Just Kiss Me

Parte III - Final

Encontro Sob a Lua


Haruka tamborilou o balcão da farmácia irritada, esperando que o rapaz lhe trouxesse os remédios. Suspirou quando não houve sinal da aproximação do atendente, e lançou um rápido olhar para o relógio em seu pulso.

'Droga, sei que ele vai reclamar.'

– Só um minuto senhorita.

A garota girou os olhos, encostando-se ao balcão e fechando os olhos. Como fora mesmo que fora parar ali?

oOFlash BackOo

Haruka ergueu os olhos de suas anotações quando Jakotsu entrou em sua sala.

Está atrasado. – Baixou a caneta. – Onde passou o dia todo?

O rapaz caminhou em silêncio até sua mesa e jogou uma folha sobre os papéis.

O que é isso?

Receita médica.

Está doente? – Haruka perguntou, baixando os olhos para a lista de remédios.

Graças a sua vizinha maluca. – Jakotsu deixou-se cair na cadeira. – Ela me conhece, por que tinha que virar uma jarra de água na minha cabeça?

Deve ter pensado que você estava me atacando… – A garota voltou sua atenção para o rosto corado do amigo. – Por que me deu isso?

Vá comprar para mim.

Por que acha que vou largar meu trabalho para comprar remédio para você? – Haruka franziu o cenho levemente.

A culpa foi sua.

Suponho que quer que eu pague também…

A culpa foi sua.

Não pensa realmente que vai conseguir me convencer disso, pensa? – Haruka deixou a folha cair sobre a mesa novamente, recostando-se na cadeira para analisar o rapaz. – O que você tem?

Gripe… resfriado… – Jakotsu balançou a mão, dando de ombros. – Algo assim, não prestei atenção.

Não prestou atenção?

Era uma médica. – Suspirou. – O enfermeiro era muito mais interessante para se prestar atenção.

Haruka quase caiu da cadeira ao ouvir isso. Suspirou, esfregando as têmporas.

Está brincando comigo, certo?

Não.

Quem em sã consciência pára de prestar atenção no que o médico diz para paquerar o enfermeiro? – Deu de ombros, observando a expressão séria do rapaz. – Esqueça, foi uma pergunta idiota… é claro que você faria isso.

Vai comprar o remédio para mim?

Haruka abriu a boca para responder: 'Faça isso sozinho.' E voltou a fechá-la, observando o rosto cansado e corado do amigo. Suspirou, erguendo-se da cadeira, e dando meia volta na mesa.

Por que veio trabalhar? – Perguntou, pousando a mão sobre a testa dele. – Está queimando de febre.

Não queria ficar sozinho em casa. – Jakotsu suspirou, encostando a cabeça no braço da garota.

O que aconteceu com seu namorado? – Haruka perguntou, afagando os cabelos do amigo inconscientemente.

Terminamos.

De novo?

Era outro. – Jakotsu fechou os olhos como se aquilo fosse normal.

Deite no sofá. – Haruka falou em voz baixa. – Descanse enquanto termino esses papéis.

Não vai esperar que eu durma e me deixar sozinho aqui novamente, vai? – Jakotsu perguntou enquanto ela o ajudava a levantar e caminhava até o pequeno sofá ao lado da porta.

Não dessa vez. – Haruka sorriu, pegando o próprio casaco e cobrindo o amigo depois que ele se deitou. – Vou comprar seu remédio quando terminar.

Certo… – Jakotsu murmurou rouco e fechou os olhos.

A garota sorriu, inclinando-se para depositar um beijo em sua testa.

Você parece um garotinho quando está doente.

oOOo

'Oh sim!' Ela pensou, reabrindo os olhos. 'Sempre consegue me convencer a fazer as coisas por ele quando age desse modo…' Sorriu. 'Mas ele faz o mesmo por mim.'

– Aqui está, senhorita. – O atendente finalmente voltou, trazendo os remédios. – Vai pagar com dinheiro ou cartão?

Haruka suspirou, tirando a carteira da bolsa.

– Pode se apressar?

oOoOoOo

Haruka bufou ao ouvir o celular tocar dentro da bolsa, atraindo um olhar curioso do caixa do restaurante. Equilibrou o pacote da farmácia sobre o de comida, alcançando o aparelho.

– Eu sei que estou demorando, Jakotsu!

– Só estava me certificando de que não conheceu algum bonitão no restaurante e decidiu fugir com ele… – Jakotsu fez uma pausa e ela pôde ouvi-lo tossir antes de completar. – E esqueceu de seu pobre amigo doente.

– Sinto muito por ser uma escrava tão inútil.

– Deixa de drama, Akai.

– 'Deixa de drama, Akai'? – Ela bufou, lançando um olhar irritado para o casal parado atrás dela, e só então percebeu que parara na porta. – Sinto muito. – Murmurou, dando um passo para o lado para lhes dar passagem. – Você me faz de escrava o dia todo e eu sou a dramática?

– Foram só alguns favores. – Jakotsu falou calmamente. – E não foi o dia todo!

– …

– Você vai voltar, não vai?

– É claro que vou, seu grande idiota! – Haruka suspirou – Você está no MEU apartamento!

– Verdade.

– Até depois! – Suspirou, enfiando o celular dentro da bolsa. – Idiota! – Empurrou a porta com toda a força, arregalando os olhos ao senti-la atingir alguém. – Desculpe! – Sem pensar voltou a empurrar a porta, ouvindo um gemido quando atingiu a pessoa novamente. – Desculpe! Desculpe! – Saiu rapidamente, quase derrubando os pacotes e parou ao lado do rapaz que cobria o rosto com as mãos. – Desculpe, – Colocou a mão no braço do rapaz, puxando-o para longe da porta. – mas você não devia parar…

– Eu pretendia entrar… – A voz conhecida soou abafada antes que ele baixasse as mãos. – Não estava parado. – Sesshoumaru esfregou a testa, onde ela pode ver uma mancha avermelhada. – Você deveria olhar antes de abrir a porta.

– Você!

– Fez de propósito?

– É claro que não! – Haruka estendeu a mão para tocar o lugar que a porta o atingira.

– Mas pelo seu olhar posso apostar que o faria se tivesse a chance agora.

– Você é realmente um idiota. – Ela parou, observando a própria mão sobre o rosto dele e a abaixou rapidamente. – Sinto muito.

– Tudo bem, não vai me matar.

– Vai ficar com um 'galo'.

– Bem, acho que aconteceria com qualquer um que fosse atingido duas vezes no mesmo lugar.

– Desculpe. – Haruka corou, dando um passo para trás e quase derrubando o pacote de remédio.

Sesshoumaru o segurou, fitando-a curiosamente.

– Está doente?

– Não. – Ela estreitou os olhos, pegando o pacote das mãos dele. – Meu amigo está.

– Amigo, não é namorado?

– Sim, amigo. – Ela confirmou. – Não que seja da sua conta.

– Aquele que a estava agarrando ontem?

– Agora… – Ela deu um pequeno sorriso, tentando esconder a surpresa. – Quem está seguindo e espionando aqui?

– Apenas passei de carro por vocês ontem.

– Certo. – A garota deu de ombros. – Tenho que ir antes que ele ligue novamente, perguntando se fugi com o farmacêutico. – Haruka desejou que um buraco se abrisse sob seus pés quando ele lhe lançou um olhar curioso. – Não que eu costume fazer isso.

– Sim, claro que não.

– Pense o que quiser.

Sesshoumaru deu um pequeno sorriso, observando a garota se afastar, Quase sem perceber, as palavras deixaram seus lábios.

– Quer jantar comigo?

Haruka parou, virando-se lentamente para o rapaz parado ao lado da porta do restaurante.

– O que disse?

– Você me deve.

– Eu já pedi desculpas pela porta atingindo sua cabeça… – Ela piscou confusa. – Vai me fazer pagar seu jantar? – Perguntou incrédula.

– Você saiu sem pagar a conta ontem.

'O quê?' Haruka quase caiu para trás, lembrando-se de como saíra quase correndo depois de ouvi-lo dizer que ela o estava perseguindo. 'Inferno!'

– Se me disser quanto eu lhe devo—

– Como eu disse, pode jantar comigo.

– Eu só tomei um refrigerante… – Ela piscou confusa demais para impedi-lo de pegar os pacotes de suas mãos. – Você quer que eu pague seu jantar?

– Você é sempre tão desconfiada?

– Apenas com pessoas que não conheço. – Haruka baixou os olhos para a mão masculina segurando seu braço. – Não está com medo de que eu o assalte?

– Era uma brincadeira… – Ele deu um quase imperceptível sorriso. – Não pensei que levaria a sério.

– Eu preciso ir… – Ela tentou protestar enquanto era empurrada gentilmente para dentro do restaurante. – Meu amigo está doente e—

– Não vai morrer se esperar uma hora.

– Mas…

– Não vai ter que pagar o jantar. – Sesshoumaru acenou para o garçom. – Apenas a bebida… e me fazer companhia por ter me atingido com a porta… – Pousou a mão na cintura da garota, forçando-a a seguir o garçom. – Duas vezes, devo lembrar.

– Eu… – Haruka suspirou, lançando um olhar pra o relógio novamente. – Meia hora.

– Vai ter que comer rápido.

'Droga.' Haruka fechou os olhos, sentando-se a mesa. 'Eu deveria ter batido com mais força!'

oOoOoOo

Jakotsu abriu os olhos quando ouviu a porta abrir lentamente, Observou em silêncio a garota retirar os sapatos e caminhar lentamente, sem acender a luz, até o sofá onde estava deitado.

Sentiu a mão fria tocar sua testa, e a garota pular quando a segurou.

– Onde estava?

– Você está acordado… – Haruka sorriu, colocando os pacotes no colo do amigo. – Vou pegar água para que tome o remédio.

– Responda primeiro. – Jakotsu falou lentamente, sem soltar o pulso da garota.

– Jantando…

– E me deixou aqui sozinho?? – O rapaz a soltou, baixando a cabeça. – Sabia que ia paquerar alguém e me esquecer! Seu pobre amigo doente… por sua causa!

– Jakotsu…

– Eu podia ter morrido sem remédio… – Ele continuou, fungando. – Garota desalmada.

– Céus, você é mesmo dramático! – Haruka sentou ao lado dele no sofá. – Só está gripado. Ninguém morre disso.

– Eu fiquei preocupado, quase saí para procurá-la… – Jakotsu continuou no mesmo tom choroso. – Eu poderia piorar, pegar pneumonia e…

– Acho que vou sair novamente… – Haruka começou a levantar e sorriu quando ele a segurou.

– Já parei. – O rapaz sorriu. – Eu deveria saber que não funcionaria com você.

– Console-se em ter me enrolado para comprar remédio. – A garota pegou o pacote de comida e o abriu. – Coma, – Depositou um rápido beijo em seu rosto e levantou-se. – Vou pegar água para que tome o remédio depois.

– Vai me contar? – Jakotsu começou a comer, esperando que a garota retornasse. Observou-a sentar a seu lado em silêncio. – Quem é o cara?

– Ninguém… – Haruka mordeu os lábios para não rir.

– O que você fez? – Jakotsu soltou a colher, virando-se para fitá-la. – Não envenenou a comida, envenenou?

– Não. – Haruka riu, virando-se no sofá para ficar de frente para o amigo. – Você tem uma imaginação fértil demais. – Pegou o pote com a sopa e a colher. – Encontrei o cara do guarda-chuva. – Encheu a colher com sopa e estendeu para o rapaz.

– Hum… – Jakotsu tomou a sopa e analisou o rosto da garota. – Aquele que você disse nunca mais querer ver?

– Sim. – Ela sorriu, pegando mais um pouco de sopa e estendendo para ele.

– Oh, céus, não preciso me preocupar com a polícia aparecendo, preciso? – Jakotsu quase engasgou quando ela o forçou a abrir a boca para tomar a sopa. – O que você fez?

– Bati com a porta do restaurante nele.

– Você o quê?

– Foi sem querer! – Ela riu. – Estava nervosa porque você estava levantando suposições idiotas sobre a minha demora, abri a porta sem olhar…

– E o acertou?

– Duas vezes…

Jakotsu começou a rir.

– E o cara ficou tão zonzo que lhe pagou o jantar?

– Não, ele disse que eu tinha que lhe pagar uma bebida. – Haruka baixou as mãos, fitando o amigo. – Saí correndo ontem e esqueci de pagar a conta.

Jakotsu se jogou contra o braço do sofá, rindo ainda mais.

– Não é engraçado!

– Claro que é! – Jakotsu sorriu, erguendo as mãos em sinal de trégua. – Então pagou pela bebida?

– Não. – Haruka baixou o rosto, tentando esconder as bochechas coradas.

– Não?

– Sesshoumaru disse que era bobagem que eu pagasse por tão pouco. – A garota disse, pegando um pouco mais de sopa e tentando fazê-lo abrir a boca.

– Oh, que lindo! – Jakotsu afastou o rosto da colher. – E…?

– Combinamos de nos encontrar novamente… – Haruka tentou colocar a colher na boca do amigo novamente e calá-lo. – Tenho que pagar uma bebida pra ele, você sabe.

– Claro, claro. – Jakotsu segurou o pulso da garota. – Pára, vai me matar com isso!

– Pare de me provocar, Jak-chan!

O rapaz sorriu, pegando a colher das mãos dela.

– Certo, então vai encontrá-lo novamente? – Perguntou, tomando a sopa sozinho.

– Sim…

– Pretende acertá-lo com alguma coisa dessa vez?

– Claro que não! Foi um acidente!

– Oh, sim… esqueci disso.

Haruka gemeu, baixando a cabeça até encostar a testa no ombro do amigo.

– Acha que estou cometendo um erro?

– Por que acha que é errado? – Jakotsu suspirou – O cara não é casado, é?

– Não… – Haruka suspirou. – Mas ainda pode me magoar.

– Querida Akai, – Jakotsu suspirou, pousando o pote de sopa e a colher sobre a mesa ao lado do sofá antes de abraçá-la. – Como pretende ser feliz, descobrir quem vai fazê-la feliz, se não arriscar ser magoada de vez em quando?

– Não sou tão corajosa quanto você… – Haruka aproximou-se do rapaz, deitando a cabeça em seu ombro. – Ter um namorado diferente a cada mês não faz o meu estilo…

– Está me ofendendo desse modo. – Jakotsu falou em tom sério. – Não troco de namorado mensalmente.

– Desculpe.

– A cada quinze dias.

Haruka sorriu, suspirando aliviada.

– Você não desanima?

– Se eu dissesse que não fico triste algumas vezes estaria mentindo.

– Então por que continuar tentando?

– Como vou encontrar a pessoa certa se não procurar?

Haruka respirou fundo, pensando nas palavras do amigo.

– Acho que você tem razão.

– Sempre estou certo.

– E é tão modesto… – A garota falou sarcástica.

– Sim, minha mais marcante qualidade! – Jakotsu sorriu. – Deixe de se preocupar com as coisas erradas que podem acontecer e aproveite as boas enquanto durar.

– Certo. – Haruka sorriu quando ele a puxou para mais perto e a cobriu com a coberta em que estava enrolado.

– E se algum dia o cara te magoar… – Jakotsu sorriu. – Vou estar a seu lado para ajudá-la a tentar novamente.

– Assim como fico do seu.

– Exatamente!

– E vai fazê-lo pagar por me fazer sofrer?

– Claro! – Jakotsu piscou – Posso dar em cima dele?

– É claro que não! – Haruka o empurrou, estreitando os olhos.

– Mesmo se ele te magoar?

– Não.

– Mesquinha.

– …

– Quando posso conhecê-lo?

– Hum… nunca?

– Por quê?

– Melhor não arriscar. – Haruka mostrou a língua para o amigo antes de ajeitar-se no sofá e deitar a cabeça em seu ombro novamente.

– Não vou dar em cima do seu namorado, Akai…

– Eu sei.

– Então?

– Eu disse não!

– Droga de garota mesquinha… – Jakotsu resmungou. – Vai dormir aqui?

– Talvez.

– Posso ficar com sua cama?

– Pode ficar aí se não quiser ser chutado para fora!

– Droga.

Haruka sorriu, passando um braço pela cintura do rapaz e fechando os olhos.

oOFlash BackOo

Por que me convidou para jantar?

Estava com fome, e você parecia cansada.

Outra desculpa… – Haruka sorriu. – Assim como aquela conversa de 'lhe dever uma bebida'.

Pode me pagar a bebida amanhã. – Sesshoumaru respondeu, abrindo a porta para que ela saísse do restaurante.

E ter que suportar sua companhia novamente?

Seria mesmo tão ruim?

Haruka piscou, erguendo a cabeça para fitar o rapaz.

Continuará sendo grosseiro?

Vai me acertar com alguma porta?

Apenas se for grosseiro. – Haruka sorriu.

Tentarei me comportar melhor. – Sesshoumaru lhe devolveu os pacotes. – Tem certeza que não quer uma carona?

Sim, vou pegar um táxi.

Minha companhia é mesmo tão ruim que prefere pagar?

Não quero que saiba meu endereço. – Haruka piscou – Você pode tentar me assaltar… você sabe.

Sesshoumaru deu um pequeno sorriso, lembrando que dissera as mesmas palavras no dia anterior.

Acho que tem razão… – Fez sinal para um táxi. – E você pode tentar roubar meu carro.

Exatamente! – A garota sorriu quando ele abriu a porta do táxi. – Bem… até… – Parou de falar quando sentiu os lábios dele tocarem os seus rapidamente. – Amanhã. – murmurou quando ele se afastou.

Até amanhã, Akai. – Sesshoumaru sorriu, empurrando-a gentilmente para dentro do táxi.

oOOo

A garota sorriu, tocando os próprios lábios suspirando. A breve carícia acontecera tão rapidamente que pelos segundos que o táxi levara para afastá-la de Sesshoumaru chegara a duvidar que havia acontecido. Sentiu o rosto aquecer com a lembrança e puxou a coberta sobre a cabeça.

– O que está fazendo, Akai?

– Nada.

– Nada?

– Precisa de uma resposta, Jak-chan? – Haruka sorriu, erguendo-se do sofá. – Acho que estou me permitindo sonhar. – Beijou o rosto do amigo e correu para o próprio quarto.

Jakotsu sorriu, ajeitando-se no sofá.

– Garota maluca.