacudindo a cabeça de um lado para o outro, afastando aqueles pensamentos impróprios de sua mente, no momento em que entrava na casa do mestre.
Tinha que parar de pensar naquela garota daquele jeito...
A casa estava mergulhada no silêncio e no escuro, já que todos tinham se recolhido cedo.
O jovem chinês foi até o seu quarto e entrou, pensando em como seria agradável passar uma boa noite de sono na cama, que apesar de dura, era melhor que o chão.
Surpreendeu-se ao notar que o objeto das fantasias, que acabara de ter, se encontrava dormindo, a sono solto, na sua cama.
- Mas o que significa isso? - perguntou ele, e como resposta, Sakura se virou na cama, ficando de barriga para cima.
- Se você pensa que eu vou abrir mão dessa cama por sua causa... Você está muito enganada, Kinomoto! – falou Li, e começou a sacudi-la pelos ombros.
- Ei Kinomoto! Kinomoto! – chamou, mas tudo o que recebeu como resposta foi um resmungo incompreensível.
- Kinomoto! – gritou ele.
- Ah! Vai Kero, eu acabei de me deitar, então ainda não pode ser a hora de levantar, não! – respondeu ela e se virou, lhe dando as costas.
- Kero? – se perguntou Li com uma sobrancelha erguida – Kinomoto... acorda! – Vendo que ela parecia não estar dando a mínima para os seus chamados, ele resolveu radicalizar.
Foi até o guarda-roupa e tirou de lá o colchão e um lençol.
Estirou o colchão no chão ao lado da cama, forrando-o com o lençol. Depois de ter arrumado tudo ele se dirigiu até Sakura.
-ACORDA! – gritou e a puxou pelo lençol fazendo com que ela rolasse na cama e caísse de costas, em cima do colchão.
O garoto se preparou para ouvir um monte de xingamentos, mas se surpreendeu com o que aconteceu. Esperava que ela dissesse qualquer coisa, menos o que disse...
- Terremoto...! – Sakura murmurou, abrindo levemente os olhos - Mas acho que dá tempo de eu dormir mais uns cinco minutinhos antes de procurar abrigo... – se virou de lado, colocando as mãos debaixo da cabeça.
Shaoran sentiu uma vontade louca de rir, mas se controlou, jogou o cobertor em cima de Sakura e se deitou na cama.
"Essa garota é mesmo uma figura!" – foi o último pensamento dele antes de dormir.
Continua...
Sim, sim galerinha estou ficando por aqui e desejo que vocês tenham apreciado o capítulo.
- apreciado!? Pelo amor de Deus que jeito de falar é esse? -
Tudo bem, tudo bem... Eu espero que vocês tenham curtido esse capítulo. E para que eu fique sabendo se vocês amaram ou odiaram é preciso que mandem reviews!
- Puxa vida, é mesmo uma vergonha que eu fique pedido reviews! Mas esse defeito é mais forte do que eu, então não posso fazer nada... ¬¬-
E falando em reviews eu gostaria de agradecer a todos que escreveram comentando a fic.
Valeu gente!
Sou só eu ou vocês também acham que esses dois não se odeiam tanto assim? Parece que uma atraçãozinha física está nascendo... Não percam o próximo capítulo!
Kissus.
Yuki O-ren.
