O sol brilhava intensamente no glorioso céu azul, e não havia nenhuma nuvem para ameaçar o tempo. Como Stefan dissera, muitos casais e amigos estavam aproveitando o dia para fazer um piquenique no parque, e o campo estava lotado de crianças brincando.

- Parece um cena de filme – comentou Elena enquanto ela e Stefan colocavam o pano vermelho na grama.

Stefan sorriu e abriu a mochila que carregava os alimentos.

- Biscoitos, confere. Frutas, confere – falava – Chocolate, confere. Cachorro quente, confere...

- Você não espera que eu coma tudo isso, espera? – Elena riu.

- Onde está o refrigerante? – ele perguntou – Eu acho que esqueci... Espere aqui, já volto.

- Aonde você vai?

- Comprar refrigerante... Não vai demorar.

- Não, não precisa... – Elena começou, mas Stefan já estava caminhando para longe.

Ela suspirou e fez o que sempre fazia quando tinha que esperar por alguma coisa: observar. Ela olhou atentamente o casal de idosos e seus netos e supôs que eles deveriam estar juntos a mais de 50 anos. Como eles conseguiram se amar por tanto tempo?, ela se perguntara. Elena imaginou Stefan e ela daqui a 50 anos, os dois aparentando ser adolescentes para sempre...

- Olá, Elena – falou uma voz que ela reconheceria em qualquer lugar; a mesma voz que ela tem pensado o dia inteiro, a voz que faz seu coração bater mais rápido, de medo e ao mesmo tempo de uma ridícula alegria.

- O que você quer, Damon? – ela perguntou numa voz cortante, sem se virar.

- Quanta agressividade! – ele recuou, fingindo medo - Era de se esperar que você fosse um pouquinho mais gentil.

Ela olhou para ele fixamente, porém não mudou de posição.

- Stefan vai chegar a qualquer momento – avisou.

Ele sorriu seu típico sorriso torto.

- Então sugiro que conversemos em um lugar mais reservado.

Elena não se moveu.

- Mas nós podemos ficar aqui também, o que você preferir – ele começou a se sentar.

Ela suspirou e levantou-se bruscamente.

- Boa escolha – Damon elogiou.

- Rápido.

Os dois caminharam até o bosque sem trocar um olhar, muito menos uma palavra. Elena continuou séria ao parar atrás de uma árvore.

- O que você quer? – repetiu ela.

- Como Stefan reagiu ao ouvir o que aconteceu noite passada? – ele perguntou.

Ela fixou o olhar no chão e não respondeu.

- Oh, entendo – falou com uma falsa surpresa – Você não contou a ele.

- E você também não irá – mandou.

- É claro que não, não sou idiota. Mas estou curioso...

- O que? – perguntou Elena, redirecionando seu olhar ao rosto dele.

- Você não contou a ele por que noite passada não significou nada ou por que você quer deixar em segredo, assim como Katherine fez? – ele chegou mais perto, desafiando ela a falar a verdade.

Elena semicerrou os punhos ao ser comparada com Katherine. Ela havia prometido que não faria a mesma coisa que ela fez, e ela cumpriria essa promessa.

- Como pode significar algo, se eu nem o conheço direito? – ela também chegou mais perto, e ela teve que se concentrar para pensar racionalmente – Como, se eu vejo toda semana o que você faz com Vickie?

- Vickie? Quem é Vickie? – perguntou, confuso e irritado.

- Você não sabe ao menos o nome dela! – sua voz se elevou algumas oitavas – E não é só isso! Eu não sei nada sobre você, a única coisa que eu sei é o que Stefan me conta. Como você pode querer alguma coisa de mim se eu nem o conheço?

Ele continuou encarando-a, sem conseguir falar nada por alguns segundos, os olhos dos dois cheios de fúria. Ela pensou que ele ia avançar nela, machucá-la – e ela ficou ciente que ele realmente podia fazer isso. Mas ele não fez. Após de algum tempo quieto, a fúria deixou seus olhos e seu rosto tornou-se uma máscara fria e impenetrável.

- Talvez eu tenha errado – ele disse, tão frio quanto sua expressão – Talvez você seja mesmo parecida com Katherine. Na realidade, acho que vocês são iguais: manipuladoras e egoístas.

Isso a atingiu como um soco na barriga. Chocada, ela cambaleou para trás.

- É isso que você pensa mesmo? – sua voz estava mais forte do que ela esperava.

- Sim, é o que eu penso – respondeu, seu rosto ainda estava indecifrável.

- Então é melhor eu ir, Stefan deve estar esperando por mim.

Sem mais nenhuma palavra dos dois, Elena retirou-se com a cabeça erguida, sem demonstrar nenhum sinal de magoa ou ressentimento.

Ela não olhou para trás.

Elena não sabia a quanto tempo estava deitada ao lado de Stefan, brincando inconscientemente com o cabelo escuro dele. Podia ter se passado horas, como também segundos. Tudo parecia tão tranquilo em seus braços...

- Diga-me, Stefan – ela falou pela primeira vez em um bom tempo – Por que você me ama?

Ele se apoiou no braço esquerdo, de modo que pudesse enxergar o rosto dela.

- Por que você está perguntando isso?

- Eu preciso saber, por favor.

Stefan afagou as bochechas dela.

- Porque você é a pessoa mais linda que eu já encontrei, porque você é capaz de me amar sendo quem eu sou. Porque você é única e porque você não muda seu jeito de ser para agradar os outros. É meiga, inteligente... – ele pausou por um instante e riu – E porque você não é nada parecida com Katherine.

Elena deu um risinho histérico.

- Como assim?

- Você é boa, inocente. Katherine era egoísta, só pensava nela mesma. Você consegue ter um namorado vampiro mesmo sendo humana, consegue ser a rainha de um colégio, é melhor amiga de uma bruxa, sua maior inimiga é Caroline, e você ainda tem que lidar com as ameaças constantes de Damon. E você continua sendo boa! Qualquer um já teria feito milhares de escolhas que magoariam a todos, mas não você. Você sempre pensa nos outros.

Outro risinho histérico.

- É, ta legal... – foi tudo o que ela foi capaz de dizer.

Ela pensou no que os dois irmão falaram, um contradizendo o outro. Quem estava certo? É claro que Stefan não sabia de toda a história, mas Damon não poderia estar certo em relação a ela... Poderia? E se pudesse, Stefan continuaria a amá-la quando descobrir?

Novamente, o amor é uma droga.