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15x01 - LIFE AFTER DEATH - PARTE 3
CENA 12 - ER
a "cena" é numa tomada só, sem cortes
Correria no PS, que já sabe do acidente na Harrison. Médicos e enfermeiros realocam pacientes para que os corredores tenham mais espaço, e nenhum deles fala sem levantar a voz em excesso. Tony passa pelos corredores à caminho da recepção e fala com a enfermeira Daw, que seguia na direção oposta:
Gates: Peça ao banco de sangue 20 bolsas de O negativo!
Daw: Assim que eu preparar as macas!
Gates: Não! Faça isso agora! E deixe eles em alerta pra tipo específico!
Paul Grady, que saia do elevador acompanhado de Larry Weston e Laverne St. John, tromba de leve com Tony, e ambos se apóiam um no outro pra não cair.
Grady: Desculpe! Você está bem?
Gates: Não tem problema. Vocês três: roupas, luvas e máscaras estéreis. Já!
Grade e Larry confirmam e seguem pros armários, mas não John: Tony pega-a no braço e fala olhando em seus olhos:
Gates: Laverne, suba agora pro Setor de Queimados e traga enfermeiros e médicos de lá.
Laverne: Certo. - retorna ao elevador e aperto o botão do andar
Gates: É importante! Reserve pelo menos 4 leitos! E certifique-se de trazer um Atendente, e não um residente!
Laverne: Deixe comigo. - e as portas se fecham
Quando retoma caminho pra recepção, Tony encontra Haleh com uma ficha médica nas mãos
Haleh: Dr. Gates, sua paciente do anzol. - entregando a ficha - Estão esperando a alta.
Gates: Okay. - assinando a alta - Viu a Sam?
Haleh: pegando de volta a ficha - No armário de medicamentos
Gates: Certifique-se de que ela pegue bastante morfina!
recepção
Tony volta a correr pra recepção, e finalmente chega até Frank, que faz uma ligação:
Gates: As Exams estão livres! Acabei de dar alta pra última paciente!
Frank: Certo. Mas ninguém atende no Setor de Queimados ainda.
Gates: Eu mandei Laverne pra lá.
Tony, agoniado, começa a limpar o quadro de pacientes. O PS agora tem leitos:
Gates: Preciso me preparar agora.
Frank: Manda ver. - Tony dá meia volta - Ah! As salas de trauma! - mas pára
Gates: Sim, sim! Tem um corpo na 2 ainda.
Frank: E isso não era relevante?! - nervoso - Eu ligo pro necrotério.
Já de óculos e vestimentas estéreis, Archie chega e questiona Frank:
Morris: Quando eles vão chegar?
Frank: Falamos há pouco com Zadro. Vão retirar os sobreviventes e chegam aqui em instantes.
Morris: E o Pratt? Pratt está bem?
Frank: Eu... eu não sei. Quem atendeu a chamada foi Sam.
Morris: E aqueles barulhos... Eram tiros?
Sem falar, e com semblante de preocupação, o recepcionista confirma balançando a cabeça.
Morris: Baleados? Feridos? Quantos vêm pra cá?
Frank: Eu... eu não sei! Quem atendeu a chamada foi a Sam.
Morris: Droga, Frank! - batendo palmas - Nos ajude aqui. Só tem eu de Atendente hoje. Chame Brenner. Chame Skye!
Frank: Falando no diabo...
Archie se vira e topa com Skye, bronzeada, batendo na porta de vidro da triagem pra entrar. Num movimento rápido, Morris se inclina e aperta o botão de acesso pra médica.
Skye: O que aconteceu? - entrando no PS
Morris: Explosão de ambulância e tiroteio aqui perto.
Skye: Eu já soube. Um policial me falou lá fora... pergunto sobre isso daqui no PS. Está uma zona. São quantos queimados? Quantos baleados? Quantas vítimas?
Morris: N-não sabemos...
Skye: Perfeito. Quem está no comando do turno? Brenner? Pratt?
Morris: Eu.
Skye: Eu já devia saber.
Dra. Wexler olha pra Archie com certa reprovação, mas "sem ser uma bitch"
Skye: Onde eles dois estão?
Morris: Brenner acabou um turno agora há pouco. E Pratt estava na ambulância...
Apesar da correria, apesar dos telefonemas, por um momento Skye observou como era encarada por Frank e Archie numa estranha sensação de silêncio. É quando ela percebe a aflição do staff.
Skye: Okay. Morris, como está o PS?
Morris: Liberamos corredores e leitos, pedimos unidades de sangue e estamos tentando falar com o Setor de Queimados.
Frank: Ehr... Gates já mandou alguém pra lá. Mas tem um corpo na sala de traumas.
Morris: Droga... Deixe comigo.
Skye: Frank, entre em contato com as equipes de emergência...
Enquanto Wexley falava com Frank, Archie seguia seu caminho até as salas de trauma. Mas não pelo corredor, e sim pelas salas de exame, pra checar os leitos.
Exam I
Morris vê Lilly arrumando os leitos e os suportes de soro:
Lilly: Alguma estimativa de quantos pacientes?
Morris: Não serão muitos. - sem parar pra falar - Pelo menos 5, mas todos em estado grave.
Lilly: E quanto ao Pratt?
Morris: ... Nada. - abrindo a porta da Trauma I - Cheque as baterias dos desfibriladores!
Trauma I
Lá, o enfermeiro Malik preparava a maca da sala de traumas
Morris: Tudo okay por aqui, Malik?
Malik: Com certeza.
Morris: Ótimo. Eu preciso que você tire um corpo da sala ao lado.
O médico segue sem parar pra Sala de Trauma II, seguido pelo enfermeiro
Malik: Pode deixa. Aonde eu coloco?
Trauma II
Por todo esse tempo, Morris se referia apenas como "o corpo", mas rever a mulher asiática o fez ter um frio na barriga.
Morris: Ehr... Deixaremos as sala de Trauma interligadas com as Exam. Vamos pra sala de suturas
Malik: - destravando as rodas - Certo. Notícias do Pratt e Abby?
Na base da maca, Malik e puxa pela porta dupla de acesso ao corredor. Na ponta, Morris a empurra ajudando o enfermeiro:
Morris: Abby parece estar bem.
Malik: E o Pratt?
Morris: Eu... eu não sei...
corredor
Enquanto fazem a curva pra entrar na sala de suturas, Morris observa Sam no gabinete de remédios. Pensativa.
Morris: Malik, pode levá-la sem mim? Eu assino a mudança no quadro.
Malik: Certo...
Archie diminui o ritmo, e sem entrar no gabinete, fala com Sam.
Morris: Samantha...
Sam: Oi! - se assustando
Morris: Está tudo bem?
Sam: Eu... insisti que levassem alguém na transferência...
Archie escuta em silêncio.
Sam: Os federais não queriam... - com olhos marejados - mas eu insisti...
Morris: Frank não soube me responder... Como está Pratt?
Sam: Mal. - escorrendo uma lágrima - Muito mal...
Archie engole no seco e procura mudar de assunto
Morris: Já misturou os medicamentos?
Sam: Já...
Morris: Okay. Foco agora. - seguindo rumo pra recepção - Mantenha o foco.
Sam: Ehr... Precisamos falar com Chazz. Sabe onde ele está?
Archie pára. Fecha os olhos e esbraveja.
Morris: Droga...
fim da longa tomada
CENA 13 - LOUNGE
A garota asiática, apesar da confusão no PS, dorme pesado no sofá. Chazz, lê umas revistas enquanto toma café. Morris abre a porta, e devagar, põe pelo menos metade do corpo dentro da sala.
Chazz: O que foram esses barulhos e essa confusão?
Archie apenas olha pro irmão de Pratt, sem ter coragem de responder...
CENA 14 - CRUZAMENTO DA HARRISON
O local agora está sobre o controle da polícia. Curiosos foram colocados além das faixas amarelas de isolamento colocada pelos policiais. Não há mais gritos. E os feridos estão sendo cuidados pelas equipes de emergência. A senhora baleada e atropelada, ainda está vida e sobre cuidado dos paramédicos. O mesmo pra Palmer e os sobreviventes da ambulância - estes, removidos com muito cuidado pelos bombeiros.
Kovac também é atendido. Em relativo estado de choque, ele continua sentado no chão e usando Abby como apoio. À medida que a paramédica Pickman limpa suas feridas com soro, ele recua e pressionando o corpo da esposa contra o seu. Carinhosamente, ela beija o seu pescoço:
Abby: Vai passar. Vai passar...
Luka: Droga, droga!
Doris: Só mais um segundo, Dr. Kovac. Temos fraturas expostas aqui, e precisamos limpar antes de colocá-lo na ambulância.
Luka: Não. Não preciso.
Abby: Não seja ridículo. - abraçando-o com força por trás - Você quebrou a perna, Luka.
Luka: Tá, tá. Mas... - gemendo de dor - O Pratt. Pratt precisa de ajuda.
Lockhart vira o rosto, e relativamente de longe, observa os bombeiros, com cuidado, colocando Greg numa prancha pra remoção. Ele é o terceiro à ir pra uma maca. Palmer e Arnie já saíram alguns segundos atrás.
Abby: choramingando - Paramédicos estão com ele.
Luka: Abby... a queimadura foi séria. O peito dele retraiu muito... Ele está sem ar nos pulmões...
Abby: O PS está perto. Ele vai chegar lá.
Luka: Abby... - apertando forte a mão dela - Ele não vai resistir tanto. Você precisa aliviar a pressão do tórax dele. E não tem médicos aqui...
Lockhart olha pra Pratt e a equipe de resgate mais uma vez. Tudo o que eles fazem é jogar oxigênio através de uma máscara em seu rosto. Ela sabe que o marido está certo, e precisa ir lá. Mas ela tem medo de rever o colega naquele estado.
Luka: É o Pratt...
É isso. Ajudar não é mais uma opção: é uma obrigação. Carinhosamente, Abby vai se levantando e apoiando o marido na murada:
Abby: Tá certo. Eu já volto. E você. - olhando pra Pickman - Cuide bem de meu marido
Doris: Pode deixar.
Já de pé, Lockhart começa a se distanciar, à medida que o casal vai lentamente separando as mãos.
Voando relativamente baixo, um helicóptero de TV começa a filmar a cena. O barulho incomoda, mas pelo menos não venta. Acompanhado do som das sirenes e gritos, Abby se vê num cenário de guerra. Com certo receio de encarar Pratt mais uma vez, ela passa ao lado do atendimento da senhora baleada e atropelada. Paramédicos estão dando choque em seu coração, que acabou de sofrer uma parada.
Bem mais adiante, Arnie foi colocado numa ambulância e está pronto pra partir. Em volta de papel térmico laminado e com uma máscara de oxigênio, ele tem a companhia de um agente federal. Não Palmer, já que esse está ferido por um tiro e sendo colocado na mesma ambulância. E antes de chegar em Pratt, rodeado de bombeiros e uma dupla de paramédicos, Lockhart observa ao fundo policiais colocando um saco preto por cima do corpo do turco baleado no tiroteio. Mas sua atenção logo volta pra Pratt:
Abby: Deixem-me vê-lo. - se aproximando
bombeiro: Vamos direto pro hospital, dona.
Zadro: Tudo bem. Ela é médica do County.
Abby: Como ele está, Zadro?
Zadro: Está desacordado. E com dificuldades de respirar.
Abby: É o tórax dele...
Lockhart revê Greg e entende o porque de seu receio em revê-lo. O jaleco de Pratt grudou à sua carne por causa da temperatura. E no geral, ele está irreconhecível. Exceto suas pernas e cintura, todo corpo tem grau três de temperatura, com carne em músculo vivo, e cheia de bolhas nos locais de 2º grau. Só é possível reconhecê-lo pelo fato do lado esquerdo de sua face, na área da testa e do olho, ser uma das únicas não atingidas pela explosão. E sua situação piorou desde então, já que está desacordado e com dificuldades respiratórias. Abby não consegue se conter ao vê-lo...
Zadro: Temos que entubá-lo?
Abby: Não... Não! Só com fibra ótica. Precisa é de uma escaratomia.
Os bombeiros estavam prontos pra colocar Pratt na ambulância, quando param pra ouvir a conversa.
Zadro: Faremos isso quando chegar no County.
Abby: Não, não. O peito dele comprimiu. Tem que ser agora!
Zadro: Aqui?
Abby: Sim. Me dê luvas e um bisturi.
Zadro: Okay... - abrindo sua mochila
bombeiro: Doutora, nós chegamos ao hospital em um minuto.
Abby: Ele não tem um minuto!
Lockhart recebe o material do paramédico.
Abby: A queimadura foi muito forte, e contraiu o peito dele. O tórax não tem mais espaço pros pulmões.
Já com luvas e um bisturi, Abby cai na real: falar é muito mais fácil que faz... Ela está no lado esquerdo do tórax de Pratt; o lado sem braço. Respirando fundo, e calculando onde é o local certo, Abby faz o corte necessário. Mas um pouco de bile sobe em sua garganta quando ela de relance vê o rosto de Pratt. O corpo dele está de tal maneira que o bisturi corta seus músculos como se cortasse manteiga derretida.
Neste momento, uma dupla de bombeiros se ocupa com o braço amputado de Greg. Um, com cuidado, maneja o membro morto pra colocá-lo num saco preto, segurado por outro bombeiro. É o bastante pra Lockhart, que recua cobrindo a boca com a mãe:
Abby: Me desculpem, me desculpem! - já cinco passos distante - Eu não consigo. Vão logo pro County.
Frustrados com a perda de tempo, os bombeiros colocam Pratt na ambulância.
Zadro: Não quer vir conosco?
Lockhart olha pro marido, e o vê sendo colocado numa maca por Doris e alguns bombeiros.
Abby: Não, não? - tremendo, tira as luvas - Vou esperar uma ambulância pra Luka.
Correndo como nunca, chega Chazz. Desesperado, ele atravessa a faixa policial e é contido por alguns policiais. Há um princípio de confusão, até Zadro falar com os policiais:
Zadro: Tudo bem! Tudo bem! Ele é paramédico.
Nervoso, Chazz se afasta dos policiais, e vagarosamente, segue até o colega paramédico:
Chazz: Aonde... - cansado, assustado e deprimido - Aonde está o Greg?
Zadro: Ele está na ambulância. Vá lá no carona que eu fico na cabine.
Chazz: Não, não, não... - chorando - Eu quero ver meu...
É quando ele vê Pratt deitado na maca da ambulância. Seu queixo cai e ele fica sem reação. Com semblante de choro no olhar, ele perde um pouco da força nas pernas e Zadro tem que ampará-lo.
Zadro: Vá na frente. Eu fico com ele.
Depois de ver o irmão, Chazz resolve obedecer. Com as mãos nos olhos, segue caminho até a ambulância e senta-se no banco do carona ao mesmo tempo em que Zadro, na parte de trás, fecha as portas antes de olhar pra Abby. Ambos sabem que a coisa não está boa.
A ambulância parte. Os únicos a serem atendidos são a senhora baleada e Luka. Sem sair do lugar, Abby gira os calcanhares vendo o caos instaurado depois do atentado. E quando um bombeiro passa ao lado dela carregando o corpo de Bardelli num saco preto, ela não resiste e vomita ali mesmo...
CENA 15 - AMBULANCE BAY
Alguns enfermeiros e paramédicos esperam pela ambulância. O único atendente por lá é Morris. Até chegar Wexley trazendo notícias da recepção:
Skye: Duas ambulâncias estão vindo.
Morris: Pratt está numa delas?
Skye: Na segunda, mas também temos outros feridos, Dr. Morris.
Archie engole no seco...
Gates: Por que não fomos até lá? Estamos ouvindo as ambulâncias há minutos!
Skye: Negativo. Você não é um paramédico ou bombeiro. Seu trabalho é no hospital.
Malik: Eu acho que não deveríamos ter deixado o irmão dele ir até lá...
Morris: Agora já era...
Daw: Nossa, foi muito perto mesmo... Elas já estão aqui...
Chega a primeira ambulância. E os profissionais do County parecem funcionar em primeira marcha. Não estão muito animados...
A ambulância estaciona. Lá de dentro, onde estavam Ernie e Palmer, sai a paramédica Olbes removendo o agente federal:
Olbes: Rick Palmer, 45 anos, baleado na barriga. Próximo do fígado.
Palmer: Dói pra cacete... - gemendo de dor
Skye: Quanto sangue?
Olbes: Menos de 500cc. Hemorragia controlada, pressão 14x10, batimentos em 150.
Os profissionais do County ficam ao redor da ambulância pra receber os feridos.
Morris: Como está o Pratt?
Skye: Dr. Morris, siga com o Sr. Palmer pra Exam II.
Morris: Mas...
Wexley olha pra Archie com compaixão. E ele resolve obedecer.
Morris: Larry, Malik. Venham comigo.
O trio conduz a maca de Palmer pra dentro do PS
Skye: Este é o homem no programa de proteção às testemunhas?
Olbes: Se você pode chamar isso de proteção... 50 anos, 27 do corpo com queimaduras de 2º e 3º grau. Principalmente no torço e braço esquerdo...
Ainda dá tempo deles verem Ernie saindo da maca e ser recebido por Skye. Ele está muito queimado, mas não parece tão mal... Talvez Pratt esteja bem... E eles entram no PS.
CENA 16 - PS
A equipe médica segue pela triagem caminho até a Exam II, passando pela recepção. Mesmo com o tiro na barriga, Palmer consegue falar.
Palmer: Se eu pego o filho da mãe que fez isso...
Morris: O que aconteceu?
Palmer: Um atentado à bomba, foi o que aconteceu! E quando viram que Ernie ainda estava vivo, tentaram matar ele à bala!
Morris: Como... como está o Dr. Pratt?
O agente do FBI olha pra Archie, e dosa as palavras antes de falar..
Palmer: Ele não está bem...
A maca faz a curva na recepção e continua indo pra Exam II. Com cara de choro, no meio do corredor, está Sam.
Morris: Frank, liga pra cirurgia e diga que temos um baleado aqui.
Frank: Já bipei. Estão descendo... E o Pratt?
Morris: Ainda não...
Vindo pela triagem, chega Gates com Chunny e Grady conduzindo a maca de Ernie. Eles estão correndo. Ernie teve uma parada e Chunny está em cima da maca, em cima de Ernie, aplicando massagens em seu peito.
Gates: Frank! Cadê a Unidade de Queimados?!
Frank: Ehr... Laverne ainda não chegou...
Chunny: Tem certeza de que não vou quebrar o externo dele?
Com certo nojo, a enfermeira aplica a força que pode no tórax queimado.
Gates: Só faça o coração dele voltar à bater...
E no caminho da sala de Trauma, passam por Sam, que continua imóvel:
Gates: Sam, venha conosco!
Correndo, a equipe com a maca de Ernie já dobra o corredor, mas Taggart não se mexeu. E antes de entrar, Tony chama a enfermeira mais uma vez:
Gates: Sam!
Ela não se mexe. O máximo que faz é trocar um dolorido olhar com Frank, que também não tem reação... Os dois só tem a atençaõ chamada por Skye, que chega mais uma vez da triagem:
Skye: A ambulância dele está chegando. Já chamou Dr. Dubenko?
Frank: Ele... ele se demitiu essa tarde...
Wexley fica sem resposta. Ela gagueja por um instante, e retorna pra Ambulance Bay:
Skye: Ch-chame cirurgiões e o pessoal dos Queimados. - e sai do PS.
Taggart finalmente decide se mexer. Coloca seus óculos de proteção e vagarosamente segue Skye, à espera de Pratt.
CENA 17 - SURGEON'S LOUNGE
Na sala de descanso da cirurgia, dois pagers estão no modo silencioso e não param de vibrar em cima de uma mesa. E em cima de um sofá, está Brenner colocando a cueca e depois as calças.
Brenner: É disso o que eu estava falando, baby.
Sentado no chão, de costas pro sofá, está Rasgotra colocando o sutiã.
Neela: Por favor, não me chame de "baby".
E como nojo, ela passa a mão na boca. Rapidamente, Simon se lembra do que tinha na boca dela a pouco, e sorri.
Brenner: São as caladinhas que são as mais safadas.
Neela: Hey! Me respeite, seu imbecil!
Brenner: Sorry, baby. Quero dizer, doutora!
Ele se levanta e começa a abotoar sua camisa, enquanto observa os pagers.
Brenner: Nossos turnos não acabaram essa tarde? Porque estão nos chamando?
Neela: Estamos sendo bipados? - colocando a camisa
Brenner: Sim. Já faz um tempo... Hey! Minha camisa perdeu alguns botões.
Neela: correndo até seu pager - Por que você não me chamou?
Brenner: Você estava muito concentrada naquela hora. - ficando por trás de Neela - E estava indo bem demais pra parar no meio. - ele a abraça por trás, pegando em seus seios - Emergência nenhuma devia nos atrapalhar...
Simon cheira o pescoço da indiana. Ela gosta, e ela deixa. Aproveitando a oportunidade, o australiano deixa sua mão esquerda no seio esquerdo da indiana, enquanto conduz sua mão direita em direção à barriga. Rasgotra sente-se relaxada, mas no momento em que ele passa abaixo do umbigo, ela finalmente lê a mensagem do pager...
Neela: Oh, não...
CENA 18 - AMBULANCE BAY
Tudo parece ficar em câmera lenta quando a ambulância de Pratt estaciona. Skye, Sam e Haleh, que estavam à espera, procuravam tentar manter a calma. Mas duas coisas os fazem cair na real. A primeira é Chazz, desolado, e chorando, saindo da ambulância e indo pro canto do hospital, chorar sozinho. Outra, a bem pior, é quando Zadro abre as portas da ambulância.
Skye tentar ser fria o máximo possível. Haleh esbugalha os olhos e esconde o nariz e a boca com as mãos. Taggart abaixa as sobrancelhas e treme os lábios como se estivesse congelando. Com exceção das pernas e cintura, que não foram queimadas, todo seu corpo está enrolado num laminado térmico. Mas é possível notar o quão mal ele está, pois o rosto... ah, o rosto...
Zadro: Greg Pratt, 35 anos. Aproximadamente 50 do corpo com queimaduras de segundo e principalmente terceiro grau. Amputação do braço esquerdo no local da explosão... - Haleh vira de costas e começa a chorar em silêncio - Não tive como medir o pulso e a pressão. - sem pressa, eles conduzem Pratt pro PS, em estado grave mas estável - Está inconsciente desde que cheguei, mas Abby disse que o viu acordado. Ela tentou fazer uma escaratomia lá mesmo, mas não conseguiu... - mais devagar ainda, Haleh engole o choro e segue a maca - Está com complicações respiratórias.
CENA 19 - PS
No momento que a maca de Pratt entra no hospital, o silêncio impera. Passando pela triagem, Zadro prefere não passar mais os informes e decide entregar a ficha médica pra Sam. Da recepção, Frank já consegue ver o colega. Ele não reage, mas claramente sentiu-se mal com o que viu.
O som do silêncio incomoda. No PS, ouve-se apenas as chamadas dos telefonemas não atendidos.
A maca com Pratt é vagarosamente levada até a sala de Traumas como um cortejo fúnebre. Todos os funcionários que passam perto não conseguem desviar o olhar. Haleh não agüenta mais e pára de acompanhá-los. Ainda em silêncio, segue chorando pra Lounge. Daw, que estava por perto, junta-se ao grupo até a sala de Trauma.
Eles finalmente chegam à sala de Trauma. Lá, enquanto com todo zelo do mundo transferem Pratt da maca pro leito, são observados por Chunny e Gates, que na sala ao lado, usam o desfibrilador no peito de Ernie.
Morris, que estava na sala de exames, deixa Palmer por uns momentos.
Cruza caminho na Trauma I, onde com um último choque Gates e companhia recuperam os batimentos de Ernie.
E entra na Trauma II. Desolado, observa a condição do colega. E troca um último olhar com Sam. Essa, com os olhos completamente marejados. Quando ela pisca uma vez, uma enorme lágrima escorre em cada um de seus olhos.
CENA 20 - ALGUMA ESQUINA DE CHICAGO
O turco que sobreviveu ao tiroteio abandou o corpo há algum tempo, e do lado de um prédio, fala nervoso e agitado ao celular.
Turco: Eu avisei. Tinha muitos tiras lá!
Mafioso: Não me interessa. Eu quero aquele delator morto!
Turco: Senhor, ele não vai sobreviver. Eu garanto.
Mafioso: Depois de hoje, você não pode me garantir mais nada. Quero que o mate agora. Não podemos arriscar.
Turco: E-ele já está no hospital. Nessa hora, já deve está cheio de policiais e federais!
Mafioso: Arranje um jeito. Sua mulher e suas filhas dependem de você.
Turco: Você... você disse que não ia fazer nada com elas.
Mafioso: Eu não disse que farei. Mas se eu cair, não garanto que elas continuem protegidas...
O capanga fica sem reação.
Mafioso: Faça esse esforço por elas. Garanta uma boa vida pra sua família.
Turco: O senhor me promete?
Mafioso: Eu sou um homem de palavra..
Turco: Eu vou tentar.
Mafioso: Ótimo.
Turco: Eu vou tentar... - engatilhando a arma - ... mesmo que eu morra tentando.
intervalo
