Na entrada do santuário...
Depois de cinco dias caminhando, finalmente chegaram ao Santuário. Nunca se sentiram tão bem em voltar ao seu lugar de treinamento e a sua casa, como dessa vez. Queriam aproveitar a calmaria do momento. Estava tudo perfeito.
Jabu se coloca na frente de todos, querendo barrar a passagem. Bom, quase tudo perfeito.
- Aqueles que se curvaram a Hades não devem entrar no Santuário. Nem que eu morra, não deixarei que passem.
- Nós também não permitiremos. – nesse momento chegam os amigos de Jabu.
- Então perdem a vida a toa.
Com essas palavras, Kamus os deixa sem consciência com seu ar gelado. E foi em direção a escadaria, sendo acompanhado pelo outros.
- Esses Cavaleiros de Bronze são mesmo uns inúteis. – Shura demonstrou desprezo com essas palavras. Contudo, Aiolia defende Seiya e os outros.
- Só que se salvam são os que atravessaram as doze casas.
- É claro que sem ajuda de Athena, não teriam nem passado por Aldebaran. – Shura rebate, pois era muito orgulhoso.
- Ei, ei! E eu não conto não por acaso?
- Ahhh, Mu, você já sabia de tudo, por isso não conta.
- Olha quem fala o homem mais perto de deus...
- Não vão começar agir como crianças agora, não é? Sempre me davam muito trabalho quando discutiam. – Saga falou rindo da cara que Shaka tinha feito.
- Até parece que eu deixaria de meditar para ficar discutindo com Mú.
- Deixem isso pra lá... Não tão vendo nada não? – Afrodite pergunta apontando em direção do lugar onde ficavam as doze casas.
- Se você está falando de como está o Santuário, já aviso logo que não vou ajudar a reconstruir, porque toda vez vocês destroem tudo, e sempre acaba sobrando para gente reconstruir.
- Só podia ser o Milo, sempre preguiçoso.
- Dá para acabar logo com essa conversa sem propósito? – Aiolos não parecia querer escutar mais nada, interrompendo Camus.
Passam por todas as doze casas até chegar ao templo de Athena. Ela já estava esperando por eles com Marin e Shina ao seu lado. Saga se aproximou de Athena ajoelhando-se:
- Minha deusa, fomos ressuscitados para uma missão, a qual devemos obedecer a nova governante do Mundo Inferior.
- O que? Não me diga que vieram levar a cabeça de Athena? – Shina se preparava para lutar contra os Cavaleiros, mesmo sabendo que não teria nenhuma chance de ganhar.
No entanto Saga continua, sem se importar com o gesto nobre da Amazona de Cobra.
- Não... Devemos ficar no Santuário como mestre de novos aspirantes a Cavaleiros de Ouro.
- E não devemos intervir com o que possa acontecer no futuro... – Aiolos conclui.
- O que quer dizer? Haverá outras batalhas? – Marin pergunta com um grande temor em sua mente.
- Não podemos dizer mais nada, mesmo que soubéssemos. – Aiolia diz olhando para Amazona de Águia. E Athena diz:
- Se essas são sua ordem, façam o que acharem melhor. Estão dispensados.
Shina e Marin permanecem no mesmo canto. Athena percebe que Marin não tirava os olhos de Aiolia, e vice-versa.
- Vocês também podem ir, Shina e Marin. Sei que tem muitas coisas a organizar.
As duas partem com os Cavaleiros, rumo a suas devidas cabanas. Aiolia lança um ultimo olhar para a Amazona de Águia, e vai para sua cabana a qual usava antes de se tornar um Cavaleiro, seguido por seu irmão. Ao entrarem Aiolia se joga na cama, e Aiolos senta-se em uma cadeira.
- É ela que te perturba?
- Do que está falando?
- Não se faça de desentendido. Falo da Amazona que você estava comendo com os olhos... Se fosse comigo, já teria ido falar com ela.
- Que diabos, Aiolos. Vai logo pra sua cabana e me deixe em paz.
Aiolos viu que pisou na ferida do outro e resolveu partir sem fazer nenhum comentário, deixando seu irmão absorto em seus pensamentos.
- É por isso que ele anda tão estranho ultimamente... Nada que o tempo não resolva. –analisou os acontecimentos recentes de sua vida, chegando a uma conclusão – No meu caso é uma exceção...
Quando estava chegando a sua cabana, viu duas pessoas a sua espera.
- Shura, Saga, a que devo a honra de recebê-los em minha humilde morada?
- Sempre brincalhão não é, Aiolos?
- Nem sempre. Mas é que fiquei feliz em ver meu melhor amigo, Shura.
- Me considera seu amigo depois do que fiz a você?
- Sei que você foi manipulado por Saga... Não poderia te culpar.
Os dois se abraçaram como nos velhos tempos. Saga que escutava tudo sentiu que nunca seria perdoado por ele, mesmo que implorasse. Já estava saindo quando aconteceu o que menos esperava:
- Não quer falar comigo, Saga? Então por que veio?
- Poupe-me de seu sarcasmo, Aiolos.
O Cavaleiro de Sagitário viu no semblante do Cavaleiro de Gêmeos, tristeza e magoa.
- Saga, Saga... Parece que você não mudou em nada.
Saga ficou irritado com a forma que Aiolos falou. Como ele podia ser tão indiferente ao que aconteceu há pouco? Perdoou Shura, mas colocava toda a culpa em seus ombros:
- Outrora fomos grandes amigos, Aiolos... E em memória há esse tempo, não subestime minha inteligência.
Para Aiolos estava ficando difícil continuar com essa conversa:
- Onde está ela agora? Sabe, não estou vendo. – falou em tom mais sério que conseguiu ao mesmo tempo em que colocava a mão em sua testa, como se isso ajudasse a enxergar a uma longa distância.
Depois dessa Shura não se agüentou mais, e soltou uma estrondosa gargalhada. E essa tinha sido a gota d'água para Saga, que não ia deixar barato essa afronta. Partiu pra cima de Aiolos com toda raiva do mundo. Este só ria, enquanto se defendia.
- Ihhh, Saga ta batendo que nem uma moça.
- O QUE? Agora eu te mato desgraçado. Vou te ensinar a não caçoar de mim. E depois será a sua vez, Shura.
Agora mesmo que Saga queria arrancar a cabeça daquele atrevido que caçoava dele.
- Se essa é a sua forma de pedir desculpas, acho que vai ter que esperar a resposta quando você voltar ao Mundo Inferior.
Shura não se agüentava de tanto rir. Saga parou de tentar bater em Aiolos que também ria sem parar, olhando-o sem entender.
- O que quer dizer com isso?
- Até parece que não conhece o jeito maroto de Aiolos, Saga.
Shura falou tentando se controlar para não continuar rindo da situação, pois já saia até lagrimas dos olhos de tanto rir. Quanto a Saga já não entendia mais nada, e seus olhos demonstravam que estava sem entender nadinha mesmo do que aquele maluco estava dizendo.
- Não há o que perdoar Saga. Seu corpo e alma foram apoderados por Ares... - e então em um tom tão sério que chamou a atenção dos seus amigos concluiu - E apenas a ele que eu não perdôo.
Saga ficou tão feliz que não conteve sua alegria, e deu um beijo no rosto de seu amigo.
- Sai pra lá, Saga... Só porque te perdoei não quer dizer que quero me casar com você.
Disse em tom divertido, arrancando uma deliciosa risada de todos.
- Ah, é? Agora vou te ensinar a não brincar com coisas sérias como esta.
Saga volta a bater em Aiolos, mas era apenas de brincadeira mesmo. E os três ficaram muito contentes por ter resolvido suas diferenças, voltando à velha amizade que tinham há muitos anos atrás.
- Ei, moças!... Vamos comemorar em algum boteco?
- Somos Cavaleiros, Shura. Por isso não podemos sair do Santuário a não ser para ir a uma missão.
- Sempre tão certinho seguindo as regras, não é Aiolos? - Shura retrucou enquanto Saga estendia sua mão ao seu amigo para ficarem de pé, e Shura continuou - Até parece que a maioria dos Cavaleiros não dá um jeito de burlar as leis... Venham, eu sei de um lugar tranqüilo.
- Sei não, Shura... Acho que vou deixar para acompanhar vocês em outra ocasião. Vou dormir agora... Vocês vão se divertir, e me contam como foi amanhã.
Para Shura e Saga, mesmo sem saber o motivo, sentiram que Aiolos estava um pouco triste, querendo ficar sozinho. Ele não estava parecendo à mesma pessoa contagiante.
- Vai nada, Aiolos... Queira sim, queira não, você vem conosco.
Shura o colocou em seu ombro sob protesto do amigo, e rumou com ele assim por um tempo, até umas ruínas.
- Está bem, vocês me convenceram... Mas dá para me deixar acompanhar com minhas próprias pernas?
Foi feita sua vontade. Seguiram animados até um caminho que Shura conhecia. E só voltaram ao amanhecer do dia.
Quando foram treinar, estavam tão desligados por causa da noite sem dormir que ao receber um simples soco, desabavam no chão, e seus companheiros riam da cena, que no mínimo era cômica.
No Mundo Inferior
Em uma sala reservada, perto da sala do trono, a Amazona coloca seu medalhão em volta de sua armadura, que estava encima de um altar. Ao lado estava a espada de Hades e o livro que ela pegou no domínio de Cronos. O Sacerdote entra na sala trazendo uma mascara diferente da que estava junto à armadura.
- Minha senhora, está tudo pronto... Espero que dê tudo certo.
Ele fica por traz dela, e entrega a mascara. Ela a coloca em seu rosto enquanto sente seu cabelo ser tocado pelo Sacerdote, escutando um pequeno murmúrio. Sua mente começou a ficar turva, e desmaia sendo amparada por ele.
- Boa sorte em sua jornada, Alteza... E se alguma coisa acontecer, eu... eu seria capaz de largar tudo o que mais me importo para continuar ao seu lado.
No Santuário
Já era noite quando Aiolia tinha saído de sua cabana. Estava tão longe em seus pensamentos, e do mesmo jeito se encontrava a pessoa com quem acabara de derrubar. Era apenas o Cavaleiro de Sagitário, andando na noite em busca de clarear sua mente. Ambos se levantam do chão encabulados.
- Aiolos, o que diabo está fazendo uma hora dessas aqui fora?
- O mesmo pergunto a você.
- Eu estava... estava... Ei! Não mude de assunto.
- E quem disse que mudei de assunto?
- Ahhh... Estou vendo que essa conversa não vai levar a lugar nenhum.
Aiolia voltou a fazer o seu percurso para as cabanas do outro lado, ignorando completamente o chamado de seu irmão. Queria apressar o passo e acabar logo com sua angustia, que já sentia há anos. Quando chegou a seu destino, ficou temeroso se devia mesmo fazer o que levou horas para decidir. Já que começou, teria que terminar. Bateu suavemente a porta, e apenas o silencio foi a resposta. Bateu um pouco mais forte, esperando que a cabana estivesse vazia, e que ele tivesse que levar outras varias horas para tomar a iniciativa novamente.
- Quem é, e o que quer?
Agora que tinha escutado a voz de sua amada, não podia mais voltar atrás.
Nervoso sem conseguir responder, bate com mais insistência. A Amazona que tinha acabado de sair do banho, termina de se vestir, coloca a mascara no rosto e vai averiguar o que ocorria:
- Mas quem é o louco que... – quando abre à porta, sua voz morre na sua garganta. A sua frente estava Aiolia, o amor de sua vida. Ambos tinham conhecimento desse sentimento que era mútuo, porém, para não infringir as leis do Santuário, deixavam de lado. Sempre que se encontravam, se comportavam como Cavaleiro e Amazona, em suma, formalmente.
Começou a chover fortemente, e tudo que passou na mente do Cavaleiro de Leão foi algo desesperador para ele. Mais uma vez eles se encontraram, e ela continuava com sua máscara. Lembrou-se de quando morreu, e nem ao menos sabia da cor dos olhos de sua amada. E ao pensar que tudo poderia acontecer novamente, ficou apreensivo.
Ela percebeu que ele estava encharcado pela chuva, mas não conseguia dizer nenhuma palavra. Nem mesmo quando sentiu sua aproximação. Eles puderam sentir a respiração pesada um do outro.
O que passava em suas cabeças? Que algo a partir dessa noite mudaria o rumo de suas vidas. Querendo sair de seus devaneios, ela se afasta um pouco indicando com um gesto que entre. Entretanto ele permanece em seu lugar. Marin resolveu pegar uma toalha para ele se secar, sendo apenas observada. Quando a entregou, foi puxada por mãos fortes que exigiam uma aproximação. A sensação de estar tão próximo a ele fez seu coração bater em ritmo descompassado. E aumentou mais ainda quando ele retirou gentilmente a sua mascara. Fitou seus olhos azuis intensamente, procurando decorar essa visão. Nenhuma palavra foi dita, as ações falavam por si só. Colocou sua mão na nuca de sua amada, e a convidou para um leve roçar de lábios. Marin achou tão maravilhoso que tinha receio de se aprofundar naqueles fartos lábios, e estragar um momento tão especial. Inconscientemente entreabriu um pouco seus lábios. Ele não resistiu, e intensificou o beijo. O que no inicio foi um suave beijo se tornou algo mais urgente. A porta se fecha em suas costas e suas roupas são jogadas ao chão, fazendo uma trilha até a cama.
O mundo, as leis, nada disso importava naquele momento. Nem a forte chuva poderia detê-los. E tudo o que importava era poder estar com sua amada em seus fortes braços. A noite seria pouco para mostrar todo o seu amor, carinho e desejo ardente, que há muito tempo estava guardado em seus íntimos.
No dia seguinte.
Aiolos acordou muito cansado. Estava dormindo sentado na cadeira. Na noite anterior tinha voltado para sua cabana quando começou a chover. Tentou dormir, mas era impossível com tantas coisas perturbando sua cabeça. Ficou sentado na cadeira pensando no que poderia fazer para reencontrar o anjo que o salvou, até adormecer na mesma. Inesperadamente lembrou-se de como estava seu irmão, e foi até sua cabana. Não o encontrou, então resolveu que seria melhor treinar, e se não o encontrasse lá, procuraria em todos os cantos possíveis. Não deixaria nada afastar seu irmão novamente.
Na arena a maioria dos Cavaleiros já estava presente. Quando Aiolos chegou, estranhou que eles estivessem reunidos, e não treinando. Aproximou-se de seu irmão que disse:
- Só estava faltando você chegar, dorminhoco.
- O que houve? Algum problema?
- Claro que não. É que estou de partida pra Sibéria, treinar este garoto. Seu nome é Céfiso, ele é o aspirante à armadura de Aquário.
- Mal nos reencontramos, e já vai partir Kamus?
- Sabe muito bem que deve ser assim, Aiolos... Até a logo, companheiros.
Depois que o Cavaleiro de Aquário foi embora, os Cavaleiros que ficaram iniciaram o treinamento, que durou o dia todo. Quando anoiteceu, os Cavaleiros rumaram para suas cabanas. Era exatamente o que Aiolos estava esperando.
- Espera um pouco, Aiolia... O que houve ontem para você sair daquele jeito?
- Tinha que resolver um assunto pendente.
- E conseguiu resolver naquela hora?
- Sim, agora está tudo certo... E o que tirou seu sossego ontem?
- A Amazona do Mundo Inferior...
Aiolia fez uma cara feia pensando em como poderia fazer seu irmão esquecer essa mulher. Seria muito difícil, pois não queria magoá-lo e ele não demonstrava esforço algum para esquecê-la.
- Aiolos, sabe muito bem que ela usa mascara, mais não é uma amazona. - seu irmão estava tão abatido, que parecia ter envelhecido alguns anos. Isso cortou o coração do Cavaleiro de Leão que desejava poder fazer alguma coisa em relação a isso, porém devia ser moderado em suas palavras. - Se eu fosse você, meu irmão, me esqueceria dela... O Anjo da Morte serve a Hades, e como tal deve viver no Mundo Inferior. Não tem como reencontrá-la.
Aiolos deixou seus ombros caírem como se estivesse sido derrotado por uma força maior. Era exatamente assim que se sentia.
- Eu sei... É que não consigo tirar da cabeça tudo o que ela me disse... – sua voz saiu muito triste, como se não existisse consolo no mundo que o fizesse se sentir melhor. Olhou pro seu irmão, e viu que ele estava inquieto, mas sem ação. – Não se preocupe comigo, Aiolia... Eu tentarei seguir o seu conselho.
Aiolia achou que seria melhor não tocar mais no assunto.
- Vamos, Aiolos... Tudo o que você precisa agora é descansar, que amanhã se sentirá melhor.
Os dias se seguiram, e Aiolos ficava cada vez mais triste e abatido. Dava dó de olhar pra ele. Os seus companheiros tentavam animá-lo e nada adiantava. Eles não entendiam o que estava acontecendo com seu amigo que sempre foi muito alegre, e contagiava a todos. Agora não era a sobra do que foi um dia.
Continua...
Nota da autora: Resolvi deixar os cavaleiros de ouro um pouco brincalhões pra tirar aquele ar sério que sempre passam no anime. Acho que, se eles vivessem assim depois de terem revivido não teria muita lógica. Não acham?
Ei, gente. Não se acanhem, e façam algum comentário sem se preocupar. Podem deixar que eu sobrevivo a tudo. Afinal de contas pra que serve as minhas sete vidas de gato? Hahahahahaha
:)
Valeu, pessoal, e até o próximo capitulo.
KaylaArmilas
