Capítulo 3
No restante da noite, Sakura conversou com outras pessoas, aceitou o convite de Itachi para dançar, que inclusive se mostrou um dançarino ainda mais hábil, bebeu de seu vinho e bebida destilada, comeu de suas comidas de animais caçados há pouco tempo, e exóticas receitas de um sabor único que aprenderam por suas andanças.
Tudo era muito interessante e diferente das coisas que ela estava acostumada.
Sakura se sentia em um dos livros que costumava ler a mando de seu professor, e isso era incrível.
Enquanto Sasuke dançava com Itachi e Shisui usando acrobacias com giros e chutes, Sakura aproveitou para caminhar pelo acampamento. Viu tinas de água estocada, alguns animais em um cercado improvisado tentando ter seu merecido descanso, massas de pão que provavelmente seriam utilizadas para alimentar a todos pela manhã, e então viu uma ala cheia de panos, palhas trançadas e cestos. Caminhava entre lindas tapeçarias, admirando o trabalho minucioso dos desenhos, até ter o silêncio quebrado.
—São lindas, não são?
Ela se assustou com uma voz doce atrás dela. Olhou para trás e viu uma mulher mais velha, mas muito bonita e com um rosto familiar.
- Meu nome é Mikoto, eu sou uma Ihha-Uc.
Enquanto Sakura olhava para ela ouvindo a orgulhosa saudação da trupe, lembrou-se que era ela a cantora da apresentação do casamento na festa, a mesma que por um instante lhe causou arrepios.
- É uma honra conhecê-la. Eu sou Haruno Sakura. – Sakura fez uma reverência com o que sobrara do vestido. – me desculpe por ter sido tão invasiva, eu só estava admirando.
- Não se preocupe. – ela abanou uma das mãos – você é bem-vinda entre nós. Aqui ficam as coisas produzidas por nós para vendermos durante o dia nos vilarejos.
- São muito bonitos. – sorriu.
- Nem sempre conseguimos fazer apresentações e, bem, precisamos comprar comida para nós e nossos animais.
- É bom saber, eu certamente virei amanhã comprar algumas coisas com Ino.
Enquanto ela falava, a mulher mantinha os olhos presos em Sakura, como se enxergasse além dela, o que deixou a moça um pouco incomodada.
- Eu já vou, senhora Mikoto. Me desculpe mais uma vez pela minha falta de modos.
- Eu vi você dançando. Tem um sorriso muito bonito.
Sakura parou e sentiu o sangue correr em suas veias até as maçãs do rosto se tornarem rubras.
- Obrigada, senhora. Eu nunca havia dançado desse jeito, não me tome por mal.
- Não, não, minha querida. Você estava linda.- sorriu para ela – a dança de vocês foi espiritual, como se suas almas também dançassem.
Sakura arregalou os olhos, nunca tinha ouvido falar de dança nesses termos. Mas ela realmente sentira que seu corpo se movia sozinho, e mesmo que nunca tivessem dançado juntos antes, ela e Sasuke mostraram uma conexão única.
- O-obrigada. – foi tudo que conseguiu responder.
- Os olhos dele brilharam como eu nunca tinha visto. – disse a mulher mais velha, pegando um leque de cima de uma mesinha atrás de si sem olhar para trás.
Sakura não respondeu. Sentiu uma secura tomar sua garganta de repente.
- Entre nós, Ihha-Uc, dizem que sou uma bruxa ou uma sensitiva, mas talvez seja só o meu coração de mãe. – colocou a mão no rosto de Sakura – eu senti assim que te vi que as suas almas estão entrelaçadas.
Ela não precisava dizer para Sakura a quem ela se referia. E seu coração disparara como um cavalo galopante.
- Aqui está você.
- Sasuke! – disse Sakura, se assustando com a voz que surgiu como uma invocação e se livrando do toque da senhora Mikoto.
- O que ela está falando para você? – perguntou ele abraçando a mulher mais velha.
- Nada, querido. – respondeu ela – Só conversando com a bela Lady Sakura.
Sasuke olhou para Sakura, que mantinha os olhos fixados neles ainda abraçados.
- Milady, esta é Mikoto, ela é uma Ihha-Uc, e a mulher da minha vida.
Sakura não soube bem o que dizer. Um aperto no coração, talvez.
Essa mulher a instigou a pensar em Sasuke, e agora estava abraçada a ele. E ela era bem mais velha. Essa gente era mesmo estranha.
- Por enquanto, querido. Até você encontrar o amor de sua vida.
- Mas mãe, eu sempre terei apenas uma.
- Ela é sua mãe! – Sakura falou alto demais para o bem da etiqueta. E também riu com uma expressão aliviada demais para esconder.
- O que pensou, Milady? – perguntou Sasuke com um sorriso de canto.
- Nada, oras. – desconversou – Foi um prazer conhecer a senhora, Lady Mikoto.
- O prazer foi meu, Lady Sakura. Agora, vão se divertir. – segurou o braço do filho – e eu espero vê-la em breve.
Os dois sorriram, e Sakura viu a singularidade da relação deles. Sasuke era muito apaixonado por ela e nos olhos daquela mulher transbordava carinho.
Beijou a testa da mãe, e caminhou até Sakura puxando-a para fora.
- Sua mãe é uma mulher linda e bastante interessante.
- Ela é. Eu e Itachi faríamos tudo por ela.
Sakura admirou o sorriso singelo que ele dera ao falar da mãe. – Posso ver que daria a vida por ela.
- Sim. – olhou para frente – ela é bem aceita e todos gostam dela, mas há um certo medo, porque ela sente coisas e fala algumas coisas que às vezes nos assusta.
Sakura aquiesceu. Ainda martelava em sua cabeça o que a mulher havia lhe dito, mas achou melhor não verbalizar seus pensamentos e deixou Sasuke continuar.
- Vez ou outra ela pressente coisas, isso já nos protegeu de ataques de saqueadores, animais selvagens, ou alguma cidade que nos faria mal. Mas uma vez, ela acordou chorando e gritando, e quando perguntaram, ela disse que nós não teríamos muito tempo.
- Como assim? Não tem muito tempo?
- Nossas vidas.
Sakura arregalou os olhos sentindo-se zonza com a morbidez que aquela conversa tomara e uma sensação bem ruim tomava seu peito.
- Foram dias bem difíceis – continuou Sasuke – até que ela parasse de dizer isso e assustar as pessoas.
Sakura não conseguia encontrar palavras, e pensava na situação das pessoas ouvindo algo assim, sobre o fim de suas vidas enquanto o tempo corre como um rio. Mas, Sasuke não queria perder o clima amistoso, e nem a assustar, e por isso, tomou-lhe a mão novamente e puxou para que continuasse a lhe acompanhar.
- Venha, chega de falar dela. Vamos jogar.
Sasuke a levou para uma outra área, onde homens e mulheres se dedicavam a vários jogos, e um dos que haviam mais competidores era de atirar pequenas facas em um alvo do qual Sasuke se mostrou bastante hábil.
Sakura também tentou mas, ele ainda a vencia e sempre fazendo troça dela.
- Acertar coisas paradas para quem já treina há anos é muito fácil.
Sakura passou a mão em um cesto com frutas e entregou a Sasuke, e foi até o alvo fazendo uma mesura se auto apresentando como alvo. Estava o desafiando a acertar nela as pequenas frutas vermelhas.
-Para o perdedor, um gole. - disse Sakura, que já começava a gostar daquela bebida amarga.
Sasuke não conseguiu acertá-la.
Estava claro agora que ela não facilitaria, e se esquivava das amoras, lichias e pitangas que ele lançava nela.
Não sabia se ela tinha algum treinamento de autodefesa ou se eram passos de dança mas, ele simplesmente não conseguia acertá-la. E a sorte dele é que os anos lhe trouxeram resistência, mas treze goles de bebida começariam a afetá-lo em breve.
Sasuke se aproximou dela com o cesto de frutas vermelhas.
- O que vai fazer? – Sakura ria, ansiosa – O que você vai fazer? Tão próximo não é justo!
Sasuke foi se aproximando de uma Sakura que se espremia e ria, já elevada pelo álcool e toda a adrenalina daquele jogo de se esquivar e da diversão.
Sasuke colocou uma pitanga entre os dentes e virou o resto das frutas na cabeça de Sakura, que agora se entregava a um riso alto por ver ele se comportando como uma criança.
Ele apoiou a mão na madeira, uma espécie de porta velha improvisada como alvo que estava atrás de Sakura, que ainda ria, mas já se recompunha e tomava ciência da proximidade dele.
Sasuke ainda tinha a pitanga entre os dentes, e foi se aproximando de Sakura. Ela não tinha para onde correr e se tivesse, por um instante admitiu para si mesma que talvez não o fizesse. Ele inclinava o corpo cada vez mais próximo de seu rosto sem tirar os olhos de dentro dos seus.
Sasuke era inebriante.
Sakura já sentia as pernas bambearem, quando ele mordeu a fruta e segurou a outra metade com as pontas dos dedos e levou até a boca dela.
- Eu venci. – disse ele em um sorriso faceiro.
Ele virou as costas e foi se distanciando deixando uma Sakura com a respiração ainda presa para trás.
- Eu quero ir embora.
Sasuke parou e olhou para ela, sua expressão antes divertida agora mostrava uma certa confusão.
- Por favor, eu acho que já estendi demais o meu tempo aqui. – Sakura dizia tentando ajeitar o resto do vestido – já pude conhecer vocês, e estou grata pela sua companhia.
- Mas ainda há tanto para ver e conhecer. – contrapôs ele.
- Não. – Sakura foi incisiva – já estou satisfeita. Preciso ir embora, o senhor poderia me levar?
Sasuke soergueu as sobrancelhas e começou a caminhar, passando por ela sem dizer que era para segui-lo mas, Sakura o fez.
Ele andava rápido se esgueirando pela floresta, e Sakura o seguia tropeçando aqui e ali, tentando não o perder de vista.
- Você poderia esperar? – gritou.
- Não.
- Ora, por que não? – tropeçou em uma raiz alta.
- Preciso obedecer às ordens de Vossa Alteza e levá-la para casa.
- Eu não sou da realeza, já lhe disse.
- Pois parece.
- O que lhe fiz para me tratar assim?
Sasuke parou e se virou de uma só vez, assustando Sakura.
- Eu lhe pergunto o que eu fiz, ou o que minha família te fez para você querer se ver livre de nós o mais rápido possível, e achar que sou um de seus lacaios e que pode me dar ordens.
- E-eu não quis te dar ordens. E não queria me livrar da sua família. – Sakura não achou por bem dizer a ele que a vontade de fugir era dele. – eu gostei muito de estar com vocês, beber, dançar e me divertir com vocês, ver como são orgulhosos, unidos e sempre felizes, e o mais importante foi ver... como os Ihha-Uch são livres.
Um sorriso singelo e verdadeiro tomou as faces rosadas pela caminhada, deixando o rosto dela ainda mais belo, mesmo que o cabelo estivesse desgrenhado, e o brilho de suor estivesse tomando seu rosto, o deixando luminoso como estrelas em uma noite sem luar.
Sasuke sorriu. Não sentia realmente raiva da moça. Apesar de sua estranha fuga sem aparente motivo, vê-la falando de sua família daquela forma o deixava feliz. Geralmente as pessoas comentavam como eles eram divertidos, mas que eram ciganos e falavam como quem descrevia cães fedorentos de rua que viviam à margem da sociedade. Faziam suas graças por comida, mas que a distância fosse mantida por conta das pulgas.
Mas não era o que ele via em Sakura. E isso era de certa forma encantador, o sorriso e o brilho no olhar ao falar dos Ihha-Uc o deixavam realmente aquecido por dentro.
- Está tarde. – ela chamou e colocou-se a andar. – Preciso realmente ir.
Sakura mal dera cinco passos e escorregou na vegetação rasteira já tomada pelo orvalho da noite, e mesmo com Sasuke a segurando de uma queda feia acabou por torcer o tornozelo.
- Você está bem? – perguntou ele.
Sakura apenas choramingava de dor e segurava a área afetada.
- Deixe-me ver.
Sasuke segurou a perna da moça, e retirou com todo cuidado seu sapato. Começou a massagear, e realizar movimentos circulares para que não inchasse. À medida que a dor dava espaço ao alívio, Sakura tomou consciência das mãos de Sasuke em sua perna desnuda pelo vestido rasgado.
A mão dele mais uma vez estava em seu corpo. Era como se houvesse um ímã neste homem, que sempre o atraía até ela e fazia com que tocasse sua pele.
Sasuke também estava mais consciente de seu toque e da maciez e suavidade de Sakura. Engoliu seco.
- Precisamos ir. – ela disse, já tentando se levantar, mas ainda sentia dor ao apoiar o pé.
- Venha. – Sasuke se abaixou de costas para ela enquanto Sakura o olhava assustada – vamos, suba.
Sakura balançou a cabeça – Eu não posso, não é apropriado para uma dama andar nas costas de um homem. – disse ela consternada.
- Também não é apropriado andar por aí tarde da noite, dançar e beber com Ihha-Ucs, milady. – Sasuke tinha no rosto novamente um sorriso de canto zombeteiro.
Sakura sorriu daquela conclusão, mas sabia que era verdade. E deveras, não estava em condições de andar.
Respirou fundo e aceitou a oferta de ser carregada. Subiu em suas costas como se montasse um alazão, e Sasuke se levantou em um rompante.
Se antes Sakura se sentia atordoada pelo toque dele em sua perna, agora as mãos dele a firmavam pelas coxas.
Seu corpo parecia que poderia entrar em combustão como as fogueiras da festa a qualquer momento. O coração também disparava, Sasuke apressara o passo e Sakura teve que se agarrar ainda mais a ele e agora sentia o cheiro único daquele homem, e agradecia aos deuses por ele não ver a forma despudorada como ela encarava a nuca dele e a luta que ela travava consigo mesma em se aproximar do local e tocar.
Enquanto isso, Sasuke também tomava consciência da maciez de seu corpo e dos seios dela apertados contra ele, além de sua respiração tão próxima de seu pescoço.
Eles mal viram quando chegaram até próximo a propriedade dos Haruno. A festa de boas-vindas ao Lorde Lee ainda acontecia, provavelmente só haveriam mulheres entediadas e homens bêbados, mas, ainda assim, Sakura não poderia entrar ali com as vestes rasgadas, suja e tomada de suor.
Deram a volta e foram até a entrada da cozinha, em um caminho apontado por Sakura, onde entravam e estocavam as provisões.
Sasuke a desceu devagar de suas costas.
- Eu venho até aqui. – disse ele.
- Obrigada por me carregar por todo o percurso. Peço perdão. – ela fez uma reverência contida.
- Posso conviver com os males nos ossos causados por seu excessivo peso, milady.
Sakura ficou boquiaberta e bufou com tamanha desonra, enquanto Sasuke ria.
- És muito insolente. – disse ela
- Sabes que não falei sério. Garanto que seu peso foi o que menos senti.
Sakura corou com o que ele disse. Sua mente trabalhou de uma forma inusitada pensando no que ele sentira já que o peso foi descartado. Sasuke andou até ela que sem perceber caminhou para trás.
- Espero que tenha gostado de nós, Ihha-Uc.- se aproximou tirando um pequeno ramo preso em seus cabelos rosa – e que queira voltar.
- Eu voltarei sim. – Sasuke abriu um sorriso – para comprar tapeçarias com sua mãe.
- Só por isso? Achei que gostaria de me ver também. – ele mantinha os olhos nos dela, e a viu dar mais um passo para trás até que o corpo estivesse encostado na parede de pedras atrás de si.
- O senhor foi uma boa companhia, e um bom guia. – ela buscava palavras e se recusava a perder a compostura naquele jogo perigoso – Mas agora já sei o caminho e há bastante atrativos lá. Agradeço pela noite.
Sasuke colocou um dos braços na parede na altura da cabeça de Sakura, e com a outra mão colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha, tocando sua pele.
- Então te darei motivos para querer me ver também.
E colou seus lábios nos dela.
Primeiro o choque e a paralisia, e depois um profundo desejo inundou Sakura.
Era seu primeiro beijo.
Não foi nem de perto com o que ela sonhou. Um beijo ao pôr do Sol, ou em um jardim de gardênias, quando se casasse com algum lindo príncipe, e dado de bom grado.
Ao contrário, era um beijo roubado, atrás de um armazém, em uma noite escura como os cabelos do homem que tomara seus lábios pela primeira vez.
Nem de longe foi como sonhara, mas era ainda mais incrível que em sonhos românticos.
Era intenso, com cheiro e sabor só dele. Eram lábios finos, mas firmes e cheios de vivacidade e desejo. Quentes.
As mãos dele eram grandes e tomaram conta quando deslizaram por seu pescoço, e o toque de seus dedos lhe causaram arrepios. Enquanto isso a outra mão, que antes estava na parede, desceu e deslizou por sua cintura, terminando em um aperto que lhe tirou um gemido do fundo da garganta.
O corpo de Sakura gritava por mais contato, febril, eriçado e inebriado.
Mas, Sasuke acalmou os lábios e os tirou dos dela bem devagar, e também devagar deslizou os dedos por seu rosto, enquanto Sakura mantinha uma respiração pesada e os olhos fechados.
Ele se mantinha perto, arrastando os lábios em seu rosto e cheirando sua pele, traçando o caminho até seu ouvido.
- Nos vemos amanhã, milady. – sussurrou.
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Betado por AnneChan23
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E aí chuchus
Gostaram?
Então gente, como sou de Biológicas quase Humanas, não sei mais calcular quantos capítulos essa fic vai ter XD
Mas, acabei estendendo por que não estava gostando por parecer estar indo rápido demais. Ok que não quero fazer uma long, mas também não quero forçar a barra da história.
Não vou calcular mais XD
Deixa fluir
massssssssss acredito que em torno de 7 capitulos.
Enfim
Beijos a todos que estão lendo, e mais beijos e massagens pra quem comenta S2
É muito bom pq me ajudam a guiar a história. E estão me dando muita força S222
Suas lindas 3
Não vou estender por que está tarde e preciso dormir XD
Beijinhos
E até a próxima
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