Nota: O próximo capítulo vai demorar, aviso logo. Previsão para dezembro, mais ou menos para a época do natal. Mas se vocês, doces, maravilhosos e prestativos leitores deixarem reviews, muitos reviews (a sede é grande) prometo que tentarei postar antes disso. Sim, isso se chama apelo. E não, eu não tenho vergonha na cara.
Uh gagaga
Acordei com Edward se mexendo na cama, puxando o lençol e cobrindo nós dois em uma espécie de cabana. Coisa de criança, eu pensei franzindo o cenho para a claridade que começava a despontar lá fora.
Ele riu da minha expressão.
"Sabe o eu dizem sobre predestinações?"
"Não, o quê?"
"Quando duas pessoas nascem para ficarem juntas elas simplesmente sabem."
"Que conversa é essa, Edward?" – perguntei me sentando de frente para ele. Aquela coisa de predestinação e caverna estava me assustando. O que ele queria dizer, afinal? Que enquanto eu dormia ele decidiu dar uma volta e estava querendo me contar que tinha encontrado o amor da vida dele quando comprava cigarros?
"Estou falando de nós, Bella."
Essa me pegou desprevenida. Não consegui projetar nada além de uma coisa que saiu meramente como 'uh gagaga' e minha boca abriu e fechou umas três vezes. A minha reação não era uma das melhores, admito, mas o que deu nele para dizer que nós ficaríamos juntos?
Certo. Nós tínhamos transado umas duas vezes na noite anterior e provavelmente enquanto estávamos no calor da emoção eu deixei escapar que o amava. Ou talvez ele estivesse tão concentrado como eu acho que estava para perceber.
Aquelas suposições me fizeram sair da cabana que Edward montara.
"Olha só, eu preciso ir. Charlie provavelmente vai me matar se eu dormir fora..."
"Mas já é quase dia, Bella." – Ele falou com uma cara estranha. – "Você pode dizer que dormiu com Alice, noite do pijama ou algo assim."
"Corta essa, Edward! Oh, meu deus, eu estou ferrada!" – guinchei ao olhar pela janela.
Edward me assistiu recolher minhas roupas espalhadas pelo quarto e calçar meus tênis com uma velocidade sobrenatural. Ele não tinha movido um músculo e estava me olhando esquisito
"Qual é o seu problema? – ele quase gritou – você já dormiu aqui um milhão de vezes!"
"Mas agora é diferente!" – contrapus quase histérica.
"O que é diferente, Bella?" – ele disse de uma forma que julguei cruel. – "Nada mudou, está bem? Eu só estava brincando sobre aquela história de predestinação... nós—" – ele parou. Olhei para ele com o canto dos olhos, esperando que continuasse e ignorando a minha vontade de arrancar a cabeça dele. – "nós somos amigos, não somos? Nada vai mudar isso."
No fundo, aquilo era o que eu precisava ouvir.
Desci as escadas de dois em dois, o mais rápido que pude. Eu poderia muito bem fingir que tudo permaneceria da mesma forma que antes, que eu poderia agir como se não tivesse acontecido nada de mais. Mas que droga, porque ele sempre conseguia me ferir desse jeito?
Quando passei pela sala, para a minha surpresa Esme e Carlisle estavam sentados no sofá da sala conversando. Eles pararam subitamente quando eu passei por eles.
"Bella?" – Esme levantou as sobrancelhas em confusão. – "Você dormiu aqui?"
"Humm... festinha do pijama no quarto de Alice." – menti cruzando os dedos atrás de mim.
Os dois se entreolharam.
"Bem, isso é estranho, porque Alice dormiu na casa de Rose hoje..."
Eu não consegui formular uma boa desculpa para aquilo. Ao invés disso meu rosto foi adquirindo a tonalidade vermelho-berrante e eu gaguejei um pouco antes de murmurar que precisava ir para casa.
Tudo o que eu precisava era de um tempo para pensar. E provavelmente chorar com toda aquela situação.
Edward pensa e fala
Fico olhando a porta se fechar, sentado no meio daquela estúpida barraca. Bella nunca reagia como uma pessoa normal as declarações de amor. Mesmo as declarações sutis de amor.
Pego meu celular e disco o número de Alice. Antes faço uma consulta rápida no meu rádio relógio só para constatar que são quase seis da manhã e que muito provavelmente acordarei Alice. Se - penso com um sorriso – ela estiver realmente dormindo.
No segundo toque ela atende um pouco ofegante.
"Que nojo!" – reclamo, rindo do grunhido dela.
"Edward, você sabe que horas são?"
"Pelo visto vocês não sabem." – implico – "Diga alô para Jasper, por favor."
"Você tem dois segundo para me convencer de não desligar agora."
"Eu transei com a Bella." – solto rápido.
Silencio.
"Você o quê?"
"Nós transamos. E eu acho que ela meio que se arrependeu."
"O que ela disse? Ela está aí?"
"Não, ela acabou de sair. Escuta, foi bem rápido na verdade. Ela veio conversar comigo depois de eu ter mandado um zilhão de torpedos e eu meio que puxei ela e a beijei."
"E então vocês transaram."
"Antes ela me disse umas coisas estranhas, do tipo que nós só fazíamos o que eu queria, que eu não me importava com a vontade dela. E depois me beijou e nós transamos. Duas vezes. Mas isso não vem ao caso." – me precipito antes que ela me corte – "Ela deixou escapar que me amava quando estávamos no meio da coisa. E eu meio que pirei."
"Defina pirar."
"Esperei ela dormir e fui dar uma volta de carro para espairecer. Eu estou me sentindo um idiota, porque no meio da minha viagem eu lembrei daquela vez na praia, quando aquele velho pescador disse que existem pessoas predestinadas."
"Eu não me lembro disso."
"Você não se lembra porque você não estava lá. Eu estava com Bella, sozinhos."
"Mas o que ele disse sobre predestinação?" – ela pergunta impaciente.
"Disse que quando duas pessoas são predestinadas elas simplesmente sabem disso. E eu pirei. Porque quando eu estava com Bella, e até antes da gente transar, eu soube. Na verdade eu sempre soube que a gente devia ficar junto. Então eu dirigi feito um louco e quando eu cheguei, falei isso pra ela."
"Deixa eu adivinhar" – escuto Alice rir do outro lado da linha – "Foi a vez dela pirar."
"Isso é totalmente típico dela, não é?"
Como mentir para o chefe de polícia
Minhas mãos tremiam um pouco quando abri a porta de casa. Rezei para todas as divindades existentes para que eu não escorregasse e caísse. Qualquer mínimo barulho poderia acordar Charlie e eu nunca, em toda minha vida, temi tanto que isso acontecesse.
Foi mais ou menos na hora do apelo religioso e dos dedos cruzados que as luzes se ascenderam tão subitamente que me cegaram por um instante.
"Onde você estava?" – escutei o sibilo do meu pai Charlie, vestindo seu roupão velho e marrom nos primeiros degraus da escada.
Engoli em seco.
"Desculpa, pai, acabei perdendo a hora—"
"Eu perguntei onde, Bella."
Opa.
"Na casa da Alice, pai. Nós estávamos assistindo um filme e acabei dormindo lá. Eu esqueci completamente de ligar pra dizer que—"
"Ah, isso é engraçado. Porque eu liguei para a casa dos Cullen ontem, te procurando. E ninguém atendeu."
Senti um milhão de agulhas espetarem minha cabeça. Pense em algo rápido, Bella.
"Nós não escutamos nada. De qualquer forma estávamos no quarto dela e—"
"E Edward?" – Charlie insistiu tocando na coisa delicada e cabeluda que eu vinha tentando não pensar. – "Estava lá também?"
"Não com a gente." – disse com menos convicção que gostaria. – "Estou cansada, pai. Amanhã nós conversamos."
Passei por ele o mais rápido que consegui, evitando o olhar incisivo. Com sorte ele esqueceria aquela história. Ou talvez eu precisasse de uma boa desculpa e, claro, um bom álibi.
Alice intervém
"Então, estranha" – escutei a voz sonora de Alice na segunda-feira pós-sexo-com-Edward. Estava guardando meu livro de biologia e tentando fugir dos irmãos Cullen. Naturalmente a lei de Murphy contribuiu para que isso não fosse possível. – "Edward me contou."
Eu meio que engoli em seco naquela hora. "Traidor!" – sibilei. Para piorar as coisas, Charles tinha me colocado de castigo por uma semana sem idas a casa dos Cullen. O que, pra falar a verdade, soava como uma maravilhosa desculpa.
"Ele contou da sua reação. Arrependida?"
Lembrei do que nós fizemos e de como eu me sentia completa ao lado dele. Mesmo que ele fosse um idiota sem coração por querer transar comigo só para ser o primeiro e depois ainda brincar com a idéia da um futuro relacionamento. Eu não conseguia pensar em outra pessoa que me completasse dessa mesma forma, apesar de todos esses contras.
Olhei Alice de relance.
"Na verdade não."
Ela soltou uma espécie de grito e bateu palmas.
"Bem, isso é ótimo. Significa que você gosta dele."
"Mas é claro que eu gosto dele, Al, que idéia—"
"Não estou falando de amizade, Bella. Estou falando de amor, tipo Jasper e eu. Edward está um pouco confuso, é claro, mas ele meio que admitiu para mim que gosta de você também."
Revirei meus olhos.
"Lá vem você com essa história de novo..."
"Estou falando sério, Bella! Porque vocês são tão teimosos?" – ela não esperou minha resposta. – "Escuta, porque nós não saímos hoje para comemorar? Só nós duas" – ela completou rápido. – "sem Edward para atrapalhar."
"Eu adoraria, mas Charles me deixou de castigo. Aliás, se ele perguntar onde eu estava ontem a noite—"
"Noite das garotas lá em casa." – Alice completou.
Bella reflete sobre o tempo e atende o celular
Dar um tempo seria a solução. Como diria Victor Hugo, "O tempo não só cura, mas também reconcilia.". Pensei no que Alice tinha me dito no colégio e fiquei pensando sobre a confusão em que eu me encontrava.
Meu celular vibrou nesse instante, interrompendo minhas conjecturas.
Edward.
Considerei o quão estranho seria falar com ele naquele momento. Mesmo assim, como se meus dedos tivessem vida e vontade própria, atendi.
"Alô?"
"Pensei que você não fosse me atender."
"Estava considerando."
"Escuta, Bella—"
"Não precisa." – cortei – "Quero dizer, se você quer falar sobre o que aconteceu ontem, eu realmente acho que—"
"Na verdade eu queria falar disso com você pessoalmente, mas Alice disse que Charles te colocou no gancho."
"Então porque você ligou?"
"Pra dizer que eu amo você. De verdade. Com ou sem esse drama todo de sexo. Nós devemos esquecer" – a voz dele ficou muito baixa, tive que grudar o celular no ouvido – "se isso significar estranhamento. Não que eu queira. Esquecer, eu quero dizer. Mas você me pareceu um pouco—"
"Perdida?"
"É. E até você se decidir, eu acho que nós devemos continuar como éramos antes."
"Amigos."
"É, amigos."
Desligamos ao mesmo tempo.
A opinião de Emmett
"Vocês dois adoram isso" – Estávamos no vestiário quando ele disse. – "essa confusão dramática e piegas."
Ergui minhas sobrancelhas para ele.
"Eu li isso em uma revista de crítica cinematográfica. Essas coisas chatas que Rose me faz ler às vezes." – ele respondeu a minha surpresa explícita.
Eu ri.
"Mas eu to falando sério quando digo que vocês complicam demais as coisas. Vocês transaram, e daí? Vocês se gostam, e daí? Não precisa ficar fazendo esse papel de imbecis sofredores por causa disso."
"É fácil pra você falar. Rose não é exatamente a pessoa mais complicada do mundo. Na verdade foi só usar seu braço pra que ela se atirasse em você."
"Você já tentou fazer isso com a Bella?"
"Não adiantaria."
"Você já tentou ou não?"
"Bem, eu usei um músculo, mas não foi exatamente o do braço..."
Emmett gargalhou.
"Quer que eu fale com ela? Dê uma pressionada?"
"Você está maluco." – falei e ri só de pensar na cara da Bella se Emm chegasse dando conselhos amorosos-sexuais a ela. – "Deixa que de complicações eu mais ou menos entendo."
Conversa de amigos dentro do armário das vassouras
Não é como se fosse o acaso, ou o tempo. Sabe-se lá como ele soube que eu passaria ali naquele momento. Justo naquele momento ou quanto tempo teria ficado ali esperando eu passar.
O caso é que eu fui puxada para um apertado e escuro armário de vassouras e antes mesmo que eu entendesse como tinha parado ali, a voz de Edward completou o (pequeno) recinto.
"Ta legal, eu sei que prometi um tempo, mas eu meio que não sou muito bom com esperas."
"Edward" – suspirei. – "Está escuro, apertado e realmente ruim pra respirar. Nós podemos conversar uma outra hora, em algum lugar com ventilação?"
"Aqui nós temos privacidade." – ele teimou.
Era um desses armários que fedem a produtos de limpeza e que você não pode ficar com outra pessoa ali sem tocá-la. Era ali que casais costumavam se agarrar quando matavam aula. E, bem, por mais que nós fôssemos melhores amigos e tivéssemos intimidade suficiente, era sufocante tê-lo assim tão próximo de mim. Eu mal respirava.
"Ok. Cinco minutos." – falei sério, até tentei olhar para o meu relógio.
"O que foi aquilo?" – ele perguntou. Olhei para ele, confusa.
"Aquilo o quê?"
"A sua reação. Se você não queria transar comigo era só dizer."
Eu tentei, mas não consegui responder essa de imediato.
"Na verdade" – comecei escolhendo bem as palavras. Era difícil pensar com clareza quando um metro e oitenta de músculos e olhos verdes estavam ali tão perto. – "eu queria. Só não estava pronta."
"Porque vocês mulheres têm esse negócio de estar ou não prontas pra transar?" – ele parecia chateado.
"Hey, dói. Só pra começar. E historicamente e culturalmente nós somos julgadas a todo momento e, olha, pra vocês homens é fácil falar. É só desabotoar as calças e entrar lá dentro. Nós recebemos vocês. Tipo invasão."
"Eu fui cuidadoso. Não fui?" – ele quis saber um pouco chocado pelo discurso. Balancei a cabeça teatralmente.
"Foi, mas esse não é o caso, Edward. Eu também fui tomada pelo impulso. Agi sem pensar e—" parei. Aquela seria a hora, pensei. O divisor de águas. "essa coisa de primeira vez era pra ter sido especial. Com alguém especial. E não com meu melhor amigo."
Nota: Próximo capítulo todo narrado sob o ponto de vista de Edward. Oh, mas não é que ele tem um coração?
Reviews – agradeço a todos que comentaram e fico imensamente feliz por saber que estão gostando. Responderei a eles assim que tiver uma brecha na loucura que é a minha vida. Até lá, um sincero obrigado.
Beijos!
