Título: The boy next door.

Autora: Kuroyama Izumi

Beta:

Resumo: Naruto é um advogado bem sucedido que leva uma vida perfeita ao lado da esposa e dos filhos. Mas ele não contava com a chegada de um novo vizinho, o jovem Sasuke, 17 anos, capaz de virar sua vida de pernas para o ar! UA, SASUNARU, e outros casais.

Disclaimer: Se Naruto me pertencesse, a batalha do vale do fim teria terminado com um lemon do cacete.

Um encontro no café, um flagra, confusões à parte.

Naruto balançava a perna, agoniado.

Estava sentado no sofá da sala de Sasuke Uchiha que, diga-se de passagem, estava em ótimas condições para quem acabara de se mudar. Havia umas caixas no cantinho, ao lado da TV, que o loiro supôs ainda conterem pertences do moreno. Sai estava ao seu lado, folheando uma revista que estava ali por cima. O homem parecia bem tranqüilo, mesmo depois do escândalo que Sasuke e Naruto, principalmente Naruto, armara havia menos de vinte minutos.

- Por que esse dobe tem que vir?

- Por que a partir de agora ele vai ser seu novo advogado.

- O QUÊEEEEEEEEEEEEEEEE? – Gritou o loiro, chamando a atenção de seus filhos que apareceram timidamente na sala.

- Você só pode estar de brincadeira... - Resmungou o Uchiha.

Sai suspirou, encarou Nakuru e Minato e pediu para que eles fossem brincar em seus quartos porque ele, Sasuke e seu pai teriam conversa de gente grande. Aos protestos, Nakuru foi arrastada pelo irmão e Sai só se deu ao luxo de começar a falar quando teve certeza que cada um estava quietinho em seus quartos.

- Gaara me informou que você, Sasuke, contatou nosso escritório de advocacia em busca de serviços.

- Contatei, mas se soubesse que você trabalhava lá não teria me dado ao trabalho.

- Pois é, a questão é que eu já estou com dois casos bastante complicados nas mãos e o mais desocupado de nós todos é justamente você, Naruto-kun. – Anunciou, virando-se para o loiro.

Naruto encarava Sasuke incrédulo. Aquilo não podia ser mera coincidência, não podia mesmo.

- AHHH COMO ASSIM??? – Revoltou-se, esfregando freneticamente as mãos no cabelo. – É MUITA COINCIDÊNCIAAAA!!

- Sinceramente, como eu posso ter um usuratonkachi desses como advogado? Qual vai ser a estratégia dele? Gritar com o acusado e chamá-lo de feio e bobo?

- COMO É QUE É, PIRRALHO??

- Isso mesmo que você ouviu, dobe.

- Olha aqui... – Rosnou, puxando o Uchiha pela gola de sua camisa. Seus rostos estavam bem próximos e Naruto pôde reparar em quão atraentes eram aqueles olhos negros do outro, mesmo com toda aquela frieza.

- Ah, vocês dois... Mal são apresentados um ao outro e já estão nessa intimidade? O que direi à feiosa e às crianças a respeito disso? – Alfinetou Sai.

Naruto logo tratou de largar o adolescente, que não alterou seu semblante, apenas passava a mão pela roupa para desamassá-la.

- Vamos logo pro apartamento desse baka para resolver de uma vez o problema.

E ali estavam eles, aguardando Sasuke, que havia ido tomar banho.

Sobre a mesinha em frente ao sofá havia uma bandeja com suco de laranja e biscoitos que o Uchiha deixara para que os dois petiscassem enquanto aguardavam-no. Desde que chegaram, nem Sai, nem Naruto se deram ao luxo de trocar uma palavra sequer.

- Estou aqui, podemos começar. – A voz varonildo adolescente ecoou no aposento.

Naruto levantou o olhar e segurou um pouco o ar que sentiu que queria lhe escapar. Sasuke usava apenas uma calça preta, tinha a toalha cobrindo seus cabelos recém enxugados. O físico do adolescente era incrível e muito bem definido. O loiro bem lembrava que quando tinha aquela idade era magrelo, sendo até motivo de piada entre os amigos.

- Muito bem. – Disse Sai. – Naruto-kun, o que você sabe sobre o caso Uchiha?

- Pouca coisa, na verdade. Apenas o básico: assassinato, perseguição e tentativa de seqüestro.

- Bom, apresentarei os suspeitos. – Continuou a dizer o outro, puxando de sua maleta preta alguns papéis. – O primeiro: Itachi Uchiha, trinta anos, filho primogênito do casal Uchiha. Um homem bem sucedido que, segundo fontes, estava envolvido a organização mafiosa Akatsuki. Está desaparecido desde o dia do crime.

- Itachi não é o culpado. – Disse Sasuke. – Sei disso.

- É, mas os juízes não. Além disso, você não tem como provar, Sasuke. Não estava em casa no dia do crime, mas seu irmão sim.

- Eu sei.

- Continuando, segundo suspeito: Madara Uchiha, quarenta e oito anos, irmão mais novo de Fugaku, também envolvido com a organização Akatsuki. Suspeita-se que ele está envolvido com o planejamento do assassinato. Particularmente, tenho fortes suspeitas sobre ele.

- Hn.

- Terceiro suspeito: Orochimaru, sessenta e oito anos, embora não pareça. Amigo muito próximo da família. Suspeita-se que alguns negócios entre Fugaku e ele não ocorreram como o esperado e teriam resultado no crime. Só que, no caso de um dos dois últimos serem culpados, não saberíamos dizer o que levou ao desaparecimento de Itachi.

Naruto percebeu que durante esta última sentença de Sai, a expressão de Sasuke se alterou um pouco. "Será que ele sabe onde está Itachi?" Perguntou para si mesmo.

- Quarto suspeito, aí que precisaremos que dê tudo de si, Naruto... O nosso último suspeito é o próprio Sasuke.

- Como assim?

- Há quem acredite que todos esses acontecimentos: atentados, tentativas de seqüestros e ameaças a Sasuke não passam de enganação dele próprio para esconder toda a verdade, já que nenhum realmente atingiu-o.

- Mas é claro, adivinhe quem levantou essa hipótese... – Disse o Uchiha, com uma mescla de mágoa e ironia.

- Orochimaru apresentou a acusação. – Completou Sai. – Suspeitamos que ele pretenda ganhar tempo com isso. A respeito dos atentados, eu acredito que tais atos não tinham realmente o objetivo de matar Sasuke, não agora, pelo menos, e sim de alertá-lo sobre algo, como se fosse um aviso para que ele não se metesse onde não é chamado. Mas é apenas uma hipótese.

- Entendo... – Ponderou o Uzumaki, coçando o queixo.

- Vocês terão uma audiência em duas semanas, então tratem de se entender e não estraguem as coisas. Aconselho os dois a aprender a conviver com as manias um do outro. – Alertou, entregando a Naruto alguns papéis. – São os dados do processo, leia com atenção. Como você tem a vantagem de ser vizinho do Sasuke, qualquer dúvida ou pista que você queira esclarecer, pergunte a ele. – Concluiu, por fim, levantando-se.

- Pode deixar. – Disse o loiro, imitando o gesto do amigo.

- Ah, e tome conta desse garoto. Ele é um inconseqüente de primeira. – Completou, para logo sair e fechar a porta.

Um breve silêncio se formou no local. Sasuke continuava sentado, e Naruto, em pé.

- Vai continuar parado com essa cara de besta ou vai fazer alguma outra coisa, dobe?

Uma veia saltou da testa de Naruto. Aquele moleque lhe tirava a paciência. Além do mais, para quê usava frases tão... Sugestivas? O loiro sacudiu a cabeça. Não podia estar pensando naquelas coisas, era casado! E Sasuke não passava de um pirralho arrogante de dezessete anos. Agora precisava fazer o possível para se entender com ele... Por mais difícil que aquilo pudesse ser.

- ENTÃO, - Gritou, assustando o Uchiha. – Sasuke... hehe... Você tem alguma namorada?

O adolescente arqueou a sobrancelha.

- Se você quer marcar um encontro comigo, vai ter que primeiro avisar sua mulher sobre a sua nova opção sexual. – Comentou, analisando as próprias unhas.

- TEMEEE! Eu só tava tentando iniciar uma conversa!! – Disse, corado. – E eu não sou gay, ta legal? Amo minha esposa.

- Que bom pra você.

-...

O Uchiha puxou um celular do bolso de sua calça.

- Melhor me dar seu número, caso precise falar com você. Toma, digita aí.

- Ah, sim... – Disse, recebendo o aparelho do outro. Não havia foto de fundo, apenas a logomarca da operadora. – Melhor você me dar o seu também, né? – Concluiu, entregando ao Uchiha o seu próprio celular.

Sasuke reparou na foto de fundo: tratava-se de Naruto beijando uma mulher de cabelos rosados, a mesma que Sasuke vira com ele pela manhã. Aquela então era a esposa do loiro? Testuda demais pro gosto do Uchiha. Ele fez o mesmo que o loiro: digitou seu número ali e salvou como nome de contato "Sasuke" apenas. Logo depois, tratou de devolver o aparelho ao dono.

Após um curto momento de silêncio, o moreno resolveu falar:

- Se eu fosse você voltava pra casa, lembre-se de que deixou seus filhos sozinhos.

- Eu avisei que estaria aqui. – Rebateu Naruto, na defensiva. – Mas vou voltar mesmo, não temos mais assunto a tratar por hoje.

Sasuke se levantou e caminhou até a porta principal, abrindo-a.

- Boa noite, dobe.

Naruto resmungou um audível "Teme" e saiu. Sasuke sorria de maneira divertida. Aquele advogado era alguém interessante, realmente interessante.

- Pena que é casado. – sussurrou para si mesmo, ainda com aquele sorriso no rosto.

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Quando Naruto acordou, pela manhã, Sakura ainda dormia placidamente a seu lado. O loiro perguntava-se a que horas a mulher teria chego, porque ele próprio caiu no sono após colocar as crianças para dormir, no que não devia passar das dez da noite.

Levantou-se e foi até a cozinha. Preparou café e pegou os papéis do caso Uchiha que havia deixado no balcão na noite anterior. Leu atentamente cada parágrafo, às vezes sentindo a necessidade de reler certos trechos. Era realmente um caso muito complicado, pois estava diretamente ligado à máfia. Conhecia muito bem as histórias da organização Akatsuki. Os três suspeitos ali, com a exceção de Sasuke, eram ou já haviam pertencido à organização. O loiro poderia cogitar a idéia de os três terem alguma ligação e com isso, também estarem ligados ao assassinato. Nesse caso, Sasuke estaria em sério perigo, pois seria uma espécie de vítima ali no meio.

- Bom dia. – Disse Sakura sonolenta.

- Bom dia, Sakura-chan!

- O que está fazendo?

- Lendo uns papeis de um caso que peguei.

A mulher puxou a primeira folha, que repousava no balcão.

- Caso Uchiha? O famoso caso Uchiha?

- Sim.

- Naruto, você é louco? Eles têm ligações com a máfia! O último advogado deles foi assassinado!

- Eu sei, eu sei...

- Então?

- Não se preocupe, amor, eu ficarei bem. – Sorriu.

- Ah, você não tem jeito. - Suspirou resignada. – Quando se mete em algo não tem quem o faça desistir, não é?

O loiro apenas sorriu. A esposa se aproximou e deu-lhe um selinho.

- Vou acordar as crianças. – Anunciou.

"Acho melhor não contar agora para ela quem é nosso novo vizinho..." Ponderou. Consultou o relógio de pulso. Seis e quarenta. Precisava falar com Sasuke a respeito de alguns parágrafos e de suspeitas que possuía acerca de alguns fatos. Pegou seu celular e foi à agenda, logo encontrando o nome "Sasuke", abaixo de "Sarutobi". "Hm, melhor mandar um SMS, não sei se ele está acordado a essa hora...".

O loiro escreveu algo como: Me liga quando acordar; precisamos conversar. E enviou. Exatos vinte segundos depois seu celular tocou e o visor acusava o nome de Sasuke. "Oh, então ele já estava acordado..." Concluiu surpreso.

- Dobe. – Saudou o moreno.

- Teme.

- O que você quer?

- Li os documentos e tenho algumas hipóteses. – Disse Naruto.

Um curto silêncio se fez presente do outro lado da linha.

- Quer apresentá-las a mim?

- Obviamente... – Disse o loiro impaciente.

- Bom... Quando?

- Quando você ta livre?

- À tarde, cinco horas, está bom?

- Sim. Onde?

- Tem um café lá no centro que eu sempre freqüento, dá pouca gente lá e poderemos conversar em paz.

- Qual o nome?

- Café Hebi. Fica logo na rua principal, à esquerda.

- Hm, acho que sei onde fica. Tá bom então, te vejo lá.

- Falou. – Disse o moreno, desligando.

Naruto suspirou e se levantou. Precisava se preparar para o trabalho. Estava encarregado de deixar as crianças no colégio, pois Sakura só sairia pelas dez da manhã por conta do extra do dia anterior.

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Quando Naruto chegou ao escritório, estranhou as risadinhas.

- O que aconteceu? – Perguntou a Shino, que estava, como sempre, quieto em seu canto.

Shino apenas apontou para a porta da sala de Gaara, no lado oposto do cômodo. Ali havia uma gravata pendurada. O queixo de Naruto caiu. O loiro olhou para Kiba, que possuía um sorriso pervertido no rosto, em seguida para Sai, que portava o mesmo sorriso. Ambos estavam parados próximos à porta, como se esperassem ver ou ouvir algo. Logo olhou para Shikamaru, que estava jogado em sua cadeira, olhando fixamente para a tela de seu computador.

- O que vocês estão fazendo? – Perguntou corado, se aproximando dos dois.

- Parece que o chefinho finalmente saiu da seca. Agora a questão é: é homem ou mulher? – Zombou Kiba.

- Isso é problemático... – Grunhiu Shikamaru.

- Me pergunto o que não é problemático pra ele... – Ponderou o castanho. – Ei, ei, Naruto, quem você acha que é? Quando eu cheguei pensei que fosse o Sai, mas quando ele chegou tive que descartar essa hipótese...

- Eu, particularmente, acho que seja o Lee. - Opinou Sai. – Inicialmente pensei que fosse o Shino, mas então ele chegou...

Todos encararam o moreno, atordoados.

De repente, a maçaneta girou e todos se alarmaram. Kiba, em dois saltos, foi parar ao lado de Shikamaru, Sai discretamente arredou-se para o lado, para ficar em frente ao quadro de avisos e assim fingir que o estava lendo. O único a permanecer ali, próximo a porta, foi Naruto, completamente abobalhado.

Gaara não estava com a melhor cara. Na verdade, parecia um pouco desorientado e ainda tinha a cara inchada por conta do sono. O que causou uma troca de sorrisos pervertidos entre seus subordinados foi o fato de ele estar usando apenas uma samba canção listrada com uma camisa branca.

- O que foi? – Perguntou, lançando um olhar assassino para todos, que disfarçaram: Shino continuava na mesma, Shikamaru tornou a se concentrar no seu computador, Sai fingia ler os avisos do quadro e Kiba foi até o bebedouro se servir de água. E Naruto mantinha-se parado onde estava.

- Gaara-sama, – Disse uma voz vinda de dentro da sala. – Não acho minha gravata!

Nesse mesmo instante, Gaara cobriu o rosto com as mãos, Kiba se engasgou com a água, Sai sorriu, vitorioso, Shino continuou na mesma e Shikamaru arqueou a sobrancelha. E, bem, Naruto continuava parado onde estava, mas com uma cara de besta maior ainda.

- Ah, ta aqui... – Festejou Lee, ao encontrar o que procurava pendurado à porta. O moreno estranhou o silêncio no cômodo e demorou um pouco para perceber a real situação. Quando o fez, deu um sorriso amarelo.

Gaara o olhou de soslaio.

- Ah... Nossa! Já está tarde! Eu tenho que imprimir uns processos e passar no tribunal, hehe... Vejo vocês mais tarde! – E fez um gesto quase imperceptível para que Gaara o encontrasse lá fora. Sem dar satisfações a ninguém, o ruivo voltou a sua sala e, cerca de dez minutos depois saiu de lá, impecável como sempre.

- Cuidem das coisas aqui até eu voltar. – Disse, simplesmente, saindo pela porta principal.

- EU SABIA! – Gritou Kiba. – Eu sabia que eles tinham um caso.

- Me pergunto quem aqui não sabia... – Comentou Shikamaru. No mesmo instante, todos viraram para Naruto, que ainda estava parado no mesmo lugar. Ele percebeu o fato e procurou defender-se:

- Não estava tão na cara assim...

- É, Shikamaru, ele não sabia... – Disse Shino.

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Sasuke estava sentado, usando o uniforme de sua escola: um terno preto com gravata listrada vermelha e branca. Seu relógio de pulso marcava cinco e vinte. Sobre a mesa havia uma xícara de café parcialmente cheia. Mantinha os braços cruzados e os olhos fechados. Só os abriu quando ouviu a porta do estabelecimento abrir com violência: aquele gesto, pudera, chamou a atenção de todos ali. "Usuratonkachi..." Suspirou.

- Desculpa o atraso, perdi a hora!

- Já era de se esperar de um dobe como você.

- COMO É???

Todos ali tornaram a olhar para o loiro. Envergonhado, ele logo sentou à frente de Sasuke e se encolheu.

A garçonete se aproximou e perguntou o que o loiro iria querer para tomar.

- Um capuccino, por favor. – A moça assentiu e se retirou.

- Então, o que você queria me dizer?

- Ah, sim... – Disse, puxando os papéis do caso para cima da mesa. – Bom, considerando o fato de os três, Orochimaru, Madara e seu irmão, terem ligação com a Akatsuki, podemos supor que não só um, mas os três têm alguma participação no crime. Se o seu irmão está desaparecido, mas os demais não, também posso acreditar que em algum momento algo não saiu como o planejado e então Itachi achou mais interessante fugir, pois sabia que a culpa cairia somente sobre ele se continuasse ali. Também podemos considerar a hipótese de chantagem sobre o seu irmão, caso acredite que ele seja mesmo inocente.

Sasuke apoiava o queixo nas mãos, parecia pensativo.

- É uma boa hipótese. Mas não temos como provar tudo isso.

- Não por enquanto, mas me dê um pouco de tempo, estou pesquisando. Conheço pessoas que já fizeram parte da Akatsuki.

O Uchiha pareceu surpreso por um momento, e então sorriu satisfeito.

- Ora, vejo que você não é tão dobe quando achei que fosse.

- Não me subestime, teme. – Sorriu de volta.

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