- Bom dia Sra. Weasley - o médico cumprimentou após a matriarca dos Weasleys entrar em sua sala.

- Bom dia doutor. - Molly se acomodou na mesma cadeira de dois dias atrás. - Bem, eu vim para saber os resultados dos exames de minha filha, a Virgínia.

- Sim, claro. - ele se levantou e foi até um arquivo no canto direito da sala oposto à mesa. Procurou os exames, e, quando os achou, respirou fundo. Aquela seria uma difícil notícia a dar. - Bem, para dizer-lhe o resultado dos exames, a senhora precisa saber que as partes do cérebro responsáveis por permitir ao corpo de se movimentar livremente e facilmente são o cerebelo, o tronco do cérebro e a medula espinhal. Sra. Weasley, peço que observe atentamente esta tomografia do cérebro de sua filha, e esta outra, que é de uma pessoa normal. Comparando-os, consegue-se perceber que o cerebelo de sua filha está atrofiando.

- Atrofiando?

- Sim. A doença de sua filha é Degeneração Espinocerebelar. No começo, os sintomas não são claros, mas podem ser percebidos pela instabilidade quando ela anda, a freqüência de tombos e tropeços, também não irá conseguir medir distâncias, terá dificuldade para escrever e não conseguirá falar corretamente. E eles, sem sombra de dúvida, irão progredir, até que Virgínia não consiga se sustentar nos próprios pés e tenha que ficar de cama.

- Ma-mas... Esta doença... Ela tem cura não é? Com certeza com o avanço medicinal de hoje em dia há uma cura... - a Sra. Weasley disse com convicção, mas sem conseguir achar a resposta positiva nos olhos do médico.

- Eu sinto muito Sra. Weasley, mas não há cura.

Durante alguns segundos instalou-se um silêncio incômodo no consultório. Sra. Weasley tinha os olhos cheios de lágrimas, e o comum nó na garganta de quem está resistindo a chorar. Ela apertava suas mãos, olhando para o chão e pensando em alguma saída. Não, não tinha jeito de sua filha ter aquela doença. Gina sempre fora saudável, comera comidas saudáveis e nutritivas, se exercitara... Era totalmente sem cabimento dizer que ela tinha uma doença tão cruel e incurável. O diagnóstico estava errado. Tinha que estar!

- Eu quero consultar outros médicos. - ela levantou a cabeça subitamente, dizendo firmemente aquelas palavras. - Não que eu duvide de suas habilidades como médico Dr. Mizuno, mas... Erros... Erros acontecem não é? Talvez você estivesse cansado enquanto analisava as tomografias, então... - sua voz ficou embargada, e ela parou por alguns instantes - Então eu não posso aceitar isso assim. Eu realmente quero ter uma segunda, terceira, quarta, quantas forem necessárias, opiniões para ter certeza. Você poderia me indicar alguns nomes de médicos especializados nessa área?

Dr. Mizuno suspirou. Era assim na maioria dos casos. Os pais nunca aceitavam a doença do próprio filho, e perdiam tempo consultando outros médicos. Ele pegou um pergaminho em branco e uma pena e escreveu os nomes de médicos e dos hospitais onde eles trabalhavam, e entregou às mãos trêmulas de Molly.

- Eu acho que isso não vai dar em lugar nenhum, Sra. Weasley, mas já que insiste. Eu só peço para que os consulte logo, porque é imprescindível que o tratamento de Virgínia comece imediatamente.

Molly acenou com a cabeça, e depois de pegar o papel, se retirou do consultório.


Gina bocejou longamente. Havia dormido muito pouco na noite anterior, para terminar os dois deveres de poções. Snape estava sendo especialmente cruel naquele ano, como se ela não tivesse outras matérias nem outras coisas para fazer, passava centenas de centímetros de dever, pesquisas longas e difíceis, e muitos dados para decorar. E isso porque o ano ainda estava no começo.

Continuou caminhando pelos corredores vazios de Hogwarts, contando os segundos para sua patrulha acabar. Antes ela achava que devia ser muito legal poder andar até depois da hora permitida fora do salão comunal, e ainda "caçar" os alunos fora da cama. Mas agora ela estava achando uma chatice. Era monótono, silencioso, e ainda dava sono, pois os corredores ficavam menos iluminados depois do toque de recolher, e o escurinho dava uma vontade tremenda e deitar no chão e dormir.

Mas, na teoria, devia ser bem pior. A parte do colégio que devia ser monitorada era dividida em áreas, e cada área era de dois monitores, que patrulhavam juntos. E adivinha quem monitorava junto com ela aquela área? Draco Malfoy.

Quando soube disso, Gina achou que seria terrível. Eles não andariam juntos, mas acabariam por se encontrar algumas vezes por noite. E ela já podia imaginar que Malfoy faria de tudo para importuná-la. Porém, incrivelmente o sonserino não tinha feito nada até então. Aliás, ele estava totalmente estranho comparado com como ele era antes. Agora ele estava calado, pensativo, não provocava ninguém, raramente era visto com Crabbe e Goyle, e nem Pansy falava muito mais com ele. Apenas Blaise conversava com certa freqüência com o loiro.

Quando seus caminhos cruzavam durante a patrulha, ele não falava nada, ás vezes nem parecia perceber que ela estava lá. Só proferia algum som quando falavam com ele. Sem querer, Gina começou a ficar incomodada e curiosa quanto a essa repentina mudança. Apesar de odiar quando ele provocava-a ou a seus irmãos e amigos, principalmente durante o monitoramento a ausência delas era tedioso.

Quando virou à esquerda de um corredor para outro, avistou o sonserino andando com as mãos nos bolsos, olhando o chão, na direção oposta à dela.

- Malfoy! - ela chamou, antes que pudesse se conter.

Draco levantou a cabeça e a fitou.

- O que é?

- Hum... Bem, é... Você viu alguém, ou algo por aí? - "Mas que pergunta estúpida" ela pensou.

- Não, Weasley. - ele respondeu com uma sobrancelha levantada. - Como foi combinado, eu teria te mandado o sinal caso tivesse encontrado.

- Ah, é mesmo. - Gina queria se matar depois dessa. Ficou em silêncio enquanto ele se aproximava de onde estava parada. Quando faltavam poucos centímetros para ele a passar, decidiu tentar puxar conversa com o sonserino. Podia parecer loucura, mas aquilo já estava um tédio mesmo, então não custava tentar. Pelo menos o tempo iria passar mais rápido. - Você fez seus NOMs ano passado, né? - ela deu meia volta e começou a andar ao lado do garoto, na mesma direção.

- Sim.

- É difícil, né? Passam tantas coisas para fazer e saber...

- É.

- Você foi bem nas provas?

- Fui.

O silêncio voltou a aparecer, agora junto com a falta do que falar por parte de Gina.

- Hum... O que... O que você gosta de fazer Malfoy?

Draco parou e se virou para a ruiva, totalmente incrédulo.

- Você bebeu Weasley?

- Não. - ela riu, na falta de outra coisa para fazer.

Ele balançou a cabeça e continuou seu caminho. Gina o seguiu.

- Ei, sabia que você fica bem melhor sem gel no cabelo? - ok, agora ela queria se matar.

- Weasley, você perdeu alguma aposta? - o loiro parou novamente. - Porque para estar falando comigo e ainda sobre essas coisas, você só pode estar ou bêbada ou sobre alguma aposta.

- Hum, na verdade não é nenhum dos dois. É só o tédio. É tão chato ter que ficar andando por aqui há essa hora. E eu estava quase desmaiando de sono, aí eu imaginei que tentar estabelecer um diálogo com você poderia fazer o tempo passar mais rápido. - ela deu de ombros. Agora que já tinha feito a besteira, não tinha mais jeito mesmo.

- Oh, estou lisonjeado. - ele disse sarcasticamente. Olhou para seu relógio e agradeceu a Merlin. - Falta menos de um minuto para nosso tempo acabar, está feliz agora?

- Estou. - ela sorriu, marota. - Boa noite Malfooooy! - cantou, correndo de volta para seu dormitório.

Ao chegar lá, chegou a conclusão de que tédio misturado ao sono pode fazer as pessoas fazerem coisas definitivamente estranhas.


duas semanas depois

O Sr. Weasley aparatou a vários metros de sua casa, em um campo deserto. Desde a volta de Voldemort, fora colocado em sua casa o mesmo feitiço que desabilitava aparatação que tinha em Hogwarts.

Minutos depois, ao abrir a porta da frente para entrar, encontrou a casa sem nenhuma luz ligada, nem os barulhos abtuais da esposa limpando, cozinhando ou fazendo qualquer outra coisa. Achando estranho, fechou a porta e tirou o casaco, pendurando-o no gancho ao lado junto com sua maleta já velha e gasta.

- Molly? - com um aceno da varinha, acendeu as lamparinas. Avançou e viu a esposa sentada á mesa da cozinha, de costas para ele. - Molly, por que estava naquela escuridão? - ante o silêncio dela, ele se aproximou, preocupado - Aconteceu alguma coisa, querida? Você se machucou? - ela acenou negativamente com a cabeça, sem olhar para ele - Carlinhos se machucou? Ele disse que ia ter que lidar com um dragão perigoso esses dias... - ela novamente acenou fracamente que não - Ah, então foram Fred e George? O que eles aprontaram dessa vez?

- Não é nada com nossos meninos. - ela falou tão baixo que Arthur quase não ouviu. - É com Gina.

- Ela se machucou no treino de Quadribol de novo?

- Não. Os médicos disseram... Todos eles disseram que ela tem Degeneração Espinocerebelar.

- O quê? - perguntou Sr. Weasley, confuso.

- Essa doença, gradualmente, vai impedi-la de andar, falar, comer e escrever direito... Até que ela mal consiga se mover, e tenha que ficar de cama.

Arthur caiu pesadamente na cadeira ao lado de Molly, incrédulo.

- Molly, o que você está dizendo? Não brinque com uma coisa dessas! - ele riu nervosamente. Do fundo de coração, ele pedia para que aquilo fosse mentira, uma piada de mau gosto.

- No dia em que ela se machucou no treino, eu a levei ao St. Mungus. Ela fez exames e o resultado foi esse. No início, eu também não podia acreditar. Não queria acreditar. Eu levei as tomografias a outros médicos especializados, mas todos afirmaram que ela tem essa doença! - ela chorava enquanto falava aquelas dolorosas palavras.

- Ma-mas... Há um remédio com o qual podemos curá-la, certo?

- Não.

- Então... Um tratamento específico? Talvez uma operação...

- Não, não Arthur, não há cura! - Sra. Weasley olhou-o desesperada.

Olhando a parede sem realmente a ver, o Sr. Weasley assimilava aquelas informações.

- Como nós vamos contar a ela? - ele perguntou.

- Nós não podemos contar a ela! Como uma menina de 15 anos poderá lidar com isso? Não podemos contar, pelo menos por enquanto.

Ele acenou, concordando. Imaginava como sua pequena filha ficaria se soubesse a cruel realidade. Simplesmente não podia fazer isso com ela.


No dia seguinte, o Salão Principal estava quase lotado de alunos para o café da manhã. Em meio à barulheira de vozes conversando, Dumbledore bateu uma pequena colher em sua taça dourada para chamar atenção.

- Peço um minuto de sua atenção. - as vozes foram parando até que o salão estava em total silêncio - Obrigado. Como todo ano, a Festa do Dia das Bruxas será no último sábado de outubro. Mas, este ano, não será apenas uma festa. Será também um baile formal, para comemorar os 500 anos de Hogwarts. Apenas alunos a partir do terceiro ano poderão vir, e este ano terá duas novidades: a eleição do melhor casal e, depois da meia-noite, quando geralmente a festa acaba, haverá uma extensão de duas horas apenas para os casais. - o diretor sorriu ao ver a excitação dos alunos ante seus anúncios - Agora, podem voltar à degustação destas comidas deliciosas!

Poucas foram as pessoas que voltaram a comer. Todos estavam em polvorosa por causa da festa, discutindo uns com os outros quem iriam convidar, o que iriam usar e muitas outras coisas.

- Gin! Esta é sua grande chance! - Nicole falou animadamente, mal conseguindo ficar sentada, batendo palminhas.

- Grande chance de quê? - a ruiva fez-se de desentendida.

- Se ele não te convidar até daqui a três dias, convide ele! - Emily aconselhou com seu jeito feminista de sempre.

- Mas gente... Eu não sei se ele vai me convidar mesmo. Eu acho não que ele goste de mim desse jeito...

- Pare de manha Gin! Eu e Milly estamos acompanhando vocês bem de perto, então pode ter certeza que nós estamos certas! Ele gosta de você, finalmente! - Nicole falou decidida.

- Intuição de amiga não falha! - Emily brincou.

No resto do café da manhã, ou melhor, no resto da semana, as amigas e todo o resto de Hogwarts (menos o alunos do primeiro e segundos anos) só falaram sobre a grande festa.

Mas para Draco aquela festa não teria graça nenhuma. Com certeza no ano anterior ele estaria tão animado quanto todo mundo, mas não agora. Ele tinha coisas muito mais importantes com as quais se preocupar.

- Ei Draco! - Blaise o alcançou no corredor que levava às escadas.

- O quê?

- Hoje é o fim do prazo, você sabe. O Lorde foi até gentil demais com você por te dar tempo para pensar.

- É você quem vai dar a resposta?

- Sim, e preciso dela agora.

Draco parou. Ficou alguns segundos calado, sem saber ao certo o que fazer, pela primeira vez em sua vida.

- Sim. - ele respondeu, derrotado. Ás suas costas, Zabini sorriu.

- Venha comigo, vou te dizer qual é a sua missão.


Malfoy suspirou e arrumou seu cabelo outra vez. Não tinha colocado gel dessa vez. Se ele tinha que fazer aquilo, então que fizesse direito.

Pontualmente, ele viu a ruiva virar a esquina do corredor à sua frente e vir distraidamente em sua direção.

- Boa noite, Weasley. - ele falou, incomodado.

- Hum? - Gina olhou para ele surpresa - Você falou comigo?

- Não, com a sua sombra! - ele não conseguiu impedir-se de responder sarcasticamente.

- Bem, isto teria sido mais normal do que você ser educado comigo Malfoy. - ela rebateu, mais bem-humorada do que nunca. Harry, antes que ela fosse para o monitoramento, havia dito que estaria esperando por ela no salão comunal, pois tinha algo importante para perguntar. Sorrindo sonhadoramente do nada, ela virou-se para então começar seu trabalho como monitora, sem perceber muito o que fazia.

Achando-a totalmente louca, Draco a seguiu.

- Hum, Weasley, sabe o que você disse aquele dia?

- O quê?

- Sobre meu cabelo. Eu não passei gel hoje. - sentia-se o maior idiota do universo.

- Acho que agora sou eu quem tem que perguntar: você bebeu Malfoy? - Gina riu divertida. - Mas você está bem melhor.Você já é bonito, agora então... - ela estava tão nas nuvens que até mesmo se Voldemort aparecesse na sua frente e dançasse a macarena com frutas na cabeça, ela acharia o máximo.

Draco olhou incrédulo a menina, que já estava quase saltitando em vez de andar. Mas logo a equação "Festa+PotterWeasley-totalmente-retardada" apareceu em sua mente, e quase tudo fez sentido.

- Potter te convidou para a festa do Dia das Bruxas, não é?

- Ainda não, mas há graaaaaandes chances dele o fazer.

- O que você vê nele? Ele é branquelo, tem os cabelos desarrumados e tem uma cicatriz no meio da testa. Ah, e ainda usa óculos com os aros em forma de bola, pelo amor de Merlin! - ele exclamou, exasperado. Simplesmente não entendia o que havia de tão bom em Harry Potter que ELE não tinha. Mas se arrependeu disso, pois se tinha que conquistar a Weasley, não era falando mal do amor platônico dela que ele conseguiria.

- Sinceramente, eu também não sei. Mas ele sempre me fascinou, e sempre foi legal comigo. E ele fica uma gracinha de qualquer jeito!

- Você tem noção de com quem você está falando Weasley?

- Ué, você perguntou. E qual é o grande problema em eu dizer uma verdade que todo mundo já sabe? Eu gosto do Harry. Hogwarts inteira já sabe. Não faz diferença se eu afirmar para você ou para um dos fantasmas de qualquer forma.

"Ótimo, para ela eu sou o mesmo que um fantasma. Grande progresso, Draco" ele pensou, sarcástico.

- E Malfoy, se por acaso te mandaram se aproximar de mim para conseguir informações sobre a Ordem da Fênix, pode esquecer que eu não sei de nada. Para eles, eu sou muito criança e frágil para me meter nisso. Então eu te aconselho a não perder seu tempo comigo. - Gina avisou, astuta. Malfoy estava com tanta má vontade de fazer aquilo que ela percebera suas intenções facilmente. - Bom, boa patrulha!

Ela se afastou, cantarolando. Draco ficou parado no meio do corredor, um pouco surpreso. "Isso vai ser mais difícil do que eu pensei".


Gina respirou fundo e falou a senha para o quadro da Mulher Gorda. Ao entrar, procurou com os olhos o garoto pelo salão comunal.

- Harry?

Ele levantou-se de uma poltrona de costas para Gina.

- Ah, oi Gina. - ele falou, embaraçado.

- Oi! Bem, você queria perguntar algo para mim. - seu coração batia rápido. Queria que ele falasse logo o que era, porque se fosse do baile, ela poderia comemorar logo, e se não fosse, ela desencanaria de uma vez.

- É... Bem, você lembra do anúncio do Dumbledore, né? - Harry olhava para todos os lugares, menos para ela. Tinha ensaiado várias vezes o que falar enquanto ela não chegava, mas de repente todas a palavras fugiram de sua cabeça. - Então, hum... Eu estava pensando... Assim, se você não quiser, tudo bem...

"Pelo amor de Merlin, vá direto ao assunto!" Gina pensou, exasperada.

- Você quer me convidar para...? - ela deu uma ajudinha.

- Vocêqueriraobailecomigo? - ante a expressão de incompreensão da ruiva, Harry repetiu, mas mais devagar - Você-quer-ir-ao-baile-comigo?

A menina não pode deixar de rir ao pensar que ele parecia um robô.

- Claro Harry, eu adoraria!

- Ah, então... Às sete em frente ao Salão Principal? - ele perguntou, hesitante. Era bom demais para ser verdade.

- Pode ser. Boa noite, Harry. -ela subiu as escadas normalmente, aparentando tranqüilidade.

Ao fechar a porta do quarto atrás de si, ficou parada alguns segundos, sem acreditar. Foi até as camas de Nicole e Emily, que eram lado a lado. Abaixou-se entre as camas, e chamou:

- Nic, Milly. - sussurrou. - Vamos meninas acordem!!

- Hãn? Gina? - Emily levantou a cabeça do travesseiro, confusa. Nicole fez o mesmo, ambas bêbadas de sono.

- Ele me convidou. - a ruiva informou, sorrido luminosamente.

Demorando alguns segundos para assimilar a informação, a duas meninas logo estavam totalmente despertas, e pularam em cima de Gina, gritando, perguntando "quando?, como?", dando os parabéns de chamando-a de sortuda. Elas apenas pararam por causa dos protestos das outras companheiras de quarto para fazerem menos barulho, mas continuaram conversando aos cochichos por várias horas.


Saindo do banheiro apenas de toalha, Gina se dirigiu à cômoda ao lado de sua cama para se pentear. Mas, quando sua mão não alcançou a escova, ela parou, olhando preocupada para o objeto. Desde aquele dia no hospital, sua mãe não mandara nenhuma carta falando sobre o resultado dos exames. Apenas tinha dito que a próxima consulta seria na segunda semana de novembro. Apesar de ter ignorado aquilo, sempre que coisas como essa com a escova aconteciam, ela lembrava e ficava cada vez mais preocupada. O que ela tinha afinal?

- Gin, eu terminei de me arrumar. Quer ajuda? - Emily perguntou, tirando-a de seus devaneios.

- Não precisa não, Milly. Mas obrigada! - pegou a escova e começou a pentear o cabelo molhado cuidadosamente - Nicole ainda está no banho?

- Está. Ela é tão lerda! - a morena sentou na cama da ruiva. Usava um vestido amarelo, longo e tomara que caia, com bordados de flores na parte de cima, e o decote em v não muito exagerado. Seu cabelo estava em um coque do qual caiam algumas mechas.

Rindo, Gina terminou de pentear o cabelo, e fez um feitiço para secá-lo. Felizmente, ela não precisava de feitiços para deixá-lo liso, ele já era assim naturalmente. Mais alguns feitiços e seu cabelo estava com cachos perfeitos. Colocou uma presília brilhante fina e azul do lado esquerdo, e aprovou o resultado. Pegou o vestido e o colocou.

- Emily, fecha pra mim? - ela pediu, referindo-se ao zíper da roupa. A amiga o fez, e admirou-a.

- O que acha? - a ruiva perguntou, virando-se de frente para a morena. Vestia um vestido que ia até os joelhos, azul claro em cima, que ia escurecendo até o azul escuro embaixo. A saia do vestido era bufante e rodada, o que não limitava os movimentos como vestidos longos, que Gina detestava. Nos pés, usava sandálias de salto médio e não muito fino.

- Harry vai babar por você! Você está ótima! Mas é melhor você ir, já são sete e cinqüenta. - Emily avisou.

Ao chegar no saguão, Harry já a esperava. Sorrindo, ele estendeu o braço, e ela o enlaçou. Os dois, um pouco corados, entraram no salão, e logo se tornaram o centro das atenções. Todos viravam as cabeças para observá-los, e depois cochichar. Gina Weasley finalmente estava com Harry Potter.

Durante a festa toda os dois conversaram, riram, dançaram, e se divertiram, com obviamente ocasionais beijos. Virgínia estava mais feliz do que nunca. De longe, muitas meninas e meninos os invejavam e admiravam. Aquela noite estava sendo como um sonho!

Vinte minutos antes da meia noite, os votos para o melhor casal foram contados. Eles haviam sido depositados na urna que ficara disponível desde o início do baile. Hermione, em seu dever como monitora chefe, subiu ao palco onde uma banda tocava, e pediu para que parassem de tocar um pouco.

- Bom gente, está na hora de anunciarmos o Melhor Casal do baile! - ela anunciou, animada principalmente pelo resultado, que já tinha dado uma espiadinha no papel dobrado que o continha. - Quero lembrar que todos estão ótimos hoje, e nenhum casal é melhor que nenhum outro, esta é apenas a opinião pessoal de cada um relacionado à hoje. - Draco, que estava no fundo da sala e tinha ido à festa apenas porque não tinha mais nada para fazer, revirou os olhos. Granger tinha que ser sempre tão certinha! - E os vencedores são... Harry Potter e Virgínia Weasley!

O resultado não era surpresa para ninguém, menos para o próprio casal, que foram focados pelas luzes enquanto iam rapidamente até o palco, morrendo de vergonha. A comum ovação foi feita, e Harry e Gina (que estava da cor de seus cabelos) receberam um troféu, que ficaria em exibição na Sala dos Troféus.

Quando estavam descendo do palco, já no último degrau, Gina travou novamente. Parecia que tudo acontecia em câmera lenta. O chão se aproximava, as pessoas mais próximas olhavam surpresas, Harry virava lentamente para ver o que estava acontecendo, e ela tentava desesperadamente gritar por ajuda. Não conseguindo mexer seus braços para se proteger da queda, ela caiu direto de cabeça. Logo uma poça de sangue foi se formando em volta, se misturando com o vermelho de seu cabelo.


Sentindo uma dor de cabeça latejante do lado direito da testa, Gina abriu os olhos, e a luz feriu-os. Esperou um pouco e fez outra tentativa de abri-los, mas mais lentamente. Olhando em volta, descobriu que estava no hospital novamente, mas agora havia uma cortina cinza em volta da cama onde estava deitada. Olhou para sim e viu que estava usando um pijama. Sentou-se na cama e tentou lembrar por que estava alí novamente.

Quando a cena do tombo veio em sua mente, ela pôs a mão onde tinha batido a cabeça, que era onde estava sentindo a dor. Não havia corte, mas estava um pouco inchado, e doía se apertava.

Lembrou também do por quê de ter caído, e a preocupação a tomou. Tinha sido tão estranho! Estava tudo bem, e de repente... Era como se seu corpo não fosse mais dela!

A menina afastou a cortina para que pudesse ver lá fora, e encontrou sua mãe e seu pai sentados em duas cadeiras ao lado da cama. Eles dormiam em posições desconfortáveis, com Molly com a cabeça apoiada no ombro de Arthur.

- Mamãe. - ela chamou, não muito alto, e cutucou-a. Sra. Weasley acordou surpresa, e a abraçou quase chorando quando a viu acordada.

- Que bom que acordou, minha filha! Oh minha querida, você está bem? Está sentindo dor em algum lugar? - a mãe perguntava preocupada, com seu rosto entre as mãos.

- Mais ou menos, estou com uma dor de cabeça enorme.

Com o barulho, Arthur acordou também e levantou-se.

- Gina! Graças a Merlin! - ele exclamou sorrindo, aliviado.

- Mãe, você já pegou o resultados daqueles exames? Porque eu acho que você tinha razão, eu devo ter alguma coisa. Eu sinto que tem alguma coisa errada! - ela olhou suplicante para os pais.

Eles se olharam surpresos e preocupados. A própria Gina já tinha percebido sua doença, como iriam esconder a verdade agora? Alguns dias antes tinham vindo para St. Mungus para pedirem para que o Dr. Mizuno não contasse à filha, mas ele tinha insistido que deviam contar, mesmo que no final tivesse concordado em não falar nada diante dos apelos deles.

"O paciente tem que saber para que ele e o médico possam se concentrar no tratamento, e também para que ele aproveite o máximo possível a vida enquanto pode! Uma adolescente de 15 anos tem mais do que capacidade para entender e lidar com isso. E como vocês mesmos disseram, Virgínia é inteligente. Não vai demorar para que ela mesma perceba a gravidade da doença que tem." Eles lembraram as palavras do médico.

Sentindo uma dor no coração, a Sra. Weasley se virou para Gina.

- Eu peguei filha. O que você tem é... Complicado. Eu gostaria que o próprio médico lhe explicasse, para que ele respondesse à possíveis perguntas suas, tudo bem? - ela falou, com os olhos marejados.

Gina estranhou, mas concordou.

Eles perguntaram para a enfermeira se podiam falar com o médico, e ela os levou para a sala dele.

Os pais entraram relutantes, e o Dr. Mizuno levantou-se imediatamente.

- Boa tarde Virgínia! Você deve estar sentindo dor de cabeça, não é?. É que o corte ainda não se fechou internamente, mas não preocupe que em algumas horas ele fechará. E você não terá nenhuma cicatriz também. - o oriental explicou de maneira simpática.

- Ah, obrigada. Mas, doutor, eu vim aqui para perguntar o que eu tenho. - Gina olhou em seus olhos, decidida.

O médico olhou para os pais, que mostraram para ele contar com um aceno de cabeça.

Todos se sentaram, e Mizuno explicou detalhadamente, até mais do que para os pais, a doença para Virgínia, mas sem conseguir olhar nos olhos assustados e em choque da menina. Quando terminou, todos ficaram quietos, esperando uma reação de Gina, que olhava silenciosamente para o chão.

- Você... Tem alguma pergunta? - o médico perguntou depois de um tempo, hesitante.

- Sim. Por que eu? - ele levantou a cabeça e olhou-o, chorando - Por que eu Dr. Mizuno? Por que?! É tão injusto!! - ela exclamou, desesperada.

Seus soluços enchiam a sala, e os pais choravam também, sem saber o que fazer e tentando pensar em qualquer coisa que salvasse sua filha daquele sofrimento.


n/a: 2° YAY! \o/ agora sim a história vai começar para valer!
nossa, nunca escrivi tanto em tão pouco tempo pessoas o.o
e amanhã vou concertar os errinhos que tem no primeiro capítulo, que eu, uma beta, vergonhasamente não percebi devido a minha ansiedadeem postar XD
ah, e lembrei qual é o nome "das fotos do cérebro". essa anta aqui esqueceu que tomografia!!! ¬¬''''''

Resposta das reviews:

Leka Weasley: você não sabe o quanto sua review me fez feliz! foi a primeiríssima de 1LL!! - muuuuuito obrigada, e espero que tenho gostado desse capítulo também!

Thaty: obrigada! é uma história triste mesmo, mas muito bonita (ou pelo menos vou tentar ela ficar tão bonita quanto a verdadeira ) tomara que tenho gostado do cap. 2!

marycena: olá, espero que você continue gostando da minha fic! obrigada pela review!

beigoz sabor geléia de morango!