- Parte III: A histeria -
Por terem passado exatamente pelas mesmas situações ruins, Katherine e Sam estavam ficando muito próximos. Eles acabaram descobrindo que Katherine sabia muita coisa sobre os seres sobrenaturais e como combatê-los.
- Eu sei que é o seu pai, mas nós precisamos detê-lo. Essas mortes precisam acabar.
- Sim, é claro. O que eu mais quero é que essas mortes parem! O que vocês vão fazer? Vão jogar sal grosso e queimar o corpo dele?
Sam e Dean entreolharam-se, surpresos. Realmente, ela sabia muita coisa.
- Essa é a idéia.
- Teria algum problema se eu tentasse conversar com ele? Iria atrai-lo, e eu preciso entender por que ele está fazendo isso.
- Você é a filha dele, não podemos te impedir. - respondeu Sam, sorrindo, enquanto Dean virava os olhos, impaciente.
- Olha gente, a conversa tá boa, mas temos que agir. Descobrimos que o Sr. Wright fez as suas vítimas exatamente no lugar onde ele se matou. Então você vai para lá, Katherine. Enquanto isso, Sam e eu vamos para o túmulo dele. Você nos avisa quando for a hora de agirmos.
- Tudo bem. - assentiu Katherine, decidida.
- Toma cuidado, Kathy. Não é porque ele é o espírito do seu pai que ele vai ser bonzinho com você - advertiu Sam, olhando preocupado para Katherine.
Ela apenas o olhou com curiosidade, lutando para não sorrir. Ele a havia chamado de Kathy. Ninguém a havia chamado assim.
- Ei! Vamos deixar os galanteios para depois! Temos um espírito para deter, sabiam? - rosnou Dean, enérgico, acordando Katherine e Sam de seus devaneios.
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Katherine indicou o túmulo de seu pai no cemitério, e ao certificar-se de que eles estavam no lugar certo, ela seguiu para o local onde o espírito de seu pai estava dizimando aquelas vidas inocentes. O coração de Katherine batia depressa. Ela estava nervosa e com medo. Uma gota de suor frio escorreu em sua fronte. Assustou-se quando ouviu uma voz gélida e cortante a chamando.
- Katherine... Até que enfim você veio ver o seu velho pai!
A garota engoliu em seco, e com a voz trêmula, respondeu ao pai.
- P-por que tudo isso? O que aquelas mulheres fizeram de ruim a você?
- Sinceramente, nada. - disse o espírito, distraidamente, girando a navalha nos dedos - Essa era a minha armadilha, e você caiu nela.
- Armadilha?
- Katherine, você continua tão inocente... Será que você não vê? Estou fazendo isso pelo seu bem! Matar todas essas mulheres... Foi só um pretexto! Foi só uma forma que encontrei de chamar a sua atenção, para você me procurar! Quero te poupar do destino que o Olho Amarelo propôs a você! Por isso que insisti tanto!
- Você não precisa me levar com você para isso. Eu posso me cuidar, e os Winchester estão me ajudando!
- Não, querida, você não sabe! Tudo o que eu tenho escutado... Todos os planos que o Olho Amarelo fez... Ele é muito esperto, e não deixará nenhum dos seus escolhidos fora do exército! E você é louca de se aliar com o Winchester! Justo ele? O líder? Eu preciso fazer isso, é para o seu próprio bem!
- Pai, a morte não é a solução para tudo! Por favor, deixe-me viver!
- Morrer não dói, minha filha. Você irá me agradecer por isso. Ficaremos juntos por toda a eternidade. - disse o espírito, pesaroso, indo em direção a Katherine com a navalha nas mãos.
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No cemitério, Dean e Sam estavam esperando o aviso de Katherine. Os dois estavam com muito frio. O clima gelado, que anunciava o início do inverno, não estava ajudando muito.
- Você parece gostar muito da Kathy, não é? - perguntou Dean, com uma sobrancelha erguida.
- É, eu acho que sim. Ela tem um jeito diferente, e isso chama a minha atenção.
- E ela é como nós. Não é caçadora, mas sabe tanto quanto a gente. Me impressiona como ela conseguiu tantas informações lendo. Credo, isso me lembra você quando estava cursando Direito em Stanford. Não largava os livros.
- Não digo quanto a isso. Ela passou por tanta coisa, e é tão forte! Isso sem contar na personalidade dela. É... única. - contestou Sam, com o olhar distante.
- Ah, pronto. Por que é que eu fui falar da Katherine? Agora tenho que agüentar esse papinho meloso.
Nesse momento, Sam teve uma forte dor de cabeça, e teve uma visão. Ele viu o espírito do Sr. Wright matando Katherine.
- O que você viu? - perguntou Dean, preocupado.
Sam não respondeu. Começou a cavar apressadamente a cova do Sr. Wright. Dean o olhava, confuso. Sam abriu o caixão, e começou a jogar sal grosso no corpo já apodrecido.
- Sammy, você enlouqueceu? É pra queimarmos o corpo só quando a Katherine avisar!
- Eu a vi sendo morta. Pára de reclamar e vem me ajudar, precisamos salvá-la antes que seja tarde!
Dean não pensou duas vezes, e ajudou o irmão. Jogaram um líquido inflamável no corpo e o queimaram. Depois disso, Sam puxou o irmão, desesperado, para o Impala.
- Precisamos ver se Kathy está bem!
- Tá, mas me deixa respirar primeiro! - protestou Dean, tentando se desvencilhar do irmão.
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Ao chegarem no lugar onde Katherine estavam, a viram sentada no chão. Levava a mão ao peito e estava ofegante. Ao virar para trás e ver Sam, ela levantou-se e correu para abraçá-lo.
- Ah, graças a Deus! Se não fossem por vocês eu estaria... - Katherine engasgou. Não conseguiu falar a palavra morta.
- Eu iria dizer para você agradecer apenas ao Sam, mas vejo que nem preciso. - disse Dean, com um sorriso zombeteiro no rosto.
- Como vocês conseguiram? - perguntou Katherine, soltando Sam de seu abraço.
- Tive uma visão. Eu vi que ele ia te matar, então agi o mais rápido que pude.
- E eu não fiz nada né? - protestou Dean, cruzando os braços, impaciente.
- Obrigada - agradeceu Katherine, sorrindo - Mas e agora? O que vai acontecer com ele?
- Finalmente o Sr. Wright vai descansar em paz. - respondeu Sam, apertando carinhosamente a mão de Katherine.
