Oi? Por favor, não me matem! Quando eu fui ver, ia fazer um mês que não postava.
Luci: Que tipo de desculpa é essa?
Ai Linna: Não é desculpa! É sério, teve as aulas, uma crise de falta de inspiração, fanfics pra ler, nip/tuck de presente e tb o mangá de slam dunk....
Lena: Que coisa feia...u.u'
Ai Linna: Desculpa! Eu estava escrevendo, quando podia. Então eu recebi duas reviews *pula de alegria* e percebi que faltava pouco pra fazer um mês sem postar! Me perdoem, farei o possível para não acontecer de novo, mas o prox cap é grande e mesmo já tendo uma cena...mas eu nem sabia que esse seria grande, imagina o que eu já sei... o.o
Avisos: Contem yaoi, shonen-ai! De verdade, dessa vez. :)
Disclaimer: Esses personagens naum me pertencem, mas sim ao Kurumada que só sabe usá-los pra lutar...
N.a: o que ta em itálico é lembrança, mas só quando está acordado. Vocês vão entender depois. xp
Vamos lá!
Chapter 2:
Oh! Happy Days
Um ano depois. 1 de dezembro.
- Espera, Aiolos! – gritou desesperado, derrapando e parando próximo ao loiro.
- Shura! – falou surpreso, esperando o menor recuperar o fôlego e erguer a cabeça, já que estava curvado e apoiava-se nos joelhos – O que está fazendo aqui tão cedo? Devia estar dormindo, depois do aniversário/ festa de despedida de ontem...
- Eu... Eu preciso falar com você! – o olhar do jovem de treze anos era decidido. O mais velho colocou as malas no chão, cruzando os braços e prestando atenção. Somente sendo Aiolos para levar a sério um garoto, pelo menos, é o que sempre diziam – Quando você volta?
- Shura... – e ele passou uma mão pelos fios loiros – Eu não sei, estou indo atrás de trabalho. Não se preocupe, eu vou dar noticias para meus pais sempre que possível, esqueceu?
Shura desviou o olhar, se abraçando para tentar conter o choro. Ele sabia de tudo aquilo. Entendia uma tradição da Vila. Todos os jovens ao completarem dezoito anos partiam imediatamente em busca de emprego. Era uma Vila pobre, uns poucos que trabalhavam nela escolhiam um dos filhos para continuar seus serviços quando partissem. Entretanto a família de Aiolos tinha condições suficientes para mandar todos os filhos. Saga e Kanon saíram ano passado, tiveram a sorte de morarem juntos na cidade onde trabalhavam. Isso acontecia muito, alguns voltavam de vez em quando para visitar durante algumas semanas, mas a maioria permanecia indefinidamente no lugar onde pudessem prosperar, até casavam e formavam família.
E isso assustava demais Shura. E se Aiolos nunca mais voltasse? E se ele encontrasse alguém e se apaixonasse? Não fazia ideia do porquê de doer tanto pensar nisso. Ele devia ficar feliz pelo amigo, contudo aquela dor não sumia e uma parte dele preferia morrer a ver o mais velho partir.
- Não quero que você vá. – falou em tom fraco, ainda encarando a neve no chão.
Arregalou os olhos quando sentiu braços fortes envolverem-lhe e um coração batendo forte em seu ouvido. Levantou a cabeça para ver as íris castanhas tão de perto.
- Por quê?
- Ahn? – conseguiu falar Shura. Oras, ele ficara atordoado com o abraço e aqueles olhos.
- Por que não quer que eu vá?
- Eu... Não sei... – Era verdade. Estava confuso. E não conseguia pôr em palavras ou entender o que sentia.
Aiolos suspirou, assanhando com uma mão os fios negros e curtos, vendo o menor corar. O que ele esperava? Shura era ainda só uma criança afinal.
- Shura, eu quero que você me escute – e ele se afastou segurando o menor pelos ombros e o olhando fundo nos olhos – Por favor, não vá fazer nada idiota, como tentar fugir para me encontrar... – o capricorniano fez que ia protestar, mas o loiro impediu-o - ...não tente negar, eu sei que isso já passou pela sua cabeça. – viu o moreno desviar o olhar e suspirou novamente – Eu quero que me prometa... – e esperou os verde-opala voltarem para si - ...que fará tudo o que quiser e aproveitará ao máximo até chegar a sua hora de partir.
- Aiolos...
- Prometa, por favor.
- Eu... Eu prometo. – e o menor fungou, olhando o loiro abaixar-se para recolher as malas, antes que a mão tocasse a alça de metal, continuou com uma voz magoada – Você vai perder o meu aniversário...
Não foi uma pergunta, foi uma afirmação dita num tom quase conformado. Como sempre, Shura estava tentando se adaptar a situação o mais rápido possível. Ele tinha de ser forte, afinal todos partiam, a vida era assim. Fora assim com seus tios e sua avó. Devia estar acostumado, não? Não devia chorar, não iria chorar, por mais que doesse. Mas por que doía tanto? Aiolos era somente seu melhor amigo, aquela pessoa que ele podia confiar, rir, chorar junto. Um ser maravilhoso, corajoso, gentil, generoso, um pouco atrapalhado também e acima de tudo alguém que sempre está por perto quando se precisa. Ou estava. Pensar isso machucou mais, contudo Shura se conteve, não mostraria mais dor ou tristeza do que já demonstrara. Não se isso magoasse Aiolos. Não se perdoaria nunca caso fosse motivo de chateação ou preocupação para ele.
- Shura... – ele se aproximou, sentindo-se um pouco culpado pelos sentimentos que o menor procurava esconder.
- Não tem problema, vou esperar noticias junto dos outros – e o moreno tentou sorrir, sim, tentou, porque aquilo mal lembrava um sorriso.
Aiolos passou uma mão pelos fios dourados, dessarrumando-os. O aniversario de Shura era no próximo mês, ele provavelmente ainda estaria procurando emprego ou até viajando, não seria possível mandar noticias tão cedo. "Eu não devia fazer isso", pensou antes de suspirar pela terceira vez. Tentara ignorar os sinais e agora já era tarde demais. Talvez já fosse, no momento em que vira aquele rosto jovem e sério pela primeira vez, ralhando com meus irmãos por quebrarem algo. É, no íntimo, sabia que estava perdido assim que teve aquelas íris verde-opala voltadas para si, somente para si.
O loiro não notou o tempo passar enquanto devaneava, acordou com Shura querendo dizer que já ia, pois logo todos acordariam. Aproximou-se um pouco mais, pondo o rosto do menor entre as mãos e erguendo-o de leve para ter os belos olhos voltados para si com atenção. Ele adorava o jeito atencioso de Shura para consigo. O capricorniano sempre prestava atenção em cada palavra sua e ele amava isso, pois ninguém buscava nele uma conversa interessante. Saga era o mais inteligente da casa e sempre que abria a boca todos se voltavam, ansiosos pelo que diria. A voz inocentemente curiosa teve que chamá-lo de volta para a realidade de novo:
- O-o que foi?
- Como eu não vou estar aqui para o seu aniversario – começou com um meio-sorriso – Vou dar o presente agora, ta? Se não quiser é só se afastar...
Shura só pode piscar em confusão antes de ter os lábios delicadamente tomados pelo maior. Sentiu o corpo todo se arrepiar ao fechar os olhos e tentou corresponder. Os braços fortes do loiro envolveram sua cintura e ele teve de se agarrar ao pescoço do outro quando as pernas fraquejaram, os corpos colando-se por completo.
Eles somente notaram que esfriara, com pequenos flocos de neve caindo ao seu redor, separaram-se precisando de ar.
Continuaram abraçados por algum tempo, as testas unidas enquanto recuperavam o fôlego. Como um simples beijo o deixara assim? Aiolos estava tentado a inclinar-se novamente para continuar de onde pararam, porém pela primeira vez na vida ele se conteve. Precisava ir se não quisesse chegar ao seu destino pela noite.
- Eu te amo. – sorrindo, ele sussurrou ainda com os lábios próximos dos do moreno.
Aiolos afastou-se, pegando suas malas e partindo sem esperar por uma resposta. Sabia que não podia exigir isso do garoto, não agora.
Shura despertou com o mais velho já há alguma distancia, então gritou:
- Aiolos! – a figura longe estancou, sem virar-se – Me prometa! Prometa que virá para os meus 16 anos!
O loiro fez que sim com a mão, continuando a andar, em pouco tempo desaparecendo na nevoa branca.
Shura ainda ficou algum tempo fitando o nada, até que o frio finalmente o atingiu. Começara a nevar, parecia que o inverno chegara mais cedo. Contudo ele não se importou, a lembrança daquele abraço forte e daquela boca na sua o manteria aquecido... Pelo menos até Aiolos voltar.
*** A/S ***
Mais de dois anos depois – 12 de janeiro
Aiolia abriu os olhos, piscando para a escuridão. Levantou de olhos meio-fechados e aos tropeços saiu do quarto em direção ao banheiro.
O som da descarga foi abafado por um trovão ecoando pela casa. Exceto pelo barulho de chuva forte do lado de fora, a casa estava silenciosa. Era de madrugada e o loiro olhava sonolento para seu reflexo no espelho antigo enquanto lavava as mãos.
Ainda estava irritado, não pelo fato de ter acordado no meio da noite e de que precisaria de pelo menos meia hora para voltar a dormir, talvez mais por conta da chuva.
Não, o que o irritava não era isso, hoje, ou melhor, ontem fora dia de medição, até aí tudo bem já que Aiolia adorava se gabar de ser mais alto que alguém. Porém esse ano fora diferente, muito mesmo, principalmente por que ele era agora o menor dos seus irmãos. O menor! Milo é que era o menor, não ele!
Abriu a porta com força, devia ouvir Mu e ignorar tudo. É, ele faria isso. Afinal, Milo só estava quatro centímetros mais alto se contassem que Aiolia crescera um. Atravessou o corredor voltando para o quarto, mesmo Mu ficara dois – dois! – centímetros maior que o leonino.
Tropeçou em algo e voltou-se depois de se equilibrar. Piscou para focalizar um montinho encolhido no chão com longos e lisos cabelos loiros.
- Mu, por que você ta acordado e encolhido no chão? – sussurrou, mesmo sabendo que não acordaria o escorpiano, a casa poderia cair em cima dele e Milo não acordaria.
Mu levantou a cabeça o suficiente para que os violeta avermelhados de choro pudessem ser vistos. Ele abaixou-se, levantou o rosto pequeno e limpou o rastro de lágrimas com os dedos. Um raio cortou o céu, logo seguido pelo barulho estrondoso, o qual fez Mu se encolher, tremendo e fechando os olhos com força, algumas lágrimas descendo novamente.
- O quarto da mamãe e papai está trancado. Então... eu...
O leonino ficou boquiaberto alguns segundos. Talvez fosse verdade o que diziam sobre alguns medos infantis o perseguirem pela vida toda. O ariano tinha treze anos e estava assustado com... Outro trovão o despertou de seu devaneio.
- Você não gosta de trovões. – afirmou ao tirar as mãos pequenas dos ouvidos do outro, vendo-o desviar os violetas.
Segurou as mãos com firmeza, levantando-o consigo de súbito. Puxou-o em direção as camas, dizendo:
- Vem, temos que dormir se quisermos passar a noite toda acordados no aniversario do Shura. – sentou-se na própria cama, sorrindo de leve – Senta. – indicou o espaço ao seu lado.
- Aiolia... Ah! – assustou-se ao ser puxado para deitar junto do leonino. – O... o que?
- A mamãe sempre deixava a gente dormir com ela quando tínhamos um pesadelo ou víamos um filme de terror... Realmente ajuda. – abraçou o ariano, cobrindo ambos com lençol.
Mu encolheu-se e afundou o rosto na curva do pescoço do outro ao ouvir o trovão novamente.
- Obrigado. – disse abafado, o cheiro dos fios curtos o inundando e acalmando aos poucos.
- Durma. – sussurrou Aiolia, beijando o topo da cabeça loira.
Ele ficou deslizando os dedos pelos longos fios dourados até Mu cair no sono, ele dormindo também em seguida.
*** A-M ***
Shura abriu os olhos verde-opala naturalmente piscando para focalizar o teto do quarto. Desviou para a janela, uma fraca iluminação provinda de alguns raios de sol atravessava a cortina verde-musgo.
Há mais de um mês fizera dois anos desde o que ocorrera naquele sonho. Na verdade, daquela lembrança, mas ele já sonhara tantas vezes com aquele ultimo encontro que, às vezes, chegava a duvidar se acontecera realmente. Então, se lembrava do beijo. Seu primeiro beijo. Do abraço forte e de cada palavra de Aiolos.
Sentiu o coração aquecer e um misto de felicidade e tristeza preenchê-lo ao pensar naquele nome e rosto. Sorriu. Hoje iria revê-lo, hoje em seu aniversario de 16 anos, hoje declararia seu amor. Sim, amor. Shura passou todo esse tempo refletindo e pesando seus sentimentos. E ele finalmente descobrira o motivo de não querer ver Aiolos partir, o porquê de doer tanto. Não era somente amizade o que sentia. Ele estava apaixonado, estava amando. Ainda assim, não tinha certeza de quando tudo começara, se da primeira vez que o vira ou se com o tempo, com a amizade e convivência.
Na memória, tinha cada detalhe do momento em que o conhecera. Ele tinha feito doze anos recentemente e seu pai o deixara tomar conta da loja pela primeira vez, enquanto ia ao porão que usavam de depósito.
Seu pai era um dos mais poderosos da Vila tanto pelo respeito que inspirava quanto pelo dinheiro que possuía. Ele tivera a sorte de herdar terras férteis e vinhera sozinho, muito jovem e sonhador. Pelo que sabia, ele enfrentou dificuldades, mas muitos o ajudaram, incluindo a família de Aiolos. Assim, ele conseguira plantar algodão e acabara conhecendo sua mãe, cuja família comprava-o para fazerem tecidos.
Eles se casaram, abrindo uma pequena loja com os tecidos que ela fazia. Hoje em dia, eles eram uma das mais importantes famílias, uma das poucas que negociava com as grandes cidades vizinhas.
Além dos tecidos, a loja era toda enfeitada com cristais e estatuas de porcelana. Sua mãe tinha um apreço especial pelas de anjo, naquele dia, uma que ela encomendara chegou.
Ele pos a grande caixa nos braços, virando-se para guardá-la num local seguro, contudo foi impedido por duas pequenas criaturas loiras.
- Que caixa grande. – disse Aiolia, com seus nove anos.
- O que tem dentro? – perguntou Mil, piscando os grandes azuis.
- Um anjo. – respondeu automaticamente, sem pensar, surpreso demais pelas crianças estarem falando com ele.
- Mesmo? Com asas e tudo? – olhou a caixa com mais interessa, Aiolia.
- Isso. – respondeu Shura, lembrando que era um artigo raro e de luxo por ser um anjo de pele dourada, longos cachos loiros e vestido cor de ouro com detalhes gregos em preto. Fez que ia passar, porém os dois entraram no caminho – Eu vou guardar. – e tentou andar novamente.
- Deixa a gente ver! – pediu Milo manhoso, logo sendo acompanhado por Aiolia no coro de "Deixa! Deixa!", rodeando Shura e pulando para alcançar a caixa quando ele a deixou fora de alcance.
Levantou mais a caixa, tentando em vão se esquivar e se soltar dos puxões de blusa que recebia. Deu um passo para fugir, não percebendo que a calçada acabava ali e se desequilibrando, caindo com tudo no chão, quase deitado, a caixa caiu pesada no chão atrás de si. Ele paralisou, sentindo um arrepio frio percorrer-lhe a espinha, ele nunca fora tão descuidado. Conseguia até imaginar a raiva de seu pai e olhar triste de sua mãe.
Aiolos estava um pouco distante, havia sido parado por alguém e de longe ficara vigiando os irmãos. Viu toda a cena e estava a caminho de ajudar o garoto quando ele caiu. Correu, chegando a tempo de ouvir o moreno, ainda do chão, dando uma bronca nos outros. Milo estava quase chorando, quase. O loiro odiava quando brigavam ou gritavam com ele, tanto que era difícil fazer algo (ou ser pego fazendo) ou ficar irritado seriamente com alguém por muito tempo.
- Com licença. – falou Aiolos, esperando até o menor se calar e virar para si – Me perdoe pelo comportamento de meus irmãos. – e estendeu a amo para ajudá-lo.
Ele paralisou, o olhar preso aos verde-opala brilhantes. Shura ainda demorou, mas pouco depois a pequena mão se ergueu, prendendo-se a do maior.
Aiolos puxou-o de leve, apenas o suficiente para pô-lo de pé, porém assim que Shura se levantou, não conseguiu se firmar e caiu para frente sendo amparado pelo peito e braços fortes do loiro.
- Você está bem? – perguntou o loiro mais velho.
- S-sim... a-acho q-que... – o moreno afastou o rosto, olhando para cima, então corou intensamente e afastou-se usando o tronco do maior para tal. Ao se por de pé por completo a dor percorreu seu corpo e lá estava ele com a cabeça no peito do outro de novo – Ai! Meu pé!
Aiolos apertou-o de leve entre os braços, inclinando-se para ver a causa da dor: uma fina cicatriz sangrava desde o meio do pé direito até um pedaço da canela.
- Temos que cuidar disso. – falou preocupado ao que Shura seguiu seu olhar, percebendo também a caixa ainda esquecida no chão.
- O anjo! – gritou por se lembrar e tentou abaixar-se para pega-la, mas foi impedido pelos braços fortes. – Eu preciso ver se quebrou!
- Tudo bem, contudo... – e sem esforço algum colocou o moreno nos braços, adentrando a loja e sentando-o numa das cadeiras - ...ainda precisamos cuidar disso. Você tem algo que possa ajudar? – o menor bufou, apontando para um móvel, já que não conseguia se levantar mesmo – Milo, pega pra mim? – pediu, ao que o loiro correu, querendo se redimir o mais rápido possível. O moreno fez que ia falar, porém foi interrompido com o loiro dizendo da porta – Vou pegar a caixa, ta bom? Só descanse. – e saiu.
Shura abriu a caixa em seu colo, soltando uma exclamação de dor ao ver seu conteúdo. Aiolos parou para saber se o tinha machucado, todavia o moreno estava absorto demais com seu problema para notar. O loiro piscou, voltando a fazer o curativo. O capricorniano enterrou o rosto nas mãos, a aureola, as asas e parte do cabelo estavam em pedaços e ele sentiu tudo desabar quando a voz de seus pais chegou aos seus ouvidos.
Os dois foram muito compreensíveis, seu pai não disse muito já que sua mãe estava mais preocupada com o ferimento e afinal era a primeira vez que algo assim acontecia. Ainda assim a culpa o consumia detestava preocupar ou chatear os pais, então a ultima visão que Aiolos teve dele naquele dia foi a de sua mãe limpando as lágrimas de seu rosto, depois de afastá-lo de sua cintura, onde estivera com o rosto enterrado, chorando e se desculpando.
Shura arregalou os olhos e corou ao lembrar dessa parte, depois tirou o travesseiro detrás da cabeça só para em seguida afunda-lo em seu rosto, escondendo-se com vergonha. Batidas na porta e uma voz suave o despertaram, moveu-se o suficiente para indicar que podiam entrar.
A mulher adentrou o aposento graciosamente, os cabelos longos, ondulados e muito castanhos soltos – o que não era do feitio dela - e espalhados pelas costas. A pele dourada contrastando com o vestido claro cheio de flores. Os verde-opala dela brilharam com a luz do sol quando ela abriu as cortinas para deixar a claridade tomar o lugar.
Shura sentou-se a vendo se virar com um olhar preocupado.
- Querido, você ainda não se levantou. Está se sentindo bem?
- Sim, eu só estava pensando. – ele desviou dos verdes ainda um pouco corado – Perdi a noção do tempo.
- Oh! Isso é raro. – exclamou ela, sentando-se na beira da cama – Pensava na festa de hoje, aniversariante? – e ela sorriu divertida.
- Mais ou menos – e ele sorriu também. – Mas por falar em raridades, por que está toda arrumada há essa hora?
- Isto? Eu não estou assim tão arrumada.
- Mãe, a senhora ta de cabelo solto, em plena manhã! – enfatizou.
- Oras, não fale como se fosse algo impossível. – e ela segurou um de seus cachos pensativa, depois balançou os fios, voltando-se para o filho – É que temos convidados, lembra da família Dubois? *
- Os que compraram aquelas terras para construir uma empresa?
- Sim, eles mesmo. Seu pai acabou de assinar o contrato e, como eles se mudaram hoje, os convidou para o seu aniversario. Para conhecer outras famílias e se sentirem bem-vindos. Eles têm um filho também. Vamos, se arrume e desça para conhecê-los! – ela levantou-se, saiu, mas voltou com a cabeça para terminar – Rápido, por favor. – e ela sorriu de novo, desaparecendo pelo corredor.
Shura pulou da cama, indo escovar os dentes. Seria um longo dia e ele tinha impressão que sua ansiedade para que a noite chegasse tornaria tudo mais demorado. Suspirou, encarando o reflexo do espelho, buscando esvaziar a mente para afastar o nervosismo.
Hoje veria Aiolos.
*** A+S ***
- Tira! Tira! Tira isso da minha cabeça! – repetia Aiolia aos gritos, balançando a cabeça e parando aos pulos no meio da sala, tinha saído gritando do próprio quarto.
- O que foi, Aiolia? – perguntou Milo um pouco irritado, pois com o susto derrubara a torre de brinquedos que fazia.
- Tira! Ta na minha cabeça! Tira! – repetia o leonino.
- Olia, não tem nada na sua cabeça alem de cabelo. – piscou Mu num tom preocupado, fechando o caderno em que escrevia.
- E se considerarmos o pai não vai ser por muito tempo. – riu Milo.
Aiolia bufou pelo comentário parando os pulos mas ainda inquieto. Mu foi até ele, não sem antes lançar um olhar repressor para Milo. Encarando os belos olhos verdes, levou as mãos para os fios dourados, sentiu-os deslizaram macios por suas mãos antes. Depois desceu segurando as duas mãos com firmeza, afastando-as da cabeça loira e balançando-as levemente com as suas, disse:
- Não tem nada aí, Olia. Ta tudo bem.
Aiolia ainda ficou algum tempo corado e em silencio, mais calmo pelas palavras de seu irmão e melhor amigo, foi preciso Milo falar para que ambos acordassem já que Mu também não se movera.
- Aiolia, porque você tava gritando afinal?
O leonino sobressaltou-se e correu para esconder-se atrás de Mu, como um paciente com amnésia que lembrou de um perigo passado. Numa voz cautelosa e assustada, disse:
- Era um monstro! Imenso e voador!
- Monstros não existem, Aiolia. – ergueu uma sobrancelha loira Milo.
- Claro que existem! – elevou-se todo Aiolia, antes de se esconder de novo entre os longos e lisos fios loiros – Ta lá, voando no meu quarto! Eu tava todo calado sem fazer nada, só vendo tv enquanto comia biscoitos, então eu ouço um bater de asas e quando me viro! Que susto! Tava lá, imensa, me olhou e levantou voo. Para me salvar, eu saí correndo até aqui. Por que comigo? Eu sou tão bonzinho! Eu juro que não quebrei o anjo de vidro com vestido lilás da mamãe! Juro!
- Nossa, Aiolia, que bom que você ta bem. – falou Mu levando a sério até demais as palavras do outro.
Milo estreitou os olhos azuis-marinho, desconfiando um pouco daquela historia antes de dar de ombros e se levantar:
- Vamos ver o que é! – e foi na frente, quando notou que não era seguido voltou e puxou Mu, assim trazendo Aiolia por conseqüência.
Os três se aproximaram da porta e olharam o mais afastados dela possível. Focalizaram um pontinho preto voando ao redor da lâmpada antes de pousar numa pilha de papel recortado e enfeitado. Era o que sobrara do cartão que fizeram para o aniversario de Shura. Mu foi para o meio da porta tendo certeza do que o "monstro" era:
- Esse é o monstro, Olia? É só uma barata!
- Volta para cá! Não fale tão alto, ela vai te ouvir! – sussurrou Aiolia, esticando um braço para "salva-lo".
Mu ergueu uma sobrancelha antes de revirar os olhos. Entrou no quarto pegando uma chinela para no instante seguinte espatifar o asqueroso inseto com ela.
- Você conseguiu, Mu! Pegou a melhor arma para matá-la. Você me salvou, Mu – correu Aiolia abraçando o ariano dentro do quarto agora que era seguro.
- Meu herói – ironizou Milo entrando também e tomando a "arma" - Mas precisava ser a minha chinela?
- Desculpe, peguei a primeira que vi e como você sempre a rebola por ai... – deu de ombros, sentindo-se sacudir pelo riso de Aiolia que ainda o abraçava – Olia, por que você tem medo de barata? É só um inseto e é mil vezes mais fraco que você.
- Eu não tenho medo! Eu não gosto delas voando por ai e... – soltou-se, tentando se justificar.
- É trauma, Mu. Quando era pequeno... Digo, mais novo, - e riu um pouco, fugindo para o leonino não impedi-lo de contar – foi pegar um brinquedo numa gaveta e quando enfiou a mão viu uma subindo pelo braço dele. Ele começou a gritar e sacudir então ela começou a voar até parar na testa dele. Nossa, foi a maior confusão!
Milo gargalhando alto, corria de um Aiolia vermelho e irritado. Foi preciso Mu gritar e ameaçar cortar os próprios cabelos e os do Milo para os dois se aquietarem.
- Finalmente silencio – suspirou Mu voltando depois de ter limpado a bagunça e dado um fim definitivo a barata.
- Mu, porque você não tem medo?
- É, Mu, até eu sinto nojo e chamo a mãe ou o pai – continuou Milo.
- Já me acostumei, era cheio lá no orfanato – Mu pos uns fios loiros atrás da orelha, olhando pela janela – Mas os ratos eram bem piores, principalmente quando entravam em alguma gaveta com papeis e roupas...
Aiolia levantou-se pondo o rosto de Mu entre as mãos podendo ver os violetas ao dizer:
- Não se preocupe, aqui não tem ratos. – e sorriu ao que foi seguido pelo ariano – Pelo menos nós nunca vimos nenhum, não é, Milo?
- Claro, Aiolia – aproximou-se também se inclinando como se fosse contar um segredo porém num tom alto o suficiente para todos ouvirem – Se o Aiolia já se assusta assim com uma baratinha imagina um rato! – e piscou antes de sair correndo com Aiolia em seu encalço.
Mu ainda pensou em segui-los para que nada de grave acontecesse, contudo não conseguiu resistir e começou a rir. Em pouco tempo ele seguiu os dois ajudando Milo a provocar Aiolia.
Era só mais uma manhã calma no seu novo lar.
E ainda teriam muitos momentos, muitas lembranças por fazer, especialmente com o aniversário de Shura hoje à noite.
Continua...
* Desculpa, sei que é o sobrenome da família de Médium, mas foi o único sobrenome francês que me agradou.
Nossa, que capitulo imenso, 11 pag do word o.o
Eu acabei dividindo mesmo. Precisava explicar umas coisas e queria fazer essas cenas. Conseguem adivinhar qual foi baseada numa experiência real? Ksks
Eu queria postar antes de um mês, mas levou praticamente dois dias para passar pro computador.
N.a.: qualquer erro ou confusão, me avisem que eu corrijo ou explico, a não ser que seja spoiler. Sabe, agora que me toquei que o Shura ficou um pouco uke...o.o Por falar nisso, quero saber se alguém tem problema se tiver lemon, ou se querem. Se sim, se acham melhor aumentar pra M ou fazer uma fic separada censurada (apesar de que não sei que nome daria). Claro que separo o lemon pros que não quiserem, também pode ser um cap a parte.
P.s: No próximo tem Milo/Camus. Então não vão se arrepender, se demorar. (desculpa de novo por já ter demorado dessa vez)
Agradeço a Cajango por me incentivar a deixar meus capítulos crescerem naturalmente xp. E também DW03 por colocar review nos dois capítulos!
And that's all...?
