Amanhã é o dia do meu casamento.

Qualquer mulher ficaria radiante de felicidade ao pensar nessa frase. Mas Bellatrix Black não era uma mulher comum, nem aquele casamento ia se realizar pelos motivos comuns.

Sozinha na escuridão de seu quarto, Bella podia contemplar a vida que teria a partir do dia seguinte. Além de Comensal da Morte, seria também esposa de um, o que tornaria completamente impossível o único desejo que Bellatrix não sacrificaria por nada nesse mundo.

Sirius Black.

Bella fechou os olhos. Não podia pensar nele. Se ela pensasse, por um segundo que fosse, em Sirius Black, jamais seria capaz de levar aquele casamento fajuto adiante. Ele era tudo que ela queria, mas também era tudo que ela não podia ter.

Não podia ter porque sabia que não se contentaria em tê-lo apenas uma vez, e não era tão forte pra se indispor com sua família por ele e nunca o seria. Na verdade, ela sabia que não o merecia.

Merecia alguém como Rodolphus Lestrange, alguém que tinha uma alma ainda mais corrompida que a dela. Não Sirius, com sua alma boa e generosa. Era com tristeza que aguardava aquele casamento, que deixava seu quarto e sua vida pra se unir a Rodolphus.

- Não está feliz, Bella?

O coração de Bellatrix quase parou ao ouvir aquela voz. Só existia uma pessoa no mundo com uma voz como aquela.

- Sirius?—ela o chamou, duvidando de seus ouvidos.

Tranquilamente, ele saiu das sombras, os olhos cinzentos frios como aço. Não havia mais dúvidas sobre quem estava em sua frente.

- Como você conseguiu entrar aqui?

Ele sorriu e não disse nada. E nem precisava.

- Você devia estar mais feliz, Bella. Uma noiva tem que estar alegre no dia do seu casamento.

Bella sorriu. Se Sirius fosse o noivo, ela estaria radiante de felicidade.

- Por que você veio aqui, Sirius? Você disse que nunca voltaria aqui.

- Eu vim ver você pela última vez. -respondeu ele, se aproximando. - Porque eu não vou ser mais seu primo amanhã.

Ela limitou-se a encará-lo. Sirius jamais concordara com um casamento de conveniência. Mas não queria acreditar que ele a odiaria.

- Bella...

Ela o encarou. E o que viu nos olhos dele a hipnotizou. Amor.

- Não se case com Lestrange, Bella.

Naquele instante, Bella decidiu que se fosse pra perdê-lo, então tinha que ter algo que a consolasse por isso. Ela o segurou pela frente da camisa e o beijou.

Sirius não hesitou em retribuir o beijo, tirando-a do chão e a levando até a cama, onde caiu sobre ela.

- Bella, nós não...

Ela levou um dedo aos lábios dele, silenciando-o.

- Por favor... Só essa noite.—ela implorou.

Sirius sabia que não devia fazer isso, não na véspera do casamento dela, mas o ódio o dominava ao pensar que no dia seguinte Lestrange, e não ele, a teria em sua cama.

Ele a beijou com fúria, enquanto a despia. Sentia as unhas de Bellatrix se cravarem em suas costas, em seu peito, enquanto ela rasgava a camisa dele.

- Você vai ser meu hoje… —murmurou ela, mordiscando o ombro dele.

Sirius afastou as pernas dela, possuindo-a por completo de uma só vez. Ela não conseguiu conter um gemido, a dor e o prazer se misturando a cada investida que ele dava.

Bellatrix se agarrou a ele, enquanto sentia o prazer aumentar até se tornar quase enlouquecedor. Ela arqueou as costas, sentindo-o estremecer dentro dela.

Eles jamais saberiam explicar quanto tempo ficaram ali, se encarando. Por ela, eles teriam ficado ali pela eternidade, mas sabia que era impossível.

- Você vai se casar com ele, não vai, Bella?—perguntou ele, encarando-a com ternura.

Bellatrix não respondeu. Não era capaz de dizer aquilo a ele, como não era capaz de fugir do destino que a aguardava.

Sirius sorriu e ela podia jurar que o tom de voz dele estava horrivelmente triste ao dizer:

- Eu nunca vou esquecer essa noite, Bella.

Ela fechou os olhos e ao abri-los, Sirius já tinha ido embora. O quarto não mantinha nenhum vestígio da presença dele, a não ser a bagunça na cama e a janela aberta.

Agarrada ao lençol que ainda tinha o cheiro dele, Bellatrix chorou. Naquela noite, ela tivera Sirius, o homem que ela sempre amaria, pela primeira e última vez e não podia culpar ninguém por isso a não ser a si mesma.

Porque agora, ela nunca mais o veria e isso era pior que a morte, porque a falta que ela sentia dele lhe despedaçava a alma.