Capitulo 3- As Irmãs
O vento soprava nos campos de trigo dando uma sensação de calma e tranqüilidade a todos que ali estavam. A alguns metros, se localizava uma bela mansão, que outrora, havia pertencido a um grande vendedor, mas com a sua morte, a casa perdera a alegria que costumava emanar.
Os belos jardins, antes cheios de flores de vários tipos, agora estavam secos e sem vida. A casa estava com uma aparência desgastada, como se há tempos não lhe retocasse a pintura. Nas plantações que antes estiveram cheias de criados dispostos a trabalhar, agora só se via um número pequeno de homens no seu limite, mas mesmo assim, trabalhando.
Dentro da morada, em um belo corredor, se via uma garota esfregando o chão. Aparentava ter uns 15 ou 16 anos, alguns fios de cabelo negro, que o pano amarrado em sua cabeça não conseguiu segurar, lhe caiam sobre seus ombros. Tinha bonitos olhos azulados que combinavam perfeitamente com seus lábios avermelhados. Parecia estar trabalhando já há algum tempo.
Kagome se sentou cansada no chão, tinha trabalhado a manhã inteira. Olhou para o resultado de todo o seu esforço, o chão estava impecavelmente limpo. Gotas de suor escorriam pela sua face meio avermelhada pelo esforço que fizera.
Levantou-se e suspirou aliviada, tinha terminado o trabalho a tempo, mas algo interrompeu seus pensamentos. Uma luxuosa mulher de longos cabelos negros presos impecavelmente em um belo penteado apareceu no corredor. Usava um lindo vestido de cetim vermelho, que realçava as formas de seu corpo. Seus olhos amendoados não diziam muito bem o que ela sentia, se é que ela estava sentindo algo.
Ela olhou para o chão que Kagome acabara de limpar e em seguida fitou a garota.
-Já terminou?-Ela disse
-Sim, Kikyou.- Kagome concordou receosa.
-Hunf! Pelo menos algo você sabe fazer...-Ela disse passando por Kagome.
"O que ela tem contra mim afinal?" Kagome pensou, em seguida pegou seus materiais de limpeza.
Depois de ter efetuado mais alguns trabalhos, foi para a cozinha descansar um pouco.
-Terminou de limpar o corredor Srta. Kagome?-Uma velha senhora disse.
-Terminei sim vovó Kaede.-Kagome disse se sentando em um banquinho.
-Não sei como você pode obedecer a essas megeras e ainda ficar com um sorriso no rosto!- Uma voz disse da porta do aposento.
Kagome se virou e viu uma garota um pouco mais velha que ela, com longos cabelos castanho-escuros presos em um delicado rabo-de-cavalo, de modo que algumas mechas ainda caiam em seu rosto oval. Usava um belo vestido azul que ressaltava seus vivos olhos castanhos.
-Sango?- Kagome disse surpresa - O que você está fazendo aqui? A Senhora vai brigar com você.
-A mamãe que reclame o quanto ela quiser...-Sango disse aproximando-se - Mas eu não vou deixar de ver as únicas pessoas decentes dessa casa só por que ela quer.
-Você não deveria falar assim...
-Mas é verdade. Bom dia vovó Kaede!-Sango disse acenando para a velha senhora no forno.
-Srta. Sango! O que a senhorita faz aqui? A madame deixou bem claro que você não deveria vir aqui.- Kaede disse deixando a comida que preparava.
-Até você?-Sango disse desapontada.
-Pelo menos coloque isso para não deixar suspeitas.-Uma mulher de cabelos ondulados e um sorriso amigável disse colocando um avental em Sango.
-Tsame... Até você?-A garota disse.
-Não disse nada, apenas que você deve colocar isso para não sujar o vestido.-Tsame disse dando uma piscadela e voltando a cortar umas frutas.
-Sango se a madame te pega...-Kagome disse preocupada.
-Eu me viro, ela só liga para o vestido mesmo... Se ele ficar a salvo eu também fico.-Sango disse sorrindo.
-Você se arrisca demais...
-Eu? A mãe ainda está zangada com você pelo pequeno incidente da semana passada...
-Eu não tenho culpa se aquele ladrão tentou nos roubar...
-Sim, mas você tinha que persegui-lo?
-Claro! Ele ia roubar uma de nossas galinhas.
-Mas você acabou se metendo em problemas...
-Como sempre.
-Nem sempre. Lembra daquela vez do vaso?
-Mas não fui eu que quebrei o vaso...
-Foi a Kikyou eu sei...-Sango disse zangada - Mas se a mãe prefere acreditar na Kikyou em vez de nós duas e mais cinco pessoas...-Suspirou balançando a cabeça negativamente - O que podemos fazer?
-Ficar o mais longe possível da Kikyou.
-Nem precisa falar!
-Srta. Sango...-Kaede disse – O almoço já vai ser servido, é melhor a senhorita sair logo daqui.
-Tudo bem...-Sango disse caminhando na direção à porta e retirando o avental - Até mais tarde.-Disse dando a peça para Tsame e saindo da cozinha.
-Sinceramente... Eu não sei o que meu pai viu naquela mulher.-Kagome disse triste.
-Eu acho que nós deveríamos estar tristes pelo o que ele não viu e não, pelo o que ele viu.-Kaede disse colocando algumas verduras na palena á sua frente.
-Isso é...
-Em breve essa mulher vai acabar com esses campos...-Tsame disse visivelmente preocupada - Ela não sabe aproveitar a colheita e não liga para os trabalhadores...
-Sim.-Kaede disse triste.
-Não vamos nos desanimar -Uma voz masculina disse - Quem sabe um dia as coisas mudem?
-Você tem razão vovô.-Kagome disse sorrindo para o senhor a sua frente, ele tinha uma aparência viva, apesar do efeito do tempo.
-Eu já disse que não sou seu avô menina!-O senhor disse.
-Mas é como se fosse vovô.
-Ora...
-Vou servir o almoço - Kagome disse levantando-se e pegando um prato que Kaede já havia preparado - Conversamos mais tarde... Vovô.-Ela completou saindo da cozinha.
-Eu não sou seu avô.-O senhor resmungou inutilmente.
Kagome entrou e suspirou. Era mais um dia pacato de sua injusta vida. Por que todos os dias tinham que ser iguais? Nenhuma ação, nenhuma aventura. Mas vai ver que a vida era assim.
Ela caminhou desanimada até uma pequena sala cheia de quadros e que em seu centro havia uma grande mesa, na qual estavam Kagura, Sango e Kikyou.
A garota serviu cuidadosamente o prato e ia se retirar, mas Kikyou fez questão de impedi-la.
-Você chama isso de comida?-Ela disse com uma certa repulsa na voz
-O que você que dizer?-Kagome perguntou pacientemente.
-Olha esse frango - Kikyou disse apontando para a bela ave que a garota acabara de servir. O prato estava muito bem feito e a ave estava com uma crosta dourada muito apetitosa. Se Kagome pudesse comer algo como aquilo ela estaria mais do que satisfeita.
-O que tem ele?-Ela perguntou
-É muito pequeno, além do mais aparenta estar cru.
-Mas não está.
-Você está dizendo que eu estou errada?
"Sim eu to sua garota mimada!" Kagome pensou. A imagem dela pegando a perna do frango e enfiando na boca que Kikyou veio a sua cabeça.
-Não é isso...-Ela disse se controlando
-Ela tem razão.- Kagura disse analisando o frango - Mas, não vamos desperdiçar esta ave. Mas espero que da próxima vez isso não se repita.
-Pode deixar senhora.-Kagome disse concordando com a cabeça e se retirando da mesa.
"Eu não acredito que eu nasci nessa família" Sango pensou balançando a cabeça negativamente "Eu só posso ter sido adotada...".
-Algum problema Sango?-Kagura perguntou encarando a filha friamente.
-Não, não. Imagine!-Sango disse forçando um sorriso.
-Ela está assim...-Kikyou começou - Por que a comida da amiguinha dela não presta.
-O que ela quis dizer com isso?-Kagura disse.
Sango olhou com raiva para Kikyou, como uma pessoa poderia ser tão má? Ela conhecia a irmã, pois vivera com ela toda a sua vida e essa não era ela. O que estava acontecendo? Antes elas duas eram grandes amigas e agora parecem apenas conhecidas que tem que viver sobre o mesmo teto.
-Responda Sango.-Kagura disse fuzilando a filha com o olhar.
Sango engoliu em seco, a mãe a havia proibido de entrar na cozinha e de falar com qualquer empregado mais do que fosse necessário.
"Pense em algo... Rápido".
-Diga!
-Diga irmãzinha.-Kikyou disse olhando-a sarcasticamente em quanto colocando um pedaço da galinha na boca.
-É que eu não trato os empregados como seres inferiores...-Sango disse retribuindo o olhar da irmã.
-Ora, mas eles são.-Kagura disse desviando a tenção para a sua comida.
"Ufa!" Sango pensou "Essa foi por pouco".
Algumas horas mais tarde, um pouco antes do crepúsculo, Kagome teve que sair para colher maçãs, abundantes nessa época do ano.
Andou pelo gramado meio ressecado com dor no coração. Lembrava de quando era criança e de quando brincava na grama verde e vivo em frente de sua casa, sentia muita saudade desse tempo e de momentos que nunca mais se repetiriam.
Parou por um momento e olhou para o Oeste. Duas belas montanhas solitárias se erguiam uma ao lado da outra. No meio delas se via o sol baixando, dando adeus para a terra, para que a lua chegasse.
Por que tudo tinha que ser assim? Caminhou mais uns poucos metros, até chegar em uma pequena floresta de macieiras. Adorava aquele lugar, quando chegava a primavera flores se espalhavam pelo chão, dando uma nova aparência a tudo.
Pegou algumas maçãs que estavam caídas no chão e as colocou em seu avental. Catou mais algumas e se virou para ir embora. Um barulho lhe chamou a atenção. Olhou em volta, mas não havia nada de estranho.
"Que estranho..." Pensou se virando novamente e começando a caminhar de volta para a sua casa.
Continua...
Oiii! Obrigada pelas reviews galera, mas não tenho tempo para responde-las, espero que isso não chateie vocês. É que realmente eu estou sem tempo. Para você terem idéia do que eu estou falando, acabei de finalizar esse capitulo e são 1:26 da manhã T-T e amanhã tenho que acordar ás 7:00 am... É a vida né?
Em relação a umas dúvidas, o filme "Para Sempre Cinderela" é um em que no elenco se destacam Drew Barrymore e Anjelica Huston. E infelizmente o Inu e a Kag ainda não se conhecem nesse capitulo, mas aguardem esse encontro vai acontecer em breve...
É só ta?
B-jus
Lady Sophie
