Poison Love
Capítulo 3
"I hear, a voice say 'Don't be so blind'
it's telling me all these things,
that you would probably hide
am I, your one and only desire
am I the reason you breathe
or
am I the reason you cry? (...) I
see, the blood all over your hands
does it make you feel, more like a man?"
Mais uma vez... Acordava em sua cama macia, não sabia se era manhã, tarde ou noite, as janelas cerradas deixavam o quarto na penumbra. Remexeu-se entre os lençóis, sentindo o corpo clamar de dor, acabou por soltar um gemido abafado. Respirou fundo, se manteve quieto, de olhos fechados.
Franziu um pouco as sobrancelhas, sentiu um cheiro muito familiar. Levou o braço para o outro lado da cama, deslizando pelo lençol, procurando. Em vão. Vazio, como nas manhãs em que acordara nos últimos meses. Que ironia, porque achava que ia encontrar alguém ali do seu lado?
O cheiro... Ainda impregnava suas narinas, suave, fazendo seu peito apertar de saudades. E não era só o cheiro, seus sentidos estavam debilitados, mas podia perceber a presença de alguém naquele quarto. Abriu os olhos com dificuldade, tentando focar o ambiente, os móveis, até encontrar o vulto de uma pessoa ao pé da porta.
Tentou sentar entre os lençóis em um impulso, sua vista estava embaçada e um tanto turva. O esforço o fez se desequilibrar. A pessoa aproximou-se rapidamente, segurando seus braços e ajeitando-o de volta no travesseiro. Com a proximidade pode focar o rosto sério, o cabelo liso a deslizar pelos ombros e roçar-lhe a face numa carícia leve. Mantinha-se em silêncio, apenas arrumando os travesseiros abaixo de sua cabeça, em um cuidado extremo.
Enquanto isso observava o outro trabalhar, acompanhando com os olhos semi-cerrados a bela face. Suas lembranças eram confusas e sentia-se sonolento, sua mente só conseguia registrar aquela presença tão próxima como um sonho. Porque não falava? Porque não olhava para ele?
Quando ele tentou afastar as mãos, segurou uma, impedindo que se fosse. A levou contra seu nariz, inspirando profundamente, sentindo o cheiro de antes. Viu os olhos avermelhados (1) o encararem surpresos, seu coração palpitou com a intensidade deles. Mas os seus próprios olhos estavam tão pesados que logo se fecharam e suas mãos ficaram moles, soltando-o.
oOo
Ficou na mesma posição até ter certeza de que havia voltado a dormir, então retirou sua mão dentre as dele. Puxou os lençóis ajeitando-os e se afastou um pouco, observando o rosto sereno. Estava tão fraco, era um cavaleiro, por pior que fosse a situação que passassem, seus corpos deviam resistir bem mais que de um mortal comum.
Seu pupilo, Shun, havia lhe dito que não se alimentara direito. E pela primeira vez vira-o receber os golpes do seu adversário passivamente, em uma luta séria.
"O que está fazendo consigo mesmo, Milo? É culpa minha?". Levantou-se, ficando do lado da cama em pé, "Por acaso esta me punindo?".
Virou-se ao ouvir passos, vendo Mu entrar no quarto com uma caixa. Parou na entrada, os dois permaneceram se encarando em silêncio. O tibetano ainda lançava-lhe o olhar de censura, como um adulto olha para uma criança que aprontara uma travessura muito feia. Balançou a cabeça, indo até o outro lado da cama.
- Hora de trocar as bandagens.
Abriu a caixa e tirou os objetos de lá de dentro, enquanto Camus retirava os curativos já manchados. Limpavam os ferimentos e trocavam as bandagens sem se falarem, até que o francês o olhou de esguelha e quebrou o silêncio.
- Ele... acordou há alguns minutos atrás.
Áries arregalou os olhos, ansioso.
- E o que disse?
- Nada. Tentou se levantar, mas logo desmaiou. Acho que foi muito para ele.
Suspirou e deixou os ombros caírem, lamentando o estado do cavaleiro de Escorpião. Temia que acabasse assim, os dois eram muito orgulhosos. De relance, viu Camus pressionar um pouco a região das costelas e o rosto contorcer levemente de dor. Lembrou-se de que também fora atingido na luta do dia anterior, o lado direito da face estava um pouco inchado.
Aproximou-se do cavaleiro de gelo, erguendo seu rosto pelo queixo.
- Deixe-me ver is...
- Não me toque!
Afastou rudemente a mão, deixando um Mu atônito com sua atitude. Baixou os olhos vermelhos, ficando um pouco corado. O tibetano ergueu-se, recolhendo as bandagens sujas e se dirigindo a porta. Esperou que saísse do quarto, então respirou fundo e mirou a figura a sua frente.
Debruçou-se sobre o grego, os rostos bem próximos.
- E abra essas janelas, por Atena! Parece mais o quarto de um morto!
O berro de Áries fez Camus se assustar e quase cair em cima de Milo. Praguejou, atacando o primeiro objeto que viu na frente no cavaleiro, que ria, fechando a porta para desviar do ataque.
oOo
Milo
A sensação é boa. Tudo dói, então a dor é algo ínfimo. Alguém parece estar do meu lado, sinto mãos me tocando. Está frio, mas não quero me afastar. É tão gentil. Lembra-me... Camus.
Ele sempre foi gentil. Mesmo quando lhe implorava para que me tomasse rápido, sem importar-me, ele não o fazia. Sempre se preocupava, sempre me preparava. Beijava-me, me acariciava, me tocava. Por vezes apenas me provocava, virando-se para dormir, logo em seguida. Provavelmente escutava meus ofegos quando me tocava, minutos depois. Ele parecia gostar disso. Seria um ótimo dom. E eu seria o sub mais fiel que ele poderia ter.
Em todos esses anos o possuí algumas poucas vezes. Por mais que me agrade ser ativo, com Camus era diferente. É e sempre foi. Gosto que ele me coloque de quatro, gosto que me possua, gosto do carinho, gosto da expressão de prazer em seu rosto quando fica de voyeur enquanto me toco, gosto do seu corpo, da sua excitação, gosto do seu gosto, gosto do cuidado que ele tem em não me machucar, pois sabe o quanto já me machucaram. Gosto de tudo nele. Eu amo Camus.
E aquilo tudo... Aquilo tudo foi só um sonho ruim, não é? Ele me ama, não é mesmo? Ele não me machucou, ele não pode ter me machucado. Ele sabe o quanto já me machucaram antes, ele não pode ter feito isso! Mas eu o traí, não é verdade? Depois de tantos anos juntos, sem dormir com qualquer outro ser humano que não fosse ele, deitei com outras pessoas, né? Eu o traí. Não importa se foi pela ausência. Não importa se procurava neles os cabelos ruivos, os olhos avermelhados, as unhas longas, as palavras amorosas. O que importa é que o traí. Não importa se eu chamava seu nome quando gozava. Eu o traí. E fui punido por isso.
A sensação é boa. Tudo dói, então a dor é algo ínfimo...
oOo
Milo apertou as pálpebras, sentindo-se incomodado com a luz que batia diretamente em seu rosto. Virou-se para o outro lado, fugindo da claridade. Algo em sua mente disse que já era tarde, que deveria acordar para o treino. Soltou um protesto ininteligível no meio do sono, "só mais cinco minutinhos".
Sua cabeça doía um pouco, seus membros estavam dormentes. Entreabriu os olhos, estranhando. Deparou-se com dois olhos vermelhos, encarando-o.
A visão do rosto de Camus teve o mesmo efeito que uma ducha gelada naquele momento: fez com que despertasse completamente. Sentou-se na cama de imediato, alguns músculos protestaram, mas ignorou. O francês estava deitado de lado, um dos braços debaixo da cabeça, usando apenas uma calça leve. Naquele canto da cama, em que costumava o encontrar a cada manhã. E que, nos últimos meses, sentia seu coração doer ao passar o braço no espaço vazio do colchão.
Viu o cavaleiro também sentar na sua frente, esfregando os olhos e afastando os fios de cabelo ruivo do rosto. Pela cara, parecia que também havia acabado de acordar.
- Ca-Camus?
Aquário apenas levou o braço ao seu ombro, fazendo-o deitar novamente, afagando sua franja farta.
- Por quê? Por quê? - perguntou, as lágrimas escorrendo pelos cantos dos olhos.
Os dedos de Camus desceram da franja até os olhos, acariciando suavemente, fechando as pálpebras.
- Durma, Milo. Seu corpo está muito machucado, descanse.
- Diga o porquê disso, Camus.
- Por favor, Milo, durma. Conversaremos depois - levantou-se e deixou o quarto.
oOo
Fechou a porta e encostou-se nela, escorregando lentamente até o chão. A mão que cobria os lábios logo se molhou. Lágrimas. Sentira-se mal com a traição de Milo, mas agora sua consciência acusava-o de ter ido longe demais nos castigos. Notou isso no momento que ele abriu os olhos. O espanto era mínimo se comparado à dor do qual estavam carregados.
Milo estava ferido demais.
Algo dentro dele apitava que ele deveria tentar uma reconciliação, talvez pedir desculpas ou algo do tipo, mas... Como? E adiantaria?
Blasfemou em francês enquanto levantava-se para providenciar bandagens. Estava na hora de trocá-las novamente. Sem ajudas dessa vez.
oOo
Dormir? Não conseguiria mesmo que quisesse. Sentou-se novamente na cama e passou as costas das mãos pelo rosto, secando as lágrimas. Vasculhou o quarto com o olhar, parando em uma cadeira, onde tinha uma pequena pilha de roupas dobradas. Inclinou-se e agarrou uma, analisando. Não era sua, mas uma camisa social do francês.
Devia ser para o trabalho da Fundação, aquele que fazia com que ele ficasse mais na companhia da menina deusa que na sua. Aquele pensamento não lhe agradou e o fez lembrar de fatos desagradáveis e recentes, segurou a camisa forte entre os dedos, pronto para rasgá-la e arrancar-lhes os botões finos.
Mas não o fez, amarrotou a peça e a jogou de volta a pilha, contemplando-a de novo. Quer dizer que havia mesmo dormido ali... bem do seu lado. Deitou-se e se esparramou para o outro canto, agarrando o travesseiro e inspirando fundo.
Aquário entrou, encontrando-o nessa posição, deitado de bruços, o lençol enroscado nas pernas e cintura. Desviou o olhar e continuou andando, com uma bandeja nas mãos. O grego se virou, vendo-o se sentar numa cadeira próxima, mandando-o sentar também. Então colocou a bandeja sobre seu colo. Inevitavelmente seu estômago reclamou de fome. Camus evitou um sorriso.
- É bom que coma tudo, passou o dia de ontem dormindo.
Olhou para a comida e depois para Camus, meio desconfiado. O francês ergueu uma sobrancelha, questionador.
- Não se preocupe, não fui eu que fiz, Shun deixou a comida toda pronta. - fez uma carranca.
Não pode evitar se divertir com o comentário. Sorriu de canto, tentando disfarçar. Ignorando os talheres, comeu o frango com as mãos, como se não comesse há eras. Quando terminou, lambeu os dedos. Percebeu que Camus evitava manter seu olhar nele.
Segurou a bandeja firme, impedindo-o de tirá-la.
- Podemos conversar agora?
Mirando o chão, estremeceu um pouco com o tom da pergunta. Com esforço retirou o objeto de suas mãos.
- Depois... - parecia que estava temendo tocar no assunto.
Camus fez um gesto indicando suas bandagens, foi então que olhou para si mesmo, percebendo finalmente os ferimentos. O cavaleiro do gelo se adiantou, segurando com cuidado seu braço e retirando a faixa. Seus toques eram meio hesitantes, e tentava manter uma distância.
Teve de chegar bem próximo dele, enquanto retirava a que circulava seu tórax e peito. O rosto próximo ao seu pescoço, tão perto, e ao mesmo tempo tão longe. Não resistiu e afundou as narinas no cabelo liso, rodeando seus ombros com os braços.
Aquário parou de súbito o que fazia, afastando um pouco o rosto, retirando seus braços dos ombros. Mirou seu rosto, apenas a alguns centímetros de distância. Os olhos azuis do grego voltaram a ficar lacrimejantes. E então fixou o olhar nos lábios entreabertos, um pouco trêmulos, e todo o esforço que fazia até então de não tocá-lo foi em vão.
Roçou a boca de leve na dele, Escorpião soluçou e se empurrou contra seus lábios e seu corpo.
oOo
Milo
Senti quando o beijo se intensificou e Camus ofegou contra meus lábios. Sua respiração estava tão irregular quanto a minha e podia sentir sua excitação crescendo e roçando em minha coxa. De repente tudo parou e ele se afastou de mim, sentando ao meu lado na cama com o rosto baixo e corado. Parecia envergonhado.
- Fui longe demais, rápido demais.
Era bem verdade que eu estava com medo. Bem verdade que estava ferido física e mentalmente, mas... Eu queria tanto seus beijos gentis, seus lábios macios, suas mãos maravilhosas. Seu corpo. Tudo.
Eu já havia perdoado o que ele fez, essa era a verdade. Toquei em sua coxa, um pouco hesitante, tirando-o de seus conflitos e procurei seus olhos. Senti meu corpo estremecer e minha pequena força de vontade falhar quando vi a frieza naqueles lindos olhos avermelhados.
- Tudo bem, eu quero - sussurrei, baixo demais até para meus próprios ouvidos.
Os olhos de Camus arregalaram-se, emoções e emoções dançando livremente por eles. Estava tão exposto... Eu conhecia aquele olhar. Apenas eu conhecia aquele olhar. Havia desejo naqueles olhos, mas mais que isso, havia amor. Logo a expressão suavizou-se e ele se aproximou novamente, olhos anuviados de desejo, puro e ardente. Era Camus que estava minha frente, o meu Camus.
Tocou-me com os lábios. Primeiro na testa, depois nos olhos, desceu pela têmpora e, finalmente, beijou-me num beijo doce, que há muito não provava. Tomou meu rosto entre as mãos enquanto penetrava lentamente sua língua em minha boca. Esse era todo contato que tinha com seu corpo. Ele mantinha uma distância proposital e isso era algo que eu não podia suportar. Precisava dele junto a mim. Estendi minhas mãos, passando-as por sua nuca e aprofundei ainda mais o beijo, trazendo-o para cima de mim enquanto deitava novamente. Ao contrário do que esperava ele não parou o beijo. Por outro lado, suas mãos não se moveram - continuaram fixas em meu rosto, acariciando suavemente com a ponta dos dedos.
- Ca...Camus... - consegui murmurar entre o beijo.
- Sim Milo? - veio a resposta quando ele afastou-se um pouco para buscar ar.
Toquei suas mãos, acariciando-as suavemente, um pouco temeroso em prosseguir. Eu queria uma declaração de amor, queria que ele me acariciasse e excitasse e então me tomasse como fazia antes. Eu tinha de perguntar, mas e se a resposta fosse a que eu não desejava ouvir?! Se ele não me desejasse mais...? Depois de tudo não era uma hipótese tão absurda assim. Pensar que eu, Milo de Escorpião, que sempre tive quem quis, quando quis, aos meus pés, estava ali, temeroso de ser rejeitado.
- Você ainda... me... deseja?
Por algum motivo ele não respondeu, apenas olhou dentro dos meus olhos antes de permitir que seus lábios e mãos vagassem para meu pescoço e ombros. Sua boca encaixou-se em meu pescoço e sugou a pele, a princípio suavemente, passando os dentes por ela, tendo o cuidado de não me marcar. Um arrepio de excitação percorreu meu corpo e acabei por suspirar profundamente, tentando manter algum controle. Suas mãos acariciaram meus ombros e desceram para o peito, passando as longas unhas pelos mamilos, arreliando-os, excitando-os.
Seus lábios logo tomaram o lugar dos dedos, beijando os dois ombros antes de prosseguir. Logo senti a boca sobre um mamilo enquanto acariciava o outro com a palma da mão. A palma áspera sempre me despertava independente do que houvesse. Ele conhecia meus segredos, todos eles. Mordiscou um, e o outro, beijou, lambeu passou e repassou as unhas, a palma das mãos.
Desceu pela barriga, deslizando a língua onde antes havia bandagens. Podia sentir sua respiração quente contra minha pele, causando arrepios por todo corpo. Estava adorando aquilo tudo, mas a excitação estava tomando conta. Meu corpo estava quente, movia-se praticamente sozinho. O quadril buscava fricção contra a barriga de Camus enquanto minha cabeça movia-se no travesseiro. Senti quando a ponta de sua língua começou a brincar com meu umbigo, ameaçando descer.
- Ca-camus... - consegui gemer.
- Sim?
- Por favor...
- Shhh... Passei os últimos sete meses desejando fazer isso.
E continuou descendo as mãos em minhas coxas, afastando-as aos poucos. Seus lábios deixaram minha pele, descendo um pouco mais. Senti quando ele respirou próximo ao meu membro, fazendo-o pulsar, como que implorando para ser tomado por aquela boca. Mas ele não o tomou. Desceu o rosto às coxas, arranhando a parte interna com unhas e dentes.
oOo
Camus
O que eu estava fazendo? Por um momento perdi completamente a razão! Milo abria mais a boca, empurrava a língua contra a minha, se oferecia inteiro. Não, eu não podia. O peso da culpa voltou dobrado, me dando forças para me desvencilhar.
Desviei o olhar, não tinha coragem de encarar Milo. O toque em minha coxa fez uma corrente elétrica percorrer meu corpo, mas o encarei duro disfarçando a sensação. A barreira que decidi manter ao encontrá-lo acordado desmoronou. Esperava tudo, o medo, rejeição, alguma hesitação. Mas mal havíamos lutado e aquele cabeça dura...
Antes que minha consciência me alertasse das conseqüências, o beijei como sempre fazia. Percebi que ficava impaciente debaixo de mim, passando os braços pelos meus ombros e me trazendo para mais perto. Mas seu corpo estava tão ferido, provavelmente doeria onde quer que lhe tocasse. Ouvi-o me chamar e encarar com certo receio, o que realmente não lhe era característico.
- Você ainda... me... deseja?
Estava maluco, certo? Se ainda o desejava? E ele ainda havia duvidava? Provei de sua pele salgada, moldando os músculos com as minhas mãos, sentindo cada pedaço. Não hesitei em torturá-lo, brincando com os pequenos pontos túrgidos, sabia o quanto era sensível naquele ponto.
O faria clamar por mim, e então ele saberia o quanto ainda o desejava.
Desci mais por aquele corpo tentador, abandonando os mamilos, saboreando o resto. Tentou se esfregar contra mim, tentando se aliviar. Eu sei que já estava começando a ficar fora de mim, cedendo aos caprichos de possuir Milo mais uma vez. Mas que tudo fosse às favas.
Disfarcei um sorriso de satisfação quando o ouvi sussurrar, implorando. Entendi perfeitamente sua necessidade, mon ange, mas esperei demais para deixar acabar tão cedo.
Afastei as coxas grossas, revelando aquela bela parte, a sua excitação despontando, impossível de ser escondida. Ele não podia ter idéia do quanto era bonito, podia? Aquela parte pedia por ser libertada, ia negligenciá-la por enquanto.
Diverti-me com o gemido frustrado que escapou da sua garganta, se não estivesse tão difícil aposto que a aquela altura já estaria me xingando de todos os nomes possíveis. Minhas mãos e boca passearam pela carne quente das suas coxas, deixando a pele bronzeada um pouco avermelhada.
Avançaram pela carne, alcançando as nádegas macias, apertando-as com firmeza e avançando até a base da coluna. Foi então que minhas unhas esbarraram em algo, e abri meus olhos, para conferir o que era. A visão das letras cravadas me gelou, e me afastei como queimassem. Arrastei para o outro lado da cama, como eu pude esquecer e agir como se nada tivesse acontecido?
Não era melhor que Saga, no final das contas. Milo continuava esparramado no colchão, entre lençóis e bandagens. Sentou-se na cama olhando-me confuso, desviei o meu próprio olhar, ver as marcas por todo seu corpo perfeito só fazia revirar meu estômago de desgosto. Pelo canto dos olhos, vi encolher seus ombros e se aproximar de mim, engatinhando.
- Camus... O que foi? - me afastei do seu toque, sua voz soou magoada - Não me deseja? Não quer nem ao menos olhar para meu corpo? Sou tão revoltante assim?
Gritou e socou a parede, começando uma nova crise de choro. Senti o colchão se livrar de seu peso, e com o canto dos olhos o vi abrir os armários com violência, tirando um grande espelho. Escondi meu rosto entre as mãos e me curvei um pouco, ouvindo seus soluços se acalmarem aos poucos.
Um silêncio mordaz preencheu aquele quarto, e logo senti o colchão pesar de novo. Seus dedos forçaram minhas mãos, descobrindo meu rosto. Mantive meus olhos cerrados, temeroso. Seus lábios pousaram de leve nas duas faces, antes de percorrerem até a orelha, mordiscando de leve.
Empurrou meus ombros até que ficasse ereto, abri meus olhos, mirando um ponto qualquer longe. Abriu minhas pernas, para ficar ajoelhado entre elas, e então pegou uma das minhas mãos, levando-a até suas coxas e subir, alcançando a nádega macia. Sua mão manteve a minha lá, percorri com os dedos cada letra. A respiração no meu ouvido me fez arrepiar.
- É isso, não é?
Assenti ligeiramente com a cabeça, suas mãos tocaram meu ombro, descendo pelos braços. Parou nas cicatrizes recentes que causei a mim mesmo, acariciando de leve com os dedos.
Não entendo a mim mesmo, fui treinado para ser um cavaleiro frio e que nada sente, que aprendeu a não se exaltar ou se deixar levar por emoções. Sendo assim... por que? Porque meu controle foi por água abaixo quando o vi naquele estado, com ímpetos de puni-lo? Fui capaz de atos que nem em sonho imaginaria em praticar...
Cada investida violenta doera em meu próprio corpo, usando-o como uma ferramenta para descarregar meu ódio.
Sete meses... Havia sido paciente, cumprindo meu dever e trabalho. Esse tempo todo pensava apenas em certo grego, perdendo noites imaginando seu corpo debaixo do meu. A culpa era minha?
Havia sido otimista demais achando que ele me esperaria, que sua raiva por ter ignorado seus apelos ia passar em alguns meses?
Milo segurou meu queixo, fazendo com que eu o encarasse. Encontrei seus olhos azuis decididos, escurecidos. Sorriu antes de tomar meus lábios tão rápido e intenso quanto os largou.
- Está tudo bem... - sussurrou mordiscando e sugando meu pescoço enquanto falava - Você ficou bravo porque o traí... me puniu... e me fez lembrar que ainda sou seu...
Afastou-se um pouco e sugou meu lábio inferior, segurando meu rosto. Não tinha ação, o que ele estava falando?
- Sou seu, não sou, Camus? Para me dominar, me castigar, me torturar... e me amar. O único...
oOo
Milo
Suas mãos escorregaram por entre minhas coxas, chegando à parte de trás delas, acariciando e indo a direção a minha bunda apertando a pele fracamente, a princípio, aumentando a força conforme se aproximava. Quando chegou ao quadril, enterrou os dedos com força, me fazendo gemer alto. As mãos continuaram seu caminho até chegar ao cóccix.
De repente Camus puxou as mãos. Havia algo estampado em seu rosto, algo que não consegui decifrar ao certo. Afastou-se novamente e me deu as costas. A velocidade com que as dúvidas assolaram minha mente deixou-me tonto. O que estava havendo? Camus estava arrependido novamente por termos começado? O problema era comigo? Ele não me queria mais?
Antes que pudesse ter certeza do que estava havendo, engatinhei em sua direção e toquei seu ombro. Assim que ele afastou-se de meu toque minhas dúvidas confirmaram-se e, mesmo sem notar, acabei vocalizando meus pensamentos.
- Não me deseja? Não quer nem ao menos olhar para meu corpo? Sou tão revoltante assim?
Como não houve resposta minha insegurança transformou-se em raiva e esta explodiu num grito que não poderia conter, nem que quisesse muito. Soquei a parede, sentindo-a afundar sob os nós dos meus dedos. O grito transformou-se em choro. Meus soluços encheram o quarto enquanto procurava algo, um espelho ou qualquer coisa semelhante. Eu precisava me ver. Precisava ver exatamente o que Camus via, o que havia afastado-o tão... bruscamente.
Achei-o dentro do armário. Era grande, podia ver meu corpo praticamente inteiro. Aproximei o rosto, examinando minuciosamente a pele escoriada - não havia nada demais. Observei o corpo em todos os detalhes, tentando ver algum defeito, algo diferente, mas não havia - apenas os hematomas e feridas superficiais, mas nada sério, nada que não estivéssemos acostumados. Virei as costas para o espelho e focalizei o lugar onde suas mãos haviam parado as carícias. Vi a pele avermelhada e enrugada, fechando-se sobre o ferimento que lhe fora imputado. Dentro em breve estaria completamente cicatrizado. As letras, a marca de Camus, a marca de que pertencia a ele. Sorri fracamente ante a lembrança. Pertencia a Camus. Ele tornara-se meu Dom sem ao menos perceber.
Fechei o armário e deixei o espelho encostado na porta. Voltei à cama, aproximando-me de Camus e ajoelhando entre suas pernas. Tomei suas mãos entre as minhas e levei-as às minhas costas, pousando-as sobre a pele enrugada. Inclinei o rosto em direção a seu ouvido e sussurrei:
- É isso, não é?
Camus assentiu. Sorri para ele. Acariciei seus braços, sentindo os machucados próximos ao cotovelo.
- Sou seu, não sou, Camus? Para me dominar, me castigar, me torturar... e me amar. O único...
Vi o choque no rosto de Camus. Estava chocado por meu perdão, por minha submissão.
Beijei seus lábios com ternura, aprofundando o beijo lentamente, enquanto segurava suas mãos em minha bunda. Murmurei contra seus lábios o pedido que estava entalado na minha garganta desde que acordara naquele quarto:
- Me possua.
Senti seu estremecimento e quando puxou o ar com mais força. Senti o calor crescendo próximo às minhas coxas. Ajeitei-me e sentei-me em seu colo, sentindo sua ereção roçar na minha. Gemi ante o contato e me movi contra ele repetidas vezes, adorando a fricção e os ofegos contra minha boca.
Tornei a pedir.
- Me possua.
Seus dedos dançaram entre minhas nádegas, acariciando a entrada insistentemente. Ergui o corpo e posicionei-me sobre sua ereção, descendo devagar.
Sem lubrificante.
Sem preparação.
Nada.
Apenas... Camus.
Sua boca abriu-se para protestar, mas o calei com um beijo e abaixei o corpo de uma só vez, sentindo-o fundo em mim. Meu corpo protestou, mas não dei importância, começando a me mover em seguida. Para minha surpresa, Camus segurou meu quadril firmemente, fazendo-me parar.
- Calma... Eu quero apreciar a cena - e apontou o espelho encostado no armário.
Um forte arrepio percorreu meu corpo, fazendo meu membro pulsar e um ofego escapou de minha boca. Segurando meu quadril, Camus levantou-me, fazendo retornar lentamente, os olhos fixos no espelho, observando gulosamente enquanto meu corpo o tragava. Quando tocou minha próstata - apenas um leve roçar - fechei-me com força em torno de seu membro.
- Não faça isso... - murmurou mordiscando minha orelha.
- Por... quê...?
-... Se continuar... Vou acabar rápido demais...
Suspirei.
Antes que pudesse perceber, a velocidade aumentou. Suas mãos largaram meu quadril e uma delas agarrou minha ereção. Seus lábios grudaram ao meu peito e seus dentes aos meus mamilos, mordendo-os. Cavalguei-o com força, o corpo suado, o cabelo caindo no rosto.
O orgasmo veio forte, explodindo entre os dedos de Camus, que gozou enquanto sugava-os avidamente. Continuei cavalgando-o enquanto pude, até me lançar contra ele, abraçando-o e enfiando meu rosto contra os fios ruivos que caíam em seu pescoço. Busquei ar, aspirando profundamente contra sua pele, enquanto ele acariciava minhas costas ternamente.
- Foi ótimo... - murmurou contra meu ouvido.
Ergui-me, sentindo-o deixar meu corpo e joguei-me na cama, esgotado. Camus também deitou e me envolveu com os braços. Puxou minha cabeça para seu peito, acariciando o cabelo, tirando-o do meu rosto. Ele sorria como sempre fazia depois do sexo. Beijou o alto da minha cabeça e aspirou profundamente como que para tomar coragem e dizer algo. Queria se desculpar? Eu não sabia. Sua boca abriu-se, mas dela saiu apenas um suspiro. O silêncio foi mantido por alguns minutos.
Ele acariciou meu queixo, levantando meu olhar ao dele. Havia um brilho que reconheci imediatamente. Determinação. Amor. Passou a ponta dos dedos por meus lábios e, praticamente, empurrando as palavras para fora da boca, sussurrou:
- Milo... Eu quero que você me possua.
oOo
Continua...
Outubro/2004
1. No mangá Camus possui, além dos cabelos, olhos vermelhos também. Acho. Se não tiver, agora tem! .
- Trecho de "Always", do Saliva.
N.A.:
Senhorita Mizuki: Nunca fiz um fanfic narrado em primeira pessoa, ainda mais mirror (algo como, descrever a mesma cena através da narração de cada personagem)! o.O' Espero que não tenha ficado confuso...
A cena do Camus olhando o espelho enquanto... ahn... não foi idéia minha hein! A tarada da história é a Mudoh!
Surpresa! Ainda falta mais um capítulo! 'ergue um escudo para se defender das pedras'
Isso se a Mudoh não der na louca de novo e inventar mais um capítulo -.-'
Mudoh Belial: Até que, pro tamanho, esse capítulo saiu rapidinho, não acham ???? ' ignorando solenemente os e-mails de cobrança' Nos vemos no próximo capítulo... Por hora, feliz natal e ano novo para vocês o/
