Capítulo 3
Lucky Day
Desde o acontecimento da terça-feira anterior Draco vinha negando a si mesmo o trágico fato que havia percebido, mas ele teve tempo o suficiente para pensar no final de semana e chegar a uma conclusão óbvia. Ele era um Malfoy, ora essa, e quando um Malfoy quer alguma coisa, ele consegue. Se Draco Malfoy queria Harry Potter, ele o teria.
No caminho para seu armário, Draco avistou Cedric e Harry conversando. O mais alto tirava alguns livros de seu próprio armário enquanto Harry o observava fazê-lo, falando entusiasmado. O loiro respirou fundo e contou até 10 antes de se dirigir ao projeto de gigante.
- Hey, Diggory! – Ele chamou quando estava perto o suficiente. – Quero falar com você.
- Sem uma bola de vôlei dessa vez, por favor. – Cedric deu uma risadinha simpática, mas parou ao perceber que o loiro estava sério e Harry tenso ao seu lado. – Pode falar.
- Eu queria pedir desculpas pelo que aconteceu semana passada. – Draco deu de ombros e enfiou as mãos nos bolsos. Aquilo era mais difícil do que ele pensava. Onde estava seu orgulho?
- Pedir desculpas? – Cedric, assim como Harry, tinha uma expressão de surpresa. – Não há por que pedir desculpas, você não fez de propósito.
- Na verdade, fiz. – Draco quase riu da expressão de choque do garoto mais alto e Harry ficou ainda mais tenso.
- Bem, eu acho que isso muda um pouco as coisas. – Cedric parecia desconcertado e pigarreou. – Posso saber qual foi o motivo?
- Hm... Não. – O loiro se segurou ao máximo para não olhar para Harry de relance. – Desculpe, de qualquer forma. Vejo você na aula, Potter.
Draco piscou para o moreno, que parecia a ponto de explodir em confusão, e deu as costas, voltando a fazer seu caminho para seu armário. Enquanto apanhava os livros, olhou discretamente para onde Cedric e Harry estavam. O mais alto falava animado com o moreno que apenas assentia, os olhos verdes brilhantes encaravam o nada, arregalados.
Durante todo o caminho para a sala de química, Draco sorria. Chegou até a cumprimentar algumas pessoas que o encaravam sem esconder o choque. Ver o rosto bonito de Harry dividido entre confusão e surpresa fez seu dia e ter a chance de vê-lo logo depois na aula de Snape... Era seu dia de sorte.
Quando entrou, a sala de aula estava praticamente vazia e Snape não havia chegado. Draco estranhou logo, o professor nunca se atrasava. Franzindo o cenho, sentou-se na cadeira de sempre – à esquerda, na terceira mesa da segunda fileira – e apanhou seu celular, mandando um SMS para Blaise. Distraiu-se rapidamente e nem percebeu as pessoas começarem a entrar aos poucos. Em alguns minutos a sala estava lotada, mas o assento à sua direita continuava vazio e Snape não havia chegado.
Pansy havia acabado de chegar e quase arrancara a sua bochecha em um beijo estalado. Ficaram conversando amenidades, mas Draco só conseguia pensar em onde Harry se metera. De tempos em tempos olhava para a porta esperando ver o moreno entrando. Quando finalmente avistou-o, sentiu o queixo cair.
Harry estava com os cabelos ainda mais bagunçados, a bochecha adoravelmente corada, os olhos verdes brilhavam e os lábios avermelhados estavam agora vermelho berrante. Draco tinha certeza de que seus olhos estavam arregalados, o moreno era a imagem do caos. O loiro observou enquanto Harry olhava ao redor, parecendo um tanto perdido, como se não soubesse onde sentar. Ele não entendeu tal atitude, não era óbvio que teriam de sentar juntos?
Draco continuou encarando-o até seus olhares se encontrarem. Tentou sorrir amigavelmente, se esforçando para não imaginar por que tipo de furacão passara pelo moreno. Harry caminhou até a cadeira a seu lado direito. O corpo tenso e a postura muito reta.
- Pode relaxar, não vou morder. – Draco sorriu irônico. Ele bem que queria.
- Mas você sempre pode jogar uma bola de vôlei na minha cara. – Retrucou, com o corpo ainda tenso e nunca olhando diretamente em seus olhos.
- Já pedi desculpas ao Diggory por isso! – Exclamou Draco, controlando a vontade de segurá-lo pelo rosto e forçá-lo a olhar em seus olhos. – O que você quer que eu faça?
- Nada, Malfoy. – Harry deslizou ambas as mãos pelos cabelos. – Foi muito legal da sua parte pedir desculpas.
- Eu sei. – Disse Draco com um sorriso convencido.
Quando o Prof. Snape entrou pedindo silêncio desnecessariamente, os dois ajeitaram-se nas cadeiras para prestar atenção. Para Harry, a aula de química foi uma verdadeira tortura. Além de o Snape estar insuportável ao extremo, não parara de pensar nos motivos pelos quais Draco resolveu pedir desculpas. Não somente arrependimento, na verdade, ele tinha certeza de que não era arrependimento. Havia alguma coisa por trás, a pergunta era: "o que?".
Ao fim da aula, o moreno saiu praticamente correndo da sala enquanto Draco conversava com Pansy. Caminhou para a sala de biologia, sabendo que seria bem mais tranqüila. A Prof. Sprout parecia uma daquelas pessoas que estava sempre de bom humor e teria Ron para fazê-lo esquecer Draco com suas palhaçadas.
Por algum milagre, a professora não havia chegado, então ele teve algum tempo para conversar com Ron e Hermione até a aula começar. Ron estava copiando a matéria do caderno da namorada, que, aproveitando o momento, puxou Harry e cochichou em seu ouvido:
- Você precisa parar com esses seus amassos matinais com Cedric. – O coração de Harry acelerou e seu pânico deve ter ficado óbvio em suas expressões, pois Hermione riu. – Não se preocupe, não vou contar pra ninguém se você não quiser, mas suas roupas estão um caos. – Disse sorrindo docemente.
Harry foi para o seu lugar com a cabeça à mil. Se Hermione sabia era um passo para Ron descobrir e ele não queria que isso acontecesse até saber a opinião do ruivo sobre homossexualidade. Para sua surpresa, a aula de biologia foi até divertida, apesar da angústia em seu peito.
Na aula de história, Harry passou a maior parte do tempo olhando para o chão, concordando todas as vezes que Ron reclamava de sono, dando cochilos de cinco minutos e acordando para começar tudo de novo.
Quando a sineta tocou, Ron deu um pulo da cadeira que acordou Harry de supetão, quase provocando sua queda. Ele sorriu meio confuso, pondo-se firme em pé e ajeitou os óculos, levantando e puxando a mochila de maneira desajeitada.
Os alunos de Hogwarts High pareciam um bando de animais selvagens na hora do almoço e corriam em direção ao refeitório como se suas vidas dependessem disso. E de certa forma, dependiam.
Hermione, Luna, Neville e Cedric já esperavam por Harry e Ron na mesa de sempre, onde Cedric já havia guardado um lugar para Harry ao seu lado.
O moreno de olhos verdes pediu licença assim que terminou de comer e levantou-se, subindo as escadas ao lado das arquibancadas e se dirigindo ao corredor lateral do patamar superior, onde se encontravam as máquinas de refrigerante, café, chocolate e outros doces e onde também se localizava o banheiro exclusivo dos monitores, no fim da curva de outro corredor à direita.
Harry parou na frente da máquina de chocolate e analisou as diversas opções do doce através do vidro, brincando com uma cédula entre os dedos. Uma voz conhecida pediu licença e uma cabeça loira passou na sua frente, deixando o rastro de seu perfume suave.
Draco enfiou uma cédula na máquina e digitou rapidamente o número de sua escolha. Com um barulho de engrenagens e metal abafados o chocolate caiu certeiro na mão pálida que já esperava. O loiro ajeitou sua pose e rasgou a embalagem, dando uma mordida no doce e só então olhou para Harry, que vinha analisando cada um de seus movimentos com atenção.
- É mais fácil quando se tem um favorito. – Draco deu de ombros.
- Eu tenho, mas estou tentando experimentar outros e quem sabe trocar de favorito. – Harry fez um gesto displicente para a máquina.
- Você vai acabar escolhendo o de sempre.
- É provável.
Alguns segundos tensos se passaram onde o moreno apenas trocou o peso do corpo entre uma perna e outra, soltando suspiros rápidos, enquanto o loiro mantinha seus olhos fixos no outro garoto.
- O que você quer de mim afinal, Potter?
- Como assim? – Harry levantou uma sobrancelha.
- Eu já pedi desculpas ao seu querido amigo Diggory, o que mais você quer?
- Por que você se importa tanto? Seu dever como monitor já acabou, não há mais necessidade de falar comigo, fazer dupla comigo ou tentar ser gentil.
- Você é lento o suficiente para não perceber que eu estou fazendo isso por que eu quero?
- E por que você quer? – Harry tentou não demonstrar sua surpresa em sua voz.
- E desde quando é necessário se ter um motivo?
- Desde que eu e você deveríamos ser inimigos, talvez?
- Foi você mesmo quem disse que nós não somos nossos pais.
- Mas eu acho que meus pais têm razão afinal de contas, já que você resolveu acertar uma bola em Cedric sem nenhum motivo aparente.
- Seus pais não me conhecem! – Draco precipitou-se, dando alguns passos em direção ao moreno e cerrou os olhos. – O que eu fiz foi errado, eu sei disso, eu não estava pensando direito, Diggory realmente me tirou do sério, mas não acontecerá novamente.
- E por que eu deveria confiar em você? – Harry também cerrou os olhos para o loiro.
- Por que eu posso surpreendê-lo se você me der uma chance.
- Você sabe que vai ter que aturar Cedric, não é? Ele é meu... – O moreno desviou os olhos do loiro enquanto pensava. – Ele é meu amigo.
O tom incerto na voz de Harry fez Draco apertar ainda mais os olhos. Então ele se lembrou de ter visto Harry e Cedric juntos perto do armário do garoto mais alto e alguns minutos depois Harry apareceu todo amarrotado. A conclusão a qual o loiro chegou fez seus olhos se arregalaram tanto que ele não soube dizer por que seus globos oculares não saltaram das órbitas.
- Potter... Você é gay? – Draco soou mais como se estivesse afirmando do que perguntando.
- Bissexual. – Harry corrigiu rapidamente e não se mostrou nem um pouco desconfortável. – Algum problema?
- Não. – Draco deu de ombros. – Então, você vai confiar em mim ou não?
- Eu vou deixar você tentar ganhar minha confiança. – Ele se dirigiu a máquina de chocolate e fez o mesmo que o loiro. Com o mesmo barulho abafado de metal, um chocolate ao leite caiu.
- Aqui, tome. – Draco pegou a mão livre de Harry e colocou a metade do que sobrara de seu chocolate na palma do moreno. – Você pode se surpreender e esse será seu chocolate favorito agora.
Com uma piscadela o loiro deu as costas e saiu. Harry ficou observando o lugar onde Draco estava parado há segundos e seu coração batia muito forte contra suas costelas. Assim que se lembrou, Harry deu uma mordida no chocolate que Draco o havia dado. O sabor da menta que se escondia no cacau simples explodiu em sua boca. O moreno soube quase imediatamente que aquele sabor estava agora ligado às lembranças do loiro. Harry havia encontrado seu novo chocolate favorito.
Draco voltou para a mesa onde estavam Blaise, Pansy, Crabbe e Goyle, mas não se preocupou em tentar entender sobre o que eles estavam falando. O loiro sorriu sem perceber. Era mesmo seu dia de sorte! Saber que Harry também se interessava por pessoas do mesmo sexo tornava as coisas muito mais fáceis. Tirar Diggory do caminho seria tão fácil quanto confundi-lo com um poste. Então, que começasse o jogo.
Antes da aula de inglês, Draco encontrou Harry colocando e tirando livros de dentro de seu armário, sozinho dessa vez. O loiro sorriu e desnecessariamente passou a mão pelos cabelos, ajeitando-os. Em passos determinados ele se dirigiu ao moreno, que percebeu sua aproximação e fixou seus olhos nele.
- Hey. – A voz de Harry soou mais mole do que ele esperava.
- Então, gostou do chocolate?
- Gostei, obrigado.
- Há quanto tempo você e Diggory andam se pegando? – Draco permaneceu sério diante da cara de surpresa do outro.
- Não dava pra ter sido mais direto, dava? – Harry deu um sorrisinho envergonhado. – Hm... Desde... Hm, quarta-feira, eu acho.
- Quarta? – Draco levantou uma sobrancelha.
- É... Na terça ele perdeu algumas aulas por que estava na enfermaria e eu fui até lá para ver como ele estava. Ficamos um bom tempo conversando e...
- Poupe-me dos detalhes.
-... Ele me pareceu interessante. – Harry concluiu, fechando o armário. – Por quê?
- Curiosidade. – Draco deu de ombros. – Seus pais sabem que você joga nos dois times? – Ele sorriu com a gargalhada que Harry deu.
- Eu nunca falei sobre isso, mas eu acho que eles sabem. – O moreno parou por um segundo, pensativo. – Mas meu padrinho sabe.
- Você achou melhor contar pra ele do que pro seus pais? – Não havia nenhuma acusação na voz de Draco, era apenas curiosidade e isso animou o moreno.
- Eu não contei, ele viu. – Harry riu ainda mais alto com a cara de horror de Draco.
- E o que ele fez?
- Nada. Sirius tem a mente bem aberta em relação a muitas coisas, mas claro que ele não poderia ter saído sem fazer a mesma cara que você está fazendo agora. – Ele sorriu de canto.
- Oh, desculpe. – Em um segundo Draco neutralizou suas expressões e isso surpreendeu o moreno, ele só não sabia se fora de um jeito bom ou ruim. – Mas você deu sorte, sabe? Se fosse eu no seu lugar, Snape teria matado a mim e ao garoto, mas não sem me torturar antes.
- Você... – Harry parou a frase ali mesmo, levantando uma sobrancelha e fazendo uma expressão que Draco decifrou rapidamente.
- Eu estaria disposto a experiências, sim. – O loiro balançou a cabeça com desdém e deu um sorrisinho brincalhão.
- Bem, todos sabem que alguns garotos aqui deixariam de lado o título de hétero pelo tão disputado Draco Malfoy. – Harry estava sorrindo quase ironicamente.
- Eu não tenho certeza, mas você está tentando fazer uma piada, Potter? – Draco cerrou os olhos.
- Não! – Harry riu. – É verdade. Cedric tem um bom radar...
- Pode deixar que eu me resolvo, obrigado. – Interrompeu o loiro e logo em seguida a sineta tocou. Draco agarrou o pulso de Harry e começou a puxá-lo. De repente Harry estava rindo alto. – Qual é a graça, seu idiota?
- Eu não acredito que estávamos conversando sobre nossas preferências.
- Qual o problema?
- Nenhum, mas é engraçado. Principalmente por que você parece o tipo que abomina tudo que foge do normal. – Harry deu de ombros e seu tom de voz não era ofensivo.
- Minha família é assim. – O loiro continuou puxando o outro até eles chegarem à sala.
- E você não? – Com curiosidade extrema, Harry fixou seus olhos no loiro ao sentar ao seu lado.
- Eu acredito que não. A família Malfoy vive para honrar o nome, mas eu ainda acho que serei a ruína do nome. – Ele deu um sorrisinho sem humor.
- Bem, eu acho melhor que você queira viver como Draco do que como Malfoy.
- Falar é fácil. Ainda mais quando não se tem um pai no seu pé o tempo todo falando sobre status.
- Talvez você possa mudar isso.
- Você se lembra da Pansy e do Blaise, não é? – Harry apenas assentiu. – Pois bem, tanto eles quanto Crabbe e Goyle são meus amigos desde que somos pequenos. A amizade do meu pai com os pais deles é importante para os negócios e para garantir que o nome Malfoy mantenha as boas relações. E a minha relação com os filhos deles é importante para quando eu fui assumir a empresa, entende?
- Entendo.
- Daí você vê, Harry, até minhas amizades giram em torno de um nome. – Draco suspirou, cansado. – Agora, se eu afundar o nome, eu me pergunto se essas pessoas que se dizem minhas amigas vão estar lá para me ajudar a subir de volta, ou quem sabe até se afundar comigo.
Harry olhou fundo nos olhos de Draco e sentiu uma pontada de compaixão se espalhar pelo seu peito. Só de imaginar viver com uma dúvida daquelas parecia ruim o bastante.
- Bem, eu não me importo nem um pouco com seus negócios ou o status do seu sobrenome. – Ele deu de ombros.
- Bom saber. – Draco sorriu de lado e recostou-se na cadeira.
- Bom dia! – Lupin exclamou entrando apressado. – Desculpem o atraso. Vamos começar com um exercício sobre o assunto da aula passada. Abram os livros na página 130 e façam o mínimo de barulho enquanto discutem as questões com seus colegas. Eu estarei indo de mesa em mesa auxiliar vocês no que for necessário. Podem começar.
O barulho de páginas sendo viradas preencheu a sala por alguns segundos. Harry ainda manteve seus olhos sobre o loiro enquanto o professor dava os comandos sobre a atividade e ele sabia que Draco percebera sua distração.
- Eu sei que pode ser bem difícil evitar, mas pare de me encarar, Harry. – Draco deu um sorrisinho convencido.
- Desculpe. – Harry corou. – Qual é a página?
- 130 e todas as questões são de interpretação de texto, então, concentre-se dessa vez, está bem?
- Tudo bem.
Durante a realização da atividade, Harry evitou fixar os olhos no loiro, tarefa que se mostrou mais difícil do que ele esperava. Quando Lupin chegou até eles, fez questão de lançar um olhar questionador para Harry antes e depois de esclarecer as dúvidas dele e de Draco.
Ao último toque da sineta, Harry e Draco arrumaram seus materiais sem pressa alguma. O loiro ainda ficou esperando o outro amarrar os cadarços antes de saírem da sala.
- O que você vai fazer quando chegar em casa? – Quis saber o loiro.
- Me enfiar no livro de química. – Harry nem ao menos tentou disfarçar seu tédio na voz. – Não entendi nada da aula de hoje.
- Eu posso te ajudar se você quiser. – Draco deu de ombro. – Eu já sei esse assunto.
- Mesmo? – Uma pontada de excitação surgiu em seu peito.
- Claro. Você pode ficar até mais tarde aqui no colégio amanhã?
- Acho que sim.
- Combinado então. – Draco sorriu e piscou para o moreno.
Os dois deixaram a sala de aula sob o olhar desconfiado de Remus. Já era segunda-feira e Harry ainda parecia bem amigo de Draco. O professor suspirou com a terrível sensação de que, como Sirius gostava de dizer, aquilo ia dar merda.
Draco andava – praticamente saltitava, na verdade – ao lado do moreno, satisfeito. Não era exatamente o que ele queria, mas Harry demonstrava querer ser seu amigo e estar próximo a ele - o que já era bastante coisa em sua opinião. E não, ele não estava apaixonado, aquilo era pura atração física combinada com carência agora que Pansy estava mais interessada em Blaise do que nele – coisa que ele não conseguia entender.
Ao seu lado, Harry soltou uma exclamação e o loiro sobressaltou-se ao ver Diggory abraçando o moreno pelos ombros de um jeito possessivo demais pro seu gosto. Usou todo seu autocontrole para não fazer uma careta de desgosto e apenas ergueu uma sobrancelha para Harry, questionando-o. O outro deu um sorriso meio confuso, meio assustado. Draco começou a duvidar se aquele era seu dia de sorte mesmo quando a girafa albina inclinou-se para murmurar alguma sacanagem no ouvido do moreno e teve certeza disso ao que todo o rosto de Harry adquiriu um tom forte de vermelho.
Harry desviou os olhos de Draco e mordeu o lábio inferior com força. Cedric não tinha nenhuma noção de timing, uma coisa era ele falar... Bem, coisas impróprias quando os dois estavam sozinhos, outra completamente diferente era falar assim em público. Afastou-se do mais alto, da forma mais discreta que conseguiu para não fazê-lo sentir-se rejeitado. Draco manteve-se silencioso o caminho inteiro até a saída, Harry estava olhando para ele, vagamente consciente de que Cedric estava falando.
- Harry, estou falando com você. – A voz de Cedric soava contrariada e quando Harry o olhou percebeu que tinha as sobrancelhas arqueadas e a cabeça estava inclinada para o lado.
- Eu sei, eu sei. Desculpe. – Tentou sorrir, mas teve certeza que pareceu bastante falso pela expressão que o rosto bonito de Cedric adquiriu.
- Vou ali falar com o Nick, okay? – Avisou, olhando desconfiado de Harry para Draco.
- Tudo bem. Eu já vou pra casa. – Deu um sorriso e olhou para os lados antes de beijar a bochecha do mais alto. – Tchau. – Cedric apenas lhe sorriu, indo conversar com um garoto magrelo na escadaria.
Draco tentou ao máximo evitar o casal ao seu lado enquanto andavam. O loiro estava pedindo a Deus e a todos os santos para que Pansy ou Blaise aparecessem, mas não, eles não deram as caras e ele teve de ficar ali fingindo que não percebia o olhar de Harry e que não estava ouvindo a tagarelice de Diggory. Ele ficava cada vez menos sortudo em seu dia de sorte.
Quase beijou os pés de Diggory quando o mais alto anunciou que iria falar com algum loser que ele considerava amigo, fez uma careta quando Harry ficou praticamente na ponta dos pés para beijar a bochecha daquele arranha-céu esquisito.
- Draco... Hm. – O loiro olhou-o com um sorriso enviesado. – Estou indo pra casa. – Harry deu um sorrisinho nervoso.
- Bem... Tchau. – Falou Draco oferecendo um sorriso irônico.
- Eu... Eu ligo hoje pra avisar se poderei ficar até mais tarde amanhã. – Enfiou as mãos nos bolsos, desconfortável.
- Ótimo. – Foi tudo que Draco lhe deu em resposta.
- Ótimo. Hm... Tchau. – Harry disse, mas não saiu do lugar, o que fez Draco ter uma vontade quase incontrolável de gargalhar. O moreno era tão sem jeito.
- Está tudo bem, Harry. Vai logo. Xô. – Empurrou o mais alto de leve, rindo.
No caminho para casa, a única coisa na qual Harry pensava era no sorriso bonito de Draco e na vontade repentina de abraçá-lo enquanto estavam se despedindo. O moreno ainda lutou com sua mente para forçá-la a expulsar tantas imagens do loiro que o acometiam, mas perdeu feio. Harry estava inacreditavelmente encantado pela beleza aristocrática de Draco, e para alguém com preferências duvidosas como ele era quase impossível resistir. Mas ele tinha que lutar, não queria perder a amizade do outro garoto por causa de seus desejos adolescentes. Logo Harry descobriria que aquela tarefa seria mais difícil do que ele esperava.
Agradecimentos a Thomaz Volk, Sakusasuke, Anne Marie, Mila Pink, PattJoger. Nós literalmente surtamos a cada comentário de vocês. Obrigada pelo apoio. Espero que gostem desse capítulo. Beijos. 3
