No capítulo anterior...

Camus acompanha Milo, contra sua vontade, até a casa de Mu e lá o conhece. Após os ataques da avó do garoto, finalmente seguem para uma cafeteria. Lá Camus descobre o maravilhoso frappé e se divertem. Até a chegada de mais alguém.

- Então é você o primo do Milo? - O belo rapaz que havia chegado falou em um francês perfeito, enquanto sorria e lhe estendia a mão – Prazer em conhecê-lo!

- Prazer... Malaka! - Retribuiu, um pouco inseguro com as suas palavras, fazendo Milo e Mu caírem na gargalhada. O rapaz também sorriu.

- Se eu fosse você, tomaria cuidado com as palavras que eles te ensinam – Olhou para os amigos com um sorriso sarcástico – Esses dois juntos não valem nada!


Frappé & Croissant
Capítulo 3



O rapaz tomou seu lugar na cadeira vazia ao lado de Mu e foi logo beijado no rosto por este. Camus observou-o com atenção. Tinha os cabelos loiros e longos e os olhos de um azul sem igual, embora escondidos pelas lentes dos óculos que usava. A postura era elegante, mesmo usando uma roupa tão esportiva como uma bermuda de tactel e uma camiseta branca.

- É, eu acho que já percebi, mas obrigado mesmo assim.

- Não precisa agradecer. Aliás, me chamo Shaka. Você é Camus, certo?

- Isso – afirmou sorrindo.

- Priminho querido... Será que dá pra parar de falar com biquinho? Não estou entendendo nada do que vocês falam!

- Acho que teremos um problema. O Shaka não fala inglês – Mu interferiu.

- Como pode não falar inglês? Problema dele! Agora, eu é que não vou ficar ouvindo esses dois conversarem assim. O primo é meu! - falou Milo e, em seguida, fez questão de repetir tudo em grego, para que Shaka entendesse.

- Neste caso vamos entrar em um acordo. Proponho que você crie um novo código de comunicação, já que é a parte incomodada da história... - respondeu Shaka sarcasticamente - A propósito, eu não vou arrancar pedaços do seu primo, fique tranquilo, Milo.

Imediatamente, Mu caiu na gargalhada, afundando o rosto no braço dobrado sobre a mesa enquanto batia com a mão fechada na madeira, sem disfarçar nem um pouco. Foi rapidamente censurado por um forte tapa na nuca, bem acertado por Shaka, que pedia desculpas a Camus que, por sua vez, não entendia nada.

Os minutos seguintes não foram muito diferentes, mas Camus descobriu que Shaka estudava Direito e morou por dez anos na França antes de mudar-se para a Grécia. Também descobriu que seu primo estudava História, mas trabalhava como guia de turismo e que Mu era vítima das brincadeiras de Milo, que dizia que ele só sabia comer, dormir e tentar – em vão - ser um artista. Também descobriu que Milo e Mu eram amigos de infância e que junto com Shaka, jogavam no mesmo time de handball. Além disso, descobriu que era mesmo impossível beber mais um copo de frappé após a proibição do primo.

- Acho melhor ir agora ou vamos nos atrasar – Shaka comentou ao olhar no relógio, depois virou-se pra Mu – Vem comigo?

- Claro! - respondeu Mu com um sorriso – Vai ficar, Milo?

- Um pouco. Nós nos encontramos mais tarde! Já avisei que não vou treinar.

- Preguiçoso!

- É por uma boa causa! - piscou e apontou pra Camus com o polegar.

Logo os dois foram embora e Milo logo explicou o que acabaram de conversar em grego. Costumavam treinar toda noite, e após os treinos, iam para um bar ali mesmo na região de Nea Filadelfia, onde moravam. Era uma área um pouco afastada do centro de Atenas, bastante residencial, mas que perdera o seu charme. Tinha uma casa noturna e um centro com bares, que ficavam abertos durante toda noite.

O lugar escolhido por eles não era um dos mais procurados, mas para eles, não deixava de ser o melhor. Quem passava pela frente de uma loja fechada que havia ali, quase não reparava na porta lateral que dava acesso a um segundo andar por uma escada estreita. E foi para lá que os primos foram logo após a saída de Mu e Shaka.

Assim que chegaram, Camus perguntou-se que tipo de lugar seria aquele. Degraus coloridos, desenhos surrealistas nas paredes... O caminho até o segundo andar parecia mais um portal para outra dimensão, como se ele estivesse sonhando e, de repente, caísse até ser transportado para outro mundo. Mas, por mais estranho que fosse, Camus sentiu-se bem lá. Ao chegar na área do bar, sua primeira impressão foi positiva. O ambiente não era muito grande e o clima era bastante acolhedor. Não havia muita luz, apenas algumas no balcão e velas sobre as mesas de madeira, pintadas em diferentes cores, assim como as cadeiras, o que criava uma atmosfera jovem e descontraída. Havia também uma área com o nível do chão um pouco elevado, onde as mesas eram baixas e as cadeiras substituídas por almofadas. O som também lhe era agradável, já que quando chegaram tocava uma música do The Smiths, uma de suas bandas preferidas.

Só quando Milo caminhou até o balcão, Camus reparou no exótico homem por trás dele. Era alto, com cabelos cheios e levemente ondulados, e o ruivo poderia jurar que tinha um tom loiro-esverdeado, se não fosse pela fraca luz. Os traços orientais no rosto e duas pintinhas na testa, fizeram com que lembrasse alguém. Mas Milo logo tratou de interromper seus pensamentos.

- Priminho... Esse aqui é o dono dessa espelunca aqui e... – recebeu rapidamente um cascudo na cabeça pelo comentário – Ai! Isso dói! Viu? Cuidado com ele! É o irmão do Mu, mas nem parece. Shion é tão agressivo! Olha como trata os clientes! - A voz baixa e cantada de Milo dava um falso tom de indignação e fragilidade.

- Nem todos os clientes, mas alguns merecem... - respondeu Shion de forma simpática em inglês, estendendo a mão para Camus – Seja bem vindo!

O ruivo agradeceu e ficou olhando os dois voltarem a falar em grego. Não fazia idéia do assunto, mas deveria ser engraçado, já que ambos não paravam de rir. A conversa só foi interrompida quando uma garota com longos cabelos loiros aproximou-se de Milo e o abraçou, repousando a bandeja que carregava sobre o balcão. Corrigindo, ela não apenas o abraçava, como praticamente caía sobre ele de forma atirada. O que raios ele tinha que aquelas mulheres caíam aos seus pés? Camus não precisou pensar muito para decidir que era melhor não responder, mesmo que mentalmente.

Logo ele foi puxado até uma das mesas baixas e se acomodou em uma das almofadas, ao lado do primo.

- Hoje você vai provar a melhor bebida grega, Camus!

- Ouzo?

- Não! - Respondeu com uma careta - E desde quando Ouzo é a melhor? Eu detesto aquilo! Tem gosto de perfume!

- Nunca provei, mas me falaram que era gostoso. Mas também nunca bebi perfume... É bom? - perguntou sorrindo

- Engraçadinho! Se quiser pode pedir um pouco depois, mas quero que conheça outra coisa: o Rakomelo.

- Rameko... quê?

- Rakomelo. – Milo sorriu pelo jeito que Camus tentava dizer aquelas palavras – É uma bebida feita a partir do Raki, um destilado típico de Creta. Aqui eles adicionam mel, em grego, meli, e juntam com algumas especiarias.

Enquanto ouvia explicação, a garçonete que atacara Milo chegou trazendo uma pequena jarra de vidro e dois copinhos para shots. Além disso, deixou na mesa um pratinho com azeitonas, rodelas de pepino, tiras de cenoura e pedaços de queijo, como aperitivo. Milo rapidamente tratou de servir duas doses da bebida, dando uma piscadela para moça antes que ela fosse embora.

- Cuidado, é bem quente, se beber muito rápido vai ficar com os lábios cortados amanhã! Eles fervem tudo para que o sabor se concentre melhor. Você vai encontrar essa bebida em outros lugares, mas não preparada desse jeito. Normalmente assim, só se encontra em bares underground, como esse... - pegou o copo e levantou para um brinde, seguido por Camus.

- Santé!

- Stin Eyiassou!

-oOo-

Pelas poucas horas que convivi com Milo eu posso garantir uma coisa: Ele é extremamente agradável! Sim, é um louco, barbeiro,não pára com o maldito cigarro e é um conquistador barato de garçonetes. Mas ainda assim, agradável!

Ele tinha razão quando falou bem do Rakime-qualquer-coisa! Era mesmo delicioso! Não se compara nem mesmo aos vinhos de Bordeaux. Mas é claro que jamais vou admitir isso para meu querido primo.

A conversa com ele fluía muito bem. E olha que isso é algo difícil de acontecer com alguém que conheci há tão pouco tempo! Definitivamente, a Grécia foi uma excelente escolha para as férias...

-oOo-


Camus e Milo já estavam na segunda jarra quando um rapaz alto, forte e de cabelos curtos e castanhos avançou para a mesa deles, puxando os cabelos de Milo e berrando algumas palavras em grego. O loiro apenas ria e depois apontou pra Camus, o que fez com que o recém-chegado coçasse a cabeça e falasse algo baixinho. Camus podia não saber o que falavam, mas, pelo jeito, o outro se desculpava por algo.

- Priminho, esse louco aqui que chegou reclamando e perguntando por que não fui treinar hoje, é o Aiolia. Não parece mas é meu amigo! Não precisa olhar assim assustado.

- Foi mal, eu esqueci que você chegava hoje... Achei que ele estava fugindo da nossa aposta! - comentou Aiolia um pouco sem graça, estendendo a mão pra Camus.

- Aposta? - Camus apertou a mão dele de volta, mas não pôde evitar a pergunta, curioso.

- Esses dois estão sempre apostando alguma coisa, mas é melhor nem perguntar – brincou outro rapaz que sentou ao lado de Camus, estendendo a mão para ele e se apresentando com um sorriso – Aiolos... Irmão do Aiolia.

Mais uma vez Camus retribuiu, apesar de que o rapaz nem precisava dizer que era irmão de Aiolia. Os dois eram muito parecidos, sendo que a diferença estava apenas na idade que aparentavam ter. Os dois falavam bem o inglês, apesar de um forte sotaque.

Camus conversou um pouco com Aiolos, já que Milo e Aiolia não paravam de discutir coisas em grego, provavelmente sobre alguma das apostas sobre as quais ele não deveria perguntar. Quando um rosto conhecido pelo ruivo entrou no bar o aquariano sorriu, acenando para o homem que o encarou de forma confusa, como se não soubesse quem era.

- Milo, o Kanon não está nos vendo por aqui ou é impressão minha? - Camus chamou a atenção do primo, ficando sem graça.

Imediatamente, Milo parou a vigésima sétima discussão com Aiolia e olhou para Camus e em seguida, para o "Kanon", começando a rir e saindo correndo da mesa, até pular nos braços do irmão, abraçando-o com as pernas enquanto o beijava no rosto, recebendo uns cascudos de volta. Camus riu com a cena e reparou na forte tendência que o primo tinha para receber aquele tipo de "carinho" dos amigos. Mas ainda continuou confuso. Milo logo desceu dos braços do irmão e o arrastou até a mesa pelo pulso, levando-o até Camus.

- Camus, esse é seu outro primo, o Saga! Por isso que ele não te reconheceu, ele ainda não te conhecia!

- Ahh – respondeu ficando sem graça, ao receber um abraço como cumprimento do outro primo – Achei que era o Kanon, não sabia que eram tão... iguais.

Saga riu debochado do jeito como o ruivo falara, afastando o abraço e dando um forte tapa na cabeça de Aiolia, que não parava de rir. Todos ali sabiam o quanto Saga detestava ser comparado ao irmão. Ao contrário do que diziam, para ele os dois eram completamente diferentes. Só que Camus ainda não sabia disso.

- E o que meu querido irmão falou dessa vez? Que sou um cafetão, mafioso, desaparecido, ou que fui devorado por um carneiro tibetano em alguma expedição de volta ao mundo?

Camus olhou assustado sem entender. Milo e Aiolia riam como sempre e Aiolos tossia engasgado com a bebida.

- Eu gosto da última opção – disse Shion que se aproximara calmamente deles sorrindo – Mas acho que você e o Kanon deveriam parar com essa implicância toda...

- Mas eu não implico com ninguém. Ele realmente fala essas coisas! Você já ouviu...

- Saga, quando eu vejo vocês discutindo assim ainda parece que somos adolescentes. Acho que vocês esqueceram que essa fase já passou. Mas agora quero te mostrar outra coisa... Pode vir até o escritório, por favor? - Shion perguntou com um sorriso gentil e Saga não hesitou em segui-lo. Logo os dois desapareceram pelo mesmo corredor que dava acesso aos banheiros.

Os quatro continuaram conversando animadamente na mesa, quando Shaka chegou e sentou-se na almofada vazia ao lado de Camus, cumprimentando o ruivo mais uma vez.

- O Mu não veio? - Camus perguntou curioso, suspeitava que havia algo entre aqueles dois.

- Veio sim, mas está conversando com algumas amigas nossas – Shaka olhou atravessado para trás, onde Mu falava animadamente com três garotas, sendo que uma delas o abraçava.

Em pouco tempo eles foram até a mesa, as três sentaram-se, ocupando as últimas almofadas vazias. Shaka pediu pra que Mu pegasse uma almofada na mesa ao lado, mas este disse que não seria necessário. Não fez cerimônia e sentou-se entre as pernas do loiro. Camus viu como em resposta. Shaka jogou o corpo para trás, respirando fundo, a buscar autocontrole.

De forma despreocupada e aparentemente sem perceber, Mu pegou o copo de Aiolia, que conversava distraidamente com Milo. Começou a beber, e logo falou para Camus:

- Ah, deixa te apresentar! Essas são Marin, Shina e Pandora.

- Muito prazer – respondeu Camus de forma educada e as três logo se encheram de sorrisos para o lado do ruivo. Isso até Milo abandonar Aiolia e se aproximar deles, dando atenção para as recém-chegadas.

- Sabe Camus... - Shaka chamou a atenção dele – Não é o que está pensando... - o loiro riu tristemente, apontando com o olhar para Mu, sentado em seu colo.

- Mas eu não estava pensando em nada – Mentiu, sabendo que seu rosto ganhava o mesmo tom dos seus cabelos, denunciando-o.

- Gregos... Uma hora você se acostuma com eles! Você vai ver como se beijam no rosto, abraçam ou até fazem isso – olhou pra Mu mais uma vez – Ele não é grego, mas veio pra cá tão novo que pegou todos os costumes. Para eles não há nada demais em tratar os amigos assim...

- Entendi, mas... Onde quer chegar com isso?

- Já percebi como olha para o Milo, mas ele não é como nós...


No próximo capítulo...

A noite ainda é uma criança. O que mais poderia acontecer

Apoiou o queixo nas costas da mão enquanto olhava para Camus de forma abobalhada.

- Sabe, Camus... Preciso te confessar uma coisa – A voz era sonhadora e falava em suspiros.

- Confessar? - Perguntou um pouco assustado com a forma como ele o olhava.

- Estou apaixonado!


Cafofo da Lhu:

Bom, acho que não vou comentar sobre minha demora para atualizar fics nos últimos meses, mas prometo que uma hora tudo volta ao normal!

Quero dedicar este capítulo para duas aniversariantes: Virgo no Aries (Já bem atrasado) e Virgo-chan... Já aproveito também para te agradecer por betar isso aqui e pela sua enorme paciência comigo! Parabéns! E beijos enormes para as duas!

E quero agradecer também a Pandora. Solo e Athenas de Aries, por me ajudarem quando empanquei feio aqui! E pelo apoio e puxadas de orelha que recebi! Também aos reviews que mesmo que vocês não acreditem muito, me animam demais para continuar escrevendo! Miss Nii, Nath Dragonessa, Pandora. Solo, Athenas de Aries, Graziele, Mukuroo, Gamma Arietis no Mesarthim, Cajango, Virgo no Aries, Leo no Nina, Lysley Almada2, Mr. Devilish Blueberry, Virgo-chan, mfm2885 e Lune Kuruta... Muito obrigada!

Espero que gostem... O próximo não vai demorar tanto, prometo!

Beijos e até o próximo capítulo!


Lhu Chan
Setembro de 2009