Esta é minha primeira fic postada aqui. Eu a dedico àquela que primeiro acreditou no meu talento (?) enquanto ficwriter.
Uchiha Yuuki, essa é pra você =D. Sempre achei que NejiTen fosse seu casal favorito.
Disclaimer: Naruto não me pertence. Mas que DROGA!
Fic em cinco partes. (sim, essa fic cresceu ainda mais.)
II – Honrar – parte II.
.
.
.
.
Ele não se lembrava de ter ido ali algum dia. Na verdade, não conseguia nem se lembrar direito de como tinha ido parar naquele corredor. Até bem pouco tempo antes, estivera lá fora, brincando de pega com as outras crianças. Só a menina quieta e chorona, a dos cabelos azuis, não quisera participar. Parecia menor do que era, enfiada em um quimono gigante – uma babá ficava com ela o tempo todo, enquanto ele corria pelo gramado com os outros, procurando o melhor lugar para se esconder.
Tinha uma vaga noção de que morava em uma vila, ou qualquer coisa parecida. Havia um portão enorme de frente para a rua e aquele portão raramente se abria para algo, tanto que ele mesmo não sabia muito bem como era a vida do lado de fora. E nem sentia necessidade de saber, pois, para suprir as suas plenas necessidades de um menino de quatro anos, bastava o espaço aberto dos quintais, a corrida fácil por entre as ruas de casas muito semelhantes, a brincadeira divertida com os meninos e meninas que possuíam os mesmos olhos que ele.
Tudo aquilo, somado à presença reconfortante do pai, já era o suficiente. Adorava quando ele chegava em casa, à noite. Dispensava as empregadas e ia se divertir com o filho, cuidar dele, de modo tão solícito que supria a ausência de uma mãe, não deixava espaços para lamentações. Naquele momento, em específico, o pai não estava com ele – gostava de o deixar com os amigos da mesma idade; quem sabe assim a frieza, marco explícito dos Hyuuga, não fizesse dele a próxima vítima.
O pique agora estava com um dos meninos mais velhos do bando. Era muito esperto, além de bom corredor, e Neji sabia que teria de se esconder bem, pois, caso achado, não teria a menor chance de bater no muro à frente do companheiro. Ele sabia também que o garoto contava os números muito rápido, e por isso correu o mais que pôde, o coração martelando forte dentro do peito, todo ele sentindo as pernas de repente se tornarem curtas demais, o corpo pesado.
Vislumbrou uma porta semiaberta e a transpôs, sem saber de que casa se tratava, e nem em que parte do terreno Hyuuga se encontrava. Correra por instinto, na vontade extrema de não ser encontrado, e acabou perdendo a noção de espaço. Atravessou cômodos que não conhecia, invadindo a propriedade alheia, sem sequer se dar conta. Só parou ao se deparar com um comprido corredor, o chão revestido de uma madeira escura, as paredes repletas de quadros e luminárias enfraquecidas.
De vez em quando, alguns homens iam a sua casa, e o pai pedia a ele que lhes desse licença, pois era hora de tratar de assuntos muito sérios para um menininho. Mas Neji não resistia e, encolhido por detrás de uma parede, prestava bastante atenção, sem que o percebessem. A reunião acontecia sempre em tom muito baixo, então ele só ouvia trechos dispersos. No entanto, percebia o quanto aqueles estranhos elogiavam a casa e o bom gosto do pai, dizendo que ele era o mais afortunado dos membros secundários. Neji jamais fora capaz de entender aquelas palavras.
É claro que ele sabia que a sua casa era grande e bonita, e os elogios murmurados o deixavam cheio de orgulho, como deveriam deixar o seu pai. Porém, ele não estava preparado para a riqueza tão evidente daquele lugar, de quadros insinuantes e ao mesmo tempo assustadores, o chão tão brilhoso que ele podia jurar que conseguia se enxergar neles. Voltou a imaginar quem seria o dono daquela casa, e em que parte da vila estaria, e a inexistência de uma resposta o deixou com medo. Precisava urgentemente sair dali, reencontrar os amigos, jogar pique e rir como se tudo estivesse normal. Mas para onde seria a saída?
Ao longe, pôde distinguir uma voz. Não identificou as palavras ao certo, mas ele, que tanto espionara as reuniões secretas do pai, era um especialista em reconhecer timbres. Sim, aquele era seu pai que falara! Então ele estava ali dentro, afinal de contas! O medo o abandonou por completo, e não o incomodou nem mesmo quando ele passou a ouvir passos que se aproximavam, vindos da outra ponta do corredor onde ele se encontrava. Era o pai que vinha resgatá-lo. Ele seria tirado dali, levado de volta para o espaço aberto, e tudo estaria bem.
O rosto e corpo que apareceram na extremidade do corredor eram, de fato, idênticos aos de seu pai. A voz também o era, como ele próprio pudera verificar minutos antes. Mas em nada mais aquela figura evocava os atributos de seu pai, o carinho, a compreensão. O homem veio pisando duro, o semblante sério, enquanto o medo dentro de Neji reaparecia e ia sendo aos poucos transformado em terror. Não, aquele não era Hizashi, independente da semelhança espantosa. Não podia ser.
O homem chegava cada vez mais perto. Paralisado pelo pânico, Neji não conseguia correr para longe dali, por mais que um sinal de alerta estivesse aceso em seu interior e gritasse que a fuga era a alternativa mais recomendável. A presença daquele indivíduo era simplesmente imponente – sim, imponente era a palavra certa. Preso em uma armadilha preparada pela sua própria desatenção, o menino viu o homem se postar bem diante dele, abaixando-se de modo a poder olhá-lo nos olhos. O adulto ergueu a mão tétrica, estendendo-a na direção de Neji e fazendo um estranho carinho em sua testa gelada.
"Hyuuga Neji, certo?". O menino mal conseguiu assentir, engolindo seco. "É uma pena, moleque, mas você não é maior do que todas as nossas tradições. Aproveite o pouco tempo que lhe resta... o pouco tempo em que ainda será totalmente livre."
Então o senhor sabia até mesmo o seu nome. E dissera palavras aterrorizantes, como se lançasse sobre a sua cabeça uma maldição irremediável, traçando um destino do qual ele não poderia jamais se desviar, por mais que fugisse. Era como se naquela fala breve estivesse depositada toda a sua infelicidade, e Neji não conseguia suportar a ideia de um futuro infeliz, desgarrado do pai e de todas as coisas que amava. Soltando em definitivo o fio do medo que ainda o prendia, o menino virou-se e correu, em disparada, para longe dali.
.
.
.
................................................................................................................................................................
.
.
.
Mais de vinte anos depois, Neji voltava a percorrer o sombrio corredor de sua infância. À visão de um dos quadros pendurados, uma relíquia particularmente interessante, tudo lhe surgiu à memória: o dia de sol lá fora, Hinata no colo da babá distraída, a brincadeira de se esconder, sua correria pelo terreno, a chegada a uma casa desconhecida, o confronto com Hiashi. Caso se concentrasse, podia sentir ainda, na testa agora encoberta, mas que antes ele ousava deixar à mostra, o toque gélido e incisivo do tio.
Na ocasião, não entendera. Ah, as ingenuidades infantis. O menino recuara perante as palavras malditas porque temera o homem que as proferia, de rosto assustadoramente familiar. Talvez tivesse sentido o receio no tom da voz grave. Tudo, tudo menos a compreensão exata do que aquelas frases significavam. Poucos meses depois, a chave para o mistério estivera em seu colo. Refletida no ódio que cultivara. Transmutada na consciência que adquirira.
A sua frente, ia o mensageiro do clã, apressado. Pediu que Neji esperasse no corredor, enquanto ia comunicar ao patriarca a chegada do visitante. O jovem moveu os ombros, vencido. Estava arruinado pelo cansaço, o corpo dolorido. Havia acabado de chegar de uma missão extenuante, e sequer pudera tomar um banho, pois o recado do clã o alcançara em cheio, mal ele pôs os pés em casa. "Hyuuga Hiashi deseja vê-lo", disse a voz, e ele simplesmente atendera. Era assim que um bom subordinado fazia, e ele jamais poderia esquecer sua posição.
Olhos para os próprios pés, calcados de poeira. Havia ainda um pouco do sangue que o ninja inimigo cuspira na manga do seu quimono, segundos antes de morrer, em blasfêmia intensa contra a vida e contra o seu ofício. Aquilo não era usual. Em geral, os homens sabiam morrer. Traziam a honra estampada na face, e aceitavam, com a passividade típica da morte iminente, que algo fora superior as suas forças. Era assim que Neji sabia que se despediria da vida, se a morte o alcançasse em uma batalha. O conformismo ideal, apenas. Em sua concepção, já vivera mais do que merecia.
Ainda possuía a habilidade pueril para reconhecer timbres. Portanto, identificou com suficiente clareza os murmúrios de Hiashi, no cômodo ao lado, informando ao mensageiro que podia mandá-lo entrar. Educadamente, esperou que a ordem fosse retransmitida, por mais que tivesse pressa em receber suas ordens e sair logo dali. Por outro lado, uma certeza trêmula alcançou sua mente, no exato instante em que ponderava acerca de tudo aquilo. "Ela não voltará antes de quatro dias.".
Fechou os olhos, encostando a cabeça na parede, rendendo-se às evidências que a sua consciência lhe apresentava. Tenten. Ela havia se tornado um vício, alguma coisa surpreendentemente calma e bela, onde ele ia descansar as mágoas dolentes, sem medo da rejeição. Era só na companhia dela que ele deixava, ainda que receoso, as lembranças da infância se acomodarem sem medo. Ele podia ser apenas Neji, sem preâmbulos ou sobrenomes. E, até então, não havia se dado conta do quanto ela era um porto seguro, de tudo o que compartilhavam, dos segredos que ambos sabiam.
Algum tempo atrás, ele teria rido de tais ponderações. Entretanto, a vida o amadurecera muito antes da época, e, quando a idade da razão o alcançou, ele já estava demasiadamente gasto. Acreditou, por um bom tempo, que nada prometia alegrias nem surpresas. Por isso, mecanizava tudo – era o violento medo de se perder, de deixar escorrer pelos dedos, fluindo em meio à ânsia, todos os pedaços de vida que ele mais prezava. Por isso, ele não suportava admitir o papel que Tenten tinha na sua vida. Não era só desejo, companheirismo ou reparação. Precisava dela.
Ainda de olhos fechados, ele deixou que um sorriso tímido se esboçasse em sua face incrédula. Precisar dela! Mas o pulso tornava a latejar, toda vez que ele se propunha a alternativa. Quem sabe houvesse um lugar e um tempo bom, depois de tantas tempestades. Ele imaginava que, se a vida lhe desse uma outra possibilidade, era com ela que ele ousaria dividir. Uma brecha ameaçava se abrir no seu coração trancado, e ele não tinha certeza se devia deixá-la se escancarar até o máximo. O jejum de sua menina o incomodava. Muito.
A voz do funcionário o arrancou daquele torpor. "Já pode entrar agora, senhor."
Neji apenas assentiu com a cabeça, antes de cruzar a porta em direção à extensa biblioteca. Passada a porta, tudo era escuridão e nevoeiro, apesar das paredes brancas. Talvez fossem as estantes de mogno, talvez fossem as cortinas fechadas – mas, acima de qualquer coisa, era o semblante de Hiashi que impactava Neji e lhe passava uma estranha sensação de sombrio. O tio parecia trazer a morte nos olhos. E, pela primeira vez, o jounin pôde calcular com maior certeza a gravidade daquela reunião.
Hiashi mais murmurou do que pediu para o sobrinho se sentar em uma das cadeiras de espaldar alto. Sua voz era grave e gélida como o usual, mas traía algo da emoção que o atravessava, e que ele temia deixar transparecer. Tão difícil era pronunciar as palavras definitivas. Quando a carta chegara, dois dias antes, ele ponderara bastante. Buscara outra saída, mas em vão. Praguejara contra os céus, se perguntando que espécie de maldição poderia ser tão cíclica, se abatendo sobre a segunda geração secundária. Nada, além do silêncio, respondera.
Então Hiashi soube. E aquela sabedoria era do tipo que ele odiava ter. Por mais que dissesse a si mesmo que o responsável por tudo era o destino, não conseguia lavar de suas mãos culpadas o sangue do irmão mais novo, vertido pela tradição. Uma palavra tão sólida e tão vazia. A tradição não dava consolo, não prometia justiça, sequer amenizava a sensação de erro que ele sabia que não deveria sentir, mas sentia.
Hizashi morrera também por Neji. Mais por Neji do que pelo clã, sabia o patriarca. Para que o filho pudesse viver sob a honra de um pai que não abandonou o seu posto. Também para que o filho soubesse que, apesar das restrições da vida, sempre chega o momento no qual um homem pode fazer a própria escolha. Hizashi escolhera a morte, porque a possibilidade de escolha era o que tornava a sua vida plenamente vivida. Refletindo sobre o assunto, Hiashi avaliava que o irmão morrera sobretudo pela felicidade – o que, é claro, não aliviava o remorso que enchia-lhe o peito.
Teria Neji a mesma alegria em se lançar ao túmulo?
Hiashi olhou uma última vez para o sobrinho, antes de tomar fôlego para começar. O que viu foi um homem de vinte e poucos anos, usando um quimono sujo e empoeirado, um pouco manchado de sangue. Usava os cabelos compridos, um hábito adotado por quase todos os homens do clã. Os olhos eram tão brancos quanto os seus próprios – entretanto, havia ali uma profunda diferença. Toda a postura do jovem era a de um homem que sabia que a vida era uma batalha e que, por isso mesmo, se portava com altivez, à espera do movimento final. Um excelente ninja. "Por Deus, ele não merecia, não merecia...".
"Neji", disse o homem mais velho, a voz tão sóbria quanto lhe foi possível, "eu gostaria de lhe contar uma pequena história.".
Neji teve um sobressalto. Tinha imaginado várias coisas, exceto que Hiashi o chamara para ocupar seu tempo com histórias ocasionais. Mas ele ficaria ali, por respeito ao superior, e porque sua velha capacidade para timbres lhe dizia, quase instintivamente, que havia algo por trás daquilo. Algo que ele não conseguia ainda captar com precisão, mas que fazia as sombras da sala ficarem cada vez mais espessas.
"Na verdade, é uma história que você já conhece.". Neji fixou o olhar em Hiashi, subitamente petrificado. O que tudo aquilo queria dizer? Todos os murmúrios de protesto morreram entre seus lábios. Aquela sensação de inquietude ficava cada vez mais intensa e algo lhe dizia que era simplesmente inútil tentar deter o fluxo do destino. Um golpe estava prestes a acertá-lo em pleno ar e ele não podia ver, porque estava cego.
Hiashi pigarreou, antes de continuar: "Há muitos anos, o clã assinou um contrato de paz e amizade. Vivíamos em guerras constantes, era preciso pôr fim a toda aquela matança desnecessária.". O homem se permitiu um breve sorriso, ainda que entrecortado pela densidade do momento. "Ora, quem sabe você até se lembre do dia em que assinamos o contrato. De fato, você era só um garotinho, mas talvez recorde alguma coisa. Foi o dia em que recebemos os visitantes da Nuvem.".
O rosto de Neji se anuviou perante a menção da vila oculta. Lembrou da luta que travara há pouco tempo... o ataque súbito, tão perto de Konoha, a tentativa não de um embate, mas de um sequestro. Pensou no ninja que carregara Hinata, no assassinato que ele cometera para recuperá-la e descobriu que tudo aquilo tinha um gosto amargo, um ar subitamente familiar. Fora o passado que se jogara a seus pés e, ali, dentro da biblioteca escura, ele começava a intuir, mais do que compreender, o quanto todas as peças iam se encaixando nos seus lugares.
"Sim, eu me lembro.". O jovem disfarçou bem o pesar; lembrar dos primeiros anos da infância sempre o incomodava. "Meu pai ainda era vivo na ocasião.".
"É verdade. Hizashi...". O homem ameaçou perder-se em divagações, mas se forçou a ficar atento. Só que aceitar a obviedade cruel de tudo doía tanto. Já pensara e repensara no que tinha para dizer, não havia outra saída, e, ainda assim, se continha, antes de lançar uma semente destruidora. Tentara desprezar o afeto diversas vezes, para analisar a situação com racionalidade, e, mesmo quando o fazia, constatava apenas o quanto aquilo era um prejuízo. "Neji é nosso melhor homem. Como poderemos perdê-lo?".
"Bem, você sabe do resto. O clã foi enganado. Aqueles homens, que se apresentaram humildes, com promessas de paz nas mãos, tinham um outro objetivo. Não preciso lembrar a você qual o valor da marca que carregamos nos olhos. O byakugan sempre foi cobiçado e... enfim, os ninjas da Nuvem o queriam. Souberam disfarçar suas intenções muito bem, até o dia em que um deles tentou roubar Hinata no meio da noite. Por sorte, eu o surpreendi antes que escapasse.". Hiashi cortou a frase; tinha certeza de que o sobrinho sabia como tudo terminara.
"E você o matou.", Neji completou, cáustico.
"E eu o matei."
Um silêncio opaco e ambíguo ocupou o espaço entre os dois interlocutores, cada um perdido em seus próprios pensamentos. Hiashi procurava as palavras certas – era preciso que Neji entendesse tudo, pudesse enxergar no passado paterno a raiz primeira daquele que seria o seu próprio mal; era por isso que ele ousava trazer à tona recordações daquela espécie. Neji, por outro lado, buscava encontrar um caminho no meio das memórias, e, se a sua sagacidade alertava-lhe aos poucos a consciência, ele a deixava quieta. Queria poder se iludir mais um pouco. Só mais um pouco...
"Você precisa entender, Neji, por que eu fiz isso. Não era só uma questão de proteger a minha filha. O sentimento paternal foi o que menos me moveu, na verdade.". Ao contrário do que se poderia supor, Hiashi não se encabulou ao fazer tal revelação. Não tinha por que usar meias verdades. Hinata era mediana por natureza, sem a personalidade clássica dos Hyuuga, e certamente Neji conhecia a opinião do tio. "Fiz pelo clã. Fiz porque não podia entregar nosso maior bem nas mãos de um inimigo, de um povo traidor, que não honra sequer o contrato que assina. Qualquer membro agiria da mesma forma.".
Agora vinha a parte delicada da história, a que tinha uma ligação mais estreita com o shinobi sentado a sua frente, o cansaço evidente nos traços do rosto. Pois bem: se aquilo começara, aquilo teria fim. Lembrou-se das palavras que lera tantas vezes, na carta recebida, e como era irônico que elas fossem tão parecidas com as da carta do passado. Havia as consequências. Elas sempre vinham.
"Alguns dias se passaram e o clã recebeu uma carta. Em linhas gerais, eles exigiam que um dos Hyuuga fosse morto, em equilíbrio com o ninja que eles perderam. É óbvio que eles queriam um dos nossos mais fortes shinobis, o que tivesse desenvolvido ao máximo a capacidade ocular que eles pretendiam roubar e estudar.". Hiashi se permitiu um sorriso breve, muito mais de tristeza do que de alegria, antes de continuar. "Bem, nisso eles foram espertos. Tinham a desculpa perfeita para ficarem com ninguém menos do que o líder do clã. Eles enviaram uma carta e pediram explicitamente que eu, Hyuuga Hiashi, o assassino, fosse entregue, morto, a eles.".
"E meu pai tomou o seu lugar", disse Neji, a voz tremendo, de uma raiva repentina e empoeirada, que ele julgava esquecida há muito, mas que retornara de repente, reabrindo as feridas que ele acalentara durante anos para que fechassem. "Fez isso porque ele era seu gêmeo, portanto idêntico a você, e os homens da Nuvem não duvidariam de que tinham pegado o cara certo quando vissem o corpo, mas ele fez isso, acima de tudo, porque ele era um secundário, e assim, quando ele morresse, o byakugan ficaria trancado junto dele.".
Neji se levantou; subitamente, era difícil se conter envolvido pelos braços da enorme cadeira. Ameaçou dar uma volta completa pela sala, mas segurou o passo. Ele era, sobretudo, um indivíduo permanentemente sob controle. Um Hyuuga legítimo, podia-se perceber, até mesmo naqueles breves detalhes. Tornou a se sentar. Decidiu falar.
"Eu sei que o meu pai fez o que fez porque quis". Respirou fundo, antes de continuar. Era de novo ele mesmo, compenetrado, e tomaria cuidado para que seu interior não transparecesse de forma tão evidente uma segunda vez. "A morte, para meu pai, significava alguma espécie de liberdade. Eu o posso entender. Não culpo o clã pelo que aconteceu... não mais. Sei a verdade, agora.". Olhou inquisitivo para Hiashi. "Então esse era o seu objetivo? Me chamou aqui para falar do passado e tentar redimir o clã aos meus olhos?".
Hiashi respondeu com outra pergunta:
"Você enfrentou um ninja da Nuvem recentemente, certo?"
A consciência de tudo o que se passava atingiu Neji em cheio. E o sadismo daquela situação alcançava os limites do inacreditável. Como em uma ciranda, tudo estava voltando. De alguma forma soturna e cruel, ele estava fadado a seguir os passos do pai. Desejou que tudo aquilo fosse um sonho, pensou em alguma cama macia e confortável, onde ele acordaria chorando, e onde Tenten, a ninja de coques castanhos e pernas cálidas, o sacudiria docemente, dizendo que fora tudo um pesadelo e que eles tinham uma vida deliciosa e calma pela frente. Inteira, apenas dos dois. Só que a realidade nunca corresponde à ficção.
Hiashi estendeu para Neji o papel desgastado pelo manuseio constante. Ainda atingido pela revelação que o seu próprio interior lhe gritava, leu as primeiras duas palavras: "Exigimos retaliação..."
Súbito, o gélido da certeza alcançou os músculos dopados pelo desespero. Ousou erguer a fronte e olhar Hiashi nos olhos. O homem estava sério como sempre, mas a amargura era visível em cada ruga. Neji deixou que seus lábios formassem um meio sorriso. Nada como reagir de forma irônica ao incrédulo da vida.
"Então eles tentaram a mesma cartada, não foi?"
"Isso mesmo, Neji", falou Hiashi. Impossível esconder a verdade do sobrinho, e, agora que ele já percebera por si só, era melhor ir até o fim. "E, dessa vez, foi uma cartada de mestre. Eles não têm o líder nas mãos, e nem precisam de um homem que agora está velho e já não está no auge. No lugar, eles conseguem um ninja jovem, cuja fama alcança os países mais longínquos e que, por ser tão bom assim, eles imaginam que pertença ao ramo principal. Eles querem você, Hyuuga Neji.".
.
.
.
.
CONTINUA...
.
.
.
.
Queridos, me perdoem.
Em primeiro lugar, pela demora. Foram mais de dois meses sem atualizar, e eu odeio deixá-los esperando. Enfim, andei muito atarefada e estejam certos de que farei o possível e o impossível para não ficar sem postar por intervalos muito grandes de tempo.
Em segundo lugar, por fazer essa crueldade com o Neji. Assim que a fic surgiu na minha cabeça, eu estava certa de como tudo ia acontecer. Só que escrever doeu. Enfim, o objetivo da fic é mostrar a sina que pode se abater sobre um shinobi – por isso as coisas têm sido cíclicas na vida dele. Mas é triste assinalar de forma tão clara o espaço que ele tem dentro da sociedade Hyuuga: um gênio limitado por meia dúzia de rótulos inventados bem antes de ele nascer.
No meio disso tudo, um aviso: como tive muitas ideias e o capítulo ficou maior do que eu pretendia, a fic cresceu mais um pouquinho. Iremos a cinco capítulos, e só. Estourei totalmente o planejamento inicial, que era de três capítulos. Me perdoem por ser tão relapsa com o projeto.
Vejo-os na próxima. Beijos a todos, e, é claro, deixem uma review. (nem que seja para me espinafrar por colocar o Neji na berlinda!)
Respondendo reviews por aqui...
Uchiha Yuuki: Vou bem, moça, e espero que você também, nesse ano tão frenético. Que bom que você gostou da cena hentai, nunca tinha escrito nada do tipo e a sua aprovação é um sinal de que está ok (confio no seu julgamento para avaliar se uma cena está erótica ou vulgar, e é bem difícil estabelecer um limite entre uma coisa e outra).
Sim, "possessivo" descreve com exatidão o Neji. E Tenten é exatamente essa que compreende do que o seu amado precisa, e corresponde, sem exigir muito, sem perguntas a mais. É isso o que dá sintonia ao casal.
Aiiiii, espero não estar te frustrando muito com esse caminho que dei para a fic. Eu sei que ela é dedicada a você, mas o enredo meio que já está pronto na minha cabeça, e ler que você estava esperando um final feliz me partiu o coração... Bem, vou matutar um modo de livrar o Neji da morte – não estou prometendo nada, mas irei pensar! Quem sabe não podemos ter um final feliz aqui?
Owwww, ainda bem que eu encontrei uma madrinha tão carinhosa para me dar força no mundo das fics! =D Espero que você tenha tempo de dar uma passadinha por aqui e aproveitar o terceiro capítulo dessa fic que cresceu até cinco! Beijo!
Hyuuga ALe: Moça, você me fez chorar com sua review, sério! Fico tão feliz de estar te agradando, de você gostar do que eu escrevo! Seu elogio me deixa muito honrada e orgulhosa! Sim, eu fiquei toda boba MESMO! =D
Que bom que você curtiu o amasso entre o casal – eu estava com medo de escrever uma coisa que ficasse muito vulgar, em vez do clima erótico que eu pretendia passar para quem estivesse lendo. O fato de você elogiar quer dizer que ficou bom, e isso me deixa feliz. E vou adiantando uns spoilers sobre a fic para você: teremos uma outra cena NejiTen no melhor estilo Rate M... se prepare!
Hummm, você leria uma NaruHina que também tivesse NejiTen? Se sim, é só aguardar um pouquinho: estou preparando uma U.A. que irá em breve sair do forno com os dois casais. De qualquer forma, eu certamente voltarei a escrever sobre NejiTen, eles são meu segundo casal favorito (inclusive aceito sugestões para temáticas, toda ideia criativa é benvinda!).
É, agora temos mais um novo capítulo. Serão cinco e só, acho que aí sim terei chegado no tamanho ideal. Espero que você tenha gostado do que leu agora. Beijo, moça!
Prisma-san: Nossa, espantada? Mas por quê? Espero que tenha sido em um bom sentido... =D
Também sou muito fã dos gêmeos Hyuuga. Na verdade, a história de todo o clã me fascina, e, juntando isso com o fato do Neji ser um dos meus personagens favoritos, fica fácil entender por que eu o escolhi para ser tema de fic... Acho que Hizashi não seria só um pai incrível como um líder de clã incrível – tentei colocar um pouco isso na fic – e isso só não aconteceu porque o destino – que no universo de Naruto equivale à mente do tio Kishi – decidiu dar um outro rumo às coisas.
E aí, o seu palpite estava certo? De qualquer modo, espero que o jeito como a fic continuou tenha te agradado. Dúvidas, reclamações e sugestões, é só falar XD Beijo!
p.s.: eu chorei mesmo com o 437. Foi o capítulo mais perfeito da história da série. E o Naruto lembrou dela em diferentes momentos... aquele capítulo em que ele falou "eu fiz isso com Hinata e os outros", ela em especial, derreteu o meu coração NaruHinático.
Lust Lotu's: Oi, moça, que bom que você gostou! Você entendeu perfeitamente a ideia do capítulo... eles têm uma necessidade que tentam suprir um com o outro. Por outro lado, a conversa entre ambos é uma forma de se distraírem: os dois odiariam admitir que há amor por trás do sexo.
Bem, nesse capítulo o Neji começou a admitir para ele mesmo que a lembrança de Tenten é algo importante, e que ele sente falta do carinho e doçura que ela tem. Infelizmente, logo depois de ele começar a perceber isso, o Hiashi traz uma notícia negativa e que promete acabar com todos os seus planos... (ainda estou mal por ter escrito isso)
Espero que você tenha gostado. Continue acompanhando. Beijos!
Megume A.: Quem sou eu para falar de atraso... demorei horrores para atualizar a fic! Então, não tem problema XD
Bem, aí está a continuação. Eu fiquei muito triste quando li a sua review, porque ela está cheia de comentários esperançosos, como o "Neji vai virar lider do clã" e o "Hiashi vai morrer" - esse último é o que doeu mais, pois o próprio Hiashi está mandando o Neji de bandeja para a vila da Nuvem!
Espero não ter te decepcionado. E fiquei tão mal ao escrever o capítulo que tentarei mudar um pouco as coisas na minha cabeça. Talvez haja espaço para a felicidade do Neji e quem sabe uma liderança de quebra. Talvez.
Para lances de amor o Neji é ingênuo. Homens...
Tomara que, apesar de tudo, você tenha gostado! Beijo e até!
Hyuuga tenten s2: Eu estava mais ou menos com metade do capítulo pronto (fui escrevendo por partes) quando abri o fanfiction e vi que tinha uma nova review para Sina.
Fiquei muito feliz de ver que um leitor novo "descobriu" a minha fic e mais, que leu três (!) vezes. Obrigada por acompanhar, moça! Que bom que você tem gostado das descrições e do meu modo de apresentar o amor dos dois.
Eu sei que demorei muito, e espero sinceramente que eu nunca mais leve tanto tempo para atualizar essa fic. Infelizmente, eu faço um bocado de coisas e não sobra muito tempo (e, quando sobra, eu não tenho o pc só pra mim, o que é uma pena). Mas olhe só, voltei a publicar pouco tempo depois da sua review! =D
Espero que você tenha gostado do capítulo. Beijos!
.
.
.
Próximo capítulo: Honrar – Parte III
