Chapter 3

Draco abriu a porta cautelosamente, adentrando-se em território desconhecido. Ao longe vislumbrou uma silhueta escassamente iluminada, sendo que a única fonte de luz naquele edifício abandonado era uma pequena e estreita janelinha.

— Acabemos com todo este suspense de uma vez que eu não estou de humor para brincadeiras, ok!? — exclamou o Incubus, abrindo a porta abruptamente, deixando passar enfim os fortes e potentes raios solares. — Quem raios és tu e porque é que me chamaste aqui?

— O meu nome não é importante, ao contrário da informação que possuo — respondeu o misterioso Fae com uma voz profunda e sedutora.

— E o que é que me garante a veracidade dessa suposta informação se nem sequer sei a tua verdadeira identidade? — retorquiu o loiro desconfiado.

— A informação é autêntica — sentenciou o homem. — Mas tu é que decides se te interessa averiguar mais sobre o assunto ou não.

— Está bem, como queiras. Desembucha lá de uma vez!

— Devias ponderar seriamente em falar com Bellatrix Black.

— E quem viria a ser essa tal Bellatrix Black, se é que ela existe mesmo? — perguntou o jovem de olhos mercúrio de forma seca.

— Uma Succubi — respondeu o desconhecido sem delongas.

— Succubi? Essa não é a contraparte feminina da minha espécie?

— Correto. Bellatrix foi originalmente uma Fae da Tribo da Luz que eventualmente acabou por se unir às Trevas e provavelmente seja a única pessoa viva que te pode revelar alguma informação útil sobre a identidade da tua mãe.

Sem nada mais a acrescentar o homem deu meia volta, fundindo-se na escuridão do recinto e desaparecendo misteriosamente, deixando para trás um curioso Incubus.

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A pista dada pelo sujeito de procedência duvidosa, levou-o a um clube repleto de humanos à procura de uma dose de boa diversão.

Draco quase se esqueceu do seu objetivo umas quantas vezes, pois a energia sexual dentro daquele clube era uma autêntica loucura. Até mesmo um simples humano sem quaisquer poderes poderia notar que as mulheres estavam desesperadas só de olhar para os vestidos super justos, com decotes que chegavam ao umbigo e rachas que por pouco alcançavam o rabo e / ou a virilha. Alguns homens pareciam pensar que tirar a camisa era uma boa forma de criar um clima propenso a atividades sexuais, esquecendo-se por momentos que nem todos eles possuíam abdominais dignos de atletas olímpicos.

Tendo o cuidado de evitar o contacto com uns quantos humanos que tentavam agarrar-se a ele ou que teimavam em se querer esfregar contra o seu corpo fogoso, desejoso e acima de tudo disposto a horas sem fim de luxúria e paixão, Draco conseguiu por fim ignorar o instinto de se alimentar, ainda quando os humanos se oferecessem de boa vontade para serem sugados até à inconsciência e muito possivelmente até uma (in)feliz morte.

Após umas quantas voltas, o loiro avistou o seu objetivo.

Uma mulher de olhos azuis roubava a energia vital de um pobre desgraçado na forma de névoa também ela azul. Aquele era o sinal inequívoco de que esta era uma Succubi e portanto o seu alvo para essa noite.

O homem escorregou contra a parede, visto que as suas pernas já não eram capazes de suportar o seu peso, acabando por cair de rabo no chão. O loiro correu rapidamente na direção do humano para de seguida colocar dois dedos no seu pescoço, soltando um suspiro de alívio ao constatar que ainda se encontrava vivo. Os seus batimentos cardíacos eram fracos e lentos, mas estavam definitivamente lá.

Enquanto isso, a Succubi aproveitou a deixa para desaparecer no meio da multidão.

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Foram necessários vários dias e teve percorrer diversos bares, discotecas, clubes e afins, mas finalmente tinha encontrado a mulher que procurava.

— Bellatrix Black — chamou o loiro, abandonando a discoteca pela porta de serviço.

A Succubi parou de caminhar e deu meia volta, encarando o jovem Incubus com uma mirada analítica.

— Ora, ora! É óbvio que estás em vantagem, visto que tu sabes quem sou, mas eu não sei nada sobre ti — disse a mulher de olhos cinza e cabelos negros e ondulados.

— O meu nome é Draco. Alguém me disse que tu poderias saber algo sobre a minha mãe.

— Draco… Oh! — exclamou a Succubi, fingindo sentir admiração — Tu és o Incubus que se recusou a escolher uma fação.

— Sim. Sobre a minha mãe…

— Não faço a mínima ideia do que é que estás a falar — disse a mulher com voz cortante, impedindo que o loiro continuasse a tentar aprofundar o tema.

Bellatrix atravessou aquele beco deserto, unindo-se à movimentação vívida das ruas noturnas da cidade, deixando um frustrado Incubus que suspirou resignadamente, concluindo que a informação que o desconhecido lhe dera não tinha sido lá muito confiável pelo que não era de estranhar que não tivesse dado frutos.

— Bom, de volta à estaca zero — murmurou Draco com uma expressão de desânimo no seu belo e pálido rosto.

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Não haviam passado sequer vinte e quatro horas, quando Harry e Ron foram chamados a uma cena de crime.

— O que é que achas? — perguntou o ruivo, analisando cuidadosamente o braço decepado da vítima.

— Não penso que tenha sido suicídio. Onde é que já se viu alguém enfiar a mão no triturador de resíduos do lava loiças de livre e espontânea vontade?

— Hmm… Fae? — ponderou Ron com uma expressão pensativa — A vítima era fae, talvez o assassino também o seja.

— Definitivamente fae — concordou Harry. — A questão é que tipo de fae conseguiria fazer isto.

— Sirius poderia saber…

— Yep! Se há alguém que nos pode ajudar é Sirius. Tenho a certeza que ele pode criar umas quantas teorias sobre o tipo de fae que seria capaz de fazer algo assim — concordou Harry uma vez mais.

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Após muita ponderação unida ao facto que Pansy não tinha parado de insistir ao longo dos últimos meses, Draco pisou o Dal Riata pela primeira vez.

"The Dal Riata" era o único bar em Londres gerido por Faes com clientela exclusivamente sobrenatural.

— Hmm… Não é exatamente o que eu estava à espera — murmurou Pansy ao ouvido de Draco, avaliando o ambiente rústico do local, enquanto faziam malabarismo para poderem atravessar a multidão de forma segura e eficaz até chegarem por fim sãos e salvos ao balcão de atendimento.

— Que cheiro é este? — escutou-se a pergunta oriunda de um fae anónimo.

— O que é que faz uma humana aqui? — perguntou outro fae também ele anónimo, uma vez que era impossível identificar a origem da sua voz no meio de tanta gente, visto que o bar estava a abarrotar, mal dava para dar dois passos sem pisar ninguém.

— Não podes trazer a tua irmã aqui, Draco — exclamou Harry, agarrando os irmãos pelos braços e puxando-os para um canto.

— Porquê? — questionou o Incubus sem compreender a atitude fria do Detetive — Aonde eu vou, ela vai — disse Draco, dando o assunto por encerrado.

— Responsabilizas-te por ela? — perguntou um homem moreno de aparentes trinta e poucos anos, portador de uns familiares olhos cinza.

— Claro que sim, é minha irmã. Porque é que não o haveria de fazer? — interrogou o loiro confuso, sem perceber a razão por detrás do caos que se tinha armado no bar aquando da sua chegada.

— A humana está com ele, pelo que façam o favor de se dispersar — exigiu o homem, acrescentando rapidamente: — E façam o favor de não se alimentar dela no interior do meu estabelecimento. Não se esqueçam que este é um Santuário, pelos que as minhas regras devem ser respeitadas ou vão para o olho da rua. Cortesia do meu pé no meio dos vossos rabos.

— O que é que vocês estão a fazer aqui? — perguntou Ron com a pulga atrás da orelha.

— Pansy queria vir ao Dal Riata desde que escutou um cliente mencioná-lo.

— Cliente? — murmurou Harry, sendo ignorado por todos.

— Ok. Mas tenham cuidado, apesar de ser seguro aqui dentro, uma vez que saiam não há forma de garantir a segurança da humana — explicou o dono do bar. — A propósito, o meu nome é Sirius e este é o meu Dal Riata. Já que decidiram aparecer, esta seria uma boa ocasião para te registares — disse o moreno com uma expressão indecifrável sem tirar os olhos de cima do Incubus.

— Hm… Está bem, não vejo porque não. Então, o que é que eu tenho de fazer?

— Segue-me, por favor.

Draco assentiu com a cabeça e seguiu Sirius.

— Cliente? — voltou a perguntar Harry, sendo ignorado pela segunda vez — Seguiram mesmo em frente com essa estupidez de iniciar uma Agência de Detetives Privados? — perguntou desta vez para a única humana no recinto.

— Yep! Cada caso é uma aventura em tanto — respondeu Pansy entusiasmada. — Garanto-te que nunca ficamos aborrecidos.

— Acaso querem acabar a sete palmos debaixo de terra? Este mundo dista muito de uma caixa de areia, pelo que as crianças deveriam regressar ao parque e fazer castelos de areia.

— Castelos de areia, a sério, companheiro? — exclamou Ron, sem poder conter uma gargalhada — Pansy tem dezoito anos, não oito.

— Dás-te conta que devias estar a apoiar-me e não a questionar-me… Por este andar esses dois vão acabar por se matar antes do Verão terminar — reclamou o Detetive, iniciando um valente sermão que Pansy descartou rapidamente, puxando conversa com o ruivo.

— Então, conta lá novidades. Algum caso interessante?

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Sirius entrou no gabinete seguido de perto por Draco.

— Esta é uma estação de passagem — começou a explicar o maior, tomando assento e incitando o menor a imitá-lo. — Todos os Faes estrangeiros devem vir aqui para se registarem, dessa forma ficam protegidos por lei e podem utilizar os seus poderes livremente como qualquer outro cidadão. — Pegou num livro de capa dura e pousou-o na mesa de centro, que descansava frente aos cadeirões onde o par se havia instalado. — Nome, por favor — pediu, abrindo o livro e pegando numa pluma, mergulhando-a num frasco de tinta.

— Draco Parkinson — respondeu o menor com seriedade.

— Nome dos pais — voltou a pedir Sirius, apontando tudo com esmerada exatidão

— Lawrence e Clarissa Parkinson.

— Eu estava a referir-me ao nome dos teus pais biológicos — disse o moreno ligeiramente embaraçado.

— Boa pergunta… Penso que se esqueceram de deixar uma carta com o nome deles, juntamente com o motivo pelo qual me abandonaram à frente da casa dos meus pais adotivos, quando era apenas um pobre e indefeso recém nascido… — constatou Draco amargamente — Nem sequer sabiam se os Parkinson eram uma boa família. Tive sorte, mas poderia ter sofrido a infeliz desgraça de acabar num lar abusivo.

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Draco regressou ao lado da irmã com a mirada escurecida, chegando a tempo de escutar o final da conversa dos dois agentes da polícia que avançavam lentamente em direção à saída do Dal Riata.

— Acaso ouvi bem… Bellatrix Black está morta?

— Sim — respondeu Pansy, sem compreender a razão pela qual o loiro parecia tão chocado com a notícia. — Porquê? É uma conhecida tua?

— Estive a tentar rastreá-la durante um tempo, pois tinham-me dito que ela sabia quem era a minha mãe… Mas fui dar a um beco sem saída… Ou pelo menos foi o que pensei na altura, mas o timing da morte dela é no mínimo estranho — respondeu Draco com desconfiança, repassando mentalmente as memórias do seu encontro com a Succubi.

— Realmente é estranho — concordou Pansy. — Principalmente se tivermos em conta que Harry e Ron pensam que foi um homicídio cometido por outro fae.

— Já estão familiarizados ao ponto de os chamares pelo primeiro nome!? — comentou Draco com um tom levemente sarcástico.

— Quem é que sabia que Bellatrix conhecia a tua mãe? — perguntou a adolescente, ignorando as palavras do irmão — Achas que a mataram para impedir que abrisse a boca e terminasse por revelar a tua verdadeira identidade?

— Não sei, mas é uma possibilidade. É melhor investigar isto mais a fundo.

— Eu sabia que forjar aquela licença de Detetive Privada me viria a calhar em algum momento — exclamou a morena, tirando a dita cuja licença do bolso para a admirar melhor, mas esta foi rapidamente confiscada pelo Incubus.

— Nem pensar. Esquece a investigação e vai é começando a pensar em que Universidade é que queres entrar quando terminares o Ensino Secundário.

— Hnf! — bufou a rapariga — Às vezes consegues ser tão desmancha prazeres — concluiu com a voz repleta de desânimo, soltando um suspiro resignado.

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Se havia algo que Draco tinha absoluta confiança era nas suas habilidades de sedução, pelo que optou por averiguar o que a polícia sabia.

Harry abriu a porta de casa, sendo surpreendido por um beijo abrasador.

— Pensei que não nos estávamos a falar — murmurou Harry com dificuldade no mesmíssimo instante em que se conseguiu separar dos adictivos lábios do Incubus. Ainda recordava perfeitamente como havia sido cruelmente ignorado pelo loiro no Dal Riata no início dessa solarenga tarde.

— Quem é que disse algo sobre falar? — interrogou o loiro com um tom extremamente sugestivo, roubando um novo beijo ao maior.

— Pensei que estavas satisfeito com o tratamento de Hermione — acusou o Detetive sem querer dar o braço a torcer.

— Menos conversa e mais ação… Ok?

Harry cometeu um erro crucial… olhou diretamente nos olhos de Draco que pareciam emitir um brilho sobrenatural que o levou a perder a razão. O moreno colocou as mãos na cintura do Incubus e atraiu-o ao seu encontro, prensando-o contra a sua masculinidade que já começava a dar sinais de querer despertar.

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O Detetive despertou, apercebendo-se que o seu amante há muito que havia abandonado a cama. Os lençóis estavam frios e o relógio indicava que já passava das três da manhã.

A última coisa que Harry recordava antes de cair na tentação e rolar nos lençóis com o loiro, num louco frenesim era que este havia perguntado sobre o caso que estava a investigar. O moreno levou as mãos à cabeça e despenteou o cabelo com frustração.

— Ok! Tenho de admitir que és bom — constatou Harry com um sorriso travesso, lambendo os lábios ao recordar a atitude libidinosa de Draco. — Conseguiste o que vieste buscar e mais… — disse ao observar que o arquivo do caso que havia deixado em cima da sua mesa de cabeceira se encontrava aberto e que alguns documentos estavam claramente fora do sítio.

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Draco pegou no telemóvel e confirmou a morada que tinha obtido do arquivo policial. Entrou no prédio e ignorou a fita de isolamento policial que delimitava a cena de crime. Primeiramente, ligou o foco de luz para de seguida abrir a porta do apartamento, baixar-se e passar por debaixo da fita amarela que formava um "X" de uma extremo da ombreira da porta ao outro, sem se aperceber que não estava tão sozinho quanto pensava.

O Incubus revistou todas as divisões da casa em vão. Não havia forma de encontrar uma única pista que o guiasse à identidade do assassino.

Um ruído na divisão adjacente chamou a sua atenção. Draco caminhou nas pontinhas dos pés e espreitou pela porta, deparando-se com um vulto que se movia agilmente entre uma pilha de documentos. O recinto mergulhado em penumbras era escassamente iluminado por uma lanterna de baixa potência.

A figura pegou numa pasta e colocou a pega do foco na boca para poder manobrar com maior liberdade, abrindo a pasta e repassando os documentos um por um. Pouco depois, pousou a pasta ao ser atraída por um pequeno livro encadernado, cujas páginas amareladas pareciam guardar palavras manuscritas.

O loiro desligou o seu foco e avançou calmamente, empunhando o foco como se fosse uma arma e encostando-o às costas do misterioso intruso.

— Mãos ao alto! — exclamou o Incubus com um tom sério e extremamente profissional, não deixando transparecer o temor que verdadeiramente estava a sentir.

— Fodriks, Draco! Assustaste-me! Pensei que ia morrer — exclamou uma voz feminina. O vulto virou-se, revelando um conjunto de feições faciais altamente familiar.

— O que é que fazes aqui, Pansy? Devias estar em casa — ralhou o maior, afastando o foco da morena e voltando a ligá-lo.

— E deixar-te ficar com a diversão toda? Ah! Mas isso é que nem pensar.

— Pansy, isto não é uma brincadeira, poderias ter-te ferido.

— Vais continuar a tentar dar uma de adulto responsável ou queres saber o que descobri? — perguntou Pansy com voz travessa.

— Vá lá, desembucha de uma vez que não temos a noite toda — respondeu Draco, soltando um suspiro de resignação. — A qualquer momento pode aparecer um polícia, estamos a violar propriedade privada, para não dizer uma cena de crime. Quanto mais rápido sairmos daqui melhor para nós.

— Okidoki! Comecemos então… Bom, esta tal Bellatrix era uma completa obcecada com um tipo que não queria saber nada dela. Um tal Voldemort… ao que parece um figurão importante no mundo dos Faes.

— Sim, desgraçadamente já tive o desprazer de o conhecer. É o Líder dos Faes das Trevas.

— Bom, como eu estava a dizer, ela era completamente obcecada… quase ao ponto de ser considerado uma doença mental e traiu a Luz porque pensava que podia ficar com ele e que viveriam felizes para todo o sempre… mas obviamente os sentimentos dela não eram recíprocos e quando ele finalmente se fartou de ser assediado dia e noite, noite e dia… — Fez um gesto com a mão como se estivesse a cortar o próprio pescoço.

— Basicamente estás a dizer que a morte dela não teve nada a ver comigo ou com a minha mãe — concluiu o jovem de olhos prateados.

— Lamento, Draco, mas ao que tudo indica é exatamente isso o que aconteceu.

— Ainda assim fica uma incógnita por responder… Quem é que matou a Bellatrix? Não penso que Voldemort fosse sujar as próprias mãos… — expôs o loiro, sendo interrompido pela chegada de mais um intruso.

— Pensei que te encontraria aqui e parece que acertei.

— Oh! Olá, Harry — cumprimentou Draco meio sem jeito.

— Isso é tudo o que tens a dizer em tua defesa? Seduziste um agente da polícia para poder roubar informação confidencial e para colocar a cereja no topo do bolo, invadiste uma cena de crime ativa.

— Go, Draco! — exclamou Pansy, dando um golpezito no ombro do irmão — Atiraste-te ao Detetive Potter… Boa jogada, ele é super hot! — felicitou a rapariga, ignorando o sentimento de constrangimento que pairava no ar e caminhando na direção do moreno — Tens a minha bênção, cunhado. — Colocou a mão em cima do braço do maior e apalpou-o nada discretamente. — Olha só para estes músculos… Draco, seu bastardo cheio de sorte! — exclamou, deslizando os olhos para a região sul e avaliando o tamanho do pacote.

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No decorrer da semana seguinte, Draco passou todo o seu tempo livre a procurar escolas para a irmã.

A família Parkinson era reconhecida pela seu alto estatuto social e sua situação financeira privilegiada, pelo que era extremamente óbvio que tanto ele como Pansy nunca haviam frequentado uma escola pública na vida e também não seria agora que isso iria acontecer, pelo que o Incubus esqueceu essa possibilidade antes mesmo desta começar a tomar forma na sua cabeça e focou-se apenas em colégios privados e semi-privados. Ainda quando nenhum dos dois recorresse ao dinheiro dos seus pais, ele assegurar-se-ia que não faltasse absolutamente nada à sua irmãzinha.

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Os irmãos Parkinson observaram a fachada de Eton College, considerada a segunda escola mais cara do mundo. Até à data havia sido um internato dedicado apenas a estudantes masculinos, mas nesse novo Ano Letivo abria as portas pela primeira vez como uma escola mista.

Eton College não era apenas uma escola cara… era também o berço de vários Reis e ex-Primeiros Ministros britânicos, fazendo dela uma verdadeira escola de elite.

— Vais mesmo abandonar-me aqui? Fica quase a duas horas de distância — reclamou a adolescente.

— E é exatamente por isso que existem os dormitórios — retorquiu o loiro, totalmente exausto após duas longas e extenuantes horas de caminho, às quais Pansy dera o bom uso para reclamar incessantemente.

— Mas quero ajudar-te com os teus casos. O negócio ainda está no início e toda a ajuda é pouca. Sabes perfeitamente que sou boa com computadores, posso ser uma mais valia para as tuas investigações.

— A resposta continua a ser não, é demasiado perigoso. De qualquer forma, as aulas começam na próxima semana e os nossos pais não iriam gostar que deixasses os estudos inacabados.

— Tu não os concluíste — acusou a morena, cruzando os braços e fazendo beicinho.

— Evitas sequer de pensar em tentar essa abordagem. Nunca ouviste os adultos dizerem "faz o que eu digo e não o que eu faço"? Pois este é um exemplo perfeito para essas palavras. Ora, vejamos onde fica o Escritório do Diretor…

— E como é que pensas pagar a matrícula? Para não falar dos custos do dormitório… Acaso vais mandar a conta para casa dos nossos pais?

— Quem é que disse que vamos pagar, Pansy, querida? Os meus poderes têm de servir para alguma coisa útil, não achas? — exclamou o loiro, avançando através dos esplêndidos e glamorosos jardins de Eton College.

— Não tens medo de me deixar sozinha no meio de tantos rapazes? Depois de tudo, a escola não era originalmente mista, pelo que haverão muito mais rapazes que raparigas — disse Pansy, num último esforço para convencer o irmão a desistir daquela ideia estapafúrdia.

— Pansy, irmãzinha querida do meu coração… — começou a dizer o Incubus, parando de repente e dando meia volta para poder olhá-la diretamente nos olhos.

— Sim… — respondeu a morena quase podendo vislumbrar um ténue raio de esperança.

— Sendo completamente sincero…

— Sim…

— Não temo por ti, temo por eles. Escuta-me com atenção… Por favor, tenta não mandar ninguém para o hospital. Ainda recordo o que aconteceu com o pobrezinho do Viktor quando a família Krum veio de visita…

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Após uma longa caminhada, Draco deu por fim com a localização da Recepção.

— Espera aqui que eu já volto — ordenou o loiro, aproximando-se de seguida à mulher que se encontrava sentada na mesa a limar as unhas. Draco deslizou a mão pela face enrugada pela passagem do tempo e a senhora derreteu-se instantaneamente, indicando de imediato a porta que dava para a Diretoria.

Pansy bufou de pura frustração e viu o irmão desaparecer por detrás da porta, regressando poucos minutos depois com um sorriso de satisfação. O Incubus estava prestes a sair pela porta, quando o Diretor do Colégio o puxou ao seu encontro, cheirando o seu pescoço com deleite, para nojo da morena que desviou o rosto, levando a mão à cara para fingir que estava a provocar o vómito. Sinceramente o velho estava já com um pé para a cova e ainda pensava ter oportunidade com um monumento como o seu irmão!? Com uma carícia suave, Draco persuadiu o homem que o largou, prometendo que a documentação estaria toda pronta antes do expediente terminar e que mal podia esperar para o voltar a ver no primeiro dia de aulas quando fosse deixar a irmã na escola.

Draco caminhou até Pansy, comunicando-lhe as fantásticas notícias de que esta era oficialmente uma estudante naquele colégio de elite.

— Agora regressemos a casa que eu preciso de um banho — murmurou o loiro, tentando conter o desgosto ao recordar as mãos do velho decrépito em cima dele e rumando para a saída do edifício.

— Tens a certeza que não estás arrependido disto? Poderias ter evitado a situação com o Diretor se não tivesses teimado em meter-me nesta estúpida escola — concluiu Pansy com um sorriso repleto de ironia.

— Pelo contrário, depois deste sacríficio com mais razão quero que te formes com honras. Ambos sabemos que és incrivelmente inteligente, pelo que és perfeitamente capaz de te formar como a melhor da turma e entrar em qualquer universidade que queiras. O que seja para te manter longe deste pesadelo que é um mundo abarrotado de Faes com tendências homicidas.

— Mas…

— Oh! Vá lá, Pansy, não é como se não pudesses regressar a casa aos fins de semana — interrompeu Draco, tentando criar um argumento para convencer a sua irmã a aceitar a ideia. — Aguenta isto durante um ano… Sim? Só até conseguires o diploma. Se no final do Ano Letivo continuares decidida a não prosseguir estudos superiores, deixo-te fazer o que quiseres, mas terminar o Ensino Secundário é o mínimo que te peço. Ok? Faz isso por mim, sim? Considera que me estás fazer um favor, está bem?

— Aish! — exclamou a adolescente com frustração contida — Está bem como queiras. Mas no final do Ano Letivo volto a trabalhar contigo. E não aceito reclamações, prometeste que não te ias meter nas minhas decisões — relembrou a morena, apressando o passo para chegar ao carro primeiro, não querendo deixar espaço para reclamações.

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Uma semana passou a correr e Pansy viu-se uma vez mais frente à escola dos seus pesadelos com as malas ao lado e vários estudantes masculinos a lançar miradas interessadas na sua direção.

— Por favor, não me digam que fui a única rapariga a entrar nesta escola — murmurou a adolescente com os seus botões.

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Harry saiu do carro e cumprimentou Ron que também havia acabado de chegar à esquadra. Ao entrar foram surpreendidos por vários agentes semi-desnudos com sorrisos bobos que não falavam coisa com coisa.

— Oh, não! Vincent Crabbe ia ser transferido hoje — recordou Ron, correndo em direção às celas.

Harry aproximou-se a um dos polícias fardados e estalou os dedos à frente da sua cara para o despertar.

— Boot, onde estão as tuas calças?

— Hm… Não sei — respondeu o homem com a cabeça nas nuvens.

— Companheiro, estamos em sérios problemas — sentenciou o ruivo após revistar as celas. — Crabbe desapareceu.

— Estamos lixados! A Suprema Corte vai cair-nos em cima.

— Primeiro vejamos as câmaras de vigilância.

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Pansy deu graças a que o seminário de orientação para novos estudantes tinha finalmente acabado e rumou para os dormitórios.

Mal abriu a porta, a morena foi recebida por duas jovens de longas cabeleiras ruivas que lhe saltaram em cima.

— Bem vinda, roomie.

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Draco observou a foto que a sua nova cliente lhe tinha cedido e ponderou qual seria a melhor estratégia para aquele caso.

Por um lado viria a calhar a cooperação dos agentes da polícia, mas por outro… eles eram tão "confiáveis" que haviam perdido um assassino em série… o criminoso tinha sido roubado por stripers bem debaixo dos seus narizes… Yep! Stripers… com máscaras, pelo que adeus ao reconhecimento facial.

As câmaras de vigilância tinham revelado um grupo de mulheres com roupas policiais. A cena consistia em várias mulheres com saias e tops diminutos a abanarem as mamas e a empinarem os rabos na direção dos agentes, enquanto uma mulher guiava o assassino até à saída, vestido com o uniforme que as stripers tinham tirado a um dos agentes.

Como se pode ver, a polícia de Londres estava em alta essa semana.

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Após vários becos sem saída, Draco não teve outro remédio a não ser dar o braço a torcer e mandar um sms a Pansy com a matrícula da carrinha das stripers e pedir que esta a localizasse.

Não demorou nem dois minutos para o telemóvel começar a tocar.

— Eu disse-te que precisavas de mim.

— Sim, sim, Pansy, parabéns. Podes fazer o que te pedi ou não?

— Claro, mas em troca quero saber tudo sobre o nosso novo caso — respondeu a menor. O ruído de teclas a serem digitadas era claramente distinguível.

— Nosso caso o tanas! Meu caso!

— Como queiras. Spoilers, por favor,

— Uma simples Treefolk, ela fez questão de salientar isso umas cinquenta vezes, pediu para encontrar a filha dela, também uma simples Treefolk…

— Elas não são simples Treefolks, pois não?

— É claro que não. Mas desde quando é que os nossos clientes dizem a verdade?

— Disseste nossos clientes — exclamou Pansy exaltadamente.

— Meus clientes, eu queria dizer meus clientes. Esquece o que ouviste — disse Draco de rompante.

— Nop! Disseste nossos. Admite que sentes a minha falta, maninho.

— Como eu estava a tentar explicar — retomou a conversa, tentando desviar o tema —, a polícia perdeu um assassino em série. A filha da nossa cliente e as suas… amigas? Vamos ficar com o termo amigas. Bom, ela e as suas amigas stripers invadiram a esquadra e levaram o assassino bem debaixo dos narizes dos polícias — relatou o loiro, arrancando uma sonora gargalhada à adolescente.

— Mal posso esperar pelo fim de semana para jogar sal nas feridas daqueles dois — disse Pansy, planeando mil e uma formas de gozar com Harry e Ron.

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Os Detetives entraram no armazém, deparando-se com uma, não tão grata, surpresa…

— Não me digas… Outra coincidência para juntar às inúmeras dos últimos tempos? — perguntou Harry, deslizando os olhos do loiro para o cadáver e vice-versa.

— Nem mais! Pelo que é melhor eu ir indo, não desejo contaminar a vossa cena de crime — respondeu Draco, escondendo o seu saque subtilmente atrás das costas e correndo rapidamente em direção à saída.

— Meu, aquele Incubus está em todos os lados! — exclamou Ron, observando a silhueta do loiro até este desaparecer no horizonte — Então o que é que achas que aconteceu aqui?

— Acho que é uma ótima pergunta e que certo Incubus não nos disse tudo o que sabia.

— Talvez devesses… não sei… arrancar-lhe a verdade com uma estratégia menos ortodoxa…

— A sério, Ron, uma "estratégia menos ortodoxa"!? — exclamou o moreno com voz sardónica.

— Bom, queres que diga para o jogares contra a parede mais próxima e o foderes até ele te ronronar os detalhezinhos todos ao ouvido? Pois que assim seja.

— A ideia não é má — ponderou Harry, lambendo os lábios inconscientemente. — Mas o mais provável é que nos saia o tiro pela culatra e ele acabe ainda com mais informação do que a que já tem — lamentou-se o Detetive.

— Ah! É verdade quase me esqueci do pequeno incidente com o arquivo do caso de Bellatrix Black.

— Nem me fales disso…

— Oh! Vá lá, admite que adoraste… Hã!? — exclamou o ruivo, dando uma suave cotovelada no braço do amigo — Cá entre nós, diz lá… Quão bom é o sexo com um Incubus? — perguntou com curiosidade, um brilho fugaz cruzou a sua mirada, denotando o seu profundo interesse no tema.

— Recordas a Ninfa?

— Yeah! Um autêntico manjar dos deuses…

— Só para teres uma pequena noção… Perdi o número de telefone dela há meses e nem sequer me importo.

— Não fazes ideia do quanto eu te invejo, és um fodido íman sexual. As mulheres jogam-se aos teus pés e agora até és o amigo colorido de um Incubus. Não sei se te devo apenas invejar ou odiar!

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Draco tentou ligar para Hermione pela quinta vez, mas acusava que o telemóvel se encontrava desligado, pelo que sem outra alternativa, optou por pedir ajuda ao único Fae que conhecia razoavelmente, para além dos Detetives.

Entrou no Dal Riata e tomou assento frente ao bartender.

— Olá, Sirius! Harry comentou que não há praticamente nada que tu não saibas sobre a Sociedade Fae. Que tal um teste?

— Teste? — perguntou o moreno, colocando os cotovelos em cima do balcão — Tipo um Quiz?

— Algo do género. Neste caso comecemos o jogo: Hipoteticamente falando, se alguém enforcasse um assassino só para lhe cortar uma mão, qual seria o teu melhor palpite sobre a motivação por trás dessa ação?

— Ora, hipoteticamente falando, se para além de lhe cortar a mão, lhe dessem um bom corte de cabelo e lhe retirassem uma generosa dose de gordura corporal…

— Sim… Qual seria o teu palpite? — voltou a perguntar o loiro, incitando-o a continuar com a sua suposição.

— Bom, eu pensaria que alguém está a tentar criar a Mão da Glória.

— E o que é que isso exatamente? — Draco deixou o rabo escorregar para a ponta do banco, inclinando o corpo para a frente com a face repleta de expectativa.

— A Mão da Glória é o sonho de qualquer ladrão — respondeu Sirius, começando a explicar mais pormenorizadamente. — Cortas a mão de um assassino recentemente enforcado e banha-la numa mistura de gordura corporal e ervas místicas, isso servirá como base para a vela.

— E o cabelo?

— O cabelo é para fazer o pavio da vela.

— Uh! Que nojo…

— Pode que te pareça nojento, mas é extremamente útil, pois não há cofre que não possa ser arrombado ou tesouro que não possa ser roubado se tiveres a fortuna de possuir uma Mão da Glória.

— Compreendo e como é que isso funciona exatamente?

— A mão funciona como uma vela e acende apenas para a pessoa que a segura. Para apagar a vela, basta verter um pouco de leite no pavio.

— Leite… Claro. Mas como é que eu não pensei nisso? — ironizou o menor.

— Devo salientar que se alguém fosse de facto criar uma Mão da Glória deveria ter em conta a natureza do criminoso. Quão mais grotescos forem os crimes e menos consciência o assassino tiver, mais poderoso será o artefacto.

— Qual seria o caso se estivéssemos a falar… hmm… de um assassino em série, por exemplo?

— Extremamente poderoso, para não falar de perigoso.

— Obrigado pela ajuda, Sirius — despediu-se Draco, descendo do banco para poder sair do bar.

— Hipoteticamente, o caraças! — exclamou o dono do Dal Riata, agarrando o telefone e discando um número de telefone muito familiar — Harry, tens alguma ideia porque é que o Draco me veio questionar sobre uma hipotética Mão da Glória?

oOo

O ambiente no interior do estabelecimento parecia criar uma espécie de transe. Os clientes não conseguiam tirar os olhos de cima das raparigas escassamente vestidas, que dançavam sensualmente em cima de plataformas.

— Treefolk, claro. Desde quando é que as Treefolks são peritas em seduzir? — murmurou Draco, analisando os movimentos eróticos da filha da sua cliente e colocando o cartão de visita, que encontrara no veículo de fuga das stripers, dentro do bolso.

Uma jovem de longos cabelos negros e curvas invejáveis realizava um estonteante ato de dança do varão. As longas e definidas pernas fecharam-se em torno do varão, elaborando uma inacreditável volta, quase parecendo uma atuação de malabarismo.

Draco sentou-se num dos sofás da primeira fila, deleitando-se com o baile da bela e sensual "Treefolk". Ergueu a mão, requisitando uma dança de colo.

— Olá, bonitão! — cumprimentou a morena, sentando-se em cima dos joelhos do Incubus e retirando a parte superior das suas vestes.

— Olá para ti também, linda! Qual é o teu nome?

A rapariga rebolou no colo do loiro, chegando-se para frente para sussurrar ao seu ouvido:

— Lavander.

— Que nome peculiar — comentou Draco, acariciando o rosto da dançarina exótica quase caindo na tentação de se unir a ela naquele jogo de sedução. — Poderias fazer o favor de chamar o gerente, Lavander?

A striper levantou-se, admirada ao ver o jovem de olhos prateados quebrar o seu encanto tão facilmente. Nenhum humano deveria ser capaz de resistir aos seus poderes hipnóticos.

A rapariga tapou os seios com o top que havia descartado pouco antes e dirigiu-se à zona do bar.

— Avery, um cliente deseja ver-te — murmurou ao ouvido do gerente, apontando para o loiro e retirando-se seguidamente para o seu camarim.

— Há algo em que o possa ajudar? — perguntou Avery, postando-se em frente do Incubus.

— Não pude deixar de notar que estão cheios e que o pessoal no bar é limitado, pelo que pensei em oferecer os meus serviços. Tenho experiência como bartender.

— Para ti até arranjava vaga como dançarino — propôs o gerente, tomando assento ao seu lado e bebericando o seu drink.

— O meu interesse é meramente na posição de bartender.

— É uma pena — lamentou o homem, levando o copo à boca uma vez mais. — As minhas garotas estão praticamente nuas, ainda assim os meus clientes não conseguem descolar os olhos de ti, pelo que estava mais do que disposto a alargar o leque de oferta no clube e colocar um dançarino masculino, mas… se é a posição de bartender que tu queres… é a posição de bartender que terás.

— Obrigado.

— No problem. Mas se mudares de ideias e que quiseres ganhar umas quantas libras extras como dançarino estás sempre a tempo.

oOo

Harry e Ron tinham passado uma maldita semana a planear a emboscada para apanhar as stripers e mandá-las diretamente para a prisão por terem invadido a esquadra e levado o seu prisioneiro bem debaixo dos seus narizes, fazendo deles a piada da cidade.

As portas rangiam com os golpes da polícia a forçar a entrada, abrindo por fim após muito esforço.

A equipa da SWAT espalhou-se pelo recinto de armas erguidas, deparando-se com um homem amarrado e vendado no meio do palco com um papel colado no peito. Harry aproximou-se e arrancou o papel onde era possível distinguir uma confissão assinada.

— O que é que é suposto nós fazermos com isto?

— Penso que seria um desperdício descartar essa confissão. Além de que as stripers já devem estar bem longe.

— Sabes que mais… — exclamou Harry, gesticulando exaltadamente — Estou pouco me lixando para isto. Precisamos de um culpado para tirar a Suprema Corte de cima de nós. Pede o corpo de Crabbe a Hermione, precisamos de re-encenar a cena de crime… E arranja uma Siren para assobiar aos ouvidos da SWAT e fazê-los crer que a emboscada foi bem sucedida e eles fizeram um grande figurão ao apreender o Lobo Mau. Sem ofensa, Ron.

— Não me ofendeste. Eu sei que posso ser um lobo mau e grande quando quero, mas ainda continuo sem conseguir que as miúdas me caiam aos pés. A sério como é que tu fazes isso? Tem que haver um segredo…

oOo

Lavander abraçou a sua pele e suspirou embelezadamente.

— Obrigada por nos ajudar a resgatar as nossas peles do cofre daquele Bunyip. Para nós, Selkies, as peles são parte de nós e sem elas não podemos regressar ao mar. Aquele tipo roubou-as e obrigou-nos a trabalhar para ele. Não sei porque é que confiámos nele… Historicamente, os Bunyips são conhecidos por sequestrar mulheres, mas pensámos que isso era coisa do passado.

— Não te culpes por querer confiar nos outros — disse Draco, esboçando um sorriso consolador — e não precisas de me agradecer. Só estava a fazer aquilo para que fui contratado. Ajudar-vos a recuperar as vossas peles e regressar ao mar, foi decisão minha.

— Sim, mas não necessitavas ajudar-nos a evitar uma possível pena prisional ou sequer de arrancar uma falsa confissão a Avery. Se bem que, pensando melhor… Como é que conseguiste convencê-lo? Pouco faltou para ele te oferecer o ferrari e mansão de férias no Hawai.

— Vocês não mereciam ser presas pela morte de Crabbe — respondeu o loiro de olhos mercúrio, mudando subtilmente de assunto. — Além disso Avery já estava mesmo a caminhar para a prisão com a quantidade de leis Fae que ele foi violando ao longo dos anos. — Draco estremeceu levemente ao recordar a longa quase inacabável lista de crimes que o homem havia confessado sob os efeitos afrodisíacos do seu toque. — Que diferença é que faz se ele passa um ou dois ou até mesmo uns cinco séculos numa prisão Fae!? — exclamou o Incubus, encolhendo os ombros inconscientemente — A tua mãe pediu-me para te ajudar e foi exatamente isso que eu fiz. A propósito, pretendes reunir-te com ela? Sei que tiveram os vossos problemas, mas… ela só quer assegurar-se de que estás bem… que estás sã e salva.

— Ok! Assim que encontrarmos um sítio à beira-mar vou visitá-la.

Lavander deu meia volta, despiu-se e caminhou com a sua pele prensada contra o peito, adentrando-se na água e tomando a sua forma marinha.

— Com que então Selkies. São a espécie mais parecida com sereias que alguma vez encontrei. Quando Pansy souber vai desejar matar-me por não as ter podido ver.

Draco soltou um suspiro de satisfação por mais um trabalho bem feito e abandonou a praia.