Capítulo 3 – Complicações?

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O cabelo de Tadase Hotori cheirava a shampoo de morango – o mesmo que a Amu-chan usava. Fico me perguntando se esse era o motivo, afinal, minha melhor amiga era apaixonada por esse projeto da realeza.

Sentando atrás dele, percebi algumas coisas interessantes: Tadase era realmente tímido, porém, como era bastante requisitado, tinha de driblar sua timidez a todo instante – o que me fez admirá-lo, em determinado momento. Ele também era bastante inteligente – até me ajudou em algumas coisas que eu tinha dificuldade!

Claro que, nem tudo são flores; em instantes o burburinho – quer parecia perseguir-me a todo instante – havia (re)começado:

-Olha, o Tadase-kun está com a irmã do Fujisaki-kun de novo.

-Eles não fazem um casalsinho muito fofo?

-Aaaah, seria tão legal se o Fujisaki-kun voltasse, né?

-Sim, sim! Aí ia ser a Amu-senpai com o Fujisaki-kun, e o Tadase-kun com a Nadeshiko-chan!!

-Mas eu ouvi dizer que a Amu-chan gostava do Hotori-kun...

-Nãããão, mas ela não namorava o Nagi-kun?

-Houtou? Pra mim ela e o Hotori-san...

-Fico me perguntando se minha vida escolar sempre será desse jeito... – Desabafei.

-Hm? Ah, sobre isso... – Tadase sorriu, um sorriso resignado. Pelo visto, ele já havia se acostumado a ser alvo de fofocas.

-Não sei como você consegue levar isso tão tranquilamente, Hotori-kun.

-Não é que eu leve 'tranquilamente' – ele me sorriu outra vez – Eu só acho que se eu ignorar, alguma hora eles pararão.

-Ou não.

Sorrimos.

-KYAAA, olha só!! Eles se ama-aaam, ah!!! KAWAIII!!

-Às vezes eu queria ser como a Amu-chan.

-Haha. Falando nisso, como ela está?! Ela aceitou bem a sua... Bem, você sabe, sua mudança?

-Bem até demais – confessei – Acho que eu sempre agi muito como uma garota, perto da Amu-chan. Deve ser por isso que ela não acreditava em meu interesse nela... – Divaguei, com a mão sob o queixo.

-Interesse? – Ele pareceu um pouco chocado, por quê?

Aliás, perguntei a mim mesma, por que eu estava me abrindo com ele tão facilmente? Eu jamais poderia...

CLARO QUE NÃO, NADESHIKO! instintivamente, dei uns tapinhas em minha cara, a fim de me fazer acordar – de soslaio, percebi uma interrogação se formando no rosto do Tadase – eu não estava apai... apaixonada, por ele. Era só... Gratidão! Isso, gratidão.

Respirei fundo:

-É. Mas isso é passado – sorri, abanando as mãos e tratando de mudar rapidamente de assunto – Junta-se a nós no intervalo?

-Nós? – A interrogação permanecia lá. Resolvi ignorá-la:

-Sim. Comigo, Amu-chan, Yaya-chan... E talvez o Ku... Sohma-kun – decidi chamar Kukai de modo mais formal já que agora era uma garota – se ele não estiver treinando. Que tal? – Sorri, mas porque queria ser educada. Não era como se eu o quisesse lá, com minha turma ou qualquer coisa; até porque, desde minha "vida de menino" ele sempre dava um jeito de aparecer mesmo, então não custava convidar... No fim das contas, acredito que Tadase provavelmente também estava interessado na Amu-chan.

-Ah, claro! – não dirija esse sorriso tão fofo para mim! – Só vou organizar algumas coisas aqui e podemos ir.

Pensei ter ouvido alguns suspiros atrás de mim.

Melhor deixar pra lá.

Em poucos minutos já estávamos andando, lado a lado, em direção ao refeitório. Entretanto, devo admitir que já estava me arrependendo – o burburinho estava definitivamente mais intenso do que antes. Suspirei, afinal, essa era minha vida agora.

* * *

-Diga-me, será que conseguirei sobreviver a isto?

-Muito provavelmente, "Nadehsiko"... Muito provavelmente... – Kukai sorrira, daquele seu jeito desprendido, enquanto me roubava a bola e fazia sua própria cesta.

Tratei de recuperá-la:

-Não use esse tom ao me chamar – resmunguei.

Passou perto, quase lhe roubei a bola. Kukai era, de fato, muito bom.

Ouvi dizer que lê treinava com os irmãos mais velhos todos os dias.

-Mas você tem que admitir que é engraçado – continuávamos a correr pela quadra, quando ele parou e lançou a bola novamente... ela bateu na cesta, mas não entrou. Voltou às mãos dele, ao invés.

-A tal 'dama perfeita', certo? Yamato nadeshiko – sorriu – Por que logo esse nome?

1... 2... 3...

-Porque sim – dei de ombros, enquanto corria – Além de ser parecido com meu nome 'original', é exatamente aquilo que almejo com toda essa transformação. Aquilo que quero me tornar.

-Sabe... Você nunca vai ser uma dama perfeita se continuar a jogar basquete desse jeito! – gargalhou.

-Tanto faz... – Aproveitei-me de sua distração momentânea e consegui lhe roubar a bola, agora corria, quicando-a nas mãos, num ritmo frenético – Ninguém te disse? Toda dama, por menor que seja, sempre possui uma mácula. – Eu lhe sorri, piscando. Por um milésimo de segundo achei que o tinha feito corar, mas agora não era o momento de pensar nisso...

My chance.

Posicionei-me e lancei a bola – tudo muito rápido – com um brilho de vitória no olhar: A distância era boa o suficiente...

Três pontos! Era a hora de eu virar o jogo...

A bola girou e girou na borda da cesta, pelo menos umas duas vezes... Kukai e eu observávamos sem nem ao menos, respirar.

Cesta.

-YAY! – Fiz um gesto comemorativo nada feminino. Kukai, apesar de ter perdido, estava se dobrando de rir.

-Não vou nem me dar o trabalho de perguntar...

-Eu só quero ver...! Só quero ver o tipo de garota que você vai se tornar, Nagi!!

Risos.

-Vem, vamos tomar alguma coisa – ofereceu.

Acenei, seguindo-o.

Sentamos em uns banquinhos próximos, parecidos com aqueles que se encontram nas praças, nossas bebidas geladíssimas em mãos. Kukai fez questão de pagar o meu – quando protestei, ele disse:

-Porque você é uma garota agora... E eu sou um cavalheiro – Ele piscou. Por algum motivo senti minhas bochechas esquentarem.

-Então... – ele começou – O que você vai fazer agora?

-Seguir – dei de ombros.

-E quanto ao basquete?

-Continuar com ele, oras. Minha mãe bateu o pé, mas no fim, eu consegui convencê-la; afinal, agora tenho que treinar a dança tradicional da família todo santo dia! – suspirei.

Ele me sorrira de novo, um sorriso terno.

Essa era a razão de eu gostar tanto de Kukai: ele era livre, sem preconceitos, sempre com um sorriso no rosto e com os melhores conselhos... Nós éramos praticamente inseparáveis.

-Ainda assim...

-Hm?

-Já pensou no que as pessoas vão falar quando te verem jogando basquete desse jeito!?!? Você fica parecendo um menino, sabia disso?? Srta. Dama Perfeita. – Ele apertou minha bochecha (já vermelha) e continuou com aquela risada pregada no rosto, me provocando.

-Tanto faz – outro dar de ombros – Eu sou a irmã gêmea de Nagihiko Fujisaki. Alguma coisa eu teria de herdar do "maninho", certo? Além da beleza natural... – pisquei, mostrando a língua.

-Mas você não toma jeito mesmo!

Risos.

-Vou te ensinar uma lição!! – Kukai dissera, de repente, começando a me fazer cócegas.

-Kukaaaaai....!!! Pare com isso, seu bobooo!!!! – protestei, entre gargalhadas. Como sempre brincávamos assim, não percebi de imediato suas verdadeiras intenções... Não até cairmos do banquinho e, agora na grama, eu perceber que meu melhor amigo estava com o eu corpo grudado ao meu.

-Ku... – corei.

-Você... – ele havia se tornado sério – Você se tornou uma garota muito bonitinha, Nagi...

Eu estava com o uniforme feminino de Ed. Física – um shortinho vermelho com uma blusa branca, onde estava estampada a insígnia da escola – e os longos cabelos presos em um rabo de cavalo num laço, feito por uma fita vermelha com pequenas réplicas de flores de cerejeira na ponta.

O brilho de seus olhos verdes me assustava e atraía, ao mesmo tempo.

-Nagi, eu...

-Sohma-kun... – Sussurrei. Por algum motivo eu o havia chamado como 'Nadeshiko' o chamaria, não como 'Nagihiko', seu melhor amigo, costumava ser.

Seus olhos eram muito verdes e brilhantes – eles me hipnotizavam. De uma maneira que eu jamais imaginei ser possível.

Pelo visto, meus olhos castanhos provocavam as mesmas sensações nele, já que, seu rosto parecia se aproximar cada vez mais do meu, num ritmo perigoso...

Opa! Aquilo estava ficando perigoso... Eu sabia onde ia acabar, mas... mas eu não encontrava forças para me soltar, eu...

Nossos lábios mal haviam se tocado, quando ouvi uma voz ao longe: Uma voz que, infelizmente, assombrava meus pensamentos.

-Fujisaki-saaan, Sohma-kuun...?

-Anh, Kukai, é o...

-Hotori!?

Tarde demais; ele havia presenciado a coisa toda. Só não entendi porque meu coração ficara tão apertado de repente...

-Escuta, Hotori... Eu, eu... – Kukai havia se levantado rapidamente. Ele tentou (em vão) se explicar.

O humor e a sensualidade dissiparam-se por completo.

Estranho...

-Você... sabia... – Foi tudo o que ouvi Tadase sussurrar, num tom amargurado, enquanto me levantava. Ele havia fugido.

O que Kukai sabia!? Que eu já fui um homem? Mas isso não era motivo pro Tadase chorar, era!?!

Vai entender...

-Nadeshiko – Era a primeira vez que Kukai me chamava pelo 'meu' nome. Sem frescuras ou sarcasmos. Congelei.

-Si-Sim... erm... Sohma-kun?

-É melhor você ir lá falar com ele.

Eeeuuu!?!

-Por quê? – Perguntei, genuinamente curiosa.

-Bom, porque... – ele coçou a cabeça – Porque ele não me ouviria agora. Você é certamente a melhor opção.

E por que eu? Pensei em perguntar, mas eu estava vermelha demais para isso.

Só de lembrar... Só de pensar que Kukai e eu... Bem, apesar de ter sido bem rápido a gente tinha... a gente tinha se beijado!!! E, para todas as comprovações e efeitos, como garoto ou garota, aquele havia sido meu primeiro beijo.

Senti náusea e um estranho calor percorrerem todo meu corpo ao mesmo tempo. Disfarcei:

-Tudo bem. Eu vou falar com ele. – E fui seguindo meu caminho antes que vomitasse... Ou me arrependesse.

* * *

-Hotori-kuuun – saí gritando (o mais 'delicadamente' possível) e procurando por ele. Já estava quase na hora de irmos para casa, alguns alunos já deixavam seus clubes. Naquele dia, não houvera reunião do nosso conselho estudantil... Mas teria sido melhor se houvesse.

Perguntei à algumas pessoas enquanto corria, mas nada. Até me esbarrar em alguém.

-Ai!

-Ai, me desculpe, eu... Amu-chan!?

-Nag.. Nadeshiko!?! Onde você estava?? Procurei você por toda parte! Está quase na hora de irmos pra casa, e...

-Você viu o Hotori-kun!? – Me adiantei, sacudindo-a pelos ombros. Eu não queria perder mais tempo; sabe-se lá o que aquele principezinho chorão poderia fazer...

-Tadase-kun? – Ela pôs a mão livre no queixo – Da última vez que eu o vi, estava no almoxarifado. Por quê?

-Por nada. Preciso falar com ele, vai indo na frente.

Amu-chan tinha uma interrogação no rosto, no entanto, não me perguntou mais nada. Apenas concordou e seguiu.

Corri até o almoxarifado como se minha vida dependesse disso – eu não sabia porque meu coração estava tão acelerado, nem porque eu tinha aquela urgência dentro de mim em encontrá-lo tão logo quanto possível e resolver o mal-entendido... Mal-entendido!? Mas não havia acontecido nada! Certo, eu e Kukai nos deixamos levar pelo momento – isso não foi nada bom – mas não era como se Tadase Hotori e eu possuíssemos algum tipo de compromisso ou algo semelhante. Eu só...

ALMOXARIFADO

Respirei fundo e abri a porta. Vi sua silhueta pequena ao fundo da sala, em meio a escuridão...

Tadase era, mais ou menos, uns 6cm menor que eu.

-Hotori-kun, yogatta! – Você está... está... – Minha intenção era perguntar "bem"; mas a palavra que proferi, foi – chorando?

Ele virou seu rosto em minha direção, seus olhos transbordavam incredulidade e tristeza. Corara.

-Fujisaki... san?

No instante seguinte, ele sorriu – um sorriso tímido.

Não sei bem a razão, mas vê-lo sorrir para mim sempre me acalmava.

Afastando tais pensamentos "sombrios", prossegui:

-T.. Hotori-kun, olha, aquilo que você viu, entre mim e Ku... Bem, entre eu e o Sohma-kun não passou de um acidente, Eu não queria beijá-lo, e você deveria ser o primeiro a saber disso.

-Eu? – ele pareceu confuso.

-Claro! – sorri, tomada pelas emoções – Quem foi o primeiro a me ajudar, pra início de conversa?! Quem foi que me disse para nunca desistir e segurou minha mão quando eu mais precisei? Quem também...

-Fujisaki-san, você não estaria se referindo à Amu-chan? '-'

-Erm... Bom, mas não foi a Amu-chan que me mandava toda semana biscoitinhos caseiros da vovó, certo? – sorri, embaraçada.

Eu esperava que ele não tivesse percebido as entrelinhas.

-Bom.. – ele começou, meio sem jeito.

-Não importa – pisquei, num súbito de coragem – O que eu quero que você entenda, é...

Ele meneou a cabeça, um sorriso sincero nos lábios finos:

-Sem problemas. Eu já entendi, Fujisaki-san – o jeito... o jeito que ele disse meu nome, com aqueles olhos escarlate...

Aquela era a primeira vez que eu descobria o sentido das expressões "corar como uma garotinha" e "tremer feito vara verde". Eu sei, soou idiota.

-Bem, então.. – sorri, disfarçando (tentando) o nervosismo – Já que meu papel aqui acabou, - uni as mãos num estalo, ainda sorrindo – vou indo, ou a Amu-chan ficará realmente zangada. Ade...

Eu já estava me virando quando Tadase colocou uma mão em meu ombro, fazendo-me parar.

Meu coração deu um salto:

-Hotori-kun... O quê...?

Depois disso, tudo aconteceu muito rápido: Num momento, eu girava em sua direção, a fim de atendê-lo e no outro, eu havia misteriosamente perdido o equilíbrio e caído.

Certo, com o Tadase por cima de mim.

Oh Deus, não de novo.

-Fujisaki-san... gomen ne! Eu só...

-Tudo bem, anh, na verdade, eu também tenho culpa por ser tão estabanada, eu... – Diferentemente de Kukai, Tadase era tão leve quanto uma pluma, mais parecia que uma garota havia caído sobre mim – embora ainda incomodasse um pouco tê-lo naquela posição.

Tadase Hotori, o príncipe de nossa escola, estava roxo de vergonha. Ele estava tão – ou mais – constrangido quanto eu mediante as circunstâncias.

Apesar das primeiras tentativas falhas – e pensamentos demasiado indecorosos para uma dama como eu ter devido a proximidade – conseguimos nos separar.

Tadase – depois de bater nossas testas algumas vezes – levantou-se e me ofereceu sua mão. Eu a aceitei, um sorriso tímido.

Eu estava... tremendo!?

-É, bem... – ele começou.

Eu balancei a cabeça, segurando o riso:

-Sabe, foi assim mesmo.

-Hm?

-Foi desse jeito que aconteceu. Comigo e... Sohma-kun... Bom, você entendeu – terminei, mais nervosa do que pretendia.

-Wakarimashita. – seu sorriso balançava meu coração.

Deve ter sido por isso, que eu soltei, mesmo sem querer:

-Você vê... Hotori-kun poderia ter me beijado também....

Meu Deus, o que eu estou falando!?!?

-Como? – O vermelho de seus olhos parecia transbordar e tomar toda sua face... seus lábios...

Sacudi a cabeça, frenética; pare com isso, Nadeshiko!!

-Na-nada – não pude evitar virar o rosto.

-Ah, bem.. – ele sorriu, ainda sem graça, coçando a cabeça.

... Ele parecia... feliz...?

-Então... Amigos? – ele novamente ofereceu-me sua mão. Sua leve, delicada e macia...

NADESHIKOO!

Minha mente gritava como minha mãe: Olha a compostura!! Seria algo que ela diria.

-Amigos – eu apertei sua mão, me demorando mais do que a polidez exigia.

Depois disso, me encontrei com Amu-chan no portão do colégio, a lua já ameaçava sair. Dei-lhe um rápido resumo dos acontecimentos – com alguns cortes, é claro – enquanto caminhávamos para casa.

Hoje havia sido um dia... estranho. Eu sinceramente esperava que, em meus outros "dias de garota" eu pudesse ter um pouco de paz. Eu quero dizer, eu não teria que passar por algo assim, todos os dias a partir de hoje, não é?

-Tomara que não – suspirei, refletindo em voz alta, distraidamente – Tomara que não...

-Oro?


Amooooores de mi vida, como estan? *-* n /puxasaquismomodeON

Enfffim, mas um cap da fic pro'cês nem vou falar mto hj pq (milagre!) minha criatividade fui pras cucuia, bgz

Espero que gostem :) e continuem mandando reviews, fazendo essa autora-amja-baka mais e mais feliz da vidinha dela –q GYUGUSDFYG

Aaaaah e PS: Milaaaaa abigan –beesha ataka- ahaza, tô adorando tua fic tbm flw? Super-mega-ultra-power limds, bags. Adoro tu e continuo ashando qe VC escreve melhor qe eu, não o comtráriooown MASENFIM qqq ENE

Adorotu K3' continua comentando esse comments enoormes qqq BGX