Hinata acordou na manhã seguinte com o telefone tocando estridentemente pela casa. Estendeu o braço e pegou o aparelho sobre a mesa de cabeceira. Suas costas doíam como se um caminhão tivesse passado sobre si. Viu o nome de Naruto piscando para ela no visor.
-Alô.
-Hina, tá tudo bem? Eu tentei falar com você ontem, mas não consegui.
-Ah, eu estava muito cansada, acabei dormindo mais cedo.-ela disse, sentando-se com dificuldade.-Nem ouvi o telefone tocar.
-Tudo bem, eu entendo.-o loiro respondeu.-E aí?
-E aí o que?-perguntou Hinata.
-Decidiu se vai contar para o Sasuke que ele vai ser pai?
Hinata prendeu a respiração e se jogou de costas na cama.
-Não repita isso, Naruto, nunca mais!-ela disse, nervosa.-Ele nunca pode saber que vai ser pai, vai querer tirar meu filho de mim!
-Mas Hina, ele precisa saber! É direito dele.
-Não é não, Naruto.-Hinata disse.-Ontem ele apareceu aqui, colocou detetives atrás de mim! É uma questão de tempo até ele descobrir que estou grávida.
-Tudo bem, você sabe o que é melhor a ser feito.-O loiro respondeu.-Só liguei para saber se você está bem mesmo. Mais tarde eu ligou ou vou te visitar, ok? Aí você me explica essa história direito.
-Ok!-Hinata respondeu.-Até mais, Naruto. Te adoro.
OoOoOo
Hinata conseguira um emprego de meio período em uma floricultura na mesma rua onde morava. Saiu do trabalho por volta do meio-dia e pensava no que faria para o almoço quando reparou no carro parado em frente ao seu prédio. Preferiu ignorar o olhar de Sasuke através do vidro do carro e subiu. Contou até dez e a campainha tocou. Lentamente foi até a porta e encarou o marido.
-Está mais calma?-ele perguntou.
-Estava até você aparecer aqui!-ela respondeu.-O que quer, Sasuke?
-Quero que você volte para nossa casa. Quero que volte pra mim!
-Não posso fazer isso. É contra os meus princípios!-ela respondeu, segurando a maçaneta com força. Um frio repentino tomou conta de seu estômago e ela sabia que logo o café da manhã poderia estar nos sapatos lustrosos e brilhantes de Sasuke.-Jamais aceitarei uma traição, Sasuke, e não é agora que irei aceitar!
Ela tentou fechar a porta, mas foi impedida pelo moreno.
-Se me der uma chance, eu posso explicar o que aconteceu naquela noite. Eu não te traí!-o Uchiha passou a mão esquerda nos cabelos nervosamente.-Só preciso que me escute, vai ver que está sendo injusta!
-Me deixe em paz, Sasuke!-Hinata respondeu, sentindo a visão turvar e o estômago embrulhar.
-O que foi, está doente?-o moreno perguntou, preocupado.
-Vá embora!-Hinata disse, fechando um pouco a porta.-Prometo que quando estiver pronta, podemos conversar.
OoOoOo
Sasuke desceu pelas escadas, tentando conter a raiva que crescia dentro de si. Hinata fugira dele sem permitir que ele se explicasse, não queria escutá-lo de forma alguma. Mas ele sabia que, para Naruto, ela contava tudo. Sentiu raiva e inveja do loiro. Raiva, porque ele estava roubando sua mulher, a única que ele amou e que jamais seria capaz de magoar. Inveja, porque Naruto era o único conhecedor dos problemas, medos, pensamentos e segredos da morena. Ele é quem deveria estar ao lado da esposa, apoiando-a e cuidando dela. Mas a morena preferia ficar longe dele, morando em um cubículo, trabalhando em uma floricultura, expondo-se a diversos tipos de dificuldade. Entrou no carro e bateu a porta com força, encostando a cabeça no volante. Seria paciente e teria Hinata de volta, nem que fosse a última coisa que fizesse na vida. Ligou o carro e deu partida.
A morena, por sua vez, estava sentada no sofá, respirando fundo. Sempre que o marido aparecia, ela se desesperava e passava mal. Queria poder arrancar o amor que ainda sentia por ele de dentro de si. No começo, achava que ele seria arrogante e grosso com ela, mas ele se mostrou bastante gentil. Ela sempre achou que era por conta da fusão das empresas de suas famílias, mas ele se preocupava com ela em todas as ocasiões, sendo carinho e atencioso até quando estava sozinhos. Sasuke não era do tipo que fingia sentimentos, ele era muito confiante para tentar agradar as pessoas. Com o tempo, o amor foi nascendo e agora era sufocante. Podia tentar fugir do moreno e dizer que não o amava, mas ele conseguia ler sua alma e saberia, ao menor gesto, que ela mentia. Tinha esperança de que, ao conversar com o moreno, pudesse ter sua vida perfeita de volta. Mas essa era a esperança de uma jovem apaixonada e ela agora seria mãe.
Pensando no que teria pela frente, ela foi preparar o almoço.
