Chapter III – Mellanie Sullivan

Louis resmungava em sua mente sobre o quanto não gostava de ser irmão de Mime Agate. Chegou ao final a uma lista de trinta coisas que ela fazia/tinha que o irritava. Mas sabia que talvez encontrasse mais umas cem se procurasse melhor.

Checou pela décima vez a droga de folha de horários. Onde era a merda de sala de Estudos Sociais, com o professor Agate?

Como o mundo o amava. Primeira aula no segundo ano do colegial e já teria de ver a cara de seu pai. Quem poderia ter uma sorte melhor do que essa?

Andava ainda rápido (mas em uma velocidade que facilmente um humano acompanharia), quando esbarrou em uma garota baixa de cabelos lisos e compridos como os de sua irmã, presos em uma trança bem feita. Com a trombada, ela foi jogada para trás, caindo com o traseiro no chão.

Mais alguma coisa, meu deus? Ele pensou.

"Precisa de ajuda?" perguntou, estendendo sua mão grande para que a ajudasse a se levantar. Malditos humanos frágeis. Ela não tinha um bom senso de moda (não que Louis também tivesse, mas ele sabia que não era legal usar um macacão jeans com uma blusinha rosa na escola), um jeito puritano de se vestir. "Você está bem?"

A garota o olhou. Ele era divino. Ela quis se chutar no momento seguinte. O que podia estar pensando? Estava na cara que ele devia ser um típico garoto que gostava de brincar com meninas frágeis. Não podia começar a gostar dele. Tarde demais. Ele era divino, repetiu mentalmente. Aceitou a ajuda, segurando na mão quente – tão quente que ele poderia estar com febre. Mas é claro que ele não estava, ela pensou.

"Desculpe por isso," ele disse, pegando as coisas dela que haviam se espalhado pelo chão. Alguns outros alunos passavam, mas não paravam para ajudar; preocupavam-se apenas em desviar dos obstáculos. Quando terminou, mais uma vez ergueu a mão à frente. "Sou Louis."

A menina de olhos azuis e cabelos cor de mogno, sorriu-lhe. Duas covinhas apareceram no meio de suas bochechas rosadas pelo rubor. "Mel," começou, segurando a mão de Louis. "Mel Sullivan."

Louis também sorriu em resposta, colocando os óculos escuros que escureciam sua visão na gola de sua camiseta de uma banda de rock da moda. O coração da garota bateu forte. Frenético. O garoto sentiu-se vitorioso por poder deslumbrar aquela desconhecida tão facilmente. "Mel é apelido de que?"

"Mellanie."

"Bom," disse simples assim. Voltou a ajoelhar-se no chão para pegar suas coisas, botando os olhos de novo no horário. "Mel, poderia dizer-me onde é a sala do Professor Agate?"

"É seu dia de sorte. Também é minha aula," ela respondeu, pondo-se a andar. Caminharem até a porta com um número dez grande desenhado. Louis rezou para que seu pai estivesse de bom humor, do contrário, receberia uma detenção. Detenção do pai. Constrangedor. Mellanie bateu na porta, e a voz conhecida tão bem pelo meio-vampiro permitiu suas entradas. "Desculpe, Sr. Agate. Eu derrubei minhas coisas e Louis me ajudou."

Marcus arqueou uma de suas sobrancelhas.

"Foi o que ela disse, pai," respondeu, procurando com os olhos um lugar para sentar-se. Havia duas carteiras no funda da sala, uma ao lado da outra, vazias.

"Primeiro, Srta. Sullivan, ficaria muito grato se apresentasse para a sala. O mesmo se deve ao Sr. Agate," Marcus disse. A mesura com que se referiu a Louis o incomodou. Urgh! Ser chamado pelo pai de 'senhor' não era legal. Mel olhou estranhamente para Louis, mas assentiu ao professor.

Não fora tão difícil assim falar sobre algumas coisas com tantas pessoas o olhando. Louis já estava acostumado com atenção. Por outro lado, Mellanie gaguejara e mal olhava para seus novos colegas de classe. O meio-vampiro guardou grande parte do que a menina dissera; ela vinha de Iowa, costumava morar em uma fazenda (por isso a roupa de 'eu-sou-virgem', pensou) e morava com a mãe, duas irmãs mais novas e o irmão um ano mais velho. Ah! E completava aniversário no dia das bruxas. Isso era legal, pelo menos ela tinha coragem de não omitir esse detalhe sórdido.

A aula de Marcus devia ter sido a melhor aula que qualquer outro aluno daquela sala jamais tivera. Porém, não foi para Louis. Seu pai lançava-lhe perguntas difíceis, gostava de mantê-lo participativo e de receber respostas lógicas e perfeitas. Louis havia sim respondido todas certas, era mais velho do que dois daqueles alunos juntos. Mas aquilo incomodara. Muito.

Quando o sinal bateu, encerrando a aula, o meio-vampiro esperou que a maioria saísse, fingindo procurar algo em seu caderno. Percebeu que seu pai se aproximava.

"Hey, pai," Louis o cumprimentou. Marcus sorriu. "Parabéns pela aula. Aposto que esses alunos nunca absorveram tanta informação na vida."

"Só espero que eles a retenham," o pai suspirou, notando que Mellanie ainda estava na sala. Não podia conversar normalmente. "Mime pegou o dinheiro do almoço com sua mãe. Fez o mesmo?"

Não, Louis lembrou. Chacoalhou a cabeça, jogando a mochila nas costas.

Marcus caminhou de volta a sua mesa, abriu uma carteira de couro de avestruz e sacou algumas notas de valor alto. Deu ao filho com um sorriso pequeno.

"Parece que terei almoço pelo resto do colegial," Louis riu. "Brigada, pai. Parabéns de novo, pela aula."

E com isso, saiu da sala. Um minuto depois, sentiu alguém ao seu lado.

"Porque não disse que era filho do professor?" Louis arqueou a sobrancelha, assim como o pai. Mellanie bufou. "Você parece ele."

O meio-vampiro olhou-a de esgoela. Nunca haviam dito isso.

"Precisava dizer que era?"

"É legal saber que os amigos são filhos do professor mais legal da escola," Mellanie disse, sorrindo.

"Eu não me lembro de dizer que era seu amigo," pontuou, mas não de um jeito ruim.

"Eu estou dizendo."


Teyas: Mas será que Mel pode virar uma vampira? Uhmm, será? Um passarinho verde me contou que nem tudo é o que parece. BTW, Caty e Joel em breve aparecerão *-*

Sneak Peek:

"Caty e Joel," disse Mellanie, gesticulando primeiro para a menina e depois para o garoto. "São meus irmãos."
Louis forçou um sorriso. Pelo menos pareciam menos puritanos que a irmã. Ele se acomodou ao lado de Mellanie, ficando de fronte para Caty. Joel não estava muito feliz com a adição na mesa.