- Dean, você acha isso necessário? – indagou Cas, tentando arrumar a gravata borboleta que o amigo insistiu que ele vestisse.

- Olha, Cas, eu só estava tentando ajudar... – disse, levantando as mãos, cinicamente.

- Ok, ok. Afrouxa isso, por favor... – consternado, soltou a gravata e se virou pro amigo.

Dean o olhou, segurando uma risada e tirou a gravata rapidamente, sorrindo pra ele, batendo levemente as mãos no peito do outro, com uma certa ansiedade:

- Mas...

- É, não precisa, não. Assim você já ta bom...- mordeu os lábios e segurando nas bochechas do anjo, apertando-as, disse: - Vai lá, garotão. Arrasa o quarteirão! - e bateu na bunda do anjo, quando este havia se virado para olhar o lugar em que iria.

- Dean! Que isso? Isso dói...- disse, indignado, com uma expressão de um pouco de espanto; Dean segurou a risada e disse simplesmente:

- Dá sorte. – e deu de ombros.

- Tá...- disse ele, dando um tapinha nos ombros do loiro e atravessou a rua.

- CAS!

Dois carros pararam quase em cima do moreno, que nada percebeu, enquanto Dean se desculpava com os motoristas:

- Ele é novo na cidade...Me desculpa...- disse dando a palma das mãos para os carros, sorrindo sem graça, passando pelos carros pra falar com Cas antes que ele entrasse no restaurante.

- Manda ele esperar, que aqui não existe preferência!

- É, vai se fuder, viu...

Dean ignorou, sabia o quanto as pessoas podiam ser idiotas, e deixara de se preocupar com a falta de educação e reconhecimento da parte delas há muito tempo; era perda de tempo se preocupar com essas coisas inúteis:

- Cas, ta maluco? Calma, você tem que entender que aqui existem algumas regras...

- Calma, Dean. – olhou o moreno com aqueles olhos inocentes de sempre, fazendo Dean suspirar e se acalmar. – Eu não sabia. Mas enfim...o que você quer?

- Lembre-se do que eu disse. Nada de que você é um anjo, você é um...deixa eu ver...

- Mas você não disse que em relacionamentos a gente deve ser sincero?

- Eu disse, mas...

- Então.

Dean apertou os punhos com o rosto baixo e os olhos fechados:

- Por favor, ouve. – disse ele respirando fundo. – Nesse caso não dá pra ser, talvez algum dia, se você...ficar com ela... pra sempre... – e enrugou o cenho, mas completou. – Enfim, fale que você é um advogado, não, isso ela não vai acreditar. Você é um veterinário, isso, isso. Combina com você. – falou, sorrindo, apontando os indicadores pro moreno que sorriu sem entender o que aquilo tudo significava, e passando as mãos nos braços do moreno, Dean disse. – Vai dar certo, ou eu mato ela.

- Não vai ser preciso... – disse o anjo, segurando um sorriso.

- Ok, vamos. Quer dizer, vai; eu vou ficar no carro.

Cas entrou no restaurante e foi de encontro à loura que se levantou para cumprimentá-lo. Dean achou-a bonita, mas se sentiu desconfortável; não era legal ficar de vela, mas ele fizera questão de ir, pra ajudar seu amigo caso houvesse algum problema. Então, se resignou a apenas observar a cena e fazer comentários mentais de que aquilo não era nada interessante e até o irritava, não sabia ao certo porque, ele acreditava ser o sorrisinho presunçoso da cara dela ou as pernas enormes e bem torneadas que ela exibia sem pudor em um shortinho preto, o que no fundo sabia que não fazia sentido, pois era dessas que ele mais gostava.

O tempo se passava, conversa ia e conversa vinha, nada de estranho ocorria, mas Dean avisara ao anjo: "Em algum momento, finja ser humano, vá ao banheiro e se, nesse tempo, ela colocar algo na sua bebida, eu vou entrar"; o anjo tinha concordado, mas preferira que o amigo não fosse tão abrupto, mas o moreno sabia que não dava pra discutir certas coisas com Dean; quando Dean decidia algo, ia até o fim e não tinha mais conversa; e de alguma forma isso o tornava charmoso, esse foi um pensamento estranho que o atingiu enquanto tentava ter uma conversa com a linda garota com quem estava, mas tentou esquecer, enquanto discutia sobre comidas.

Dean estava encostado contra o volante, com o cotovelo apoiando o queixo quando seu celular tocou, fazendo-o cair em cima da buzina: BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII IIIP.

Cas paralisou, não sabia como reagir, a loura virou os olhos pro lado e um sorrisinho se formou no canto de sua boca, mas, ao olhar o anjo, apenas disse, colocando um garfo com macarronada na boca:

- Mania besta essa de chamar a atenção a qualquer custo. – disse contendo um riso debochado que o moreno não percebeu, pois estava nervoso demais ouvindo o seu próprio coração.

Dean pegou o celular, se abaixando atrás do volante, com o coração a mil por hora e viu a chamada perdida de seu irmão; então, resolveu-se por ligar para ele:

- O que a senhorita deseja? – disse sem o tom normal de deboche, mas com uma voz meio tremida e insistentemente séria.

- Tudo bem ai? – perguntou o irmão, sempre preocupado.

- Tudo ótimo. O que você quer?

- Você precisava mesmo ir no encontro do Cas? Ele não é uma criança...

- Ele é uma criança, e você sabe muito bem...

- Sei, mas ele tem como se proteger.

- De mulheres? Eu acho que não.

- Qual é, Dean.

- Só isso? Então, tchau. – e desligou sem esperar a resposta do irmão. Quase ao mesmo tempo, ao ver Cas sair de cena, Dean percebeu a mulher colocando um líquido em sua bebida.

- Eu sabia, eu sabia. – e batendo os punhos no volante do carro, abriu-o e saiu dele. Em pouco tempo já estava na porta do restaurante, aquela mulher iria se arrepender de se meter com o seu anjo.