Capítulo 3: Abandono

Malfoy's POV.


Eu quero que você saiba quem eu realmente sou

Eu nunca pensei que eu me sentiria desta maneira com você

E se você de repente necessitar de alguém que permaneça com você

Eu irei segui-lo, e mantê-lo forte.

Life is like a boat - Yui

Eu acordei bem cedo, os cabelos escuros cobriam quase todo o travesseiro. Os pássaros começavam a piar, pelo menos era pra ser, afinal estávamos nas masmorras do colégio, como eu poderia saber? Olhei admirando o rosto rosado dele. Percebi que estava sem óculos e notei-os quase caindo da cama, apanhei-os e coloquei na mesinha ao lado da cama, afaguei de leve seu rosto, desci até as maçãs do rosto e parei em seus lábios. Dei um riso que eu não sabia nem que tinha, sem nem um pingo de sarcasmo ou malicia, mas talvez fosse a repentina companhia grifinória que me deixou assim. Piegas até a tampa. "—Eu te amo." – Sussurrei. Ele não precisava ouvi com freqüência. Embora eu achasse que ele iria gostar.

Ele se remexeu em meus braços. Estava acordando.

Eu apenas esperei. Podia esperar. Os corredores ainda estavam vazios, ele tinha a capa e eu queria que ele ficasse mais tempo. Eu e meu maldito egoísmo...

"—Dia." – Falou preguiçosamente esfregando os olhos e procurando os óculos no tato.

"—Bom dia, Potter." – Disse meio presunçoso. Isso fluía de mim sem eu sequer controlar.

"—Onde estão meus óculos?"

"—Aqui." – Eu os entreguei.

Harry os colocou e me deu um selinho, prontamente correspondido.

Nos vestimos e eu perguntei meio desolado quando ele rumava para a porta, apesar de não demonstrar. "—Vamos nos ver que horas?"

"—Depois do jantar na Torre de Astronomia." – Disse displicente.

De repente meu maxilar se enrijeceu. O tempo estava correndo, literalmente, e eu não tinha muito para desfrutar com Harry e se ele soubesse ao certo o que realmente se passava, me condenaria, me faria ver que estou errado e tentaria me "concertar" com aquele seu instinto de Godrico Grifinória.

"—O que foi?"

"—Nada. Depois do jantar na Torre de Astronomia." – Repeti. Abracei-o com força sentindo sua respiração. Eu precisava muito sentir aquilo. Ele era meu porto seguro naquele emaranhado de medo, desolação, angústia, dúvida e amor.

"—Draco, tem certeza..."

Fiz careta de impaciência não deixando que ele completasse. "—Sim, Potter."

"—Até." – Encostou levemente os lábios nos meus e saiu jogando sobre si a capa.

No salão Principal, como um novo hábito adquirido, nos entreolhávamos. Mas agora isso tinha um novo sabor para mim. Era amargo. Amargo de arrependimento e remição. "Espero que ele entenda." Tudo estava muito próximo.

Tudo transcorreu normalmente. Aula de poções com os grifinórios e as minhas piadas com o Weasley e o resto foi um saco, afinal o Potter não estava e eu estava ficando totalmente dependente.

Após uma das aulas vi Gina Weasley agarrada ao braço dele. Como ele ousou deixar? Tive ganas de arrancá-la dele por aquela cortina vermelha de cabelos dela. Senti o gosto amargo do ciúme e o pior é que ele deixava, sorria para ela de maneira como 'pode me agarrar, o Harryzinho, o-menino-que-sobrevive deixa, deixa tudo que você quiser'. Ahh! Eu não vou ficar olhando isso! Passei pelos dois com a cara mais raivosa que tinha. Ele tinha que saber que eu estava vendo a cara de pau (ou rachada) dele.

E no corredor vinha Pansy. Ótima hora! Eu também poderia deixar ele mordido. Da mesma maneira que eu estava.

Agarrei-a pela cintura.

Ela se sobressaltou, mas ficou feliz. Eu sei. Ela gostava de mim desde o segundo ano em Hogwarts, isso não era novidade para ninguém.

"—Vamos para a aula juntos Pansy?" – Falei galantemente.

"—Cla-claro." – Ela afirmou com um sorriso mortiferamente lúbrico, como uma boa e velha aluna da casa de Salazar Sonserina.

Ouvi ainda a Weasleyzinha comentando com o Potter. "—Duas cobras namorando, formam um belo casal."

Não ouvi Harry responder e não detive minha curiosidade de olhar para trás e ver o rosto escaldante dele. Consegui! Ri em meu mais puro sarcasmo.

"—É, cobras se merecem." – Disse ele raivoso.

Por algum motivo meu riso se desfez. Virei-me e continuei o caminho até a sala de aula com Pansy do meu lado.

-x-

Eu ponderava se realmente devia ir a Torre de Astronomia. Ele iria? Mesmo depois da raiva que o fiz passar? Tsc, mas ele também o fez! Ele não estava totalmente certo. Resolvi ir mesmo assim, eu queria vê-lo, sabia que era uma das ultimas vezes. Levantei-me olhando discretamente para a mesa da grifinória, ele havia saído e eu nem tinha percebido. Encaminhei-me para o local.

Ele estava lá. Recostado no pilar de pedra olhando o nada.

"—Potter?" – Chamei.

"—Malfoy." – Respondeu ainda perdido nos seus pensamentos.

Acheguei-me meio hesitante, mas a raiva ainda fervia meu sangue que borbulhava no meu cérebro. "—O que estava fazendo de braços dados com a Weasley?" – Em minha voz a cólera.

Isso parece ter acordado o idiota que se virou com o mesmo olhar que o meu. "—E você?" – Vociferou. "—Aos agarros com a Pansy!" – Colocou as mãos na cintura.

"—Ahh! Não me venha com isso Harry James Potter. VOCÊ estava agarrado à ruiva primeiro!"

Ter o nome completo falado por mim pareceu um estimulante, um jato de adrenalina em suas veias. Agarrou a gola da minha blusa e me jogou na parede. "—Ela é minha ex. eu namorava ela até os nossos agarros no banheiro, sabe? Eu ainda estou vendo como vou fazer para não magoá-la."

"—Aha. Então eu posso muito bem me agarrar com a Pansy, o Zabine ou qualquer outro por aí."

"—NÃO! Não pode não, Draco. Por que você é MEU assim como eu sou SEU! E nada, NADA Sr. Sabe-tudo, vai mudar isso." – Ele quase perdeu o ar.

E eu estava perplexo com aquela 'Explosão-Potter'. Isso me excitou, eu o agarrei, ajeitei nossos corpos com proximidade, eu estava louco. Louco por ele. Maldito! Beijei-o com lascívia pela roupa, arranhava, mordia, lambia, fazia o que queria.

E Harry me puxava, consentia e participava ainda mais de tudo. "—Você me deixa louco." – Admitiu em gemidos sôfregos ao pé de meu ouvido.

"—Harry. Hanm..." – Ele do mesmo modo me deixa insano! Só que tudo se confundia na minha cabeça, estava tudo tão próximo... Somente alguns dias. E eu não sabia quando o veria de novo depois daquilo. Parei abruptamente, um nó na minha garganta. "—Me... Me perdoe."

Seus olhos se arregalaram. Também quem imaginaria: Draco Malfoy pedindo desculpa a Harry Potter, mas depois se recuperou do choque. "—Não tem do que se perdoar, Draco." – Afagava as mechas loiras que caiam em meus olhos.

"—Você não entende." – Eu estava pesaroso. "Não é por isso que eu peço desculpas, seu idiota! Aquela ruiva pode queimar no inferno, eu realmente não ligo."

"—Draco, olha pra mim." – Segurou meu queixo e me fez olhá-lo. "—Eu te amo." – Declarou-se.

Eu quase me atirei daquela Torre de desgosto, mas é claro que eu não faria isso de verdade... Imagine só... Meu rosto lindo... Nunca! "—Eu sei Harry." – Escorreu dos meus lábios.

Potter sorriu. Um riso iluminado e caloroso. Ele sábia o que aquele 'eu sei' significava.

Me fez sentir melhor. "—Não esqueça isso." – Avisei.

"—Claro que não." – Beijou todo o meu rosto, pescoço, bochechas, lábios... Desabotoou os três primeiros botões da minha camisa e continuava a seu intento.

Instintivamente aproximei nossos corpos. "Essa é uma das nossas últimas vezes." – Refletia enquanto me aprazia com sua boca em minha pele. Eu apenas me entreguei. Fechei meus olhos enquanto suas mãos exploravam todo o meu corpo. "—Harry." – Choraminguei rouco. Senti ganas de tê-lo ali mesmo.

"—Draco, eu quero você."

"—Mas você já me tem." – Repeti o que ele me dissera mais cedo com um riso torto desenhado em meus lábios, olhando-o nos olhos.

"—Mas da mesma forma que você me tem." – Senti seu 'apetite' contra o meu.

A idéia dele me possuir foi uma das mais tentadoras que já tive, mas eu sabia: Nunca iria acontecer. NUNCA. E isso machucava. Porém ele não precisava saber, não precisava sofrer com antecipação. "—Seria tentador." – Admiti com um sorriso acre.

"—Hoje não dá. Acho." – Falou meio pensativo. Ele olhou para o sol que começava a se pôr. Eu queria ficar mais com ele, contudo Harry parecia ter outros compromissos. "—Ahh! Tenho que ir. Vou tentar fazer umas coisas. Falar com o professor Slunghorn."

Eu não disse nada, tinha medo que meu tom me denunciasse. Não cobrei nada. Encostei os meus lábios aos seus e o vi sumir correndo escada abaixo. Fiquei parado, as mãos nos bolsos, o olhar vago e pensativo. Vi o sol se pôr, morrer mais um dia consecutivo, eu estava morrendo aos poucos, eu e meus impulsos...

-x-

"—Isso vai contra as leis da razão, voa pelo teto do irracional e chega à galáxia da loucura!" – Quase gritou Snape ao pé do meu ouvido quando me chamou à sua sala três dias depois do que aconteceu no banheiro. "—Olhe aqui Draco, eu quero proteger você, mas isso é uma sandice! Foi o Lorde das Trevas que mandou?" – Parou bem próximo de mim. Seus olhos se cerrando, me analisando.

"—Claro que não!" – Disse para ele o olhando fundo nos olhos desafiadoramente. Meu rosto ruborizado. "—Eu gosto dele... E muito." – Minha voz falhou, mas mantive o tom firme.

"—Você sabe o que você-sabe-quem vai fazer se descobrir, hein Draco? Já pensou nisso?"

"—Já! Claro que já pensei. Mas eu não sei o que fazer!" – Me desesperei. "—Quando recebi minha tarefa, me senti honrado pela aprovação do meu pai, dentre todos eu fui o escolhido, mas agora... Agora as coisas são diferentes, e só faltam dois dias." – Escondi o semblante na palma de minhas mãos. O desespero atrelado ao medo, minha angústia se tornara líquida enquanto rolava descontroladamente do meu rosto. Medo de cumprir a maldita tarefa, desolação por ter que me afastar de Harry e desespero por saber que talvez ele não fosse me perdoar.

"—Eu pensei que meus olhos me enganaram quando os vi na Torre, talvez alguém tivesse um feitiço de ilusão muito perigoso. Mas não! O meu pupilo, que não via a hora de se tornar um Comensal da Morte, aos agarros com O Eleito!" – Gritou. "—Nem quero saber o que ocorreu no banheiro naquele dia."

"—Aconteceu." – Eu o fitei com o meu mais puro cinismo.

"—Ora aconteceu. Vocês jovens e seus hormônios." – Ele respirou fundo. "—Draco, deixe-me ajudá-lo."

Apenas assenti com a cabeça. Ele era o único que podia me ver no meu real estado de desânimo. "—Mas isso não são os hormônios." – Falei em uma revolta tardia.

"—Agora então temos um problema maior." – Disse ácido.

"—Eu vou falar com ele." – Eu disse obstinado.

"—Está ficando louco Draco? Claro que não!"

"—Ah! Não venha me dizer que realmente está do lado do Lorde das Trevas." – Disse azedo. Eu sempre soube de tudo, assim como ele sempre soube tudo de mim.

"—É, mas ele é daquela Armada de Dumbledore, esqueceu? Ele com certeza fará um alarde, sua mãe vai sofrer junto com seu pai. E não esqueça de qual casa ele é!"

"—Então o que faço?" – Eu realmente estava perdido.

"—Bom, você vai fazer tudo conforme o plano. Tente contatá-lo depois que as aulas acabarem. Ele não vai voltar para Hogwarts que eu sei."

"—Ele também não vai?" – Harry não me contou...

"—Não, não vai."

"—Mas se ele nunca mais quiser me ver?" – Eu nem acredito que estava discutindo isso com Severus Snape!

"—Então ele," – O professor de DCAT fez cara de nojo. "—não ama você."

Ergui minha sobrancelha, logicamente ele estava embaraçado. Permiti-me um sorriso sarcástico, a idéia da palavra 'amor' ser dita por Snape era meio brochante. Dirigi-me até o acesso para sair enquanto limpava as lágrimas.

"—Ah, Senhor Malfoy."

"—Sim?"

"—Vai contar a ele que eu sei?" – Ele parecia realmente curioso.

"—Não, senão Harry enfartaria." – Fiz uma careta de desdém.

"—Melhor assim." – Concordou ele antes do clique da porta.

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Eu estava decidido. Faria daqueles dois últimos dias os melhores de minha vida.

E assim o foi, várias vezes nos encontrávamos no meu quarto, dávamos passeios arriscados e furtivos para o lago, Hogsmead, A Casa dos Gritos, meu quarto e o local mais adorado por mim, depois da minha cama é claro, A Torre de Astronomia e resolvi que os seus amiguinhos afetados estavam na hora de saber que pelo menos éramos amigos. Potter concordou na hora. Então sempre estávamos juntos conversando nos corredores e eu sempre o atiçava sussurrando em seu ouvido o quanto o queria, só para ver a reação tímida dele. Era simplesmente fantástico!

A escola toda nos olhava de esguelha, nem sei como não saiu nada no Profeta Diário. Os meus colegas de escola o fulminavam pelo olhar e eu igualmente era fuzilado pelos grifinórios, principalmente o Weasley que fazia piadinhas sem graça para mim e eu não caia do meu belo pedestal sempre dando respostas frias, irônicas ou sarcásticas. Aquilo estava virando algazarra geral... E eu estava adorando!

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"—Harry..." – Chamei seu nome na noite do dia anterior de colocar em prática o plano do Lorde das trevas.

Estávamos de mãos dadas deitados um do lado do outro no chão da Torre de Astronomia. Nossos narizes quase se encostavam e eu podia sentir o frescor cálido de sua respiração.

"—Oi." – Falou despreocupadamente.

"—Você confia em mim?" – Olhei para o céu cheio de estrelas, acho que esse negócio todo de separação me deixou assim. "—Digo," – Hesitei por alguns milésimos de segundos. "—se eu te dissesse para confiar em mim, embora fosse quase impossível, você acreditaria?"

"—Você ainda me faz uma pergunta dessas?" – Virei meu rosto e vi a incredulidade em seus olhos.

"—Bom," – Pisquei. "—eu só queria saber. Sei lá... bom, nesses quase seis anos não fui bem o que se pode chamar de confiável. O Dragão no primeiro ano, meu pai com o diário de Tom Riddle e eu no Clube dos Duelos no segundo ano... bom, não vou ficar enumerando. É muita coisa." – Fiz o meu olhar mais esnobe e fitei novamente a imensidão negra, cheia de pontinhos brilhantes. Comparei a um pudim de passas.

"—Draco, eu não acredito que você esteja me usando ou algo do tipo. Não depois de tudo que aconteceu, não é?" – Sua fala parecia casual. Agarrei-me a esse desejo da sua crença em mim. Eu não queria decepcioná-lo mais do que já iria fazer, eu nunca devia tê-lo agarrado no banheiro, bom, mas senão fosse lá seria em qualquer outro lugar.

Ele se virou, ficando parcialmente sobre mim, e me deu um selinho.

Eu correspondi prontamente. Já sentia saudade mesmo estando tão perto. Por Merlin, isso é mesmo possível?

Ele começou a intensificar o beijo, suas mãos começaram a ficar mais ousadas, colocou a perna sobre mim movendo-a, instigando-me. "—Draco," – Choramingou. "—Faz tempo que a gente não faz..." – Insinuou.

"—Ahnm, seu pequeno demônio." – Ofeguei sentindo sua perna apertar-se na minha semi-ereção.

"—Só pra você." – Disse lúbrico.

"—Acho que criei um monstro."

"—Concordo." – Falou sentando-se em minha barriga.

"—Harry." – Gemi segurando sua cintura, freando a vontade de possuí-lo.

Ele se movia por sobre o meu sexo de forma urgente. "—Eu quero. Só fizemos duas vezes... hunm." – Retirou os óculos deixando as lentes no chão e se inclinado para beijar a minha boca. "—E você." – Sua voz era um murmúrio desejoso. "—Sabe o que eu tenho querido ultimamente." – Me olhou sugestivo. "—Eu quero você. To-di-nho!"

Aquilo foi demais pra mim, o virei de repente encostando delicadamente suas costas no chão e ficando sobre seu corpo e entre suas pernas. "—Mas hoje não." – Como ele podia me excitar tanto?

Potter se esfregava em mim impudicamente. "—Tanto faz."

Dei um leve riso, mas com um pouco de sarcasmo, claro. Comecei beijando levemente sua testa, eu não estava com pressa, os olhos cerrados, o nariz, o pescoço. Desabotoei a camisa, vendo-o tremer de frio, lambi seus mamilos sem pressa. Minhas mãos queriam tocar cada pedacinho da sua pele, queria gravar cada recanto quente, registrar o seu cheiro, a maciez.

"—Draco..." – Gemeu. "—Por que ta demorando?" – Reclamou.

"—Harry," – O seu nome já escorregava da minha boca sem esforço. "—não podemos fazer nada aqui. Estamos na Torre de Astronomia, lembra?" – Fiz pilhéria.

"—Então não vamos fazer nada?" – Fez cara de decepção.

"—Harry, seu maníaco tarado!" – Disse saindo de cima dele.

"—Aprendi com o melhor." – Sorriu pra mim meio irônico.

Eu penas o fitei sorridente apesar da tortura no meu peito.

-x-

"—Quase não vamos nos ver hoje." – Disse-me Harry cedo da manhã. "—Hoje a reunião com Dumbledore vai demorar mais. Não sei até que horas."

"—É eu também tenho umas coisas pra fazer." – Falei grave. Maldição! Era 'hoje'.

O longo do dia passou sem muito alvoroço, quase não tivemos aula juntos. Na hora do almoço levamos nossas comidas para o corredor e comemos lá mesmo. Era uma tortura não poder limpar a comida que ficava no canto de sua boca com a língua, mas eu me segurei. Meu coração pesava a cada hora, tínhamos pouco tempo só para nós dois. Porém todos os minutos eram preciosos.

No começo da tarde fomos nos ver, eu sabia que seria nosso último encontro, como sempre, na Torre. Aquele lugar sempre seria nosso.

"—Draco, eu vou me encontrar agora com o diretor. Posso ir ao seu quarto à noite? Só que vai ser tarde. Provavelmente vamos sair do colégio."

"—Tudo bem." – Sorri. Eu sabia. Se ele fosse não me encontraria. Dei-lhe um beijo como se fosse o ultimo, mas de certa forma era.

"—Nossa." – Disse ele meio tonto. "—Você está apaixonado, hoje. Parece que é o ultimo beijo."

"—É eu sei que eu causo isso em você, Potter." – Expus pretensioso.

-x-

Eu estava deitado em minha cama, eu estava completamente nervoso, só esperava a hora certa para poder ir à Sala Precisa. Quanto deu o horário combinado, me vesti e fui direto ao local.

Quando cheguei olhei o Armário Sumidouro e repeti as palavras mágicas que repeti durante o longo do ano. O interior do armário brilhou um pouco e então surgiram quatro comensais na minha frente, como comandante, minha tia, Belatriz Lestrange. Ela me sorriu com um olhar malévolo que me dava arrepios e com seu nocivo ar que só seguidores verdadeiros de Lorde das Trevas possuíam.

"—Vamos lá, Draco!" – Disse com sua voz venenosa. "—Me sigam." – Olhou para trás falando com Greyback e mais dois comensais que não soube dizer quem eram, pois usavam máscaras.

"—Você sabe onde ele está?" – Ela me indagou.

"—Não faço idéia, mas acho que não está no escritório." – Não menti e nem falei a verdade.

"—Vamos olhar lá e você vá procurá-lo pelas Torres." – Ordenou.

Sentia um medo horrível junto com outros sentimentos inomináveis. Apenas acatei. Sai correndo para a Torre de Astronomia, talvez Harry estivesse lá, não sei. Só segui o meu desespero.

Ouvi vozes vindas de cima, agarrei minha varinha no punho e erguendo-a subi cautelosamente.

Deparei-me com o Velho. Eu tinha muito respeito por ele, mas eu tinha que fazer aquilo. O rosto de minha mãe desamparada, meu pai humilhado, a fúria de você-sabe-quem. Eu estava com medo, sozinho, nervoso, abatido e sem... Harry.

"—Boa noite, Draco. O que te traz aqui nesta bela manhã de primavera?" – Ele perguntou despreocupadamente assim que cheguei ao topo da escada.

Minhas mãos tremiam, aliás, todo o meu corpo tremia, eu não conseguiria matá-lo. Ele era Dumbledore, o bruxo mais respeitado no mundo bruxo. Não que eu tivesse aquela afeição que Harry possuía, mas era uma vida. E que eu TINHA que tirar da existência.

Só um globo de ferro no centro da pequena sala nos separava.

Mas espere! Ele estava falando com alguém. "—Quem está aqui? Ouvi o senhor falando e conjurando o feitiço de petrificar." – Eu estava nervoso, mas decidido.

"—Falo sozinho com freqüência. Acho extremamente útil. Você tem falado consigo mesmo, Draco? Draco... você não é um assassino." – Eu tenho falado muito comigo na realidade, mas de que adiantaria?

"—Como sabe o que sou? Fiz coisas que o chocariam." – Vociferei. Meus nervos estavam à flor da pele. Eu só queria me livrar daquela angústia, mas matando-o não iria adiantar muito, principalmente quando Potter soubesse. O Merlin! Eu só queria que alguém me ajudasse, mas era preciso.

"—Como enfeitiçar Cátia Bell e esperar que me desse um colar amaldiçoado? Como trocar uma garrafa de Hidromel por uma com veneno? Perdoe-me Draco, mas suas ações são tão inexpressivas que não creio que queria realmente me matar. E você não iria querer decepcionar certo alguém não é?" – Me olhou por cima daqueles óculos dele.

"—Ele confia em mim." – Disse. Eu estava nervoso, não sabia nem o que dizer. Mas realmente eu tinha que fazer. A confiança dele era muito cara, eu não queria pagar o preço. Mas o que eu poderia fazer? "—E como você sabe desse 'certo alguém'?" – Perguntei. Como ele poderia saber? Snape?

"—Eu vou facilitar as coisas pra você." – Ele disse levantando as mãos.

"—Expelliarmus." – Pronunciei o feitiço por reflexo. A varinha caiu girando no chão e parou.

"—Muito bom." – Me elogiou. Francamente, e eu achei que eu é que estava ficando louco. "—Você não está sozinho, não é?" – Indagou quando os passos se aproximavam. "—Como?" – Quis saber.

"—O armário sumidouro." – Contei. "—Na sala precisa. Eu o consertei." – Me esqueci de fazer novamente a pergunta sobre Harry, mas me sentia tão pressionado...

"—Deixe-me adivinhar. Há um par."

"—Na Borgin & Burkes, formam uma passagem." – Expus.

"—Engenhoso, Draco, anos atrás conheci um garoto que fez todas as escolhas erradas. Por favor, deixe-me ajudar." – Ajuda? Agora? Todos esses anos ele só ligou para o famoso Harry Potter, O Santo, O eleito e sua maldita escola. E agora queria me ajudar? Eu não posso mais e, além disso, eu também ligo para o Harry e isso vai de certa forma proteger ele, pelo menos é o que espero.

"—Não quero sua ajuda." – Gritei. Minhas mãos tremiam mais e mais. "—É tarde demais. O senhor não entende? Eu tenho que fazer isso. Eu tenho que matar o senhor. Senão ele vai me matar e Harry... Harry, ele não pode..."- Engasguei. O choro quase tomando conta de mim, a tortura, o terror e a própria morte.

"—Ora, vejamos só o que temos aqui. Muito bem Draco." – Era minha tia atrás de mim.

"—Boa noite, Belatriz. Apresentações seriam de bom tom." – O diretor se referiu aos outros comensais.

"—Eu adoraria, Alvo. Mas estamos com muita pressa." – Depois se virou para mim. "—Vamos lá!"

"—Não," – Falou um dos mascarados. "—ele é igual ao pai, não tem coragem." – E se eu não tiver? Eu NÃO sou um assassino frio, eu não quero ir embora, eu quero fica com o Harry...

"—Não! O Lorde das Trevas foi claro, tem que ser o garoto. Este é o seu momento," – Cochichou maléfica ao meu ouvido. "—MATE-O! Vamos lá, DRACO, AGORA!" – Gritava no pé do meu ouvido.

"—Não!" – Uma voz calma e fria cortou o ar. Era Snape. Ele realmente iria me proteger. Obrigado!

"—Severus, por favor." – Ouvi o diretor falar para ele.

"—Avada Kedavra." – Ele nem oscilou.

Então eu vi. Olhos verdes me encarando atrás dos óculos redondos, com certeza, seu corpo estava por baixo da capa de Invisibilidade. O rancor, a raiva, a dor eram refletidas em suas íris de esmeralda... Enquanto o corpo inerte do diretor caia morto da Torre. Ele então se desvencilhou da capa, com certeza estava petrificado pelo feitiço do diretor e como ele morrera... A magia se desfez.

"—Harry..." – Minha voz estava estrangulada. Mas Belatriz me puxou, pela gola da blusa preta. "—Não temos tempo... Vamos destruir tudo e vamos embora." – Destruir? Ela é louca? Sim! Ela é.

Os puxões eram mais fortes e pelos passos Snape estava em nosso encalço. Ouvi os gritos de Harry correndo desesperadamente atrás de nós.

"—Snape, Draco..." – O rancor era visível. Ele gritava com toda a sua garganta, parecia possesso.

Os outros três já haviam se adiantado bem muito, pois eles quebravam tudo e lutavam com alguns alunos que eu reconheci como sendo da Armada de Dumbledore. Gina Weasley, Granger, Longbotton, Lovegood, Thomas e outros conjuravam feitiços contra nós.

Eu estava atordoado, me sentindo um animal desprezível enquanto os urros do Potter nos seguiam.

"—Snape, ele acreditou em você." – Ouvi quando já estávamos do lado de fora do castelo. "—Draco, como? Como pôde fazer isso comigo! SEU MALDITO COVARDE." – Isso doeu, mas eu tentaria contornar isso. "—Sectumsempra." – Ele disse, nunca ouvi tal feitiço, mas meu tutor se protegeu facilmente. "—Revide seu covarde, revide." – Ele ainda gritava.

Nesse momento Belatriz, com um movimento de varinha, queimou a cabana do Hagrid. E começou a rir de forma fanática. Ela parecia um demônio. Zombava o mais auto que podia. Os guinchos eram doentios. E brandiu a varinha na direção dele.

Harry caiu no chão. E Severus foi categórico. "—Não! Ele pertence ao Lorde das Trevas." – Olhou-a com reprovação.

Em um momento os meus olhos e os deles se encontraram e eu li em seus lábios que vacilavam, ele queria chorar. "—Não me deixe." – Eu quase corri ao seu encontro, mas as mãos de Snape tocaram em meu peito, me privando.

"—Ele entenderá." – Disse complacente. "—Vão!" – Ordenou com o tom mais alto.

Isso de alguma forma me confortou. Eu queria falar alguma coisa, mas nada saiu.

Fui carregado até Hogsmead para aparatarmos, deixando Harry para trás. Meu coração doía ao me lembrar dele caído no chão, a tristeza, a súplica, o desespero, a dor, o abandono...

Continua.


N/A:

Nossa, esse capítulo não é aconselhável para os diabéticos -q

Bom, mais uma parte! Triste, não? Eu não me expressei direito, mas dá pro gasto. Né? Teve umas limezinhas para entretê-los, mas a estória só está no começo. Eu mesclei foi tudo de uma vez, O livro e filme do livro seis, quem leu reconhece! Não publiquei antes, pois tive umas fics do Death Note e do Supernatural pra fazer e não posso me descuidar dos meus treinos de shuffle com outro ficwriter daqui do ff. Sorry. Y.Y

A partir da próxima postagem terá umas pitadas mais fortes de angust e não sei quantos capítulos serão então eu posso chegar um dia pra vocês e dizer: "gente esse é o último capítulo" ou coisa assim. hahaha

A partir da outra fic o POV vai mudar para o do Harry e como o ponto de vista vai mudar espero que não estranhem a mudança brusca de personalidades. Y.Y. Vai ser assim: As três primeiras fics com o POV do Malfoy as outras três com o do Harry e da sétima em diante é essa autora que vos fala, ainda estou indecisa quanto aos dois últimos capítulos. Espero que tenham curtido, se envolvido e tal. Até breve!

REVIEWs (Pois se vocês forem bonzinhos eu posto daqui a dois dias =p) e Kissus.