Cap 3.

Seguindo sua mãe para fora do quarto de Lucius, o loiro se deparou com o grande corredor, onde estavam todos os retratos da sua família, olhos virados para sua face. Cochichos e apontamentos acompanhavam os dois pela longa caminhada, mesmo que não dessem conta disso. Estavam ocupados demais pondo a cabeça em ordem para se preocupar com essas bobagens.

Uma grande porta de madeira como a anterior, que lhe causara tanto ódio, esperava pacientemente pela visita a muito programada. Draco foi envolvido por um calor acolhedor ao adentrar o aposento pouco iluminado, como toda a mansão, mobiliado com apenas uma pequena mesa redonda e suas respectivas cadeiras a lhe fazer companhia naquelas longas décadas. Sentado de frente um para o outro, sentiam que o dialogo pelo qual esperaram tanto tempo deveria ser iniciado, mas não tinham coragem de faze-lo. Com um suspiro sofrido, Narcisa tomou a frente da situação.

- Doze anos, Draco

- Doze anos, Mãe. Os melhores doze anos da minha vida – Draco olhou para o teto como quem se faz de desentendido. – Mas parece que não fizeram tão bem a meu pai.

- Seu pai enlouqueceu. Você o viu, está paranóico, louco. É motivo de piada entre os comensais. - Deu um longo e sentido suspiro antes de continuar sua fala arrastada – A loucura dele começou quando você foi embora, e ele perdeu o único herdeiro que tinha.

O rapaz tentou desviar-se do olhar triste que sua mãe lhe lançava. Fitou a janela, olhando os pingos de chuva que batiam inúteis contra o vidro.

- Ela não foi embora, não é mesmo? Eu posso ver nos seus olhos, eles brilham tristes esta noite. – Narcisa olhou fundo na imensidão azul acinzentado que eram os olhos do filho. Qualquer garota se perderia facilmente naquele labirinto. Mas alguma coisa havia mudado. – Você perdeu a juventude do seu olhar, Draco.

- Estou doze anos mais velho do que aquela época. Mas a culpa é de Gina... Gina levou minha juventude para o tumulo. Junto com minha alma, ou o que me restava dela.

- Então ela está morta... – Narcisa não pode esconder o alivio, mesmo envolta na surpresa que havia se revelado. Acompanhou o loiro abaixar os olhos para as próprias mãos, e entendeu de súbito o motivo do regresso do filho, estendendo os braços para ele. – Venha cá.

Draco ajoelhou-se no chão ao lado da cadeira da mãe, deitando sua cabeça no colo macio, fechou os olhos, acompanhando o remexer dos dedos dela em seus cabelos.

- Não chore, meu querido. Eu estou aqui agora... – Cochichava essas palavras de forma tão doce, que seria capaz de acalmar qualquer pessoa apenas com o tom de sua voz. Tinha seu bebê de volta em seu colo, como antigamente, chorando por um brinquedo que não podia ter. Agora novamente seus desejos estavam longe de seu alcance.

Por longos minutos ficaram ali, minutos ou horas. Que diferença fazia? Draco tinha encontrado o momento para chorar. O momento que ele esperava desde aquele enterro. Quando se levantou, mais leve, o sol já tinha se ido, e a noite vinha trazer as primeiras estrelas.

Lançou um sorriso a Narcisa, sinal de agradecimento ou apenas para que ela não se preocupasse. Levantou-se vagaroso, mas foi impedido pela mão forte da mãe, que lhe segurava o braço da mesma forma doce de sempre.

- Agora vamos tratar de outros assuntos. – Guiou o filho atordoado para que se sentasse novamente a sua frente. Seu rosto pousou então sobre a lareira acesa que estalava ao pular das brasas. – Draco... Meu querido... Você matou a sua família. Sabe disso... Não faça essa cara, você sabe que é a pura verdade. A dívida que você tem com nosso sangue é imensa... Vou lhe pedir que a pague, não deixe a família acabar de uma forma tão indigna. É o mínimo que você pode fazer pelo seu pai.

- O que você espera que eu faça? Arranje um filho... Continue a família. Ligue para todos os amigos do Lucius e diga que tudo não passou de uma grande brincadeira? – O loiro remexeu-se inquieto na cadeira, não esperava nada daquilo. Era uma loucura completa. Como era possível que... Não era possível.

- Eu quero que você assuma o lugar de Lucius como chefe dos comensais. – Narcisa mantinha-se impassível aos olhares do filho. Fechou os olhos e com um longo suspiro, continuou - Se recusar, não é mais necessário aqui. Pode pegar suas coisas e ir embora. Se aceitar, vamos esquecer o passado. O que me diz?

Draco andou até a janela, tomado por duvidas. Se recusasse, perderia a chance de resolver sua rixa com a família, uma briga que tanto o atormentou esses anos todos. Se aceitasse, assumiria ser igual ao pai, em todos os detalhes. Por fim virou-se, austero.

- Tenho que pensar.

- Ótimo... Pode ficar aqui por quanto tempo precisar para pensar. – Narcisa levantou-se da cadeira seguindo até a porta, virou-se antes de bate-la a suas costas. – Seu antigo quarto esteve sempre a sua espera. Você sabe onde fica... Durma cedo.


N/A: Eu postei no dia certo, viram? Não sou tão desorganizada assim. Um pouco, não muito. Poxa... Só três reviews no último capítulo? Fiquei decepcionada! Assim não vou mais fazer fic.

Muito obrigado a quem deixou review. Vocês estão incentivando essa "escritora" a escrever mais.

Estrelinha: Obrigada . Bem... Igual ao Draco teve que renunciar aos Malfoys, a Gina também teve que largar os Weasleys. A única pessoa que continuou com eles foi o Harry... Amigão ele, né?

Mya: Obrigadinha, Mya. Muita gente me odiou por fazer uma D/G e matar a Gina logo no primeiro capítulo. Mas é bom saber que alguém me apóia! Hehe...

Antônio: Thanks. O segundo foi um dos capítulos mais legais (e difíceis) de escrever. O Lucius maluco e bêbado é um personagem muito divertido. Trágico, mas divertido.

Obrigada novamente a vocês três. Aos outros... Por favor, deixem um review nem que seja pra dizer que me odeia. Vocês não vão gastar mais que 2 minutos e eu vou ficar muito feliz.

Alias, me desculpem... Eu comentei do encontro no jardim e da estrela como se fosse nesse capítulo. Mas na verdade é no próximo. Vocês saberão sobre essas coisas daqui a uma semana, no capítulo 4.