Remus levantou os olhos de seu livro assustado, James se sentou na cama com um pulo, Peter parecia ocupado demais dormindo e Black parou ao meio caminho, quase caindo pelo esbarrão que dei nas pernas dele, de chegar até a sua cama.
Eu, com a cara mais envergonhada do mundo, com machucados pelo corpo depois de ser arrastada da Sala Comunal até aqui e novamente grudada com Sirius Black, mirei o chão enquanto me levantava e suspirei fundo, sentindo alguns cortes arderem.
- O que...foi isso?- Remus perguntou pausadamente, fechando o livro e se levantando da cama, me encarando.
- Como se vocês não soubessem que a Lily se arrasta aos meus pés!- Mas como é engraçadinho esse Black. Consegue falar porcaria até mesmo em horas desapropriadas.
- Cala a boca, Pads!- Remus disse revirando os olhos e vindo até mim, me medindo da cabeça aos pés.- Lil, o que aconteceu?
Limpei a garganta antes de responder e tentei arrumar os meus cabelos que deviam estar uma beleza rara.
- Bem, eu não sei! Eu...err...estava dormindo quando a corda começou a me puxar e a me arrastar até aqui.
- Hmm, então se tem uma prazo estipulado para a distância entre vocês. O diretor pensou sobre tudo, pelo o que se parece.- Remus disse, com a mão no queixo e pensativo. Eu olhei em volta novamente, dando uma geral nas roupas jogadas em todos os lugares, pôsteres de Quadribol colados por quase toda a extensão das paredes e, claro, algumas de mulheres. Isso eu não posso reclamar...nós, meninas, também temos vários caras famosos pendurados pela nossa parede. Hehehe
- É, mas acho que ele quer testar nossa inteligência também, porque eu não sei como fazer para passar uma boa noite de sono longe do Black. Pensei que só teria que tentar me entender com ele e não perder neurônios para me resolver nesse quesito!- disse passando a mão por uns arranhões nos meus braços e sentindo arder.- Droga!- praguejei baixinho.
- Ei, Lily, venha até aqui!- Remus me chamou, indo até a cama de James que ainda me olhava como se eu fosse um ser de outro mundo, analisando todo o meu corpo (e que seja por causa dos ferimentos e não do meu pijama). Eu dei de ombros e o segui até lá, levando o Black comigo, claro.- Sente-se ai!- Remus apontou para a cama de James e eu olhei para o mesmo, como se pedisse autorização e ele apenas assentiu, sorrindo e mudando a afeição pela primeira vez desde que eu entrei. Me sentei e Black ficou em pé, vendo Remus ir até um armário que era do lado da cama do James.
- O que você vai fazer, Mooney?- Black perguntou. Remus se virou para nós com uns três potes de poções e um pano.
- Se não sou eu para me preocupar com os machucados dela, ninguém faria nada.
Ooh, ele não é um amor de pessoa? É por isso que eu fiz amizade tão rápido com ele..sempre tão fofinho, sempre tão atencioso...enquanto certos poços de ignorâncias nem percebem o meu estado. Tá, o Black só, porque o James estava ocupado demais surpreso.
E não, isso não é um jeito de tirar o dele da reta.
Caham
- Bem, eu nem sabia que as suas poções para ferimentos estavam ai.- Black disse.
- Ainda bem que não...nem quero imaginar o que você faria na Lil se você usasse...talvez piorasse o estado dela.
Remus se sentou em uma cadeira na minha frente e colocou um pouco de umas das poções no pano, uma poção que eu sei que serve para a limpeza de machucados. Nossa, para que estoque desses tipos de poções? Nunca imaginaria um maroto tão preocupado com o resultado das suas brincadeiras. Mas tudo bem, ele é Remus John Lupin.
Eu arrisquei dar uma olhada para o meu lado esquerdo e espiar o James, só um pouco, e percebi que ele mirava a limpeza de Remus em mim com muita atenção. Quando Remus colocou aquele pano molhado em um dos ferimentos perto do meu cotovelo direito, eu não aguentei...
- AAAAAIIIIIIIIIII, isso dóóói!- Escutei Black soltar um riso e vi James arquear uma sobrancelha para Remus e esse último apenas meneou a cabeça e percebi um movimento brusco vindo da cama de Peter. Acho que ele se incomodou com o meu grito!
- Estou limpando um ferimento mais fundo seu, Lil...claro que vai doer.
- Mas não doeu nos outros até agora.- e puxei o meu braço das mãos dele. Sim, eu me senti como uma criança fazendo aquilo.
- Pára com isso, Lily...me dá esse braço!- E ele puxou de volta o meu braço e molhou o pano novamente na poção indo em direção do mesmo machucado. Caramba, ele não ouviu que dói? Será que preciso gritar mais? Eu não gosto mais dele agora.
- ´Tá ardendo ainda, Remus! Espera passar um pouquinho.
Escutei Black rir de novo e senti o meu lado direito afundar um pouco com ele se sentando na cama também.
- Você tem dezessete anos, Lily Evans e já passou por coisa pior do que isso.- Remus cruzou os braços e me encarou...praticamente vi o meu pai ali na frente.
- Mas está ardendo ainda.
- Mas precisa limpar isso logo, está fundinho esse machucado.- ele disse apontando para o meu braço e me fazendo reparar que aquilo estava bem feinho mesmo...feio e ardendo!
- Fundinho e ardendo.
Ele revirou os olhos e descruzou os braços, pegando o meu braço de novo delicadamente e indo com o pano de novo para o machucado, mas assim que ele ia encostar, eu tirei o meu braço
- Espera só um pouquinho, Remus...espera passar um pouco a dor.
- Lil, você entendeu que o...
- Mooney, me dá isso aqui!- James se inclinou um pouco na cama, passando por mim, deixando um rastro de colônia por ali e retirou o pano da mão de Remus e os frascos.
- O que você vai fazer?- já perguntei assustada. Vai saber se ele decide jogar tudo aquilo em mim de uma vez?!
- A boa ação do dia!- e ele sorriu. Só com isso, eu diria que meus machucados foram limpados, curados e cicatrizados.
Remus olhou para ele com uma cara de dúvida, mas James piscou para ele e assentiu. Remus deu de ombros.
- Você sabe como usar.- ele disse para James e se levantou, voltando para a sua cama e pegando o livro que estava lendo antes.
Bem, eu me ajeitei na cama e me virei mais para ele, dando as costas para o Black. Eu não gosto de fazer isso, mas sabe, né?! O James vai limpar os meus ferimentos e essas coisas...preciso estar devidamente com a atenção voltada para ele.
Quando eu vi o pano se aproximar do meu braço, eu já segurei o dele.
- Seja paciente e espera parar de arder um pouco?- ele riu e meneou a cabeça
- Eu não vou naquele machucado primeiro, Lily!- e ele colocou o pano em um dos machucados perto daquele feinho. Bem, assim tudo bem. Levantei a cabeça e o mirei concentrado no que fazia. Em alguns segundos, ele levantou o olhar e sorriu para mim. Senti uma onda de choque passar por todo o meu corpo naquela hora...uma onda estranha.
- E então? Como fará agora?
- Fazer o que?- perguntei bem idiota enquanto ele voltava a olhar para o meu braço e sorria maroto.
- Para dormir! Na Sala comunal não deu muito certo, não é? Terá que dormir aqui.- e ele sorriu de novo e mais uma onda estranha passou por mim.
- Bem, não tenho outra opção, não é? Mas eu não sei ainda o que fazer, mas dormir na mesma cama do Black é uma coisa que definitivamente não farei...fora de cogitação.
- Hey, eu ainda estou aqui, ok?- escutei a voz do próprio atrás de mim, mas nem me dei a importância de virar.
- Isso não seria muito legal.- James disse num muxoxo, mas eu ouvi...fingi que nem escutei. Ele pegou o frasco da poção e colocou um pouco no pano de novo. Eu não sei por que, mas eu nem me importava em ver se ele estava fazendo tudo certinho...olhar para ele era mais interessante.
Eu nunca o tinha visto tão de perto...caham, tirando o ocorrido no banheiro. Os cabelos estavam bagunçados, mas molhados...indicando, claro, que havia saido do banho um pouco antes de uma Lily-Vassoura entrar pelo quarto...e o que explica o cheiro maravilhoso de colônia.
Nossa, acho melhor pedir para eles fecharem a janela, porque já me arrepiei de frio. Caham.
- Então eu devo dizer para você pensar em algo logo, já que o seu acompanhante me parece um pouco sonolento.- me virei e vi Black dar um longo bocejo e olhar tedioso por todo o quarto.
- Ele espera!- e sorri marota para ele que me retribuiu e mais uma onda, agora fora mais forte. Nossa, o que está acontecendo comigo?
Pouco tempo depois, já quando eu havia decido parar de ficar olhando "com cara de peixe morto" para ele, fiquei encarando a janela e a chuva que caia lá fora. Sentia um ardido aqui e outro ali, mas estava me preparando psicológicamente para o machucado feinho que viria por último.
Ele se sentou direito na cama, como se arrumasse a coluna e fechou os frascos, sorrindo para mim e respirou fundo.
- Está novinha em folha, Srta. Lily Evans.
Como novinha em folha?
- Claro que não, está faltando o...- eu olhei para o meu braço e não havia mais o machucado horrível que tinha ali...nem os outros...nenhunzinho.- Como você fez isso?
Ele riu e jogo as costas nos travesseiros com os braços atrás da nuca.
- Você deve ter sentido, mas nem reparou na dor, porque estava conversando comigo.- e ele piscou para mim.
Eu, com a cara mais besta do mundo, fiquei lembrando daquelas ondas estranhas no meu corpo. Aquilo não era satisfação em ver o sorriso dele e sim DOR! Que pilantra, se aproveitou por ter o sorriso mais sedutor de Hogwarts.
Mas foi bom...pelos dois lados: ter aqueles sorrisos para mim e não sentir dor!
Eu sou uma menina de uma sorte incrível, não?
Tirando o fato do Black estar amarrado comigo.
- Já treinando para ser pai, Prongs?- nos viramos para encarar Remus no outro extremo do quarto ainda lendo o livro. Depois voltei a olhar para James que ficou levemente corado.
- Eu gosto de pensar que dor é psicológica...se ela não viu o que eu estava fazendo e estava distraida, nem sentiu!- ele deu de ombros como se aquilo fosse a coisa mais normal de se pensar a respeito.
- Bem...obrigada!- sorri para ele, agradecida de verdade por não sentir mais dor e ele sorriu de volta. Aaai ai.
- Eu não gostaria de interromper os casal, mas eu estou cansado e com vontade de dormir.
Eu abaixei a cabeça morrendo de vergonha e James deu uma tossida leve para disfarçar.
- Padfoot, hoje é sexta-feira e você nunca dorme cedo de sexta.- Remus disse da sua cama, ainda sem tirar os olhos do livro.
- Mas hoje estou com sono e quero dormir.- Black se virou para mim e levantou os ombros em sinal de dúvida.- E então, qual vai ser?
O mirei espantada pela pressa dele e abri e fechei a boca diversas vezes, sem saber o que falar. E agora?
Olhei bem pelo quarto e não me veio mais nada na cabeça a não ser "bagunça, bagunça, bagunça, bagunça...".
Bem, só há uma solução para isso!
- Você vai dormir no chão!- eu disse.
Palavras tão simples e pequenas, mas que tiveram grande repercursão.
Black arregalou os olhos e começou a rir escandalosamente, como uma perua, para ser mais exata.
- Você está brincando, né?
- Não!- respondi séria
Ele parou de rir na hora e eu escutei um sorriso abafado nas minhas costas...certamente o James deve estar se segurando para não rir.
- Qual é, Lily?! A cama não é muito grande, mas cabe nós dois nela.
- Eu já disse que não vou compartilhar a cama com você, Black.
- Eu não vou fazer nada demais, ruiva! Pensa que eu sou o que?
- Um tarado galinha que já ficou com todas as meninas da escola e ainda teve que repetir mais algumas.
- Nem todas...você é uma excessão!- e ele soltou um sorriso cínico. Eu escutei James se remexer na cama atrás de mim.
- Eu e a Marlene, né?- eu disse cruzando os braços.
Black me encarou com uma certa raiva e meneou a cabeça, cerrando os olhos. Acho que eu exagerei.
- Black...
- Mooney!- ele virou as costas para mim quando eu o chamei e Remus abaixou o livro para nós.
- Sim?
- Tem como você conjurar uma cama?
- Creio que sim.
- Então faça esse favor para mim, certo? O quanto antes, porque estou com sono.
Remus deu de ombro e se levantou da própria cama, indo para perto da de Black. Eu voltei a olhar para o moreno, mas acho que eu abri a boca e falei coisa que não deveria.
- Black?- Ele se virou para mim com uma cara emburrada. Eu me aproximei dele e sussurrei.- Me desculpe, eu não queria falar aquilo, foi sem querer.
- Eu sei que você me detesta, mas não precisa sair por ai espalhando o que soube...eu não saio pelos corredores falando que você cai de amores pelo Prongs ali.
Eu me afastei dele e tossi ironicamente.
- Como assim você não faz isso? Quantas vezes você não dava a sua mãe mortinha, jurando que eu gosto dele?
James e Remus nos encararam curiosos. Oh, é melhor parar com o assunto, já que o principal dele está do meu lado.
- Eu dou a minha mãe mortinha até para o primeiro desconhecido que passar na rua.
É, eu havia me esquecido desse pequeno detalhe.
- Bem, não saiu lá aquelas coisas, né...mas acho que você sobrevive!- Escutei a voz de Remus e nos viramos para vermos uma cama meio estranha, mais parecida com uma maca de hospital. Não era lá aquelas coisas, mas para improviso e pro Black, aquilo estava ótimo. O próprio suspirou do meu lado e foi indo até lá. Ele sentou na cama, conferindo se era resistente e fofa.
- É, quebra o galho. Valeu, Mooney.
Eu não gosto muito dele, mas a gente sente uma certa "dó". Eu não gostaria de ter obrigado o Black a dormir fora da cama dele, mas é necessário. Imagine o que seria de mim se acabasse caindo em todos os ouvidos de Hogwarts que Lily Evans dormiu com Sirius Black. Por Mérlin, seria o desastre da história da ruiva que vos fala.
- Precisa fazer mais alguma coisa?- ele disse do meu lado, me tirando dos pensamentos.
- Não, creio que não.- disse um pouco avoada. Eu não estava muito a fim de dormir...todo aquele passeio pelos chãos da Torre tinha me deixado bem acordada e um pouco elétrica. A última coisa que eu quero fazer é dormir, mas tudo bem...vou deixar o Black ser feliz por hoje.
- Então me acompanhe, por favor. - disse ele soltando um bocejo logo depois.
Ele deitou na tal cama conjurada um pouco receoso e se cobriu. Eu sentei na cama dele e notei que é mais macia que a minha! Isso é injustiça, vou anotar mentalmente para pedir um colchão mais macio para o diretor.
A cama dele está totalmente grudada na minha, mas vou considerar o fato que a corda não está lá aquelas coisas de comprimento.
Deitei na cama dele e me cobri até a altura do peito e cruzei as mãos em cima da barriga, esperando o sono chegar e admirar o dorsel da cama. Escutei Remus virar a página do livro e um movimento brusco vindo da cama de Peter. Levantei um pouco a cabeça para ver o que acontecia com o maroto, mas ele continuava a sonhar.
- Isso é normal, não se preocupa!- escutei a voz de James e olhei para ele deitado na própria cama.
- Ok, né.- e me deitei de novo, sentindo meu coração acelerar de segundos em segundos. Eu realmente não sei o que acontece, mas sentia minhas bochechas esquentarem.
É, talvez seja o fato de eu estar dormindo no mesmo quarto de quatro marotos (detalhe importante: marotos!) e isso NUNCA ter acontecido.
Mais uma vez barulho de página sendo virada e o silêncio reina. Eu não vou conseguir dormir assim nunca! Não sei como o Black conseguiu, ele deitou a cabeça no travesseiro e já foi. Claro, ele está no conforto (bagunça?) do quarto dele e eu não. Tudo bem, não vou fazer com que isso estrague a minha noite, afinal.
Minha vó sempre disse que ficar fantasiando sobre coisas boas, me daria sono. E sempre quando eu não conseguia dormir, eu fazia isso...e sempre funcionou! Além de me fazer ter sonhos bons, eu acordava tão bem. Mas ultimamente anda difícil fazer isso...porque, eu confesso, essas divagações estavam longe de ser fantasias...elas andavam virando desejo mesmo de que acontecesse.
Ao invés de eu fantasiar sobre uma vida de artista, uma famosa cantora de rock (sim, isso é uma fantasia minha) e morando sozinha, com uma vida agitada e perfeita...eu andava fantasiando com...com...ele!
Sim, exatamente aquele ser que está duas camas daqui. Sabe? O de cabelos arrepiados, no momento molhados e com uma colônia de-li-ci-o-sa.
Caham.
Bem, ele mesmo. E as alucinações mudam para uma Lily agarrando aquele ser do nada em meio de uma sala de aula para até um pedido romântico, bem bobinho, nos jardins. E, eu admito, que enquanto penso, eu não acho ruim. O problema são os sonhos que vem com esses pensamentos. Nada de muito "ooh", mas isso acaba ficando tão repetitivo, que quando eu o vejo, ás vezes, eu imagino se algo daquilo que eu imaginei irá acontecer naquele momento. E isso acaba me deixando com raiva, porque nada acontece e porque eu fico pensando nessas coisas e ele era para ser o cara chato de tempos atrás, que eu fugia e nem tinha pensamentos desses tipos.
Todos me disseram uma vez: "O que um dia corre atrás de você, poderá ser o objeto de desejo amanhã". Praga? Talvez sim. Só sei que deu certo.
Não, não deu certo. São apenas pensamentos, porque você reparou o quanto ele pode ser legal, que, realmente, é bonito e tem um sorriso muito charmoso e é cheiroso...e você não tem namorado e nem gosta de qualquer pessoa para se manter em pensamentos nela. E tendo um James Potter atrás de você pode te deixar um pouco abalada por tudo isso acima.
Simples assim.
- Será que ela já dormiu?- escutei a voz de Remus bem longe e percebi que eu estava quase dormindo com esses pensamentos insanos. Viu como dá certo?
- Eu acho que sim.- escuto a voz de James agora. Vou fingir que estou dormindo, é melhor.
- Acho melhor apagar a luz, né?! Receber bem a nossa hóspede.- escutei duas risadas curtas vindo dos dois e agradecia Remus mentalmente...seria bem mais fácil com a luz apagada.
E assim ela se apagou. A escuridão era total, já que o céu estava caindo de tanta chuva e nem a Lua estava visivel.
- Mooney?- escutei James sussurrar. Isso fez com que eu abrisse o olho, já que estava tudo apagado, mas não vi nada por não ter me acostumado ainda com a escuridão.
- Hmm?
- Você acha que...olha, eu sei que o Padfoot é muito meu amigo, um irmão mesmo, mas...você acha que eu deveria me preocupar com esse castigo insano do diretor?
Hã?
- E por que você deveria se preocupar?
- Ah, você sab...- James parou de sussurrar ao ouvir barulho vindo da cama do Black. Eu prendi a respiração para ver se ele havia acordado e iria começar a falar também, mas ele apenas se virou na cama e voltou a dormir.- Você sabe...a fama que ele tem e como muita garota corre atrás dele e...
- Perai, você está preocupado com a Lily caindo nas cantadas do Padfoot?- Remus perguntou um pouco mais alto e parecia indignado.
- Fala baixo, Mooney.
- O que você disse é absurdo, Prongs. Ela não cai nem nas suas investidas para sair, sendo que você gosta dela...imagina nas do Padfoot, que nem existem e nem gosta dela.
- Bom, eu não sei...talvez a convivência.
- Você está dando mais importância para isso do que realmente tem, Prongs.
- Talvez.
- Ao invés de você ficar se preocupando, porque não aproveita que ela está mais perto? Digo, beem mais perto do que você poderia imaginar, porque está dormindo no nosso quarto...aproveitar isso para vocês ficarem mais íntimos e, quem sabe, você poder mostrar que gosta dela de verdade.
Senti meu coração pular no peito e parecia que eles ouviriam o pobre batendo ali. Era irreal demais estar ouvindo aquilo, James não gostava de mim "de verdade"...ele só queria sair comigo, não é?
Não é?
- Eu pensei nisso, claro e é isso o que eu vou fazer. Agora a pouco foi um progresso, eu acho...ela me deixou cuidar dos machucados dela.
- Se comparar com a época em que você nem podia aparecer na frente dela que ela já pirava, se ela deixou você tocar já é um ótimo passo.
- Bem, vejamos se amanhã eu poderei chegar perto de novo.
- Prongs, Prongs...eu tenho certeza que a Lily tem noção dos seus sentimentos.
Eu não sei porque, mas parecia muito que ele estava falando diretamente para mim.
- Eu ainda vou conversar sério com ela.- engoli em seco nessa hora. Não que aquilo fosse ruim, mas...conversar sério com James Potter? Sobre sentimentos? Mesmo eu não sabendo o que eu pensava/achava/sentia? Espero que isso não seja amanhã.
- Faça isso.
- Valeu, Mooney!
- Sempre fui o seu psicólogo sobre isso, já estou acostumado. Boa noite, Prongs.
- Boa noite, Mooney!
- Boa noite, Lils!
Meu coração gelou e eu fiquei mais estática do que antes, nem sequer respirava.
- Ela já está dormindo, Mooney.
- Sim, sim, eu imagino que sim.- escutei Remus falar sarcástico, mas acho que James não percebeu.
Depois desse, acho melhor ir dormir mesmo.
Senti uma claridade irritante chegar até os meus olhos e me revirei na cama, mas algo me impediu de fazer total gesto. Lembrei que tinha alguém amarrado comigo e fiquei de barriga para cima, ainda com os olhos fechados sabendo que quando eu abrisse, eles iriam doer por causa da claridade. Fiquei daquele jeito por muito tempo, ouvindo o vento que chacoalhava as árvores, me fazendo pensar que parara de chover e que ou todos ainda dormiam ou todos haviam descido...todos menos o Black. Há, ele não podia.
Isso me diverte muito!
Resolvo abrir os olhos e fui me acostumando aos poucos, sentindo aquela dor forte nos olhos pelo baque de tanta luz. Levantei o tronco, esfregando os olhos para eles pararem de doer e eu poder enchergar.
E meus olhos nunca foram tão felizes na vida deles.
Digo...
Você acorda, sabendo que tem alguém amarrado com você (e eu acabo de perceber que ele deve estar no banheiro, porque a corda está aumentada e sumindo por baixo da porta do próprio), mas mesmo assim se conforma com a má sorte, abre os olhos e dá de cara com um...
...James Potter terminando de abotoar e fechar o ziper da sua calça?
Bem, meus amigos, eu não diria que isso é uma coisa muito comum.
Sério, eu fiquei chocada. Ele estava na cama da frente, meio de lado, colocando a samba canção para dentro da calça e, em seguida fechou o zíper e a abotou. E foi só nessa hora que eu reparei que faltava a camisa.
Abotoando-a lentamente...um por um...aquilo parecia sessão de tortura.
E foi nessa hora, em que ele se virou para sentar na cama...que deu de cara com a Lily Pervertida Evans, com cara de sono e vermelha de vergonha, o assistindo se vestir.
Ele olhou para os lados, ainda parado no meio do gesto "sentar na cama" e se pôs a me encarar e eu percebi que as bochechas dele começaram a corar.
- Err...desculpa?!- eu disse rouca e meio receosa. Por céus, acabei de ver James Potter se vestir, mesmo que não tenha sido tudo...isso é um pouco chocante.
- E-eu...você estava e eu...sai e vim vestir...e você ainda...há quanto tempo está acordada?- ele conseguiu soltar uma frase inteira, ficando um pouco mais corado e se sentando, enfim, na cama.
- Bem, eu vi um pouco da samba canção.- sorri meio sem graça, não sei pelo o que eu disse ou por lembrar que eu amo samba canção e ele usa.
- Eu pensei que você ainda estava dormindo, por isso que me troquei assim...desculpa.- ele abaixou a cabeça e xingou uma coisa não muito legal de se repetir.
- Sem problemas, já vi pior.
Ele levantou os olhos na minha direção e eu percebi que havia dito algo que não deveria ser dito.
- Como é?
- Não, não é isso o que você está pensando...você não é "ruim".- ele fez uma careta involuntária.- Digo, você é "bom"- Ai droga, só pioro.- Eu quero dizer que você tem...sei lá, um corpo legal...que eu não falei na intenção de que já vi coisas piores...mas que vi coisas piores.
- Hã?
- Eu quis dizer que Alice tinha um poster enorme de um jogador russo colado no nosso quarto e ele estava só de sunga, entendeu? "Vi coisas piores"!- fiz o gesto das aspas.
- Vocês tem um poster de um cara só de sunga no quarto de vocês?
- Não mais, porque a Alice não achou muito legal tê-lo e admirá-lo depois de começar a ter os rolos com o Frank.- dei de ombros.
- Você viu mais do que viu agora, era isso o que quis me dizer??
Huh, isso me fez parecer burra.
- Sim, exatamente isso...Olha, não dá para a gente trocar de assunto?
- Eu agradeceria.- ele disse ainda desconcertado e abaixou, pegando o tênis e se concentrando mais do que uma pessoa normal faz para amarrar um simples tênis.
Um barulho se fez vindo do banheiro e me deparei com Sirius Black vestido (pelo menos um) e cantarolando.
- Finalmente você acordou!- ele disse se sentando na cama conjurada pelo Remus.
- Se você me disser que vocês acordam cedo por livre e espontânea vontade, eu serei obrigada a rir da sua cara.
- Normamente, em dias de treino de Quadribol, acordamos mais cedo.
- TREINO!
Os dois morenos deram um singelo pulo de susto ao ouvirem meu grito. Como eu pude me esquecer desse grande detalhe? Treino! Vassouras! Black batedor!
Eu não vou sobreviver!
- Isso é uma idéia para se discutir. Como você vai fazer, Lily?- James me perguntou terminando de dar o último nó no tênis e se levantando, me encarando. Oh, quando ele faz essa cara de sério...
- Eu gostaria muito de não ter que me aventurar por uma vassoura. Mas como vou fazer com essa corda?- perguntei entrando no meu estado de histeria. Por Mérlin, queriam a minha caveira.
- Prometo que vou voar devagar.
Ok. Deixei essa frase no ar, porque eu realmente não acreditei nem um pouco nela. Foi então que decidi que ficar de pijama não seria uma boa idéia e me joguei na cama de novo, puxando um pouco o Black junto, já que a corda voltara ao normal de novo. Talvez, se eu ficasse ali o dia inteiro, impediria o treino de acontecer.
- Por que não colocam um batedor reserva?
- Você está maluca? Um reserva vai treinar para EU jogar no dia e não estar treinado? Se bem que eu sou tão bom que não preciso de treino.
Olhei involuntariamente para James e o vi revirando os olhos, assim como eu. A porta do dormitório se abriu e vi uma Alice entrando no quarto, meio receosa, meio assustada (com certeza por causa da bagunça) e com uma muda de roupa nos braços.
- Bom dia, amiga. Ainda bem que está viva! Bom dia, meninos!
- Bom dia, Alice!- James respondeu juntamente comigo.
- O que quis dizer com o "ainda bem que está viva"? Você acha que eu mataria a sua amiga ou coisa parecida?
- Não, Sirius, foi só uma brincadeira com ela por ter que dormir no quarto "dos marotos". Bem, amiga, eu imaginei que você não tivesse trazido roupa, então tomei a liberdade que você não me deu e peguei uma roupa para você e uma toalha, pois eu também imaginei que não teria uma toalha em boas condições para você usar por aqui. - Alice disse olhando em volta.
- Muito obrigada, você adivinhou meus pensamentos.
Peguei a roupa e a toalha das mãos da Alice e fui para o banheiro. Um banheiro com estilo do quarto, bem bagunçado: toalhas estendidas de qualquer jeito (apenas uma estava devidamente estendida. Remus, talvez!), o espelho ainda embaçado pelo banho do Black, loções de barba e colônias pela pia. Se você não pode com eles, junto-se a eles.
Antes de entrar no chuveiro, enchi a porta do banheiro com feitiços de todos os tipos, impedindo a passagem de qualquer ser que tentasse entrar ali ou espiar pela fechadura. Eu tinha que me prevenir, marotos são casos sérios.
Liguei o chuveiro e também reparei que a ducha era bem melhor. Isso é injustiça das grandes. Já não basta terem os colchões mais macios, agora a ducha é melhor? Por que Dumbledore dá mais privilégios para os garotos?
Fiquei um bom tempo ali embaixo, aquele chuveiro era divino. Olhei para os frascos de shampoos e as leitoras do jornal de fofoca da escola iriam adorar saber a quantidade de diversoso shampoos que tinha ali. Fui cheirando um por um, procurando um com cheiro bom e no terceiro frasco senti o cheiro do cabelo de James. Seria aquele mesmo!
E eu não escolhi, porque eu gosto dele ou porque eu iria ficar cheirando o meu cabelo toda hora ou coisa do tipo. Só escolhi por ter um cheiro muito bom.
Ora essa.
Depois de uns bons vinte minutos, eu resolvi sair. Procurei pelo banheiro na esperança de encontrar algum creme para pele, mas depois de não achar, pensei que seria exagero demais procurar por isso no banheiro de garotos. Vesti a jeans, a blusa e o sobretudo que a Alice me levara e fui para o quarto.
Não foi surpresa alguma encontrar o Black na sua cama, olhando para o nada e James no outro extremo do quarto, na sua própria cama, lendo uma revista de Quadribol. Parecem duas crianças com essa briguinha.
- Vocês não poderiam, sei lá, adiar esse treino?- perguntei me fazendo presente enquanto esfregava a toalha pelos cabelos.
- Não queira fazer esse castigo estragar nossos planos, Evans. Você vai no treino e ponto final.
Cruzes! A educação dele foi embora pelo ralo.
- Ok, Black, então vamos logo antes que eu exploda você.
Saímos do quarto deles e descemos até o Salão Comunal, na esperança de encontrar Remus ou Alice para me acompanhar (mesmo estando acompanhada) durante o café da manhã, mas só havia alguns alunos primeiranistas conversando perto da lareira. Quando passamos, percebi que eles abafaram risadinhas.
- O que é? Tem alguém vestido de palhaço aqui, tem?- eu disse furiosa indo até eles.
As pobres crianças arregalaram os olhos e fecharam o sorriso na mesma hora. Não pensava que eu podia ser tão assustadora ao ponto de deixar alguém com medo. Eu não costumo ter esse tipo de atitude, mas eu estou muito nervosa no momento.
- Na-na-não!
- Ótimo!
Virei e puxei Black até um James surpreso e fomos todos tomar nosso delicioso café da manhã.
- Eu não estou brincando, eu vou cair!- eu repeti pela milésima vez, sentada na vassoura, enquanto o Black me dava instruções e o resto do time estava sentado no gramado do campo esperando a gente.
- Você não vai cair se prestar atenção nas minhas dicas e parar de olhar para o James!
- Eu não estou olhando para ele, imbecil. E eu vou cair.
Ele fechou os olhos e respirou fundo, bem fundo mesmo.
- Olha aqui, é só você não soltar da minha cintura e manter os pés nessas duas alças extras que eu coloquei...não tem nenhuma dificuldade nisso.
- Mas há a gravidade, as curvas, o seu bastão para bater em mim, o vento, o frio, a neve...
- Cala a boca, fica sentada na vassoura e apenas se segure.
Depois dessa, eu nem consegui responder, apenas continuei onde estava enquanto ele se sentava na minha frente, tirando o bastão debaixo do braço e o empunhando. Fez sinal de 'ok' para o restante e todos se levantaram e começando a voar, ficando em suas posições.
- Eu vou voar agora, se segura.
Ele deu um leve empurrão com o pé e eu senti que dei uma leve escorregada para o lado, mas me segurei firme na cintura dele. Não olhei para baixo e apenas encarava as costas dele.
- Ok, time! Vamos fazer o mesmo esquema do jogo do ano passado contra a Lufa-Lufa, vocês lembram?
Um coro de 'sim' se fez presente pelo silencioso campo. Eu ergui a cabeça, me levantando um pouco da vassoura para poder ver o James falando com todos, no meio da roda formada pelas vassouras há uns dez metros do chão... adoro ver homens com esse instinto de liderança. Caramba, estava muito alto.
- Então vamos começar.
De repente, eu me vi sendo arremessada de volta na vassoura pelo baque de Sirius Black ter começado a voar de repente e tão rápido, quase não consegui me segurar nele.
- Mais devagar, por favor.
- Se eu for mais devagar, a gente pára. Estou indo o mais devagar que eu consigo.
Isso é ir devagar? Ok, eu estou ferrada.
- Sirius, aquela seqüência de balaços?- Noah McCalister, outro batedor do time, perguntou.
- Certo. Você na ponta direita?
- Sim.
Black fez uma curva muita fechada para o meu gosto e nos pôs ao lado direito dos aros, enquanto eu via o tal Noah indo para os outros aros, mas do lado esquerdo. Reparei que James estava no meio do campo, um pouco mais acima dos artilheiros disputando a goles e segurava os balaços.
- No três!- ele berrou para Black e Noah ouvirem.- Um...Dois...TRÊS!
E jogou os balaços, fazendo aquelas bolas malucas e assassinas voarem a torto e a direito pelo campo.
Black deu uma guinada na vassoura e começou a voar tão rápido que eu mal via mais nada além de borrões por toda a parte. Pelo barulho que se seguiu, ele bateu em um dos balaços e fez uma curva para a esquerda muito de repente, fazendo eu me sentir dançar pela vassoura. Agora eu não segurava a cintura dele, eu me agarrava. Até senti que as minhas unhas, involuntariamente, se pregaram nele. Ele rebateu o balaço novamente e eu só constatei que não estava constatando nada. Eu nem sabia em que parte do campo eu estava.
- Você ´tá legal ai?- escutei a voz dele abafada pelo vento cortante que passava por nós.
- Eu acho que sim. Eu ´tô viva ainda?
Escutei que ele riu e depois, sem aviso, ele mergulhou, me fazendo imaginar que estávamos MUITO alto. Parecia que a minha alma havia ficado onde estávamos segundos atrás...estava totalmente congelada e não era por causa do frio. Eu não evitei berrar!
Senti que a vassoura se inclinou e parou depois. Abri os olhos e vi que Black estava virado para mim, com uma cara de assustado e com uma das mãos na orelha direita.
- O que foi?- ele perguntou.
- Você está fazendo terrorismo comigo, disse que ia devagar...E ESTÁ VOANDO COMO UM LOUCO!
- Pelo amor de Mérlin, pare de berrar!
- Então pare de fazer essas coisas comigo na vassoura.
- Eu estou treinando, caso não tenha percebido. Já viu um jogo de Quadribol em camêra lenta?
- Não, mas gostaria muito que você me mostrasse!
Senti um ventinho passar e notei que não era natural...um balaço quase me acertou em cheio.
- Não fica parado, senão eu vou levar um balaço na cabeça.
- Ok, você quem pediu.- ele sorriu maldoso e eu me arrependi no mesmo instante.
Deu outra guinada na vassoura e começou 'rasgar' o campo em alta velocidade, fazendo pensar que ficaria careca pelo vento forte que quase me carregava da vassoura e arrancava meus cabelos.
Foi ai que a burrada começou: ele pareceu se esquecer completamente do treino e começou a fazer 'zig-zag' com a vassoura ainda em alta velocidade. Sentia que estava escapando da vassoura e me segurei mais ainda nele.
- Pára!- eu disse, mas mal saiu um gemido.
Senti a minha barriga gelar ao ver a altura em que estávamos e percebi que eu não conseguiria me segurar por muito mais tempo, mas a minha voz não saia para mandá-lo parar. Então tive a idéia mais estúpida da minha vida: me desgrudei dele e dei murros em suas costas, demonstrando o meu desespero. Juntando o fato de ter me desgrudado e a velocidade em que estávamos, apenas uma coisa poderia acontecer. E aconteceu!
Não senti mais a vassoura que eu deveria estar sentada e, em um movimento rápido, olhei para cima, vendo Black tentando se segurar na vassoura em milésimos de segundos, mas o peso havia sido muito e eu acabei trazendo-o para baixo também.
O vento da queda de mais de vinte metros não era o problema...eu estava mais interessada em prestar atenção no filme de toda a minha vida que passava pela minha cabeça naquele instante e que devia estar passando pela de Black também. Quando eu pensava na vez em que rolei com Petúnia pela escada enquanto nos socávamos, eu senti que parei de cair com uma puxada muito forte no braço, mas voava para frente.
Havia criado asas?
Quando olhei para o lado, vi Black pendurado pelo punho, assim como eu, na vassoura de James. A corda do castigo havia nos salvado...ou melhor...James nos salvou nos pendurando na sua vassoura. Ele estava com uma cara séria e voava devagar, sem nem olhar para qualquer um dos macacos pendurados na sua vassoura. Virei meu olhar para Black e ele parecia arrependido. Tarde demais.
Chegando ao chão, notei que o meu punho estava doendo muito e que estava inchado. Provavelmente deve ter quebrado quando a corda se chocou com a vassoura de James.
- O que você tem nessa sua cabeça?- ele disse nervoso, mas falava baixo.
- Ei, calma, eu só estava brincando.
- Mas essa sua brincadeira estúpida quase tirou a vida de vocês dois!- James disse jogando a vassoura que ele tanto ama no chão.- Você tem o dom de fazer brincadeiras desse tipo, não bastou fazer apenas com o Ranhoso, teve que fazer com a Lily também.
- Eu não tive a intenção de machucá-la, cara! Ela está bem, não vê?
- Eu quebrei meu punho!- disse ainda verificando aquele roxo que formava e morrendo de dor. Senti os meus olhos marejarem. Os outros jogadores desceram até nós e ficaram nos assistindo.
- A Madame Pomfrey vai dar uma jeito nisso, Lily, não precisa chorar.- James disse limpando uma lágrima que escorreu pelo meu rosto e se virou para o time.- Eu vou levar a Lily na enfermaria e já volto, podem continuar a treinar.
- Não precisa levá-la, caso tenha se esquecido, eu estou amarrado com ela.
- É capaz dela não chegar viva se for só com você.
James segurou na minha outra mão e me puxou delicadamente para segui-lo. Pareciamos três crianças brincando, cada um segurando o outro, mesmo que Black e eu estívéssemos assim por causa de uma corda. E assim fomos até a enfermaria: James me puxando e eu puxando Black automaticamente.
- O que aconteceu com o seu braço, querida?- ela é tão exagerada. Ok, meu braço estava doendo muuuito, mas não precisava arregalar aqueles olhos só porque ele está duas vezes maior e totalmente roxo.
- Um acidente com Quadribol.- Black respondeu e os olhos arregalados dela se viraram para a corda.
- Bem, solta a senhorita para ela se deitar.
- Acho que não será possível.
- E por que não, Senhor Black?
- Porque isso é um castigo e a corda não se solta.
Ela se virou para mim, como se quisesse que eu disesse "ele está maluco, claro que vai me soltar", mas eu apenas dei de ombros como que pesando pelo desastre da minha vida.
- Essa escola está ficando pirada a cada ano que passa. No meu tempo não era assim.
- No seu tempo, um Filch cheio de espinha na cara e mais feio do que de costume deveria te prender com correntes de ponta cabeça nas masmorras.
- Você me chamou de velha, Black?
- Por que? Por causa do "Filch cheio de espinha na cara"?
- Obviamente! Quantos anos você acha que ele tem agora?
- Ah...mais ou menos uns 60.
- BLACK!
Ele ficou quieto. E eu achei uma boa idéia mesmo. Ela se virou para mim e me levou até a cama.
- Sente-se ai, vou fazer uma poção para você.
Ela sumiu de vista e James se aproximou.
- A gente deveria ter colocado um batedor reserva mesmo.- disse mais para si do que para outra pessoa.
- Eu sou o batedor, eu decido isso!- Black disse. Notei que o tom dele se alterou, James apenas virou para ele, dizendo com a maior calma do mundo.
- Eu sou o capitão do time, então eu decido quem treina e quem joga.
- Ótimo! No próximo treino, peça para o reserva entrar no meu lugar.
Black se virou e ia indo embora, mas a corda impediu, fazendo uma dor terrivel pulsar.
- Não posso nem ter a minha saída triunfal. Teria mais impacto.
James revirou os olhos e continuou com a sua calma. Se virou para mim e encarou meu punho. É hora de eu fazer um pouco de drama.
- Ai!- disse baixinho, mas em tom suficiente para ele me ouvir. Se aproximou da cama e passou os dedos de leve pelo meu pobre punho quebrado.
- Isso daqui ´tá muito feio, deve estar doendo muito.
- E está.
- Você vai ficar legal daqui a pouco. Essa enfermeira é maluca, mas sabe o que faz.
- Eu só quero que a dor pare.- falei um pouco manhosa e vi que os olhos dele brilharam.
- Eu vou lá apressá-la, ok?
E ele saiu apressado em direção do escritório da enfermeira. Sorri internamente. Eu não quero usá-lo e nem nada, mas é tão bom saber que alguém se preocupa com você...
- Tsc tsc tsc tsc.
Virei para o meu lado e vi Black cruzando os braços, sorrindo.
- O que foi?
- E Lily Evans entra em ação!
- Eu apenas estou com muita dor e ele é legal o suficiente para se preocupar, diferente de você que fez a burrada e ficou todo bravinho, sem nem se desculpar.
Ele descruzou os braços e aquela expressão rude desapareceu. Não sei se ele ia pedir desculpa, mas o que for, James o impediu.
- Ela já está terminando, Lils.
- Obrigada, James. Pode voltar para o treino, devem estar esperando pelo capitão.
Ele olhou para mim, depois se virou para o Black, depois para mim de novo.
- Bem, eu acho que nada vai acontecer...só se te jogarem da janela.
- E isso não vai acontecer, porque se fizerem isso, a pessoa vai junto.- disse levantando a corda, já que não dava para levantar a mão.
- E vocês parem de falar como se eu não estivesse aqui, ok?- Black, todo nervosinho de novo, disse cruzando os braços.- Para que iria jogar a Evans da janela?
- Você a derrubou da vassoura, não? Sem necessidade.- James disse diretamente para ele, coisa difícil de acontecer durante esse tempo. Mas ele não deixou que Black respondesse.- Tchau, Lily, até mais tarde...e se cuida.
Deu uma última olhada para o Black e saiu da Ala.
- O que ele pensa de mim? Por que mataria você? Se eu te matasse, ai é que ele nunca falaria comigo mesmo.- Black se sentou na minha cama e fez uma careta de dar dó.
- Por que você não tenta conversar com ele?
- Você viu que eu tentei, mas ele pensa que eu sou o culpado de estar com uma corda amarrada com a garota dele.
- Eu não sou a garota dele, Black.
- Mas a tratamos como se fosse. Eu nunca dei em cima de você, porque ele gosta de você...e isso iria contra as regras marotas.
Senti que as minhas bochechas começavam a esquentar. Era tão estranho ouvir deles que James gostava de mim...que eu chegava a acreditar.
- Não que eu fosse dar em cima de você se ele não gostasse...você não é lá essas coisas, sabe?
- Olha só quem diz!
Me senti ultrajada depois dessa confissão e nem olhei mais para ele até a Madame Pomfrey chegar com o meu remédio e curar meu lindo punho.
Voltamos para o campo, segundo ele, para ver como o reserva estava indo e, como eu não tinha muita coisa para fazer, fui junto. Como se desse para eu não ir.
E como se eu fosse reclamar de ir ver o James.
- Por Merlin, esse cara joga como a minha vó. Como eles vão querer ganhar com um batedor desse jeito?
- Batedor tem alguma função muito importante além de mandar balaços nos outros? Porque, sinceramente, eu acho que quem mais faz em jogo de Quadribol são os artilheiros e o apanhador: uns fazem gols e o outro apanha o Pomo. Se tirarem um batedor, acho que nem faz diferença em um...
- Você tem problema nessa sua cabeça ruiva? Como ousa dizer que batedor não faz nada?
- Eu não disse que não fazem, disse apenas que rebatem os balaços para lá e para cá e mais nada.
- Como você acha que os artilheiros conseguem chegar até os gols e os artilheiros rivais ficam sem dentes? Como o apanhador rival sai com um braço quebrado quando está quase pegando o pomo? Como os outros batedores saem desmaiados? Como? Como? Acha que é só habilidade na vassoura?
- Céus, como você é violento. Só pensa em como levá-los para a Ala Hospitalar.
- Não, eu só penso em como deixar o time livre para fazer o que eles tem que fazer...se não fosse por nós, batedores, os jogos seriam uma pura chatice, sem emoção e uma bagunça.
- E bla bla bla...isso não muda a minha opinião.
- Eu imaginava que se a sua cabeça não serve para entender uma coisa tão simples como Transfiguração, não entenderia uma mais simples ainda que é o Quadribol.
Eu senti um aperto no punho e vi mais dois centimetros irem embora. Ele não consegue se controlar, assim vai ficar difícil.
- Dá para você calar essa sua boca um instante? Segura a lingua, porque eu não quero grudar mais em você.
- Brigando mais uma vez?
Remus se aproximou e sentou do meu lado.
- Essa seu amigo não se controla. Quando essa corda se soltar, eu vou fazer questão de falar para o diretor decretar que Sirius Black não pode se aproximar mais de Lily Evans.
- Mas o que eu estou fazendo, raios?
Me virei para ele sentindo o ódio borbulhar em cada parte do meu corpo. Como alguém poderia ser tão cara de pau? Me virei para Remus novamente e cruzei os braços.
- O seu amigo me derrubou de mais de vinte metros em menos de duas horas atrás e quebrou o meu punho.
- Você fez isso, Padfoot?- Remus perguntou arregalando os olhos.
- Poxa, não foi por querer.
- O Prongs está sabendo disso?
- Foi ele que nos salvou, porque quando ela diz que caiu de mais de vinte metros, significa que o Sirius aqui caiu junto, ok? Não cometam injustiça.
- Grr, seu cara de pau!
Senti o aperto no meu braço e mais centimetros foram embora.
- Depois fala que EU não me controlo.
Remus começou a rir como um desesperado, fazendo Black e eu ficarmos com cara de bobocas. Nos entreolhamos e Black deu de ombros, mostrando que não tinha idéia do que acontecia.
- Você quer parar com isso?- ele disse quando percebemoss que Remus não iria parar de rir tão cedo.
- Eu nunca pensei que presenciaria uma coisa dessas, sabem? Sirius...Lily...amarrados e tudo mais. E vocês se repudiam e ficam com essa frescura de um não gostar do outro e...
- Pára tudo. Eu nunca disse que não gostava dela.
- Mas me trata como tal.- falei sem conseguir me segurar.
- Só há um único problema entre vocês!- Remus profetizou
- Um? Eu vejo vários!- Black disse rindo descrente
- Não apenas um. E ele tem nome, sobrenome e cabelos bagunçados!
Automaticamente, olhamos para cima e encontramos James voando rapidamente atrás do pomo e ficamos assim por alguns segundos, tentando assimilar o que Remus dissera.
- Eu não entendi.- Black disse arqueando uma sobrancelha.- O que ele tem haver?
- Tudo!
- Ah, qual é, Mooney.
- Você diz não gostar da Lily pelo fato da própria ter "enfeitiçado" o seu melhor amigo e ter gerado uma mudança no comportamento dele. Sem contar o fato de que você detesta quando o vê daquele jeito deprimido quando eles brigam ou quando ele leva um fora dela.
- Eu...- Remus se virou para mim e cortou a resposta do moreno.
- E você, Lily, diz não gostar do Sirius, porque sabe que o James com você é uma coisa e quando ele se junta com o Sirius, vira outra. Mas você sabe que não é falta de persanalidade do James e sim a influência diferenciada que você dois...- ele apontou para nós.- ...geram nele! Você traz a tona um James apaixonado, um James que faz loucuras por você. O Sirius traz a tona o James Maroto, o James amalucado.
Eu confesso que fiquei sem respostas. Sério! Se eu pensasse bem, até acharia um pouco de verdade nas palavras dele, mas James fazendo loucuras por mim? Isso eu nunca vi.
- Por que você tem essa mania idiota?- Black perguntou cortando meus pensamentos.
- Que mania?
- Essa de dar uma de Dumbledore e ficar tentando achar resposta para tudo.
- Eu estou comentando algo que está bem na cara, ok? E não preciso "dar uma de Dumbledore" para perceber isso. E vou mais além...eu garanto que se não existisse James Potter, vocês estariam até saindo.
- O QUÊ?- não deu para evitar o grito, só não imaginava que Black gritasse junto. Pelo menos concordamos em algumas coisas, pois eu não sairia com ele NUNCA!
- Vocês são uns dos mais populares (contando com James, porque ele existe) da escola e encabeçam essas listas idiotas sobre beleza. Dúvido que vocês nunca repararam na beleza um do outro...sem me levar a mal com esse comentário, Padfoot, pois estou apenas dizendo que você não é feio, porque é a opinião de todas as garotas.
- O Black disse a poucos minutos atrás que eu não sou lá aquelas coisas.
- Ele sabe a mentira que disse. Você é uma das mais bonitas da escola, Lily, e ninguém pode dizer o contrário.
Virei para o Black e mostrei a lingua para ele. Pelo menos alguém me achava bonita.
- Obrigada pelo elogio, Remus. Mas discordo na parte em que se não existisse James, nós estaríamos saindo.
- Eu discordo de você!
- E eu discordo da sua discordância por eu discordar.
- Tenho certeza quase absoluta que vocês iriam sair.
- E eu tenho a certeza que não.
Travamos uma guerra por olhar durante um tempo. Até que ele desviou os olhos para um Black pensativo e sorriu ao estilo "Quer apostar?"
- Por que esse silêncio? Pensei que negaria a minha informação até o dia da sua morte
- Nada, nada.- ele respondeu vagamente.
Remus deu de ombros e se focou no time que se reunia no meio do campo.
- Encontro vocês mais tarde.- ele disse se levantando sem tirar os olhos de umas das artilheiras do time que ia voltando para o castelo sozinha. Eu fiquei apenas no aguardo de ir embora e tentar convencer alguém para me emprestar o relatório sobre Animagia. Quando tive aquela sensação de que alguém me olhava e olhei para o lado, dando de cara com aquelas olhos azuis sinistros do Black.
- O que foi?
- Se você não fosse tão chata e não existisse James, eu sairia com você!
Arregalei os olhos e fiquei o encarando. Que raios de afirmação era aquela? Eu deveria me sentir honrada com aquilo?
- Mas você é chata e o James existe!
- E você acha que eu iria querer sair com você sendo mais chato do que eu?
- Se o Remus estiver certo, eu acho que não seria chata comigo e nem eu com você!- disse ele pensativo.
- Mas você disse que eu não sou lá aquelas coisas e você não sai com as feias, pelo o que já consegui perceber.
- Você não pe feia, Lily, e sabe muito bem disso. Só falei aquilo para te irritar
- Bem...- eu resmunguei, muito sem graça pelo suposto elogio.- ...tenho lá minhas qualidades.
- Lily?- uma voz interrompeu a conversa. Olhei para frente e me deparei com o Sr. Qualidade...ou melhor, com o Sr. Lindo Mesmo Depois do Treino...ou melhor dizendo...só o James.- Como está o seu punho?
- Bem! A Madame Pomfrey deu um jeito e ficou ótimo.
- Ok! Então eu espero que fique entendido para certas pessoas que até esse castigo idiota acabar, ele não treina!
- Entendido, Sr. Capitão- Black disse entediado.
- Até mais tarde, Lily!- e aquele moreno suado e com um sorriso lindo me mandou uma piscada. Oohhh.
- Vocês dois são os piores, sabia? Fica um babando no outro e nunca ficam juntos.
- Ah, não enche!- disse me levantando, o fazendo levantar também e seguimos para o Castelo, já que estava escurecendo e não se tinha mais nada para ver ali. Não falamos nada pelo caminho, apenas cumprimentávamos os conhecidos que passavam.
- Alice, minha querida e amada amiga...você já fez o relatório de Animagia?- perguntei assim que cheguei no salão comunal e a avistei com o Frank.
- Ainda não, talvez amanhã eu faça.- ela respondeu dando um beijo no namorado e deixando claro que não iria largá-lo para fazer nada.
Avistei o Remus do outro lado da sala e fui correndo quando percebi que ele fazia lição;
- Animagia?- eu perguntei por cima dos ombros dele.
- Poções!- ele respondeu se virando para mim.
- Santo Mérlin, ninguém vai fazer o relatório não?- resmunguei para o vento.
- É impressão minha ou você quer copiar de alguém?- Black perguntou
- Quero apenas conferir, ver se ficou igual ao meu.
- Quem você quer enganar? Você nem fez ainda.
- Quem disse que eu não fiz?
- Estou grudado com você, se lembra?
Ok, isso é verdade. Já estou vendo a minha nota negativa em Transfiguração.
- Você também não fez.- disse em um tom um tanto quanto infantil.
- Ah, isso eu faço em dez minutos. Posso até fazer na terça de manhã.- e ele sorriu orgulhoso.
- E como você sabe tanto sobre Animagia?
- Não me faça perguntas complicadas, que eu não minto para você.
Hmm...tem alguma coisa ai. Mas isso não importa e sim o fato de que eu não faço o relatório em dez minutos nem em sonhos.
- Agora para de se lamentar e vamos dar uma volta, porque tenho coisas para resolver.
Só espero que ele não me leve para dar o fora emalguma garota sofredora que caiu na lábia dele, pois eu não aguento ver gente chorando.. Fomos andando pelos corredores e eu percebi que já tinhamos feito aquele caminho antes.
- Por um acaso você vai ir vigiar a Lene de novo?
Ele não me respondeu e continuou a andar como se eu nem estivesse ali. Pouco tempo depois, percebi que a minha resposta era afirmativa, pois paramos em frente da mesma sala de antes. E do lado da mesma armadura também. E ficamos encarando a porta...e devo dizer que uma porta perde o interesse depois de dez minutos.
- Você não pensou que hoje é Sábado e ela pode não ter aulas de reforço?
- Ela está aí...eu sei que está.
- Como sabe?
- Ela não estava na torre.
- Deeeer, ela pode estar no quarto ou jantando, coisa que deveríamos estar fazendo também.
- Ela está aíííí!- e ele apontou impaciente para a porta.
- Ok, ok...quando perdermos o jantar e ninguém sair, você cai na real.
Mal terminei de falar, a tal porta se abriu e a Lene saiu, junto com o maravilhoso e gatíssimo Bones. Ouvi Black resmungar.
- Me desculpe pelo reforço de fim de semana, Edgar.
- Não se preocupe, Lene, estou às ordens até nas férias, se você precisar.
Notei um brilho surgir no olhar dela e percebi que Bones deu um passo para a frente, os deixando mais próximos. É isso ai, Lene. Vai, garota!
- Obrigada!- ela disse baixinho e eles se aproximaram mais. Senti algo se mexer do meu lado e lembrei que o Black estava ali também.
- Filho da...- mas ele não terminou o seu lamento, pois a Lene teve a iniciativa e lascou um beijo no Bones. Sério, daqueles beijos que te deixam com vontade.
Depois disso, foi tudo muito rápido: fui puxada com muita força pelo meu ainda frágil punho e, de repente, já estava chegando no Salão Principal. Black tinha uma expressão de que mataria o primeiro que visse (que ele não olhasse para o lado, por favor) que dava até medo. Chegando no Salão já quase lotado e sentamos junto com James, Remus e Peter. Black pegou o prato e começou a jogar o purê, o frango, as batatas...fazendo respingar tudo em mim...como se eu já quisesse estar ali ao invés de estar saindo em um amasso com Edgar Bones.
- O cachorro perdeu o osso!- escutei James comentar depois de ficar assistindo a cena do assassinato deprimente da comida do Black como tantos outros alunos em volta.
- O que aconteceu?- Remus perguntou
- NADA!- ele respondeu grosseiramente.
- Perdeu o osso, Mooney.- James repetiu. Black largou os talheres no prato e se virou para ele.
- Você quer calar essa sua boca um instante? Se não quer falar comigo, então não fale em situação nenhuma. Ninguém tem perguntou nada.
Eu pensei que o James fosse levantar e os dois sairiam rolando no meio da mesa e jogando comida para todos os lados e se esbofetando, mas James riu. RIU!
- Perdeu o osso!
- Pára de falar isso, Potter!
- Eu te conheço, Black, e conheço o suficiente para saber que aconteceu exatamente isso.
O moreno do meu lado se levantou e fez menção de ir embora, mas eu continuei sentada, o encarando, pasma.
- Vamos!- ele disse bravo. Aquele tom seria o suficiente para me levantar e correr para onde ele quisesse, mas...
- Eu não comi e estou com muita fome.- eu disse olhando para o meu prato cheio.
- A gente resolve isso fácil.- e ele veio até mim e pegou o meu prato.- Agora vamos, você come lá em cima. OU quer um suco também?
Fiquei com medo dele me atacar se eu demorasse mais e me levantei de uma vez, pegando o copo cheio do Remus e saímos do Salão com o meu jantar quase caindo do prato pela fúria do Black. Chegamos no quarto e ele me entregou a minha comida delicadamente, muito delicadamente para quem estava furioso, mas foi nessa hora que eu notei que ele estava triste.
Me sentei na cama e comecei a comer, olhando para ele de vez em quando, sentado na cama que Remus conjurou e olhando para o nada. Aquele silêncio estava me matando e vê-lo daquele jeito era horrível, mesmo se tratando dele.
- Sabe, eu acho que nunca veria uma cena dessas.- eu comentei.
- Que cena?- ele perguntou se se virar ou mexer um músculo.
- Sirius Black chateado por causa de uma garota. Em suma, apaixonado.
Ele se virou rápido e aquele olhar triste foi substituído por um de raiva.
- Eu não estou apaixonado.
- Mas parece.
- E se eu estivesse, isso não seria da sua conta.
Ui!
- Eu, hein...seu grosso. Me desculpe por querer ajudar.
Terminei meu jantar e cruzei os braços, já ficando nervosa por só levar patada enquanto sentia dó desse trasgo.
Passados alguns minutos assim, ele pegou a mochila, um pergaminho e tinta e pena e se recostou na parede.
- Eu vou fazer meu relatório e você, depois, sei lá, copia do meu se quiser.- ele disse com um tom incrivelmente parecendo com de arrependimento.
- Ok.- eu respondi seca, segurando a vontade de pular de alegria por ter o relatório à caminho.
- E se quiser, também, pode falar que eu copiei de você, caso a Mcgonagall desconfiar. Uma nota para mim não faz diferença em Transfiguração, mas para você sim.
Eu comecei a rir daquele comentário e ele me olhou confuso.
- Me admira o seu esforço para não dizer um simples "desculpa" para mim. Seria melhor, mais educado e talvez a corda aumentasse ou se rompia.
Ele apenas deu de ombros, me fazendo perceber que voltava a ficar chateado de novo.
- Seu orgulho fala mais alto.- eu disse, por fim, me ajeitando na cama.
Segundos depois, a porta do quarto se abriu e entraram Remus e James, ambos com pratos nas mãos.
- Pads, eu trouxe comida para você, já que não colocou nada na boca aquela hora.- Remus entregou um prato que foi aceito de muita boa vontade. James se sentou na cama onde eu estava e me entregou o outro prato, com um pedaço de torta de morango que parecia estar delicioso.
- Achei que gostaria de sobremesa.- meus olhos devem ter brilhado de emoção.
- E acertou na torta.- eu sorri sem graça e mandei ver no morango.
- Trouxe sobremesa para mim também, Remusinho?- Black perguntou piscando os olhos repetidas vezes.
- Ai você está pedindo demais da pessoa errada.
Os marotos recém chegados se acomodaram no quarto e começaram a se ocupar. Quando eles sumiam, eu não imaginava que eles tinham costume de ficar no quarto desse jeito, apenas lendo ou conversando. Para mim, toda hora eles estariam fora da torre, quase matando sonserinos, se agarrando com alguém ou fazendo coisas ilegais. Ou talvez eu esteja empacando tudo isso.
Vagando pelos meus pensamentos, nem vi quando Black terminou de comer e foi para o banheiro. Só reparei quando duas pessoas pularam na cama de repente.
- O que a Mckinnon fez dessa vez?- James perguntou
- Vocês a viram com outro?- foi a vez do Remus quando eu mal abri a boca para responder.
- Foi com o Bones, não foi? Ficamos sabendo que ele daria aulas particulares para ela.- James disse de novo.
- Ei!- eu falei quando Remus iria se pronunciar de novo.- Se vocês sabem, por que perguntam?
- Nós não sabemos, apenas cogitamos a idéia.- James disse.
- E pelo visto foi isso mesmo.- Remus murmurou pensativo.
- Pensei que só eu soubesse dessa "coisa" dele com ela.
- Ah não. Sempre foi do nosso conhecimento isso...mas ele não sabe que sabemos que ele cai por ela.
- E sabemos outra coisa também: amanhã o Bones será azarado, assim como foi com o Gideon meses atrás nos jardins.- Remus disse segurando o riso.
- Foi o Black que o transformou em macaco?- perguntei assustada.
- Sim, porque a Lene havia aceitado o convite dele para sair logo depois de recusar do Sirius- James explicou
- Se ele transformou o Gideon em um macaco por um convite, o Bones será a Lula Gigante três vezes maior e feia.
- Vocês pegaram os dois no maios amasso para ser tão grave assim?
Mas eu não consegui responder para o Remus, pois o Black destrancava a porta do banheiro e voltava para o quarto.
- Com certeza, a gente ganha o campeonato fácil.- James disse disfarçando.
Eles se disperçaram rápido e voltaram para suas camas e Black fez o mesmo, mas puxou o pergaminho ainda em branco para fazer o relatório. Mas eu percebi que ele não parecia muito disposto, pois bastava colocar a pena no pergaminho para ele se distrair em pensamentos. Eu comecei a sentir dó dele, pois ele pode ser chato, metido e conquistador, mas o que ele deve ter passado e passa por discriminação por causa da família dele, as brigas por isso e ter uns dois parentes como apoio não deve ser fácil...e agora via a garota, e acho que a única, que gostava com outro. Acho que com esse gelo da Lene somado com os problemas familiares deve fazer o Black pensar que é um mal amado.
Pensei que passar um tempo com eles seria agitado, mas esses caras parecem zumbis! O James fica lendo revistas e mais revistas de Quadribol, Remus lê muito sobre Artes das Trevas e o Black agora com essa depressão de homenzinho apaixonado não fez nem três linhas do relatório em duas horas. E eu? Só fico aqui pensando em como seria mais legal estar com as minhas amigas e me divertindo.
- Eu vou perder o resto do meu Sábado dormindo. Boa noite.- eu disse mal humorada depois de me trocar e me cobrir dos pés até a cabeça com a coberta por causa do frio e da luz ligada.
- Boa Noite- três vozes me responderam.
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Eu lembro que sonhava que estava nos jardins de Hogwarts apenas de pijama no meio da neve, conversando com Remus sobre o Black querer matar o Bones com vassouradas na cabeça. E estava muito frio. Acho que acabei perdendo a coberta pela cama e a resgatei, pois agora tudo havia esquentado e a cama ficara até mais macia do que antes. Estranho. Me aconcheguei mais e pude aspirar um aroma delicioso, parecia cítrico, ousado...não sei explicar. Quis sentir mais e me virei de novo naqueles braços forte que me cercavam e...
BRAÇOS FORTES?
Abri os olhos imediatamente e me deparei com alguém um rosto (não consegui identificar, pois estava escuro) e um corpo enroscado no meu e por completo, lógico, na minha cama. Me abraçando, me esquentando!
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
N/A: SESSÃO DESCULPAS
Podem jogar o objeto mais pesado que estiver na sua frente em mim...eu sei que demorei séculos para postar! xD Mas eu tive problemas com a minha outra fic e tive que ter atenção total nela e tive que deixar essa um pouco de lado, mas eu ñ abandonei nãão, aqui está a continuação. E um capítulo grande, huh?? xD
Bom, agora eu estou trabalhando e farei de tudo para não atrasar tanto de novo...espero que vocês me entendam.
Eu estou correndo aqui e espero que me desculpem pelos erros que encontrarem pelo capitulo, mas digitei correndo pra dar tempo!
Apenas agradecimentos, porque estou atrasada: Marina M., Jehssik, Ally Beal, Karina B. Black, Thaty, Mandiita e zihsendin!
OBRIGADA, PESSOAS!!! E DESCULPE PELA DEMORA. FAREI O POSSÍVEL PARA ISSO NÃO ACONTECER DE NOVO! E desculpa também se o capitulo ficou enorme, mas sem emoção nenhuma uahuahuaha .
Beijos!
