N/A: olá a todos!
Não reli o capítulo antes de postar, então, não se assustem se acharem erros brutais durante a leitura xD
Tive que descrever muita coisa nova e tentei não deixar o cap mto chato com isso, mas não sei se tive sucesso.
De qualquer forma, divirtam-se!
Qualquer um pode Amar
Capítulo 2 – Brincadeira do Destino
Gina ouviu vozes ao longe, antes mesmo de abrir os olhos. Não conseguia entender o que diziam, mas sabia que eram pessoas desconhecidas.
Abriu os olhos e tentou recordar o que lhe acontecera.
Viagem. Estados Unidos. Novo colégio. Navio. Draco Malfoy. Ataque de comensais. Explosão.
Sentou-se abruptamente. O que aconteceu depois daquilo? Não conseguia se lembrar. Ela caíra no mar, certa de que morreria, mas alguém a salvou. A pergunta era... Quem?
Levantou-se com algum esforço, sentindo sua cabeça doer, e viu seus pertences na cabeceira ao lado da cama onde repousava. Sua varinha, o colar que Harry lhe dera e seus brincos. Enquanto os colocava, reparou que havia também uma pulseira que não reconhecia. Pegou-a e examinou de perto. Era uma corrente prateada com uma placa pendurada. Nela, via-se um corvo em alto relevo.
Ainda com ela em mãos, e um tanto confusa, saiu do quarto, indo em direção às vozes que escutava. Seguiu por um corredor e chegou a um saguão pequeno, abarrotado de gente.
- Ah, você acordou! – um homem exclamou, enquanto vinha em sua direção.
Ao aproximar-se, Gina percebeu que aquele era o capitão do navio, que havia visto de longe pouco depois de embarcar.
- Você deu um grande susto na gente. – disse outro homem que Gina não reconheceu.
- Você tem muita sorte de estar viva, garota. – disse o capitão – se não fosse aquele rapaz...
- Larsen! – uma voz feminina o impediu de continuar – não é para falar sobre isso!
A senhora que ralhou com o capitão aproximou-se.
- Olá, querida, sente-se melhor?
Gina a reconheceu; era uma das senhoras com quem passara a tarde jogando cartas.
- Me sinto bem, dona Olivia. – disse a garota, recordando-se do nome da senhora – mas gostaria de saber o que me aconteceu. Só me lembro que o navio explodiu e que eu caí no mar...
As três pessoas fizeram silêncio, trocando olhares significativos entre elas. Jogando as mãos pro alto, Larsen, o capitão, resolveu falar:
- Ah, que se dane! Foi um ato heróico que a menina precisa tomar conhecimento.
- Mas ele pediu para não contar! – insistiu Olivia.
- Ele... Ele quem? – perguntou a ruiva, confusa.
Olivia a encarou, na dúvida se contava ou não.
- Bem... Acho que mal não vai fazer se contarmos, não é mesmo? – disse a bondosa senhora, enquanto dava um risinho, acompanhado pelos outros dois.
- O que acontece foi: você caiu no mar e um valente rapaz pulou atrás para lhe salvar. – disse Larsen.
- Arriscando a própria vida! – completou o outro homem.
"Valente rapaz...?" pensava Gina, tentando entender o que lhe disseram. "Não pode ter sido... Malfoy..?"
- Como era.... Como era esse rapaz? – conseguiu perguntar.
- Oh, era um rapaz loiro, muito educado e tímido! – disse Olivia, alegre – pediu para que não lhe contássemos, mas não conseguimos nos conter!
Houve risadas, mas Gina não conseguiu acompanhá-las. Seus pensamentos estavam confusos demais para que prestasse atenção em algo. Afinal, por que o Malfoy lhe salvaria a vida? O mesmo Malfoy que, durante anos, tentou arruinar a ela e a seus amigos?
- Bom, o importante é que você está salva. – disse o outro homem – graças aos cuidados médicos da Olivia aqui!
- Steven, não precisa me elogiar – disse a senhora, abrindo um enorme sorriso – sou apenas uma medi-bruxa aposentada; fiz o que qualquer um teria feito com o meu conhecimento em cura. – olhou para Gina – sua cabeça ainda está doendo?
A garota passou a mão pela cabeça e sentiu uma leve pontada de dor no topo, indicando que batera em algo.
- Um pouco. – disse fazendo uma careta.
- Sente-se aqui enquanto eu examino. – disse indicando uma cadeira por perto.
Gina sentou-se e, enquanto a medi-bruxa aposentada usava a varinha, olhou em volta.
O saguão estava cheio de pessoas, de várias nacionalidades. Reconheceu algumas línguas como alemão, francês e italiano. Como se adivinhasse seu pensamento, Larsen disse:
- Estamos nas Ilhas Canárias, onde bruxos da Europa se reúnem antes de seguir caminho para os Estados Unidos. – ele apontou para um balcão – é ali onde você reserva o horário para usar a chave de portal para a viagem. Isso funciona também como uma pequena pensão, para as pessoas passarem a noite.
- E como fomos vítimas de um naufrágio, não nos cobraram nada pela estadia. – disse Steven, sorrindo marotamente.
Gina, que absorvia as informações que lhe eram reveladas, ainda segurava a pulseira em sua mão. Só podia ser do seu "salvador". Era estranho pensar em Draco Malfoy assim, mas o relato das pessoas não lhe deixou dúvidas. Apenas estava confusa com o motivo do salvamento.
Remorso talvez? Já que os comensais poderiam ter atacado o navio por causa dele. Não, não acreditava que o sonserino nutria esse sentimento. Mas então qual foi a razão para ter-lhe salvo a vida?
Decidiu que perguntaria a ele pessoalmente, no momento em que Olivia afastava a varinha de sua cabeça.
- Com licença, mas... A senhora sabe onde a pessoa que me salvou está? – perguntou, achando melhor não revelar que já o conhecia.
- Ah, ele foi embora ontem à noite, tão logo chegamos. – disse a senhora – falou que estava com pressa e preferiu ir embora, tanto que nem esperou as bagagens chegarem, preferindo recebê-las mais tarde.
A ruiva olhou para um canto e viu várias malas empilhadas.
- Chegaram hoje de manhã – comentou Steven – por sorte elas vieram em outro barco, ou muita gente perderia tudo o quem possuíam.
- Nem me fale... – disse baixinho, lembrando-se de todos os belos presentes que recebera dos gêmeos.
Conversaram mais um pouco sobre assuntos banais, esperando o local esvaziar, e Gina conseguiu marcar sua chave de portal para dali a duas horas. Ficou conversando com Dona Olivia sobre a carreira de curandeira, por qual nutria um interesse oculto. Achava muito interessante o dom que os curandeiros tinham de curar pessoas enfeitiçadas de tantas maneiras diferentes.
Aproveitando suas malas, tomou um banho num dos banheiros da pensão e trocou as vestimentas por um vestido verde rodado que possuía há anos, mas que gostava muito e lhe deixava com aparência mais infantil ainda. Deixou um recado, que seria mandado para a sua casa tão logo uma coruja estivesse disponível, avisando que estava tudo bem com ela. Tão logo chegou sua hora, despediu-se da senhora prometendo manter contato. Ainda com os pensamentos divagando, segurou sua chave de portal e, fechando os olhos, sentiu uma puxada familiar no umbigo. Quando os abriu novamente, ficou surpresa com o que viu.
Estava parada em frente a um enorme portão gradeado e negro, cheio de entalhes floridos. Muros enormes, pintados numa cor creme, rodeavam o portão e se estendiam até onde Gina não podia mais ver.
Seguindo as instruções que constavam na sua carta de aceitação, usou sua varinha para fazer uma espécie de código, que levou alguns minutos até acertar, e o portão se abriu à sua frente. Dando um sorrisinho, utilizou o feitiço Wingardium Leviosa para levantar suas malas, feliz com o fato de nos Estados Unidos a idade para utilizar os feitiços fora do colégio era de 16 anos. Uma pena que a aparatação também não fosse; a idade para uso ainda era 17 anos.
O jardim da frente do colégio era lindo, com uma fonte em forma de anjo enfeitando o centro, e muitas rosas florescendo por todo o caminho até a entrada da instituição. Havia algumas garotas sentadas em bancos, conversando. Gina foi até a porta de entrada sem olhar para os lados, ciente dos olhares curiosos sobre ela; não costumava ser tímida, mas aquele lugar era completamente diferente do que ela estava acostumada. Estava ali porque fora obrigada, não por escolha própria.
Seguindo as placas de sinalizações dentro do prédio, chegou à direção. Foi recebida pela diretora, Sra. Wordoof, uma mulher rígida e séria na casa dos sessenta anos, mas que parecia ter um bom coração. Ela foi gentil com Gina, já que a Sra. Weasley havia explicado o motivo de mandar a filha para lá.
Pediu para uma das professoras que estava presente, Sra. Brenan, uma trintona bem apessoada, que levasse Gina até o quarto onde dormiria.
Todas as garotas do Instituto Nortshore viviam integralmente no local. Havia cerca de 60 quartos para 210 alunas. O prédio do dormitório possuía 4 andares; cada andar, 15 quartos. Com exceção do primeiro andar, ocupado pelas primeiranistas, cujo os quartos eram divididos em duplas, nos outros andares os quartos eram ocupados por 4 integrantes. Cada andar era dividido por ano: as primeiranistas ocupavam todo o primeiro andar, mas o segundo piso era ocupado pelas segundanistas e terceiranistas, o terceiro andar, pelas quartanistas e quintanistas e assim por diantes.
Gina foi levada para o 4º andar, onde ficava o sexto e sétimo ano.
O quarto que lhe foi disponibilizado já possuía outras três ocupantes, como a Srta. Brenan lhe explicou. Uma das alunas havia ficado grávida e deixado a instituição antes que o escândalo se espalhasse, e foi por isso que Gina teve a chance de entrar lá.
A professora era simpática e solícita, explicando tudo que Gina precisava saber: onde ficavam os banheiros, como funcionava os horários dos banhos, a permissão para andar pela cidade, o horário das refeições e o toque de recolher. Depois de um longo tempo explicando, se despediu de Gina.
- Acho que isso é tudo que precisa saber, por hora. Qualquer dúvida, pergunte às suas colegas de quarto, que devem chegar hoje à noite, como a maioria das estudantes daqui. Elas são da sua turma, já que só possuímos uma única do sexto ano. O café da manhã é servido às sete horas e as atividades acadêmicas começam às oito. Seu uniforme será entregue pela manhã, antes de se dirigir ao refeitório, junto de seu horário de aulas e... Acho que só. Aconselho você a dar uma volta pela instituição, para conhecer melhor o local. – já estava de saída quando se lembrou de algo - Ah! As colinas atrás do campo de Quadribol são proibidas de serem freqüentadas, sendo permitido apenas o uso dos nossos jardins. Entendido?
Gina apenas meneou a cabeça, em sinal de entendimento. A professora lhe sorriu, antes de se despedir.
- Você parece ser uma garota esperta, senhorita Weasley. Tenho certeza que fará amigas por aqui. Os laços criados em Northshore costumam durar pela vida inteira, segundo dizem.
Gina sorriu em resposta, preferindo não dizer nada. Não imaginava se dando bem com aquelas garotas, de qualquer forma. Fora criada no meio de irmãos homens e nunca teve jeito para fazer amizade com meninas.
Depois que a professora saiu, analisou melhor o cômodo. O quarto era relativamente grande, com quatro camas de solteiro, uma ao lado da outra intercalada por cabeceiras e duas cômodas. A cama do canto não parecia ser ocupada, e Gina dirigiu-se para ela, já guardando suas roupas nas gavetas vazias de uma das cômodas e guardando sua vassoura debaixo da cama.
Além desses móveis, havia uma mesa com quatro cadeiras, provavelmente utilizada para estudar e uma penteadeira estendida, para que todas as quatro garotas pudessem usar ao mesmo tempo. A decoração era simples, em tons pastéis. Nada das camas imponentes e cortinas de veludo vermelho com os quais estava acostumada. Pelo visto, a privacidade ali era bem menor do que a oferecida em Hogwarts.
Resolveu dar uma volta. O quarto a incomodava, talvez por causa da comparação inconsciente que fazia.
Descobriu onde ficava a biblioteca e o refeitório, além do corujal e da sala de entretenimento, onde se podia bater papo nos dias de chuva. Não havia lareiras na instituição, com exceção da sala da diretora, que era utilizado para se comunicar com flu. Diferente da Inglaterra, ali não nevava nos invernos e nem esfriava tanto, sendo desnecessário o uso de lareiras para se aquecer.
Por todo lugar que andava, as garotas que já haviam chegado a olhavam com curiosidade. Era uma aluna nova que não era primeiranista, e o motivo da sua vinda era um mistério para elas, que comentavam sobre as hipóteses.
Cansada dos olhares, a ruiva preferiu dar uma volta pela área externa. Os jardins já estavam ocupados por grupinhos de garotas que colocavam os assuntos em dia e preferiu se afastar, indo em direção ao campo de quadribol. Não fazia idéia se havia algum time no colégio ou se teria chance de ingressar nele, mas preferiu não pensar sobre aquilo.
Foi andando sem rumo, passando pelas estufas sem nem mesmo notar para onde estava indo. Sua mente estava a quilômetros de distância, pensando em como estaria sua família, se todos estavam bem. Será que os comensais haviam feito algum ataque, como o que ocorrera no navio? Será que já haviam recebido sua mensagem, informando que estava bem?
Haveria menos correspondências do que em Hogwarts; cartas internacionais demoravam muito mais para chegar, sendo necessário usar uma coruja para enviar até a agência de comunicações, que mandava via flu para a Inglaterra as cartas recebidas e de lá, eram encaminhadas aos seus destinos com outras corujas.
Tão distraída que estava, só percebeu que se encontrava no alto da colina quando parou e olhou para trás. Não era muito alto, mas dava para avistar todos os prédios de Northshore, assim como o campo de Quadribol. Ali onde estava, havia árvores e moitas, formando um pequeno bosque. Tentou se lembrar por onde tinha vindo, mas não conseguia. Decidindo se preocupar com isso depois, virou-se para apreciar a vista, olhando o outro lado.
Sua mente voltou a se lembrar de tudo que deixara para trás enquanto olhava o sol se pondo, sem se mover. Sua família. Seus amigos. Harry.
Sua concentração foi quebrada ao ouvir o som de um riso abafado. Gelou ao olhar para baixo, a direção de onde havia ouvido o som e deparou-se com um par de olhos azuis penetrantes. Levou apenas alguns segundos para entender que havia uma pessoa deitada na grama desde que ela havia chegado ali. Uma pessoa que ela conhecia e que não deveria estar ali.
- Calcinha legal, Weasley. – disse Draco Malfoy.
Draco estava de mau-humor. Após chegar nas Ilhas Canárias, fez o possível para ser um dos primeiros a partir, ainda de noite.
Chegou ao colégio onde seu padrinho o havia matriculado. Era um colégio particular caro, cujo valor das primeiras mensalidades havia sido paga pelo próprio Snape, sendo que Draco teria que arranjar dinheiro para pagar o resto. Não era algo com o qual estivesse preocupado, apesar de não ter trazido um único galeão do seu cofre recheado em Gringotes. Arranjaria dinheiro por ali sem grandes problemas.
Para seu desgosto, o Instituto Southshore era um colégio masculino, o que significava que metade ali deveria ser gay. Não que ele se importasse com a opção sexual de cada um, só não queria ouvir gracinha pelos corredores. Deixaria claro que gostava de mulher na primeira oportunidade que tivesse.
O colégio não possuía nem 200 alunos, com apenas uma turma para cada ano. Cada quarto do dormitório era ocupado por dois alunos o que, na mente maliciosa de Draco, dava chance de a população gay aumentar.
Para a sua sorte – a única que teve até agora – ficou com um quarto vago, já que entrara depois e os quartos já haviam sido separados.
Como chegara durante a noite, falara apenas com o diretor e este levara-o até seu quarto. Cansado da viagem e de todo o esforço que havia feito e tentando esquecer o "incidente" do navio, dormiu feito uma pedra.
Dia seguinte, conheceu melhor o local, ignorando qualquer ser vivo que encontrasse pelo caminho. Se ali ele não podia usar o nome "Malfoy" como símbolo de poder, ao menos manteria sua dignidade afastando-se dos alunos comuns. Não fazia a mínima questão de se misturar com os outros estudantes. Era sozinho por natureza, e isso nunca iria mudar.
Durante toda a manhã, os alunos começavam a chegar e no meio da tarde, Southshore estava começando a ficar cheia. Corredores barulhentos, vozes em todos os cantos. Cansado de tanta gente em volta, Draco resolveu conhecer melhor a área externa. Havia uma proibição para a ida até as colinas que ficava atrás do prédio dos dormitórios e, dando um sorriso malicioso, dirigiu-se para lá. Era óbvio que ele quebraria as regras, na esperança de deixar o local menos monótono do que era.
O topo da colina era um local tranqüilo, cheio de árvores que faziam sombras. A tarde estava com uma temperatura agradável, com as nuvens formando desenhos no céu. Resolvendo tirar um cochilo, deitou-se e colocou os braços atrás da cabeça e fechou os olhos.
Não fazia idéia de quanto tempo havia se passado, até que acordou ouvindo passos. Permaneceu onde estava, sem abrir os olhos. Os passos se aproximaram e então a pessoa parou. Abriu os olhos lentamente e viu que havia alguém parado a centímetros de sua cabeça. Demorou a perceber que estava olhando diretamente por baixo da saia de uma garota. Estava de costas, e ele só via a calcinha branca que a garota trajava.
"Hum... Não tem muita bunda, mas tem belas pernas" pensou, ao analisar o corpo da garota pelo ângulo que se encontrava. Tentou olhar o rosto da garota e viu um cabelo ruivo.
"Não, não pode ser, é impossível."
O destino realmente havia decidido brincar com ele. Não havia apenas encontrado e salvo a vida da Weasley na sua vinda para os Estados Unidos, como estava agora olhando para ela.
Ela estava com aquele olhar triste de novo, o mesmo que vira no navio. Era como se os olhos dela levassem para outra dimensão, uma cheia de dor e sofrimento. Não sabia o porquê, mas ao vê-la com aquela expressão sofrida, sentia a necessidade de consolá-la, de fazê-la esquecer o que a estivesse incomodando.
Estava a ponto de falar algo, quando seus olhos se concentraram novamente na saia dela. Agora tinha a visão da frente da calcinha e pode ver que tinha algo desenhado ali. De cabeça pra baixo, conseguiu identificar o desenho de um ursinho com um pote de mel na mão.
Tentou controlar a vontade de rir, mas era impossível. Que tipo de garota com mais de 15 anos usa uma calcinha dessas nos dias de hoje? Tapou sua boca com a mão, mas seu riso saiu abafado e audível o suficiente para acordar a ruiva de seu estupor.
Ela olhou para baixo e seus olhares se encontraram. Draco quase pôde ouvir o "click" na mente da ruiva quando ela se deu conta de que havia alguém ali e que esse alguém era justamente ele.
Decidido a tirar os pensamentos tristes da cabeça da ruiva, resolveu fazer um comentário que com certeza a desabilitaria.
- Calcinha legal, Weasley.
Ela levou alguns segundos para reagir mas, quando o fez, não foi da maneira que Draco esperava. Em vez de gritar, ela deu um passo pra trás e pisou em falso, ameaçando cair de costas. Sem pensar, Draco estendeu a mão e segurou a saia do vestido, puxando. Isso a fez ir para frente e, perdendo completamente o equilíbrio, caiu em cima dele.
Isso não seria tão ruim, se o impacto da queda não tivesse feito os dois rolarem colina abaixo, em direção a Southshore.
Com um instinto protetor desconhecido por ele mesmo, o loiro envolveu Gina com os braços enquanto rolavam, tentando mantê-la protegida. Quando pararam, largou-a imediatamente e se afastou um pouco, mantendo-se sentado.
A ruiva parecia confusa, e olhava para ele com olhos tão grandes como pratos. A expressão da ruiva era tão cômica que ele começou a rir, mesmo sabendo que não deveria. Quando finalmente parou, ainda estava sendo encarado por aqueles olhos achocolatados, agora interrogativos.
- Francamente, Weasley – resolveu dizer – tenho a impressão de que você se acidenta toda vez que nos encontramos. E o pior, me leva junto de você.
Ainda confusa, Gina conseguiu dizer com voz fraca:
- Malfoy...?
- Não, Weasley, um duende irlandês. É claro que sou eu.
- Como assim "é claro"? – o cérebro de Gina finalmente estava voltando a funcionar – o que você está fazendo aqui? Este é um colégio feminino! – disse, abismada.
- Do que você está falando? – falou o loiro, olhando como se ela fosse louca – este é um colégio masculino.
- Claro que não!
- Claro que sim!
Draco apontou na direção onde o sol se punha.
- Está vendo? Logo ali embaixo fica Southshore, um colégio masculino.
Gina piscou várias vezes, antes de apontar para a direção oposta.
- Logo atrás dessa colina fica Nortshore, um colégio feminino.
Os dois se encararam por um longo tempo, tentando entender.
- Não acredito! – exclamaram ao mesmo tempo.
- Cara, é por isso que o local é proibido aos alunos – gemeu Draco – tem um bando de mulher há algumas árvores de distância!
- Aqui também é um local proibido pras garotas. – Gina comentou.
- Então por que você está aqui? – perguntou o loiro.
- Eu... Ei, por que você está aqui, se também é proibido?
- Perguntei primeiro.
Os dois voltaram a se encarar e Gina desviou os olhos, antes de responder.
- Estava a fim de ficar sozinha.
"Para sofrer com seus próprios pensamentos?" pensou Draco, enquanto formulava uma resposta.
- Bom, eu também queria um pouco de solidão, e aqui me pareceu um local bem propício para isso.
O silêncio pairou no ar, já que nenhum dos dois fazia idéia do que dizer. Era coincidência demais acontecendo: primeiro no navio, agora ali.
Gina então lembrou-se que tinha algo para devolver ao loiro.
- Toma – disse, estendendo a mão com a pulseira – isso pertence a você, não é?
Draco olhou, estupefato. Sua pulseira, de extrema importância para sua "profissão", estava nas mãos da garota.
Pegou com um rápido movimento, conferindo se era mesmo real. Achou que havia perdido-a durante o naufrágio, mas de alguma forma fora parar com a ruiva. Outra coincidência.
Olhou para cima e novamente encontrou os olhos dela encarando-o.
- Obrigada – começou ela, com a voz cheia de gratidão – você me salvou no naufrágio, e eu não sei como agradecer.
Draco a encarou, aqueles olhos marrons transbordando sinceridade e não fazia idéia de como agir ou do que responder. Optou por ser o canalha de sempre.
- Bom, você poderia usar calcinhas mais sexys. – disse, enquanto se levantava e batia a terra da roupa.
A ruiva corou, e sua voz foi apenas um sussurro quando disse:
- Pervertido.
Rindo alto com o comentário, Draco deu-lhe as costas e seguiu para Southshore.
- A gente se vê, Weasley. A propósito, eu sabia que você tinha uma tendência sonserina.
Gina olhou para si mesmo e percebeu que ele comentava sobre a cor de seu vestido, que era verde. Em Hogwarts, era quase norma não utilizar roupas com as cores de outra casa, em especial da Sonserina.
Seguindo seu exemplo, levantou-se e foi em direção a Northshore, desistindo de entender o que acabara de acontecer. Já anoitecia e ela não deveria estar ali.
Demorou mais para achar o caminho de volta do que pretendia. Quando finalmente saiu das colinas, era meio tarde para ir para o refeitório, e resolveu ir direto para o dormitório.
Ao entrar no quarto, deparou-se com as outras três ocupantes, todas sentadas numa única cama, conversando.
Elas pararam o que estavam falando e a olharam de cima à baixo. Gina olhou para seu reflexo no espelho da penteadeira e tomou um susto. Seu vestido estava todo lameado e seu cabelo, despenteado. Ter rolado a colina junto com Draco Malfoy não lhe deixou com boa aparência e podia imaginar o que as três garotas pensavam ao vê-la daquela forma.
Decidida a tomar um banho antes de dormir, foi até sua gaveta na cômoda e pegou uma muda de roupa. Ao passar de novo pelas três garotas, ouviu um comentário sussurrado:
- Está com cheiro de homem.
Assustada, Gina saiu do quarto e, assim que fechou a porta, tentou sentir o próprio cheiro.
E não é que estava com cheiro de perfume masculino?!
"Provavelmente é o cheiro do perfume do Malfoy, que deve ter ficado em mim quando rolados pela colina..."
O perfume tinha um cheiro bom, amadeirado e doce, mas não enjoativo.
Lembrou-se do momento em que caíram, de como o loiro a protegeu, envolvendo-a num abraço e protegendo-a com o próprio corpo. Esse pensamento fê-la corar, e tentou compreender os últimos acontecimentos enquanto tomava um banho.
Draco Malfoy a salvou num naufrágio. Draco Malfoy a protegeu numa queda. Este mesmo Draco Malfoy está estudando em um colégio que fica apenas a uma colina de distância de onde ela própria está. E, para todos os efeitos, ele até que foi educado com ela, em vez de insultá-la.
Era tudo muito bizarro. Parecia surreal demais que tudo isso tivesse acontecido em... O quê, dois dias?
Acabou o banho e vestiu o pijama. Voltou para o quarto, e encontrou suas integrantes já se aprontando para dormir. A inspetora logo passou, checando se todas as alunas encontravam-se acomodadas no lugar certo e, com um gesto da varinha, desligou todas as luzes do prédio de uma vez só.
Exausta de um dia tão estranho quanto o que tivera, Gina adormeceu sem pensar em absolutamente nada e, pela primeira vez em dias, não chorou.
Draco estava deitado em sua cama, encarando o teto. Sorria, ao lembrar-se do que acontecera naquela tarde.
"É, até que ficar por aqui pode ser mais divertido do que eu imaginava" pensou, enquanto virava para o lado e fechava os olhos "Que calcinha a Weasley estará usando se eu encontrá-la amanhã?".
E, ainda com um sorriso no rosto, adormeceu.
.:: Fim do capítulo 2 ::.
N/A: Olá pessoas!!!
Hoho, Draco pervertido xD
Desculpem por todo esse tempo sumida! E por não ter atualizado minhas fics nos últimos meses!
Eu juro que não as abandonei, eu só estou extremamente ocupada com minha vida pessoal e profissional...
Sério, as coisas tão brabas, eu não tenho tempo pra absolutamente nada. Pra vocês terem uma idéia, eu estive estudando a semana inteira e, hoje, minha mente estava tão cheia que eu precisava libertá-la de alguma forma.
Então, vim pro computador e resolvi escrever. Acabei escolhendo essa fic para atualizar porque eu já havia começado a escrever o capítulo há um tempo atrás. E também porque eu estava louca pra atualizá-la! Minha mente está cheia de idéias para ela, acabei não me agüentando...
Como eu disse, não se preocupem, não vou me esquecer das minhas outras fics. Só preciso arranjar tempo para atualizá-las... Vontade de escrever é o que não falta! Nem criatividade!
Bom, eu não sei mais o que dizer. Escrevi esse cap sem parar, dando uma pausa para respirar apenas quando eu acabei, quatro horas depois. O.o
Sobre o próximo capítulo: não, Draco não perdeu a caracterização dele. Ele ainda é Draco Malfoy; ainda é um loiro gostoso, sexy, prepotente e mimado xD
Eu fugi um pouco dessa realidade nesses dois primeiros caps, mas foi proposital. Há muitas coisas do Draco que eu quero mostrar... (mente maldosa on xD)
E, como a fic é pós-6º livro, é lógico que o assunto sobre essa "fuga" do Draco para os EUA vai pintar numa conversa com a Gina. Alguém duvida que ela esteja curiosa sobre o motivo de ele estar ali? E também sobre ele ter tentado matar Dumbledore e deixado os comensais entrarem em Hogwarts? E o porquê dele tê-la salvo?
A Gina também está com uma personalidade diferente, mais quieta e fechada. Tudo isso faz parte da fic, não se preocupem.
Ah, e ninguém acertou sobre como Draco encontraria Gina, ela estando num colégio feminino xD
Yep, eu sempre crio situações inusitadas, vc ainda não viram nem metade ;P
DEIXEM REVIEWS!!! Alimentem minhas esperanças de q eu ainda possuo leitoras xD
Bjinhos!!!
(¯`·._.·[ Princesa Chi ]·._.·´¯)
