A história se chama O Prisioneiro e pertence a Hope Tarr bem como os personagens utilizados pertencem a Naoko Takeuchi

MEDIEVAL

Escócia do século XV, um lugar e um tempo em que era difícil ser uma mulher e estar no comando. Para Usagi Tsukino, nova chefe de seu clã, sua primeira tarefa era conceber um herdeiro que assegurasse sua posição. E a melhor forma de conseguir isso seria sequestrando Mamoru Chiba, um homem por quem sentia uma forte atração... e também um de seus mais poderosos inimigos...

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CAPÍTULO TRÊS

— Pare, canalha!

Em vez de obedecer ao grito do guarda que o perseguia, Mamoru Chiba caminhou pela ala entre os bancos, as correntes se arrastando, os olhos fixos no rosto assustado da Tsukino, Usagi Tsukino... Usa. Que volta amaldiçoada do destino transformara a mais doce lembrança de sua juventude na nêmesis do presente?

Três guerreiros dela o haviam atacado esta manhã enquanto dormia ao lado da fogueira de seu acampamento. Nas horas se guintes, perdera a noção do quanto fora agredido, os diversos epi sódios de espancamento se transformando num só poço de dor.

Fora esmurrado no rosto tantas vezes que não sabia se seu nariz tinha sido quebrado. O olho esquerdo estava tão inchado que não conseguia abri-lo, a visão do direito era embaçada. Mas reconheceu o guerreiro grisalho ao lado de Usagi como o líder do grupo que o atacara. Gostara muito de chicoteá-lo depois que os dois mais jovens o haviam amarrado.

Chegou até o cordão de veludo que separava a plataforma exatamente quando sentiu uma onda de tontura. Um pé pesado o atingiu na parte traseira do joelho, fazendo-o cair.

O velho guerreiro olhou para ele, a expressão gelada.

—Mamoru Cbiba, milady, irmão mais moço do chefe do clã. O prisioneiro aguarda suas ordens.

Um arquejo coletivo ricocheteou pelo teto alto e as paredes de pedra do hall. Vozes murmurantes repetiam-lhe o nome de novo e de novo, as palavras ecoando dentro de sua cabeça no mesmo ritmo da dor pulsante.

Mamoru... Chiba, Chiba, Chiba...

Uma voz suave se ergueu:

— Minhas ordens, se me lembro bem, eram de ele não fosse ferido, não tivesse nem mesmo um fio de cabelo arrancado. No entanto, ele parece ter sido massacrado. Qual é o significado do desafio às minhas ordens, trazendo-o para mim assim?

Ela o defendia! Contra toda a probabilidade, Mamoru sentiu o coração bater mais. Forçou-se a recuperar os sentidos, lembrando-se que esta suposta defensora fora a mesma bruxa sem cora ção que ordenara seu seqüestro.

— Sábias palavras, milady. — Uma bota em suas costas o impediu de se levantar, mas ele juntou as mãos, lutando para ignorar as juntas inchadas dos dedos e os grilhões que lhe ma chucavam os pulsos. — Qual é o significado de tudo isso?

Sabia que era um idiota por falar, mas o que era mais um golpe?

— Fui trazido como um cativo, seqüestrado nas terras do meu clã, embora não tenha insultado ninguém nem feito nada errado.

Seu nariz não podia estar quebrado porque sentia o perfu me de primavera, uma lembrança de tantos anos atrás. Flores de cerejeira misturadas com alguma erva familiar de que não se lembrava o nome, mas que estava muito ansioso para provar.

— Para um prisioneiro, você tem uma língua muito ousada — disse Usagi.

Mamoru ergueu a cabeça dolorida... e ficou sem fôlego. A gar ganta seca como poeira, ele umedeceu os lábios feridos.

— E você, Lady, tem um rosto bonito demais para uma laird.

Era verdade. Olhos azuis brilhantes cercados por cílios lon gos o observavam. Vista de perto, sua compleição era cremosa, a testa alta e lábios cheios, feitos para beijar. Uma echarpe fina de linho branco, enfeitada com uma fina corda dourada, cobria-lhe os cabelos loiros, os longos cachos apertados numa única trança que lhe chegava à cintura e era grossa como seu braço.

Imaginou-se enrolando aquela trança na mão e puxando-a para ele até seus lábios se encontrarem e seus corpos se fundirem e sentiu seu sexo despertar. Pesado, firme, e dolorido, era a Única parte do corpo que ainda funcionava sem dor.

Abaixou as mãos acorrentadas para esconder a excitação. Ao mesmo tempo, pulou de novo no fogo do perigo quando dei xou o olhar escorregar pelo corpo dela. A bonita e rechonchuda menina de sua lembrança se tomara uma adorável e esguia mulher. Era alta, quase tão alta quanto ele, e seu vestido verde era simples, sem enfeites. A roupa larga insinuava braços fortes e esguios, seios maravilhosamente cheios e uma cintura fina, cir cundada por um cinto onde estava pendurado um grosso molho de chaves. Perguntou-se se uma delas seria seu caminho para a liberdade. Suspeitava que sim.

Ouviu um pigarro.

— As leis das escrituras afirmam que a justiça se faz com olho por olho, dente por dente. — Dirigia-se a ele e seu olhar era frio como o gelo. — Por causa de seu irmão, meu marido e meu bebê estão enterrados. Seu irmão, Seiya, me deve uma vida, Mamoru Chiba, duas vidas para ser exata, e pretendo receber a dívida de você.

— Meu irmão não teve participação na morte do seu marido, juro pela minha honra.

Enquanto defendia a inocência de Seiya, Mamoru apreendeu o significado pleno do que ela dissera. Sangue de Deus, pretendia matá-lo! Presumira que fora feito prisioneiro para um pedido de resgate, mas não era assim. O pânico o dominou, sua força muito superior a qualquer golpe físico que recebera.

Cenas de seus 22 anos de vida lhe passaram pela mente. Descobriu-se lamentando não o que fizera, mas o que jamais poderia fazer agora. Viajar pelo mundo, ensinar seu futuro filho a pescar, beijar Usagi Tsukino como gostaria.

Depois do abraço desajeitado que partilharam como crianças, passara os anos seguintes esperando uma oportunidade para abraçá-la e beijá-la como devia ser. Quanto tempo teria antes que o matasse? Não poderia viajar nem procriar, mas ocorreu-lhe que pelo menos um último desejo podia ser atendido.

— Sua honra — disse ela com desdém. — A honra de um Chiba não tem valor nesse hall, senhor.

— Nesse caso, Lady, entrego-me à sua terna misericórdia. Peço apenas que me conceda a morte de um guerreiro e mande aquele grandalhão ali... — fez um gesto com o queixo em direção ao homem grisalho ao lado dela — cortar minha cabeça com uma espada, como é adequado à minha posição. — Depois de tudo o que sofrera, ser sujeito ao estripamento ou à morte na fogueira parecia muito injusto.

— Cortar-lhe a cabeça? — Os olhos azuis se abriram e os lábios luxuriosos, que esperava beijar, se abriram, como se des sem passagem para sua língua.

Ignorando o pulsar dentro da cabeça, acenou.

— Sim, mas, antes disso, faço um apelo. Um beijo nos lábios de mel de milady e irei até São Pedro com um alegre cumprimento.

Os cantos da boca atraente se moveram de leve, o mais pró ximo que ela chegara de um sorriso.

— Você é um canalha, Mamoru Chiba, e provavelmente merece ser esquartejado por todos os corações que destruiu.

Esquartejado... bom Deus, que mulher sanguinária! O beijo teria que ser o melhor de sua vida, longo e profundo, enquanto ainda tinha todas as suas partes masculinas.

— Primeiro vamos àquele beijo, milady.

Começou a se erguer para reclamá-lo. A cabeça zonza, lutou para se equilibrar no chão de pedra, mas a sala rodou, o chão desapareceu e estrelas brilharam na escuridão que o envolveu.

Observando seu prisioneiro cair de lado, Usagi mal podia acreditar no que via. Mamoru Chiba, guerreiro ousado, desmaiara. Um braço poderoso descansava sobre o torso. A postura pro tetora esticou a camisa cor de açafrão sobre os ombros largos, revelando as marcas de chicotadas sangrando através do tecido rasgado. Marcas de chicotadas!

Dominada pela fúria, voltou-se para Hiroshi. Consciente dos olhares espantados dos queixosos nos bancos, baixou a voz e sibilou:

— Eu lhe disse para não feri-lo.

Podia ter mandado sequestrá-lo para atingir um objetivo maior, mas não era uma torturadora. Quando seu alvo fosse al cançado, pretendia devolvê-lo à família inteiro e saudável. Feri-lo nunca fora parte de seu plano. Pelo menos não tinha ossos quebrados. Arranhões e ferimentos saravam com o tempo, mas um osso quebrado podia deixá-lo aleijado.

Hiroshi abaixou a cabeça grisalha.

— Falhei, milady, e, no entanto, não sei como poderíamos tê-lo trazido de outra maneira. Chiba ou não, nunca enfrentei antes um guerreiro mais ousado e corajoso.

Virou-se para o filho de Hiroshi, Jedite. O guerreiro fora en carregado de mantê-lo afastado até o tribunal terminar. Um dos olhos estava roxo e ele mantinha o corpo dobrado. Com a voz baixa, disse-lhe:

— E você deveria tê-lo mantido longe do tribunal.

— Eu o teria feito, milady, mas ele...

O rosto do guerreiro ficou vermelho.

— Ele o quê?

— Ele me deu uma joelhada no uh... na virilha. — Lançou um olhar para Hiroshi e acrescentou: — Meu pai diz a verdade, milady. A teimosia de Chiba nos obrigou a trazê-lo assim. Lu tou como um filho de Satã. Nós três tivemos que nos unir para subjugá-lo e mesmo assim não parava de lutar.

Três guerreiros para sequestrá-lo e Mamoru quase os venceu. Usagi observou-o e sentiu um orgulho enorme e outra emoção que não conseguiu identificar. Era tarde demais para des fazer o seqüestro brutal, mas a partir de agora pretendia tornar a estada de Mamoru o mais confortável possível e tratá-lo com a civilidade que as circunstâncias permitiam, mesmo se isso sig nificasse que ela mesma teria de cuidar dele. Sentiu um tremor de antecipação.

Como se percebesse a proximidade dela, as pálpebras fecha das se agitaram. Ele piscou e voltou a si. O olho esquerdo es tava inchado demais e não se abriu, mas o direito parecia sem ferimentos.

O olhar claro como uma pedra da lua penetrou o dela, tirando-lhe o fôlego e confundindo-a.

— Doce Usa, o que aconteceu com a suave, bela menina que deveria ter sido minha noiva? — A voz desapareceu, o olho se fechou e o corpo amoleceu de novo.

Então ele se lembrava de seu pacto de noivado. Um nó invi sível fechou a garganta de Usagi. Ternas emoções, que acha va trancadas junto à flauta que ele lhe dera, a dominaram. Seu encontro de conto de fadas também significara alguma coisa para ele.

Começou a se aproximar, mas a mão de Hiroshi lhe segurou o cotovelo.

— Ele fala por enigmas, milady. Com sua permissão, manda rei removê-lo para o calabouço até que esteja em condições de ser trazido à sua presença.

Usagi se livrou da mão dele.

— Você não fará nada disso. Lorde Mamoru não é um crimi noso comum, mas um refém nobre. Não irá para o calabouço, mas para um quarto adequado à sua posição. Mande carregá-lo porá o quarto do laird, meu quarto, e garanta que desta vez seus homens façam como eu mandei e sejam gentis.

Uma hora depois, Usagi dirigiu-se ao quarto do laird, um cá lice numa das mãos, uma vela na outra. Pendurada no braço levava a cesta com os bálsamos especiais de Luna. Mandara a velha ama cuidar de Mamoru e dar-lhe banho. Foram estritamen te proibidas menções a galhos de aveleiras, pétalas de rosa ou amor verdadeiro.

Seus passos se tornaram mais lentos quando se aproximou do quarto. Nos últimos dez anos, lembrara-se de Mamoru Cbiba como um menino esguio, com olhos claros como cristal e um sorriso bem-humorado. Os olhos não tinham mudado, mas tudo o mais era completamente diferente.

O Mamoru Chiba esperando por ela era um homem extrema mente atraente e belo, com quem logo teria relações sexuais, se seus ferimentos não o tivessem tornado incapaz.

Um guarda estava do lado de fora da porta. Reconheceu-o como Kunzite. O jovem guerreiro não tinha parentes, mas Hiroshi jurava que era um de seus guardas mais confiáveis e um hábil lutador. Mesmo assim, seu queixo longo e pontudo, os olhos vivos e estreitos e o rosto marcado por cicatrizes a fazia se lembrar de um rato.

Ele lhe fez uma mesura.

— Boa noite, milady. Lorde Hiroshi me mandou guardar o prisioneiro e a... senhora.

A entrada inesperada de Mamoru no grande hall, enquanto o tri bunal estava em sessão, atrapalhara sua intenção original de man tê-lo confinado em segredo até seu plano dar... frutos. Agora, todo o castelo sabia que fora levado para seus aposentos particulares.

As sombras do começo da noite escondiam o rubor que lhe cobria o rosto. Grata, acenou.

— Compreendo.

— Durma bem, milady. — Segurou a porta para ela entrar, o olhar passando-lhe pelo corpo e a boca se entortando num sorriso malicioso.

Dizendo a si mesma que a culpa a fazia imaginar coisas, Usagi entrou e fechou a porta. O quarto estava na escuridão, aliviada apenas pelo brilho do fogo na lareira e das velas ace sas em suportes nas paredes. Seu olhar dirigiu-se para a cama... e para a forma escura que estava deitada ali, acorrentada. Ah, Mamoru...

Grilhões de ferro lhe prendiam os punhos, a cabeceira enta lhada servindo como âncora para as pesadas correntes que lhe mantinham os braços poderosos erguidos bem alto acima da ca beça. Vendo-o assim, seu coração apertou, o remorso atingindo-a como uma dor física. Se apenas fossem livres para cumprir seu voto do dia da feira, dez anos atrás, poderiam estar juntos como marido e mulher, de braços e vontades livres e os corações cheios de alegria, em vez desse arremedo de união forjada por vingança e dor.

Foi até a arca nos pés da cama e parou, olhando-o. Apesar das sombras no quarto, imaginou que Mamoru lhe seguia os movi mentos com os olhos.

Ordenara que o despissem para o objetivo prático de cui dar de seus ferimentos. Até agora, não pensara em como se sentiria ao exibir o corpo, que considerava feio. Alta, seios e quadris amplos, não era a menina bonita e rechonchuda que havia se aninhado tão bem no corpo magro e juvenil de Mamoru.

Mas não eram mais crianças, nem amantes, nem mesmo ami gos. Uma onda de tristeza a invadiu. Ignorando-a, pôs a vela, a cesta e o cálice sobre a escrivaninha. Removeu a touca com o véu. Sob ela, seu cabelo estava preso numa única e longa tran ça. Pensou brevemente em desfazê-la, como fizera na noite de núpcias, mas desistiu. Lembrar aquela noite horrível poderia ser um mau sinal.

Soltou a longa manta de lã do seu clã e deixou de lado a extensa peça, junto com o broche onde estava gravado o timbre do clã, os chifres de um touro e a divisa em latim, Segure Firme. Olhou de novo para a cama. Ele não havia se movido, talvez estivesse dormindo.

Com dedos desajeitados, desfez os laços na frente do vestido e tirou-o. A modéstia a impediu de tirar a camisa de linho fino, que descia até os tornozelos. Tirou também a corrente com o anel do selo e guardou-a na gaveta.

Dobrou as roupas cuidadosamente e deixou-as numa pilha nobre a cadeira e, quando terminou, suas mãos estavam úmidas e trêmulas.

Pegou novamente o cálice e a cesta e foi até a cama. Debru çou-se e sussurrou:

— Mamoru, está dormindo?

Os olhos dele estavam fechados, os cílios longos lançando sombras sobre as faces. Ou a brutalidade com que fora tratado o fizera desmaiar ou estava fingindo, porque nem piscava.

Com a pele em fogo, passou os olhos pelo corpo dele, nu exceto por uma estreita tira de linho sobre seus quadris. Mesmo marcado por cortes e hematomas e linhas de um vermelho forte, era impossivelmente belo. Ombros largos e cintura e quadris es treitos, a pele pálida se esticava sobre músculos bem formados, ossos longos, fazendo-a se lembrar de uma estátua entalhada em mármore ou alabastro.

Recuou um passo, sentindo uma estranha pulsação entre as coxas. Pelo menos uma de suas ordens fora obedecida, estava limpo. A pele suada tinha o perfume do sabão de alecrim e menta, feito por Luna, além de um cheiro peculiar que era nó dele, como o aroma do ar logo depois de uma chuva de primavera.

Luna lavara-lhe também os cabelos. O travesseiro sob sua cabeça estava úmido e os cachos negros brilhavam como ébano polido, um deles caindo sobre a testa e cobrindo-lhe o olho in chado e fechado.

Tomada por uma onda súbita de ternura, Usagi estendeu a mão para afastá-lo. Mamoru abriu de repente o olho bom e fixou-o nela.

— Veio tripudiar, milady?

Ela pulou para trás.

— Você me assustou.

— Verdade? — A sobrancelha sobre o olho bom arqueou. — Vai me perdoar se acho isso um pouco difícil de aceitar.

Presa no brilho do olhar da cor do raio de luar, Usagi sen tiu a respiração presa nos pulmões. Mesmo marcado pelos feri mentos, seu rosto fino era uma obra-prima de beleza masculina. Deixou o olhar se demorar sobre a testa alta, o nariz firme e aquilino, a boca cheia — aquela mesma boca que lhe dera seu primeiro beijo tantos anos atrás —, e sentiu uma forte umidade entre as coxas.

Constrangida pela reação do corpo, pôs a cesta sobre a cama e segurou o cálice.

— Trouxe-lhe uma bebida. — Hesitou e então se sentou per to dele, o quadril roçando-lhe o lado do corpo.

Ele olhou com desconfiança para o cálice.

— O que é isso?

— Uma bebida curativa. — Vendo a pergunta nos olhos, ex plicou: — Vinho quente misturado com pequenos pedaços de pão, açúcar, ovos e especiarias para dar sabor. É uma receita inglesa. Minha ama me ensinou a fazer. Com isso você descan sará e se alimentará.

— Com certeza é para me envenenar. — Cerrou os lábios in chados, belo mesmo assim, e balançou a cabeça morena. — Não vou beber nem uma gota. Se pretende me assassinar, então cometa o crime abertamente, como deve fazer um laird. Veneno é arma de covardes... e de mulheres.

Sua expressão desdenhosa indicava que, para ele, os dois eram iguais.

Debruçando-se sobre ele, Usagi se descobriu lutando con tra o riso. Passou o braço sob o pescoço dele para erguê-lo e comprimiu a beira do cálice nos lábios inchados.

— Se o quisesse morto, Mamoru Chiba, já o teria matado há muito tempo. Portanto, beba.

No fim, a fome e a sede foram maiores que o orgulho, e ele bebeu, de leve a princípio, depois com ansiedade, em grandes goles. Usagi sentiu uma pontada de culpa, mas sufocou-a, sa bendo que, apesar das lembranças doces daquele dia na feira, Mamoru Chiba era seu inimigo. O crime do irmão assim o tornara e não só partilhavam o mesmo sangue, mas, como gêmeos, ti nham partilhado também o útero da mãe. Além das necessida des de abrigo e sustento, não merecia consideração.

Repousou-lhe a cabeça no travesseiro e então, deixando de lado o cálice vazio, pegou a cesta. O olhar dele seguia cada movimento que fazia. Tirou o jarro com o bálsamo especial de Luna.

Retirando a tampa, Usagi advertiu:

— Isso pode arder um pouco, mas vai diminuir a dor.

— O que é isso?

— Não é veneno, se é com isso que está preocupado.

Ela mergulhou dois dedos no jarro, tirou-os com o bálsamo e mostrou-o.

— Uma mistura de ervas e outros ingredientes para curar ferimentos.

Ele cheirou, uma sobrancelha escura se erguendo de novo.

— Não me diga que também é uma curandeira?

Ela balançou a cabeça. Mantendo o toque leve, começou a passar o bálsamo nos ombros.

— O que sei sobre ervas e coisas assim aprendi com minha ama. Os remédios dela incluem tudo, desde amuletos contra mau-olhado até poções de amor... para jovens tolas — acrescentou, sem querer que ele pensasse que ela procurava coisas tão idiotas.

— Poções de amor? Há alguma nessa cesta? — Olhou-a com ceticismo.

O rubor cobriu o rosto de Usagi e ela sacudiu a cabeça.

— Não, não desejaria a maldição do amor para meu pior inimigo.

Ele deu de ombros, depois se encolheu como se o movimento lhe causasse dor.

— Então, o que quer de mim? Se é resgate, precisa saber que meu irmão prefere ver minha cabeça no alto de um poste a se separar de uma só moeda.

Ela tampou o jarro, colocou-o dentro da cesta e afastou-a; erguendo o olhar para ele, disse:

— Não é resgate que quero, mas paz... e um bebê. Uma criança com nosso sangue poderá acabar com o ódio entre os clãs mais certamente do que qualquer tratado. Para isso, Mamoru Chiba, você foi trazido aqui.

Mesmo com as sombras lhe cobrindo o rosto, o choque que Mamoru sentiu era evidente.

— Você mandou me seqüestrar para eu servi-la como um garanhão serve uma égua no cio? Você deve estar louca, milady.

Seria a idéia de fazer sexo com ela tão odiosa para ele? Usagi se encheu de vergonha, o rubor cobrindo-lhe o rosto. Só o senso de dever a impediu de fugir do quarto.

— E, no entanto, no grande hall, você quis um beijo como um último pedido.

O olhar dele se prendeu à boca de Usagi, que o suportou sem se mexer. Sempre fora muito consciente da boca, larga demais e com lábios muito cheios, o que contrariava o padrão de beleza da moda. Não era seu melhor traço.

— Sim, pedi.

Inimigo ou não, sentiu-se enternecida por ele.

— Quer me beijar agora? — Deus sabia o quanto queria beijá-lo.

Havia apenas luz suficiente para mostrar os movimentos dos músculos do pescoço dele quando engoliu.

— Sim, quero.

A admissão a fez ter esperanças de que ainda poderiam ser amigos, de que o sexo que fariam seria terno e amoroso. Esten deu a mão e lhe tocou o ferimento na face, querendo ser delicada com ele, esperando que sua ternura lhe inspirasse ternura tam bém. Luna não o havia barbeado e a pele áspera lhe arranhou as pontas dos dedos. Ele tentou afastar o rosto do toque dela.

— Antes de irmos adiante, responda a mais uma pergunta, milady.

Ela recuou, a mão trêmula.

— O que é?

Olhando para ela, os olhos dele endureceram e a boca retor ceu em desprezo.

— Está tão desesperada por sexo que precisa seqüestrar ho mens adormecidos que de nada suspeitam?

A pergunta insultuosa derrubou o resto de controle de Usagi.

— Silêncio, canalha. — Levou o braço para trás e bateu-lhe no rosto.