Acho que as pessoas me vêem como uma dominante pelo fato de administrar o hospital. Eu sou mandona sim e adoro dar ordens, gosto da obediência que o meu trabalho me proporciona. É sempre bom está no controle. House sempre falava: você sente prazer em dar ordens, em comandar. Você se sente feliz assim. E ele estava certo. Mas pensando por outro lado acho que tudo o que eu estava precisando era do contrario. Talvez minha postura como dominante fosse só no lado profissional, talvez eu quisesse parar de mandar e passar a obedecer, e até ser castigada caso merecesse. Acho que no fundo House sabia disso. Sabia exatamente do que eu precisava. Sabia que na cama, ao contrário do trabalho, eu era completamente submissa.
Na manhã seguinte cheguei ao hospital sem nenhum atraso por masturbações matinais. Mas não pensem que sou uma viciada em masturbação, claro que não. É que as novidades entre House e Stacy me tiraram do prumo e roubaram um pouco da minha sanidade.
Ao entrar no hospital fiz meu ritual de sempre; passando pela recepção principal fui direto para minha sala. Acomodei-me em minha mesa e sem perder tempo fui direto ao que interessava naquele momento: meu trabalho. Eu precisava ocupar minha mente com algo que não fosse os meus desejos libidinosos por House.
Entre telefonemas, analises de contratos e algumas assinaturas a manhã passou rapidamente. Olhei no celular e vi que já passava do meio-dia. Eu estava me preparando para deixar a sala e ir até o restaurante que tinha próximo ao hospital quando House apareceu na mesma.
"Está de saída?" ele me perguntou ainda da porta.
"Estou saindo para ir almoçar." respondi tentando parecer o mais profissional possível.
"Ok. Na volta falo com você então."
Antes que ele fechasse a porta eu o chamei.
"House! Podemos conversar agora." eu havia esquecido que no dia anterior ele tinha dito que precisava falar comigo. Lógico que eu não iria aguentar esperar pra ouvir o que ele tinha para me dizer, nem apetite eu teria de tanta curiosidade que havia em mim naquele momento. Ele entrou na sala, fechou a porta e se pôs sentado em uma das cadeiras em frente a minha mesa.
"Quero que demita a Stacy." ele simplesmente disse.
"O quê?!" eu não acreditava no que tinha acabado de ouvir.
"Isso mesmo que você ouviu."
"House, eu não vou demitir a Stacy. Por que você quer que eu faça esse absurdo?"
"Stacy e eu não estamos nos entendendo mais."
"Depois de dois meses que Stacy está conosco você vem me dizer isso? Depois de dois meses vocês não estão se entendendo mais? Por que isso agora?"
"Não importa quantos dias ela esta trabalhando aqui. A questão é que você tem que contratar outro advogado."
Eu ri ao ouvir o absurdo que House estava querendo que eu fizesse. Aquele idiota achava que eu não sei os reais motivos de ele querer afastar Stacy do hospital.
"Quando você tiver um motivo justo para querer que eu demita-a voltamos a falar sobre esse assunto." ao dizer isso, levantei e andei ao redor da mesa para me direcionar a saída.
"Eu já te dei um motivo mais que justo." ele disse levantando-se.
"Não, House! Você não deu." disse-lhe ao virar para ele.
"O que você quer que eu diga? Que ela não é uma boa profissional ou que ela só estar aqui porque você quer me provocar?"
Aproximei-me bem dele e falei o que estava engasgado há dois dias.
"Eu quero que você diga que não quer trabalhar com Stacy porque ela não aceitou sua proposta de sexo."
"Do que você está falando?"
"Você sabe muito bem. Ela me contou tudo." quando vi o sorriso nos lábios dele a minha raiva foi tão grande que eu quase dei uma tapa em sua cara.
"Não Cuddy. Eu não fiz proposta alguma para Stacy."
"Claro que fez! Ela não iria inventar algo tão absurdo como esse."
"Não disse que ela inventou. Tudo que ela disse foi verdade, mas a proposta foi direcionada a você."
"O quê?!" nesse momento a surpresa tomou conta de mim. "Não seja ridículo." resolvi me afastar devido à confusão que havia se instalado em minha cabeça. Eu não pudia acreditar naquilo.
"Agora que estou disposto a dizer a verdade você vai fugir?" ele se aproximou de mim. "Olhe pra mim." seu tom de voz grave me fez obedecer imediatamente. "Quando fiz a proposta para Stacy eu sabia que ela iria correndo contar pra você, não sou nenhum idiota. Queria ver sua reação, precisava saber se você queria o mesmo que eu." ele fez uma pausa e depois continuou. "Notei que você estava diferente e então tive a certeza que havia acertado em cheio. Essa raiva que acabei de presenciar é a confirmação de que você me quer tanto quanto eu te quero."
Minhas pernas estavam bambas, meu coração batia tão descontroladamente que quase tive a certeza de que podia ser ouvido por House. Foi tudo um jogo! Esse tempo todo ele estava me usando e Stacy o ajudou sem fazer a mínima ideia disso. Eu não sabia o que falar. Eu não tinha o que falar.
"Eu quero te amarrar, Cuddy. Quero ter seu corpo só pra mim e fazer dele o que eu quiser e bem entender."
Ar! Eu precisava de ar. Aquelas palavras, aqueles olhos tão intensos sobre os meus me tiraram o fôlego. Senti uma enorme umidade crescer entre minhas pernas, desejando-o dentro de mim mais do que tudo. Desejando o toque de suas mãos, de seus lábios, o seu corpo colado ao meu.
"Eu sei tudo o que você sente em relação a mim. Mas quero ouvir de você." seu olhar me queimou como o sol do mais intenso verão.
"Sim." eu murmurei. "Sim!" repeti dessa vez com mais firmeza. "Eu quero."
Ele fechou os olhos; como se estivesse saboreando as minhas palavras. Sua mão agarrou minha cintura e me levou para junto ao corpo dele. Senti sua semi ereção roçar em mim. Ele estava se controlando ao máximo; a força na qual ele me segurança afirmava isso. Era como se ele tivesse lutando pra não me agarrar e transar comigo ali mesmo. Ele suspirou pesadamente com o rosto enterrado nos cachos do meu cabelo. Com minhas mãos em seu pescoço levei seu rosto de encontro ao meu. Eu queria beijá-lo. Eu necessitava desesperadamente de um beijo seu.
Ele me encarou por alguns segundos e então aproximou seus lábios dos meus, roçou-os em minha boca, mas não me beijou. Eu então avancei para beijá-lo e ele recuou.
"Na minha casa." ele disse num tom grave ao olhar para minha echarpe. 'Quero você em minha casa às sete horas."
Quando ele me soltou a sensação foi de vazio, de perda, abandono. Meu corpo gritou para que ele voltasse, mas o vi fechando a porta. Busquei a cadeira mais próxima de mim e sentei ainda sem acreditar em tudo o que tinha se passado ali.
Era a mim que ele sempre quis! É a mim que ele quer!
Como eu poderia comer depois daquilo? Onde eu ia buscar apetite se a ansiedade passou a me alimentar desde o momento que ele entrou por aquela porta?
Debrucei-me na cadeira e fechei os olhos absorvendo todas aquelas emoções que senti naquele curto espaço de tempo.
