— Ei menino. Tudo ok?

— Tudo e você esta melhor?

— Sim, obrigado. E obrigado por não ter espalhado que passei mal.

— Não teria porque eu sair contando. Black né? Narcisa?

— Isso. E você é... ?

— Severo Snape.

— Hmm, obrigado Severo.

Era o primeiro ano de Severo Snape.

Tinha entrado na melhor casa de Hogwarts e em seu primeiro dia de aula viu uma pessoa passar mal. Claro que ele era inteligente o bastante para juntar os fatos e perceber que ela tinha passado mal devido ao primo.

Snape detestou que Lilian ficasse em outra casa, mesmo sabendo que seria impossível ela ir para Sonserina.

Ele odiou no primeiro momento Tiago Potter e Sirius Black, que era o primo da menina que ele tinha ajudado.

Através desse ato Snape tinha ganhado pontos com o monitor de sua casa e famoso no meio escolar.

Ele tinha arrumado também um bom grupo de colegas, pessoas mais velhas, mais inteligentes, dentre eles: Avery, Andromeda e Narcisa Black, Lucius Malfoy, Bartô Crouch, Rabastan Lestrange, Eloá Bulstrode, Ronan Goyle, John Crabbe, Walden Macnair.

Esse ultimo, era melhor amigo de Lucius.

— Esta ferrado Luc!

— Grande amigo Walden, uma cobra seria menos perigosa.

— Você devia estar agradecendo que seu pai vai te pressionar para arrumar uma esposa com sangue puro.

— Mas independente disso eu nunca me casaria com alguém sangue ruim.

— Ate que tem umas mestiças que são comestíveis.

— Porra Macnair, ate elas você esta pegando?

O rapaz moreno sorriu para o outro.

— Elas são as mais fáceis. Por falar nisso, como sou um ótimo amigo, arrumei um encontro para eu e você hoje à noite.

— Eu com você? — Lucius brincou, fazendo o amigo gargalhar.

— Esta tão na seca assim Luc? Aceitando ate macho?

— Desconjura! Meu negocio é mulher e bem gostosa. Você sabe disso.

— Sei...

Os dois estavam num banco no corredor central, cada garota que passava dava risinhos para eles, e bom... Eles não perdiam a oportunidade.

— Olha. Já pegamos quase um terço das garotas aqui em Hogwarts.

— Acho que não chegamos a pegar isso tudo.

— Fala seus víboras. — um garoto se aproximou.

— Sim, se incluir o Rookwood eu e você, com certeza pegamos um terço.

— O que? — Rookwood perguntou.

— Ah Augustus, Walden esta especulando que nós três devemos ter pegado um terço das meninas aqui em Hogwarts.

— Por ai... — concordou.

Augustus Rookwood sentou no banquinho com os outros dois.

— Minha meta agora é outra... — começou a dizer.

— A é, e qual é essa sua meta?

— Dar uns agarros na Black.

— De novo? Você não já pegou Andromeda? — Walden perguntou.

— Já. Não a Andy, a Ciça.

— O QUE? — os dois perguntaram.

— Pegar Narcisa Black. Viu como ela esta? Gostosa demais.

— Acho que você não tem chance. — disse Lucius.

— Definidamente não. — Walden completou.

— Ciça gosta de homem bonito, e graças a Merlin eu tenho essa graça. Ela namorava aquele Tom Scamander. Não vai ser difícil.

— Ela não deve querer te namorar.

— E quem esta falando em namoro? — Rookwood disse sorrindo.

— Esta louco ou o que? Vai levar a menina para cama e dispensar? Narcisa Black? — Walden disse assustado.

— Não, levar ela para cama é sonhar demais. Vou só dar uns beijinhos, como fiz com Andy.

— Pago para ver.

— Quer apostar quanto?

— Cinquenta galeões. — disse Walden.

— Eu pago cem galeões para cada um se os dois ficarem com a Narcisa. — Lucius disse.

— OS DOIS?

— Conquista é conquista.

— Eu pago quinhentos galeões para os dois se depois que eu ficar com ela, vocês dois fiquem também. — disse Rookwood.

— Então Augustus você fica, depois eu e depois Lucius? Ai você vai pagar quinhentos galeões para cada um de nós?

— Isso.

— Não ligo para o dinheiro, mas aceito a aposta.

— To dentro. — disse Macnair.

— Então esta apostado. — Rookwood disse saindo.

— Não acho que eu vá conseguir dar uns beijos em Narcisa. — Macnair disse.

— Walden, Walden meu amigo, você não faz ideia do que eu fiz no primeiro dia de aula...

— Mas é obvio que você vai contar.

— É obvio. Narcisa passou mal, e eu a levei para enfermaria. Ela desmaiou, sabe... Indefesa, no meu colo. E eu a beijei.

— Pelo veneno do Basilisco. Você o que?

— Beijei mesmo.

— Por que não disse para Augustus que passou na frente dele?

— Porque se você não prestou atenção, ela estava DESMAIADA. E isso não pode vazar.

— Sortudo demais Malfoy, para o inferno!

E Lucius sorriu pomposo.

O grupo mais unido da época, não era simplesmente unido por nada.

Seus pais foram unidos, seus avos e antecessores. Todos com o mesmo plano, todos acreditando na mesma coisa, e defendendo a causa.

Bruxos bons, são os com sangue puro.

Ninguém aceitava a mistura de raça, acreditavam que por causa do sangue puro, a magia forte ia transcorrendo por família, o que de tudo, não é mentira.

Os homens tendiam a serem semelhantes, cada um com sua beleza ou com a falta dela, por exemplo:

Augusto Rookwood era alto, pele branca com algumas pintas, cabelo castanho meio oleoso e olhos também castanhos.

Lucius Malfoy era diferente de todos, mas seguia o padrão de sua família. Alto, cabelo loiro bem claro, olhos acinzentados.

Walden Macnair era alto e musculoso, cabelos e olhos escuros, insistia num bigode que nem sempre assentava. Bonito apenas.

Rabastan parecia com seu irmão mais velho Rodolfo. Cabelos cuidados castanho escuro, rosto fino e sorriso sarcástico.

Avery parecia seu pai, também chamado de Avery. Era baixo, cabelos mais claros e olhos fundos, como se nunca dormisse bem.

Thor Rowle era um dos que mais chamava atenção junto com Lucius, por ter cabelos loiros também. A diferença é que ele era ainda mais musculoso que o Malfoy.

E Bartô tinha o cabelo claro e bastante sarda.

Já as meninas eram cada uma de um jeito, a começar pelas Black. Bellatrix e Andromeda tinham suas semelhanças. Olhos expressivos, grandes. Cabelos escuros, altas. A diferença estava no tom desse cabelo escuro, o de Bela era ainda mais forte.

Narcisa era o oposto, baixa, magra, cabelos loiros, olhos azuis.

Aleto era alta e cheinha, cabelos e olhos escuros. Eloá era da mesma forma, porem mais baixa e magra.

O mais novo no grupo: Severo Snape, era magrelo, branco. Cabelos pretos e o nariz meio grande.

Os dias foram passando, claro que Narcisa percebia uns comentários aqui e acolá de Rookwood para ela. Mas foi próximo à festa que o professor Horácio daria, que Augustus investiu suas fichas.

— E ai Narcisa, tudo bem? — ele chegou perguntando.

A loira estava sentada na mesa da Sonserina, no horário próximo ao jantar.

— Ótimo.

— Que bom, hein, você não quer me acompanhar na festa do professor Horácio?

Ela deu um sorriso. As pessoas sentadas ao redor estavam quietas. Inclusive Walden e Lucius estavam sentados logo à frente, junto com Thor Rowle.

— Não.

— Não?

— Não.

— Posso saber por quê?

— É claro. Primeiro, eu não quero. Segundo, já vou ao jantar com o Thor.

— Thor? — Augustus olhou para o colega que estava recebendo a noticia naquela agora.

— Não que eu seja melhor que o Thor, mas qualquer pessoa que enxergasse direito perceberia. — disse convencido, não aceitando perder.

— Acho que seu espelho esta quebrado, Rokwood. Além do mais, prefiro os loiros.

— Então deixa para próxima, quem sabe. — ele disse saindo de lá. Sem ouvir a resposta dela.

— Eu te falei que ele iria fazer isso. — Severo Snape disse.

A loira concordou com um aceno.

Severo escudou uma conversa de Augustus sobre dar uns beijos em Narcisa, ele não conseguiu identificar quem era o ouvinte, mas a conversa foi clara. E ele mais do que depressa, avisou a loira.

— Então Ciça, vai com Thor mesmo? — Andromeda perguntou sorrindo.

— Vou.

O loiro grandalhão deu sorriso ainda melhor.

— Tenho que escrever para minha mãe, preciso de uma roupa mais bonita, certo? — disse sem jeito, sob o olhar fixo da loira.

— Faz isso, peça a roupa mais bonita que tiver.

E Thor Rowle saiu rapidamente para a masmorra.

— Sabe Narcisa, você não precisava ter escolhido o Thor, bastava apenas dar um fora no Rookwood. — Eloá disse.

— Eu sei, mas quis assim.

— E sobre preferir os loiros? — Macnair perguntou, enquanto dava um chute em Lucius por baixo da mesa.

— É verdade. — Narcisa respondeu, tomando o ultimo gole do suco de abobora.

— É, mas ainda tinha Lucius como opção, ele é bem loiro. — Walden completou sorrindo.

Narcisa se levantou e deu um falso sorriso.

— Ainda tem o baile do dia das bruxas. — respondeu saindo da mesa.

A resposta fez com que Walden Macnair arregalasse os olhos, e Lucius desse um sorriso grande.

— Você viu Lucius, viu? — Walden disse quando os dois iam para masmorra.

— Vi.

— Só faltou ela sentar-se à mesa, abrir as pernas e dizer "vem Lucius"!

— Sem exageros!

— Ok. Mas foi quase isso, ela te deu uma cantada!

— Não deu, ela só deixou um aviso que no baile do dia das bruxas ainda estava disponível.

— Ela gosta de loiros, do nosso grupo praticamente só tem você e o Thor.

— Sei que ela gosta de loiro.

— Então?

— Então o que?

— Vai convidá-la para o baile?

— Calma Walden, ela foi muito seca com Rookwood, deve estar sacando algo.

— Não esta.

Lucius deu ombros.

E antes dormir sorriu lembrando-se do seu amigo levando um baita fora em pleno jantar, logo o conquistador Augustus Rookwood. Essa ficaria para historia.

Ate que ir ao jantar do Slughorn acompanhada de Thor não foi tão ruim, era o pensamento de Narcisa.

O rapaz basicamente só tinha tamanho, parecia conversar fluentemente com seus amigos, mas bastava à loira dizer um "A" que ele se embolava nas palavras.

Passou a maior parte do jantar ao lado do professor, recebendo todos os elogios.

— Mas a beleza dos Black ficou toda com você Narcisa.

— Ah professor, como é delicado.

— Ai d quem não concordar comigo. Do que esta rindo senhor Rookwood? Por acaso acha a senhorita Black feia?

— Não senhor, pelo contrario.

E a loira deu um sorriso seco para Augustus.

— Tenho certeza que seu encontro foi um fracasso! — Augustus a provocou, assim que o grupo entrou na masmorra da Sonserina.

— Qual é o seu problema? — ela perguntou ficando de pé com a varinha na mão.

O rapaz olhou para ela e depois para varinha antes de dar uma gargalhada.

— Que medo. — ele murmurou. — Sabe, achou que vou dar uma ideia para meu pai conversar com o seu, um casamento entre nossa família não seria nada mal.

— Não ouse, tenho nojo de você! — a loira disse com medo.

Mas antes de Narcisa tomou qualquer outra atitude, Andromeda levou a irmã para o dormitório feminino.

— Ciça, esses meninos são barra pesada, você não iria querer arrumar confusão com eles.

— Dane-se.

— São amigos de Bela, os pais deles são conhecidos mesmo de papai.

Isso bastou para Narcisa de calar, o pai de Augustus Rookwood era colega de seu pai, se a infelicidade assolasse sua vida e eles negociassem um casamento, a loira teria de aceitar o rapaz, que nesse momento, odiava com todas as forças.

Dormiu e teve um pesadelo terrível em que se casava com Augustus.

Poucos meses depois, a dia das bruxas estava chegando, e como de costume, o baile também.

— Sua irmã deve estar se descabelando, ela que enchia a boca para dizer que os Black são isso e aquilo, enquanto seu priminho foi para Grifinoria.

Aleto disse um dia durante o café da manha.

Narcisa a odiava com todas as forças.

— Se eu fosse você não ficava falando de Bellatrix por ai, é só um aviso.

A menina deu ombros, mas não ousou dizer mais nada.

— E ai, muitos pretendentes para o baile como todos os anos Narcisa? Sabe com quem eu vou? Tom Scamander.

A menina disse saindo dali saltitando.

Narcisa deu um sorriso sem humor. Aleto ia ao baile com Tom? Isso é o que ela pensava.

De tarde naquele dia Narcisa sabia que ele iria para a biblioteca após o treino de quadribol, como sempre fazia.

A loira sentou uma sessão sozinha e fungou quando ele passou.

— Narcisa? — o rapaz perguntou se aproximando.

A loira fingiu um choro.

— Ah oi Tom, você parece ótimo.

— O que houve Narcisa? Esta chorando?

— Não. Só estou preocupada, cheia de deveres sobre poções, e o baile se aproximando, sem nem um par...

— Duvido que não tenha um par.

O rapaz disse sentando-se ao lado dela. Ela desviou o olhar, ele era tão lindo.

— Tem uns caras estranhos e um menino que me persegue, tenho medo sabe.

— Te perseguem?

— É, e eu inventei que tinha par e não tenho... Você com certeza já esta acompanhado né Tom?

Ela disse encostando sugestivamente nele.

— Eu... Eu estou... Não. Não tenho par. Mas ficaria honrado em te levar ao baile.

— Que lindo, claro que aceito.

A loira ficou de pé e curvou sobre ele, depositando um beijo no rosto, bem próximo a boca.

— Narcisa? — ele chamou quando ela se afastou.

— Sim?

— Se precisar de ajuda com os exercícios me avise.

E ela concordou saindo da biblioteca.

Estava pensando em sua sorte. Tinha namorado Tom, ele além de bonito era um Corvinal muito inteligente. Ela sairia com um homem lindo, ele faria seus deveres e de quebra esfregaria na cara daquela rolhuda enxerida, como são os Black!

Perdida em pensamentos acabou esbarrando com Lucius na saída da biblioteca.

— Desculpe Narcisa.

— Tudo bem Lucius.

— Estava te procurando.

— A mim?

Ela perguntou curiosa, ela e Lucius mal trocavam palavras.

Os dois foram andando sentido às masmorras.

— Você sim. — ele disse parecendo um pouco sem graça.

— Então fale.

Ele segurou o braço dela e estendeu uma caixinha.

— Queria te convidar para ir ao baile comigo.

A loira arregalou os olhos e engoliu seco. Lucius Malfoy a estava convidando para o baile, isso era uma das coisas mais difíceis de acontecer na escola, visto que o rapaz sempre tinha varias garotas a sua volta.

Ela queria aceitar, mas tinha um porem.

— Lucius...

Ele entendeu.

— Você já tem um par, certo? Tudo bem. — disse se virando.

Ela correu e segurou seu braço.

— Tome, pode dar para a menina que levará ao baile. — ela ofereceu a caixinha de volta.

Ele negou com a cabeça e se afastou.

Essa era para você.

E saiu.

Narcisa sentiu o coração apertar ao abrir a caixa e ver um enorme narciso branco e amarelo.

Mesmo sem pensar Lucius era a pessoa mais inteligente do mundo.

E ir ao baile com ele seria o ápice de sua fama, mas algo que jamais aconteceria, pois ela tinha certeza que com esse "não", ele nunca mais a convidaria novamente.

O dia do baile chegou, no salão principal Aleto chegou acompanhada de seu irmão.

Todos estavam no grupo que normalmente andavam.

— Pensei que teria um superpar para o baile. — disse Andromeda.

— Ele veio todo romântico me avisar que já tinha convidado alguém antes, mas deixou claro que na próxima iriamos juntos. — a menina disse.

Lucius estava acompanhado de duas meninas.

Augustus Rookwood nem se deu ao trabalho de convidar Narcisa, seus planos para a loira eram outros. E ele foi acompanhado de uma menina do sétimo ano.

Walden foi com Andromeda.

Quando entrou no salão, chamou atenção de todos. Inclusive de quem mais queria: Aleto.

Narcisa vestia um longo sem decote, mas era num tom de azul que brilhava ao contato de qualquer luz. Destacando ainda mais os olhos dela.

Tom Scamander, como vários outros, não conseguia ficar mais de um minuto sem olhar para a loira.

Eles passaram pelo grupinho da Sonserina, Andromeda sorria orgulhosa da irmã, Rookwood desejou ainda mais a caçula dos Black.

E Aleto a encarava mortalmente, isso só piorou quando a loira deu um sorriso para a outra.

O local ficou escuro e a musica começou a rolar.

Lucius tinha rido bastante da situação.

Narcisa era veneno puro, astuta ate o ultimo fio loiro.

Ele entendeu que ela quis provocar Aleto, e conseguiu mais do que isso.

Isso era muito bom, meninas assim sempre se davam bem na vida, tinha personalidade forte e não se importavam em usar o dinheiro, fama e beleza para terem tudo o que queria.

As duas que estavam com ele não passavam de fantoches. Fantoches que nesse momento colocavam as mãos ágeis dentro de sua calça.

Bom, era hora de procurar um local mais calmo para se divertir ainda mais.

Ao fim do baile, Tom foi levar Narcisa ate as masmorras.

— Foi muito legal ir contigo, melhor do que ano passado. — ele disse.

— É, foi mesmo. A única diferença é que ano passado nós namorávamos. — ela concordou.

— Pois é. Então, boa noite.

Ele curvou para ela. A loira não perdeu tempo e o beijou. Parece que ele estava ficando mais velhos e mais ágeis no beijo, e urgentes.

Ela não foi dormir naquele momento, resolveram curtir um pouco mais.

No natal os Black foram para casa, junto com a maioria doas alunos, principalmente os Sonserinos.

— Tem certeza que não vai para casa Sev? — a loira perguntou ao menino que sempre conversava.

— Sim. Vou ficar, estudar. É só um natal.

— Ok, então fique bem.

Disse dando um abraço no menino magro, mas como Narcisa era baixa, ela era apenas um pouco menor que ele. Pelo menos ate que ele resolvesse esticar.

— Não sei por que perde tempo fazendo amizade com ele, é esquisito. — Eloá disse.

— Não acho. Ele é sincero e maduro para sua idade.

— Sei lá.

— É só colocar Severo ao lado de Sirius, olhe a decadência. — disse apontando para o primo que jogava bolas de papel nos outros.

Com aqueles amigos tão idiotas quanto ele.

Logo o expresso chegou, e Andromeda, Narcisa e Sirius foram para casa de Walburga.

Enquanto isso na mansão Malfoy, Lucius conversava com a serviçal. Seu nome era Poli e a senhora deveria ter uns... Cem anos.

Na verdade, Lucius sabia que ela era um aborto, mas ao mesmo tempo era útil na mansão, a melhor torta de morango de todo o mundo pertencia a Poli.

Poli tinha entrado na mansão quando jovem, o pai de Abraxas a recebeu como pagamento de uma divida. Desde então a senhora faz, obvio que coisas sem usar magica, naquele lar.

Ela cuidou de Lucius quando sua mãe morreu, e ela viveria naquela casa ate que morresse também.

— Isso esta me deixando doido!

— A senhorzinho Malfoy, não é tão preocupante.

— Como não? Tenho menos de seis meses para escolher uma noiva, uma noiva que vou viver para o resto da minha vida.

— Normal.

Ele bufou. Normal para ela que não tinha ninguém.

— E papai ainda marca de jantarmos durante o natal com os Black. Ele nunca passa essa data fora de casa, Abraxas acha que não saquei a dele.

— Seu pai é esperto, menino Malfoy.

— Como ele pode saber de tudo? É assustador.

— Foi previsível.

Lucius concordou com a senhora.

Abraxas não perguntou se Lucius tinha decidido qual seria a noiva, essa perguntava estava reservada para as férias.

Mas marcou um jantar no dia de natal com os Black. Lucius sabia que o pai estava achando que ele escolheria Narcisa.

E na verdade, das opções que tinha, ela era a mais intensa.

— Da vontade de mudar de opinião sabe, escolher qualquer outra noiva.

— O senhor não escolheria qualquer uma, e a senhorita Black é uma forte candidata.

— Queria escolher outra para frustrar papai.

— Pra que tanta rebeldia senhorzinho Malfoy? De que adianta frustrar o senhor Abraxas e ter uma decepção em seu casamento?

Lucius digeria o que a idosa falava.

— É mais fácil seguir o certo. E ser feliz.

— Casamentos não são para serem felizes, e sim para gerar herdeiros.

— Que seja.

Lucius já tinha chegado a uma conclusão, se era isso que seu pai queria e o apressava, assim seria.

Foi para o jantar na casa da família Black. Tudo ocorreu bem e ninguém pareceu se espantar com a presença de outra família, pelo contrario, pareciam bem à vontade.

— O lorde das trevas tem tudo que procuramos Luc. — disse Bela sentando-se ao lado de Rodolfo.

— É verdade, suas ideias para revolução são únicas. — ele concordou.

— Não sei. — murmurou Lucius.

— Pode ir a uma reunião, só para conhecer. O lorde já ouviu falar em sua família, deveria se sentir honrado.

— Quando é a próxima reunião?

— Amanha a noite, e aí Malfoy? Leve seu amigo.

— Isso, leve Walden. Com certeza o Macnair ira se afeiçoar. — Rodolfo concluiu a conversa.

E foi o que aconteceu.

No outro dia, Lucius e Walden participaram da reunião que mudaria suas vidas. O lorde era realmente único.

Em seus planos de inicio, pregava o fim da raça trouxa, e quem sabe eliminar o mundo deles?

Lucius foi facilmente reconhecido e conduzido.

Tinha dinheiro, sangue puro, fama. Tudo que o lorde presava.

— Comensais da Morte. — Bellatrix respondeu ao ser indagada pelo senhor.

— Exata querida senhora Lestrange. Os intitulo Comensais da Morte. Visto que estão seguindo as minhas regras e ordens e eu sou Lorde Voldemort.

Lucius logo se interessou. Mas o próprio lorde pediu para que ele aguardasse e cumprisse algumas ordens para então ter direito a ingressar no grupo como comensal.

Na casa da família Black tudo estava normal.

Andromeda andava meio sonhadora ultimamente, mas foi Narcissa começar a reclamar de dores de cabeça. Que Druella pensou ser um vírus.

Narcisa tinha recebido naquele dia uma carta de Severo Snape com um livro, seu presente de natal.

Será possível que ele não faz nada além de estudar? Era o pensamento da loira.
Tinha lhe dado um mini Xadrez Bruxo de mármore do Alaska. E ganhado um bendito livro.

"Ciça, leia com atenção e cautela. Tudo que vem, vai. Tudo que entra sai. Cale sua mente e viva".
Feliz natal, de seu já amigo, Severo Snape.

Ela achou confusa a carta, mas tudo nele era confuso. Abriu o livro "Contos, continhos e contões".

Deu um gritinho de pavor.
Mas percebeu que a capa de Contos, continhos e contões estava soltando. E sem pensar na consequência, saiu rasgando a capa infantil.

Um bilhete caiu em seu colo.

"Muito esperta, minha amiga".
E na capa dura, escrita com letras douradas brilhava o titulo original do livro: — OCLUMÊNCIA.

E ela tinha certeza que o conteúdo era importante. Recolou a capa de Contos, continhos e contões. Disfarçando novamente seu presente. E passou a lê-lo durante os últimos dias de férias de natal.

Faltando dois dias para voltar às aulas, a dor de cabeça constante de Narcisa não passava.

Chegou um dia dormir a tarde inteira, sabia que sua mãe iria prepara uma poção, então ao acordar, viu um frasco negro e borbulhando.

O cheiro era diferente, ate a temperatura era mais quente.
Antes de colocar na boca, ouviu um grito.

— NÃO, SUA BURRA NÃÃÃÃÃO!

E Bellatrix entrou correndo, tirando o frasco da sua mão.

— Ciça, meu Merlin, o quanto você tomou? Ai... Você não.
— O que foi Bela? Não cheguei a beber!
—Merlin, ainda bem.
— O que tinha nesse frasco?
— Isso é coisa minha e não sua. O seu era o frasco vermelho, não o preto.

A loira a olhou nervosa.
— O que tem ai Bela?
— Um poção para não ter filhos. Nunca.
— Por que você fez uma poção dessas?
— Não quero, não posso e nunca terei filhos. Por isso.
— Rodolfo sabe?
— Ele me apoiou.

Narcisa estava estupefata.

— Como alguém pode não querer filhos?
— Simples. Não querendo.

Lucius Malfoy tinha ido a uma reunião do lorde das trevas e seus servos. Os intitulados: Comensais.

Tinha gostado bastante. Levou Walden com ele, o amigo ficou igualmente empolgado com essa missão de eliminar sangue-ruim.
Já de volta a Hogwarts, Lucius estava ficando com uma menina, Glenda Chittock. Ela era da turma do sexto ano, uma menina bem liberal. Então essa pegação deles estava durando.

Nos corredores frios, já passava da hora de estar na cama e Andromeda andava depressa.
— Ei apressado come cru! — um garoto disse quando ela esbarrou nele.
— Mas pelo menos come, idiota!
— Estressadinha.
— Você sabe com quem esta falando? Sempre tão idiota!

Ela disse virando-se para ele.
— Com uma garota metida?

Ele sabia quem ela era, todos sabiam.
— Já conseguiu seus minutinhos de fama.
— Ah Black. Tão prepotente...
— E você tão irritante.

Ele deu um sorriso malicioso.
— Sou irritante, mas sou gostoso.
— Pobre coitado, mente para si mesmo.
— Detesto meninas como você. Acha-se melhor que todos.
— Eu SOU melhor que os outros, Tonks, e detesto caras como você!

Disse virando e saindo dali.
Mas Ted não ficou com raiva pelo comentário improprio. Ela disse seu nome. Ela o conhecia. Sabia seu nome. E isso fez com que o rapaz dormisse melhor à noite.

O ano letivo estava chegando ao fim. E em seu decorrer, Narcisa foi ficando de mau humor. Ficava á vezes com Tom, mas o menino não parecia querer compromisso sério mais.
Não que a loira quisesse. Mas ela não era do tipo que ficava com qualquer sem compromisso.

Faltava dois dias para o fim das aulas quando esbarrou com Lucius e Glenda no corredor.
— É isso mesmo monitor! — murmurou com secura, tentando fazer uma piadinha infame.
— Que inveja hein. — Glenda disse abraçando Lucius.

Narcisa fez questão de encará-la de cima a baixo. E então deu uma gargalhada.
— Nem se o inferno virasse gelo, eu conseguiria ter inveja de um vestido ultrapassado, cabelo ensebado, boca enorme e um rosto espinhento. Se enxerga ridícula!
— Acha mesmo que acredito em suas palavras? Isso para mim é recalque.
— Que pena de você. Não tem nada que eu queira, ou nada que eu não possa ter.
— Tenho Lucius. — a morena disse abraçando novamente o loiro.

Narcisa deu um sorrisinho.
— Você tem é uma fama duvidosa. E se quer saber... Tenho certeza que ate seu precioso Lucius prefere a mim! — a loira disse.
— E então Lucius, qual das duas você prefere?

Só então que Lucius foi prestar atenção mesmo na conversa das duas.
Ele teria que escolher uma? Para que?

Estava ficando com Glenda, e agora ela propunha dele decidir que preferia. Estava ferrado.
Glenda era gostosa, e não tinha problemas em acatar seus desejos sexuais mais intensos e diversificados. Ela era alta, morena, seios grandes. Tudo grande.
Narcisa era basicamente o oposto.
Loira, baixinha, magrela. Seios pequenos, um quadril levemente curvado. E para espanto dos homens, diferente do corpo da maioria, possuía uma bunda arrebitada, o que destacava muito em seu corpo magro.

— Eu não vou escolher nada. Não vou ganhar nada com isso.
— Ela cismou que você a prefere Lucius. Diga qual acha melhor, qual a mais bonita.

Ele respirou fundo. Se dissesse que era Narcisa, seu lance com Glenda terminaria. Se dissesse que era Gleda, estaria mentindo friamente. E era engraçado a forma que Narcisa provocava as pessoas que ficavam em seu caminho.
Glenda podia ser fácil e tudo mais.
Mas Narcisa era linda! E no estilo de menina que Lucius gostava, mais doce e feminina.

— A mais bonita é a Narcisa. Pronto, falei.
— O QUE?
— É a verdade querida, viva com ela. — a loira disse sorrindo.
— Como ousa Lucius? Que idiota!

A morena disse saindo com raiva dali. Narcisa criou coragem para olhar para Lucius.
— Me desculpe, não queria atrapalhar seu encontro.
— Sem problema, eu já estava enjoando dela mesmo.
— Não muda hein Lucius...
— Nunca.

E cada um seguiu seu caminho.
No ultimo dia de aula todos estavam no expresso, fazendo planos para as férias, prometendo cartas e encontros.

Lucius sabia que não teria para onde correr. Ate mesmo o olhar de seu pai era intimador.
Daqui a dois meses estaria cursando o sexto ano, então essas férias seriam definitivas.
Avisou seu pai que sairia e não tinha hora para voltar.

De noite ao chegar, foi ate a biblioteca onde Abraxas lia jornais e trabalhava.

Tinha maquinado todo o plano para o próximo dia, então não poderia esperar.

— Pai.
— Tudo bem Lucius? Chegou tarde.
— Fui fazer umas compras. — o jovem Malfoy disse jogando uma caixinha na mesa, frente a seu pai.
— Imagino que isso não seja para mim. — Abraxas disse sorrindo.
— Não mesmo. O senhor venceu, amanha peço a mão de Narcisa Black.

O rapaz disse pegando a caixa de volta e saindo da biblioteca, batendo porta.

Abraxas sorriu ainda mais, um dia o filho entenderia como os pais agem, e como tem a visão de um futuro bom e prospero.