Avisos

I– As personagens do universo Potteriano da honorável JK Rowling não me pertencem. Eu sei que vocês sabem, é só pra esclarecer as coisas mesmo.

II–Essa fic tem conteúdo yaoi, que é o relacionamento amoroso entre dois homens. Se você não gosta, então pare sua leitura por aqui. Não vou aceitar bem críticas a esse respeito

III- E contém SPOILERS de Harry Potter e as Relíquias da Morte. Depois não digam que eu não avisei ¬¬


Naquela tarde, os planos para a noite passavam pela mente de Sirius com uma velocidade impressionante. Em pouco tempo, ele já havia preparado tudo mentalmente. Estava tão mergulhado nesses pensamentos que quase se esqueceu do encontro que havia marcado com Alicia Abbot.

Ficar com ela não era exatamente o que Sirius queria mas não foi de todo ruim. Ela beijava bem e tinha o corpo cheio de curvas como as das atrizes trouxas cujas fotos Sirius tinha pregado na parede de seu quarto. Seu cheiro também era bom, seus cabelos tinham cheiro de alguma flor que ele havia esquecido o nome naquele momento, mas era bom.

Então, se não havia nada do que reclamar, por que ele tinha a sensação de estar fazendo algo errado? Era difícil beijá-la enquanto tinha a sensação de estar deixando algo importante para trás.

Repentinamente, ele se pegou desejando que fosse Remus no lugar daquela garota. Ele precisava parar de pensar e aproveitar o momento mas não conseguia. Foi então que descobriu o motivo do seu incômodo: o defeito dela era que ela não era Remus.


Logo Sirius já havia preparado a Sala Precisa para o jogo da verdade. Quando Tiago, Pedro e Remus entraram, perceberam que o espaço era amplo e tinha algumas almofadas vermelho escuro a um canto e um objeto que mais parecia uma varinha com uma pedra vermelha incrustada na ponta, que mais parecia um rubi, e outra pedra azulada na outra ponta. As garrafas de firewhisky estavam sendo trazidas por Tiago e Pedro, que logo se sentaram em suas almofadas confortavelmente.

Havia uma garrafa de firewhisky para cada maroto e antes que Remus pudesse se sentar, viu que Sirius tirava um pedaço de pergaminho do bolso das vestes e começava a recitar algum encanto empunhando sua varinha, enquanto andava em círculos em torno da varinha estranha e das almofadas em que os dois já estavam sentados.

- O que é isso? - Tiago se adiantara.

- Feitiço de proteção da verdade. Assim, ninguém será capaz de mentir sem que saibamos! - Falou um Sirius completamente satisfeito.

- Genial, cara! - cumprimentou-o Tiago, o que fez Remus sentir seu estômago revirar. Ele sabia que aquilo não podia ser algo muito bom. O plano inicial era mentir sobre a noite com Alessandro Diggory e, ao que parecia, as coisas não iriam sair como o planejado.

Remus limitou-se a sorrir para Sirius, que indicou o seu lugar com uma das mãos com um gesto exagerado. Era visível que Tiago e Sirius haviam planejado algo para aquela noite.

As garrafas foram abertas e colocadas cada uma ao lado de seu dono. De acordo com que as respostas fossem ditas, todos deveriam beber um gole de firewhisky.

As primeiras perguntas foram sobre assuntos mais banais, indo desde o motivo pelo qual Pedro havia fugido da detenção no escritório de Dumbledore até o número das vestes de Remus. E assim o firewhisky ia diminuindo nas garrafas e as quatro figuras tornavam-se cada vez mais descontraídas. Remus era o que mais se incomodava com a queimação na garganta que sentia a cada gole. Talvez fosse o mais fraco para a bebida, uma vez que nenhum dos outros apresentava sinais da leve tontura que ele sentia.

- Sua vez, Prongs! - Sirius ria mais abertamente agora.

Tiago olhou para Remus com ar de quem promete aprontar alguma e soltou a pergunta.

- Você já gostou de algum de nós, Moony?

Remus estalou os olhos e a resposta saiu quase que instantaneamente:

- Mas é claro que não! - Moony respondeu mas não pôde acrescentar nada porque fora arremessado para trás por uma força invisível. Soltou um gemido de dor quando bateu as costas contra a parede e olhava para os outros confuso e atordoado.

- MENTIRA! HAHAHAHAHA - Sirius bradou alegremente. Ele se perguntava por que estava tão feliz por saber que Remus havia gostado de algum deles. - Foi pego, Moony! Agora diga a verdade ou aceite o desafio! - seu tom era triunfante.

- Eu... sim... um de vocês. - Remus corou violentamente, baixando o olhar.

- Sua vez de girar o bastão - Tiago falou cantando e bebendo mais um gole, gesto que Remus copiou, seguido de Sirius e Pedro.

- Finalmente eu pergunto alguma coisa! Pensei que isso aqui estivesse enfeitiçado. - Pedro falou um pouco mais arrastado que o normal. - Moony... ahn... deixa eu ver... De qual de nós você gostou? - O brilho nos olhos de Pedro era um misto de embriaguez com alguma outra coisa mais, que Sirius não pôde desvendar. E também não importava o que fosse, Pedro havia feito a pergunta que Sirius queria que fosse feita.

- Eu me recuso a dizer. Desafio! - Remus se sentiu aliviado ao poder recorrer ao desafio.

- Ok então... quero algumas guloseimas da cozinha. - Foi a primeira coisa que Pedro tinha em mente.

- Meus parabéns pela sua criatividade! - foi a última coisa que Remus ouviu antes de se levantar. Tiago aparentemente havia pensado em algo melhor mas não havia tido tempo de dizer nada. Era melhor assim.

Remus saiu a contragosto da Sala. Suspeitava que havia um tipo de conspiração contra ele... uma conspiração para fazer com que ele falasse o nome do maroto por quem ele se apaixonara e isso ele não diria. Usando a capa da invisibilidade, chegou até a cozinha sem maiores problemas e pegou as guloseimas que haviam sobrado da sobremesa do jantar e voltou para a Sala Precisa quase sem fôlego, depois de correr de Madame Norra o mais silenciosamente possível. Era difícil enganar os instintos de uma gata.

As guloseimas foram entregues a Pedro, que as guardou próximo a ele com alguma dificuldade para acertar o lugar onde colocá-las. O jogo então prosseguiu, com Sirius arquitetando uma estratégia para descobrir de quem Moony havia gostado. Por alguma razão aquilo era muito importante para ele e Tiago sabia que era. Os dois haviam conversado sobre como descobrir quem era em perguntas não tão diretas como as que haviam feito. Infelizmente para Remus, havia algo semiplanejado quando ele chegara.

Após perguntas sobre ex-namoradas de Sirius e uma resposta amena sobre qual delas teria sido a melhor ( ele realmente não sabia qual delas havia sido a melhor ) e uma confissão de Tiago sobre sua paixão semi-impossível por Lílian Evans, o bastão apontou novamente que Tiago deveria fazer a pergunta a Remus, que estava com um mal pressentimento.

- Com qual de nós você transaria? - Tiago começou sério e depois soltou uma gargalhada frouxa. Parecia louco daquele jeito.

- Você já está indo longe demais, Tiago. Não vou ser cobaia de vocês três só porque gosto de garotos. - Remus estava ofendido.

- Jogo é jogo, Moony - sorriu Sirius. Sua expectativa era grande e ele sabia que a resposta para aquela pergunta poderia ser o fim ou o começo do seu martírio. Na verdade, ele seria capaz de se levantar e tomar Moony nos seus braços naquele momento mas achou melhor não fazer isso, por algum motivo que parecia mais fraco a cada gole de firewhisky.

Remus olhou para Pedro, que parecia estar adormecido e então tornou a olhar para Tiago.

- Eu escolho desafio.

- Feito então... beija o Padfoot. - falou Tiago como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.

- O... o quê?! - Remus falou sem fôlego.

- O quê?! - Sirius respondeu espantado ao mesmo tempo que Remus.

- Vocês estão surdos agora, é? Falei que o desafio para o Moony é te beijar, Padfoot. - Disse Tiago com simplicidade, tomando outro gole da bebida.

- Mas... - Remus tentou buscar qualquer argumento que fosse mas todos pareciam ter lhe deixado.

- Tiago! - Sirius o repreendeu com um olhar fulminante, ao que Tiago respondeu com um sorriso maroto. - Você não presta... - Sirius ficava cada vez mais sóbrio agora.

Com a reação de Sirius, estava claro para Remus que seria uma experiência desagradável para o animago. Bebeu mais dois goles de firewhisky, fechou os olhos por um momento, suspirou e olhou para o seu lado, onde estava Sirius. Sentiu-se mal, seu peito apertava, seu estômago revirava e sentia as bochechas queimando assim como sua garganta. Queria poder desmaiar apenas aquela vez, cair inconsciente e simplesmente dormir sem ter que passar por aquilo. Seria um beijo da pessoa que ele mais amava no mundo todo... mas era vazio porque esse amor não era mútuo.

O lobisomem suspirou novamente, aproximando seu rosto do de Sirius com alguma dificuldade pela tontura que a bebida lhe causava. Tocou no rosto do animago por um breve momento em que sabia ter dor estampada nos seus olhos. Haveria algo mais doloroso para ele? Ao menos, seria um único beijo para se recordar... Sussurrou um pedido de desculpas e fechou a distância entre seus lábios e os do animago.

O beijo foi terno, lento, lábios que acariciavam os lábios do garoto maior com docilidade e sem se atrever a aprofundar o beijo. O lobisomem pretendia tornar o contato o mais breve possível, já que sabia que Sirius odiaria aquilo.

Sirius permaneceu algum tempo em choque porque jamais acreditava que Remus fosse cumprir o desafio. Tiago havia aprontado das suas... e agora Remus estava ali, tão entregue, tão quente, tão macio... O animago passou a corresponder o beijo quando Moony começava a se afastar, forçando-o a continuar, prendendo-o em um abraço impensado. Pouca coisa importava ali, a única coisa que importava era ter Remus nos braços e ele não desejava outra coisa mais no mundo. Aprofundaram o beijo ardentemente, enquanto Remus se perdia no abraço de Sirius. Os corações acelerados, uma boca provando o gosto de firewhisky da outra e as mãos de Remus nas costas de Sirius o acariciando inexperientemente. Uma das mãos de Sirius acariciava a nuca de Remus, trazendo-o mais para perto, colando seu corpo no dele.

Quando se separaram a contragosto após muito tempo, Tiago os olhava com expressão enigmática. Remus olhava para Sirius e ele olhava-o devolta, ambos analisando a expressão do outro. Lágrimas se formavam nos olhos de Remus e ele lutava para que elas não caíssem. Não podia permitir ser visto chorando. Ele olhava para o garoto que amava e não sabia o que pensar. Aquilo que acontecera fora fruto de um jogo, não fora?

Tiago fez um som com a garganta para ser notado pelos dois que ainda se olhavam em silêncio e com expressões chocadas.

- Belo selinho! - ergueu a garrafa de firewhisky e tomou mais um gole grande, sorrindo como quem acabara de desvendar um segredo.

Remus e Sirius olharam para Tiago a tempo de vê-lo beber mais. Foi quando Remus se deu conta de que um beijo poderia ter sido realmente um selinho. Não sabia o que fazer. Olhava para Sirius e sentia dor e o olhar de Tiago era de quem sabia de algo mais... isso ele não suportaria. Seria descoberto e perderia Sirius. Ele o perderia sem ao menos tê-lo tido, exceto por um beijo.

- Eu.. - ofegou Remus - .. eu preciso ir. - Levantou-se e saiu apressado pela porta, sem sequer se importar em ser pego por Filch por andar fora do horário permitido aos alunos no castelo.

- Moony, não... - Sirius levantou-se atrás e correu a tempo de segurá-lo pelo braço no corredor e perceber que Remus chorava. Não conseguiu fazer nada além de soltá-lo e deixá-lo ir. Sentira-se extremamente fraco depois de ver seu amado Moony chorando. E devia ser por sua causa...

Sirius voltou à sala precisa sem ter entendido muito do que havia acontecido. Estava começando a ficar tonto e tocava seus lábios com a ponta dos dedos. O que havia sido aquilo? E por que Moony havia fugido daquele jeito... e chorando?!

- Você tá bem, Pad? - perguntou Tiago em um resquício de sobriedade.

Levou alguns segundos até que Padfoot conseguisse articular qualquer palavra ou formular alguma frase coerente.

- Eu... acho... bem. Eu ... o que aconteceu? - perguntou confuso.

- Ele te ama! - o garoto de óculos respondeu com alegria.

Mas não podia ser, podia? Pela expressão que Remus tinha no rosto após o beijo, havia algo dentro dele que lutava contra o que havia acontecido. Provavelmente o motivo era Alessandro Diggory e a briga que haviam tido. Lamentável que Moony havia ido embora antes que Sirius pudesse lhe perguntar a verdade sobre a briga deles.

- Acho que seus óculos estão ficando fracos. Você não viu ele sair? Ele estava chorando, Prongs.

- Nossa, o beijo foi tão bom assim que ele começou a lacrimejar? - Tiago ria solto.

- Você não entende... - virou mais alguns goles de firewhisky - Deve ter sido por causa do Diggory. Eles brigaram, não foi? Deve ter lembrado do cara... - a simples idéia de que Sirius poderia ter feito Moony se lembrar de Diggory o deixava enojado.

- Não, ele te ama e isso tava nos olhos dele antes que ele pudesse fugir. Eu vi e não tô tão bêbado assim. - Tiago falou rindo de alguma coisa que deveria ser muito engraçada mas que Sirius não conseguia perceber.

Sirius virou o restante da garrafa de firewhisky e bebeu com vontade até o último gole, para então tornar a olhar para Tiago, que olhava ao redor em busca de Pedro.

- Não posso acreditar nisso. - falou já sentindo que sua voz estava mais pastosa que o normal.

- Então me dá uma penseira que eu te mostro - Tiago tentou se levantar e ir na direção de Sirius mas tropeçou em nada e caiu sobre o amigo já segurando um vidrinho com o conteúdo esfumaçado prata brilhante. Os dois riram muito e tentaram se levantar com muita dificuldade.

- Você trouxe a poção pra ressaca? - perguntou um Sirius completamente tonto, que ainda ria do tombo do amigo mesmo que se sentisse ligeiramente dolorido no peito, onde o cotovelo direito de Tiago havia batido.

- Trouxe... tá com o Pedro - Tiago tentava se equilibrar enquanto andava até Pedro, que dormia profundamente.

Os dois conseguiram com muito custo tirar o frasquinho de poção pra ressaca das vestes de Pedro, que murmurou alguma coisa ininteligível ao ser revirado. Beberam um gole cada um e logo estavam sóbrios novamente e sem problemas de equilíbrio, mas ainda assim riam um da cara do outro. A noite havia sido boa e proveitosa na opinião de Tiago mas Sirius ainda se sentia desconfortável ao pensar que havia beijado Moony e depois ele havia fugido chorando. Nada tirava da sua cabeça que ele era o culpado e isso o torturava ainda mais agora que estava sóbrio.

- Então, eu falei que ele te ama. Acredita em mim agora que estou sóbrio? - Tiago sorriu com ar de quem sabe algo mais.

- Eu não vi amor nenhum, Prongs... - Sirius suspirou entristecido.

- Eu te mostro... vamos ao escritório do Dumbledore? - o garoto de óculos já ia colocando a capa da invisibilidade e fez um gesto para que o amigo o acompanhasse. Pedro não reclamaria tanto por ter sido deixado sozinho na sala precisa. Estava seguro, ninguém o apanharia ali e, além de tudo, aquilo era uma emergência!


Remus chegara ao dormitório dos garotos sem ter sido pego, apesar de perder o equilíbrio várias vezes no meio do caminho. Seus pensamentos estavam mais desconexos que nunca. A sensação do beijo de Sirius voltava cada vez mais forte e o amedrontava. Se havia sido o melhor momento da sua vida, então por que ele chorava?

Aquela era a última vez em que sentia Sirius daquele jeito. Sentia-se miserável, principalmente porque agora perderia seu melhor amigo, já que ele jamais poderia ser seu amor. Tiago percebera. Remus sabia que Tiago percebera porque vira aquilo nos olhos do amigo, apesar de embriagado. Tudo estava perdido.

Ao menos ele teria Tiago e Pedro... mas será que seriam suficientes? Eles o aceitavam como lobisomem e lhe faziam companhia nas piores noites que Remus podia se lembrar, mas não era como Sirius. Nada era como Sirius. E a cada vez que respirava, podia se lembrar da expressão espantada do amigo olhando para si.

E pensar que, por um momento, ele imaginou que o beijo havia sido de verdade, que Sirius correspondera daquele modo por vontade e não sob pressão de um jogo e da bebida forte. Era doloroso pensar que o melhor momento da sua vida havia sido nada para quem ele amava. Havia sido um jogo... e péssima idéia de Tiago.

Tiago já sabia, não sabia? Se não sabia, então por que havia feito a pergunta e depois o desafio? Seria mera coincidência?

Ah, a uma altura daquelas, Tiago já havia contado tudo a Sirius e provavelmente ele já pensava em como tratar Remus no dia seguinte. Iria se afastar mais que já havia se afastado! No começo, quando Remus pensava que a distância seria o melhor a se fazer, Sirius estivera sempre lá... depois, quando o lobisomem sentia a falta do amado, quando sabia que não havia outro modo de se fazer as coisas... que sabia que nada poderia apagar o que sentia por Sirius, o animago não estava mais lá. Ele havia se cansado dele? Cansado da companhia dele...

E agora... como seriam as coisas? Sirius se afastaria completamente. E aquilo doía mais que tudo.

Remus ouviu um barulho do lado de fora do dormitório e imaginou que seus três amigos estivessem voltando da sala precisa. Pegou a varinha nas vestes e lançou um feitiço imperturbável nas cortinas da sua cama e encolheu-se em seus pensamentos novamente. Afinal, aquela noite não havia sido de todo ruim... seria a melhor lembrança da sua vida. Sim, ele a usaria para conjurar um patrono em forma de cachorro.

Riu de si mesmo e acabou adormecendo ali, ainda com o uniforme e os sapatos.


Os dois marotos caminharam o mais rápida e silenciosamente possível até a gárgula que guardava a escadaria para a sala do diretor. Retiraram a capa da invisibilidade e disseram a senha, ao que a gárgula, mesmo a contragosto, liberou a passagem. Em pouco tempo, estavam diante da penseira de Dumbledore, despejando o conteúdo do frasquinho que carregaram com todo o cuidado até lá e então Sirius mergulhou na memória de Tiago.

Tudo tomou uma coloração prata brilhante com um leve toque azulado e então lá estavam Moony e ele mesmo se beijando ardentemente. Seu coração parou por um instante ao ver a cena. Não era nada bizarro como ele pensara que fosse um beijo entre dois garotos... era... normal... e bom. E Moony era tão bonito! Não parecia triste enquanto o beijava, estava ligeiramente corado mas Sirius pensou que fosse algo causado pelo álcool pois Remus não era acostumado a beber tanto quanto bebera naquela noite.

Os dois se separaram e se entreolharam. Os olhos de Sirius se encheram de lágrimas, olhando de perto um Moony que não podia tocá-lo, um Moony que olhava espantado para um Sirius igualmente espantado. Talvez a cena fosse cômica se não tivesse um desfecho tão... angustiante. Sirius então correu para o lado de Tiago, que olhava a cena interessado, para ver o que ele vira nos olhos de Remus. Chegou bem a tempo de perceber algo no olhar do amigo, enquanto olhava para Tiago. Ele ficara envergonhado ou era impressão? Na opinião de Sirius, era um misto de vergonha, culpa e um terceiro elemento que não soube decifrar. Seria amor, como Tiago dissera?

Sirius voltara da penseira com quase a mesma dúvida de antes mas se espantou ao ver que Dumbledore acompanhava Tiago em sua espera por ele.

- Confesso que não são uma visita esperada mas mesmo assim... Uma emergência desse tipo tem sempre prioridade. – Dumbledore sorriu para Sirius.

Sirius ficou pálido. Não podia acreditar que o maldito do Tiago havia contado alguma coisa para o diretor. O quê? Não, o que ele não conseguia acreditar era que Dumbledore não estivesse zangado com a invasão deles. Péssima idéia, péssima idéia. Teria sido melhor que pedissem permissão no dia seguinte ao diretor... mas o que era aquilo? Como Dumbledore ... Como...?

- Boa noite... – Sirius cumprimentou com ar de criança que é pega no meio de uma traquinagem.

- Então, Pad, eu estava aqui justamente conversando com Dumbledore sobre o que aconteceu. Acho que ele pode nos ajudar. – falou Tiago casualmente.

- O quê? Mas... Desculpe a invasão, diretor... – falou Sirius sem jeito.

- Tudo bem, senhor Black. Eu não estava dormindo. Na verdade, a insônia é uma grande e velha inimiga. Mas, normalmente, eu não tenho companhia nessas ocasiões. – o diretor sorriu. –E talvez haja algo que eu possa fazer por vocês, não? – olhou penetrantemente para Sirius, que ainda o olhava incrédulo.

- Eu... não sei... talvez... – respondeu um Sirius incerto. Tiago o olhava incentivando alguma coisa que não ficou clara na mente do garoto.

- Algumas vezes, é mais fácil se perceber coisas quando elas não estão acontecendo conosco.

- Sim, mas...

- Os maiores amores nascem de grandes amizades, Sirius.

- Tiago, você... contou? – Sirius estava ficando cada vez mais incrédulo.

- Palavras não são tão necessárias assim quando se pode ver a verdade nos olhos das pessoas, sabia?

Tiago apenas sorriu com simplicidade.

- Não precisa ficar espantado, Sirius. Bem, já tem a minha opinião. Agora acho que talvez vocês devam voltar para a cama. Agradeço a companhia mas não é bom ficar vagando pelo castelo a uma hora dessas, eu acredito.

Os dois assentiram e saíram logo do escritório do diretor, que se despediu deles contente pela breve companhia em mais uma noite de insônia. Dumbledore era realmente imprevisível!

Colocaram a capa da invisibilidade ao saírem do campo de visão da gárgula e rumaram para a torre da Grifinória, entrando sorrateiramente no dormitório dos garotos e encontrando a cama de Lupin com as cortinhas completamente fechadas. Sirius tentou abri-las para ver se o amigo estava bem mas foi repelido por algum feitiço lançado pelo lobisomem para proteger a sua cama de invasores indesejáveis. Com atitudes como aquela, era difícil acreditar em Tiago ou em Dumbledore.

Sirius ainda não conseguia acreditar que recebera a opinião de Dumbledore em pessoa sobre o seu caso. Era fato que admirava muito o diretor e, além do mais, ele também gostava de garotos, não era? Então deveria ser mais atento a detalhes que Sirius desconhecia. Seria então verdade que Remus o amava? Seria maravilhoso... mesmo com aquele feitiço imperturbável que Remus provavelmente havia lançado para que Sirius ou Tiago fossem desencorajados de tentar se aproximar dele naquela noite. Desejava ficar sozinho.

Há algum tempo, a neve se descongelara lá fora e Sirius só percebera naquela noite. Não conseguia dormir. Olhava para a cama de Remus e tentava imagina-lo ali, deitado, dormindo tranqüilo... ele teria chorado até adormecer?

Sirius não se lembrava do contra feitiço para aquilo que Remus colocara nas cortinas de sua cama. Procurou algum tópico sobre o feitiço no livro que Flitwick havia emprestado a Remus e estava sobre a cômoda ao lado da cama do amigo. Logo encontrou o contra feitiço, ergueu a varinha e disse as palavras e sentiu uma mudança no ar.

O garoto tentou tocar a cortina e nada aconteceu. Fora exatamente no alvo! Abriu-as o suficiente para ver Remus adormecido com a mesma roupa com que estivera na Sala Precisa. Havia marcas de lágrimas em seus olhos. Sirius tentou limpá-las suavemente, fazendo com que o outro garoto se movesse ligeiramente para o canto em sono profundo. Era tão doce vê-lo dormir... era algo que o tornava mais feliz, algo que lhe fazia bem. O animago sentou-se no chão ao lado da cama do amigo e permaneceu por muito tempo olhando para ele.

Não se deu conta de quando ou como, apenas adormeceu ali, sentado no chão, apoiado na cama de Remus. Quando se levantou, já era de manhã e Tiago o chamava para irem tomar café da manhã porque era mais um dia de aulas. O lobisomem não havia acordado ainda.

Sirius se levantou um pouco dolorido pela posição em que dormira. Tomou um banho e se vestiu novamente, notando que Remus acordara assim que ele saíra do banheiro. Eles se entreolharam enquanto Sirius terminava de abotoar sua camisa antes de colocar a capa.

- Bom dia! – Sirius o cumprimentou satisfeito por vê-lo de pé.

- Bom... dia – Remus respondeu incerto. Ele percebera que o feitiço que havia lançado nas cortinas de sua cama havia sido desfeito. – Hm... minha cabeça dói.

- Sua parte da poção está com Tiago. Você quer? – perguntou, aproximando-se do outro.

- Quero sim... – Remus não sabia mais como agir diante de Sirius. Parecia que a noite anterior havia sido um marco na amizade deles. Principalmente porque Tiago provavelmente contara a Sirius que Remus o amava e nada mais seria igual antes.

Logo Tiago vinha ao encontro dos dois, que não deixavam de se analisar. Entregou a poção a Remus antes mesmo que ele dissesse alguma coisa, parecendo adivinhar seus pensamentos.

-Se troca logo que nós vamos ficar te esperando na sala comunal, tá bem? Tiago disse com um sorriso.

Remus assentiu e foi ao banheiro tomar seu banho. Em pouco tempo, unia-se aos outros dois garotos, que conversavam animadamente antes que ele chegasse.

Os três saíam pelo retrato da mulher gorda quando viram um Pedro desesperado, entrando correndo e trombando em Remus, que entregou o resto da poção para ressaca ao amigo.

O café da manhã foi mais silencioso que o normal, com Remus e Sirius se encarando várias vezes sem dizer palavra alguma. Tiago notava a tensão no ar e pensava em qualquer maneira de desfazê-la. Pedro, pelo contrário, parecia colaborar cada vez mais para piorar a situação.

- Eu acabei dormindo ontem. O que mais aconteceu depois? – perguntou Pedro, colocando mais comida no prato.

- Bom... – Remus corou violentamente.

- Foi... – Sirius tentou começar mas parou, olhando para Tiago em busca de ajuda.

- Você perdeu! Hahahaha Não mandei dormir! – disse Tiago com naturalidade.

Pedro ficou emburrado por algum tempo mas depois pareceu ter se acostumado à idéia de ter uma lacuna em suas lembranças, graças ao sono causado pela embriaguez.


A aula de defesa contra as artes das trevas falava sobre técnicas de se proteger de inferis mas, para Sirius, o mais interessante era ficar observando a tonalidade dos cabelos de Lupin, a forma como eles pareciam mudar de cor de acordo com a incidência da luz. E a forma como o lobisomem ajeitava os cabelos vez ou outra era delicada, sutil. A forma como Remus escrevia, riscando o pergaminho com sua pena e depois repunha a tinta eram igualmente encantadoras.

Algumas vezes, Remus olhava para Sirius e o pegava admirando-o. Era estranho vê-lo daquela forma, com aquele olhar. O que aquilo significava? O que sabia era que jamais havia visto o amigo daquela forma. Então isso podia significar que Tiago não havia entendido a coisa certa ou talvez que Sirius não fugiria dele.

Quando os olhares dos dois marotos se encontraram novamente, Remus deu um sorriso angelical para Sirius e voltou a prestar atenção na aula.

A aula de adivinhação não foi muito diferente, com Sirius tendo que prever o futuro de Remus:

- A bola de cristal tá meio suja... mas eu vejo alguma coisa nela. – falou Sirius quando a professora Trelawney se aproximou para verificar seus trabalhos. Remus queria dizer que Sirius estava hilário com aquela cara de esforçado mas se conteve com a aproximação da professora.

- O que vê, Black? – perguntou etérea a professora.

- Vejo... – Sirius pareceu se esforçar mais, aproximando sua cabeça da bola de cristal – Vejo sorte no seu futuro. – A professora olhou-o, encorajando-o e ele lhe sorriu em resposta, olhando depois para Remus, que o olhava interessado e segurando o riso. – Eu vejo um homem no seu futuro – mentiu, adaptando algumas coisas à sua vontade – Um homem bonito, alto, com olhos misteriosos.

A professora parecia extasiada com a previsão de Sirius. Afinal, um de seus alunos revelava-se talentoso! Remus não sabia se acreditava ou não mas Sirius era uma visão boa demais para deixar de olhá-lo.

- E o que esse homem vai fazer por mim? - perguntou Remus interessado.

- Tudo o que você quiser. - Sirius o olhou significativamente, enquanto a professora saía de perto deles satisfeita.

Remus corou.

- Você viu tudo isso aí mesmo?

- Claro! Você não pode ver? - Sirius riu.

- Não. Pra mim, isso aí é sujeira na bola de cristal... eu nunca consigo ver nada nelas. Talvez algumas nuvens, que são essas manchinhas no cristal, sabe? - Remus aproximou o rosto da bola de cristal à sua frente.

- Não é porque eu não vi tudo aí que deixa de ser verdade... - Sirius sorriu internamente.


Oi, oi! D Respondendo as reviews -

Jufuao, muito obrigada! Eu fico muito feliz sabendo que minha fic foi favoritada por você. Espero que goste dos próximos capítulos!

Antares's Sewers, eu fico muito, mas muito mais feliz porque você está gostando da fic e nossa, obrigada pelo seu conselho de mudar a configuração para que as pessoas não cadastradas pudessem comentar. Bom, nenhuma não cadastrada comentou até agora mas eu já mudei. E, atendendo ao seu pedido, aqui vai mais um capítulo. Espero que goste D

Beijos a todos ;D