Três dias se passaram. E nada de Castiel atender Dean. Em compensação, Benny ficava cada vez mais com seu humor vacilando.
Dean não sabia o que fazer. De um lado, seu amigo vampiro estava perdendo o controle e ele não conseguia decifrar se Benny poderia virar uma ameaça ou não. De outro, Castiel não a atendia. E ele nem sabia o motivo. Na ultima vez que eles se falaram, foi tão gostoso. O caçador se sentia em paz perto do anjo. E agora, sem motivo nenhum, era ignorado. Será que Cas não se tocava de como o loiro o queria por perto? Por mais que reclamava que o moreno invadia seu espaço pessoal, no fundo, adorava ser alvo da atenção do anjo. Ele se sentia verdadeiramente importante. Seu coração ficava tão alegre e feliz, que pelo caçador, poderia viver a vida inteira conversando com Cas que seria simplesmente maravilhoso. Não entendia o significado dessa sensação, desse sentimento. Não sabia rotular. Só sabia que era a melhor coisa que lhe acontecerá na vida. Caçar monstros devia ter pelo menos uma recompensa...
Cansado de pensar e não chegar a conclusão nenhuma, o loiro resolve dar um jeito de arranjar o café. Tanto dele (que era mais fácil) como de seu amigo Benny (o que era mais difícil).
Benny sabia que havia alguma coisa errada com Dean. Ele estava visivelmente triste, apesar de tentar não transparecer. Já o vampiro estava muito preocupado. Sabia que existia um algo a mais entre anjo e caçador. Também sabia que nenhum dos dois admitiria isso, apesar de que esse tão sentimento ficou bem evidente no purgatório. Dois teimosos, isso sim! Benny sabia que Castiel não gostava dele e que tinha um pouco de ciúmes de sua amizade com o Dean. Para o vampiro, o caçador era como se fosse seu irmão.
Ele estava deitado na cama, pensando nos acontecimentos dos últimos dias. Como ele teve coragem de beijar Dean? Mas a maior preocupação dele era que andava desejando muito sangue ultimamente. Desde que ficou naquele ninho. Queria cravar seus dentes em um pescoço e fazer a festa. Entretanto, essa atitude não era mais dele. Benny não queria machucar ninguém. Então porque esse desejo voltou?
O vampiro sabia que estava entre a cruz e a espada. Ele queria ir embora, pois não sabia até quando conseguiria controlar. Por outro lado, Dean era o único que estava controlando seus desejos ocultos. Lógico que Benny não queria machucar o caçador. O que ele poderia fazer? Como se manter dentro da linha?
- Pelo visto acordou – diz Dean, que acabava de abrir a porta do motel, com o café da manhã de ambos nas mãos.
- Eu sou um vampiro, não a bela adormecida – revida Benny.
Ambos tomaram café da manhã em silêncio. Cada qual com seu alimento.
- Dean, eu já não aguento mais! Sei que você está preocupado comigo e por ser leal, esta aqui, mesmo sabendo que posso me descontrolar a qualquer momento.
- O que quer dizer com isso, Benny?
- Teve um dia que te beijei e queria seu sangue para mim. Ontem, eu te dei um soco e você voou longe. Não adianta fingirmos que não tem nada acontecendo, porque tem! Você está com medo de mim, eu sinto o cheiro de seu medo.
- Nada a ver Benny. Não tenho medo de você!
- Ah cara! Eu já escutei você rezando pro seu anjo falando que estava preocupado comigo, que eu to estranho e que era para ele aparecer. Às vezes eu penso que...
- Não. Nem pensar! Eu não vou te matar! Não quero mais sangue inocente em minhas mãos.
- Se você quer me ajudar, brother, tem que parar de fingir que nada esta acontecendo. Eu estou cada dia pior. Cada dia com desejos mais e mais sombrios. Não é trauma. É meu instinto vampiro querendo me dominar. E eu não quero te machucar. Não mesmo!
- Já volto! – Dean levanta-se e sai do quarto.
O caçador anda até achar que Benny não poderá ouvi-lo e liga para Sam:
- Fala Dean. – Sam diz formal
- Cara, eu estou ferrado!
- O que aconteceu? – diz Sam preocupado
- Tem alguma coisa errada com Benny. Ele esta com dificuldade de controlar seus instintos. Parece um bipolar. Fez coisas que nunca o vi fazer antes.
- Eu avisei que esse vampiro ia te causar problemas!
- E para completar – diz Dean ignorando a provocação de seu irmão – Castiel não atende meus chamados.
- O que você fez pro Castiel dessa vez?
- Nada. A ultima vez em que falei com ele, estávamos numa boa.
- Vamos ao que interessa. O que você quer de mim, Dean?
- Reza para o Cas. Vê se está tudo bem! Eu preciso da ajuda dele. Talvez ele tenha visto algo que me ajude com o Benny.
Eles conversam mais um pouco e encerram a ligação.
Sam sabe que seu irmão esta triste por Castiel não o responder. Por mais que Bobby e ele tiravam sarro de Dean, porque o anjo só atendia os chamados de seu protegido, Sam sabia que seu irmão gostava da atenção que o Cas lhe dirigia.
- Cas, não sei o que Dean lhe fez dessa vez. Nem sei se é da minha conta. Preciso falar contigo. Dean está preocupado e pode estar correndo perigo de vida.
Sam escuta um barulho de asas e deixa escapar um meio sorriso.
- Que foi Sam? – diz a conhecida voz do anjo
- Você simplesmente sumiu! Não responde aos chamados de meu irmão. O que ta pegando cara?
- Sam, você me chamou aqui para me questionar o motivo de eu não responder ao Dean? Pensei que era algo importante.
O irmão mais novo do loiro não acredita no que escuta. Castiel estava frio, indiferente com relação a seu protegido? Dean deve ter sacaneado demais o anjo, Sammy pensa.
- Perdi alguma coisa? – Sam começa, mas acha melhor mudar de estratégia – Cas, cara, Dean me ligou. Ele esta preocupado com Benny...
E a partir disso, conta à conversa que teve com seu irmão.
O anjo suspira com raiva. Passa a mão em sua cabeça num gesto de extrema impaciência.
- Você quer ajudar seu irmão, Sam?
- Lógico que sim. O que eu tenho que fazer?
- Seu irmão está correndo risco de vida. O que quero é que ajude a vigiar o Benny. Eu acho que sei como salvar o amigo de Dean.
- O que você quer... – Sam é interrompido por Castiel, que coloca a mão na testa do mais alto e o leva até a porta do quaro de motel que Dean está instalado. Logo após, desaparece. Sem dar explicações.
Sammy resolve fazer o mais sensato.
Dean andava para um lado e para o outro, desde que falou com seu irmão. Aguardava noticias. Benny já estava enjoado de ver isso e passava o tempo vendo TV. Escuta alguém batendo na porta. Meio a contragosto, resolve atende-la.
- Sam...
N/A: Não ficou exatamente como imaginei, mas foi o que consegui escrever. Espero que agrade!
