Fairytales
Perseu corria de um lado para o outro, batendo os mindinhos nas quinas e caindo, ralando os joelhos. Era incontrolável até segundos antes de dormir, quando seguíamos a mesma trama em que eu corria atrás dele pela sala, até que ele entrasse em exaustão e pedisse:
- Mãe, me conta a história do papai. – falava, antes de se enfiar embaixo das cobertas, semi-suado.
- Claro, meu bem. – Eu não segurava meu sorriso, mas meus olhos tristes flutuavam no verde de seus olhos, os mesmos pelos quais eu me apaixonei, anos atrás.
E era assim que passávamos nossas noites, num ciclo sem fim, ambos esperando que o conto de fadas se tornasse real, que Poseidon voltasse e nos arrancasse dali. Para algum lugar junto ao verde-mar.
