Eu estava feliz. E nem mesmo o bafo de um dragão norueguês poderia me fazer sentir mal. Okay, eu estava muito extasiado.

Mas não é isso? Amar e ser amado? Essas coisas que os trouxas dizem. A metade da laranja? Tia Hermione e seus filmes de sessão da tarde.

Eu ainda fico aéreo que nem um tapado quando me lembro de quando contamos pra família dela sobre estarmos namorando. Vovó Adnrômeda achou mais que óbvio, e maravilhoso o nosso namoro. Fluer não se cabia de emoção e seus irmãos também, Dominique e Louis me idolatravam.

Mas Bill, ele, digamos... hum... vai precisar de algum tempo pra aceitar. Semanas ou meses, para ser mais exato. Mas eu ainda ia visitar a casa dela, na presença dele claro, e também a Toca.

Tio Harry e tio Rony ainda me recebiam em casa, mas depois que eu ficava muito tempo longe dela, me mandavam por rede de flú até a Vicky.

Era as vezes até demais, mas eu sentia falta o que eu podia fazer quanto a isso?

Victoire já me expulsou a vassouradas da sala de estar, por eu não a deixava ler aquela revista adolescente para bruxas. Que era a coisa mais chata do mundo, eu a estava poupando de uma perda lastimável de neurônios. Isso sim!

Mas não dava pra discutir. Victoire tinha um temperamento forte e eu não queria deixá-la chateada. Mesmo depois de ser enxotado, ela veio mais tarde me trazer um lanche e pedindo desculpas.

Ela é atemporal. Completamente maluca. Mas é a minha maluca. A minha Victoire Maluca Não-ruiva Weasley.

Olhei ao redor na estação 9 ¾ procurando por aquela cabeleira loira platinada.

Eu havia chego com vinte minutos de antecedência e esperava vê-la antes de partir. Porque depois dali seria somente no próximo mês de julho, e no próximo, e no próximo, até eu voltar definitivamente formado como auror.

Meu estômago deu outro salto no estômago. Por mais que tivéssemos tentado ficar perto um do outro naqueles meses, era difícil querer se separar.

Eu tentei afastar a memória que eu tinha de quando contei a ela. Vicky esperava que eu terminasse, por mais que eu tivesse afirmado pra todos que estava com ela. Eu não disse que ela era doida?

As pessoas se amontoavam cada vez mais nos finais dos vagões para colocar os malões, então eu fiquei bem a vista e conseguia enxergar melhor. Mas mesmo com esse meu cabelo azul, ainda podia ser difícil para ela me encontrar.

— TEEEEEDDYYY! – Uma vozinha fina me chamou.

Mas fui obrigado a olhar para baixo, porque alguém – Louis – agarrava as minhas pernas.

— Louis? – Chamei ele pegando-o pelo ombro.

— Oi. – Ele disse rindo. – Achei o Teddy, Vicky. – Ele falou rindo para a irmã atrás dele.

Ela já estava com as vestes da Grifinória, e um broche com a letra "M" de monitora chefe, daquele ano. Os cabelos estavam amarrados e ela não tinha mais o malão com ela.

— Oi.

— Oi. – Ela me respondeu sorrindo.

Louis olhava para nós dois de uma maneira engraçada. Victoire deu um olhar de repreensão e ele foi caminhando até os pais dela, mais atrás. Bill e Fluer acenaram para mim e eu fiz o mesmo. Dominique saiu apressada com seu malão.

— Eles querem nos dar privacidade. – Ela disse sorrindo mais uma vez, mas logo sumiu e ela ficou com aquele olhar.

Maldito olhar de cãozinho abandonado! Merlin, o que eu faço?

— Vicky...

— Ainda não acredito que só vou te ver no próximo ano! – Ela falou jogando os braços no meu pescoço.

Olhei surpreso, as pessoas ao redor nos olhavam e depois iam seguindo seus caminhos. Eu a abracei de volta e pude sentir ela soluçar. Trouxe ela mais contra mim. Alisei os cabelos dela esperando que ela se acalmasse.

— Desculpa. – Ela disse dando um pouco de espaço. – Mas. – Ela olhou para baixo, os olhos não estavam vermelhos. – Austrália...

Eu entendi o que ela queria dizer. Aquele oceano entre a gente. Se comunicando apenas com cartas. Ela estava certa em ficar triste. Da mesma forma como eu estava.

— Eu sei. – Disse pegando o queixo dela, fazendo com que ela olhasse nos meus olhos. – Hey. Por Merlin, não faça essa cara. – Eu a abracei de novo. – Se não todo o esforço vai pro ralo do banheiro da Murta.

Ela riu. Deu um espaço de novo e ficou na ponta dos pés para me beijar.

Okay. Oficialmente ela tem problemas... Bons problemas... Ótimos problemas... Se tem algo nela que me fazia perder a cabeça, era... bom, tudo.

Mas a nossa felicidade sempre dura pouco, eu estava contando até quanto tempo nos deixaram a sós.

— Hey, Teddy! – Nós nos separamos e encontramos James, o filho mais velho do meu padrinho. – Teddy? Vicky?

James tinha ainda problemas para assimilar algumas situações. Tínhamos que lembrar ele sempre que eu estava namorando sério com a prima dele.

— Hey, James.

— Oi. Cadê o tio Harry, e a tia Gina, James? – Victoire perguntou mais séria.

Vicky ainda me abraçava e eu ainda tinha os meus braços na cintura dela. James parecia petrificado ali. Como se fosse a situação mais bizarra que poderia acontecer na vida dele.

— Oh.

— James, vai com seus pais. – Vicky pediu com jeito. Ele continuou parado e rindo.

— James. – Eu falei grosso e ele ficou com medo. – Eu estou querendo namorar a Vicky. – Ela me bateu, vermelha. – Ai!

Namorando? – Ele disse como se essa palavra fosse de outro planeta.

— Quantas vezes eu preciso dizer a ele? – Perguntei analisando o rosto vermelho dela.

Victoire se soltou e disse:

— James. – Ela balançava a mão com a varinha. – Estou ocupada com o Ted. Vai lá com os meus tios.

— Não vou. – Ele disse rindo inocente.

— Eu sou monitora, James, mas ainda não entramos no trem... – Victoire parecia tremendamente assustadora. – E você sabe muito bem pelo Teddy que eu sou boa em transfigurações...

— Vicky, não faça isso. – Eu disse sério e dramático.

Quando demos por nós, James não estava mais lá. Ela deu uma risada e voltou a me abraçar. Mas dessa vez seria ela quem se sentiria embriagada.

Merlin, eu a amo. Okay, talvez era cedo demais para eu dizer a ela, mas eu estava disposto a aguentar aqueles três anos por ela.

Victoire chorou antes de partir. Me fazendo quase desistir e outrora ela me amaldiçoando se eu desistisse do treino de aurores. Dei um profundo e demorado beijo nela. E guardei na memória o rosto dela até o próximo julho.

— Vou te esperar até lá, Teddy. – Ela disse sorrindo e colocando nas minhas mãos uma gargantilha com um pingentinho de gota.

Fiquei atônico, mas mesmo assim aceitei.

Ela acenou de longe antes de sumir por causa da fumaça. Avistei seus irmãos, os Potter e os outros Weasley. E fiz o mesmo para cada um deles.

Mas era dela que eu me lembrava quando sai da estação. Olhei a gargantilha e guardei no bolso.

Estava na minha hora agora. Austrália.


12 de Julho de 2018

Eu havia conseguido chegar no horário esperado, sem atrasos de barco e trem. Vovó Andrômeda me esperava na porta de casa naquela manhã ensolarada. Ela usava um vestido bege de rendas nas barras e os cabelos amarrados em uma trança.

— Ted!

— Voltei, vovó. – Ela me deu um longo abraço, ali mesmo na calçada da casa.

Eu não estava bem vestido. Na verdade minha roupa estava surrada, e eu carregava minhas duas bagagens com as mãos.

— Como você mudou!

Ela tocou meus cabelos agora mais compridos, e depois a barba. Estava por fazer, mas achei melhor esperar chegar em casa. Ela passou os olhos pela gargantilha de Vicky no meu pescoço. E deu um sorriso.

— Vamos entrar. - Ela foi caminhando na minha frente - Deve estar cansado!

Ela abriu a porta da casa de madeira.

— E com fome. – Falei rindo.

— Disso eu já esperava. – Ela falou dando uma piscadela marota.

Dei uma boa olhada quando entrei. Estava tudo no lugar, como quando eu saí dali. Os mesmos móveis, o mesmo cheiro. Exceto pelo cheiro de bolo. A sala no canto esquerdo ainda tinha a tv velha que pertencia ao meu avô, Ted. E na entrada também aquela lareira ligada com as outras casas bruxas.

Vi minha avó circundando a cozinha.

— Deixe as malas ali mesmo querido. – Ela falou de lá. – Já falou para a Victoire que voltou?

— Não. Quero fazer uma surpresa. – Eu falei. – Vou tomar um banho.

Ela sorriu e assentiu.

Subi os lances de escada com rapidez. Ficaria ali para o café e depois iria a casa dela. O plano era perfeito e meu coração martelava só de pensar na reação dela. Mesmo que na última carta ela tenha me amaldiçoado por dizer que chegaria com um dia de atraso.

Victoire não parecia ter mudado pelas cartas que escrevia.

"Não acredito! Teddy Remus Lupin! Que você vai mesmo se atrasar! Seu irresponsável!

Mas estarei te esperando.

Me avise quando chegar.

Com Amor,

Victoire W."

Meu quarto ficava no final do corredor e o banheiro ao lado. Olhei dentro esperando encontrar aranhas e teias, mas vovó Andrômeda deve ter limpado o quarto antes de eu retornar.

Tomei um banho rápido e procurei no meu armário alguma roupa normal, por fim optei por jeans e uma camisa cinza que eu iria por assim que me livrasse da barba a fazer.

Ouvi os passos firmes da minha avó, provavelmente me avisando que a comida estava na mesa.

— Já vou vó, só preciso...

A porta se abriu e eu dei um pulo. Mas não era minha avó na porta.

Era Victoire!

Ela tinha os cabelos soltos, uma blusa branca soltinha e shorts de malha. Ela estava assustada, lá parada na porta com os lábios abertos, me olhando de cima a baixo.

Ted. – Ela disse de repente, me arrepiando a nuca. Ouvir a voz dela depois de um ano, era como uma criança esperar pelo natal. Eu estava agarrado a minha blusa e na outra mão o aparelho de barbear. – Ted! Porque mentiu pra mim! – Ela falou irritada.

— Eu... – Balancei a cabeça confusa, mas logo as palavras viram. O que ela fazia ali? – Oi, pra você também, Victoire! – Eu disse na mesma irritação que a voz dela.

Ela arregalou os olhos. Malditos olhos azuis, que eu tanto sentia falta.

— Não levante a voz comigo! – Ela veio a passos rápidos e deu o dedo no meu rosto.

Um ano havia se passado e ela tinha ainda o mesmo gênio. Bruxa maluca. De repente, ela fez como na estação 9 ¾. Agarrou meu rosto e me beijou.

Soltei a blusa e o aparelho para segura-la comigo. Eu estava fadado com aquele destino, ora estar perto da forca e ora ser amado pela minha namorada. Meu Merlin, eu estava com...

— Au! – Eu massageei meu braço onde ela beliscou.

— Nunca mais, nunca... – Ela disse me olhando irritada e ao mesmo tempo triste. – Invente de mentir pra me surpreender, ou o que fosse sua ideia de duende!

Ela disse enquanto puxava o ar. E eu tentava assimilar se ela havia descoberto ou não o meu plano.

— Esta bem. – Eu disse maneando a cabeça.

Ela riu e me beijou antes de me abraçar.

— Estava com tantas saudades suas Teddy. – Ela disse no meu ouvido. Me arrepiei do dedo do pé ao último fio de cabelo.

— Sua bruxa maluca. – Ela riu. Peguei ela pelas dobras do joelho e a carreguei. Victoire me olhou surpresa, mas sorriu. – Hey, como soube? E como entrou aqui?

— Sua avó me avisou, então eu vim com rede de pó de flú o mais rápido que consegui. – Ela disse alisando a minha barba com a mão livre, a outra no meu pescoço alisando a nuca. – Você mudou.

— Sério? – Dei uma risada. - Vou tirar.

— É, é melhor – Ela concordou.

Sabichona, eu pensei.

— Vou te mostrar que não mudei tanto assim. – Disse enquanto jogava ela na cama de solteiro.

Ted! – Ela ficou realmente surpresa aquela hora.

Sozinhos. No meu quarto. Mas Victoire ainda era a mesma, e estava com a varinha em uma das mãos pronta para me lançar uma azaração.

— Eu sei, amor. Eu sei. – Tirei uma faixa do cabelo dela e com a outra mão a varinha.

Deitei ao lado dela e fiquei ainda aproveitando aquele momento.

Victoire ainda era o meu tesouro. E eu continuaria sendo um abobalhado por causa dela. Eu tinha 20 anos agora, mas ainda me lembro de quando a vi pequena.

Aquela carinha de joelho. E a única coisa que eu consigo dizer é que, é difícil se conquistar uma Weasley. E principalmente se ela não for ruiva.

Mais tarde eu saberia porque ela havia vindo me ver antes que eu colocasse meu plano em ação.

— Ted, preciso te contar uma coisa.

— Humm. – Eu disse depois que terminei de alisar a última mecha daquele cabelo platinado. – Que amor?

Ela esperou. Depois segurando o meu rosto, disse:

— Vou pra Austrália com você. Fiz o teste em Hogwarts mês passado, a resposta chegou ontem e eu passei.

Ela parecia esperançosa. Como se eu não estivesse feliz por ela.

— Você não vai se livrar de mim tão cedo, senhor Lupin. – Ela completou, risonha, marota, maluca, criança.

— Não vai se ver livre de mim, senhora Weasley Lupin.

Ela abriu outro dos meus sorrisos preferidos. Antes que eu a beijasse.

Londres pareceu pequena naquele momento. E estava ficando pequena mesmo. Porque está chegando o fim. E eu nunca gostei muito disso, até conhecer e viver com Victoire. Ela me ensinou muitas coisas, a ser paciente, gentil e dar valor aos momentos simples. Porque com ela, depois de todo o fim tem um começo. E o nosso estava apenas começando.

FIM


N.A.: Olá gente! Chegamos a mais um final feliz! Era para ser apenas uma one shot, mas queria passar mais do que apenas uma, duas ou três cenas. Mas os seus detalhes e as particularidades de alguns personagens. Mesmo que não tenham sido todos explorados dos "19 anos depois". Espero que tenham gostado do fim. Eu iria fazer somente até a estação King's Cross, mas achei sem sentido e coloquei um "pós-" do reencontro deles depois do último ano da Vicky em Hogwarts e o primeiro ano do treinamento do Teddy. Que vai dizer, ficou muito mais fofo né? Rsrs. Obrigada de novo! :* Até a próxima!

Fanfic Nova na Área Galereee! "A ruiva do... Almofadinhas?"