Capítulo 2
"Noite e dia se completam no nosso amor e ódio eterno
Eu te imagino
Eu te conserto
Eu faço a cena que eu quiser
Eu tiro a roupa pra você
Minha maior ficção de amor
E eu te recriei só pro meu prazer"
- Você ficou louca, Potter?
Lily ergueu os olhos do pergaminho e encarou calmamente o loiro, que se aproximou dela bufando.
- Do que diabos está falando, Malfoy? – Perguntou, erguendo uma sobrancelha.
- Por que azarou a Grace? – Perguntou, vermelho, apoiando-se na mesa em que a garota estudava e aproximando seu rosto do dela.
- Ah, isso... – Ela disse, esboçando o sorrisinho de canto que tanto o irritava. – Bem, ela insinuou certas coisas que eu não gostei.
- E sempre que alguém fala algo que você não gosta tem que azarar essa pessoa? Você é uma criança! – Ela falou num tom perigosamente baixo.
Lily cerrou os olhos e ergueu-se da cadeira, aproximando ainda mais o rosto do dele.
- Sua amiga vai se recuperar, Malfoy, não se preocupe. Agora me deixe em paz. – Falou tão baixo quanto ele.
Scorpius meneou a cabeça para os lados, respirando fundo.
- Por que você é assim? – Perguntou, descontraindo as feições.
- Assim como exatamente? – Lily devolveu a pergunta, com os olhos ainda cerrados.
- Não sei... Assim. Desse jeito tão irritante. – Ele disse, tirando as mãos da mesa e ficando reto.
- Se é isso, eu devia te fazer a mesma pergunta. – Ela disse, revirando os olhos.
De repente, Scorpius sorriu, meneando a cabeça mais uma vez.
- Eu não entendo a gente. – Falou.
- O que quer dizer? – Ela perguntou, franzindo as sobrancelhas.
Ele a encarou profundamente, analisando cada traço do rosto, que já sabia de cor.
- Cada vez que sinto raiva de você, sinto também vontade de te beijar. – Ele disse, ficando sério e se aproximando dela.
- Malfoy, o que você... Não ouse!
Mas já era tarde demais. Scorpius a havia puxado pelo cotovelo e unido seus lábios. Ela, como sempre, se debateu em seus braços, mas logo amoleceu e se entregou ao beijo, respondendo a cada movimento que a língua dele fazia contra a sua.
No meio daquele beijo, Scorpius voltou a sonhar. Sonhou com as palavras que nunca seriam ditas e sonhou com carícias. Sonhou com uma mulher madura e absolutamente compatível com ele. Uma mulher que era uma mentira.
E naquela confusão de realidade e sonho, seu coração batia forte, numa onda de emoções que ele não sabia explicar direito.
