Disclaimer: Esta história não me pertence. Todos os créditos vão para Slytherin Kunoichi, a autora original em inglês. Apenas a tradução me pertence, e nada mais.

Capítulo revisado e editado em: 26/01/13


O Segredo Uchiha – Capítulo III

Sasuke agarrou a mão de Sakura e a tirou abruptamente dos braços de Sai. Ele direcionou um olhar frio para o seu substituto.

Sai respondeu ao olhar de Sasuke com um dos seus sorrisos falsos.

Sakura supôs que, desde que Sai tinha lido muito sobre emoções, ele provavelmente sabia que Sasuke estava agindo por ciúmes. Normalmente, um Sasuke ciumento seria, de certo, a preocupação número um de Sakura, mas quando o sorriso falso de Sai fora substituído por um olhar gélido, ela poderia jurar que podia ver os chakras deles colidindo, e de repente tornou-se prioridade evitar um derramamento de sangue.

- Eh... Sasuke-kun, não é o que você está pensando.

Sakura fez uma tentativa de colocar alguma distância entre os dois shinobis. Quando as ameaças em seus olhos não cessaram, ela continuou:

- Eu acidentalmente derrubei tinta no Sai e em mim e-.

- Acidentalmente não é exatamente a palavra que eu usaria, Feiosa. – Sai interrompeu, sua atenção sempre focada em Sasuke e na sua presença.

- Tudo bem. – Sakura rolou os olhos e suspirou. – Eu derrubei tinta no Sai de propósito, mas me sujei acidentalmente.

Sasuke olhou para Sakura e depois voltou sua atenção em Sai.

- E então nós decidimos lavar nossas roupas no riacho.

- Hn. – seu olhar pareceu se intensificar. – E de quem foi essa idéia?

Sai deu de ombros inocentemente.

Sasuke ignorou a ação e se voltou para Sakura mais uma vez.

- E por que sua blusa teve que ser tirada para lavar?

Ela não gostou do jeito que os olhos dele pareciam a acusar. E as alfinetadas emitidas pelos olhos de Sai também eram perturbadoras. Ela podia imaginar por que Sasuke estava tão transtornado, mas o que estava aborrecendo Sai – ela não conseguia descobrir. Pois, afinal, a tinta já tinha quase saído completamente de sua jaqueta.

- Sasuke-kun, um interrogatório não é necessário. – ela disse quando foi pegar sua blusa do riacho. Assim que a tinha em suas mãos, ela notou que a tinta começou a manchar.

Sai sorriu.

- Eu te ajudo. – ele disse, fazendo sinal à Sakura quando ela tentava colocar a blusa de volta.

Sasuke agora estava em pé entre eles, os dentes quase aparecendo.

- Não é necessário.

Assim que Sakura tinha vestido sua blusa, agora molhada, Sasuke agarrou sua mão e começou a arrastá-la pra longe de seu alter ego.

A pressão que ele dera ao pulso dela era apertada e controladora. E a caminhada foi muito silenciosa. Sakura não ousou em dizer uma palavra, com medo de enfurecer o Uchiha ainda mais. Mas ela se manteve olhando o perfil de Sasuke de hora em hora – curiosa para saber o que ele estava pensando.

Quando chegaram aos portões do hospital, ele soltou o pulso dela e enfiou suas mãos no bolso.

- Eu irei esperar por você aqui. – ele disse a ela.

Por um momento ela se perguntou o que exatamente ele queria dizer com esperar por ela, mas então percebeu que ele quis dizer que tinha a intenção de ficar lá até seu turno acabar.

- Eh, Sasuke-kun, - ela se virou pra ele. – meu turno não irá acabar antes da meia-noite.

- Hn. – ele respondeu com um aceno de cabeça. – Eu estarei aqui.

Seu turno foi longo – como esperado quando se trabalha em um hospital de uma vila repleta de shinobis. Feridas eram inevitáveis. Mas morte podia ser prevenida, e graças a Deus, Sakura não teve nenhuma perda naquela noite. Ela não saberia como lidar com isso. Desde que Ino não fora capaz de salvar a vida de Asuma-sensei alguns anos atrás, Sakura sempre teve medo do dia em que ela não seria capaz de salvar a vidas daqueles que ama. Era por isso que treinava, era por isso que se tornara uma ninja médica, era por isso que, ao final do dia, ela não tinha mais energia sobrando. Ela era dedicada e determinada, e não estava preparada para perder ninguém. Se ela não conseguira aceitar a partida de Sasuke, como ela aceitaria a morte de alguém em suas mãos? Ou pior: por sua causa, por ela não ser forte o bastante, ou por ela não conhecer outro método médico?

Chiyo deixara uma marca permanente em Sakura. Ela tinha certeza de que havia um modo de trazer Gaara de volta à vida. E mesmo ao custo da sua própria, ela deu certeza de que ele iria viver. Foi uma troca. E mesmo Sakura sabendo que era um acordo trágico de ser feito, Sakura tinha feito anotações, lembrando-se dos procedimentos que Chiyo fizera antes de seu sacrifício altruísta.

Quando Sai a pegou lendo sobre selos e técnicas semelhantes na biblioteca, ele disse para que ela parasse de procurar um jeito de aprender os métodos de Chiyo. Apesar dele não ter estado presente naquele dia, Naruto havia contado a ele sobre as ousadas ações da velha. Ele disse a ela que as pessoas lutavam para proteger aqueles que eram importantes.

Sakura insistiu de que aquela era a sua intenção em querer aprender aquele tipo de jutsu. Mas Sai a interrompeu, um sorriso falso e um olhar severo estampados em seu rosto:

- Eu a odiaria se você o usasse no Uchiha.

Seu comentário foi uma surpresa, e ela não sabia como responder, porque uma mentira seria muito evidente. Claro que ela daria sua vida pelo Sasuke-kun – ela o amava. Todos da vila sabiam disso.

- Se ele morresse antes que você pudesse curá-lo, então você teria feito o seu melhor, e aquele destino teria sido a escolha dele.

Sasuke havia quase morrido antes que ela pudesse curá-lo completamente. Ele tinha sofrido inúmeros danos durante os primeiros passos da transferência de Orochimaru para o seu corpo.

O time sete por pouco não o impediu, e Orochimaru teve que se arriscar em lutar para proteger seu "recipiente" que não podia lutar no momento.

Esta tinha sido a estratégia de Sakura. Ela supôs, baseada em seu conhecimento médico, que Sasuke estaria em um estado de fraqueza, impossibilitado de participar de uma batalha. Portanto, isso daria uma abertura para eles, afinal de contas, quatro contra dois seria bem melhor do que quatro contra dois mais Sasuke.

Sua teoria estava correta. O ataque surpresa foi um sucesso em sua execução. Uma coisa que Sakura não tinha previsto de jeito nenhum foi a determinação de Sasuke. Mesmo estando fraco, ele estava preparado para lutar contra eles. Portanto, foi esta a razão de seus graves ferimentos.

Claro que, enquanto sua mente estava no passado, ela fez o possível para andar em direção ao seu companheiro de time, que a tinha esperado desde as onze da manhã.

- Sakura. – ele sibilou como uma cobra.

Os pensamentos de Sakura voltaram ao presente assim que ela se virou para ver um alto Uchiha Sasuke a encarando, sua sobrancelha erguida em questionamento.

- Você está aqui... – foi mais uma observação do que uma pergunta.

- Hn. – ele se encaminhou para seu lado. – Eu te levo pra casa.

Ela concordou com a cabeça, devagar. Normalmente, ela o teria dispensado. Ele, afinal, morava na direção oposta, e ela normalmente teria dito que era uma kunoichi e podia cuidar de si mesma.

Mas hoje tinha sido exaustivo, desde a situação embaraçosa no rio até o longo turno no necessitado hospital. E ela nem tinha forças para argumentar.

Então, eles caminharam em silêncio. O som de seus pés sobre a rua era o único barulho entre eles.

Ela podia senti-lo a olhar por um tempo, o que era algo raro para o Sasuke.

- O que você vai fazer amanhã?

Ela piscou, seus pensamentos sonolentos estavam longe.

- Treinar com a Tsunade-shishou, almoçar com a Ino.

Ela pausou temendo as próximas palavras que se formavam em sua boca.

- Ajudar o Sai... – ela murmurou baixinho, com esperança de que ele mal entendesse as palavras. – e depois outro turno no hospital.

A expressão facial dele era ilegível, como uma máscara vazia. Mas suas palavras saíram com um tom similar ao de malícia.

- Não o veja mais.

Isso realmente chamou a atenção dela.

- Eh? Sai?

Sasuke apenas continuou.

- Sim, só não o veja mais.

Sakura riu ligeiramente, e o ignorou.

- Sasuke, isso é impossível. Ele é nosso companheiro de time, e vamos vê-lo o tempo todo.

Ela colocou um falso e inocente sorriso no rosto, muito parecido com o que Sai usava todo dia. Mas na verdade, Inner Sakura estava pulando de felicidade pelo fato de Sasuke estar cego de ciúmes. Era como um sonho dos seus dias de genin se tornando realidade.

- Sakura... – o modo que ele a chamou soou mais como um aviso.

- Não há nenhuma razão para ficar com ciúmes. – ela o interrompeu.

Sasuke gelou por um segundo e balançou a cabeça.

- Eu não estou com ciúmes.

Sakura deu de ombros.

- É o que você diz. Mas você deveria saber que...

Assim que se aproximaram da porta dela, ela se inclinou para frente, beijando o rosto de Sasuke.

- Sai deve estar com ciúmes de você.

Ela não deu chance dele responder, abriu a porta e entrou na casa, dizendo um baixo "boa noite" antes de fechar a porta.

Sasuke permaneceu na frente da porta dela por um minuto, enquanto esperava que um certo e familiar chakra desaparecesse. Assim que este se fora, ele suspirou e se virou para ir embora.

- Ele realmente está. – ele resmungou para si mesmo.


- Então, Sasuke apenas te arrastou por Konoha sem dizer nada? – Ino perguntou enquanto mexia o canudo do copo em movimentos circulares.

Sakura confirmou.

- Eu juro por Deus que pensei que ele iria arrancar a minha mão fora.

- Bem, é a segunda vez que você é vista de sutiã com o Sai.

Sakura ficou em silêncio por um momento, relembrando as palavras de Sai depois que ele a havia segurado.

- Ino...

A loira ergueu as sobrancelhas.

- O que você sabe sobre o Sai?

As sobrancelhas da Ino se juntaram.

- O que eu sei sobre ele? – ela repetiu. – Por que você está me perguntando? Você é a companheira de time dele.

Sakura a ignorou.

- Eu sei, mas ele conversa com você algumas vezes. Ele nunca falou sobre a infância dele?

Ino deu de ombros.

- Sai apenas me cumprimenta e fala comigo sobre missões e amizade. Por que o interesse?

Os olhos claros de Sakura turvaram um pouco.

- Algo que ele me disse ontem está me incomodando...

Ino balançou a cabeça.

- Esqueça o Sai. – ela, então, levantou a sobrancelha. – Me dê detalhes do que Sasuke te disse quando ficaram sozinhos.

Sakura deu de ombros.

- Nada... na verdade... – Sakura, então, se lembrou do pedido do Uchiha. – Ino... ontem à noite, Sasuke pediu para que eu parasse de ver o Sai.

Ino riu alto, recebendo alguns olhares das pessoas do restaurante.

- Isto é estúpido. Como você vai fazer isso quando ele é seu companheiro de time?

- É, eu sei.

Ino se levantou e deixou algum dinheiro sobre a mesa.

- Além do mais, não há nada acontecendo entre vocês dois.

Sakura concordou com a cabeça.

- Te vejo mais tarde, Ino.

Ela então começou a sair do restaurante, perdida em pensamentos.

É claro que não havia nada além de amizade entre o ninja artista e ela. Além do mais, mesmo se Sakura sentisse um pequeno e minúsculo sentimento por ele (o que ela não tinha), ele certamente não iria retribuir. Afinal, Sai a achava uma mocreia feiosa. Isso, de certo, esclarecia qualquer dúvida sobre os sentimentos dele.

Ela conhecia o Sai há três anos, e seus apelidos para ela nunca se tornaram lisonjeadores, diferente dos apelidos da Ino. Sai até teve alguns encontros com a Ino em seu primeiro ano no time sete. Claro que o relacionamento não foi a lugar nenhum, e quando Ino se achou sedenta por atenção, e Sai entediado, tuso acabou num instante. Sai não pareceu triste ou chateado com o fim da relação. Ele acabou com as dúvidas de qualquer um, afirmando que, em todo caso, ele não pssuia sentimentos.

Sakura pensou que a experiência de um encontro fosse um ótimo jeito de Sai aprender mais sobre sentimentos, mas ele não saiu com mais ninguém desde então e se mantinha impassível como nunca com seus sorrisos falsos e isolado das atividades do grupo.

Antes que Sakura pudesse remoer mais sobre o enigma que era seu companheiro de time, ela chegou à porta dele. Levantando seu punho contra a madeira, ela bateu ligeiramente, de alguma forma esperando que ele não precisasse dela como escrava hoje. Talvez ele estivesse fora, já pintando, ou em uma missão solo.

Mas hoje não era o dia em Kami estava ouvindo as orações e desejos de Haruno Sakura.

Um Sai sem camisa abriu a porta e se encostou à batente da porta.

- Feiosa, - ele ergueu as sobrancelhas em arrogância. – você tem a permissão do Uchiha para estar aqui?

Sakura expressou divertimento e encarou o garoto moreno.

- Eu não preciso da permissão do Sasuke-kun pra nada.

Sai a olhou em descrença.

- Você ainda se importa com que ele pensa.

- Não me importo! – ela disse ressentida, afinal, se ela se importasse, ela não estaria com o Sai naquele momento quando Sasuke havia exigido que ela parasse de ver o seu sósia.

Sai sorriu satisfeito em resposta.

- Prove.

Por alguma razão desconhecida, Sakura se encontrou um pouco assustada com o sorriso dele e com o que ele quis dizer. Da última vez que ele sorriu abertamente daquele jeito, ela acabou sendo sua escrava por um mês.

- Eu não tenho que lhe provar nada.

- Porque você se importa.

Sakura mordeu seu lábio em resposta à acusação dele. Ela podia sentir outra aposta vindo. E, mais uma vez, seu orgulho estava em jogo.

- Diga o que quer. – Sakura se achou cerrando os dentes.

- Saia comigo por uma semana. – veio a sua réplica muito confiante.

Sakura quase teve um ataque.

- O quê?!

Sai cruzou os braços.

- Se você realmente não se importa com o que Sasuke-kun irá pensar, - ele se inclinou para mais perto dela, fazendo-a corar. – então saia comigo por uma semana.

Sakura, hesitante, colocou suas mãos contra o peito nu de Sai, fazendo força na tentativa de afastá-lo de seu espaço pessoal.

- Eu não vou fazer isso.

- Covarde.

As bochechas de Sakura inflaram, e sua pele começou a ficar vermelha de raiva.

- Tudo bem! – ela gritou, caindo no jogo dele. – Mas vai ser só fingimento.

Sai moveu seus ombros nus em desdém.

- Chame do que quiser. Mas se você desistir do trato antes que a semana termine, você vai ser minha escrava por mais um mês.

Sakura segurou um rosnado.

- E se eu ganhar?

- Você não vai ter que ser mais minha escrava, é óbvio.

O sorriso falso dele apareceu em seus lábios de uma maneira que levou Sakura a acreditar que, diferente de seus sorrisos anteriores, este era extremamente forçado.

E antes que se deixasse pensar por um segundo sobre a sua decisão, ou de se arrepender do trato, ela estava apertando a mão dele.

- Feito.

- Quando seu turno no hospital termina? – Sai perguntou, retirando suas mãos das delas.

Sakura sorriu intimamente, rindo para ela mesma em quão parecidos Sai e Sasuke eram.

- Às dez. – ela respondeu, curiosa para saber quais eram as intenções dele.

Ele acenou com a cabeça.

- Tudo bem, então. – seu sorriso mais uma vez foi substituído por um maior. – Eu pego você às dez.

Sakura ergueu uma sobrancelha para o que, exatamente, ele estava propondo.

- Pra quê?

- Jantar. – ele anunciou em uma voz suave, enquanto fechava a porta, deixando uma Sakura muito confusa e surpresa ao pé da porta.