Predestinados

Bleach não é meu, que pena.

Capítulo 03 - Kumogakure

O céu azul e a briza leve tornavam aquela tarde agradável. Apenas a fumaça vinda dos fundos da pequena casa que subia cada vez mais quebrava toda aquela imensidão azul. Uma senhora usando um kimono verde musgo simples oferecia mais uma porção de chá e dangos para os viajantes da vez, três jovens estranhos que a princípio se perguntava se era certo atendê-los sem sofrer um assalto, mas acabaram por se mostrar tão gentis que toda a má impressão evaporara em segundos.

"Comam bastante meninos, aproveitem esse dia maravilhoso."

"Ainda bem que não está chovendo, não é mesmo?"

Eram três jovens portando espadas e vindos de Kyoto. Um, o mais baixo e provavelmente mais novo era bonito, mas seus cabelos brancos assustavam qualquer um. O outro era careca e possuía olhar severo e o último mais se parecia com uma mulher, tendo cabelos negro-azulados até a altura do queixo e traços bem delicados. Pouco tempo depois, pagaram a conta e seguiram viagem, pegando uma estrada pequena e dificilmente usada pelos viajantes.

Andavam rapidamente e não trocavam uma palavra sequer. A diferença de personalidade entre os três era visível. Um andava com os braços cruzados, sério. O outro, com um sorriso confiante, animado para lutar. Já o terceiro, passava a mão nos cabelos e observava o dia distraidamente. A estrada era longa, mas não demorou para que chegassem ao seu destino.

Kumogakure era uma vila média, mas bem pobre. Os moradores todos possuíam olhares hostis e muitos bandidos se refugiavam ali. Era comum o barulho de brigas, gritos e pessoas fugindo apavoradas. Eram vilas como aquela que tiravam o sono do Shogun à noite, tamanho o sofrimento que a população enfrentava. Os samurais pararam, sendo observados por alguns homens, que mantinham o olhar fixo em suas katanas.

"Como vamos encontrar o tal grupo nessa espelunca?" - O careca, Madarame Ikkaku, resmungou.

"Eles vão aparecer se andarmos por aí. Qualquer um reconhece o nosso clã." - Hitsugaya respondeu, seguindo caminho e entrando na vila, sendo seguido pelos dois.

"Quero ver o Zaraki-san conseguir chegar até aqui... ele confia demais na Yachiru." - O terceiro, Ayasegawa Yumichika comentou, com cara de nojo vendo aquela vila tão pobre.

As ruas da vila eram estreitas e imundas. Podiam ver vários bares abertos que se silenciavam quando avistavam o trio passando. Galinhas corriam, haviam pedaços de comida jogados ao chão e marcas de brigas, com sangue em uma parede ou outra. Não avistaram mulheres e crianças, apenas homens com um péssimo humor e em sua grande maioria, bêbados.

O que Hitsugaya reparou imediatamente fora a falta de carne nos homens. Eram excessivamente magros e ele apostava que não era devido a algum treinamento em excesso. Todos pareciam dispostos a brigar a qualquer momento, mas imaginava quais deles durariam mais que alguns minutos sem se sentirem extremamente cansados e fracos.

"Entendo o motivo de porque surgir uma resistência contra o governo bem aqui... Mas não imagino como conseguiram chamar a atenção. Estes homens estão caindo de fome."

"Provavelmente tem alguém forte por aí liderando isso." - Ikkaku falou, animado para poder encontrar o líder. Seu sangue fervia quando pensava em lutas.

Continuaram rumando pela vila até chegarem em uma parte aberta. Plantas secas não mais cresciam e logo no centro havia o cadáver de dois homens enforcados. Os samurais os reconheceram imediatamente como sendo ninjas do clã Hinamori. Era a evidência de que precisavam, aquela vila realmente era uma traidora e merecia ser punida. Enquanto observavam os cadáveres um grupo de homens aproximava-se sorrateiramente por trás do trio. Na frente dos mesmos, estava um homem jovem de cabelos loiros, uma mecha tampando metade de sua face e segurava uma espada de forma estranha, como um gancho.

"Quem são vocês e o que querem em nossa vila?" - O loiro falou. Toda a vila se calara de repente.

Hitsugaya se aproximou do loiro, com um olhar sério. A diferença de altura entre ambos o deixava irritado. "Somos apenas samurais de passagem à procura de respostas."

O loiro observou os enforcados atrás do trio e ergueu sua espada.

"Por acaso encontraram o que procuram?"

Hitsugaya desembainhou Hyourinmaru, uma espada longa de cabo verde com uma corrente e uma lâmina em forma de meia-lua presa no mesmo. Sua técnica era conhecida por ser tão rápida e precisa que os inimigos congelavam antes mesmo de perceberem que estavam mortos.

"Encontramos mais até do que prevíamos."

Os homens atrás do loiro avançaram em Ikkaku e Yumichika. Hitsugaya avançou para cima do loiro.


Momo estava andando pelo castelo, acompanhando Rukia à distância. A nobre estava no seu passeio diário pelos jardins do castelo e preferia sempre que o fizesse sozinha, o máximo possível. Observava as flores, respirava o ar puro e se aquecia com um pouco de sol que aparecia por entre as nuvens. O jardim central era em uma parte aberta do castelo, permitindo uma visão magnífica do exterior, tendo plantas de várias espécies e tipos.

A Kuchiki estava sentada em um dos bancos, observando as flores e o pequeno lago. Estava cansada de ouvir a velha casamenteira lhe ensinar tudo o que ela já estava cansada de saber. Era uma Kuchiki e não podia ser subestimada. Era precisava ser uma nobre perfeita ou jamais repararia o erro do seu nascimento. Suspirou, sentindo uma vontade enorme de chutar uma das pedras e gritar alto, mas se conteve. Precisava manter a compostura.

"Yo, Rukia."

Ichigo surgiu ao seu lado, sentando-se pesadamente e espreguiçando, logo depois de bocejar longamente. Rukia sentiu as bochechas corarem pela aparição repentina do ruivo e pela raiva gerada pelos maus modos do mesmo. Ele era o futuro Shogun! E se comportava daquele jeito na frente de todos?

"Kurosaki-sama!" - Cumprimentou-o delicadamente com a voz mais gentil e fina que conseguia. Ela sabia que ele odiava aquele tom de voz. - "Você parece cansado! Espero que esteja se cuidando."

"Tch." - Ele passou as mãos nos cabelos, irritado. Rukia sentiu uma veia saltar em sua testa, mas não disse ou agiu. - "Todas essas coisas estão me matando. Aquele velho adora jogar coisas encima de mim."

"Ora, Kurosaki-sama. Ele apenas tem grandes expectativas a seu respeito. Então pare de ser preguiçoso e vá trabalhar!" - Respondeu rangendo os dentes na última frase e voltando a sorrir meigamente logo em seguida.

"O que você tá falando sua tampinha? E você aí, fingindo de nobre exemplar, precisa muito melhorar essa interpretação fajuta!"

Rukia ficou boquiaberta. Fechou-a e a abriu mais três vezes. Então cerrou os punhos, levantou-se e meteu um chute forte na canela do ruivo, que xingou alto. Os criados e mensageiros que passavam por ali pararam, vendo outra briga que se iniciava. Não era a primeira e nem a última e sabiam disso. Hinamori tampou o rosto com as mãos, eles perderam o controle mais uma vez.

"E você precisa levar seus deveres mais à sério! Sou menor do que você mas posso quebrá-lo em dois se quiser!"

"Quer tentar?" - O Kurosaki também se levantou e ambos se encaravam, com faíscas saltando das órbitas. Rukia fez posição de luta e Ichigo piscou, se lembrando do que o pai havia lhe dito. Revoluções estavam acontecendo em vilas de diferentes tipos e não tardaria até alcançarem a cidade.

Desabou no banco novamente, suspirando desanimado. Ainda não tinha notícias de Hitsugaya e dos outros, imaginava se estava tudo certo e se eles haviam encontrado o líder da revolta de Kumogakure. Aquela era uma vila difícil, duas vezes devastada por doenças e pobrezas que muitas vezes não aceitavam a ajuda que enviavam. Não podiam mandar riquezas aos montes, aquela não era a única vila a sofrer!

"Ichigo?"

"Só estou cansado. Até mais, Rukia."

A Kuchiki permaneceu na posição de luta por alguns instantes, observando o noivo se afastar depois de uma súbita mudança de humor até que corou e voltou a sentar-se comportadamente, cabisbaixa. Aquela reação do ruivo não era normal. Geralmente eram impedidos de se matarem por Hinamori ou alguma outra pessoa, mas ele nunca desanimava daquela maneira.

"O que está acontecendo?"


A quantidade de adversários aumentava cada vez mais. Muitos ficavam afastados, esperando uma brecha nos três samurais para silenciá-los definitivamente, mas nenhum dos três dava o braço a torcer. Toushirou estava concentrado em lutar apenas com o loiro, que apresentava um nível maior do que o dos outros, mas nada que mais alguns golpes e ele não caísse. Já estava ferido na perna e no braço direito. Percebera que sua espada era feita principalmente para decepar a cabeça do adversário e sentia seu pescoço arder pelo corte feito quando o mesmo tentara.

Ikkaku ria e golpeava os homens com sua lança sem piedade muitos estavam mortos aos seus pés. Yumichika lutava com alguns poucos, com uma cara descontente por estar se cansando demais. Ele preferia que o amigo fizesse todo o trabalho sujo e ele apenas observasse de uma confortável e fresca sombra.

"Esses idiotas não são bons, mas são muitos!" - Reclamou.

"Mais diversão sobrando, haha!"

Hitsugaya investiu outro golpe contra o loiro enquanto pensava em um modo de finalizar tudo aquilo rapidamente sem matar todos da vila. Foram autorizados a matar qualquer um que resistisse e essa era realmente suas funções, mas erradicar a vila do mapa estava fora de cogitação. Se pudessem controla-los de alguma maneira e coloca-los para falarem tudo o que sabiam seria muito mais proveitoso.

De repente a gritaria aumentou. Muitos corpos caíram ao chão instantaneamente. Toushirou amaldiçoou aos céus por ele ter chegado justo naquele momento. Um homem alto, com um tapa olho e os cabelos espetados, com estranhos guizos presos nas pontas sorria ao ver o sangue na lâmina de sua espada mau cuidada. Zaraki Kempachi era o mais cruel e sanguinário samurai do clã, apesar de ser bom somente em lutas. Sua inteligência e senso de direção eram algo a serem considerados inexistentes no homem. Do seu ombro pulou uma menina de 12 anos, com cabelos curtos estranhamente rosados e um sorriso travesso no rosto. Era Yachiru, sua filha adotiva.

"Eu disse que iríamos encontrá-los Ken-chan!"

"Depois de nos levar quase pra China. Sua idiota!" - Praguejou, recebendo língua da menina. Ela cruzou os braços e correu para uma árvore próxima, não iria se envolver no conflito, deixaria seu Ken-chan se divertir. - "Heh, é hora da festa."

Zaraki avançou na direção dos homens ferozmente, assustando-os. Aqueles que não se concentravam rapidamente acabavam mortos. Hitsugaya ficou irritado, precisava acabar com aquilo naquele instante.

Toushirou segurou a espada em uma das mãos e a corrente na outra, girando-a. O loiro se posicionou para a defesa e sentiu seu braço preso e uma dor dilacerante na mão direita quando a lâmina de meia-lua perfurou seu pulso, prendendo a corrente em seu braço. Fraquejou e quase soltou a espada, mas não podia perder.

O samurai puxou o adversário pela corrente e avançou com a espada, esta sendo bloqueada com uma defesa fraca, o que tornou mais do que fácil o contra-ataque. Hitsugaya aprofundou o ferimento na perna e o loiro caiu no chão, de joelhos. Aproximou-se mirando a ponta da espada no queixo do mesmo, de forma que qualquer movimento mínimo seria adeus.

"Você é o líder daqui?"

O homem continuou calado. A luta continuava entorno dos mesmos, com sangue voando e um Zaraki e um Ikkaku entorpecidos pela adrenalina.

"Responda ou eu juro que encontro a coisa mais importante pra você nessa espelunca e mutilo na sua frente."

O homem levantou o olhar, queimando de ódio. Toushirou percebeu então os olhos azuis e nariz fino, sinal óbvios de que ele era no mínimo, um mestiço.

"O que era mais importante pra mim vocês já tiraram de mim quando abandonaram essa vila pra morte! Sou o líder dessa revolução e não me arrependo! Vocês podem acabar nos vencendo, mas isso não vai acabar aqui."

Toushirou franziu o cenho. Zaraki chutou um homem para longe, destruindo uma parede inteira.

"Se voce não nos contar tudo que está planejando te mataremos."

O homem apenas sorriu ironicamente e abaixou a cabeça, como quem espera pelo golpe final. Hitsugaya apertou a espada com força.


Momo acabara de entregar um pequeno lanche para seu pai. Ele chefiava e guardava a prisão mais importante de Kyoto. Lá estavam todos os prisioneiros políticos e criminosos mais graves, julgados diretamente pelo shogun ou, nos mais extremos casos, pelo imperador. Ela se sentia sufocada todas as vezes que visitava a ala dos condenados à morte. Eram homens cruéis, com auras horríveis e que falavam coisas terríveis toda vez que ela passava pelas celas. Desde ameaças de morte até propostas obscenas que ela esperava não entender realmente metade delas.

Franziu o cenho quando se lembrou de que eram aqueles homens os executados pelo clã Hitsugaya ao público. Todos aqueles que a faziam tremer de medo, mesmo com todo o treinamento ninja que recebera, teriam seus pescoços cortados um dia pela espada do próprio noivo. Um arrepio percorreu sua espinha.

Estava para sair da prisão e voltar para seu clã, já que Rukia já estava segura e em casa, quando avistou Kurosaki Isshin entrando. Ela estancou, fez uma mesura e ficou parada em um canto, esperando pelo momento certo para sair dali. Kimihiro aproximou-se e fez um sinal para que ela não saísse dali. Engoliu em seco e assentiu, se perguntando o que aconteceria.

"Kurosaki-sama."

"Kimihiro, prepare mais uma cela no corredor da morte."

Hinamori congelou, mais um homem terrível apareceria por ali! Observou o barulho de um arrastar de corpos e atrás de Isshin apareceram Hitsugaya e Zaraki, este último carregando um homem loiro todo ensanguentado e machucado. Ele estava se fazendo de forte mas ela percebia pela tremedeira que ele estava sofrendo muito. Não parecia ser tão ruim quanto os outros.

"Ótimo trabalho concluindo a missão em apenas dois dias. Espero que as baixas não tenham sido desastrosas." - Isshin falou, olhando Zaraki atentamente.

"Quanto a isso conversamos depois." - Hitsugaya falou, mau humorado. - "Este é Kira Izuru, tem 23 anos e estava liderando a revolta de Kumogakure."

"Entendido. Coloque-o na cela e me apresente um relatório completo até amanhã."

Toushirou assentiu e Isshin saiu, depois de observar atentamente o rosto do homem. Momo não queria imaginar o quanto aquele homem lutara, pelas marcas ele precisava de tratamentos médicos urgentes. Quando Kira passou ao lado da Hinamori parou e segurou-a assustado, observando-a demoradamente. A jovem congelou e não se moveu, não entendendo a atitude do mesmo.

O Hitsugaya pareceu perceber só então que ela estava ali e puxou o braço do Izuru com força, afastando-o dela. Hinamori o fitou angustiada e se virou, saindo dali às pressas. Não aguentaria ficar naquele lugar por mais um minuto.

Continua.


Hello, pessoal! Cá está mais um capítulo da fic, finalmente. Desculpas pois eu queria atualizar em junho... Até eu me lembrar da maratona de provas desse mês e, bem, eu quero ficar entre os 5 melhores da minha sala. Objetivo de vida terminar a escola com notas excelentes e humilhantes.

Bom, esse capítulo foi um ouço menor, mas eu fiz o possível pra atualizar.. essa é a minha primeira e penúltima semana de férias (pois é!) e eu terminei desesperada, com ressaca de uma festa do pijama que eu não dormi e fizeram complô pra me embebedar. (e ainda foi fail porque eu bebi bastante, mas não fiquei bêbada! Rá!)

Reviews: Luna_drv, Nara Yasmin, Tia Cellinha, Sue Dii, TomoyoMomo, Luisa e Juh_ Muitíssimo obrigada! Foi por vocês que eu fiquei preocupada em atualizar.

Próximo capítulo: Repúdio

Não sei quando vou atualizar... dezembro, outubro, setembro? Eu tenho que estudar mortiferamente pro vestibular agora, vamos ver.

Enfim, é isso.

Kissus e até o próximo!