N/A: Não preciso nem falar que vocês tinham achado que eu tinha abandonado a fic e tal, porque eu já escrevi tudo isso em Um Raio de Sol na Escuridão, não é? Então, eu só vou falar hoje sobre alguns aspectos dessa fic. Em primeiro lugar, é uma fic da qual eu gosto muito, e de todas as que eu já escrevi, é aquela em que o James é mais parecido comigo. A Lily não tem muito de mim, nem fisicamente – olhos verdes, pele branca, cabelos ruivos... – nem na personalidade – estourada, meio maluquinha. Enfim, o James É mais parecido comigo.

Ah, só mais uma coisinha: a partir de agora vocês vão perceber que a coisa vai andar mais rápido, e tudo isso tem só um motivo: a fic tem 6 capítulos e um epílogo, ou seja, estamos a quatro capítulos do final.

Agora vamos às reviews. Quatro reviews, hein? Será que já posso pedir cinco pro próximo capítulo? (Traduzindo: cinco reviews pra postar o próximo, ok?)

Agradecendo à Infallible Girl (hmm... Demorei:P Passe lá na outra fic que eu expliquei direitinho o por que do meu sumiço! Beijos!), Carol-sana (a Lily não é burra. Acontece que ela é meio nervosa e não sabe aproveitar as oportunidades. Aliás, quanto a não matar ele por falta de coragem... É, de vez em quando ela tem um surtos assim... Beijos pra você e fique ligada nos próximos capítulos!), Rose Anne Samartinne (Obrigada e muitos beijos pra você!) e Tahh Halliwell (Obrigada também e beijos!). Então, vamos lá?

Beijos a todos!

Capítulo dois

Firewhisky e tentações

— E o James, como está?

— Lily, é a quinta vez que você me pergunta isso desde que eu voltei da Ala Hospitalar. — Sirius olhou para Lily com uma sobrancelha levantada, visivelmente irritado, enquanto a ruiva corava. Desde o episódio "Lily ficou louca a 80 km/h", como eles estavam chamando aquela saída triunfal da ruiva da Ala Hospitalar há alguns dias, ela não ia visitar James. Por pura vergonha. — Se você quer saber dele a cada dez minutos, vá visitá-lo! Ele está achando que você foi engolida por alguma acromântula, sabia?

— Eu não fui engolida por acromântula nenhuma, diga pra ele — ela deu um olhar ofendido para Sirius. — Aliás, não existem acromântulas nas florestas da Escócia.

— Eu já disse — Sirius respondeu, como se ela não tivesse comentado a existência de acromântulas na Escócia. — Mas ele não acredita em mim. Ele está hiper preocupado contigo, achando mesmo que você morreu. Tenha piedade do coitado, Lily, faz seis dias que você ficou louca a 80 km/h!

— Ele não está achando que eu morri! — ela disse, convicta. — Você está exagerando, Sirius. O James não é tão burro assim. Ele sabe que se eu fosse mordida por uma acromântula eu teria ido para o St. Mungus e ele estaria sabendo!

— Parem! — Dorothy disse, jogando o Profeta Diário para o lado e parando a discussão antes que Sirius terminasse de puxar ar para falar. — Parem com isso! — Ela parecia estar bem nervosa, e geralmente Dorothy nervosa era um problema em potencial, mas Lily não estava prestando atenção nisso. Ela estava mesmo prestando atenção ao jornal que sua amiga tinha deixado de lado para parar a discussão entre ela e Sirius, onde uma pequena nota de rodapé chamou sua atenção.

— Posso pegar? — A ruiva perguntou, e Dorothy apenas deu de ombros — Obrigada. — Lily estendeu um braço e alcançou o jornal, indo logo para aquela nota de rodapé. Como algo tão pequeno podia ter chamado sua atenção? A palavra "trouxas" aparecia aumentada, e Lily, sendo uma nascida-trouxa, sempre se interessava por assuntos dos trouxas. Mas o que ela encontrou deixou-a chocada.

[iUm bruxo e dois trouxas encontrados mortos em Bristol

O Departamento de Execução de Magia Negra encontrou ontem, na cidade inglesa Bristol, dois trouxas e um bruxo mortos. Uma análise aprofundada do corpo de um dos trouxas foi feita e encontrou sinais claros de tortura. O corpo do segundo trouxa e do bruxo estão em análise, e tudo indica que o bruxo tenha sido morto com a maldição Avada Kedavra. Os nomes dos trouxas não foram divulgados, e o Departamento de Desculpas para Trouxas e o Departamento de Execução de Magia Negra trabalharão juntos para que nada seja divulgado erroneamente aos parentes das vítimas, que serão encontrados logo depois da identificação dos corpos. O corpo do bruxo foi identificado como sendo do medibruxo aposentado Harry Potter Sênior. Um grupo autodenominado Comensais da Morte se responsabiliza pelas mortes.

— Nossa. — Foi a única palavra que Lily conseguiu pronunciar. Como podem colocar isso numa nota de rodapé? Ela leu de novo a reportagem e reparou no nome (ou, mais precisamente, no sobrenome) do bruxo morto: Harry Potter Sênior. Ela arregalou os olhos e soltou o Profeta Diário como se o jornal estivesse queimando as pontas de seus dedos. Harry era o nome do pai de James, e também do avô dele. E se o pai de James era Harry Potter Junior, então o avô dele só podia ser Harry Potter Sênior.

— Lily? — Ela ouviu Alice chamar, mas a voz dela parecia longe. — Lily, você está bem?

Ela não conseguiu responder. Estava com os olhos arregalados e a boca entreaberta, tentando processar aquela informação. Aquele era o avô de James, o da reportagem. E ele estava morto. Morto. Não vivia mais. James devia estar arrasado, se é que já estava sabendo – e a cabeça de Lily começou a trabalhar mais rápido. Ela podia ir vê-lo. E se ele ainda não souber, o que eu digo pra ele? "Ah, oi, James, tudo bom? Olha, eu acabei de ver no jornal que o seu avô morreu." Não, péssima idéia. Era melhor continuar ali, quietinha, tomando seu café, esperando ter certeza de que James já sabia para ir falar com ele. Até porque ele ia querer passar esse momento sozinho, não ia? Lily olhou para seu prato e sentiu que tudo ia voltar. Não, ela era amiga de James. Não podia deixá-lo desamparado num momento como aquele.

— Lily Marie Evans. — Lily levantou os olhos à simples menção de seu nome. Não gostava muito do Marie, preferia que sua mãe tivesse colocado, simplesmente, Lily Evans, mas ela tinha que colocar um nome do meio, não tinha? Já estava pronta para dar uma bronca em Dorothy por isso, mas quando abriu a boca, o som não saiu. — Lily, você não está bem. — Observou Dorothy, preocupada.

— Não... Não é nada — ela disse, deixando o jornal ao lado do seu prato. — Eu... Eu lembrei que esqueci o livro de Feitiços lá em cima. Vou buscar e já volto. — Mentira. Ela ia procurar James, e não um livro de Feitiços. Quando virou as costas e estava quase saindo do Salão Principal, ela ouviu a voz de Remus abafada: "mas Lily, hoje nem tem Feitiços!", mas não deu a mínima. Assim que chegou ao primeiro corredor vazio que encontrou, Lily desatou a correr, assim como no episódio em que ficara louca a 80 km/h. Enquanto corria, pensava se James já estaria sabendo sobre a morte de seu avô. Com certeza ele sabe, ela pensou. Quando a avó da Dorothy morreu ela ficou sabendo logo depois.

— James... Eu... Cadê... Cadê o James? — Ela perguntou à medibruxa, assim que escancarou a porta (o que deu um susto enorme na pobre da mulher), ao mesmo tempo em que tentava tomar fôlego.

— Senhor Potter? Ele foi liberado a algumas horas, a pedido do próprio professor Dumbledore. — Então ele já devia estar sabendo. Com sorte, Lily ainda o encontraria no escritório do diretor, e com esse pensamento deu meia-volta e se preparou para correr para o escritório de Dumbledore, mas a medibruxa a parou. — Talvez seja bom te lembrar que o diretor gosta muito de jogar snap explosivo.

— Ah... Obrigada — disse Lily antes de correr, sem idéia de como aquela informação aparentemente inútil podia ajudá-la numa situação como aquela. Será que a medibruxa não via que aquilo era sério? Ah, ela não devia estar sabendo ainda. Lily quase bateu a cabeça na gárgula que dava passagem para o escritório do diretor com sua corrida desenfreada, já que antes que pudesse notar já estava na frente do escritório de Dumbledore. Deu um suspiro aliviado ao ver que sua corrida tinha rendido e então percebeu que não sabia a senha. — Snap explosivo! — ela exclamou, na ânsia de entrar no escritório, e nem percebeu que aquela dica da medibruxa tinha sido bem útil, já que a gárgula pulou para o lado, revelando a escada giratória de pedra que levava ao escritório do diretor.

Ela bateu três vezes na porta quando chegou perto e colou o ouvido nela, para ver se ouvia algo de importante, e a única coisa que ouviu foi "sim, deixe, senhor Potter". Então James realmente estava lá. A ruiva foi recebida por um Dumbledore sereno, seus olhos observando-a parecendo intrigado por trás dos pequenos óculos de meia-lua.

— Diretor... Eu fiquei sabendo que...

— Sim, eu sei por que a senhorita está aqui, senhorita Evans. — Ele deu um sorriso sereno, mas mesmo assim sério, continuando a não dar passagem para Lily, que já estava a ponto de pedir licença a Dumbledore, mas ele continuou: — Embora o seu amigo, senhor Potter, não queira que a senhorita o veja no estado em que ele está, eu acho que sua visita seria um ótimo calmante para ele. Entre, senhorita.

Lily engoliu em seco antes de entrar. Se o próprio Dumbledore estava falando que ela seria um ótimo calmante para James, era porque a situação dele estava realmente ruim. Ela deu alguns passos para dentro do amplo escritório, mas não prestou atenção ao que os retratos dos antigos diretores cochichavam. Ela prestava atenção a James, que tentava esconder o rosto dela com as mãos. A ruiva, então, ajoelhou-se na frente dele e olhava para cima, para onde estava o rosto dele coberto pelas mãos. Ela tentava espiar pelas frestas dos dedos; sabia que James estava chorando.

— James...

— Não, Lily. — Ele disse, a voz soando mais firme que o normal para quem tinha provavelmente chorado por algumas horas. — Eu... Eu estou bem.

— Não está não. — Ela afirmou, convicta, olhando para ele como se seus olhos pudessem perfurar aquelas mãos e lhe revelar o rosto dele. — Eu sei que você não está, James, eu já fiquei sabendo. Não precisa ter medo de mim, você sabe... — ela parou de falar porque sentiu um peso razoável caindo por cima de si. James tinha tirado a mão do rosto e caído ajoelhado na frente de Lily, se abraçando forte a ela e chorando. Ela levou as mãos trêmulas até as costas dele e retribuiu ao abraço, engolindo em seco mais uma vez. Nunca tinha visto James tão mal, tão frágil. Ele sempre tinha sido aquele cara legal, forte, alto e lindo, que jogava quadribol e arrasava os corações de todas as garotas de Hogwarts e que, principalmente[unão chorava.[/u Mas ele também era humano e tinha sentimentos, e naquele momento estava dando a maior demonstração disso tudo.

— Eu não gostaria de interromper vocês dois —

disse um dos retratos de diretor na parede (o qual Lily achou extremamente inconveniente) — mas o Ministro da Magia está aí, Dumbledore, e ele quer falar com você.

— Oh, obrigado, Hurley — agradeceu Dumbledore, enquanto Lily sentia James se afastar dela. — Me desculpem, mas eu poderia interromper essa profunda demonstração de amor para que vocês dois possam ter um pouco mais de privacidade? — Dumbledore perguntou, e ele não pareceu tão inconveniente quanto o retrato na parede. — Tenho certeza de que vocês encontrarão uma sala vazia onde poderão conversar e tomar uma xícara de chá em paz, sem interrupções.

Ele deu um último sorriso sereno e sentou-se em sua cadeira, enquanto Lily ajudava James a se levantar. Pela primeira vez desde o episódio "Lily louca a 80km/h", ela estava vendo seu rosto, e sinceramente, ela esperava algo bem melhor quando se reencontrassem. James estava novamente com o nariz vermelho e inchado, mas dessa vez aquela visão estava acompanhada de grandes bolsas debaixo dos seus olhos e marcas de lágrimas. Ele estava realmente lastimável.

Apesar de seu estado, James se apressou para sair da sala, e encontraram o Ministro da Magia do lado de fora, provavelmente esperando para subir. Ambos viraram os rostos, virando à esquerda logo depois da gárgula, e aparentemente nenhum deles sabia aonde iriam. Andavam pra não dizer que estavam parados. Lily olhou várias vezes para James, para perguntar aonde iriam, mas resolveu ficar quieta.

Depois de andarem mais ou menos uns dez minutos, Lily percebeu que James também não sabia onde podiam ir. Aquele silêncio já estava incomodando a ruiva e logo ela ia querer sentar, não gostava de andar. Então simplesmente começou a seguir um caminho qualquer e James foi seguindo-a, com uma vontade enorme de saber pra onde iam. Ele reconheceu o corredor no sétimo andar como sendo o da Sala Precisa, mas não achava que Lily conhecesse aquele lugar. E então achou que precisava conhecer um pouco mais a ruivinha, porque ela passou três vezes pelo mesmo lugar com ele e logo a porta apareceu.

— Entra aí, Jim. — Ela deu espaço para James passar, parecendo orgulhosa de si mesma por ter conseguido encontrar a porta da Sala Precisa. O maroto entrou e encontrou lá dentro uma sala bem ampla, com várias almofadas multicoloridas espalhadas pelo chão, o teto de vidro – também colorido – e uma mesinha com um bule e duas xícaras fumegantes bem no meio da sala. Lily, apesar de ter dado a frente para James, chegou às almofadas antes que ele e se jogou em cima delas, literalmente.

— Você... Conhece? — Foram as duas únicas palavras que ele conseguiu articular, num misto de espanto e tristeza – por mais que ele não quisesse demonstrar, estava triste, claro.

— Esse lugar? Claro. Sou sua amiga apesar de tudo, Jim. — Ela piscou com um olho só e deu uma risada baixinha, não esperando que James retribuísse. Em condições normais ele retribuiria, mas aquelas não eram condições normais. Eles passaram vários segundos em silêncio e aquilo já estava começando a deixar Lily desconfortável, então ela serviu chá para ambos e pediu a James que experimentasse.

— É de frutas. — Ele disse, conclusivo. Lily percebeu que ele não estava muito pra papo, mas era dever dela acalmá-lo e fazê-lo se sentir melhor, porque os Marotos não tinham um mínimo de sensibilidade e não conseguiriam fazer isso. Mas os minutos de silêncio que se seguiram não serviram para acalmar James, mas para deixar Lily pensar no que fazer.

— Sabe o que o cachorro disse pro gato? — Ela disse, num impulso. Já que queria animar James, contaria piadas, oras! Mesmo que fosse péssima contadora de piadas e tivesse um arsenal não muito bom, ela contaria as piadas que conhecia e deixaria James contar as dele, também.

— Não — ele respondeu, levantando uma sobrancelha, e Lily respirou fundo. Essa era a piada mais idiota que conhecia, mas se fosse pra rir, pelo menos James riria de sua idiotice.

— Au, au — ela respondeu, terminando a piada, e como tinha previsto, James caiu na risada. Ria da idiotice da piada – e, talvez, da idiotice de Lily – e não pelo fato de ser engraçada, porque não era. A cada risada que James dava, Lily ia ficando mais vermelha e ia tendo mais certeza de que ele estava rindo era da idiotice dela, e não da idiotice da piada.

— Onde você aprendeu isso? — Ele perguntou, ainda entre risos.

— Com os meus primos — Ela respondeu, ainda vermelha. Bom, pelo menos ela tinha conseguido fazer James rir; só tinha que contar mais algumas e ele ficaria mais animado, e então poderia voltar a seu convívio social. — Eles só contam piada sem graça.

— Ok, vou contar uma então: um gato corria atrás do rato, e ele se escondeu do bichano num buraquinho. Um pouco depois, ouviu um latido e saiu, mas o gato pegou ele assim mesmo, e ele perguntou, "você sabe latir?" O gato respondeu: "amigo, nesse mundo de hoje em dia a gente tem que saber falar mais de uma língua" — Ambos caíram no riso. Lily nunca imaginou que James pudesse ser tão engraçado mesmo que estivesse deprimido, o que indicava que ele também queria se animar mais.

Ficaram lá até a tarde, e só pararam de contar piadas para olharem o pôr-do-sol, que espelhava lindamente no teto da Sala Precisa. As paredes da sala estavam transparentes e refletiam o pôr-do-sol do jeito que era, enquanto o teto, colorido, fazia que o sol poente explodisse em um milhão de cores pela sala. Eles ainda estavam rindo quando pararam e se sentaram de frente para o sol, segurando as suas barrigas de tanto que doíam por causa do riso. James, já bem mais animado do que na hora do café, soltou uma frase que tocou Lily profundamente:

— Ah, Lily, eu te amo!


Os dias estavam começando a ficar cada vez mais frios, e isso significava que a Sala Comunal da Grifinória estava começando a ficar cada vez mais cheia. As férias de Natal estavam chegando, e o caso do assassinato do avô de James e dos dois trouxas foi completamente esquecido (não por James, claro, mas ele tentava ao máximo não tocar no assunto). Quanto mais o Natal se aproximava, mais a alegria ia pairando sobre Hogwarts.

Tudo continuava normal entre os Marotos e as garotas. Normal para o jeito maroto de ser, claro. Eles acordavam cedo, iam às aulas (quando queriam), almoçavam, iam às aulas, jantavam, iam às aulas, dormiam, e nos fins de semana iam à Hogsmeade. A rotina reinava absoluta sobre eles, exceto no dia em que James notou que Lily tinha faltado à aula de Poções. Poções era sua matéria preferida, e ela não podia perdê-la por causa do sonho de ser medibruxa. Apesar de ter uma aula de Feitiços depois do período duplo de Poções, James não esperou e foi direto para a Sala Comunal da Grifinória, tentar obter alguma informação sobre Lily.

O que ele viu quando entrou na sala nem Merlin esperava. Lily estava mesmo lá, sentada no chão, com as pernas abertas e um exemplar do Profeta Diário no meio delas. A cabeça da ruiva estava jogada pra trás, apoiada no sofá no qual ela encostava as costas, e ela estava toda suada apesar do frio. Várias garrafas sem rótulo estavam em volta dela, algumas ainda fechadas, mas a maioria já vazia.

— Lil...? — Ele chamou, se aproximando. Ela parecia estar desmaiada. James jogou a mochila no sofá e sentou-se do lado da ruiva, visivelmente preocupado. Percebeu marcas de lágrimas no rosto dela e, curioso, pegou o Profeta e leu a nota de rodapé parecidíssima com aquela da morte de seu avô.

Identificados os trouxas assassinados em novembro

O caso do assassinato do medibruxo aposentado Harry Potter Sênior chocou toda a comunidade bruxa, mas ainda faltava um detalhe a ser resolvido: a identidade dos dois trouxas encontrados mortos na mesma data. "Tratam-se de Marie Ann e Louis Evans, que têm uma filha em Hogwarts", informou a chefe do Departamento para Reconhecimento de Vítimas do St. Mungus, Josephine Yalta. Os dois foram entregados para velório e enterro trouxa após a identificação.

— Lily, eu sinto muito... — James começou a dizer, e então se lembrou de que ela estava desmaiada e teve um ímpeto de checar o que era aquilo que ela estava bebendo. Se tinha deixado a garota desmaiada, era porque deviam ser algo forte, como uma poção do Morto-Vivo, por exemplo. Mas quando ele sentiu o cheiro que vinha das garrafas se lembrou de que Lily era muito, mas muito fraca para bebida.

— Firewhisky — disse uma voz meio enrolada perto dele. James não podia negar que tinha assustado, não imaginava que Lily podia acordar tão rápido.

— Eu sinto muito pelos seus pais.

— Fica quieto — Lily disse, e James percebeu que devia ser efeito da bebida. Ainda estava pensando no que deveria ter levado Lily a se embebedar tanto por causa da morte dos pais (ela, que sempre foi tão alegre e soube olhar as coisas pelo lado positivo!) quando sentiu ser empurrado com força e beijado com violência.

O primeiro impulso de James foi fechar os olhos – ele realmente achava que estava sendo atacado – mas depois que percebeu o que estava deixando Lily fazer, ele usou toda a força que conseguira em anos de quadribol e empurrou a garota, rolando por cima dela.

— Você está bêbada, Lil.

— E daí? — Ela respondeu, e segurou-o pela nuca beijando-o de novo. Ao perceber que James estava relaxando, ela rolou de novo por cima dele, sem separar-se dele em nenhum momento. Já James estava numa terrível batalha interna. Metade da sua consciência dizia que ele ia se arrepender amargamente daquilo, e a outra metade repetia o que Lily lhe dissera: "e daí?". E daí que ela não está no juízo perfeito, seu canalha!

O alívio chegou para James quando Lily interrompeu o beijo e tirou suas mãos da nuca dele. Mas se ele pensava que tinha acabado, estava muito enganado. Com habilidade Lily afastou o casaco dele e começou a abrir a camisa do maroto de óculos e a beijar seu peitoral, descendo cada vez mais. James já não conseguia fazer nada, tinha perdido toda a força que tinha. Não podia negar que estava gostando, mas isso era se aproveitar da bebedeira de Lily, não era? Seu cérebro só deu sinal de vida novamente quando ele sentiu as mãos de Lily descerem para o botão de sua calça.

— Epa! — Ele empurrou a ruiva e se colocou de pé na hora. — Isso não, hein? — Trêmulo, ele pegou a varinha e apontou para Lily. Qualquer atentado ao pudor e ele a estuporaria. Ele realmente não sabia que Lily ficava assim quando bebia, e isso queria dizer que ele não podia mais deixar a ruivinha beber – ou podia? Um turbilhão de idéias malucas passava pela cabeça de James. Tinha alguma coisa naquele firewhisky ou Lily [irealmente[/i ficava assim quando bebia? Há alguns anos ele já vinha alimentando uma paixonite quase que proibida por Lily; ela era ingênua demais para saber das idéias que ele tinha com ela toda noite, não era. Não, ela não é.

— Qual é? — Lily perguntou, confusa. Ela já devia estar bebendo há bastante tempo, porque não parecia mais ter controle sob suas ações. Sem nem perceber que James estava empunhando uma varinha, ela começou a se aproximar dele.

— Não chega perto! — Ele exclamou, desesperado, enquanto aquela metade da consciência dele dizia o contrário. Mas a parte sensata dele estava comandando no momento, e James achava melhor que fosse assim. Ele só começou a se acalmar quando Lily parou e olhou confusa para ele; mas a calma foi interrompida por uma voz familiar:

— O que significa isso?

Nem Lily nem James se mexeram. Ele, porque já estava acostumado com problemas; ela, porque estava bêbada e não conseguia distinguir McGonnagal, aquela figura que os tinha "flagrado", de Sirius, por exemplo. Mas mesmo que James já fosse um expert em detenções, não sabia que ser flagrado naquela situação daria confusão ao quadrado. Ele nem tinha percebido que estava sem camisa e com o botão da calça aberto; e também não tinha percebido que Lily estava toda descabelada e com a roupa amassada. Foi a primeira vez que James Potter teve medo de uma detenção.

— Não... Não é o que a senhora está pensando, professora... — A voz dele titubeou. Ele bem queria que fosse, sim, o que ela estava pensando, mas queria mesmo agora safar a ele e a Lily dos problemas que aquele flagra poderia causar.

— Eu não estou pensando nada, senhor Potter, estou vendo. — A professora McGonnagal afirmou, convicta de que era, sim, o que ela estava pensando. — Os dois, para a minha sala, agora. E o senhor, vista a camisa antes de sair daqui.

McGonnagal deu as costas a eles e James se abaixou para pegar sua camisa enquanto pensava em como ia levar Lily para a sala de McGonnagal, já que corria o risco de ser atacado de novo (não que ele se importasse). Quando colocou o casaco, ele se lembrou de que tinha uma varinha e encarou Lily, que olhava confusa para ele.

— Aonde você vai? — Ela perguntou, franzindo o cenho. Por favor, Merlin, que ela não me ataque no meio da sala de novo e que eu não seja expulso por isso.

— Nós vamos — ele corrigiu. — Passear um pouco.

— Ah tá — Ela disse, e tentou se levantar, cambaleando um pouco pra finalmente ficar firme nas pernas depois. — Mas não é pra demorar que as outras garrafas me esperam.

James deu um suspiro conformado e pegou o rumo do buraco do retrato da Mulher Gorda, rezando para que McGonnagal não fosse muito rigorosa. Ele não podia ser expulso naquela altura do campeonato; estava tão perto das férias... De Natal, claro, mas ele era James Potter afinal. Não tinha sido expulso nem por tentar botar fogo na escola (acredite, ele tentou!) porque seria agora?


— Vocês entendem a gravidade da situação?

— Entendemos, professora.

McGonnagal franziu o cenho. Era muito estranho que James Potter respondesse a uma pergunta sua – ainda mais quando era sobre uma situação grave como aquela. Esperava-se que ele ficasse calado, esperando a hora de sair da sala, como sempre. Mas aquela situação não estava nada normal. Se Lily Evans estava embriagada ali, naquela mesma sala, brincando com as poções de McGonnagal, era porque os limites já tinham sido extrapolados há muito tempo.

— Mas eu acho muito estranho, senhor Potter — começou McGonnagal — que a senhorita Evans esteja bêbada a esse ponto.

— Eu também, professora — disse James, sem nem perceber que tinha respondido. — Quando eu cheguei na Sala Comunal ela já estava assim, rodeada de garrafas. E não deve ter bebido muito, Lily é muito fraca pra beber... — E eu nunca mais vou me esquecer disso, completou ele em pensamento. Uma vez, no terceiro ano, tinham colocado poção embriagante na bebida de Lily, e bastou um copo pra ela subir na mesa e querer dançar.

— Bom, senhor Potter, eu não posso dar detenção à senhorita Evans, considerando o estado em que ela está. Mas o senhor podia ter feito algo para interromper aquilo, o senhor sabe disso, não sabe?

— Sim, professora. — Agora James estava percebendo como tinha sido burro. Era só estuporar Lily e acabaria tudo! Mas naquela hora ele não estava com a mínima vontade de que aquilo acabasse. Sem perceber, ele deu um sorriso maroto ao pensar nisso.

— Então o senhor ganhará detenção por isso. Dois dias com Hagrid. Ajudará a alimentar os animais.

James deu de ombros. Sabia que McGonnagal estava irredutível.

— Então, boa noite a vocês dois. E por favor, leve a senhorita Evans para a Ala Hospitalar, a medibruxa cuidará dela.

— Boa noite, professora — disse James, pegando na mão de uma Lily sonolenta e passando o braço dela sobre o seu pescoço antes de começar a andar. — Você já pensou em fazer dieta? — perguntou James, brincalhão, assim que saíram da sala. Como resposta, Lily só olhou pra ele, deu um sorriso fraco e desmaiou.