Parte 3

Duo Pov

Apenas uma porta e um pequeno corredor nos distanciava. Era duro saber que nossa amizade não seria mais a mesma coisa. Eu poderia fingir que estava tudo bem, como sempre fingia. Mas simplesmente não agüentava mais me enganar, ou enganar a Heero.

Talvez fosse até bom deixar claro que não estava nada boa a relação entre eu e ele. Que talvez não fosse possível continuarmos amigos. Talvez não fosse mesmo. Era duro olhar para ele todo santo dia, e não poder beija-lo ou abraça-lo... Convida-lo para algo mais intimo.

Bah! Do que adianta pensar nessas coisas agora? Não adianta ficar aqui encostado na porta sem fazer nada.

Eu escolhi me distanciar dele... Escolhi deixar claro que estou irritado. Cabe a ele ver isso!

Solto um suspiro e desencosto da porta. Encarar aquele relógio Filha da Puta do Felix, com um sorriso quem disse: "Se fudeu, estupido!" é simplesmente irritante.

Jogo-me no sofá. Não posso fazer muita coisa agora. Heero provavelmente decidiu se afastar de mim. Depois daquele ataque que eu dei no carro.

Eu admito que não fui nada adulto e maturo da minha parte. Heero é solteiro, pode namorar ou ficar com quem quiser, não tem que dar explicação para ninguém.

Quem sou eu para me irritar ou impor alguma coisa?

Para começo de conversa, nem parceiro dele eu sou mais. Não tenho direito nem de opinar... Não tenho como aborda-lo nesse assunto. E ruim ser inútil nesses termos...

Estava tão cansado. Que nem percebi que o errado aqui sou eu, por ter colocado tanta distancia entre nós dois.

Quase me levanto no sofá. Eu deveria me desculpar com Heero. Não... Melhor não...

Volto a me deitar no sofá e encarar o teto.

Heero POV

Olhei para o corredor vazio. Duo havia acabado de fechar a porta do apartamento dele.

Não consigo tirar o olho daquela porta maldita.

Tudo o que eu queria é que ela se abrisse de repente, e me mostrasse um Duo sorridente, dizendo que tudo não passou de uma brincadeira, e que nós podíamos voltar a conversar.

Duo...

Nos últimos anos, ele e os meus amigos foram a única coisa que me manteve de pé e vivo.

O único sentindo nessa minha vida solitária.

Duo, por que eu o amava. Amava aqueles olhos violetas...Aquela longa trança nada pratica e aquele jeito baka, e ao mesmo tempo tão centrado dele.

Ele nunca soube. E talvez nunca saberá.

Diferente de Quatre e Trowa, nós sempre tivemos uma relação conturbada. Começamos muito mal, tentando matar um ao outro, eu o trai, tirei as peças de seu gundam para arrumar o meu, enquanto ele havia se voluntariado de me ajudar com o mesmo.

Talvez seja por isso que eu tenha tanta vergonha de dizer tudo que eu sentia por ele naquela época, e que ainda sinto até hoje.

Mas o que fazer? Com esses acontecimentos, eu estou simplesmente desistindo de tentar qualquer coisa com ele.

Suspiro mais uma vez e encaro aquela porta. A pouca distancia que nos distanciava parecia muito maior, como se um abismo tivesse simplesmente surgido entre eu e ele.

Fiquei minutos parado como um idiota, até que minhas pernas resolveram andar por conta própria em direção da porta do apartamento dele. E lá eu permaneci por um bom tempo, criando coragem para tocar a campainha...

Eu senti o meu corpo congelar quando ele não atendeu de imediato...

Mas quando a porta se abriu...Veio aquele alivio quase que inconveniente... Nada estava resolvido. E eu ainda teria de me declarar, se quisesse que toda aquela situação acabasse... e eu pudesse finalmente dizer que estava próximo dele.