Nota: Mais um capítulo saindo do forno \o/ Espero que gostem e desculpem pela demora.


Capítulo 2 - Primeiros dias

_ Humm... mais um Potter... - resmungou o chápeu em tom pensativo, mas sua voz não parecia soar para as outras pessoas. Era como se falasse dentro de sua cabeça - Muito corajosa e determinada... já vi essa vontade de se provar antes. Mostrar do que é capaz...

"Não quero ser só mais uma Potter... quero mostrar que sou Lílian Potter..." - pensou baixinho, compreendendo internamente que o chápeu a escutaria.

_ Entendo. Não quer ser comparada e viver sempre à sombra de alguém... - o tom do chapéu era entre o divertido e o compreensivo - Bom, você tem quatro opções aqui... escolha.

"Escolher? Mas... você não tem que me mandar para a casa que for melhor pra mim?"

_ Vamos lá... você não é a primeira a ter essa opção. Seu pai escolheu para onde queria ir e seu irmão Alvo também... e antes deles, outros bruxos e bruxas tiveram essa mesma opção. Todos com um futuro brilhante, devo acrescentar.

Erguendo o rosto minimamente e encarando o salão por baixo da aba do chapéu, ela lançou um longo olhar a todas as pessoas à volta, imaginando o que diriam se ela não fosse para a Grifinória. Alunos e professores falariam mal de si? Seus pais a rejeitariam?

"Claro que não! Eles me amam! Vão me aceitar como sou!"

E a conversa que tivera mais cedo no trem com Scorpio voltou à sua mente. O nome dizia muito sobre quem a pessoa era... o sangue-puro também... mas ela queria provar que podia ser boa, não importava a casa em que estivesse, nem seu nome e nem seu sangue!

_ Essa é sua escolha? - perguntou novamente o chapéu, dentro de sua cabeça - Se é assim que você quer... - e abrindo o rasgo que era sua boca, anunciou para todos no salão - SONSERINA!

E diferente do que costumava acontecer, não houve palmas e assovios de aprovação. Houve apenas um silêncio estrangulador, seguido de um grito de exclamação, que Lílian conseguiu distinguir como sendo de seu irmão Tiago, que parecia indignado com a escolha.

Mas após um segundo de assombro, palmas solitárias começaram a surgir, vindas da mesa enfeitada em verde e prata.

E virando o rosto naquela direção, Scorpio Malfoy aplaudia sozinho, sorrindo de canto, dividido entre o malicioso e o divertido.


_ Você fez uma entrada triunfal, devo admitir. - o sonserino abriu a porta do salão comunal, saindo para os corredores do castelo acompanhado da ruivinha, extremamente sorridente e corada ao seu lado - A cara do seu irmão foi impagável!

_ Eu disse que o nome e o sangue não importavam! Vou provar pra eles que sou uma excelente bruxa, assim como meus pais! - respondeu decidida, enquanto seguia o mais velho de perto, com medo de se perder.

_ Olha, sei que não começamos bem, mas se eu puder ajudar, pode me procurar. - o garoto não a encarava, com medo que notasse o seu tom receoso - Não sou o melhor modelo de sociabilidade, então não vai me ver muito acompanhado, mas pode me procurar quando seus irmãos começarem a implicar com você. Sei ótimas azarações!

_ Obrigada, Malfoy! - e surpreendendo-o, a garota se jogou sobre si, abraçando-o apertado e sorrindo afetuosamente - Você é um ótimo amigo!

O garoto ficou estático, sentindo seu rosto esquentar aos poucos, tendo noção que estava corando pelo ato da menina. Nem sua mãe o abraçava daquela forma!

_ É... melhor irmos ou vamos nos atrasar pras nossas aulas. - e apertando o passo, adentrou o salão principal, caminhando até a sua mesa, virando-se curioso ao não ouvir passos atrás de si.

Lílian afastava-se na direção oposta, rumando até a mesa da Grifinória, decidida e nem um pouco incomodada com os olhares curiosos que atraía.

_ Hei, Potter! - o loiro chamou-a de onde estava, uma sobrancelha erguida em desentendimento - Sua mesa é essa aqui! - apontou para alguns lugares à frente quando ela olhou em sua direção.

_ Eu sempre tomo café da manhã com meus irmãos. - deu de ombros, como se aquilo explicasse tudo.

Sua mãe sempre lhe dizia pra fazer as refeições em família. Não ia parar agora, só porque estavam em casas diferentes. Continuavam sendo irmãos. Além do mais, seus pais tinham amigos em outras casas e ela queria ter também. Não via necessidade em fazer distinção entre os colegas de Hogwarts.


Tirando as implicações de seus irmãos por ter ido para a Sonserina, o resto da manhã foi perfeito, como um dia de aula deveria ser. Ela simplesmente amou a aula de feitiços e se divertiu muito na de transfiguração, mesmo que não tivesse se saído muito bem.

Sua surpresa foi notar seu dom em poções, pois cresceu ouvindo seu pai reclamar daquela disciplina, dizendo que era complicada e inútil, em compensação sua mãe era muito boa.

Tentou não dar ouvidos aos burburinhos que surgiam na sala de aula quando um professor não estava atento, mas ela sabia que estavam comentando sobre si. Claro que queria conhecer muita gente e ter muitos amigos, mas aqueles sussurros que chegavam aos seus ouvidos diziam que falavam de si, e não era boa coisa.

Seus pais haviam comentado e alertado que ela, assim como seus irmãos, poderia chamar mais atenção do que era normal, assim como aconteceu com seu pai. Ser um Potter podia ser uma benção e ao mesmo tempo uma maldição. Carregar o peso daquele sobrenome implicava muita coisa. Podia conseguir inimigos simplesmente por dizer quem era.

E mais uma vez crescia dentro de si a vontade de provar que o nome e o sangue não queriam dizer nada. Não que ela quisesse sujar o nome de sua família, mas ela não queria ser julgada por ele.


Uma semana de sussurros e conversinhas nos cantos da sala comunal foi suficiente para fazer Lílian perder a calma e quase azarar uma colega. O que havia de errado com eles? Ou era com ela mesma?

Não queria se mostrar fraca e ir chorando reclamar para um professor o que os outros alunos estavam fazendo, mas ela estava chegando ao limite. Agora sentia na pele o que seu pai havia passado. Ele contou histórias de quando estudava ali, como viviam apontando para o garoto-que-sobreviveu e falando dele como se não estivesse por perto.

As únicas horas que não se sentia realmente sozinha era durante as refeições, quando ficava com seus irmãos, o que não a livrava de receber algum olhar torto de Tiago, ou então quando tinha aula com o pessoal da Grifinória e se sentava junto com seu primo Hugo.

Contudo, o único ali que parecia realmente entende-la era Alvo. Ele lhe contara em segredo que o chapéu também lhe dera a opção de escolha, mas ele estava com medo naquela época e mesmo assim o chapéu o mandara para a Grifinória, para mostrá-lo que ele podia ser corajoso quando quisesse.

Ela gostaria de ter essa coragem...


Continua...