2º capítulo: Os três primeiros anos

Hermione

Os três primeiros anos de casados foram maravilhosos! Rony e eu estávamos passando pela fase do conhecimento e aprendizado. Nós nos conhecíamos, mas estávamos em uma fase diferente, na qual começávamos a dividir uma vida, constituir uma família. Nós já éramos adultos, mas parecíamos dois adolescentes sedentos de amor.

Quantos finais de semana passamos apenas deitados na cama se deliciando com o prazer que um proporcionava ao outro! Eram manhãs, tardes e noites que não nos preocupávamos com nada, nem mesmo em comer. Se não fosse nossa querida elfa Tayla, morreríamos de fome.

Não posso, também, deixar de dar destaque as nossas brigas constantes, o que com certeza é nossa marca, desde nossa infância. Todos sempre disseram isso, principalmente o Harry, mas nunca demos muito crédito a esse fato.

Rony

Em um dado momento no início de nosso casamento, eu juro que pensei que não íamos durar. Por favor, Hermione, não queira me matar quando ler isso, apenas estou sendo sincero como pediu.

Foi uma das brigas mais serias que tivemos, provavelmente por algo idiota, como sempre foi. E naquela noite, em que dormi fora de casa, achei que fosse o fim. Era a primeira vez que isso acontecia. Eu realmente fiquei assustado em como as coisas puderam chegar àquele ponto. Mas, enquanto pensava que aquele poderia ser o fim, senti um desespero horrendo, e eu não podia ficar sem vocês. Essa era a verdade. E mesmo que não quisesse me ver, e eu não quisesse lhe ver, eu fui para casa.

Rony abriu a porta com cuidado. O único foco de luz que iluminava o local, era o abajur. Direcionou seu olhar e pode ver Hermione sentada no sofá, encolhida, abraçando as próprias pernas. Seu rosto estava inchado pelas lágrimas, e a cena, de certa forma, fez Rony se sentir bem, pois assim, sabia que Hermione ainda o queria.

Rony puxou uma cadeira e sentou-se, respirando fundo. Ficaram longos minutos olhando um para o outro, tentando vencer o orgulho e dizer o que precisavam dizer.

-Desculpa. –Hermione falou com a voz rouca e baixa. Rony ergueu o olhar, surpreso. – Eu não queria ter dito tudo aquilo... eu ... eu não queria ter dito que foi um erro ter nos casado. – Hermione sentia que as lágrimas queriam voltar.

-Hermione...

-Não. – engoliu o choro. – só me diga que está tudo bem.

-Não está tudo bem, Hermione. Não dá para ficar levando na cara, todo dia, que sou eu quem está fazendo tudo errado aqui! – passou as mãos pelos cabelos, tenso. – Isso realmente desgasta, Hermione. E eu estou ficando desgastado.

-Não é assim.

-É assim, sim! Eu sei que eu piso na bola às vezes, mas...

-Mas o que? –perguntou desafiando.

-Não sei.

-Fala, pode falar.

-Você exagera, você estraga tudo, e eu cansei disso, eu não quero mais isso. Por acaso eu me casei comigo mesmo? Sou apenas eu nesse relacionamento?

-Você quer acabar com tudo. É isso?

-Para você vai parecer uma espécie de libertação, não? –perguntou sarcástico. Hermione não respondeu, ficou em silêncio.

-Então é isso? Você quer terminar. –falou consigo mesma.

-E mais uma vez você faz sua própria interpretação! Novidade! –falou raivoso, levantando-se de um supetão e andando de um lado para o outro.

-Então o que é, Rony? O que está acontecendo?

-O que está acontecendo, Hermione, é que eu estou aqui! Eu existo! O mundo não gira, unicamente, em torno de você! Hermione, eu não existo apenas para você me dizer o quão errado foi ter se casado comigo. Eu não existo apenas para ouvir você dizer que eu estrago tudo!

-Eu realmente não queria ter dito isso. Eu...

-Mas você disse. E não foi só uma vez.

-Ok, Rony, ok. Eu já entendi que sou eu quem está estragando tudo! Não precisa mais jogar isso na minha cara. – falou firme.

Ambos olharam um para o outro e logo desviaram o olhar. Estavam esgotados e realmente não entendiam como tudo se tornara tão grave.

-Acho melhor eu ir. –Rony falou desanimado.

-Não. Não vai. Eu não quero que vá. Aqui é a sua casa, é o seu lugar. –falou sem olha-lo.

-Foi você quem me mandou embora.

-EU SEI! –gritou exasperada. – Você não deveria me escutar, não devia importar com as coisas que eu digo! Se quiser desistir, se quiser terminar tudo, a porta está ali. Mas não é o que quero! Eu não quero perder você, não quero ficar sem você! E eu não vou desistir, Rony, eu não vou. Não espere ouvir da minha boca que terminou. Mas se é isso que quer... –Hermione apontou a porta com o coração aos pulos dentro do peito. Se Rony apenas caminhasse até aquela porta ela saberia que tudo estava terminado.

Já Rony, esse queria realmente mudanças, mas o que adiantava prometer coisas que não mudariam? Será que valia a pena insistir em algo que parecia caminhar para o fim?

- Rony, esse não é o fim. Nós estamos casados há quase três anos e essa é a nossa primeira briga de verdade. Nós estamos crescendo juntos, lembra?

-Eu sei... –Rony sentiu seus ombros relaxarem. Talvez estivesse exagerando. Onde estava com a cabeça, afinal?

-Eu sei que preciso melhorar e você também. Nós dois temos que melhorar em certos aspectos. Então não corra do compromisso que você firmou comigo naquele altar.

-Eu perdi a cabeça. –caminhou, ficando de frente a Hermione, que se levantou. – Não sei em que estava pensando, mas te deixar é a última coisa que eu quero na vida.

-Então apague da sua mente. –Hermione ficou nas pontas dos pés e alisou a face de Rony. – Esse é apenas o início. Eu estava nervosa, e apesar disso, eu realmente não queria ter dito tantas vezes o que disse. E não pretendo fazer isso novamente. E eu só peço em troca, que nunca mais vá embora, mesmo se eu disser para ir.

-Ok. Eu não vou. Me desculpe.

-Tudo bem. –Hermione pulou no colo de Rony e o beijou antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa. –Não quero ouvir mais nada, apenas faça amor comigo.

Rony

Fizemos amor a noite toda. Foi a melhor parte.

Harry fechou o diário mais uma vez. Não ficara sabendo dessa briga. Talvez fosse algo que os dois não queriam comentar e deixar esquecido no passado. Mas, mais uma vez, para Harry era como se estivesse invadindo a intimidade dos amigos.

-Bonito, não? –perguntou Gina, descendo as escadas. Harry a puxou, a fazendo sentar-se em seu colo. – Não parece o Rony insensível de Hogwarts, não é mesmo?

-Com certeza não. –riu. – Eu me sinto estranho lendo tudo isso. Será que não posso ler a parte que interessa?

-Harry!, é a história dos seus amigos! –falou repreendendo-o.

-Eu sei, mas é como se eu fosse um intruso!

-Hermione quer que leia tudo. E para a sua informação é enfeitiçado. –apontou para o caderno. –Você é obrigado a ler tudo.

-Obrigada pelo consolo. –riu.

-Como estava o meu irmão hoje?

-O de sempre. Insisti mais uma vez, mas ele não quis dizer nada, fingiu não saber de nada. – Gina suspirou. –Ele me contou que começaram a escrever logo quando Rose nasceu.

-Rose. –a ruiva sussurrou com tristeza. –Harry você acha que tudo o que aconteceu, pode voltar a acontecer um dia?

-Não me faça essa pergunta. Não quero pensar nisso. Nós estamos seguros.

-Ok. –beijou-o no pescoço.

-Os três já dormiram? –Harry perguntou alisando uma das cochas de Gina.

-Sim. –agarrou o cabelo de Harry e o puxou.

-Será que temos, hummm, deixe me ver, meia hora livre? –perguntou beijando o colo nu da esposa, e subindo sua camisola.

-Eu espero que sim. –falou baixinho, suspirando profundamente.

-Ótimo. –falou rente aos seus lábios e a beijou com volúpia.

Rony estava sentado no escuro. Seu pequeno escritório estava coberto de papéis, mapas, rotas de buscas e livros. Aquele era seu refúgio. Era onde trabalhava, comia, bebia, pensava e também dormia. O sofá ao canto parecia não comportar seu porte alto e atlético, mas era nele que conseguia ter suas melhores noites de sono, quando conseguia dormir.

Rony rodava um pequeno frasco entre os dedos, completamente absorto no ato. Mais uma vez estava sem sono e sua mente parecia trabalhar sem parar.

Era mais um dia tentando sobreviver, pois viver não existia mais em seu vocabulário. Para as pessoas ele sorria, brincava, simplesmente fingia que tudo andava bem. Mas quem o conhecia, sabia que era apenas um modo de defesa, era uma máscara que o protegia de tudo e de todos. Quando estava só, ai sim ele era ele mesmo. Não precisava fingir para ninguém, nem para si mesmo. Ele apenas se sentava na sua tão habitual cadeira e pensava, relembrava, revivia.

Despertando de seu devaneio, guardou o frasco em uma das gavetas e a trancou com um aceno da varinha. Abriu outra gaveta e pegou uma foto. Sorriu. Simplesmente adorava aquela foto. Hermione e Rose se abraçavam e sorriam carinhosas uma para com a outra. Rose com seus cachos ruivos, tão radiante, e Hermione com seus olhos cor de chocolate tão embriagantes.

Rony perdera tudo num único miserável dia. E agora convivia com a saudade que o consumia dia após dia. Esse era um sentimento que ele não conseguia lidar.

A culpa era a sua vergonha. Era pela culpa que Rony aguentava todo o desespero e a sensação de estar sendo sufocado. Tudo o que passava agora era o pagamento pela sua maldita culpa.

-Hermione. – o som saia como tortura e prazer ao mesmo tempo. –Tudo poderia ter sido diferente, Rony, se você não tivesse errado.

N/A:

Thaty: Eu também amo muito o livro e o filme... É simplesmente maravilhoso e o título vai combinar muito com essa fic. Logo você verá! :)

The Magic: Espero você aqui, flor!

E claro, espero que goste! Grande beijo!