- I
sso não deveria ter acontecido. – Maureen massageou a têmpora com dois dedos.- Eles não conseguiram descobrir o que foi roubado. Não se preocupe com isso.
- Grande coisa! John recuperou os óculos. Esse é o problema, Tobey.
- Certas coisas ele não vai conseguir ver mesmo com os óculos.
- Mesmo assim. Precisamos observar cada passo que eles derem de agora em diante. E, acima de tudo, precisamos nos apressar com a etapa seguinte.
- Achei que tinha dito que ainda era muito cedo.
- E é. Mas as circunstâncias agora são outras. Se não arriscarmos agora, pode ser que John assuma o controle e então será o fim. Se pelo menos os espiões do acampamento estivessem conseguindo alguma coisa...
- Eles fizeram chover. As escavações e os treinos estão praticamente paralisados.
- Sim, mas não vai durar muito tempo. Eu preciso mesmo é saber o que Quíron está fazendo. Eu sei que ele não está de braços cruzados; com certeza tem uma estratégia inimaginável que pode acabar com a gente.
- Você precisa mesmo é relaxar um pouco, sabia? – ele massageou os ombros dela.
- Alguém precisa pensar por aqui. E já que você parou de fazer isso há algum tempo, eu preciso pensar em dobro. – disse, amarga.
- Qual é, Maureen? Você tem sido injusta pra caramba comigo desde que eu voltei!
- Bem, você praticamente não abre mais a boca desde que voltou. E você costumava ser bastante participativo. O negócio é que você está diferente demais e nada me tira da cabeça a idéia de que você está escondendo alguma coisa.
- Você está ficando completamente paranóica.
- Sente falta dos seus amiguinhos? É isso? – ela ignorou o comentário dele.
- Claro que não! Eu...
- Ou sente falta da Hannah?
Tobey hesitou por um segundo. Maureen estreitou os olhos.
- Eu sabia. – ela disse e deu as costas.
- Maureen, pare com isso! – ele correu atrás dela e a puxou pelo braço. – Eu não agüento mais ter essa maldita conversa dia sim dia não! Quantas vezes eu vou ter que repetir que eu estou do seu lado?!
- Não precisaríamos ter "essa maldita conversa dia sim dia não" se você parasse de fazer essa cara toda vez que Hannah é citada!
- Que cara?!
- Olha, Tobey... – ela respirou fundo e ficou mais calma. – Quando concordamos em fazer isso eu sabia que a possibilidade de você se envolver demais era enorme. Mas eu não só estava disposta a lidar com isso naquela época como também vou aceitar isso agora. Só seja sincero comigo, certo?
Eles se encararam sérios por alguns instantes. Até que Tobey disse:
- Não é nada demais. É só que...Acho que me acostumei com ela.
- Se acostumou? – ela ergueu uma sobrancelha, divertindo-se. – Ok, então. – e foi se retirando do grande e escuro salão, rindo.
- Para onde você vai?
- Visitar Daniel. Ver se consigo arrancar umas boas idéias dele. – Maureen já estava fechando a porta atrás dela, mas voltou um pouco e disse: - E, Tobey? Você devia começar a bolar algumas idéias a partir de agora.
- Como assim?
- Vou mandar o pessoal pôr em prática a próxima etapa a partir de amanhã. E vou deixar você encarregado de me trazer Hannah.
- O quê? Mas não ficou combinado que...
- Vão precisar da ajuda de alguém de fora lá no acampamento. E quem melhor para fazer isso do que você?
- Isso é muito arriscado. Qualquer deslize pode pôr tudo a perder.
- Tenho certeza de que você agirá da maneira mais discreta possível. Já fez isso antes.
- Está sendo idiota, Maureen. Sei que só está fazendo isso para me testar.
- É verdade. Você sabe o que eu penso de agentes duplos: são um mal necessário. Não me leve a mal, Tobey; eu testo todos os agentes duplos. Apenas chegou a sua vez. E, se você realmente foi sincero comigo agora há pouco, esse teste não vai significar nada para você. – e ela saiu.
- Ei. Acorda. – John me sacudiu de leve. – Precisamos levar o Hector para dentro.
Abri os olhos com dificuldade; me sentia bastante confuso. Aquilo havia sido um sonho ou não? Não tive tempo de pensar no assunto porque John continuava insistindo para que eu ajudasse. Quando minha visão entrou em foco, a primeira coisa que vi foi um grande avião na minha frente. Observei melhor e estávamos no que parecia ser um cemitério de aviões.
- Onde estamos? – eu perguntei.
- No deserto do Arizona. – John respondeu.
- Mas...
- Explico mais tarde. Agora me ajude com o Hector.
Saí da biga e nós três levamos Hector para dentro de um dos aviões. John havia dado um pouco de Néctar para ele no caminho, então ele já não corria mais risco de vida, mas ainda estava bem mal. Nos instalamos por ali mesmo, improvisando com qualquer coisa que encontrávamos.
- Eu vou trazer comida para a gente, ok? Se eu não voltar em duas horas vocês devem seguir sem mim. – disse John, e saiu.
Estava com uma cara péssima. Na verdade, todos nós estávamos péssimos. Mas John parecia o pior de todos e eu não entendia o por quê. Pensei que talvez ele estivesse se sentindo mal por ter brigado com Hector e logo depois ele ter quase morrido, mas John não parecia ser o tipo de cara que se abalava com algo desse tipo, até porque acho que ele devia entrar em discussões com os outros o tempo inteiro por causa do jeito dele. Mas não era o momento de eu ficar me preocupando com John porque Sam estava mesmo precisando de um apoio moral. Ele estava sentado ao lado de Hector, em um canto do avião.
- Posso fazer alguma coisa para ajudar? – me sentei ao lado dele.
- Acho que não... – ele suspirou.
- Ei. Ele vai ficar bom logo. Não precisa se preocupar.
- Eu sei. É só que...Perder o Hector é a única coisa que me dá medo. E eu nunca havia sentido isso até essa noite quando ele quase... – Sam não conseguiu concluir a frase. Pela voz, dava para perceber que ele estava lutando contra um nó em sua garganta.
- Deixa eu te dizer uma coisa, Sam: você não precisa ser forte e inabalável o tempo todo. Mais cedo ou mais tarde chega um momento em que a gente precisa admitir que as nossas emoções acabaram nos derrotando.
- Eu nunca choro. – ele se esforçou para controlar sua voz.
- Não estou dizendo para chorar. Existem outras maneiras muito mais produtivas de encarar essas situações. Você só precisa encontrar uma que tenha a ver com você.
Ele considerou o que eu disse por alguns instantes. Depois perguntou, receoso:
- Sua irmã mais velha morreu, não foi?
Eu assenti.
- O que você fez para extravasar sua tristeza?
- No começo, um monte de besteiras. Eu achei que me vingar de alguém seria a solução, mas depois eu descobri que guardaria uma lembrança horrível da minha irmã para o resto da minha vida. Depois passei um tempo isolado, só andando por aí. E foi só depois da luta contra Cronos que eu resolvi dar uma chance ao acampamento. Acabou sendo muito bom para mim, ao contrário do que eu imaginava.
- E você superou completamente?
- Claro que não. E acho que nunca vou superar. Mas a minha vida continua; Bianca agora é uma lembrança.
- Acho que eu não conseguiria fazer o que você fez.
- O quê? Se adaptar?
- É. Porque eu sou o que sou por causa do Hector. E eu não saberia o que fazer sem ele para me orientar.
- Não parece. – me surpreendi. - Achei que você fosse muito independente.
Ele balançou a cabeça e fechou os olhos.
- Sam, você precisa descansar.
- Estou bem. – mas ele não conseguiu evitar um bocejo.
- Claro que está. – peguei algumas roupas na mochila dele e enrolei para fazer um travesseiro. – Agora durma. – eu só precisei empurrá-lo de leve para ele deitar.
- Não estou com sono. – e depois disso ele apagou.
Assumi o lugar dele ao lado de Hector e encostei a cabeça na parede com a intenção de descansar os olhos por apenas cinco minutos, porque alguém precisava ficar de vigia.
Despertei ao ouvir uma voz familiar dizendo:
- Você podia ao menos bater na porta do banheiro para eu saber que está aqui.
Abri os olhos, muito confuso, e dei de cara com Hannah. Meu primeiro instinto foi o de exclamar em alto e bom som "O que você está fazendo aqui?!". Mas aí eu olhei bem e vi que era só mais uma mensagem de Íris dentro do chalé de Hera. Por pouco eu não me contenho e acabo deixando Hannah me descobrir.
Ela estava saindo do banheiro, de pijama, e foi com Eve, que estava esparramada em sua cama, que ela falou:
- Esquece. Acho que você é incapaz de fazer esse tipo de coisa. Agora chega pra lá, Eve. Está ocupando a cama toda. – Hannah começou a empurrá-la, mas Eve já estava no sono mais profundo. E já era amplamente conhecido o fato de que Eve tinha o sono mais pesado do acampamento. – Não acredito que vou ser obrigada a dormir no chão do meu próprio quarto! – ela resmungou e continuou tentando afastar Eve, mas aí um monte de coisas caíram de repente de cima de um dos móveis do chalé.
Hannah ficou mais irritada do que já estava e foi até lá batendo os pés. Começou a colocar tudo de volta de qualquer jeito, mas se deteve quando encontrou uma caixa prateada no meio dos bichos de pelúcia, das roupas e dos porta-retratos. Ela ficou com a mesma expressão da noite em que René a entregou a caixa com o seu nome que haviam encontrado no meio das coisas de Tobey. Eu não sabia descrever que expressão era aquela: podia ser raiva, tristeza, indiferença ou até mesmo...saudade. Foi o suspiro dela que me deu a dica.
Hannah olhou para trás como se quisesse ter certeza de que Eve continuava dormindo. Depois se sentou no chão e passou um minuto inteiro apenas encarando a caixa. Finalmente movimentou as mãos bruscamente e eu pensei que ela ia guardar a caixa e ir dormir, mas, ao invés disso, ela retirou a tampa e se encolheu discretamente, como se achasse que ia explodir. Mas acho que, na verdade, ela estava com medo do efeito que o tinha ali provocaria nela.
Não dava para enxergar bem de onde eu estava (que parecia ser por trás de uns livros); Hannah foi tirando uma coisa de cada vez e aí sim eu pude ver o que eram. Primeiro algumas fotos. Hannah não deu muita importância a elas. Depois um bracelete de prata, que ela pareceu ficar muito feliz em ver outra vez e guardou numa gaveta. Uns papéis com uns desenhos de espadas, escudos e arcos; provavelmente coisas que Tobey planejava construir para ela. E então ela encontrou uma bússola roxa ali dentro; não parecia algo que ela reconhecesse. Hannah observou a bússola de todos os ângulos possíveis e continuou estranhando. Foi nesse momento que a voz de Eve a surpreendeu:
- O que está fazendo?
E a mensagem desapareceu.
O primeiro pensamento que me veio à cabeça foi o seguinte: se Eve estava dormindo, então quem mandou a mensagem de Íris para mim?! Eu já havia achado a mensagem anterior esquisita porque ela foi enviada do lado de fora do chalé, e também porque Eve não parecia ter consciência de que eu estava observando. Se Eve não estava mandando aquelas mensagens, então quem mais estaria dentro do chalé de Hera durante a noite?! E tudo isso me fez lembrar do sonho que eu havia tido quando cochilei na biga: Tobey ficou encarregado de levar Hannah até Maureen! E se as coisas no quarto de Hannah não tivessem caído por coincidência? E se Tobey já tivesse começado a agir?
John chegou quando eu estava a ponto de surtar com todos aqueles problemas iminentes. Eu me levantei assim que ele pôs o pé para dentro, pronto para contar tudo a ele, mas me detive por causa da cara dele, que estava muito pior do que quando ele saiu.
- O que foi? – perguntei logo, me perguntando se as coisas ainda podiam piorar.
- Hum, nada. – ele largou os pacotes do Mc Donald's em um canto.
- Então por que essa cara?
- Porque...Você não está com fome? Eu trouxe hambúrgueres.
É claro que eu percebi a mudança repentina de assunto, mas acontece que o meu estômago praticamente ganhou vida própria ao ouvir a palavra "hambúrgueres" e eu fui obrigado a comer antes de resolver os outros problemas. Enquanto John e eu estávamos comendo sentados no chão, eu não pude deixar de notar que ele simplesmente não estava nesse planeta; estava com aquela cara de quem está perdido em pensamentos. Quando meu estômago parou de protestar, eu perguntei:
- John. Qual é o problema?
Ele relutou em me responder. Primeiro encarou Hector por alguns instantes e depois me disse:
- Acho que eu cometi um erro ao chamar vocês para virem comigo.
Eu não disse nada por um tempo. Só para ter certeza de que havia escutado direito.
- Como é?
- Nico, você precisa reconhecer que as coisas fugiram completamente do controle essa noite. Havia um plano e eu dei todas as orientações para vocês. E vocês acabaram fazendo exatamente o contrário.
- Não estaríamos tendo essa conversa agora se não tivéssemos feito o contrário.
- Não precisaríamos ter feito o contrário se o Hector não tivesse se recusado a cooperar.
- Está dizendo que o Hector está nesse estado por culpa dele mesmo?!
- Estou dizendo que Maureen vai vencer e nós vamos morrer se vocês continuarem me desafiando e contrariando todas as minhas idéias.
- Desafiando? Do que é que você está falando?
- Existe uma razão para eu ainda não ter dito tudo o que sei para vocês. E eu achei que vocês seriam maduros o suficiente para compreender isso ao invés de passarem por cima das minhas ordens só por pirraça.
- Ei, espere aí! Você está pondo a culpa em todos nós por uma coisa que o Sam fez e você já devia saber que ele se comportaria dessa maneira; além disso, se ele não tivesse usado as Dádivas nós estaríamos mortos!
- Não, não estaríamos! Para começar, se Hector não tivesse falado mais do que devia, nós teríamos saído de lá sem maiores problemas.
- É muita covardia sua acusar o Hector agora que ele não pode se defender! E qual foi a minha parcela de culpa nessa história? Você chamou todos nós de imaturos; o que foi que eu fiz de errado?
Ele não respondeu. Recolheu o lixo e foi jogar do lado de fora. Eu fiquei de pé, me sentindo meio dormente de tanta raiva que eu estava sentindo. Ele voltou rápido e entrou no avião sem me encarar. Não esperei até ficar mais calmo para dizer:
- Você é o imaturo aqui, John. Se os seus planos não dão certo, não é por nossa culpa. E mesmo que os nossos métodos não sejam os que você está acostumado a usar, acredite: estão todos aqui dando o melhor de si para acabar com Maureen, e nós não fazemos nada sem pensar nas conseqüências.
John deu um longo suspiro, pegou sua mochila e disse apenas:
- Vejo vocês amanhã. – e provavelmente foi procurar outro avião para dormir.
- Hector, eu não tive culpa! – acordei no outro dia de manhã ouvindo John falando alto.
"Maravilha...O dia já está começando em guerra!". Esse pensamento feliz eliminou qualquer motivação que eu tinha para me levantar. Meu plano era me fingir de morto até que as coisas se acalmassem pelo menos um pouco. Mas aí Hector retrucou:
- Você tem muito mais culpa de eu ter perdido a minha Dádiva do que eu tenho de os demônios terem nos atacado!
Eu me levantei num pulo.
- Como é que é?! – eu só podia ter ouvido errado.
- Eu perdi a minha Dádiva. – disse Hector.
- Mas...como?
- Os cofres do Banco das Dádivas sugam a energia de qualquer fonte que se aproximar demais. E se uma Dádiva estiver muito perto, é como se o cofre entendesse que ela precisa entrar para fortalecer as outras. – John explicou. – Por isso eu disse a vocês para não se aproximarem dos cofres.
- Então você está dizendo que eu me aproximei do cofre porque quis?! – perguntou Hector.
- É óbvio que não. O que eu estou repetindo há um tempão é que nada disso teria acontecido se...Querem saber? Eu não vou continuar nessa discussão ridícula! Estamos perdendo tempo aqui. Nós precisamos ir para...
- Eu não vou a lugar algum enquanto você não me contar tudo que sabe!
- Eu já disse que não é o momento certo!
- Momento certo? Estamos no meio de uma guerra! Não podemos perder mais tempo com as suas suposições! Precisamos fazer algo que vá, de fato, ter alguma repercussão!
- Hector, você é inteligente o bastante para saber que eu não posso simplesmente atacar Maureen. Você sabe que não é desse jeito que vamos ganhar.
- Não estou dizendo que devemos atacar sem pensar. Estou dizendo que já nos arriscamos demais e não conseguimos absolutamente nada até agora. Pelo contrário, só perdemos. Eu me juntei a você porque queria respostas e você não me deu nenhuma. Não posso proteger o acampamento desse jeito. – Hector e Sam pegaram suas mochilas e se dirigiram para a porta.
- Então é isso? Vocês vão simplesmente cair fora? – John os encarou de uma maneira ininteligível.
- Você vem, Nico? – Hector me perguntou.
Eu não achava que as coisas iam chegar àquele ponto; por isso a pergunta me pegou de surpresa. É claro que as coisas estavam péssimas, mas eu achei que iríamos nos resolver pelo bem da missão. Quero dizer, Hector me deu um soco logo que a missão começou e nós superamos isso. Mas tenho que admitir que Hector guarda muito mais rancor do que eu, e dessa vez a coisa foi um pouco mais séria do que um de nós terminando com a namorada. Eu ainda hesitei por alguns instantes e olhei para John. Hector estreitou os olhos para mim como se estivesse dizendo "Não acredito que você vai ser tão imbecil num momento como esse!". Acho que eu teria ficado paralisado o dia inteiro se John não tivesse dito:
- Não precisa me dizer nada. Você já disse tudo ontem.
Aproveitei a deixa e fui embora dali com Hector e Sam.
- E então? O que vamos fazer agora? – eu perguntei ao Hector praticamente assim que decolamos na biga.
Aquela manhã havia começado de um jeito completamente desastroso e confesso que eu não pensei bem no que fiz. Não me sentia nem um pouco seguro.
- Deixa eu adivinhar: você se arrependeu.
- Não sei, Hector. Foi por isso que eu perguntei qual é o plano. Quero saber se fomos embora porque temos uma idéia melhor que a do John ou apenas porque brigamos.
- Cara, se quiser voltar atrás...O momento é agora.
Eu não respondi. Fiquei observando as nuvens para tentar colocar as idéias no lugar. Depois de algum tempo Hector falou:
- Estamos voltando para Chicago. Para tentar encontrar a família da Maureen. – fiquei bastante surpreso e ele prosseguiu. – Talvez a gente tenha ido pelo caminho errado na última vez.
- É...Acho que não custa nada tentar. – eu dei de ombros.
- Não vou mentir para você, Nico: eu realmente não sei se isso vai dar certo. E confesso que eu não estou procurando uma maneira de acabar com a organização de Maureen agora; eu quero entender o que está acontecendo.
- Parece um bom plano.
- O que acontece se não der certo? – Sam perguntou.
- Eu já pensei na possibilidade de muitas coisas não darem certo e já encontrei solução para todas elas.
- Se você está dizendo... – até Sam estava achando que Hector estava exagerando no otimismo.
- E a sua Dádiva? O que vamos fazer para recuperá-la?
Hector ficou visivelmente abalado. Eu sabia que ele não queria demonstrar, mas perder a Dádiva foi mais do que ele podia suportar.
- Voltar ao banco está fora de cogitação. – ele suspirou. – Não acho que tenha alguma coisa que a gente possa fazer com relação a isso. Pelo menos não tenho nenhuma idéia até agora.
- E nós nem descobrimos o que a Dádiva do John fazia. – lembrou Sam. – Não é perigoso nós tentarmos combater Maureen sem nenhuma Dádiva?
- Mais um motivo para a gente evitar combates o máximo possível. Vamos ser discretos e apenas buscar informações.
- Pessoal, eu fico me perguntando o que o John vai fazer agora. Quero dizer, acho que ele não conseguiria realizar sozinho nada parecido com o que fizemos juntos. E é claro que ele não vai desistir.
- Eu espero que ele consiga alguma coisa. Talvez separados nós sejamos mais eficientes.
