Capitulo 3 – Minha Decisão - Watashi no ishi kettei

Aquele homem mantinha seu sorriso tão terno, eu não sabia o que fazer. Não tinha reação.

Lentamente, ele se levantou, havia algumas pétalas de flores pelo seu cabelo e por suas roupas. Quando ficou de pé, totalmente ereto, pensei em como eu era baixa perto daquele homem, que eu nem ao menos sabia o nome.

Então uma nova pergunta invadiu a minha mente: Qual seria seu nome?

Sim era estranho, ninguém havia me dito o nome do meu futuro marido, mas ele parecia saber o meu.

Isso era estranho eu sei, mas nos casamentos arranjados era meio comum isso, se fosse parar para pensar.

Eu perdida em meus pensamentos, que nem sequer notei quando ele havia se aproximado, parando na minha frente.

-Seu silencio me perturba... Rin. – A voz dele era tão melodiosa. O olhar que pairou sobre mim fez meu corpo estremecer completamente.

-Eto... Eu não sei seu nome... – Engoli seco, minha voz saiu quase inaudível.

-Gakupo... Kamui Gakupo. – Eu estremeci com sua voz tão melodiosa e terna, como queria ter a segurança dele, mas estava com medo. Precisava agradá-lo, se não minha família acabaria na pior. Eram tantas coisas a me afligir naquele momento.

Gakupo me tocou a face, me encolhi, ao mesmo tempo em que me amaldiçoava por tê-lo feito. Afinal eu estava quase que repudiando ao meu futuro marido, se ele mudasse de idéia minha família ia acabar numa situação horrível.

Fechei meus olhos com força.

-Não precisa ter medo e ficar tão nervosa... Não pense que é preciso que me agrade para assegurar o futuro de sua família.

Eu o fitei. Ele continuou falando.

-Toda a situação já me foi passada. Você está se casando porque seus pais a obrigaram a isso, sob o pretexto de salvar a honra de sua família. Isso não é digno de um patriarca. Afinal como pode... Se ele fez a desgraça porque não ele a resolve? Porque deve jogar isso nas costas de uma donzela?

Aquelas palavras me doeram, talvez fosse assim que eu pensava. Estava tão confusa, mas eu sabia das minhas obrigações e não ia voltar atrás na minha decisão. Não importa o que fosse certo ou errado.

-Mesmo que seja isso... Não devo voltar atrás. Eu tomei a decisão de ajudar a minha família e assim o farei.

-Renegando a sua liberdade e se casando com um homem que nem sabia o nome?

-Hai. – Respondi com vivacidade.

Ele sorriu.

-Ou é muito tola para fazer isso... Ou então deseja muito salvar seus entes queridos. Não se pergunta que tipo de homem eu sou? Quais os meus desejos mais íntimos para com a minha futura mulher? Minhas vontades e ordens que terá que cumprir? Nada disso lhe perturba?

Meus lábios ficaram trêmulos, ele parecia ler a minha alma. Seu tom era de um misto de desprezo e sarcasmo. Suspirei e com voz amena respondi.

-Hai, eu me pergunto. Realmente desejava saber que tipo de pessoa eu teria ao meu lado nos anos futuros, suas vontades, seus desejos. Gostaria de saber mais, porém isso não me é permitido, então só fico com a dúvida e a curiosidade de quem terá que descobrir por si só.

-Você realmente deseja descobrir isso? – O olhar que ele me lançou após esta pergunta fez meu corpo ficar tenso. Mal senti minhas pernas, minha respiração me faltava. Achei que iria desmaiar, porém consegui me manter firme.

-Será minha missão e meu dever se me tornar sua esposa. – Por pouco minha voz não me abandonará completamente.

Ele se aproximou mais, meu rosto ruborizou. Com tamanha rapidez fui lançada contra o tronco da árvore que estava mais perto. Gakupo colocou cada uma das mãos em cada lado de minha cabeça, como quem que não desejava ver a presa escapar.

-Você, que não me conhece, deseja aprender sobre mim. Mas agora lhe pergunto... Kagamine Rin... Entre tudo isso, também deseja aprender a me amar como um homem e como seu marido?

Com aquela pergunta estremeci, minha respiração acelerou. Céus, eu não sabia o que fazer, o que falar, o que pensar. Ele era cruel. Como podia fazer tudo isso no nosso primeiro encontro? Seu olhar fixo em mim.

Eu estava com medo, estava encolhida conforme me era permitido naquela situação.

Os segundos pareceram horas, os minutos pareceram dias.

Foi ai que algo me chamou a atenção. Quando meus olhos acharam os dele, a sensação que e invadiu o peito foi da mais profunda solidão. Será que essa pessoa tão rica a poderosa podia ser sozinha? Eu que nunca fui sozinha, por ter pais presentes e um irmão tão amável. Não eu realmente não conhecia a solidão. Meu coração me dizia que por nunca ter conhecido tão sentimento é porque eu deveria livrar essa pessoa dele, era meu dever.

Minha mão direita se levantou e percorreu a pequena distância entre nós e tocou-lhe a face.

O olhar dele mudou para um olhar de surpresa.

-Hai... Também irei aprender a lhe amar como uma mulher deve amar um homem.

Ele continuou me fitando com aquele olhar surpreso. Ficou calado por alguns instantes e por fim falou.

-Sabe a gravidade da decisão que toma?

-Não... – respondi com sinceridade. – Mas irei tomá-la mesmo assim.

-Se realmente quer isso, saiba... Não vou deixá-la partir. Mesmo que me implore, chore, você não será de mais ninguém. Será minha e só minha. Eu nunca a deixarei ir embora.

Ainda assim deseja realmente ficar ao meu lado?

Seu olhar estava vivo agora, eu o fitei. Realmente queria entender essa pessoa, descobrir a razão da sua solidão.

-Hai.

-Não poderá voltar atrás, está é sua ultima chance de fugir disso Kagamine Rin.

-Não irei fugir, quero realmente isso.

Sim que queria descobrir tudo sobre ele.

-Então está feito. Não há como voltar atrás, espero que esteja pronta para arcar com as conseqüências de sua decisão.

-Darei o meu melhor... Kamui-san.

-É Gakupo.

Ele aproximou-se de mim. Sua face estava perto da minha, eu sentia sua respiração e ele a minha. Em seguida...

Como por razão desconhecida...

Seus lábios tocaram os meus de forma lenta...

Selando nosso primeiro beijo.

E baixo de uma arvore de cerejeira.